CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

31 de março de 2010

Memorial Amazonense

Março, 31

1931 – Manoel Severiano Nunes é nomeado Prefeito de Itacoatiara. No entanto, em 9 de Set., solicita demissão e é substituído pelo bacharel Manoel José Machado Barbuda.


1964 – É implantada no País a denominada Revolução Democrática Brasileira, gerida por militares federais, que assumem o Poder Executivo. O movimento impôs ao País e, conseqüentemente, ao Amazonas a renovação de quadros políticos. Promove alguns benefícios sociais, a despeito dos entraves constitucionais impostos aos brasileiros. Nesse periodo é consolidada a Zona Franca de Manaus.
No Estado, foram presos alguns “comunistas”, sem que se tenha registro de espancamentos e torturas. Alguns políticos foram cassados, destacando-se o governador Plínio Ramos Coelho, o ex-governador Gilberto Mestrinho e os deputados estaduais Anfremon Monteiro e Arlindo Porto. Alguns presos permaneceram no Quartel da Praça da Polícia, outros, no Quartel do 27.º BC, situado no bairro de São Jorge. Em nossos dias conhecida por Ditadura Militar, esta durou até 1985.

                             O Jornal. Manaus, 31 Março
1970 - Abertura ao tráfego da Rodovia Presidente Costa e Silva, inaugurada no dia anterior. Na verdade, é uma larga avenida iniciada no bairro da Cachoeirinha para atingir o aeroporto de Ponta Pelada. Hoje, é conhecida por avenida Silves. A foto mostra ao fundo o cruzamento desta com a rua Maués, sobressaindo o depósito da Bemol.







1970 - Instalação da Base Aérea de Manaus, em solenidade presidida pelo marechal-do-ar Marcio de Souza Mello, ministro da Aeronáutica, depois vice-presidente do País.
O Jornal. Manaus, 31 Março.



1974 – Fundação do Hospital de Moléstias Tropicais, situado na avenida Pedro Teixeira, bairro do Planalto. Em 1979, é transformado em Instituto de Medicina Tropical de Manaus. Atualmente, ainda no mesmo endereço, é uma fundação.

1985 – Dom Clóvis Frainer, nascido em RS, e transferido da diocese de Coxim (MT), assume a arquidiocese de Manaus, tornando-se o quarto arcebispo metropolitano de Manaus.

2005 –  Narciso Julio Freire Lobo é empossado na Academia Amazonense de Letras, na Cadeira 15, de Graça Aranha. Nascido em Manaus, graduou-se em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense. Realizou o Mestrado (1984) e Doutorado (1997) na USP. Autor de A tônica da descontinuidade: cinema e política em Manaus nos anos 60. Com Selda Valle, publicou Hoje tem Guarany e No rastro de Silvino Santos. Morto em julho de 2009.

30 de março de 2010

Memorial Amazonense

MARÇO, 30

1926 – Nasce em Barreirinha (AM), o poeta Amadeu Thiago de Mello. Após a concludão do curso secundário, no Rio de Janeiro, ingressa na faculdade de medicina, mas abandona o curso pela Poesia. São tantas suas publicações, algumas traduzidas em dezenas de idiomas.

Pertence a Academia Amazonense de Letras, empossado em 1954, onde ocupa a poltrona 29, cujo patrono é Castro Alves. É o acadêmico mais antigo, o decano da instituição. Pertence a diversas organizações literárias.

29 de março de 2010

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (VI)

Em frente com a história da corporação militar estadual:

Presidente Tenreiro Aranha



Elevado o Amazonas à categoria de província, a 7 de Junho de 1851, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha é nomeado seu presidente. Autores destacados da história regional são unânimes em considerar de equidade a designação deste político para instalar a nova província. A razão é singular: a despeito de representar na Assembléia Geral a província do Pará, como deputado, Tenreiro Aranha propugnou com longo e tenaz esforço pela emancipação amazonense, sendo autor de indicação com esse objetivo.


Com o dever de instalar a província do Amazonas, Tenreiro Aranha embarca em Belém, a 9 de dezembro, no vapor de guerra Guapiaçu. “A bordo trouxe todo o pessoal nomeado pelo governo geral para as repartições civis e militares da nova província, menos o coronel Albino Pereira dos Santos, que ocupava em Manaus o comando em chefe militar”, narra o primeiro filho do presidente. A comitiva desembarca em Manaus a 27 de dezembro, após dezoito dias rio acima.


Em retribuição a tão soberbo empenho, na primeira década do século passado, o Amazonas erige-lhe o monumento inaugurado na praça que leva seu nome. No entanto, em 1932, para monumentalizar a praça Cinco de Setembro ou, se preferir o popular, da Saudade, esta memória é ali remontada.

  • Instalação da Província do Amazonas
“Eram nove horas menos dez minutos da manhã”, de 1º de Janeiro, quando a Câmara Municipal se reúne, em Manaus, presidida pelo vereador João Ignacio Rodrigues do Carmo, para instalar a Província do Amazonas. E empossar seu primeiro presidente, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha. Empossa ainda as autoridades nomeadas pelo Imperador e as necessárias a administração provincial.


A cerimônia ocorreu na Câmara provincial, abrigada em uma das melhores edificações da cidade, localizada à rua da Instalação (por isso a hodierna denominação) esquina da rua Frei José dos Inocentes. O edifício subsistiu por décadas, mas o progresso avassalador levou à demolição. A solenidade encerra-se sob os festejos de praxe e com o Te Deum entoado na modesta capela de Nossa Senhora dos Remédios, em razão do desaparecimento da Matriz, arrasada por incêndio.


No termo do Auto de Instalação da Província, conta-se um respeitável número de assinaturas, nenhuma feminina! Essa ausência se devia por “proibição machista” ou pelo pouco trato das damas com a caligrafia. Ou ambos? Entre as marcas pessoais, destaco as de José Antônio Barroso, “vereador e alferes da Guarda Policial”, precedendo a de Albino dos Santos Pereira, tenente-coronel comandante do Comando Geral Militar. Há dúvidas insanáveis sobre a origem militar do vereador José Barroso. Pertenceria a alguma remanescente Guarda Policial ou à Guarda Nacional? Não obstante o desconhecimento de outro registro esclarecedor, ele representa a instituição policial militar no mais alvissareiro acontecimento político do Amazonas.


Distinguem-se respeitáveis presenças: a de Justo Mavignier de Castro, que nos legou sobressaída descendência. A de Severino Eusébio Cordeiro, tenente ajudante de ordens do presidente Tenreiro Aranha. Este, sim, o primeiro comandante da Policia Militar do Estado. Mais outra, de Manoel da Silva Ramos, proprietário do primeiro matutino a circular na província – Cinco de Setembro - e progenitor de respeitável prole.

Comandos parciais


O Presidente Tenreiro Aranha, como medida usual, também elabora seu Relatório, em 30 de Abril, destinado ao Governo Imperial, noticiando a instalação da nova Província. Adota exposição bem singela: repete as informações recebidas na Exposição do governante paraense e, em seguida, anota as disposições tomadas.


