CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de novembro de 2012

AEROCLUBE DO AMAZONAS


Dois momentos do Aeroclube do Amazonas, que nasceu em 1942, pelo apoio substancial do interventor federal, Álvaro Botelho Maia, um dos brevetados na inauguração. O primeiro presidente foi o médico Avelino Pereira, também aprovado no curso de piloto.

A primeira foto datada de 1942, extraída do Diário Oficial do Estado, mostra a abertura desta escola de instrução profissional. A segunda, uma página do Jornal do Commercio, tem a data do trigésimo aniversário do Aeroclube.
 
Diário Oficial do Estado, Manaus, 10 novembro 1942
Jornal do Commercio, 30 janeiro 1972
 

 


29 de novembro de 2012

BOMBEIROS: ENTRE FESTA E FOGO

Manoel Ribeiro, 1984
O Corpo de Bombeiros amazonense não imaginava passar a semana de seu aniversário tão atribulado. Na segunda-feira 26, comemorou duas datas em única solenidade. No curso desta, tive o privilégio de apor a Medalha Dom Pedro II, patrono dos Corpos de Bombeiros, em duas personalidades: o artista plástico Moacir Andrade e Manoel Ribeiro, secretário municipal.

A parada realizada no pátio de formatura da corporação, cujo aquartelamento destacava-se pelas luzes vermelhas, relembrou os 136 anos de existência desse Serviço no Amazonas e os 11, de emancipação.

A primeira data recorda o esforço do administrador provincial de regulamentar o serviço de combate ao fogo na capital amazonense. Ocorreu, pois, em 11 de julho de 1876, e tudo quanto se podia esperar dessa organização era água, solamente  água. Mas, foi a partir desse elemento abundante na região que o Corpo cresceu, passando, claramente, por acertos e tropeços. Assim evoluiu assim nos alcançou.


Daí a razão da segunda comemoração -- sua desvinculação da Polícia Militar, sob cuja direção esteve por 25 anos (1973-1998). Há 11 anos, o agora Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas passou, como tantos congêneres no Brasil, a se conduzir com independência administrativa, hoje sob o comando do coronel Antônio Dias.


Detalhe do incêndio, A Crítica, 28 novembro 2012 e
jovem salvando inestimável bem (ao lado)
Não se pode deixar de observar a evolução deste ofício na cidade. Também não se podem esquecer os custos para a manutenção desta profissão. Se fosse de maneira contrária, qualquer município manteria uma corporação dos homens do fogo.

Mas, como para contrariar tais análises, na manhã seguinte 27, o fogo no bairro de São Jorge testou com rigor aos bombeiros de tantos julhos. A corporação compareceu com todas as forças, o efetivo mantido em Manaus estava no local. Uma favela construída há mais de 30 anos serviu lamentavelmente para o desafio. Não houve mortes, mas a destruição foi total, os casebres de madeira desapareceram, escapando utensílios domésticos, em especial, uma TV LED conduzida sobre a cabeça, com o transportador imerso no igarapé extremamente poluído que circundava o casario.

Nos dois ultimas dias, as queixas contra a atuação dos Bombeiros tomaram as paginas dos periódicos, ou melhor, da mídia em geral. Queixas como o atraso em chegar; falta de água; despreparo do pessoal; entre outras, pautam a imprensa.

Ainda hoje, o #1, de A Crítica, assegura que o incêndio na favela de São Jorge acendeu uma luz. E que para solucionar o problema, basta aumentar o efetivo do Corpo de Bombeiros. Porque, teme o colunista, se esse desastre acontece na Copa 2014...  

Falo por mim. A questão não é somente aumentar o efetivo, isso é o mais simples, apesar dos entraves burocráticos.  Para que não volte acontecer outra semelhante catástrofe, basta a prevenção. Não permitir a construção de favelas, com seus casebres em tantas existentes na cidade; não permitir que os gatos desafiem nossa paciência e nosso bolso; não permitir outros abusos patrocinados pela lambança política. Chega?

No mais, é preciso entender as técnicas de combate ao fogo, de mergulho, de salvamento em geral, de retirada de corpos, entre outras atividades dos bombeiros, para não se desgostar com o saldo desse fogaréu. Que se ouça o comandante, coronel Dias, para as explicações competentes, com isso, a capital vai continuar solidária com os homens e mulheres do fogo.

27 de novembro de 2012

CHÁ DO ARMANDO EDIÇÕES

Capa do livro

No próximo sábado, 1º de dezembro, o Chá do Armando edições lança seu terceiro livro. Trata-se de uma coletânea de textos produzida por seus membros, organizado pelo poeta Almir Diniz e capa de Edy Conrado.

Como se declara, os habitués  da sexta-feira no Salão dos Quadros Maravilhosos do Noleto, situado na avenida Joaquim Nabuco contribuíram como bem entenderam com o novo empreendimento livresco da editora.

