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quarta-feira, novembro 12, 2014

NOTAS SOBRE CANUDOS | 2




Esta publicação ocorreu no jornal Amazonas Em Tempo, na temporada do centenário deste conflito nacional, em 1997. Reproduzo o texto, com pequenos reparos, rememorando a data (8 nov.) do retorno da tropa do Amazonas que avançou contra os adeptos de Antonio Conselheiro. 

 
Memorial Antonio Conselheiro Canudos-BA

Este episódio está sendo narrado em livro — Cândido Mariano & Canudos — do coronel PM Roberto Mendonça que será lançado, em setembro, pela Editora da Universidade do Amazonas. O autor traça a biografia de Cândido José Mariano, tenente de engenheiros, que veio para Manaus comandar o 1º batalhão da Polícia Militar, em 1896, um ano antes do conflito. Mendonça descreve a trajetória do batalhão amazonense, para combater os camponeses liderados por Antonio Mendes Maciel, o Conselheiro, com um rico material de pesquisa, desde Manaus até Monte Belo. A seguir, os primeiros preparativos da longa marcha.
4 de agosto de 1897
Na manhã deste dia, embarcou o 1º batalhão para combater em Canudos. A escala inicial foi em Belém do Pará, para tomar o transporte de guerra Carlos Gomes. "Assim, a tropa, sob o comando do tenente-coronel Cândido Mariano, desfilou com garbo desde a Praça D. Pedro II, antigo Largo do Quartel, já remodelada pelo Pensador, onde assisti, em 1897, a partida das tropas amazonenses para Canudos", conforme testemunhou o mestre Agnelo Bittencourt.
O monumental roadway de Manaus ainda era projeto, pois foi inaugurado anos depois. Em razão disso, a tropa utilizou o Trapiche 15 de Novembro, onde o embarque era realizado por meio de barcos menores, pois os navios permaneciam ao largo, por falta de ancoradouro.
Imagine-se a forte presença da população, devido ao inusitado acontecimento da saída de amazonenses para a guerra. As notícias sobre o desfecho das lutas em Canudos fervilhavam no país, especialmente depois da derrota da 3ª expedição, sob o comando do coronel Moreira César (alcunhado de corta-cabeças). Imagine-se os familiares dos combatentes — mulheres e filhos, parentes e amigos, além dos inevitáveis curiosos na despedida entrecortada de lágrimas, lastimosa por tudo, devido a incerteza do retorno.
O vapor Botelho — barco regional de propriedade da Casa A. Bernaud & Cia., finalmente desatracou e partiu, levando a esperança da pátria, deixando, no entanto, a incerteza do retorno de tantos filhos. Deve ter sido um dia tenebroso para a cidade de Manaus.
No Botelho embarcaram 12 oficiais (contados dois civis, assim comissionados: capitão Rafael Machado e tenente Demétrio Melo de Oliveira), entre os quais o tenente Emídio Bayma (ainda com descendentes em Manaus), mestre da Banda de Música.
O comandante da tropa era o tenente-coronel (em comissão) Cândido José Mariano, jovem de 27 anos, nascido na cidade de Alfenas (MG). Na verdade, engenheiro militar do Exército por conclusão do curso na então Escola Superior de Guerra. Na Escola Militar fora contemporâneo de alguns brilhantes colegas, convém assinalar o nome de Euclides da Cunha que, na questão conselherista, teria marcante desempenho com seu livro Os Sertões.
Mariano viera do Distrito Federal (Rio) para Manaus, em setembro de 1896, a convite do governador Fileto Pires, para comandar um dos batalhões da Polícia Militar.
Embarcaram no Botelho 249 praças, incluídos 12 músicos, sem que o arquivo da Corporação possua os nomes destes comandados. Alguns poucos nomes resistiram a esta incúria. São desconhecidos em sua totalidade. Os músicos constituíam parte substancial da Banda policial, daí os diversos elogios registrados quando tocaram a música. Todavia, pode se perguntar: para que instrumento musical na guerra? Era praxe, para estimular e coordenar os combatentes na luta e, na folga, proporcionar o necessário relaxamento.
Outro fato que convém sublinhar, é a presença de um número avantajado de nordestinos na tropa. A proporção de arigós na Polícia Militar de então estava em torno de setenta por cento. Ou seja, em dez policiais, apenas três eram amazonenses.
Na madrugada de 5 de agosto, o vapor Botelho atracou em Itacoatiara. Em plena madrugada, o comandante da tropa dirigiu-se à residência do alferes Floriano Lins que, naquela cidade, convalescia, juntamente com outros praças. Narra o cronista da época que o alferes ao perceber o convite de seu comandante, vestiu-se num ápice, afivelou o cinturão, entrouxou alguma roupa, e despedindo-se da família seguiu para bordo. Outros anônimos praças devem ter copiado o gesto deste oficial.
A convalescência em Itacoatiara fundamentava-se na conduta médica do final do século, aquela que prescrevia o afastamento do doente da cidade para tomar novos ares no interior. Este fundamento médico perdurou por longos anos. E, por essa razão, o governador Silvério Nery (1900-1904) construiu naquela cidade um Sanatório Militar, para atender aos policiais. Construído em madeira, existiu onde hoje se encontra a direção dos serviços de águas e esgotos, ao lado da Matriz, segundo informa Francisco Gomes, competente estudioso dos fatos históricos da Velha Serpa.
No final deste dia, o barco e tropa chegaram a Parintins, onde aconteceram manifestações de ocasião. Prosseguiu a viagem, tocando no dia seguinte, em Santarém, já em território paraense. Mas, devido as dificuldades próprias da navegação regional, o Botelho chegou a Belém na manhã de domingo – dia 8.

