CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

31 de outubro de 2012

ALAGOAS NO SILOGEU AMAZONENSE

Casa de Adriano Jorge
Estou empenhado na revisão do dicionário biográfico da Academia Amazonense de Letras (AAL), cujo original compete ao acadêmico Almir Diniz. Essa empresa tem me proporcionado algumas informações bem sugestivas, bem peculiares. Como a que relaciona os integrantes desta Casa de Cultura por local de nascimento.


Eis o pretexto desta postagem. O estado de Alagoas acaba de receber reforço na última sexta-feira, com a posse de Ernesto Renan Melo de Freitas Pinto. Com este, sobe a cinco os emissários alagoanos, os demais são: Adriano Augusto de Araújo Jorge; José Chevalier Carneiro de Almeida; Odilon Valeriano de Lima e Gebes de Mello Medeiros.


Adriano Jorge
Os três primeiros são fundadores da AAL. Adriano Jorge, graduado pela Faculdade de Medicina da Bahia, aos 21 anos, tornou-se, em Manaus, avultado brasão da cultura e emblemático profissional da saúde. Além de jornalista, participou da política, tendo sido vereador da cidade. Residiu por anos no bairro da Vila Municipal.
Quando da fundação da Academia de Letras, em 1918, ocupou a Cadeira 1 e o posto de presidente, o qual exerceu por três décadas até seu falecimento, ocorrido em Manaus a 3 de novembro de 1948.
Morto, Adriano Jorge recebeu três duradoras homenagens: do Poder Executivo, que efetuou a mudança do nome do bairro  para Adrianópolis; da Câmara Municipal, que adotou seu nome no plenário daquele Poder; e da AAL, que denominou a sede da entidade de Casa de Adriano Jorge. 

José Chevalier é igualmente lembrado por outro proeminente membro desta Casa: seu filho, Ramayana de Chevalier. Professor competente, o pai, depois de conquistar alunos particulares, adquiriu o Instituto Universitário Amazonense, situado à rua Dr. Moreira, esquina com a rua Quintino Bocaiúva. Imóvel ainda hoje existente.
Adiante, fechando o Instituto, passou a residir no casarão. Neste, também morou, durante os 18 anos que permaneceu no Amazonas, o cientista João Barbosa Rodrigues. E neste tradicional endereço, nasceram dois acadêmicos: Arthur Reis, que foi governador do Estado, em 1964-67; e o mencionado Ramayana.
Chevalier graduou-se na Faculdade de Direito do Amazonas, na primeira turma, em 1914. Entre outros empregos, dirigiu a Biblioteca Pública, Arquivo Público e Diário Oficial do Estado, ao tempo que estas repartições subordinavam-se ao mesmo diretor.  Não deixou publicação, todavia, uma escultura, de sua lavra, adorna a sede da Academia. Trata-se de um dos articuladores do movimento para a instalação do silogeu amazonense. Concretizada, fundou a Cadeira 20, cujo patrono é o filólogo João Ribeiro. Faleceu em 1940, no Rio de Janeiro. 

Odilon Valeriano de Lima nasceu em 25 de abril de 1897, em Viçosa das Alagoas, então próspero município próximo à capital. Quase nada se conhece deste acadêmico, apenas que estava em Manaus, quando se instalou a Academia Amazonense. Sabe-se que para preencher as 30 Cadeiras, foram aproveitados alguns nomes sem destaque, outros conhecidos somente pelo exercício do jornalismo.
De qualquer maneira, e até prova em contrário, Odilon mantém a marca do mais jovem a ingressar neste sodalício. Com apenas 21 anos, inaugurou a Cadeira 4, do patrono Sílvio Romero. Não há registro de sua retirada de Manaus. No entanto, diante da reforma dos estatutos em 1946, foi transferido para a categoria de correspondente. Fixara residência no antigo estado do Rio, empreendendo carreira política em Niterói (RJ), onde morreu em 1981.

Gebes de Mello Medeiros nasceu na capital de Alagoas, em 13 de setembro de 1915. Obteve o bacharelo na Faculdade de Direito do Recife (1944). Nesse mesmo ano, integrando uma comitiva daquela festejada Escola, foi recebido em Manaus pelo interventor Álvaro Maia. Nesse passeio, encantou-se pela capital do Amazonas e prontamente retornou.
Ligado à atividade teatral, aqui teve oportunidade de expandir esta arte, tendo instalado algumas atividades inerentes. Creio que o mais destacado tenha sido o Teatro Escola, inaugurado em 1957, no Teatro Amazonas, com a peça de Ariano Suassuna, Auto da Compadecida.
Seu bacharelado o capacitou a exercer o cargo de Promotor Público, tendo dirigido este órgão e outros afins. A par dessa atividade, Gebes Medeiros publicou dois romances: Fim de mundo sem fim  e Linha do Equador . Assim, foi eleito para a Cadeira 25, do patronato de Araújo Lima, em 6 de maio de 1994, e recepcionado a  13 de setembro do mesmo ano. Morreu em Manaus, em 2003.