Com o título de O Chá do Armando: em prosa e verso – tributo ao samaúma Armando de Menezes, o livro será lançado na sede da Academia Amazonense de Letras, sob os auspícios do jornalista Arlindo Porto, presidente da Casa de Adriano Jorge.
A festa tem início previsto para as 10h, seguido de coquetel ou do Chá sabático, excepcionalmente.

Finalmente, o Samaúma será ofertado pela nova editora. Venha e traga a família.

25 de novembro de 2012

CLUBE DA MADRUGADA – 58 ANOS (2ª. Parte)

Alencar e Silva (1930-2011)l
Acredito que a última publicação conhecida sobre o Clube da Madrugada foi realizada por um dos seus fundadores: Alencar e Silva, que morreu em setembro de 2011. Portanto, dono de respeitável conhecimento sobre o Movimento, que segue lembrado. Aproveito o texto para penitenciar-me de um pecado mortal cometido no texto anterior: é que, ouvindo o autor de Lunamarga, ainda existem outros fundadores bem vivos.  Com a palavra, o saudoso Alencar e Silva. (*)

Destinado a assinalar no tempo um acontecimento de alta relevância para o desenvolvimento cultural do Estado, um dia gravou-se no bronze esta inscrição: "Pois foi. Jovens se reuniram sob as frondes desta árvore, e aconteceu. Era madrugada. 22 de novembro de 1954. E fez-se.”
Luiz Ruas, presidente do CM (1957-58)
Alude o breve texto à criação do Clube da Madrugada. E os jovens que então ali se reuniram, teriam seus nomes para sempre inscritos na legenda gloriosa como seus fundadores. Foram eles: Saul Benchimol, Luiz Bacellar, Farias de Carvalho, Theodoro Botinelly, Fernando Collyer, José Pereira Trindade, Francisco Baptista, João Bosco Araújo, Antônio Gurgel do Amaral, Celso Mello, Humberto Paiva e Camilo Souza.






E aos quais se juntariam, em seguida, Jorge Tufic, Guimarães de Paula, L. Ruas, Francisco Vasconcellos, João Bosco Evangelista, Astrid Cabral, Carlos Gomes, Pedro Amorim, Aluísio Sampaio, Jefferson Péres, Arthur Engrácio, Elson Farias, Antísthenes Pinto, Max Carphentier, Alcides Werk, Ivens Lima, Edison Farias, Sebastião Norões, Benjamim Sanches, Ernesto Penafort, Ernesto Pinho Filho, Erasmo Linhares, Edson de Souza, Carlos Genésio, M. Braga, Wagner Pinto, Anísio Mello, Maria José Hosanah da Silva, Pinheiro Pucu, Evandro Carreira, Fábio Lucena, Leopoldo Péres Sobrinho, Adrino Aragão de Freitas, Mauro Tavares, Flávio Roberto de Souza, Afrânio de Castro, Moacir de Andrade, Oscar Ramos Filho, Álvaro Páscoa, Hahneman Bacellar, Van Pereira, Getúlio Alho, José Maciel e outros.

Surgido como síntese unificadora da inquietação que vinha movendo a mocidade amazonense, desde a década anterior, e que buscava abrir espaço ao exercício da liberdade criativa e à renovação dos padrões artísticos e literários vigentes - o Clube da Madrugada chegava já amadurecido para os novos tempos sabendo perfeitamente o que queria.

O poeta Jorge Tufic, que se refere ao CM como uma atmosfera e um movimento de ideias, identifica nas raízes desse movimento uma série de fatores causais que se resumem, basicamente, no esgotamento e anacronismo da vida cultural de Manaus, êxodo da juventude, desfalcando anualmente a população de parte ponderável de seus valores, e inexistência de universidade. Surgia, assim, o Clube da Madrugada em meio a uma crise total de valores.

Muitos, evidentemente, foram os presidentes do CM. E todos o terão conduzido com o acerto esperado, dando cumprimento à pauta do seu ideário e ao intercâmbio de conhecimentos e experiências em que os madrugadenses mutuamente se enriqueciam, como que ao clima de um centro de estudos superiores.

A partir, porém, dos anos 60 e princípios dos 70, houve notável mudança de ritmo. E Aluísio Sampaio viria como que a encarnar a alma do Clube como força coesiva e dinâmica que lhe comunicaria novo ânimo e o faria projetar-se, ostensivamente, em cena aberta, para reafirmar e mostrar, em toda a sua extensão, a que vinha.

Isto se fez não só por meio da publicação de livros - o que já vinha ocorrendo desde a década anterior - mas, principalmente, do espaço gráfico de toda uma página semanal do "O Jornal", na qual se estampava a produção cultural do grupo e dos novos valores que começavam a surgir.

Dentro da informalidade que sempre o caracterizou, o Clube da Madrugada foi extremamente parcimonioso na outorga do título de "Cavaleiro de Todas as Madrugadas do Universo", contando-se entre as personalidades agraciadas com essa honraria os escritores Ramayana de Chevalier, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Assis Brasil, André Araújo, Nunes Pereira, Jean-Paul Sartre, Ferreira de Castro e o jornalista Umberto Calderaro Filho.

