CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, agosto 24, 2015

ACADEMIA DE LETRAS DO AMAZONAS

Zemaria Pinto

Sábado passado, fui surpreendido com a ausência do acadêmico Zemaria Pinto na mesa diretiva dos trabalhos deste silogeu. Por se tratar do Diretor de Eventos e, seguramente, o realizador desse e de outros encontros. Ele havia sido substituído pelo acadêmico Moacir Andrade. A razão dessa mudança vai exposta abaixo na Carta Aberta de Zemaria Pinto, compartilhada de seu Blog Palavra do Fingidor, ao presidente da Casa, Armando de Menezes.


Carta aberta ao presidente da Academia Amazonense de Letras




Manaus, 10 de agosto de 2015

Caro Armando,

Ao longo de 19 meses, trabalhamos para colocar a quase centenária AAL no centro dos debates e realizações culturais de Manaus. Os planos eram muitos, mas as limitações foram maiores. Além de lançamentos de livros e eventos do calendário ordinário, conseguimos emplacar o Sábado na Academia, com as séries sobre os Patronos (17 palestras); Augusto dos Anjos em dois tempos (2 palestras); Márcio Souza, o mostrador da derrota (4 palestras); O pensamento amazônico (3 palestras); 60 anos do Clube da madrugada (3 palestras); A Amazônia na visão dos viajantes (5 palestras); e Arte em tese (4 palestras). A partir de maio deste ano, com a doação pelas famílias Benchimol/Minev de um piano, promovemos o Sarau na Academia, que bateu recordes de público nas suas três edições, sendo que à mais recente, realizada no último 5 de agosto, compareceram mais de 140 pessoas.

Tudo isso foi feito, meu caro, sem que a Academia tivesse qualquer dispêndio. Para tal, contamos com a colaboração de acadêmicos, escritores, professores da UFAM, da UEA e da Uninorte, além de artistas ligados à música, ao canto lírico e ao teatro. Todos, profissionais da mais alta qualificação.

Por esse motivo, causou-me espanto e profunda decepção ver estampado no folder da 4ª série dos patronos as logomarcas da SEC e da ManausCult – acompanhadas da informação de que todos os eventos da Academia deverão, de ora em diante, estampar as referidas logos.

As subvenções que a AAL recebe desses órgãos destinam-se ao custeio da instituição. Associar essas subvenções a eventos onde os profissionais participam de forma voluntária é tripudiar sobre os eventos e sobre os profissionais, que, ao aceitarem nossos convites, o fazem para a Academia e não para aqueles órgãos, que promovem megaeventos, pagando muito bem por eles.

Lembro que no dia 31 de março do ano passado, organizamos, em conjunto com a ManausCult, um debate memorável intitulado 50 anos do golpe militar. Coube ao citado órgão, devidamente referenciado no folder de divulgação, organizar o coquetel.

Assim, meu caro, sem colocar em jogo nossa amizade que já se estende por mais de uma década, e pelo respeito que tenho a você, por sua trajetória de vida, sirvo-me desta para desligar-me, em caráter definitivo e irrevogável, da função de Diretor de Eventos, que exerço pela segunda vez e que muito me honra.

Desejo sucesso na continuidade dos eventos, colocando-me à disposição para colaborar no que for possível.

Renovando meus votos de consideração e apreço, sou



Zemaria Pinto

segunda-feira, abril 29, 2013

HISTÓRIA FACETA


Mário Ypiranga Monteiro
Nota 1. Na quinta-feira 25, a Secretaria de Estado da Cultura promoveu o lançamento de três livros, um deles pertence ao finado escritor Mário Ypiranga Monteiro – Histórias facetas de Manaus: anedotas envolvendo figuras amazonenses. Um desses chistes, reproduzo no espaço. 

O DIAGNÓSTICO DO DR. W. R. C.

Ele chegou aqui, na sua cidade, mais recomendado como intelectual do que como médico. Pelo menos de medicina não entendia patavina, mas conseguiu ser coronel médico da Polícia Militar do Estado, uma sinecura que já lhe assegurava o pirão diário. Como detestava o pai, desligou-se da comunhão da família e foi morar no "Esquadrão': uma república de moços instalada nos altos do prédio de esquina da avenida Sete de Setembro com rua Guilherme Moreira. Lá residiam também os celibatários Dr. Genésio Cavalcanti, Mirandolino Borges etc. Ficava mais perto da "boia" gratuita na briosa.