30 de outubro de 2012

MANAUS: ONTEM E HOJE (2)

A avenida Castelo Branco leva o nome do primeiro presidente do Governo Militar, general Humberto de Alencar Castelo Branco. Antes, aquela artéria era denominada de avenida Waupés, instituída quando da construção do bairro da Cachoeirinha (1891-92). A artéria começava no igarapé do mesmo bairro e se estendia até à rua Belém, ou seja, atravessava (como acontece) o referido subúrbio.

Av. Castelo Branco no cruzamento da rua Humaitá


No entanto, ao cruzar com a rua Ipixuna, havia uma descontinuidade devido ao covão (cuvão, no popular) existente no local. Isso obrigava a uma curva acentuada que, devido aos acidentes causados no local, tomou a denominação vulgar de “curva da morte”. Nesta paragem, ainda funciona a mercearia do Carvalho.
 

Av. Castelo Branco com rua Ipixuna, a extinta "curva da morte"
Superado este obstáculo, a Castelo Branco encontra-se com o término da avenida Ramos Ferreira, pois, do outro lado da via, chama-se avenida Costa e Silva (outro general presidente).
As fotos mostram as duas épocas.



28 de outubro de 2012

ARTHUR NETTO: HOMENAGEM

A eleição de hoje voltou a consagrar Arthur Virgílio Netto. Em Manaus, derrotando os caciques de tantas tribos do Pê. Pois é, o povo ao elegê-lo, despachou tantos partidos políticos coligados para o “balatal”. A vitória também foi nacional, pois ele alcançou o maior índice (65,95%) de votos entre os eleitos, neste 2º turno.

Para homenagear ao conterrâneo, vou reproduzir nota de jornal que informava a consagração do melhor aluno. Trata-se certamente de sua primeira conquista: o sucesso no exame de admissão. Aquele desaparecido vestibular que atormentava os concludentes da 5ª série primária, que buscavam alcançar o curso ginasial. Hoje, apenas os que desfrutam da “terceira idade” se lembram dessa barreira.
Jornal do Commercio, 23
dezembro 1956
Pois bem. Arthur Virgílio Neto, disputando vaga no Instituto de Educação do Amazonas (IEA), obteve o primeiro lugar, entre mais de 500 concorrentes. Aconteceu em dezembro de 1956 e o vitorioso possuía 11 anos. 

O jovem Arthur Virgílio Neto classificou-se, nos exames de admissão ao curso ginasial, realizado no IEA, em primeiro lugar. (...) durante o curso primário, no GE Princesa Isabel, ocupou as mais destacadas posições entre seus companheiros, dirigindo, inclusive, o jornal oficial do referido estabelecimento.

A vitória de Arthur Virgílio Neto, sem dúvida, merece registro especial, acentuando-se a nota geral do moço aprovado: 9,6.

Ainda sobre o sucesso de hoje, que lembra aquele de 24 anos passados, quando AN derrotou os grandes tuxauas locais: Gilberto Mestrinho e Amazonino Mendes. O sucesso deste domingo possui outra dimensão, porquanto, não foram apenas os “patrões” desta zona que tomaram o rumo do seringal; Arthur Netto “surrou” os morubixabas federais, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff.  

Parabéns, e sucesso para Manaus.

RENAN FREITAS PINTO NA ACADEMIA DE LETRAS




Renan Freitas Pinto,
na posse
O professor doutor Ernesto Renan Melo Freitas Pinto recebeu, na última sexta-feira 26, do silogeu amazonense o colar acadêmico, empossado na Cadeira 32. A sessão presidida pelo acadêmico Arlindo Porto teve discurso de recepção do médico Marcus Barros. A assistência contou com expressiva representação da Universidade Federal do Amazonas, onde o agraciado pontifica. Discípulos, colegas de magistério e orientandos estiveram na plateia. A noite foi magnífica, especialmente, pela oração do doutor Renan, que lamentavelmente foi obrigado a encurtá-la pela dormência na mesa diretiva.
 
Símbolo da Academia Amazonense

Outro detalhe ficou por conta do cerimonial. A cada intervalo era anunciada a presença de um politico: no primeiro, foi chamado à mesa o deputado federal Francisco Praciano. No seguinte, a presidência proclamou a presença do deputado estadual José Ricardo Wendling e, por fim, o expressivo vereador Waldemir José, todos do Partido dos Trabalhadores (PT).

Ocuparam lugares no evento 15 acadêmicos: na presidência, Arlindo Porto e Armando de Menezes, ainda Rosa Mendonça, representante da Reitora da Ufam; nas poltronas azuis, Elson Farias e José Braga (ex-presidentes), Marcus Barros, Carmen Novoa, Marilene Corrêa, Moacir Andrade, Zemaria Pinto, Marcio Souza, Aldisio Filgueira, Abrahim Baze, Francisco Vasconcelos e Geraldo dos Anjos.