Aluísio Sampaio era um obstinado. Seu período presidencial (ou imperial...) estendeu-se praticamente por toda uma década - o quanto durou a página dominical do CM - tempo durante o qual só se assinalaria um breve hiato, no biênio 1965/66, com a presidência de Francisco Vasconcellos, também brilhante, dinâmica e operosa.

Lembro, a propósito, ter sido ele o iniciador da Coleção Madrugada, tornando-se, assim, o meu primeiro editor, eis que o meu livro Lunamarga veio a constituir o volume 2 da coleção, nos idos de 1965.

Voltando a tomar as rédeas em suas mãos - ocasião em que se esboçou uma cisão de consequências positivas, pois que daria lugar à criação do núcleo local da UBE - pôde Aluísio Sampaio conduzir o CM aos seus objetivos programáticos, sendo a sua dedicação pessoal responsável pela fase mais aguerrida e brilhante da entidade. A propósito, não será necessário enfatizar a competência com que se houve o grande comandante na utilização dos espaços abertos na imprensa amazonense (além da página no "O Jornal", também no "Jornal do Comércio" e na "A Crítica"), para a divulgação dos trabalhos do grupo, cuja produção intelectual se projetava para além do campo estritamente literário - poesia, conto, crônica e ensaio - e alcançava a área dos estudos sociais e econômicos.

Efetivamente, o entusiasmo, a operosidade e a força da sua liderança foram ainda responsáveis pela verdadeira explosão ocorrida no âmbito das artes plásticas, em Manaus, a partir dos começos dos anos 60, quando o Clube da Madrugada patrocinou numerosas exposições, coletivas e individuais, dos artistas locais, pertencentes ou não aos seus quadros. Lembra-se, a propósito, haver sido um membro do CM, o pintor Moacir Andrade, o primeiro artista brasileiro a expor em Brasília.

Em 1963, por exemplo, sob a denominação de Feira de Artes Plásticas, varias amostras foram montadas em logradouros públicos de grande afluência, como a praça da Matriz (lado da av. Eduardo Ribeiro) e a praia da Ponta Negra, sendo visitadas por milhares de pessoas, e atingindo-se, dessa forma, o buscado objetivo de levar ao grande público o trabalho dos nossos artistas, na primeira tentativa, entre nós, de diluição das barreiras que afastam o povo das exposições em espaços fechados.

Ao evocar-lhe a figura ímpar de grande animador do Movimento Madrugada, é de justiça creditar-se ao zelo de Aluísio Sampaio, pelo menos em parte, numerosas outras iniciativas, como, por exemplo, o experimento da Poesia de Muro. 

(*) Alencar e Silva. Quadros da Moderna Poesia Amazonense. Manaus: Editora Valer, 2011.

24 de novembro de 2012

CLUBE DA MADRUGADA – 58 ANOS

Posse de Evandro Carreira (à dir.), Luiz
Bacellar (de chapéu) e Nestor Nascimento.
Ao centro, Jorge Tufic e, no alto, de barbas,
Anísio Mello 
No final da manhã, passava pela praça da Polícia, ali onde agora se encontra o Café do Pina, quando fui surpreendido pela homenagem ao Clube da Madrugada. De fato.  Dia 22 de novembro é a data da decantada madrugada sob o mulateiro. Dizem que o mulateiro não é mulateiro, mas o certo é que ele segue, não muito firme, marcando a história de poetas e escritores que se abrigaram sob este clube indefinido. Não cabe agora  tomar a discussão.

Mas, lá estava o acadêmico Elson Farias recebendo as louvações, ele que participou da segunda geração, tão nobre quanto, do Madrugada. O responsável pela lembrança foi o pessoal do Projeto Jaraqui, que se esgoela todos os sábados debatendo temas de absoluto interesse da comunidade, que quase sempre não comparece. Na verdade, não aparece.

Assim lembrado, registro nos 58 anos do CM a vida de raros fundadores, Jorge Tufic, que chega em dezembro para sentir o calor e refastelar-se com o black; Francisco Vasconcelos, que esteve mês passado na posse do acadêmico Renan Freitas Pinto; Saul Benchimol. E, parece que somente... pois o dono da marca -- Clube da Madrugada, segundo registro imemorial, foi-se este ano – Luiz Bacellar.

A festa de hoje contou ainda com o ex-presidente do CM Evandro Carreira e do sucessor do “jovem” Pina, fundador do Pavilhão São Jorge, ainda em frente ao cine Guarany.

Clube da Madrugada, em novembro de 1990, na praça da Polícia
 

SEMINÁRIO DE HISTÓRIA MILITAR

Nos últimos dois dias – 22 e 23 – o Comando Militar da Amazônia (CMA) realizou o I Seminário de História Militar da Amazônia Brasileira (I Sehma), realizado em seu próprio aquartelamento central.

