CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

31 de dezembro de 2011

FELIZ ANO NOVO: 2012


Roberto Mendonça, no IGHA
Regressei de férias antes do prazo marcado, por cansaço de idas e vindas e da porta cédula. Enfrentei a busca de multas mais simples e o balcão da Polícia Federal na revista antes de alcançar o portão de embarque.

Interessante, não compreendo a razão pela qual a gente se esforça para encontrar preço reduzido, especialmente quando se troca de data, de horário, de qualquer coisa. Não compreendo pela simples razão de que o avião em que voei apresentava a metade dos assentos ocupados. Ou seja, com uma ocupação reduzida. Não seria lógico regular o preço por baixo, pela promoção? 

Voei pela Azul, que tem sede no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Como estava em São José dos Campos (SP), procurei a Pássaro Marrom (empresa de ônibus), que possui linha direta com este aeroporto. Para minha decepção, apenas nos horários da manhã. Como viajava à noite, a recomendação do agente foi de que de SJCampos desembarcasse no terminal de Campinas e deste, em outro ônibus, alcançasse o Viracopos. Era uma virada danada. Desisti.

No automóvel de meu irmão, com ele, fomos ao aeroporto. Poucas, quase nenhuma, indicações nos fizeram rodar bastante. Mais de duas horas de viagem e duas paradas depois, para correção de rumo, chegamos.
As instalações do Viracopos estão em boas condições, crescendo sempre. Depois da praça de alimentação que, convenhamos, apresenta preços razoáveis, enfrentei a revista da PF. Foi aí que me quebrei. De novo, devido ao cinto que segura a calça.

Apitado, fui chamado à frente, onde uma agente me fez levantar os braços para efetuar a operação “escovão” (com aparelho que me lembrou a palmatória). Frente e verso. Nada encontrado de sobrenatural ordenou-me que sacasse o cinturão, para novo teste.

Neste momento, decidi jogar o cinto no lixo, afinal poderia me causar outro desconforto. Logo, outra agente me interrogou se aquele objeto me pertencia, respondi-lhe que o jogara no lixo, portanto ao lixo pertencia...  Deste fato, penso em tomar uma decisão: ou deixo de viajar de avião ou de usar cinto...

Narrei esta lambança para dizer aos amigos que consultam a este espaço que estou pronto para o Ano Novo. Falhei clamorosamente nesta semana. Apesar de ter preparado vasto material para publicá-lo em viagem, falhei em demasia. A obrigação de cuidar de mulher e filha, de hotéis, de mudanças e até do cinto, tudo isso me atrapalhou.

 A ilustração desta última página (organizada pela Samantha Santos, a quem agradeço a cessão do material) mostra a turma do Colégio Brasileiro, vibrando com a vitória escolar. Como eu, a turma no derradeiro ano secundário, promete se empenhar em 2012 para novo sucesso.

Sucesso para todos em 2012!!!

25 de dezembro de 2011

Natal inesquecível

Roberto Mendonça, Natal 2011
Escolhi passar o Natal bem longe de casa, para isso tomei os caminhos aéreos e as vias terrestres, e aportei em Florianópolis (SC). Tudo parecia estar no mesmo lugar, desde quando usufrui desta cidade durante um semestre, há quase três décadas.

Com hotelaria farta na Ilha, tornou-se fácil a hospedagem. E, como propala o slogan hoteleiro, estava no centro de tudo. Observei a cidade enfeitada para essa festa familiar. As lojas cheias, no movimento geral. Programei a missa do galo, agora rezada no início da noite.
Mas me faltou muito, pois a festa do Natal é bonita, portanto, é difícil encontrar quem não goste.  Deixe para trás os meus mais próximos. E para complicar, uma chuva fina e persistente desabou sobre a Ilha, deixando-me ”ilhado” na Ilha. A chuva durou vinte e quatro horas. O restaurante do hotel falhou e passei outros incidentes mais, foi assim que curti meu Natal inesquecível.

Aproveito esta post para, aproveitando o Natal, abraçar a quantos me entusiasmaram com suas visitas e comentários. E para marcar a data, reproduzo o soneto do saudoso poeta Jorge de Lima.