Tenreiro Aranha informa da criação de “22 comandos parciais” de Guarda Policial, embora, “atualmente só seis se acham preenchidos”. Nada esclarece sobre as localidades. Nenhuma palavra sobre o pessoal ou os comandantes. O Presidente paraense havia julgado desnecessários tais “comandos parciais”. Mas Tenreiro Aranha, dispondo de efetivo militar aquém do requerido, decide empregar os guardas na manutenção das fronteiras provinciais. Em resumo: a situação dos guardas permanecia na mesma. (segue)

28 de março de 2010

Memorial Amazonense

Março, 28 



1894 – Nasce em Manaus, Carlos Mesquita, filho de Carlos Augusto Mesquita e Felismina Maquiné da Silva. Era tenente da Guarda Nacional. Concursado, assume, em 1920, a cátedra de inglês no Ginásio Amazonense, onde se notabilizou. Foi diretor deste estabelecimento de ensino.



1955 – João Café Filho, Presidente da República, visita o município de Nova Olinda do Norte, devido à descoberta de petróleo na região. Que aconteceu no dia 15. Esse auspicioso acontecimento despertou na comunidade sonhos de crescimento econômico. A presença da maior autoridade do País fomenta e amplia as expectativas. Mas, nada aconteceu, pois a prospecção foi sumariamente cancelada, abortando a tantos devaneios. Na comitiva presidencial, veio o chefe da Casa Militar, então coronel Ernesto Geisel, futuro dirigente da Petrobras e Presidente do Brasil no Governo Militar. Na foto, de Nascimento, publicada em A Crítica (28 mar.), os mencionados personagens ladeiam Plinio Coelho, Governador do Amazonas.
No ano seguinte, junto ao grupo de religiosos que participaram do 2º centenário de Borba, passei no local. Recolhi, como quase todos os colegas uma amostra do petróleo jorrado. Servia para tantos "milagres", asseguravam. Nao conseguiu o mais importante: a explração e a riqueza de Nova Olinda.


27 de março de 2010

Bernardo Cabral

A data pertence ao amazonense Bernardo Cabral. As manifestações espalham-se pelos jornais e outras midias. Vou aproveitar o espaço para outra homenagem: reproduzo publicações de jornais. Nelas, com mais de cinquenta anos, mostra o jovem aniversariante no início de sua venturosa carreira política e profissional.



Os recortes seguintes talvez não contribuam, mas era assim há algumas décadas.

25 de março de 2010

Memorial Amazonense

Março, 25

1840 – Encerrada a Cabanagem na cidade de Luzéia, hoje Maués. Aconteceu após o anistiamento dos cabanos pelo governo Imperial, nesse ato representado pelo major José Coelho de Miranda Leão. Findava o tenebroso período revolucionário, muito distante do local de partida, a capital paraense.

1881– Lançamento da pedra fundamental do Liceu Provincial, hoje Colégio Estadual, pelo presidente da Província, Sátiro de Oliveira Dias. A pedra foi benta pelo padre João Rodrigues de Assunção, pároco de Nossa Senhora dos Remédios.

1903 – Estreia no Teatro Amazonas a Companhia Dramática do Teatro Príncipe Real de Lisboa, com a Tosca, de Victorien Serdou.
1917 – Instalação do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (Igha), tendo por primeiro presidente Bernardo de Azevedo da Silva Ramos. Alguns acontecimentos relativos ao sodalício ocorreram nessa data. 1926 – São empossados, ainda sob a presidência de Bernardo Ramos, o desembargador Manoel Anisio Jobim que, posteriormente, foi agraciado com o título de Benemérito. E o estudante Arthur César Ferreira Reis, aos 20 anos de idade, certamente, o mais novo sócio na história da agremiação. 1931 – É empossado na presidência do Igha, Agnello Bittencourt, e, como 1.º secretário, Arthur Cézar Ferreira Reis. 1976 – Ocorre a posse do sócio Jayme Pereira. 1981 – Ocupa a Cadeira nº 49, cujo patrono é Vivaldo Lima, o sócio Armando Andrade de Menezes. 1994 – A entidade outorga o título de sócio benemérito a Amazonino Mendes, Governador do Estado. Na mesma sessão, empossa o sócio efetivo Luiz de Miranda Corrêa.

1921 – Nasce em Manaus, Paraguassu Pinheiro. Foi jornalista, diretor do Diário Oficial, e sócio efetivo do Igha. Morto em 2009.

1948 – Morre em Barcelona (ESP), Dom Frederico Benicio de Souza Costa, 2º bispo do Amazonas.

1983 – Amazonino Mendes assume a Prefeitura de Manaus, nomeado pelo Governador Gilberto Mestrinho. Em seguida, foi eleito. Sua gestão estendeu-se até 1º Jan. 1986.

2009 – Inaugurada a restauração do Palacete Provincial e das praças do entorno – Heliodoro Balbi, Roosevelt e Gonçalves Dias. Neste prédio, esteve aquartelada, por mais de um século, a Polícia Militar do Estado.

24 de março de 2010

Cidadão do Amazonas

Desculpe a intromissão na conversa do Benayas com o Reis, mas  devo informá-lo de que o Amazonas conquistou novo cidadão. E quê Cidadão. Falo de Jorge Tufic, poeta de tantas publicações e diversos prêmios, autor da letra do Hino do Amazonas, que recebeu ontem o diploma de Cidadão do Amazonas. Na foto, Tufic (esquerda) ao lado do presidente da ALE, Belarmino Lins.
Nascido em Sena Madureira (AC), em busca de Manaus, Tufic percorreu vasta extensão de rios. Começando no jornalismo manauense como reporter policial, ao tempo de O Jornal e Diário da Tarde, logo venceu. Escreveu ainda em A Crítica e outros periódicos. Entre outras inciativas, dirigiu o Clube da Madrugada, fundado em 1954. Cumpriu bem as funções de funcionário público. Uma dia, cansado do "encontro das águas", mudou o rumo e desembarcou em Fortaleza (CE). Ali, depois da necessária adaptação, conquistou amigos, agremiações literárias, prêmios.
Apesar do descuido do agente do Poder Legislativo com a nova ortografia (veja Assembleia Legislativa na placa entregue ao poeta), o dia foi de merecidas comemorações.
Na solenidade, diverso do Hino Nacional, pode-se observar quanto o Hino do Amazonas é desconhecido, raríssimo aquele que cantava o estribilho.


Sebastião Reis, saudoso jornalista


UM BATE-PAPO SURREALISTICAMENTE UTÓPICO COM SEBASTIÃO REIS


Benayas Inácio Pereira
cronista, poeta e amigo do Reis





“E aí Reis, tudo bem? Poxa, estou morrendo de saudades e parece que foi ontem que você viajou. Pensando bem, como o tempo passa rápido, não?

Se quiser que eu conte as novidades por aqui, eu posso relatar, mas elas não são tão alvissareiras como você gostaria de ouvir.
No jornalismo local, a coisa está para lá de marrom. Os jornais, como que obedecendo a ordens superiores, exaltam os políticos que de uma forma ou outra ‘sustentam’ financeiramente a permanência deles, ocorrendo por isso, um paradoxo nos noticiários. Em outras palavras, cada jornal publica o que os ‘verdadeiros donos’ determinam.
Meu olhar adentra para as redações e não consigo enxergar um novo Reis, o que comprova que o seu trono ainda se encontra desocupado. Por falar nisso eu ainda continuo fora daqueles projetos que estávamos elaborando.
Na música nada de novo. No palco iluminado as luzes não foram trocadas e o brega que tanto condenávamos continua dando as cartas. Tenho ouvido bastante as canções do nosso tempo, principalmente MPB, aquelas que vivíamos entoando.