Folder de divulgação
Participaram deste encontro, como debatedores, os doutores Auxiliomar Ugarte, Francisco Jorge e Sylvio Mário Puga, da Ufam; o escritor Marcio Souza; doutor Roberto Monteiro, do Inpa; delegado Pontes Filho; doutor Antônio Loureiro.  Completaram o quadro de palestrantes, oficiais do Exército, da ativa, como o general Eduardo José Barbosa, diretor do Patrimônio Histórico do Exército; e da reserva, com o general Taumaturgo Vaz, coronéis Lauro Pastor e Hiram Reis.

Foi discutido, isso aconteceu com profusão, a conquista da Amazônia e os principais atores; a criação da Capitania do Rio Negro; uma mostra das fortificações do Exército na região amazônica. E, no segundo dia, o trabalho do Exército, ontem com coronel Jorge Teixeira e o 5º BEC, em Rondônia; hoje, a atuação do CMA e os problemas enfrentados em decorrência do abandono desta vasta região. Ainda houve momento para se debater a Zona Franca de Manaus com suas promessas e suas incertezas.

A presença de universitários em número acanhado deixa-me a garantia de que não foi das melhores a divulgação. Não vi qualquer emissora de TV na reunião, nem notícia em jornal. Talvez fosse essa a intenção do general Villas Bôas que, encerrando o I Sehma ratificou a sua paixão pela região.  Não poupou palavras, todavia, para demonstrar sua angústia com o desamparo em que esta imensa Amazônia se encontra.

No próximo ano, promessa do Comandante, haverá a segunda etapa. Assim espero.
 
 

22 de novembro de 2012

TELEFONES DE EMERGÊNCIA

Logo do SAMU
Dias desses, conversando com o coronel Dias, comandante do Corpo de Bombeiros, fui alertado para a proliferação do número de telefone de urgência. Bom lembrar que tudo começou com o 190 da Polícia Militar, que ainda existe, porém nem sempre funciona, você sabe! Depois veio o 193, reservado aos Bombeiros. E a partir daí, ninguém se lembra da série em vigor.
Vou lembrar alguns, incluindo o 0800, que já está sendo empregado: 

100 - Exploração sexual
102 - Consulta a lista
118 - SAC - SMTU (Manaus)
134 - Despertador
147 - Disk denúncia (Manaus)
161 - Operação Choque de Ordem (Manaus)
181 - Polícia Civil
181- Violência contra a mulher
190 - Polícia Militar
191 - Polícia Federal
192 - SAMU
192 - SOS Manaus
193 - Bombeiros
194 - Acidentes de Trânsito
199 - Defesa Civil
                    0800.618080 – Maus tratos aos animais



 Então, qual é o problema dessa diversidade de números? Simples: quem há de lembrar, no momento de episódio grave, quando o descontrole predomina, do número exato a discar? Há quem não se lembre, mesmo estando longe de um episódio grave. Claro (interjeição mesmo), já foi pior. Quando não havia a telefonia móvel, levando a necessidade de recorrer ao do vizinho ou ao orelhão da esquina.

Hoje todos têm um ou mais telefones em casa, no escritório, no automóvel, mas são raras as pessoas que se preocupam em afixar em local visível (na geladeira, famosa) os números mais imperativos.

Sim, imperativos, mas quais? Diante do impasse, preconiza o comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, conhecedor do avanço da informática e, ao mesmo tempo, do aperto que passa alguém necessitado de socorro, que se estabeleça um único número.

Argumenta ele, falando com conhecimento próprio, que esse espaço de tempo que se leva para buscar o número correto e telefonar, faz com que o bombeiro se atrase no combate ao fogo, por exemplo. Pode ser o Samu, que presta auxilio à vida.

Como qualquer primeiro ninguém esquece, 190 deve permanecer. Para atender os demais, basta uma central de atendimento, como fazem hoje as lojas de departamento, que atende o país inteiro, a partir de uma central nem se sabe onde. Como procedem em geral os possuidores de delivery .
Fica registrada a sugestão, na qual me alisto.

21 de novembro de 2012

IGREJAS DE MANAUS

Catedral de Manaus, c1950
Antes do Concílio Vaticano II, promovido pelo papa João XXIII, o celebrante da missa permanecia de costas para os assistentes, portanto, de frente para o altar. O missal era mantido em latim, a língua oficial do Vaticano. Tudo isso mudou. Deo gratias (graças a Deus).

A fotografia do altar-mor da Catedral de Manaus é anterior a este evento. E mais, foi produzida antes que o Casal Makk, em 1958, pintasse no teto um mural expressivo, de valor artístico internacional. Atualmente, após a última reforma de 2002, o teto voltou ao padrão mostrado na ilustração.

Dessa época, 1960, é o barracão que abriga o Centro Social Educativo São Lázaro, alicerce da atual igreja, no bairro de mesmo nome.