Capa do livro
O homem já havia publicado o seu romance No circo sem teto da Amazônia, páginas em que o pai sentara a pua, corrigindo os erros de gramática. Por isso não se beijavam e toda vez que o Dr. R. se referia ao genitor era para chamá-lo "cavalier".

O primeiro diagnóstico do médico da PM foi também a sua primeira deserção da área da medicina curativa. Ele compreendeu que os cinco anos de boêmia literária na Bahia não o autorizavam a exercer dignamente a profissão e abandonou tudo.

Melhor assim: como intelectual era brilhante, e tanto poetava como cronicava, mau grado (sic) seus exageros fazerem mal a certos prosadores da paróquia. Sustentou galhardamente uma coluna no jornal A Tarde, de Aristofano Antony, “Quadrilátero da quinta hora”.

O caso do diagnóstico criou fama e deitou ramalhos. A esposa de um da Polícia Militar surgiu na enfermaria com um problema que a torturava: dores uterinas e cefalalgias contínuas. O Dr. W. R. não teve dúvida: tamborilou no bucho da mulher e receitou quinino para paludismo (hoje os médicos diriam bestamente "malária': imitando os do Sul). As doses fortes de quinino não surtiram efeito e a barriga da mulher intumescendo a olhos vistos: dois, cinco, sete, nove, doze meses ... E tome quinino!

Chamaram apressadamente o Dr. Flávio de Castro e este ficou assombrado com o estado da mulher: havia engravidado e o filho jazia morto... Escapou, todavia, mas a infeção eliminou nela a possibilidade de vir a ser mãe algum dia.


Nota 2. Este médico da Polícia Militar do Estado eu conheci. Trata-se do Dr. Walmiki Ramayana Paula e Souza de Chevalier (1909-72). Ou, simplesmente, Ramayana de Chevalier, que viveu e morreu no Rio de Janeiro. Dirigiu a Secretaria de Administração do Estado, no governo de Gilberto Mestrinho (1959-62). Pertenceu a Academia Amazonense de Letras e ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. E, de fato, como médico foi um excelente escritor.

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

BIBLIOTECA PÚBLICA DO AMAZONAS

O texto foi redigido no dia imediato, quando li nos jornais, à abertura da Biblioteca Pública do Amazonas, na rua Barroso com Avenida Sete de Setembro. Entretanto, submetido à mudança de endereço e suas consequências, retorno com a velha nota sobre a casa dos livros e afins.
Júlio Uchoa, que assistiu o esforço de Genesino Braga,
contou o fato em O Jornal, 23 agosto 1949

De qualquer sorte, aleluia! A Biblioteca Pública do Amazonas ressurgiu para os interessados, depois de mais de cinco anos de restauração sobre restauração. Não houve reinauguração ou coisa semelhante. Simplesmente apareceu.

Nem o eminente secretário de Cultura, que tantas vezes prometera, ao menos em uma oportunidade com a mão sobre uma bíblia medieval, teve a consideração de prestigiar o evento que não existiu.

Quem falou para a imprensa, e falou demoradamente, foi o Sharles (assim mesmo), diretor do setor das bibliotecas da Secretaria de Estado da Cultura. E falou das surpreendentes novas que o espaço oferece aos manauenses. Até elevador para os deficientes e outros entes.

Antigamente, eram as igrejas que demoravam em ser construídas, acredito que alguma deve ter superado um século. Para ficar no paroquial, a matriz de Nossa Senhora Conceição levou quase três décadas até ser benta em 1876. Os beatos e seus contrários comentam que não interessa construir dentro do cronograma, para usar uma preocupação de Copa do Mundo. A demora, o retardamento sempre permite arrecadar um dízimo diferenciado.