O discurso do novel integrante da Casa de Adriano Jorge,  ambos oriundos de Maceió (AL), correspondeu à sua cultura, constitui uma página significativa de sua formação acadêmica. Contou que, apesar de pais amazonenses, nasceu nas Alagoas devido a obrigação profissional do pai. Chegou a Manaus aos 19 anos, portanto, em 1962, às vésperas do Golpe Militar. 

Logo se fez amigo dos poetas Elson Farias e Luiz Bacellar, que o encaminharam no Movimento Madrugada, onde compartilhou a atuação dos artistas plásticos Álvaro Páscoa, Moacir Andrade e Getúlio Alho. Outra animação cultural de então foi a do Grupo de Estudos Cinematográficos (GEC), quando encontrou ao Márcio Souza e o padre Luiz Ruas.

Adiante, cumprindo a formalidade de posse, Renan formalizou sutil interpretação de seus antecessores, começando pelo patrono da Cadeira – Bernardo Ramos. Este, para o empossado, possui marcas definidas: (1) a coleção de moedas que Beré (tratamento familiar do patrono) alicerçou e atualmente embasa o Museu de Numismática estadual; (2) de agente da modernidade na Manaus do início do século XX, como viajante e vendedor de modas. 

O primeiro ocupante da Cadeira 32 foi o cônego Walter Nogueira, nascido em Coari (AM), porém com formação intelectual e religiosa a partir de Manaus e encerrada com doutorado em Roma (ITA). Exerceu o paroquiado da Catedral local e diversas funções públicas no Estado, todavia, restou assinalado pela instalação da Faculdade de Ciências Econômicas, em 1957, hoje incorporada a Ufam.

Na sequência, esta Cadeira coube ao economista Ruy Lins, por sinal, oriundo da Escola de Economia do predecessor. Lins, na condição de superintendente da Suframa, representou a mudança regional, preocupado com a formação de quadros.

Para encerrar sua oração, Freitas Pinto rendeu sua homenagem a dois saudosos acadêmicos, aos quais denominou de “iluminados na passagem entre nós” : Narciso Lobo e Luiz Bacellar.

Marcus Barros cuidou da recepção. Na condição de antigos companheiros, Barros soube resumir a passagem igualmente iluminada que o acadêmico Freitas Pinto realiza em nosso meio.

27 de outubro de 2012

ALMOÇO DOS ANTIGOS CORONÉIS



Coronel Raizer (à esq.) no dia da posse. A Crítica, 14 maio 1979
O costumeiro almoço mensal dos coronéis da reserva (aposentados) da Policia Militar estadual ocorreu ontem, no restaurante Cero´s, e contou com um distinto visitante. Trata-se do coronel Wilson Ribeiro Raizer, como os demais, da reserva do Exército, que foi comandante da PM amazonense no governo de José Lindoso (1979-1981). Em seu comando, foi criada a Polícia Feminina.

Passados trinta anos, foi difícil ao velho comandante relembrar aos então jovens comandados. Hoje, todos com os cabelos embranquecidos, uns até sem estes, ou com as curvas do corpo proeminentes e distintos males da “melhor idade”.
 
Polícia Feminina em desfile na av Djalma Batista, 2007
De qualquer maneira, foi uma farra. Os comensais: Pedro Câmara; Hélcio Motta; Romeu Medeiros; Amilcar Ferreira; Cavalcanti Campos; Odorico Alfaia; João Ewerton; Franz Alcantara; Assis Nogueira; Edson Matias; Abelardo Pampolha; Pereira da Encarnação; Ary Renato; Edson Pereira; Paulo Ramos; Frandemberg Maués; Celio Silva; Fernando Valente; Claumendes; Mael Sá e Roberto Mendonça, ao final, entregaram ao coronel Raizer uma nota manuscrita carimbando este evento.

Para os coronéis, o próximo encontro ocorre em 30 de novembro.  

26 de outubro de 2012

DEU NO... EM TEMPO

Eduardo Braga, 2009
Hoje, sobre o senador Eduardo Braga, o colunista Cláudio Humberto registrou em nível nacional (texto abaixo) o quanto o “caboco” amazonense já desconfiava de seu ex-governador. Em especial diante da derrota de sua candidata à prefeitura de Manaus. Toma!

PMDB tenta arrumar cargo para Braga no governo
Como já cumpre uma espécie de “aviso prévio”, ciente de que será demitido da função de líder do governo, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) negocia um lugar no ministério. Ele obteve o apoio de seu partido: o PMDB tenta convencer a presidente Dilma a nomeá-lo ministro dos Transportes, cargo ocupado por longo período pelo senador Alfredo Nascimento (PR-AM), seu adversário no Amazonas.

O “revezamento”
Dilma informou ao PMDB que fará um “revezamento” nas lideranças do governo. Mas disse isso so para se livrar de Eduardo Braga.

Coleção de erros
O Planalto culpa o líder do governo no Senado por algumas derrotas, negociações malfeitas e encaminhamento equivocado de votações.

Jornal EM TEMPO,
hoje

Pai do mico
Braga hostilizou a ministra Mirian Belchior (Planejamento), na votação da MP568, e se queimou com Dilma: “Brigou com ela, brigou comigo”.