A foto da igreja de Santa Rita, no bairro de Cachoeirinha, tem a data de outubro de 1982. Ao lado, pela avenida Carvalho Leal, vemos o Ginásio Ruy Araújo, ainda em expansão.

Com data de 1978, temos a igreja São José Operário, construída na esquina da rua Visconde Porto Alegre com avenida Ramos Ferreira, e administrada pelos padres salesianos.
 

As igrejas de São Lázaro, de Santa Rita e de São José
Operário (de cima para baixo)

 

19 de novembro de 2012

PONTA NEGRA E SUA VILÃ: A PMM

Jornal A Crítica, de hoje
A manchete de A Crítica, de hoje, traz duas figuras estapafúrdias: a do prefeito interino, circunstancial, passeando na praia da Ponta Negra de bug ou triciclo; a segunda, de que a bebida alcoólica é a causa superior das mortes na praia da Ponta Negra. Antes do prefeito, foi o vereador Waldemir José, com sua exuberante forma física, que examinou a mesma causa, circulando pela praia. Também não disse para que foi lá. Calou-se.

Prefeito interino Massami Miki, desce de triciclo na
Praia da Ponta Negra, Manaus. A Crítica, hoje
As autoridades devem chamar “o sindico”: o CREA. Este órgão tem capacidade para notificar, deliberar se o trabalho de engenharia realizado na praia coaduna-se com os cânones modernos. Em suma: se a obra foi bem realizada. Mas, este órgão até agora não se manifestou, vi apenas a Política com suas exigências de votos. Explico.

Antes de explicar, quero lembrar que a mesma engenharia aplicada no rio Preto da Eva, teve inicialmente o mesmo resultado, mortes não apuradas.

Quando o Corpo de Bombeiros ampliou o seu efetivo, colocou barcos, cordas, caiaques e outros recursos mais, porque se dizia que a ele cabia salvaguardar os banhistas,  o resultado foi de mais mortes. Os salva-vidas estão isentos de culpa.

Então, os Bombeiros, cientes do problema na construção do balneário, impuseram o fechamento da praia. A PMM aceitou. Mas, em menos de um mês, decidiu, contra a opinião dos Bombeiros, e apenas para agradar os eleitores de outubro, escancarar a praia. Resultado: mais mortes.Porque quando o Ministério Público apareceu depois da 12ª vitima, pensei que, agora sim, a verdade virá à tona. Qual nada, submergiu com uma facilidade.

Portanto, chame “o síndico”, senhor Massami, o CREA tem obrigação de esclarecer aos manauenses as condições de sua praia. E mais, senhor Massami, gostaria de saber o nome da empresa que realizou essa obra. A da praia permanente. Sim, será “permanente” lembrada pelo número de afogamentos.

Agora, lascar a culpa nos bebuns, é falta de juízo, afinal, quantas crianças morreram? Ou será que as mesmas também estavam alcoolizadas?

Tem mais para ser dito, mas acabou o tempo.

DIA DA BANDEIRA NACIONAL


Hoje, Dia da Bandeira Nacional, não há qualquer amostra de sua significação nos informativos de qualquer mídia, seja impressa seja televisada seja pela web. Ou seja, como amanhã é feriado devido a Consciência Negra, por que lembrar a Bandeira Nacional? Sem feriado, não dá, certamente.

Quartel da Polícia Militar do Amazonas, década 1940
Mas, já se foi o tempo, e bote tempo nisso, em que o Estado organizava manifestação alusiva a este símbolo pátrio. Nos quartéis, onde ainda se ensinam velhas canções, ainda há a incineração de bandeiras. Ou seja, os velhos e rotos estandartes não são atirados ao lixo. São incinerados, queimados em cerimonial marcante. A marca é que ocorre ao meio-dia desse dia, em horário estapafúrdio, principalmente com a canícula que incide em nossa região.


Boletim da Polícia Militar,
19 novembro 1942
Tomei para ilustrar esta postagem a solenidade ocorrida em 1942, portanto, há setenta anos.  Descrita no Diário Oficial do Estado, da mesma data, quando esse noticioso oficial reproduzia muito mais que atos governamentais. O trabalho de editores, que faziam história e, com destreza, registravam os fastos amazonenses.

Em frente ao Quartel da Praça da Polícia, cuja praça então era intitulada João Pessoa (em homenagem ao ex-governador paraibano), enfileirou-se a Força Policial do Estado, sob o comando do tenente-coronel Gentil João Barbato. Como parte da solenidade, o comandante leu a Ordem do Dia, exortando, ao seu final, os soldados que efetuaram na manhã desse dia o juramento ao Pavilhão Nacional: “este comando espera que jamais deserteis das vossas obrigações para o bom conceito da corporação e a prosperidade do Estado e da Pátria”.