Nossos amigos são ainda os mesmos. Tenho visto pouco o Marcelo que nos acompanhou no último almoço quando rimos descontraidamente e tivemos muito tempo para falar de Reiquixás, cacófatos e palíndromos. Não tenho visto o Júnior Lima, tendo apenas conversado com ele ao telefone. Sei que ele continua batalhando na música e jamais abandona seu violão. Encontro-me algumas vezes com o Cláudio Barboza e, sempre sobra um tempinho para falarmos de você e de sua viagem inesperada. Com a Betsy Bell, não tenho conversado apesar da perene amizade que nutrimos por ela.
Dias atrás eu dei uma boa olhada em umas fotos que o Pedro pôs no meu computador. São fotografias tiradas lá no jornal, “O Estado do Amazonas”. Você aparece em muitas delas e, em algumas, sua cara está engraçada que só. Eu ainda lembro-me bem de quando você dizia que uma redação igual àquela, nunca mais, pois lá, era uma verdadeira família.

O Sebastião Assante está meio sumido, mas sei que ele continua com o mesmo apreço que sempre teve por você. Sobre a Rebecca, tenho tido contatos com ela apesar de sua vida atribulada, todavia sempre tocamos no seu nome e nos comovemos.
Tenho visto e falado com o Joaquim Marinho e, menos um pouco com o Limongi.

Na política, nada de novo e os nomes são os mesmos. Muda-se a sopa, mas permanecem as moscas. Na literatura, caro Reis, perdemos algumas personalidades importantes, entre elas o nosso amigo Anibal Beça. Quase me esqueço, o Lombardi do qual fazíamos imitações também viajou. É a vida escrevendo seu ciclo.
Acredite que a ficha sobre a sua viagem ainda não caiu por inteiro. Continuo tentando absorver, mas permaneço incrédulo. Ah, assim que você viajou, enviei um e-mail ao seu amigo Antero Greco que está na ESPN, falando da sua ida. Como você pode notar pouca coisa aconteceu por aqui.
Voltando ao nosso último almoço, recordo-me que havíamos marcado encontro para uns dias depois, porém, não foi possível em razão das circunstâncias e armadilhas que a vida nos prepara, mas o que se vai fazer?
Bem, penso que você deve estar ocupado e não pretendo aborrecê-lo mais. Vou me despedir mandando um abraço de ‘até breve’. Se encontrar com o Aguinelo, mande minhas recomendações. Tchau”.

23 de março de 2010

Memorial Amazonense

Março, 23


1880 – A Guarda Policial (atual Polícia Militar) aquartela-se em um edifício provincial, à praça Riachuelo. Este logradouro limitava-se pelo cruzamento das avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro, e rua Marechal Deodoro. Nesse local, possivelmente, décadas depois o Estado construiu a sede da Polícia Civil, que chegou aos nossos dias alcunhada de, entre outras, Casarão da Marechal. Posto ao chão, no local edificou-se a sede do Banco do Brasil.

1887 – Empossado na Presidência e no Comando das Armas da Província, Conrado Jacob de Niemeyer, coronel engenheiro, entre outras qualificações curriculares.

1965 – Vinicius Monteconrado Gomes, eleito por voto popular, toma posse da Prefeitura de Manaus. Vinicius Conrado, como era conhecido, exercia a liderança em Eirunepé. Apesar de eleito para dirigir o município de Manaus por um triênio, renuncia ao mandato a 24 de novembro. O Governo Militar nomeia Paulo Pinto Nery para substitui-lo.

22 de março de 2010

A "máquina" da Polícia Militar

Existia uma boa equipe de futebol na corporação, apelidada de "máquina". Aconteceu há 40 anos, como demonstra a foto publicada em O Jornal, de 10 Março 1970. Tomada na Praça da Polícia, mostra os jovens tenentes que se exibiram com sucesso em Parintins. Ao tempo, Glaucio Gonçalves era prefeito e o major Francisco Carneiro, delegado de polícia. Hoje, a máquina tá enferrujada e os coroneis, aposentados... em vários sentidos.

21 de março de 2010

EDUARDO RIBEIRO

O Governo do Estado acaba de inaugurar - noite de 18 - a Casa de Eduardo Ribeiro, para abrigar entidades, como a Academia de Medicina, e servir de espaço cultural. A edificação centenária, informada como pertencente àquele ex-governador, recebeu os cuidados técnicos necessários a sua finalidade. Móveis de época e outros detalhes, porém, podem confundir os visitantes. Os utensilios exibidos não pertenceram ao saudoso Pensador. Mas, o Governo recupera um espaço adequado a outras atividades, e  relembra em feliz momento o primeiro "transformador" de Manaus.


O nome de Eduardo Ribeiro vez outra emerge na recordação de amazonenses. Como há exatos 60 anos, quando Américo Antony dedicou um poema ao Pensador. A peça foi publicada no jornal A Gazeta, Manaus, 9 Março 1950.  


 A Eduardo Ribeiro (O Pensador)


Homenagem ao meu amigo Dr. Avelino Pereira

Américo Antony


Fizeste a tua chácara num ermo,
Para “pensar” teus planos construtivos.
Porque sabias que o “Silêncio” é o termo
Mais forte, que aos mortais os torna vivos!

Teus atos tais assim tornaste esquivos
Do “brouhaha” burguês do vício enfermo...
Tinhas projetos novos, redivivos,
Sonhavas construções como Palermo!

Vítima nobre de intenções covardes!
Vós, ideais, a morte, de momento
As asas vos abriu para voardes!

E o que ideastes, - é real, é Eterna Flor:
Olha, as sementes do teu pensamento,
Hoje, ainda vivem, velho “Pensador”!

20 de março de 2010

JORGE TUFIC






A justa homenagem ao poeta Jorge Tufic vai se concretizar, anuncia A Crítica. Aproveito a oportunidade para ampliar a festa, com o poema abaixo retirado de jornal, de Manaus. Seu autor é o saudoso Américo Antony que assistirá do alto a condecoração de seu amigo. Coincidência das maiores: o poema - A Jorge Tufic - foi publicado em O Jornal, em 20 Março 1960. Exatamente passados 5o anos. Vida longa, "barão" de Sena Madureira. Logo mais, do Amazonas. 


CINEMAS DE MANAUS

O cinema já predominou entre as diversões. Antes da expansão das TVs, e por vários fatores, era buscado com veemência. Tanto que, além do centro, existiam cinemas nos bairros mais populosos da cidade. Sobre a presença dessas casas de espetáculos escreve um conhecedor do assunto. Vamos começar pelo mais conhecido, certamente devido ao seu final infeliz, aquele que teve início como Casino Julieta (1907-1911); depois Alcazar (1912-1937); enfim, Guarany (1938-1984).