Só ela faz isso
Dilma repreendeu o esquentadinho Eduardo Braga após uma bronca dele na ministra Ideli. E há relatos de humilhações a assessores.

CONVITE – IGHA

Amanhã 27, na sede do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, será realizado o lançamento do livro DESENHOS – MEMÓRIA & TESTEMUNHO DE MOACYR ANDRADE, patrocinado por diversas entidades culturais do Estado e do Município.


O traje é esporte e o horário, às 10h30.

25 de outubro de 2012

LIVROS PUBLICADOS EM MANAUS (1900-60) 4ª Parte

Capa do livro de Francisco Pereira, 1927
mais conhecido por Pereira da Silva
Tomei a iniciativa de listar os livros que foram publicados em Manaus, no século passado. Para facilitar a exposição, limitei-os ao período de 1900 a 1960. Abaixo, outra curta amostra.

1956

NORÕES, Sebastião. Poesia frequentemente. Fenix/Planície, 80p. (acervo da Biblioteca Pública e Mário Ypiranga Monteiro)
SALLES, Waldemar Batista de. Pétalas rubras.(crônicas) Sergio Cardoso, 287p. (acervo biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)
TUFIC, Jorge. Varanda de pássaros. Sérgio Cardoso, 66p. (acervo biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)
Consistório de Príncipes do Real Segredo (convite). Tipografia Reis Limitada. (acervo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas)
BENEVIDES, Aron Ypiranga. Pedaços de minha vida. Sérgio Cardoso. (acervo Biblioteca Pública e Mário Ypiranga Monteiro)
VALENTE, Aviz. Brasão de rimas (sonetos). Tipografia Palácio Real (acervo biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)
 
1958
Primeiro livro publicado por um membro do
Clube da Madrugada, 1956

CASTRO, Mavignier de. Amazônia panteísta. Sérgio Cardoso (acervo Academia Amazonense de Letras)
L. RUAS. Aparição do clown. Sérgio Cardoso. (acervo biblioteca do autor)
TUFIC, Jorge. Pequena antologia Madrugada. Sergio Cardoso, 128p. (acervo biblioteca Mário Ypiranga Monteiro  + Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas)
MONTEIRO, Mário Ypiranga. A Catedral metropolitana de Manaus. Sérgio Cardoso.
--------------. O Regatão. Sérgio Cardoso. (acervo Academia Amazonense de Letras)
CABRINHA, Hemeterio. Frontões. Sérgio Cardoso. (acervo Mário Ypiranga Monteiro)
BENEVIDES, Aron Ypiranga. Caroço amargo  (crônicas). Sérgio Cardoso. (acervo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas)
MAIA, Álvaro. Buzina dos paranás (poemas). Sérgio Cardoso.
----------------. Nas barras do pretório. Sérgio Cardoso, 200p. (acervo biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)
CARVALHO, Afonso de. O eterno caminhante. Sérgio Cardoso. (acervo Biblioteca Pública)
SOARES, Felismino F. Resposta. Livraria Clássica, 74p. (acervo Biblioteca Pública)

24 de outubro de 2012

ANIVERSÁRIO DE MANAUS (2)



Obelisco do centenário de Manaus,
inaugurado em 24 outubro 1948
É hoje. Manaus completa 343 anos de existência, contados da instalação do Forte da Barra do Rio Negro. Os matutinos de Manaus derramaram elogios e escritos de diversas autoridades. Todos responderam sobre aquilo que lhe perguntaram. Curioso, mas não houve qualquer manifestação do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (Igha), do qual faço parte, sobre esta efeméride. Nenhuma palavra.

A agremiação que em tempo do século passado tinha voz altiva. Possuía competência para determinar regras na linha do tempo; possuía ingerência sobre decisões do governo nessa área; possuía disposição para apreciar tema controverso, convidado ou não, e expor sua opinião. Enfim, o Igha participava com envergadura. 

Na postagem anterior, relembrei a publicação do Diário Oficial sobre o centenário da elevação da Barra à condição de cidade, portanto, esta era a data do “nascimento” de Manaus.
O texto é de 1948, lembrando a lei nº 145, de 24 de outubro de 1848, outorgada pela Assembleia Provincial do Pará.
Programa do centenário, Diário Oficial de
24 outubro 1948

Dentro das condições da decadente capital da borracha, a festa foi intensa, ao menos em espaço. Durou mais de uma semana, pois se prolongou de 17 a 24 de outubro.
No domingo 17, a comemoração começou ás 7h30 com o concurso de tiro ao alvo, no estande da Polícia Militar (construído no fundão existente ao final da atual avenida Castelo Branco, onde hoje existe a EE Getúlio Vargas). Houve ainda jogos de futebol, retretas, palestras em grupos escolares, provas esportivas. Dia 23, houve sessão solene na Câmara Municipal, no diretório da UDN, no bairro de Constantinópolis (hoje Educandos) e à noite, outro encontro solene na Casa do Trabalhador. Para encerrar o dia, baile no Atlético Rio Negro Clube.