Lembrava o editorialista do Diário Oficial que “a incineração das bandeiras é de certo um dos atos de maior significação do cerimonial militar, no que se refere ao culto à Pátria”. Por isso, “não se compreenderia que , quando inservíveis, a Bandeira, a expressão simbólica da Pátria, que amamos acima de tudo, que é o objeto sagrado de nosso culto cívico, ficasse atirada por aí, à toa, abandonada à profanação”, concluiu.

As cinzas resultantes dessa incineração foram derramadas ao pé de uma seringueira existente (ainda sobrevivente) na praça. Quis o comandante Barbato prestar uma homenagem à lendária hevea brasiliensis  – a árvore simbólica da grandeza econômica da Amazônia.

E para recordar o passado e estimular aos novos policiais, o comando dispôs à veneração, dois velhos pavilhões – preciosas relíquias desta Corporação: a Bandeira conduzida pelo 1º Batalhão, do tenente-coronel Candido Mariano, em Canudos; e a Bandeira que a mulher (sic) da Bahia, na verdade, o próprio Estado ofertou à Força Policial do Amazonas, em 1902, “como homenagem ao seu espirito de disciplina, lealdade, sacrifício e devotamento à Pátria”.  

Salve lindo pendão da esperança!
Salve símbolo augusto da paz!

17 de novembro de 2012

MUNICÍPIOS SEM BOMBEIROS

Capacetes usados no Corpo de Bombeiros
Militar do Amazonas
Assumo de antemão que o tema e parte do texto foram colados da revista Incêndio (ano XIV, agosto 2012, nº 85). O objetivo do periódico é divulgar alguns projetos, visando superar essa deficiência, a falta desse serviço especializado em mais de noventa por cento dos municípios brasileiros.

Para ilustrar essa questão tão alarmante, exponho quatro dados: 1) o Brasil possui 5.564 municípios, “cerca de 4.900 não possuem unidades do Corpo de Bombeiros Militar”; 2) o estado de Minas Gerais, o mais dotado de municípios, repartido em 843 destes, “apenas  44 possuem quartel do Corpo de Bombeiros”; 3) na Bahia, “os bombeiros estão presentes em somente 13 de seus 417 municípios”; e 4) o maior estado da Federação, o Amazonas, possui um número reduzidíssimo de municípios, solamente  61 e, destes, apenas 5 (Itacoatiara, Parintins, Manacapuru, Tefé e Tabatinga, os dois últimos em função do aeroporto) cobertos pelo serviço dos Bombeiros.
 
Quartel central dos Bombeiros do Amazonas, desde 1974
Lição ligeira de estatística nos permite afirmar que os índices estão próximos, em qualquer unidade federativa a escassez  de Bombeiros é mais que um desafio. Para superá-lo, o coronel Carlos Eduardo Casa Nova, presidente da Liga Nacional dos Bombeiros (Ligabom), sugere algumas fórmulas na parceria entre Estados e municípios.

Outra observação plausível é de que há municípios pobres e ricos. Para estes, é fácil apresentar soluções, sempre, porém, contando com ajuda estadual.  Duas propostas: “bombeiros civis voluntários” ou “bombeiros civis municipais”, ambos desvinculados da Polícia Militar. Alguns desses exemplos já funcionam todos no Sul.

O presidente da Ligabom ainda indica que existem “os quartéis mistos”. Nesse caso, os municipais são contratados como funcionários públicos, mas treinados por oficial ou sargento dos bombeiros militares. Em resumo, a prefeitura paga a folha de pagamento e o estado fornece viaturas e equipamentos.

Para os menos privilegiados, além dos modelos citados, há os “chamados consórcios de cidades”. Nesse caso, “grupos de municípios unem esforços” para a efetivação desse serviço. Ligados no objetivo, os municípios rateiam os custos e, novamente, o Estado fornece os equipamentos e veículos. Também exemplos desse quesito podem ser encontrados no Leste e no Sul. Tal não pode acontecer no Amazonas, porque os municípios da região encontram-se na beira de barrancos, portanto, absolutamente isolados.  

Da mesma revista transcrevo o texto abaixo, que me parece completar o exposto na ideia central, a superação da escassez de bombeiros.  Intitulada Bombeiros Voluntários, informa que, depois de quatro meses de discussão, a Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 001/2012, que permite aos municípios firmar convênios com os bombeiros voluntários para a realização de serviços de vistoria e fiscalização de obras. Com a aprovação, as associações de
bombeiros voluntários criadas até maio deste ano estão aptas a firmar convênios com prefeituras catarinenses para a fiscalização de projetos, edificações, obras e certificação.

