CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

27 de abril de 2017

CENTENÁRIO DE FRANCISCA LIMA

Francisca, em Iquitos
Em homenagem ao centenário de nascimento de Francisca Lima Mendonça, minha saudosa mãe, que se completa amanhã, publico a segunda nota para contar sua curta existência.


Com o retorno de Manuel do seringal, Francisca retomou o noivado, com uma decisão incomum: casar-se, prontamente. O desacordo com a família ainda pesava, e muito contribuía para essa disposição. Diante do impasse, Manuel, necessitando regularizar sua situação militar, convenceu a noiva a, no início de 1943, juntos viajarem para Iquitos (Peru). Ao final desse ano, contraíram o matrimônio na igreja de San Juan Bautista, patrono daquela cidade.

Entusiasmada ou para dar satisfação, Francisca remeteu uma foto do enlace, anunciando a boa nova à família. Em Iquitos, o marido enveredou pelo comércio, cuja condução conhecia com bastante aptidão, chegando a estabelecer-se com uma taberna. Era intenção do casal permanecer na cidade.

Entretanto, Francisca ao anunciar a chegada do primeiro filho, levou Manuel a retornar à capital amazonense. Era início de 1946. Em fevereiro, o casal desembarca em Manaus, agora apoiado pela família. Adquirem uma casa na rua Inácio Guimarães esquina do beco São José, a qual depois de reparos serviu de moradia e de comércio.

Casa onde nasceu Francisca, foto de 1917 

Em junho, nasceu o primogênito: Manoel Roberto (este que vos escreve). A Mercearia São José, o comércio prosperava e a família também. Dois anos depois veio outro filho: Henrique Antonio (detalhe, todos os filhos terão dois nomes próprios).

Todavia, em 1950, seu Manuel toma uma determinação estapafúrdia: aceitando um convite de um irmão, radicado no Rio de Janeiro, vende os bens do casal e com a família embarca no navio Almirante Alexandrino. Em fevereiro estamos no Rio, que ultimava os preparativos para a Copa do Mundo. O estádio do Maracanã estava em construção.  

Francisco morava no subúrbio, em Irajá (rua Claudio da Costa). Para receber a parentada amazonense, o anfitrião construiu às pressas um “puxadinho” de madeira, bem acanhado comparado com o casarão deixado em Educandos. Dona Francisca deve ter experimentado uma dose severa de dificuldades: começando pela casa sem mobília, passando pelo cunhado que, separado da mulher, cuidava de três filhos. Havia ainda a distância do trabalho do esposo e, certamente, as dificuldades financeiras.

Ao final desse ano, Francisca anunciou ao esposo a chegada do terceiro filho, que se chamaria Pedro Renato. A gestação da esposa deve ter acelerado o desejo de Manuel em retornar com a família para Manaus. Assim aconteceu. Creio que em março de 1951, estávamos de volta para o mesmo bairro, para a mesma rua, contudo sem a taberna. Em junho nasceu o terceiro filho, que foi para ela o derradeiro. (segue)    

25 de abril de 2017

CENTENÁRIO DE FRANCISCA LIMA

Francisca Lima, aos 25 anos
Em homenagem ao centenário de nascimento de Francisca Lima Mendonça, minha saudosa mãe, publico uma série de notas para contar sua curta existência.


No próximo dia 28, completaria seu centenário de nascimento Francisca Pereira Lima, a qual, casada com Manoel Mendonça, tomou este sobrenome. Nascida em 1917, viveu muito pouco, apenas 35 anos, quando foi vitimada por uma tuberculose. Francisca ou Chicuta foi minha mãe.

Nasceu no Anveres, um pedaço de terra e muitas águas, hoje integrante do município do Careiro da Várzea, e morreu no bairro de Educandos, quando este era conhecido por Constantinópolis, morando ao lado do Cine Vitória, em construção.

Seus pais vieram do Ceará, atraídos pela riqueza da borracha, ao final do século XIX. Seu pai Vicente, estando viúvo, casou-se com a jovem Adelaide, de cujo enlace nasceram oito filhos, sendo Francisca a caçula.

A proximidade da capital atraía os moradores das cercanias. Para isso, os careirenses utilizavam o barco Xiborena para, no reboque, alcançar a cidade. E assim, entre tantas travessias do rio Negro, os Lima foram ficando. Em especial, as mulheres (Raimunda, Maria e Francisca).

Morto seu Vicente, a viúva tomou conta da propriedade familiar, até que grave enfermidade a obrigou dona Adelaide a se mudar para a rua Jonatas Pedrosa. Neste endereço, teve a companhia da filha mais nova, que se tornou a cuidadora da mãe. Morta Adelaide, em 1940, Francisca já com 23 anos foi à luta, em busca do sustento.

Encontrou emprego como balconista na Fábrica Bijou, que funcionou na avenida Sete de Setembro, em frente à Praça da Polícia. No local, encontrou-se com Manuel Mendonça, subgerente da Casa, oriundo do Peru e ainda solteiro.


Conversa vai e vem, engataram o namoro. No estágio seguinte, estavam noivos, porém a família da noiva não aceitava o pretendente. Tentando consertar a questão, Manuel afasta-se de Manaus, aventurando-se em um seringal, movimentado por ocasião da II Guerra. Deu-se mal e, dessa maneira, retornou para a amada. (segue)

Mendoza, assinava Mendonça quando do casamento com Francisca