POEMA DE NATAL
NUMA certa noite de Natal,
aquele homem de uma grande metrópole
queria um abrigo para passar a noite;
um reveillon, uma mulher ou mesmo um bar servia,
Mas todas essas coisas tinham muitos corações
por dentro delas.
E, entretanto, todas essas coisas estavam muito vazias,
O homem foi, então, passear pelas ruas;
mas o povo era tanto que o homem
pedia um abrigo para se livrar dos outros,
E o homem fugiu da metrópole
e buscou os caminhos que vão ter
às pequenas aldeias.
Mas o povo que vinha nos caminhos
para a grande metrópole
esbarrou no homem sem abrigo.
E foi então que os sinos de Cristo
começaram a chamar o homem fugitivo
para o novo caminho em que Jesus seguia.
Excedente de A Túnica Incontil. Publicado em o Estado da Bahia, Salvador, 24 dezembro 1938




23 de dezembro de 2011

Tenório Telles e a Editora Valer

Tenório Telles
Quase atravessava o ano a notícia da saida do editor Tenório Telles da Editora Valer. Quase... ontem, de forma categórica, o conceituado homem dos livros entregou a carta de despedida. Nela, efetua um ligeiro retrospecto de seus quinze anos de Valer. Tenório e a Valer (livraria ou editora) se confundiam. Talvez seja uma longa pausa, mas, certamente, ele nos ensinou o caminho.

Obrigado Tenório Telles pelos ensinamentos, pela luta (muitas vezes desigual) renovada a cada, em busca de fornecer livros aos que desejam ler.
Sucesso nos novos passos que você começa a percorrer.


COMUNICADO
VIDA, LIVROS E LEITURA
A vida se faz de momentos – e cada etapa da caminhada cumpre o seu ciclo. O que importa em tudo é desempenhar com entusiasmo e verdade as tarefas e responsabilidades que nos cabem na existência.
Cioso do papel que cumpri, nos últimos 15 anos, na coordenação editorial da Valer Editora, ajudando a promover a cultura do livro e o prazer da leitura no Amazonas, venho a público comunicar meu afastamento da função de editor responsável dessa importante casa de livros.
Motivado pelo desejo de contribuir com o processo de construção do conhecimento, dediquei-me ao desafio de popularizar o livro e sensibilizar a sociedade para a importância da leitura na formação das crianças e dos jovens. O resultado desse trabalho foi a publicação de mais de 700 títulos de autores principalmente regionais, além de várias iniciativas concebidas com o mesmo objetivo, como exemplo a Quarta Literária, o Flifloresta, Encontros de Escritores, a criação do Clube Literário do Amazonas – Clam e a idealização de várias coleções de livros publicadas pela Editora Valer.
Neste momento de despedida, não poderia deixar de agradecer à imprensa pelo apoio dado a essas iniciativas, aos escritores que confiaram seus trabalhos à Editora, à equipe de jovens do corpo editorial que tornou possível a realização desse sonho, aos amigos que nos apoiaram no momentos difíceis e, muito especialmente, aos leitores – objetivo de nosso esforço e os grandes responsáveis por termos chegado até aqui.
Assim me despeço – com gratidão e o sentimento de que fiz a minha parte na luta pela construção de uma sociedade de seres humanos esclarecidos e de um mundo mais tolerante e civilizado.
Manaus, 22 de dezembro de 2011.
Tenório Telles

22 de dezembro de 2011

A Cadeira 21 da Academia (2/2)


Sede da Academia Amazonense de Letras,
 1984
Competiu ao acadêmico Mithridates Corrêa a indicação deste salesiano, prontamente acatada pela assembleia de 26 de fevereiro de 1955. Quase um ano depois, em 27 de janeiro, ocorreu a posse do terceiro sacerdote na Casa de Adriano Jorge. No entanto, meses depois, padre Pereira Neto foi transferido para Salvador (BA), do que se infere ter ele passado à categoria de correspondente, em consequência, abrindo vaga.

Para supri-la, a Academia Amazonense elegeu em novembro de 1959 o novo legatário: Socrates Bonfim (1908-84). Nascido em Eirunepé (AM), este juruaense tornou-se “imortal” pela extensão de suas terras em Manaus e, na classe dos industriais, como fundador da falida Siderama.
Apesar de o Silogeu amazonense ter aguardado com bastante benevolência pela sua investidura, concedendo-lhe repetidas prorrogações de prazo, a mesma não sucedeu. Desse modo, em 1º de fevereiro de 1963, a diretoria manteve a vaga, ou seja, dispensou o eleito. E prontamente tratou de preenchê-la.