16 de novembro de 2012

BOMBEIROS DE MANAUS EM 1972

Major Nicanor Gomes,
comandante dos Bombeiros, 1972
Há 40 anos, mudaria amplamente o panorama dos Bombeiros; seria o último ano sob o escudo da prefeitura de Manaus, esta veria a substituição de Paulo Pinto Nery por Frank Lima.
O efetivo na abertura desse ano: comandante, major Nicanor Gomes da Silva, e Raimundo Duarte Paiva (que refizera sua situação na corporação), capitão subcomandante. Havia mais seis oficiais; um subtenente; 18 sargentos; nove cabos e 53 bombeiros. Total – 87 homens. A despeito do rigor, a disciplina aqui e ali se esboroava, porém, no mesmo diapasão a mão disciplinadora do comandante resistia com energia.    
 
Em 1.º de maio, aprovado pelo prefeito Paulo Nery, foi instituído o Quesito de Incêndio e Salvamento, que foi utilizado até o início dos anos 1990. Autêntico back-up  do congênere da Guanabara, este documento metodizava a descrição dos diversos tipos de desastres. Antes, essa atividade dependia do humor e do influxo ortográfico do comandante do socorro, daí se encontrar no acervo dos municipais uma variedade de narrativas. Algumas, apesar de dramáticas, hilariantes.

O Quesito, quanto às Normas de Confecção e Entrega, atendia as seguintes instruções: 
                   1 – O Quesito será único para cada corrida realizada, embora tenha sido nela empenhados vários socorros;
                        2 – Será confeccionado pelo comandante do socorro que primeiro tiver chegado ao local, seja ele oficial ou praça;
                        3 – Nos casos de corridas, em que apenas um socorro tenha comparecido, o prazo de entrega à secretaria do Corpo será de 72 horas, contadas da rendição da parada, ao sair o responsável de serviço;
                        4 – Nos casos em que mais de um socorro tenha comparecido ou sido empenhados no local, os impressos de auxílio deverão dar entrada em 48 horas, contadas na forma do item anterior, também na secretaria;
                        5 – Os quesitos terão numerações que lhes caracterizarão os seus números de ordem de corrida, observando-se a sua contagem de zero hora do dia 1.º de janeiro às 24 (vinte e quatro) horas do dia 31 de dezembro de cada ano;
                        6 – Na confecção do Quesito, o chefe do primeiro socorro fará constar todas as ocorrências de todos os socorros que tenham comparecido, de forma a permitir que ele, por si só, constitua o relatório geral das atividades da Corporação no local do sinistro;
                        8- Na confecção do Quesito, os comandantes de socorros deverão seguir as normas que abaixo são estabelecidas para resposta a cada um dos itens.

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Quartel do Corpo de Bombeiros de Manaus, na avenida
Sete de Setembro, que existiu até 1974
A propósito do Dia do Bombeiro Brasileiro (2 de julho), o vereador João Zany dos Reis, antigo membro da Polícia Militar e bombeiro municipal por afinidade, todavia admirador e colaborador dos voluntários, homenageou a corporação. Para isso, Zany justificou sua propositura notando que, criado o primeiro Corpo de Bombeiros do Brasil no Rio de Janeiro, “outras corporações similares foram sendo organizadas e o espírito de luta do Soldado do Fogo tornou-se uma constante, fato que o tem consagrado credor de estima pública”. Endossa, porém, seu discurso com garantida dose de politicagem, ao apresentá-lo “mal alimentado, com vencimentos deficientes, sem estímulo, mas num desprendimento impressionante”. Capaz de lutar contra o fogo movido pela “coragem, bravura e amor aos seus semelhantes”.                                                    
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Em 7 de julho, João Mendonça de Souza, superintendente da Fundação Cultural do Amazonas, recorreu aos Bombeiros. Motivo: o reparo nas instalações elétricas da Biblioteca do Estado.  Não dispondo a Fundação de uma escada, solicitou-a por empréstimo, prometendo que “terminado o referido trabalho será devolvida”. Seguiu a escada e a respectiva guarnição. Para a instituição que combatera o incêndio da Biblioteca (1945) unicamente com entusiasmo, aquele pequeno serviço constituía-se deleite.                                                                

Perseguindo a meta de instruir seu pessoal, o comando aproveitou para cooperar na instrução de funcionários de empresas. Os instrutores do CBM eram forçados à preparação de aulas, de modo transverso, se atualizavam, e com essa atividade obtinham subsídio financeiro.
Um Curso de Combate a Incêndios, ministrado a “funcionários de diversas firmas comerciais e industriais desta cidade”, ocorreu no Instituto Cultural Brasil Estados Unidos (Icbeu), patrocinado pela Capitania dos Portos e Costas. Integraram o corpo docente o major Nicanor Gomes, como supervisor; 2.º sargento Agenor Dabela Marinho e 3.º sargento Bernardo Pereira de Oliveira, como instrutores (Boletim, 22 de agosto).

Em outubro, inicia-se o fechamento desta fase municipal dos Bombeiros, etapa que perdurou por 22 anos (1951-73). Os municipais principiam a se despedir, ao conhecer os acertos governamentais transferindo esses serviços para a órbita estadual. Para mim, que transitei pelo acervo do Corpo para formatar essa exposição, jamais anotara a liberação de tantos recursos, de tantas verbas para este fim. Eu estava ciente de que os municipais quase desapareceram por inanição, devido a escassez de recursos; e os voluntários, tal qual “primo rico”, usufruíram de farto quinhão. Angariaram donativos não apenas de doadores, mas também de governos (estadual e municipal) que tinham compromisso de manter o Corpo oficial. Paciência!