Genesino Braga (GB), nome de sala, quando deveria ser o patrono da Biblioteca Pública, deve ter se contorcido no túmulo. Para justificar, conto uma velha historia: em agosto de 1945, um incêndio consumiu todos os livros, e queimou e fez ruir uma parte do edifício. Não havia bombeiros, nem recursos tantos como se conhece em nossos dias. GB era o diretor. Recorreu a quem pode e, em novembro de 1947, a Biblioteca voltou a funcionar e funcionava até aos domingos.

Agora, atende de segunda sexta e, para quem cumpre horário comercial, não tem como usufruir de seus modernos recursos. Tudo poderia ser contornado com o aumento do terceiro turno de atendimento.

Para encerrar: surpreendeu-me o comercial gerado pelo Governo do Amazonas e exibido pela rede de TVs, que falando da abertura da Biblioteca, não mais a subordina à SEC. A mesma pertence ao Governo de Omar Aziz, que igualmente não esteve na reabertura.

Ainda no correr da semana vou lá conferir as maravilhas, oxalá os jornais locais de antanho estejam disponíveis.  

terça-feira, dezembro 04, 2012

PRAÇA ANTÔNIO BITTENCOURT

Como todas as praças do Centro Histórico, este logradouro é bem mais conhecido por Praça do Congresso. Situado no alto da avenida Eduardo Ribeiro, em frente ao Instituto de Educação do Amazonas, teve seu traço modificado no governo municipal de Manoel Ribeiro. Nessa ocasião, o trânsito de veículos foi desviado para a rua Monsenhor Coutinho, situação que ainda vigora, a despeito dos reparos implementados pela Secretaria do Estado de Cultura (SEC).

Fragmento de impresso distribuído na inauguração da praça

Mais uma praça que passa ao cargo da SEC que, decisivamente, será conservada. A prefeitura de Manaus com estranheza conserva apenas a Praça da Saudade, porque me parece custou o esforço da atual administração. As demais vão se “fulecar” (de fuleco, o tatu-mascote da Fifa para a Copa 2014).

Mas, de regresso à praça do Congresso, alcunhada dessa maneira a partir de 1942, quando ali foi realizado as cerimonias mais destacadas do 1º Congresso Eucarístico de Manaus, obra de Dom João da Mata, bispo do Amazonas. A festa de inauguração foi importante pelas luzes, pelo colorido dos fogos, pela árvore de Natal e seu vistoso Papai Noel. Não devendo esquecer as bancas de livros usados (sebo).

Serviu igualmente para relembrar a figura de seu patrono oficial, refiro-me ao ex-governador Antônio Bittencourt que,neste dezembro, completa o centenário de seu governo, de modo lamentável, uma administração sempre lembrada pelos atropelos cometidos.

O impresso distribuído pela SEC conta um pouco desse governo. Esqueceu-se de registrar o fato acontecido em 22 de dezembro, quando oficiais da Polícia Militar do Estado, mancomunados com políticos adversários de Bittencourt, promoverão uma rebelião no Estado.

Nesse dia, os amotinados depuseram o comandante, coronel Pedro José de Souza, assumindo o Quartel da Praça da Polícia. Em seguida, constituíram um triunvirato, sob as ordens do coronel Onofre Cidade, que marchou sobre o Palácio do Governador, instalado na Praça de Dom Pedro II, o antigo Paço da Liberdade, sede da prefeitura de Manaus.

O governador Bittencourt desertou, segundo alegou, temeroso por sua vida e de seus familiares. Convocado o vice-governador, desembargador Sá Peixoto, também este seguiu o mesmo caminho. Assim, coube a essa Junta assumir o governo do Amazonas que durou 48 horas de turbulências.

O acontecimento inusitado pode parecer lenda urbana, todavia, encontra-se registrado em jornais e no Diário Oficial do Estado. E, a mestra Etelvina Garcia, ao inventariar os governadores de nosso Estado, registra o triunvirato (coronel José Onofre Cidade, majores João Fragoso Monteiro e Amâncio Clementino Fernandes) na condição de governantes.  

sexta-feira, outubro 26, 2012

CONVITE – IGHA

Amanhã 27, na sede do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, será realizado o lançamento do livro DESENHOS – MEMÓRIA & TESTEMUNHO DE MOACYR ANDRADE, patrocinado por diversas entidades culturais do Estado e do Município.