Dia 24, domingo, o encerramento das comemorações começou mais cedo, às 5h30, com a alvorada pelas bandas de música que percorrerão (a pé) a cidade, deve ter sido o centro da cidade. Seguiu-se a missa campal, na Praça do Congresso, “para pedir a benção de Deus” para a esta cidade. Ao final da missa, os jovens de colégios e escolas e grupos escolares desfilaram em direção à praça da Matriz, onde foi inaugurado o Obelisco (aquele mesmo que ainda resiste ao vandalismo e outras ameaças). Para encerrar a manhã, a Maçonaria fez inaugurar obras no templo da Loja “Esperança e Porvir”.

À tarde, no Parque Amazonense, a Tuna Luso de Belém (PA) enfrentou um combinado amazonense (desconheço o resultado).

E à noite, encerrando os festejos do centenário de Manaus, duas atividades: às 20h, a sessão solene no Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (Igha), consagrando a data. E, às 20h30, espetáculo público no Teatro Amazonas, como acontece hoje para os 343 anos. Como afirmei acima, o meu Igha deixou de operacionalizar a história amazonense.
Até o próximo parabéns pra você, Manaus (abaixo, em foto de 1980).


23 de outubro de 2012

ANIVERSÁRIO DE MANAUS



Diário Oficial, de 24 outubro 1948 
Amanhã, nascida em 1669, Manaus aniversaria, completando 343 anos. Mas é sabido que esta data foi composta por dois acontecimentos: o ano da instalação do Forte com o dia e mês da lei que elevou o Lugar da Barra à cidade de Manáos (24 de outubro de 1848).
Em suma, essa combinação ainda suscita dúvidas. Aproveito uma edição do Diário Oficial para tentar explicar melhor essa assertiva.
 
Em 1948, o órgão oficial do Estado publicou uma edição especial saudando a elevação da Vila da Barra e categoria de cidade. Vários escritores aproveitaram para expressar suas opiniões. O editorialista assegurou que “já transformada em radioso povoado, com suas ruas traçadas alguma coisa irregularmente, que a Barra, então simples vila, passou, a 24 de outubro de 1848, à predicação de cidade, com o nome de cidade de São José da Barra do Rio Negro, nome que perderia, a 4 de setembro de 1856, passando a chamar-se cidade de Manaus, em homenagem a tribo de índios desse nome que estanciava pelo rio Negro e de que era principal o heroico Ajuricaba.”
 
Diário Oficial,
24 outubro 1948
 
Anísio Jobim, autor de livros sobre a história regional, foi mais enfático: “O Amazonas festeja com o devido brilhantismo a passagem do centenário da elevação da vila de Manaus à categoria de cidade, com a denominação de Cidade da Barra do Rio Negro, por lei da Assembleia Provincial do Pará nº 145, de 24 de outubro de 1848”.
 
Mais de vinte anos depois, mais precisamente em 1969, sendo prefeito de Manaus o Dr. Paulo Pinto Nery, houve uma substancial modificação sobre o evento. Apoiado por entidade cultural amazonense, nesse ano Manaus comemorou seu tricentenário. Como não se conhece a data precisa da instalação do Forte local, este alcaide promoveu a junção que assinalei na abertura desta postagem.
 
A decisão, porém, seguia sofrendo argumentação desfavorável. Por isso, em 2001, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, sob a presidência de Robério Braga, lançou uma revista especial para marcar os 322 anos da “Manaus sorriso”. Desde então o aniversário segue promovido com apreço e Boi Manaus.

 
 

22 de outubro de 2012

MANAUS: ONTEM E HOJE (2)

Há 40 anos, a avenida Getúlio Vargas, ainda sem o trânsito intenso que conhecemos, era capaz de receber o fluxo tão insignificante da rua Tarumã. Sequer havia semáforo no cruzamento. Os fícus benjamins ainda em crescimento, daí ser possível divisar o quartel da Praça da Polícia.

Avenida Getúlio Vargas (acima, acervo Moacir Andrade),
abaixo, própria


 
Na mesma época, a avenida Airão (hoje denominada sem muita convicção de Ministro Waldemar Pedrosa) começava a mudar de aparência. O registro mostra o trecho desta artéria entre a atual rua Joaquim Gonzaga (antiga Getúlio Vargas) e a rua Tapajós. Como ponto de referência, o Hospital Santa Julia, edificado no lado direito. A vegetação existente hoje não permite observar este ponto.

Avenida Airão ou Ministro Waldemar Pedrosa, (acervo pessoal)



 

21 de outubro de 2012

MORTE DO PADRE CLÁUDIO ROSSINI



Padre Cláudio Rossini, na
Livraria Valer, no lançamento do
livro do amigo padre Celestino
A Manaus católica foi tomada de sobressalto hoje, quando a notícia da morte do padre Cláudio Rossini, aos 48 anos e em plena celebração da missa, circulou. Vigário da paróquia de Nossa Senhora dos Apóstolos, no conhecido Conjunto Dom Pedro, pertencia à Ordem dos Palotinos e estava em Manaus há pouco mais de cinco anos.