A arrumação dos troços para a mudança começava. Exigia pouca mão de obra, pois tudo se manteria na mesma paragem, apenas um novo comandante passaria a dar novas ordens. Em 12 de outubro, consoante a Lei n.º 1.146, o prefeito de Manaus recebeu licença para “firmar convênio com o Estado, para a regulamentação dos serviços de prevenção contra incêndios, combate ao fogo e socorros públicos”. Com a legislação encetada, carecia aos Bombeiros aguardar a “papelada” que, no Amazonas, se arrastou por mais de noventa dias. Ao mesmo tempo em que a Prefeitura despedia seus Bombeiros, agraciava-os com substancial aumento salarial, não somente retroativo a maio, mas com o encargo do pagamento  encerrar-se com a transferência.   

Em dezembro, o Corpo de Bombeiros de Manaus recebeu a visita de uma missão francesa. A cooperação técnica desembarcava sob os auspícios da agência local da Aliança Francesa, representada por Mr. Ange Guimera, vice-cônsul francês, e Mr. Guy Mourillas. E estava chefiada pelo coronel Robert Abadie, do Corpo de Bombeiros de Paris (FRA). E mais, assessorada por monsieurs Jean François Veillard, enviado da empresa Camiva (Constructeurs Associés de Matériels d´Incendie, Voirie, Aviation), e Michael Haudebault, do Groupe Sicli - Bureau Commercial Parisien. A equipe realizou exploração fotográfica aérea e terrestre estudando os riscos de incêndios existentes na cidade de Manaus, bem como para elaborar um diagnóstico das precariedades do CBM. 

15 de novembro de 2012

POLÍCIA ERRADA

Acredito que hoje busquei a polícia errada. A razão. Na avenida Sete de Setembro, quase esquina da Joaquim Nabuco, existe um prédio abandonado, entregue às baratas e aos cupins, entre outros “insetos”. Todavia, o pior aconteceu com a invasão do inseto humano. O prédio foi ocupado por marginais.

Edificação onde funcionou o Corpo de Bombeiros e o
Museu do Homem do Norte, hoje abandonado
Antes de contar o fato, conto que aquele endereço já abrigou mais recentemente o Corpo de Bombeiros estadual e o Museu do Homem do Norte municipal, cuja inscrição ainda se encontra em seu frontispício, se é que se pode chamar assim aquela fachada descamada e desenxabida.


O edifício pertence à Prefeitura de Manaus. E vem desamparado desde o governo de Serafim Correia, passando pelo do atual prefeito. Por isso, o abandonado derrota por ampla maioria de tempo a restauração da Biblioteca Pública (estadual) e a do Mercado Adolfo Lisboa (municipal).

Repito, o prédio foi invadido por marginais, que atuam no Centro que, sem Ronda do Bairro e com a proximidade do Natal, exerce um atrativo para os “amigos do alheio”. Hoje, aproveitando a presença de uma dupla de motociclistas da Polícia Militar nas proximidades, invoquei uma ajuda. Usei de minha carteira funcional para conseguir o socorro.
A dupla de policiais saltou pela janela, de arma em punho, e eu vibrando com o avanço. Logo, os soldados voltaram, ou melhor, não avançaram porque faltava iluminação. Pediram-me uma lanterna. Olhei em volta, apreciei as Hondas  de tantas cilindradas equipadas com sirenes, os coletes e outros implementos de segurança pessoal, armas automáticas e rádios para contato, tudo em vão.

Os bandidos que estavam ali entocados não foram sequer molestados, porque faltava a mequetrefe de uma lanterna, coronel Hildeberto Barros, comandante da Cicom.

Os jovens policiais Faria e Zuzualdo me prometeram voltar. Como não acreditei, da mesma maneira que qualquer vizinho, fui à sede do 1º DIP.  Recebido pelo soldado Eduardo Moreno, este diante da narrativa, acionou o sargento Expedito, que rondava. Antes que o graduado chegasse, ouvi do Moreno a seguinte afirmativa: “qualquer policial hoje tem medo de dar um cascudo em alguém”, para não ser acusado de algum delito. Diante dessa apologia do...
Ainda assim, esperei o sargento. Após repetir-lhe o fato, ouvi dele que estava transferido e executava seu primeiro serviço, porém, daria ciência ao chefe. Lamentava que o expediente só na segunda-feira ou quarta-feira.
Voltei para casa, mas antes narrei a situação do prédio da prefeitura a
um jornalista que cobria a apreensão de “bicho de casco”. Quando cheguei, tive a nítida sensação de ter recorrido à polícia errada.