Ed Lincon

O cine Guarany remonta a decantada belle époque. Tudo começa em maio de 1897, quando o engenheiro amazonense Lauro Baptista Bittencourt (1853-1916) adquire o terreno situado entre as ruas Municipal (hoje avenida Sete de Setembro) e Lima Bacuri, com frente para a avenida Floriano Peixoto, visando construir um centro de diversões. O empreendimento, entretanto, arrasta-se por dez anos.
O Jornal do Commércio, em 1904, reproduz a fachada e a planta do Julieta, que difere totalmente daquela publicada três anos depois pelo jornal
Amazonas. Isso indica que até sua conclusão, o projeto original sofre ampla modificação.
O Casino Julieta (com um “s” apenas) recebe este nome em homenagem a filha do engenheiro, Julieta Bittencourt, que mais tarde se casaria com o engenheiro Aloysio Araújo, herdeiro do comendador Joaquim Gonçalves de Araújo (1860-1940), o ilustre J. G. Araújo, dono do maior império econômico da época. Com o casamento, a família Araújo torna-se proprietária do imóvel até sua venda e demolição nos anos 1980.
Projetado em estilo mourisco pelo próprio Lauro Bittencourt, o Julieta, em cuja construção predomina o uso de ferro fundido, principalmente na estrutura do telhado, teve sua decoração interior importada da Europa, comum à época em obras desse porte. O estilo arquitetônico ali utilizado era modismo no Velho Mundo, especialmente na Espanha, destacando-se os imensos portais, as bandeirolas na parte superior e os entalhes decorativos de sua fachada. Internamente, foram construídos camarotes que ocupavam duas ordens, a superior e a inferior interligadas por uma escada de ferro. No andar superior em frente ao palco, foi instalado o camarote do governador. Nos fundos do prédio, estavam os geradores de energia elétrica e, lateralmente, os mictórios. Próximo à entrada pela rua Municipal, foi montado um botequim pelo qual o público podia atravessar para chegar ao Casino. (segue)

19 de março de 2010

MEMORIAL AMAZONENSE

MARÇO, 19

1833 – Nasce em Manaus (AM), João Carlos Antony, diplomado em arquitetura na cidade de Florença (ITA). Em Manaus exerceu os encargos de engenheiro da Prefeitura por algumas décadas. Seu nome denomina rua do bairro da Cachoeirinha.

1871 – Inauguração da Sala de Leitura, nas dependências do Liceu Provincial; embrião da atual Biblioteca Pública.

1930 – Fundação do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, funcionando até 1944, como departamento feminino do Colégio Dom Bosco. Segue funcionando à rua Silva Ramos.

1937 – Estabelecida, por decisão do decreto nº 117, a grafia – Manaus – para os atos oficiais. Somente em 14 Jul 1939 é que o Diário Oficial do Estado adota a regra: definitivamente Manaus.


1943 – Reabertura do Seminário São José, em Manaus, por iniciativa de Dom João da Matta Andrade e Amaral, 5º bispo do Amazonas. O estabelecimento havia cerrado as portas em 1906, quase sessenta anos após sua fundação (1848).

1956 – Fundação do Coral “João Gomes Júnior”, ainda em atividade. Seu fundador foi o maestro Nivaldo Santiago.

17 de março de 2010

IGARAPÉ DE MANAUS

Ontem a noite, foi inaugurado o Parque Igarapé de Manaus, junto com o do igarapé Bittencourt, obras primordiais do Prosamim. A festa noturna contou com música e promessas políticas. O Chefe do Executivo - Eduardo Braga - esteve presente despedindo-se do governo. Para tornar compreensível a evolução sofrida pela área, publica-se algumas fotos.

Palácio Rio Negro e igarapés

.Igarapé de Manaus, década 1950

Outro momento da mudança

16 de março de 2010

BOMBEIROS DO AMAZONAS

Na Barra do Rio Negro (primitiva denominação de Manaus), os primeiros relatos sobre incêndio destacam-se pela gravidade mesmo. Pouco antes da elevação do Amazonas à categoria de província, a igreja matriz, melhor dizendo, a ermida em honra da padroeira desaparece consumida pelas chamas em 1850. Tal como lembrava a igrejinha idealizada pela paleta do Casal Makk destacada no altar central da matriz de Nossa Senhora da Conceição. Coincidência ou não, em junho de 1874, outro desastre acaba com o trem de guerra (conjunto de petrechos que acompanham a força terrestre) da guarnição. Este desastre mais que aquele impulsiona as autoridades da Barra a repetir o gesto imperial criador dos bombeiros no Brasil.


O saudoso cronista Mário Ypiranga descreve este incêndio:
Como nos nossos dias, naquele tempo o povo atropelava-se atraído pela curiosidade. Que grande curiosidade seria um incêndio em 1874! As labaredas subiam desafiantes. (...)
Durante cerca de uma hora, rezam as crônicas, a cidade inteira ouviu aterrada os estampidos provenientes da combustão do trem de guerra. Carretas de guerra, granadas, correame, armas, balas, velhos canhões coloniais já inúteis, pólvora, fardamento, arquivo, tudo foi atingido pelo fogaréu, boa parte consumida e outra voou pelos ares. (...)
Após o incêndio o governo provincial mandou construir pequena casa de tijolos no Largo da Pólvora (Largo da Campina antes, hoje do General Osório), mudando mais tarde o trem para o local denominado Artigos Bélicos até hoje, à margem do igarapé de São Raimundo Nonato, ali onde foi a invernada do 27.º BC.

Se as principais edificações desapareceram pela ação descontrolada das chamas, sem que nada se pudesse realizar para enfrentá-las, temia-se pelo socorro aos casebres construídos de madeira e cobertos de palha, material de facílima combustão. Assim, duas décadas depois da Corte, a capital da Província do Amazonas aparelhava o serviço de combate a incêndios. A primeira notícia sobre a organização do serviço de combate ao fogo veio bastante alvissareira. Serviu de porta-voz o próprio presidente da Província, Domingos Monteiro Peixoto. A nova dizia respeito ao aparelhamento de uma tarefa contra-incêndios, descrita no Relatório com que este passou a administração da Província:


Felizmente, são raros os incêndios nesta capital; no entanto, por encomenda que fiz, acaba de chegar da Europa uma bomba com os seus pertences, de custo de R$ 1:800$000 [um conto e oitocentos mil réis], a fim de ser empregada neste serviço. Está à disposição da repartição das Obras Públicas e depositada na Igreja Matriz, em construção.

Assim, havia pretextos demais para a deliberação tomada pelo presidente da Província. Peixoto nomeia uma comissão presidida pelo comandante das armas, brigadeiro Pedro Maria Xavier de Castro, com a finalidade de elaborar instruções subsidiárias para um serviço de combate a incêndios. E, segue-se outra excepcional notícia: a comissão nomeada, como se verá, funcionou.
Reconhecendo a necessidade de dar instruções apropriadas ao serviço da extinção de incêndios, por não haver providência alguma sobre tão importante assunto, tive por conveniente nomear o coronel [Manoel Inácio Bricio] comandante das armas, o 1º tenente da Armada capitão do Porto interino, e o capitão de engenheiros [Leovigildo Coelho] diretor das Obras Públicas, para formularem um regulamento neste sentido, e por Ato de 11 deste mês mandei observar o que eles me apresentaram como resultado da incumbência que lhes dei, autorizando pela verba “Eventuais” o pagamento das despesas precisas com o respectivo pessoal, aquisição de alguns acessórios e a conservação das bombas e suas pertenças.


Assinatura de Leovigildo Coelho,
primeiro comandante dos bombeiros amazonenses.

15 de março de 2010

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (V)

  • Comando Geral Militar do Alto Amazonas

    Em ofício de 10 de Abril de 1848, o comandante do Comando Geral Militar do Alto Amazonas, sediado na então Barra do Rio Negro, comunica sua posse ao Comandante das Armas da Província, coronel Francisco José Martins, aquartelado em Belém (PA). Aproveita, ainda, para escrever notícias recorrentes, entraves burocráticos alcançados, os quais motivaram o descumprimento de incumbência regulamentar.
    Determinado a reparar o equivocado registro sobre o tenente-coronel EB Albino dos Santos Pereira, tido por primeiro comandante da Guarda Policial e, consequentemente, da Polícia Militar do Amazonas, reproduzo o mencionado documento.