Confesso-me surpreendido, pois, antigo seminarista, nunca soubera de fatalidade tão marcante, ou seja, o falecimento do padre no decurso da missa. Nem sequer um mal estar severo, que o impedisse de prosseguir no altar. Por isso, quando ouvi esta notícia em rede nacional, tomei-me de espanto e de pesar. À noite, na missa de corpo presente, os detalhes do acidente foram especificados. O infarto que acometeu ao sacerdote foi fatal, mesmo que médicos presente ao local o socorressem e o SAMU, com presteza, não impediu o desfecho. Morreu servindo ao Senhor.

O pesar provinha do razoável contato que mantive com o padre Cláudio, então vigário da paróquia de Nossa Senhora de Fátima, do bairro da Praça 14. Sua transferência para a igreja de Dom Pedro ocorreu no meado deste ano, creio. E a despeito do pouco tempo naquela paróquia, conquistara a admiração de seu “rebanho”.

Homem dinâmico, com espirito de renovação, inclusive do ambiente da igreja, impressionava. Em Fátima, promoveu uma substancial modificação externa e dentro do templo, adequação de som e de conforto para os frequentadores da igreja. O mesmo já produzia na Rainha dos Apóstolos.

Como padre Cláudio entendia de editoração e impressão de livros, busquei-o para finalizar a edição de material literário do falecido padre Luiz Ruas. Levamos um bom tempo discutindo sobre, restaurando e consertando a obra, mas não deu...

Obrigado, padre Cláudio Rossini, pelo apoio, pelos e-mails, pela conversa livre e folgazona de sua peculiaridade que tive o prazer de desfrutar. Descanse em paz!


Padre Cláudio dirigindo a restauração do interior da
Igreja de Nossa Senhora de Fátima
 

MANAUS: ONTEM E HOJE

A primeira foto mostra a manifestação de apoio ao presidente Getúlio Vargas, promovida pelos motorneiros, fiscais e cobradores de bondes da The Manáos Tramways, em agosto de 1945. A segunda, óbvio, foi captada hoje.

A motivação era o término da II Guerra Mundial. Aconteceu na avenida Sete de Setembro, e este registro foi realizado na segunda ponte, na esquina da rua Jonathas Pedrosa.

A faixa conduzida pelos manifestantes registrava:
 

SALVE – GETÚLIO VARGAS – SALVE

Os empregados da Manáos Tramways, comemorando o dia da vitória, saúdam as gloriosas Nações Unidas e a heroica Força Expedicionária Brasileira.
A edificação na "cabeça" da ponte´continua firme,
registrando o acontecimento.

20 de outubro de 2012

ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS: PATRONO



Símbolo da Academia Amazonense
de Letras
Cadeira nº l3 - Estelita Tapajós

Ainda não me foi possível descolar uma fotografia deste Patrono desta cadeira da Academia de Letras. Sabe-se que José Estelita Monteiro Tapajós, nascido em Manaus, a 5 de janeiro de 1859, concluiu o curso elementar na capital amazonense, o secundário, em Belém (PA), e o curso médico na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, tendo se radicado em São Manoel (SP) onde exerceu a profissão, segundo seus contemporâneos, como verdadeiro sacerdócio.
Viajou pela Europa em missão de estudos. Ao voltar ao Brasil, esteve no Rio de Janeiro, depois em São Paulo (capital). Dali retornou a Itália e, por fim, a São Miguel do Paraíso, região sorocabana. Professor de Biologia e cientista de renome. Estelita Tapajós integra a diminuta relação de amazonense ilustres eleita pelo historiador Anísio Jobim, constante de sua História do Amazonas. Constitui um dos três luminares da família Tapajós, com Manoel e Torquato.
Foi selecionado para patrono da Cadeira 13 desta Academia de Letras, em razão da projeção dada ao seu Estado natal. O acadêmico Arthur Reis, quando governador do Estado (1964-67) prestou-lhe homenagem, dando seu nome à Escola Estadual existente no bairro de Educandos.

Deixou publicadas as obras: Corumbiose organica; Biologie syntetique; Psycho-Physiologia da percepção e das representações, 1890 (tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro); Ensaio de Philosophia e sciencia (com prefácio de Silvio Romero), 1898; A verdade, Rio 1894.
Faleceu no interior de São Paulo (São Manoel) a 3 de dezembro de 1912, com 52 anos de idade.
Para saber mais sobre este acadêmico, consultar: REIS, Arthur. Elogio de Estelita Tapajós. Revista da Academia Amazonense de Letras nº 12, julho 1968; BADARÓ, Marília Azevedo Righi. Reflexos da mentalidade cientificista na obra de Estelita Tapajós. São Paulo: Faculdade de Educação da USP, 1980 (Tese de mestrado). BLAKE, Sacramento. Dicionário bibliográfico brasileiro. Rio: Conselho Federal de Cultura, 1970, v.4; JAIME, Jorge. História da filosofia no Brasil. Petrópolis: Vozes; São Paulo: Faculdades Salesianas, 1997. v.1; VITA, Luís Washington. Estelita Tapajós, precursor de Splenger?  In: ANAIS do I Congresso Brasileiro de Filosofia. São Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia, 1950. v.1.