terça-feira, novembro 11, 2014

NOTAS SOBRE CANUDOS




Esta publicação ocorreu no jornal Amazonas Em Tempo, em 6 de agosto, na temporada do centenário deste conflito nacional, em 1997. Reproduzo o texto, com pequenos reparos, rememorando a data (8 nov.) do retorno da tropa do Amazonas que avançou contra os adeptos de Antonio Conselheiro.

Ilustração da matéria do jornal


Este episódio está sendo narrado em livro — Cândido Mariano & Canudos — do coronel PM Roberto Mendonça que será lançado, em setembro, pela Editora da Universidade do Amazonas. O autor traça a biografia de Cândido José Mariano, tenente de engenheiros, que veio para Manaus comandar o 1º batalhão da Polícia Militar, em 1896, um ano antes do conflito. Mendonça descreve a trajetória do batalhão amazonense, para combater os camponeses liderados por Antonio Mendes Maciel, o Conselheiro, com um rico material de pesquisa, desde Manaus até Monte Belo. A seguir, os primeiros preparativos da longa marcha.

1º de agosto de 1897
Nessa data, o governador do Amazonas — Fileto Pires Ferreira, tenente de engenheiros —, decide enviar a força policial amazonense em auxílio ao Exército, para combater em Canudos. Campanha de Canudos, assim ficou conhecido o ataque das forças militares contra o reduto de Antonio Conselheiro, seu líder místico.
Em pleno domingo, foi convocado à sede do governo (atual da Prefeitura), situada na Praça Dom Pedro II, o coronel (comissionado) Pedro Henrique Cordeiro Júnior, comandante do Regimento Militar do Estado. Jovem capitão do Exército, que nesta cidade deixou respeitável descendência, tendo sido deputado estadual, além de presidente da Junta Governativa, em 1930.
Foi escolhido o 1º batalhão, a despeito do encargo caber ao 2°, devido, acredito, à precedência hierárquica do tenente-coronel Cândido José Mariano, seu comandante. E, por uma razão afetiva, Mariano havia casado no dia 22 de maio, portanto, estava em plena lua-de-mel. As providências imediatas foram obter meios de locomoção, visto que o transporte de guerra se encontrava em Belém. Depois, organizar o material bélico para a tropa; do entendimento desta com seus familiares; dos cuidados judiciais em decorrência do afastamento, e até com o falecimento, visto tratar-se de uma guerra declarada.
A providência saudável foi a entrega pelo governo de 40 contos de réis ao comando da tropa, para as despesas com a mesma. Este valor corresponde hoje, segundo cálculos de especialistas, a U$ 102,000 (cento e dois mil dólares). Tratou-se, portanto, de uma importância de relativo valor à disposição do comando. Quando em Canudos, viu-se que havia bastante dinheiro, porém pouca, ou quase nenhuma, comida!
Este valor não deve surpreender. Na época o Amazonas já desfrutava do saudoso do tempo áureo da borracha (1890-1920). A propósito, foi a riqueza proporcionada pela extração gomífera, que muito contribuiu para o deslocamento de tropa tão distante. Seria mais plausível, que efetivos de polícias nordestinas na fronteira do conflito tivessem participado. Tal não aconteceu.
Com o Exército contribuíram o Amazonas e o Pará, ambos em soberba situação financeira; a Bahia, por abrigar a luta fratricida, e São Paulo, que já despontava como Estado vanguardeiro do país. As tropas paulistas e paraense partiram no dia 1º de agosto. O Amazonas não embarcou nessa data por deficiência de transporte, somente o fazendo, como veremos, no dia 4 (quarta-feira). (segue)


quarta-feira, outubro 17, 2012

DEU NOS JORNAIS DE MANAUS



Jornal EM TEMPO, hoje
Hoje, os matutinos de todos os tamanhos enfatizaram o “presente” do Governo Federal para o Amazonas: 2 bilhões de reais.