    Ao Comandante das Armas,
    Tendo chegado a esta Vila no dia 30 do mês p.p. e tomado posse do Comando Geral Militar no dia 1º do corrente, em observância das ordens de V.S., expedidas em ofício de 19 de fevereiro p.p., assim o participo a V.S. como me incumbe o meu dever, e igualmente cabe-me a honra de comunicar a V.S. que me não é ainda possível remeter os mapas, inventários e relações que demonstram o estado do pessoal e do material existente na Comarca, por isso que ainda não estou de posse do arquivo do Comando; entretanto, tenho feito as alterações que o bem da disciplina e outras circunstâncias têm exigido, e de que darei conta a V.S. em tempo competente.

    Albino dos Santos Pereira, tenente-coronel,
    comandante geral militar da Comarca.


Albino Pereira, ao tempo da criação da PMAM (1837), era tenente servindo em Belém (PA) sob as ordens do marechal Andréa. De outro modo, como inexistem anotações sobre o período, notas que possibilitem concluir sobre qualquer evento, não há como comprovar a nomeação. A Guarda Policial então instalada obedecia a um ordenamento capenga, seu pessoal e sua atuação dependiam da conduta da guerra contra os cabanos. É preferível que se trate este período da PMAM como de seus “antecedentes”, sem nomear chefes ou identificar quartéis. Pois, quando o tenente-coronel Albino assume o comando da guarnição federal, conforme registro acima, certamente a Guarda Policial inexistia. Desse modo, o coronel sequer foi comandante, muito menos o primeiro.
A foto mostra pormenor de um dos Zuavos postados a frente do Palacete Provincial, antiga sede da Polícia Militar.

14 de março de 2010

MEMORIAL AMAZONENSE

MARÇO, 15

1910 – É ministrada a aula inaugural da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, da então Universidade Livre de Manáos. A sessão ocorreu no prédio do GE Saldanha Marinho, ainda hoje localizado na rua de mesmo nome, esquina da Costa Azevedo.

1951 – Lançamento da revista Manaus Magazine, sob a direção da saudosa jornalista Denise Cabral dos Anjos. A publicação perdurou por mais de cinquenta anos, sempre escrita e dirigida pela fundadora.


1955 – Inauguração do Instituto Christus, instalado na av. Joaquim Nabuco. A edificação recebeu a benção de Dom Alberto Ramos, então arcebispo do Amazonas, grande protetor do colégio. Ainda, sob a denominação de Centro Integrado Educacional Christus (Ciec), se mantém sob a administração da família de Orígenes e Berenice Martins, casal fundador. Foto retirada de A Crítica. Manaus, 6 Set.1957.

1971 – É empossado no governo do Estado, João Walter, coronel do Exército. O vice-governador era Deoclides de Carvalho Leal. A posse governamental foi mantida nessa data por algumas décadas. Em 1975, assume a chefia do Poder Executivo Henoch Reis. Graduado pela Faculdade de Direito do Amazonas, ao ser escolhido pelo Governo Militar, era ministro do Tribunal Superior do Trabalho. Na vice, estava João Bosco Ramos de Lima. Em 1979, assume o quinto governador do período militar, José Lindoso, com o vice, Paulo Pinto Nery.
Ainda em 1983, retorna à chefia do Executivo, Gilberto Mestrinho, o primeiro governador da “redemocratização”, acompanhado do vice Manoel Ribeiro. O substituto no governo, Amazonino Mendes, segue o protocolo. Novamente, em 1991, assume o governo do Estado, Gilberto Mestrinho, sendo vice-governador, Francisco Garcia. Hoje, a posse dos governantes em todos os niveis acontece no primeiro dia do ano.





1980 – Surge o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente de Aparecida (Gresmia), sob a presidência de César Bandeira. No carnaval seguinte, desfila na avenida Djalma Batista com o tema – Pai da Aviação: Santos Dumont, organizado pelo carnavalesco Amadeu Pinto.

1982 – Assume a chefia da Prefeitura de Manaus, o industrial João de Mendonça Furtado, nomeado pelo governador José Lindoso. Furtado seguiu na administração da Capital até 17 Mar. 1983.

1985 – Inauguração do Museu do Homem do Norte, situado na Av. Sete de Setembro, e subordinado ao Instituto de Estudos sobre a Amazônia (Iesam) da Fundação Joaquim Nabuco, de Recife. Esteve presente à solenidade, Fernando de Mello Freyre, presidente da organização. O imóvel foi cedido pela Prefeitura de Manaus, lembrando que nesse local esteve aquartelado o Corpo de Bombeiros, antes de se alojar em Petrópolis. Hoje, o museu foi transferido para a rua Quintino Bocaiúva, e o prédio está lamentavelmente abandonado!



2005 – Fundação da Câmara Amazonense do Livro e da Leitura (Call), entidade que abriga os dirigentes de livrarias e de editoras de Manaus, e busca divulgar a produção literária amazonense. Renan Freitas Pinto, diretor da Edua, foi eleito o primeiro presidente. Em nossos dias, quem a dirige é Tenório Telles, da Editora Valer.

DIA NACIONAL DA POESIA





Para lembrar a data, recorri a uma publicação jornalistica. Ali, alcancei um poeta da então novissima geração, já envolvido com o Clube da Mudarugada. Falo do poeta Elson Farias, autor de vários livros. A foto demonstra a idade do poema: 50 anos, publicado em O Jornal, Manaus, 13 Março 1960. Parabéns aos poetas de todos os cantos do País.

13 de março de 2010

EUCLIDES DA CUNHA

O autor de Os sertões volta a ser lembrado em livro. Desta vez, Daniel Piza, em Euclides na Amazônia, descreve o tormentoso trabalho de Euclides pelos beiradões mais inóspitos do Amazonas, para definir as fronteiras brasileiras.
Quero, todavia, lembrar o livro póstumo de Roberto Ventura, que pretendia escrever a biografia de Euclides da Cunha. Nele, Ventura comete um "escorregão", ao confundir dois personagens da história nacional. Para corrigir a falha, escrevi o texto abaixo.