18 de outubro de 2012

ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS: CONCURSO



Material de divulgação do
concurso

A direção da Casa de Adriano Jorge promove o 3° Concurso Manaus e Poesia em homenagem ao 343º aniversário da capital amazonense. Qualquer pessoa pode participar com poema(s) inédito(s), versando obrigatoriamente sobre a cidade de Manaus. Atenção, o candidato pode concorrer com mais de um poema.
A inscrição ocorre na sede desta Academia de Letras, localizada na rua Ramos Ferreira n° 1009, Centro. O prazo vai de 8 de outubro a 8 de novembro de 2012, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 14h30.
O trabalho deverá ser apresentado em papel formato A4, cor branca, fonte Times New Roman, tamanho 12. Não se esquecer de assinar com pseudônimo. A identificação do candidato será feita em outro envelope. O julgamento será realizado em 7 de dezembro, no final da tarde.
Serão escolhidos os três melhores poemas. Cada um receberá o Prêmio em dinheiro de R$ 3.000,00 (três mil reais). E mais, Diploma de Honra ao Mérito e publicação na Revista da Academia.
Os poetas e simpatizantes estão convocados.

17 de outubro de 2012

DEU NOS JORNAIS DE MANAUS



Jornal EM TEMPO, hoje
Hoje, os matutinos de todos os tamanhos enfatizaram o “presente” do Governo Federal para o Amazonas: 2 bilhões de reais.

Os dirigentes presentes e futura deveriam mostrar aquele sorriso. No entanto, não é o que se vê na foto divulgada pelo governo local.


Mais parece um velório. Ou então, a presidente Dilma, antes de passar a caneta, passou uma bronca geral no trio. A distância e o mal estar do senador Braga é visível. De Aziz, idem e ibidem. Até a candidata à Prefeitura perdeu o rumo... na foto.

 
Senador Braga (a partir da esq.), senadora Graziottin, governador Aziz e
a presidente Dilma. Jornal EM TEMPO, hoje

Se pudesse alcançar a Presidente, aconselharia a ela que não viesse a Manaus, é perigoso. Na sexta, tem o final da novela e, na segunda, ressaca... Na terça, pode aumentar o “apagão”...

15 de outubro de 2012

VIDA E MORTE DO PENSADOR (final)

Júlio Uchoa (*)

 
Eduardo Ribeiro
plantou a semente com o mesmo esforço
e dedicação procuramos fazê-la brotar.
homenagem da Prefeitura de Manaus
1978
Ontem, completaram-se 112 anos da morte de Eduardo Ribeiro. Morte que prossegue misteriosa. A publicação do falecido Júlio Uchoa, quase 50 anos depois, portanto, ainda contando com detalhes bem próximos, trouxe algumas elucidações sobre o acontecimento.

Encerro hoje esta publicação e, ao mesmo tempo, dou início a divulgação de excertos do inventário daquele ex-governador, para que se sinta o tamanho de sua riqueza. Riqueza que foi dilapidada, sem piedade. Como não podia ou devia resistir, nada restou daquela herança. 
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Era um caso para apurar, na ocasião, abrindo-se o competente inquérito pelo poder público. Os depoimentos do doutor Menélio Pinto e do tenente Emidio da Silva trariam, certamente, os esclarecimentos necessários. Seria, aliás, de interesse do próprio governo de então, sobre o qual pesam, ainda hoje, depois de volvidos quarenta e nove anos, as mais graves acusações.

Vejamos o que dizem os historiadores regionais. Artur Cezar Ferreira Reis escreve, em História do Amazonas, que a morte de Eduardo Ribeiro ocorreu “em circunstâncias um tanto misteriosas”; Mário Ypiranga faz alusão à versão corrente da existência de “umas ervas trazidas especialmente de Santarém” para envenenar o Pensador.

Muitas outras versões correm por ai, a respeito da horrível trama que eliminou o saudoso maranhense, sem nenhuma comiseração à insanidade que lhe combalira o organismo, provocada esta possivelmente pelo veneno que lhe fora inoculado, mesmo porque, os politicoides (sic) sem entranhas, temiam o seu restabelecimento, como predissera o professor Ludovici, eminente psiquiatra italiano.

Há, assim,  a notícia do desaparecimento misterioso daquele médico residente em Manaus, o qual, depois de examinar detidamente o cadáver, declarara, em altas vozes, não concordar absolutamente com o parecer dos seus colegas que subscreveram o atestado de óbito de Eduardo Ribeiro, visto tratar-se, diante da evidência dos sinais que constatara, não de um suicídio, como se fizera capciosamente, acreditar, mas de um bárbaro crime, frio e premeditadamente cometido.