O traje é esporte e o horário, às 10h30.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Deu nos jornais da Cidade


Ontem, A Crítica deu notícia sobre a Biblioteca Pública, fechada desde o final de 2007. Não anunciou a nova data de inauguração. Ao contrário, deixou os interessados em livros e documentos e jornais pertencentes ao acervo da Casa de Genesino Braga, entre os quais me incluo, sem rumo.

Biblioteca Pública ameaçada. A Crítica, 25 jan. 2012
A reportagem anuncia que a Secretaria de Infraestrutura (nova atriz) entrou na “novela”, melando o final tão aguardado. Culpa, em conjunto com a Secretaria de Cultura, até o divino, que nos concede chuvas e trovoadas, pelo atraso. Enfim, culpa a empresa encarregada dos reparos.

Trata-se da conhecidíssima Radier Prestadora de Serviços, Comércio e Construção Ltda. Tão conhecida que o repórter, se o procurou, sequer encontrou, sequer encontrou resposta para seu telefonema, telefone que foi anunciado com todos os números (comumente, há supressão de números por pontos).

Na condição de interessado, ganha um doce de cupuaçu quem me repassar o endereço, ou mesmo se esta possui condições para concluir a obra da centenária Biblioteca. Que obra!


Antena SkyHDTV, jornal EmTempo, 26 jan 2012
Mudando de conversa, reproduzo a manchete de Economia do EmTempo (de hoje): Mais de 300 mil pessoas vivem com R$ 2, por dia.

Não entendo de economia, isso fica para o Zemaria Pinto, a quem peço esclarecimentos. Mas, a respeitável foto do Alberto Cesar de Araújo, que ilustra a matéria, exibe uma imagem conflitante. Não sei se na frente ou lateral, mas, no barraco de madeira, sem portas e janelas, está lá um dos símbolos de melhor classe: uma antena da Sky HDTV.

Certamente, não é possível manter este privilégio com R$ 60, por mês.

domingo, julho 17, 2011

6.º Festival de Jazz

A nova edição do Festival de Jazz, promovida pela Secretaria de Estado da Cultura estende-se de terça-feira 19 até o domingo 24. Todas as apresentações ocorrem no Teatro Amazonas, sempre com duas sessões, às 19h30 e às 21h. 

Os ingressos para os espetáculos estão a venda no Teatro Amazonas ou pelo site www.bestseat.com.br  - aos preços de:

Plateia/Frisa: R$ 40,00
1.º Pavimento: R$ 30,00
2.º Pavimento: R$ 20,00
3.º Pavimento: R$ 10,00

Haverá uma Programação Acadêmica constante da Oficina "Contemporânea" Percussão, Bateria e Rítmca Brasileira, a ser ministrada no Teatro Gebes Medeiros, situado na avenida Eduardo Ribeiro com a rua Monsenhor Coutinho.
Outra oficina - Técnica de reparo, afinação e manutenção de pianos, que será dirigida por George Boyd, e realizada no Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro.

Tanto as inscrições quando outras informações sobre o evento podem ser acessadas em liceu@culturamazonas.am.gov.br    e     http://www.cultura.am.gov.br/

O encerramento ocorre no domingo, às 19h30, no Largo de São Sebastião.

domingo, junho 19, 2011

Deu... na Veja

O encarte publicitário do governo do Amazonas, divulgando “a maior expressão do folclore brasileiro”. Não mais a festa dos bois, mas o 46.º Festival Folclórico de Parintins.

Como o anúncio não menciona a direção da sede dos bois vermelho e azul, acrescento que a cidade de Parintins (AM) permanece no médio rio Amazonas. É alcançada por barcos festivos e avião.

Mas é bom se apressar, a festa ocorre entre o Dia de São João e o final de semana, ou seja, de 24 a 26 do corrente.

Fiquei feliz em saber que o Amazonas é o estado dos Festivais, são quinze por ano.

Na contra capa do encarte, o convite para acontecer em Maués (AM) quando completa 178 anos de existência. Vê-se praia linda, festivais e mulheres bonitas. Flifloresta com os poetas. Luzes e guaraná. Mas, os maués são raros.