Rondon & Cândido Mariano


Encerrada a leitura do livro Euclides da Cunha, esboço biográfico de Roberto Ventura, publicado pela Companhia das Letras, restou-me grave sobressalto. Ao fato: há forte engano cometido por Ventura contra o marechal Candido Mariano Rondon, colega de Euclides sim, mas não participante da expedição contra Canudos.
Ventura escreveu: “Encontrou, à frente do batalhão do Amazonas, um companheiro dos tempos de Escola Militar, Candido Mariano Rondon”, veja p.164 do Esboço.
Na verdade, o personagem referido é Cândido José Mariano que, este sim, comandou o batalhão do Regimento Militar do Amazonas, hoje Polícia Militar, na peleja conselheirista. Rondon, em 1892, fora nomeado chefe do distrito telegráfico de Mato Grosso, para construir a ligação MT-GO. Nunca mais deixou essa tarefa, portanto, acolá se encontrava quando ocorreu o embate em Canudos. Vejamos outros dados: Euclides, em Os sertões, cita nominalmente ao comandante da tropa amazonense. Leia-se sob o título Outros reforços: “Por fim dois corpos: o regimento policial do Pará, (...) e um da polícia do Amazonas, sob o comando do tenente Cândido José Mariano, com 328 soldados”. E nos sites de busca, encontram-se mais detalhes sobre este oficial.
Na ocasião do centenário de Canudos, escrevi o livro Candido Mariano & Canudos (1997). Nele, descrevi o deslocamento da tropa amazonense desde o embarque na capital amazonense até os combates em Canudos; os festejos dispensados aos vencedores; e, por fim, pequena biografia do comandante Cândido José Mariano. Ao dar título ao livro, a editora excluiu o José, cujo resultado trouxe confusão entre os militares aqui nominados.
Para encerrar, uma digressão: os oficiais citados foram colegas na Escola Militar, e os três concluíram a Escola Superior de Guerra. Rondon (n.1865, em MT) formou-se em 1890; Euclides (n.1866, no RJ), em 1892; e Cândido (n.1870, em MG), em 1896.
A tríade esteve no Amazonas. Cândido foi o primeiro, quando escoltou os deportados pelo governo de Floriano para o Amazonas (1892); mais adiante engajado na PMAM (1896), quando combateu em Canudos. E mais. Foi prefeito de Sena Madureira-AC (1905-10) e inspetor da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (1911).
O segundo foi Euclides, na temporada (1905) em que passou no Amazonas, encarregado da demarcação da fronteira Brasil-Peru; finalmente, Rondon que, ao estender as linhas telegráficas até o atual Estado de Rondônia, visitou Manaus em três oportunidades.

Euclides e Cândido passaram por Canudos, em atividades distintas. O primeiro publicou Os sertões. Cândido produziu um relatório militar ao Governador do Amazonas, narrando a condução do batalhão e as costumeiras desditas. Este documento, publicado em dezembro de 1897, se constitui na primeira publicação do pós-guerra sobre Canudos.





POLÍTICOS AMAZONENSES


Apenas para ilustrar o espaço: a foto retirada de O Jornal, de Manaus, 12. março. 1960, mostra dois conhecidos políticos, digamos, aposentados. Conversam Bernardo Cabral, que foi Senador, e Almino Afonso, vice-governador de São Paulo.

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (IV)

Anistia e deposição das armas

Acatando proposição de autoridade provincial, o Governo Imperial, em 4 de novembro de 1839, concede anistia aos cabanos. A conseqüência dessa medida é auspiciosa, pois, possibilita encerrar o período tenebroso da Cabanagem. Em 25 de março de 1840, “no décimo nono ano da Independência e do Império”, o faustoso acontecimento realiza-se na vila de Luzéia, hoje Maués (AM), diante do major (de 3ª classe) do Exército José Coelho de Miranda Leão. Os combatentes finalmente depuseram as armas. Mas, as guardas policiais instituídas para o combate aos cabanos permaneceram ativas.
Miranda Leão, contando 37 anos de serviço militar “sem nota”, prospera na Província na condição de comerciante. Torna-se o primeiro presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), empossado em 18 Jun. 1871. Assume ainda a Assembléia Provincial, Morre em Manaus, c.1889, deixando ilustres descendentes.

11 de março de 2010

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (III)

Instruções Gerais

Entre as providências tomadas para ordenar a província paraense, o Presidente Soares d'Andréa expede, em 4 de Abril de 1837, as Instruções Gerais “para cumprimento pelos Comandantes Militares da Província do Pará”. Assemelhadas a um edito, em 29 circunstanciados artigos, a autoridade provincial estabelece as diretrizes de combate aos cabanos.
O movimento insurrecional ainda rijamente disseminado pelas vilas da Amazônia, preocupava a tantos; tantas eram as notícias de conflitos entre administradores e revoltosos, em diversas localidades.
Três artigos das Instruções merecem destaque: o artigo 6º, no qual o governante autoriza "a formação de uma Guarda Policial" em cada vila; o 7º, em que recomenda aproveitar a formação dos corpos de exército, e o 24º, onde disciplina os meios a ser empregados a fim de persuadir as famílias dos insurretos. Tanto estes, quanto os demais demonstram a precípua finalidade de substituir a Guarda Nacional, dissolvida na Província, e a singular maneira de combater aos adeptos da Cabanagem.
Embrião da Polícia Militar estadual, a Guarda Policial criada por força dessas Instruções, surgiu guerreira, belicosa, como tantas congêneres policiais de idade análoga.

Na integra, com atualização ortográfica, os artigos mencionados:
Art. 6º - Formará uma Guarda Policial composta de todos os indivíduos sem exceção, que forem capazes de pegar em armas e tiverem de 15 a 50 anos completos, escolhendo dentre as pessoas mais abastadas, ou de maior representação e, sobretudo, dos Oficiais das antigas Milícias e Ordenanças os mais hábeis para Oficiais da dita Guarda, e me fará proposta para eu lhes mandar passar nomeações,(...). Ninguém terá maior graduação que a de Major,(...).
Art. 7º - Dará à Guarda Policial a forma Regimental ou de Batalhões de Infantaria pesada, segundo as antigas Milícias, seguindo os Regulamentos delas (...).
Art. 24º - Os Comandantes das partidas de exploração empregarão todos os meios de brandura para convencer as famílias encontradas no terreno ocupado pelos Rebeldes, que o Governo de S.M.I. [Sua Majestade Imperial] é Paternal, e que se desassombrando do terror que as ocupa, devem procurar seus maridos, filhos e parentes, e persuadi-los a que se apresentem para não incorrerem em maior delito.
Este documento, ainda que ainda não se conheça a forma original, baliza a fundação da Polícia Militar do Amazonas (PMAM).

MEMORIAL AMAZONENSE

1884 – Toma posse na presidência da Província, Teodoreto Carlos de Faria Souto. Nasceu na província do Ceará e bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Recife (1865). Em seu governo ocorre a extinção do elemento servil na Província do Amazonas. A solenidade acontece a 10 de Julho, daí resulta a denominação dada a rua do Centro.

1975 – Morre em Manaus, André Vidal de Araújo, desembargador aposentado. Filho de Goiana (PE), nascido em 1899, chegou a “capital da borracha” em 1906. Graduado pela Faculdade de Direito do Amazonas, ingressa na magistratura. Sede da Academia Amazonense de Letras
Sociólogo, educador, revelou-se ao cuidar dos menores e de outros encargos sociais. Constituía uma figura carismática, além de católico atuante. Pertencia à Academia Amazonense de Letras e, quando de sua morte, dirigia o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

1976 – O escritor Rodolpho Valle toma posse na Academia Amazonense de Letras, para ocupar a Cadeira nº 31, cujo patrono é Raimundo Monteiro. Hoje, o ocupante é o poeta Max Carphentier.

10 de março de 2010

KIM NOVAK EM MANAUS


Jornal A Crítica. Manaus, 10 Março 1960.