Referiu-nos esse fato, para nós desconhecido, o digno amigo e colega Antônio de Castro Carneiro que o ouvira de seu genitor, quando certa vez, viera à baila a morte do inolvidável homem público. É, assim, mais uma versão sobre o doloroso acontecimento.

Por ocasião da morte do Pensador, o doutor Silvério Nery, governador do Estado, não se encontrava nesta cidade, pois que na noite de 13 seguira adoentado, com a família, para Paricatuba, em companhia do superintendente municipal, doutor Artur Araújo, indo este, também com a família.

Comunicada ao chefe do executivo estadual a infausta notícia, por meio de embarcação rápida que saíra de Manaus às 7 horas do dia 14, o governador, por estar doente, não pode vir à capital, tendo delegado poderes para representá-lo nos atos fúnebres, ao doutor Porfírio Nogueira, secretário do Estado. 

Constituiu o enterro de Eduardo Ribeiro verdadeira apoteose. Nunca se tinha visto tamanha consagração a um morto por parte do povo. Dez bondes superlotados partiram da antiga estação, à praça da República (hoje Pedro II), com destino à residência do falecido.
 
Quando os bondes chegaram à Chácara Pensador, já havia ali incomputável massa humana, formada de todas as classes sociais. O ambiente era de intensa tristeza. Todos estavam compungidos, diante da tremenda realidade. Já não mais existia o benemérito cidadão que transformara uma grande aldeia em uma cidade moderna.

No meio da sala estava o caixão que guardava os restos mortais de Eduardo Gonçalves Ribeiro. Era riquíssimo, de pelúcia preta, todo guarnecido de rendas e galões de prata fina, tendo um passarinho nas pontas da cruz, também, de prata; aos pés, bem feito monograma com as iniciais – E.G.R.

O caixão estava sobre uma essa de luxo, ardendo quatro velas ao lado. O corpo vestia casaca, gravata preta e botinas de verniz.

Fez a recomendação monsenhor Benedito da Fonseca Coutinho acolitado por quatro padres agostinianos. Conduziram o caixão para o bonde fúnebre, o coronel Afonso de Carvalho (presidente da Assembleia), doutor Porfírio Nogueira, coronel Emídio Pinheiro (comandante da Polícia) e o desembargador Joaquim Lisboa; o veículo estava ricamente preparado, de veludo preto com franjas prateadas e bordas brancas.

O féretro partiu da Chácara às 17 horas e 15 minutos, abrindo a marcha fúnebre o carro que conduzia o corpo, seguindo-o 10 bondes apinhados de gente. O préstito chegou ao cemitério de S. João Batista às 18 horas. A essa hora a necrópole já se encontrava cheia de amigos do pranteado morto “que numa ânsia dolorosa e triste esperavam o seu cadáver”.

Do carro fúnebre à capela  do campo santo,  conduziram o caixão os senhores major Domingos Andrade, delegado do Grande Oriente, Leonel Mota,  doutor Plácido Serrano, major José Gonçalves Dias, José da Silva Viana e doutor Gaspar Guimarães.

Falaram a beira da sepultura: doutor Porfírio Nogueira, secretário do governo, em nome do Estado do Amazonas; major Domingos Andrade, delegado do Grande Oriente do Brasil; senhor Alberto Leal, pela colônia portuguesa; doutor Barbosa Lima, em nome do jornal Amazonas; em nome do Congresso Legislativo discursou o coronel Afonso de Carvalho; senhor Leonel Mota, pela loja maçônica “Esperança e Porvir”; pelos operários, o senhor J. dos Anjos.

Baixado o caixão à sepultura, foram lançadas sobre a mesma, pelos amigos do inesquecível cidadão inúmeras flores naturais. (fim)

(*) O Jornal, Manaus, 16 de outubro de 1949
Em um dia de Finados...
 
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O despacho judicial demonstra o extremo cuidado para com os bens do falecido. No mesmo dia, 14 de outubro, doutor Bonifacio abre o processo.

O Doutor Emilio Bonifácio Ferreira de Almeida, Juiz Municipal de Órfãos, Ausentes e Interditos de Manaus, capital do estado do Amazonas, etc. 


Havendo falecido hoje em sua chácara denominada Pensador, no bairro da Cachoeira Grande, desta cidade, o Doutor Eduardo Gonçalves Ribeiro, sem deixar herdeiros presentes, deixando, entretanto bens que devem ser devidamente acautelados, mando que o Escrivão Nogueira, autuando este, intime os Doutores Curador Geral de Órfãos, Ausentes e Interditos e o Procurador Seccional da República, para o dia quinze do corrente, às nove horas no referido lugar, proceder-se à arrecadação e arrolamento de ditos bens, dos quais nomeia Curador o Doutor Amaro Carneiro Bezerra Cavalcanti, que também será intimado.

Cumpra.
Manaus, 14 de outubro de 1900 

Eu, Francisco Nogueira de Souza, escrivão, escrevi.

a)    Emilio Bonifácio Ferreira de Almeida.