Em 23 do mesmo mês, escolheu ao bacharel Plínio Ramos Coelho (1920-2001). Oriundo de Humaitá (AM), obteve graduação pela Faculdade de Direito do Amazonas (turma 1947), porém, envolvido na política, foi eleito deputado (estadual e federal) e governador pela legenda do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Quando escolhido para a 21, governava o Estado no segundo mandato.
Certamente as vicissitudes do encargo não lhe permitiram de pronto que tomasse posse. Em outubro de 1963, os acadêmicos em reunião marcaram-lhe a primeira prorrogação para a posse: até 31 de março de 1964. Que data aziaga para o eleito!

Plinio Coelho, 1958

Nesse dia, aconteceu no País o golpe militar que acabou por defenestrá-lo do Poder Executivo do Amazonas. Cassado em seus direitos políticos em junho, Plínio Coelho desinteressou-se da Academia de Letras. Entretanto, a direção desta tratou de consertar o dano. Para isso, em agosto, despachou duas “expedições” acadêmicas: uma, em direção ao eleito, guiada pelo próprio presidente, Leôncio Salignac; outra, rumo ao governador Arthur Reis, capitaneada pelo acadêmico Álvaro Maia e mais quatro sócios.
O rendimento da operação foi conhecido no mês seguinte. A 12, a diretoria decidiu conceder ao escolhido o prazo “sine die” para a posse. Traduzindo: até quando Deus quiser, o sagrado aqui era o “Ganso do Capitólio” (alcunha política de Plínio Coelho).

Arthur Reis, c1966

Este, então, usufruiu integralmente do benefício, tanto que estabeleceu um recorde imbatível. Somente 21 anos depois, em 1984, quando seu compadre Gilberto Mestrinho havia assumido o governo do Estado (1983-87), e a redemocratização do País já era enunciada, a Cadeira 21, enfim, foi novamente conquistada.
Plínio Coelho, quando estudante, publicara alguns poemas em jornais da cidade, porém, seu intenso vigor político talvez tenha ofuscado esse exercício do espírito. No entanto, como para manter poetificada esta poltrona publicou, em 2001, Vozes da Amazônia (São Paulo: Imaginária). Morreu no mesmo ano; cremado seu corpo, as cinzas fertilizaram seu sitio no Puraquequara, para atender ao seu desejo expresso em Quando eu morrer... (1944)

Que, em cinzas, o meu corpo adube a terra fria,/ Donde ressurgirei ao despertar do dia,/ Em selva transformado, ou transformado em sangue.
Desde 2005, o sexto ocupante desta poltrona sustenta-lhe um estigma. Segue ocupada por um consagrado poeta: Luiz Franco de Sá Bacellar, opa, Huet-Bacellar. Diante de tantos embaraços, que registrar sobre Bacellar, em relação a 21? Apenas que ele ampliou o seu sobrenome, enobrecendo-o, e que considera ter sido embaraçado pelos colegas, pois seuprecursor, quando governava o Amazonas, teve ímpeto de... Mas isso é outro capítulo, quem sabe um dia a gente conheça o final. Por isso, vida longa ao visconde Huet-Bacellar.

21 de dezembro de 2011

A Cadeira 21 da Academia (1/2)

A poltrona azul 21 da Academia Amazonense de Letras (AAL) segue devidamente bem-comportada, ao menos quanto ao patronato do poeta Tenreiro Aranha, em oposição a outras (nº 13 e 30), que apenas se contentaram com a mudança do segundo patrono. Quanto aos ocupantes, há diversas nuances a considerar. O fundador da 21 foi o poeta Octavio Sarmento (1879-1926), filho de Joaquim Sarmento (padroeiro de rua no centro da capital) e pai de Sizeno Sarmento (1906-87), que foi interventor no Amazonas, quando tenente-coronel do Exército, em 1946.