Marilyn Pauline Novak (Kim Novak) completou 77 anos, em 13 de fevereiro, nascida em Chicago, EUA. É filha de família católica tcheca e de pais professores. Iniciou a vida profissional como modelo. Depois, atuou como garota propaganda de uma marca de refrigeradores. Em 1954, fez uma ponta no filme “Um Romance em Paris”. No ano seguinte, conseguiu destaque em “Férias do amor”. Na ocasião, adotou seu nome artístico: Kim Novak. Em 1960, quando passa por Manaus, Novak apareceu no melodrama “Nono mandamento”, contracenando com Kirk Douglas. E mais, estava solteira, pois seu primeiro casamento aconteceu em 1965 e o segundo, em 1976. KN retornava do Carnaval carioca, quando a aeronave fez escala em Manaus. A atriz sequer desceu da aeronave. Preferiu apreciar pela janela o terminal da Ponta Pelada, em vez da provincial cidade. A explicação jornalística é de que a beldade não fizera a maquiagem devida. Então tá. Talvez a “ponta pelada” a tenha deslumbrado mais.
Do filme Um Corpo que cai

9 de março de 2010

OS BOMBEIROS DO AMAZONAS

Embora proceda de modesto documento – Portaria nº 268, de 1876 – para a sua criação, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas tem reconhecida ascendência sobre as demais corporações do País. Trata-se do segundo organismo instalado, precedido apenas pelos bombeiros do Rio de Janeiro. O congênere de Brasília, por se encontrar instalado na Capital Federal, tem a prerrogativa de utilizar a mesma data fluminense. Já publiquei um trabalho sobre Os Bombeiros de Manaus , bem sucinto, bem restrito. Acabo de produzir uma segunda etapa, mais encorpada, recheada de novas e vigorosas evoluções. Devido a sua amplitude, nominei-o de Os Bombeiros do Amazonas que, em etapas, será aqui apresentado.

Os mestres de história brasileira limitam ao desembarque da Família Imperial, no Rio de Janeiro, em 1808, o início da estruturação de serviços básicos. O serviço policial tanto civil quanto militar acontece nos primeiros momentos da chegada, mas o de extinção de incêndios ocorre bem mais adiante, cerca de cinqüenta anos depois. Nasce como Corpo Provisório de Bombeiros da Corte, mas, ainda que denominado de provisório, esta corporação desde então prospera de maneira categórica, com profissionalismo e competência técnica. Hoje, a competência ampliou-se; a técnica, todavia, segue atualizando-se no socorro à vida e patrimônios. Cabe registrar a prestimosa contribuição prestada pelos bombeiros cariocas aos amazonenses, em diferentes momentos: desde o pioneiro do final do século XIX à última geração instruída naquele Corpo.
Compete ao Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (Cbmerj) a primazia de ser a primeira agremiação a defender o dístico: Vida alheia e riquezas salvar. Literalmente, muita água rolou desde que o serviço foi criado pelo imperador Pedro II, a 2 de julho de 1856. A competência tantas vezes testada permite ensinar aos demais bombeiros do Brasil como vencer a liça. E mais: lecionar e treinar outros discípulos, que se tornaram capazes ou se esforçam para propagar os conhecimentos técnicos dos fundadores.
Chamas descontroladas sempre causaram lutuosas tragédias, acumulando vítimas e prejuízos. Ilustra bem a dimensão do fogaréu a tela em cópia existente em quartéis de Bombeiros, como no gabinete do comandante amazonense. Nela, é possível reparar o rudimentar combate a incêndio que, apesar dos esforços, consumiu um casarão do Rio imperial (1789). Os bombeiros atuais, munidos de tecnologia e fundamentados na
melhor doutrina, vêm como ridículo o esforço daqueles enfatiotados. Outro socorro procedia do repicar de sinos das igrejas da Corte; serviu, também, para despertar nas autoridades a relevância do serviço de combate ao fogo.

No Amazonas, o surgimento da Guarda Policial, embrião da Polícia Militar, é sinalizado a partir de 1837. A Guarda, porém, não resistiu aos primeiros entraves financeiros da província amazonense, instalada em 1852. Sua extinção foi consumada ao final dessa década. Somente retorna à estrutura do governo e ao serviço da população em maio de 1876, antecedendo em apenas dois meses o serviço de extinção de
incêndios. Parte do conjunto básico de Segurança Pública, polícia militar e bombeiros, tiveram partida no mesmo período, todavia, como possuem destinações diversificadas, cada qual cumpre a sua, cada qual ocupa seu espaço. Tal qual em nossos dias, em que o comando de cada corporação, embora ocupe o mesmo bairro de Petrópolis, está situado em artérias distintas.

8 de março de 2010

MEMORIAL AMAZONENSE

MARÇO, 9

1882 – Assume o comando da Guarda Policial, atual Polícia Militar do Amazonas, João Manoel Dias, tenente do Exército. Dias era natural do Rio de Janeiro, nascido em 1826. À época, a Guarda seguia comandada por oficiais oriundos de campanhas militares. O empossado é, também, oficial envolvido na Expedição ao Rio Grande do Sul (1851-1852) e na Campanha do Uruguai, desta recebe a “Medalha de zinco com fita verde”.


1926 – Hamilton Mourão assume o cargo de desembargador do Superior Tribunal de Justiça do Amazonas, como era então designado. Exerce a presidência da Alta Corte nos biênios de 1931-1932 e 1935-1936 e, finalmente, em 1941. Morre em Manaus, a 24 de setembro de 1942. Oriundo do Piauí, Mourão desembarca em Manaus, em 1910, após ter sido graduado pela Faculdade de Direito do Recife (1909).






1926 – Nasce em Parintins (AM), Afonso Celso Maranhão Nina, filho de Raimundo Gonçalves Nina Filho e Corina Maranhão Nina. Foi inicialmente professor de ciências naturais e, posteriormente, diretor do Colégio Estadual do Amazonas.

1971 – O Colégio Estadual do Amazonas é transformado em Unidade Educacional (UE), por efeito do decreto nº 2064, sancionado pelo Governador Danilo Areosa (1967-1971). No entanto, Henoch Reis (1975-1979), que o sucede no governo, devolve àquele estabelecimento de ensino tradicional, por disposição da lei nº 1150, de 3 de dezembro de 1975, a nomenclatura de Colégio Amazonense Dom Pedro II. O Governador José Lindoso (1979-1982), porém, transforma-o em Unidade Educacional Centro II. Outras tantas mudanças foram impostas ao Liceu Provincial, a denominação original. Mais detalhes em Colégio Amazonense D. Pedro II (Carmélia Esteves de Castro), Série Memória da Secretaria de Estado da Cultura.

7 de março de 2010

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (II)