Os dirigentes presentes e futura deveriam mostrar aquele sorriso. No entanto, não é o que se vê na foto divulgada pelo governo local.


Mais parece um velório. Ou então, a presidente Dilma, antes de passar a caneta, passou uma bronca geral no trio. A distância e o mal estar do senador Braga é visível. De Aziz, idem e ibidem. Até a candidata à Prefeitura perdeu o rumo... na foto.

 
Senador Braga (a partir da esq.), senadora Graziottin, governador Aziz e
a presidente Dilma. Jornal EM TEMPO, hoje

Se pudesse alcançar a Presidente, aconselharia a ela que não viesse a Manaus, é perigoso. Na sexta, tem o final da novela e, na segunda, ressaca... Na terça, pode aumentar o “apagão”...

sexta-feira, outubro 12, 2012

Deu no Em Tempo


 
Sabe que o chargista tem razão...
 
Jornal Em Tempo, hoje

segunda-feira, julho 16, 2012

Deu no Amazonas EMTEMPO




EMTEMPO, de hoje
Interessados e amantes da Biblioteca Pública do Amazonas, a centenária biblioteca, pelejam pela sua abertura, mas ela segue fechada. E, pior, sem data para voltar a funcionar. A última promessa, elaborada pelo secretário de Estado da Cultura, doutor Robério Braga, já caiu no deboche.

Hoje pela manhã, manifestantes se reuniram em frente à Biblioteca. “Esperávamos número maior de presentes”, revelou-me o mestre Jorge Bandeira. Não deu para abraçar o imóvel, “apenas o hidrante”, mas permitiu registrar o movimento “Abre Biblioteca”, que espera tenha resultado em breve.

A cidade sabe que, em reparos, a Biblioteca Pública já ultrapassou os CINCO anos interditada. Com este vigoroso índice, vem disputando com o Mercado Adolpho Lisboa, de responsabilidade da prefeitura de Manaus, o recorde de mais tempo de interdição.

Está difícil saber o vencedor, mas, há mais de 60 meses, o perdedor já se conhece: a população manauense. 

Recorte do EMTEMPO, Manaus, 16 julho 2012 

terça-feira, junho 12, 2012

Medição jornalística (2)

Na sexta 8, mostrei aqui a discrepância dos matutinos locais na medição do público que acompanhou a festa católica de Corpus Christi. Apenas para recordar: esse número foi de, mais comedido, 30 mil a, mais excessivo, 70 mil.
A Crítica, 11 junho 2012

No sábado 9, ocorreu a Marcha para Jesus, empreendida pelos evangélicos. E a contagem dos participantes oscilou entre 800 mil e um milhão de pessoas. Absoluto exagero. Autêntico devaneio dos organizadores, apoiado pela imprensa.

O exagero pode ser demonstrado em uma breve conta. O IBGE indica que Manaus possui 1 milhão e 800 mil habitantes, mas admitamos que chegue a dois milhões. A igreja católica, seguida por mais da metade desta população, conseguiu levar cerca de 5% de fiéis. Os evangélicos, curiosamente, marcharam com a metade da população. Quanta insensatez! Visto que a fonte consultada (se o foi!), a Polícia Militar, nunca possuiu esse gabarito.

Por falar nisso, a Folha de São Paulo, de ontem, rompendo com a tradição de apoiar a divulgação de executores, contestou com fundamentos a cifra de presentes a festa gay de São Paulo.  Apenas para cotejar, ano passo compareceram à festa cerca de 4 milhões de pessoas.

A 16ª edição da Parada Gay de São Paulo, um dos principais eventos turísticos da cidade, reuniu ontem 270 mil pessoas, de acordo com o Datafolha - 65 mil delas fizeram o percurso inteiro do evento.

Pela primeira vez na história, a manifestação teve uma medição de público com caráter científico. O Datafolha inaugurou o método em maio na 28ª Caminhada da Ressurreição, procissão católica por ruas da zona leste da capital.

Segundo o instituto, nenhum evento similar no mundo tem medição científica de público. Em alguns países, ele é estimado a partir do lixo produzido. Em outros, pela concentração de pessoas ao longo da parada - este método, no entanto, não leva em conta o público flutuante.