Sede da Academia Amazonense de Letras, 1984


Octavio estudou em escola militar no Rio, porém, sem que se alcance o motivo, não conquistou o oficialato. Ainda assim, aos dezoito anos, fez parte de um batalhão do Exército na 4ª expedição contra Canudos (1897).

De retorno a Manaus, em 1904, foi incorporado ao círculo dos oficiais do Regimento Estadual, tendo alcançado o posto de tenente-coronel em 1912. Nessa condição, comandou a Policia Militar do Amazonas, interinamente, em 1919.  Lembrando que, no ano anterior, ocorreu a criação do Silogeu amazonense, tendo Octavio inaugurado a Cadeira 21, do também poeta Tenreiro Aranha.
Exercendo o jornalismo em Manaus, aproveitou para publicar nas páginas de periódicos, como habitual, alguns de seus poemas. No entanto, não deixou obra editada. Talvez esse descuido o tenha levado a ser tragado pela voragem do tempo, ingressando no rol dos “poetas esquecidos”. Com a publicação de A Uiara & outros poemas (Manaus: Valer, 2007), o acadêmico Zemaria Pinto mobilizou esforços para retirá-lo do limbo.

Morto aos 47 anos, Octavio foi sucedido pelo acadêmico Leopoldo Carpinteiro Péres (tio do saudoso acadêmico Jefferson Péres), nascido no Cabo (PE 1901-RJ 1948) que, numa coincidência funérea, morreu com a mesma idade do antecessor. Poeta e prosador, Péres deixou publicado entre outros livros, O Jardim das fontes silenciosas (poesia) e diversos poemas em jornais. Ainda assim, restou conhecido como político.
Em 1950, a 4 de fevereiro, para preencher a vaga de Leopoldo Péres foi eleito Ormando Sobreira de Sampaio (CE 1887-AM 1950). Nascido em Camocim (CE), cedo desembarcou em Manaus; aqui radicado, iniciou o curso de direito, mas o concluiu na Faculdade de Direito do Recife, em 1924.

De retorno ao Amazonas, exerceu a política, a advocacia, o magistério na Faculdade de Direito local, e o jornalismo na empresa Archer Pinto. Eleito para a Cadeira 21, aos 63 anos, Ormando preparava-se para a posse, quando, durante a posse do acadêmico Hugo Bellard, morreu no plenário do Silogeu vitimado por um colapso. O óbito aconteceu a 18 de março, todavia, na sessão de 22, a corporação dos imortais decidiu, por unanimidade e pela primeira vez, considerá-lo empossado.

Mas, a Cadeira continuava “panema”. Cinco anos depois, o padre salesiano José Pereira Neto (1911-79), então diretor do Colégio Dom Bosco, foi eleito para a vaga. Na ocasião, conclamava o presidente Pericles Moraes: a Academia deve “escolher um nome que esteja à altura das tradições da cultura e talento, com que tem sido honrada a Cadeira em apreço”.  (segue)

19 de dezembro de 2011

ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS

Academia Amazonense de Letras tem novo presidente

Arlindo Porto, 82, venceu com ampla vantagem a eleição para o biênio 2013-2014. Representante do grupo que domina a AAL desde 1996 – excetuando-se o intervalo 2004-2007, quando foi presidente Elson Farias –, Arlindo Porto deve manter a Academia voltada para si mesma, sem contato real com o público externo, que tende a vê-la como uma espaçonave oriunda de outra galáxia.
Resultado esperado, a surpresa ficou com o discurso contundente do Escritor (com maiúscula, um dos poucos entre os 38 membros atuais) Aldisio Filgueiras, fazendo ver ao grupo que se pretende hegemônico que há, sim, insatisfação entre os acadêmicos. Aldisio não titubeou em classificar como fascista essa hegemonia forçada.

Lembro o sábio Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra!”
Anísio Mello (1928-2010)

A posse ocorrerá nos primeiros dias de janeiro.
O texto foi extraído de "palavra do fingidor", que escreveu assim mesmo sobre o próximo biênio. Mas, AP deve dirigir inicialmente a Casa de Adriano Jorge entre 2012 e 2013.
 
 Desejo lembrar ainda a posse do novo acadêmico: Arthur Virgilio Neto, ocorrida na sexta-feira 16, na Cadeira 3, vaga com a morte do multiartista Anísio Mello.

Postado em Telêmaco Borba (PR).