Brigadeiro Soares d' Andréa

Assume, em 9 de abril de 1836, o governo da Província do Pará e o comando das Armas, Francisco José de Souza Soares d' Andréa, general brigadeiro e barão de Caçapava (1781 Portugal–1858 Brasil). Servidor da Armada Imperial brasileira, Andréa é convocado para debelar tamanho infortúnio, ou seja, a conflagração da Província do Grão Pará, a região que constitui a Amazônia de nossos dias. Para facilitar o deslocamento, o Governo Imperial fornece-lhe uma esquadrilha de navios adequada à navegação pela trama hidrográfica amazônica. Guarnecem o presidente, e auxiliam nessa intrincada missão, oficiais de diversas patentes do Exército. Entre estes, sublinho o nome dos tenentes: José Soares d’Andrea, filho do brigadeiro, e Albino dos Santos Pereira, que viria ser apontado equivocadamente como primeiro comandante da Polícia Militar do Amazonas. (O equívoco tem início com a edição de Síntese histórica da Polícia Militar do Amazonas (1972), de Mário Ypiranga Monteiro).
Intentando sufocar prontamente o movimento rebelde e cumprir ao anseio imperial, Soares d’Andrea despacha, em 5 de Julho de 1837, sob o comando do tenente coronel Joaquim José Luís de Souza, a Expedição Militar ao Amazonas. O comandante, no entanto, opta por acantonar em Santarém, no médio rio Amazonas, de onde operacionaliza o emprego da tropa. E tudo empreende a fim de obstaculizar o avanço dos cabanos. Mas, a imensidão do espaço geográfico da Amazônia deixa a expedição bastante distanciada da comarca rionegrina. Não surte, porém, a eficiência esperada.
O governo do brigadeiro estende-se até abril de 1839, deixando a província às vésperas da pacificação. Transmiti o cargo a Bernardo de Souza Franco, visconde do mesmo nome, nomeado presidente. Souza Franco era bacharel pela Faculdade de Direito de Olinda, turma de 1835. E dele, o jurisconsulto Clovis Bevilaqua, ao rememorar o centenário da faculdade pernambucana, enfatiza: “Nasceu em Belém, a 28 de Junho de 1805, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1875. Deputado, senador, presidente de províncias, conselheiro de Estado, foi alta influência liberal”. A Cabanagem durou cinco anos, teve fim em 1840.
Para saber mais: Andréa, José. O Marechal Andréa, nos relevos da História do Brasil. Rio: Biblioteca do Exército, 1977. E, acerca da presença dos tenentes, consultar: Lobo, coronel Luis. História Militar do Pará. Rio: Biblioteca Militar, 1943.

6 de março de 2010

MEMORIAL AMAZONENSE

MARÇO, 7

1878 – Rufino Enéas Gustavo Falcão, barão de Maracajú, coronel de engenheiros assume a presidência e o Comando das Armas da Província do Amazonas. Permanece nesses encargos até 25 de agosto de 1879.

1964 – Instalação do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), criado por disposição ministerial a 2 de março. Trata-se de organização do Exército destinada a especializar militares para, no comando de frações, melhor combater na selva. O primeiro comandante foi o tenente-coronel Jorge Teixeira de Oliveira (1921-1987). O comando está aquartelado no bairro de São Jorge, pouco adiante do 1º Batalhão de Infantaria de Selva (1º BIS). Há, todavia, outras bases de treinamento na selva. Na época, início do governo militar, havia uma necessidade mais ampla de qualificar o pessoal militar para a defesa da Amazônia. Mas, diante de nova realidade, o CIGS vem se adaptando aos novos encargos da defesa regional.
Igualmente, promove uma aproximação com a gente de Manaus. Em 1999, o primitivo zoológico recebe auxilio governamental e, estruturado de acordo com a legislação ambiental, se torna atração. E, até uma feira comunitária funciona em seus limites. Ainda em 1999, a organização toma a denominação de Centro Coronel Jorge Teixeira, em justa homenagem ao seu primeiro comandante.

5 de março de 2010

MEMORIAL AMAZONENSE

MARÇO, 6

1836 - A vila de Manaus é tomada pelos cabanos, à frente o caudilho Francisco Bernardo de Sena.

1882 – Instalação, em Manaus, da Escola Normal da Província do Amazonas, em regime de externato, destinada a indivíduos que se decidissem pelo magistério. Coube ao Presidente da Província, Alarico José Furtado, que nomeou a Epifanio José Pedrosa seu primeiro diretor. A sede estava localizada no cruzamento da Praça Dom Pedro II, possivelmente onde hoje se observa as ruínas do Hotel Cassina.

1961 – Assume a direção da Faculdade de Direito do Amazonas, o Dr. Abdul Sayol de Sá Peixoto. Seu mandato perdurou até 10 de dezembro de 1966.

1982 – A antiga sede dos Correios, situada à rua Marechal Deodoro com Teodoreto Souto, no Centro, é atingida por violento incêndio. Aconteceu no início da noite, e apesar dos esforços do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar e de outros organismos públicos, pouco restou do edifício. A edificação, de construção centenária, retornou a mesma atividade, graças ao empenho do Governo Federal.
Jornal A Crítica, 7 de março de 1982

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS (I)


A história desta corporação, em parte, se confunde com a tradição da província do Amazonas. Criada como Guarda Policial, ela surge ao tempo da Cabanagem para combater os “cabanos”, surge, pois, com destinação guerreira. Curiosamente, já teve três datas de criação: a primeira – 3 de maio de 1876, quando de sua reorganização, que perdurou por quase um centenário; a segunda – 26 de março de 1936, que durou cinco anos; e, a terceira – 4 de abril de 1837, em vigor. O motivo dessa distorção se deve a três fatores: não há qualquer registro da presença da Polícia Militar, enquanto vinculada ao Grão Pará. Depois, em 1936, a comemoração lembrava a restauração da Força Policial, que fora extinta pela ditadura de Getúlio Vargas. Enfim, pesquisa realizada na década de setenta consolidou a atual efeméride.
Para delinear esses e outros episódios que cercam a existência da Polícia Militar do Amazonas (Pmam), vou apresentá-los em ordem cronológica, em ligeira descrição. Começo agora.

Cabanagem (1835-1840)

Em 7 de Janeiro de 1835, irrompe em Belém do Pará a revolta popular essencialmente cabocla, conhecida na historiografia nacional por Cabanagem (1835-40). A tomada da capital paraense pelos seus seguidores – os cabanos, comina de imediato com a derrubada do governo, seguida do inconseqüente assassinato do Presidente da Província, Bernardo Lobo de Souza, e do comandante das Armas, tenente coronel Joaquim José da Silva Santiago. Com isso, Felix Antônio Clemente Malcher (“antigo alferes da tropa de linha envolvido, desde o início, nas articulações políticas”) inaugura o governo cabano. Governo infecundo, no entanto, que acarreta, desse fracasso e da impetuosa repressão imperial, uma torrente de lutas e de mortes.
O historiador Arthur Reis resume assim esse período insurrecional: “A Amazônia (...) ia experimentar ou padecer uma das mais sangrentas aventuras políticas que se registraram no processo de politização do Brasil.” E explica a causa: “A insatisfação das multidões nativas que se julgavam esbulhadas nos seus direitos desde o momento da Independência, que não se sentiam felizes no atendimento de suas necessidades materiais mais imediatas”.
O impulso das massas, contudo, não consegue carrear prontamente recursos para os espoliados, certamente pela tenaz e profunda coerção das autoridades imperiais. Na prática, com a cabanagem ocorre forte despovoamento e grave desarticulação econômica da região amazônica.
É, pois, no fragor dessa disputa insana que surge a força militar amazonense; gerada com a destinação guerreira de aniquilar os cabanos.

Lugar da Barra do Rio Negro

Na tarde de 6 de Março de 1836, a vila da Barra do Rio Negro, hoje Manaus, é tomada por um destacamento cabano sob a direção de Francisco Bernardo de Sena. Nessa condição, a Barra permanece até 31 de Agosto. Ocasião em que, leciona Arthur Reis, várias são as iniciativas promovidas por autoridades civis, por deficiência de militares, em defesa da legalidade: juízes, como o interino João Ignacio Rodrigues do Carmo, e até sacerdotes; destaque incondicional para Ambrósio Pedro Aires, o bravo Bararoá, alcunhado desta maneira “em razão do termo onde vivia”, o qual, “na direção de 77 guardas nacionais”, defende Mariuá (hoje Barcelos).
Os cabanos novamente tentam sobrepujar a Barra, a 13 de Novembro. Mas os legalistas rechaçam em definitivo os seguidores de Francisco Angelim e Antônio Vinagre.