CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, novembro 24, 2025

YPIRANGA: DE CINE À IGREJA EVANGÉLICA

Acabou a sessão nostalgia, ou melhor, agora somente restou a nostalgia. Quantos frequentaram aquela plateia imensa, a fim de aplaudir os artistas do palco e da tela. Lembro-me de ter assistido o filme sobre um desastre nos Andes - em uma tarde domingo, portanto, vendo geleiras por todos os lados, menos dentro do cinema Ypiranga (mantendo a desusada ortografia). Quando captei a mudança de placa comercial, recorri ao amigo Ed Lincon, que escreveu esta postagem, com a capacidade de quem sabe, porque pesquisou sobre todos os cinemas de Manaus.
“The end” para o Ypiranga! 

Ypiranga - último registro

Ipiranga, o fim de um cinema!

Ed Lincon 

    Recebi por estes dias a informação de que o antigo prédio onde funcionou o maior cinema de Manaus será transformado em igreja evangélica, apagando as lembranças de uma época feliz e sem a violência dos dias atuais. Infelizmente, é o preço do progresso! Depois, o local que serviu como cenário de diversões, namoros, troca de gibis e espetáculos musicais, funcionou por mais de 30 anos como loja de eletrodomésticos. Em seu palco passaram cantores como: Altemar Dutra, Teixeirinha, Moacir Franco, Waldik Soriano, Ângela Maria, entre outros.

    Sua inauguração ocorrida a 8 de outubro de 1959, aconteceu com grande pompa com a presença do governador Gilberto Mestrinho, demais autoridades e, claro, os proprietários da Empresa A. Bernardino. O filme de estreia foi Adeus às armas, com Rock Hudson, Jennifer Jones e Victorio de Sicca.

    Durante muitos anos levou alegria e entretenimento aos moradores da Cachoeirinha e bairros adjacentes.  Grandes produções do cinema americano e mundial foram exibidas em sua tela grandiosa.  No seu belo salão de espera havia os painéis dos filmes a serem exibidos posteriormente. Logo na entrada da sala de projeções, a reprodução do quadro de Pedro Américo, O Grito do Ypiranga, a receber os frequentadores. Havia também o Ipiranga Bar, para a venda de refrigerantes, doces, salgados e sorvetes.

     Assisti vários filmes neste cinema: King Kong, Os Trapalhões na Guerra dos Planetas, Marcelino Pão e Vinho, Cinderela Trapalhão, Tarzan e o Vale do Ouro, Simbad e o Olho do Tigre, Superman, entre outros. 

     Em janeiro de 1980 a empresa Bernardino fechou o Ipiranga para uma reforma em suas estruturas.  A sala de projeções foi diminuída de 1.500, para 500 lugares, além da construção de um salão para fumantes. Reabre em 10 de outubro do mesmo ano, com o filme “O Império contra Ataca”, segunda produção da trilogia “Guerra nas Estrelas” (hoje chamada de Star Wars).

Agora, "ajoelhou, tem que orar..."

    Mas a trajetória do Ipiranga estava fadada ao fracasso.  A sala antes bem frequentada começou a decair cada vez mais, filmes como “Roller Boll, a onda dos Patins”, “A Volta do Incrível Hulk”, “Heidi”, “Annie, a Órfã”, não foram suficientes para atrair público.  Então, os proprietários do Ipiranga passaram a exibir pornochanchadas de péssima qualidade. Outro motivo para o fim do Ipiranga foi a concorrência com os cinemas do Joaquim Marinho, que começavam a ganhar público e lançando filmes simultaneamente com os cinemas do Sul do país, o que não acontecia com as salas da empresa Bernardino, que levavam anos para chegar em Manaus. Despesas com energia elétrica, impostos, pagamentos dos funcionários contribuíram para o fechamento definitivo.  E ele não tardou a chegar. Na tarde de 1º de novembro de 1983, após a exibição de mais uma pornochanchada, “Corrupção de Menores”, o Ipiranga encerrou suas atividades definitivamente.  Com o fechamento, chegava ao fim o último cinema de bairro de Manaus.

sábado, agosto 12, 2023

VELÓDROMO "ÁLVARO MAIA"

A lembrança de um local esportivo que marcou a cidade de Manaus, espalhando emoções próprias da época: o velódromo Álvaro Maia (então governador estadual), pertence ao Ed Lincon. A edificação em nossos dias desapareceu, substituída por construções modernas tendo como referência, a mais frequentada, o Habib's.


VELÓDROMO "ÁLVARO MAIA"

 O bairro da Cachoeirinha ganhou seu primeiro Velódromo em 1899 com o nome de “Recreio”. Construído por um grupo de comerciantes, esse velódromo recebia corredores estrangeiros e do próprio país. Naquela época, os entusiastas desse esporte locomoviam-se de país a país através de vapores, participando das corridas de bicicletas, motocicletas e Tunder (bicicleta comprida com três assentos).

Esse divertimento igualava-se ao futebol de hoje em que as famílias participavam animadamente torcendo por seus atletas favoritos. Alguns corredores marcaram época em Manaus, como: Neira, corredor espanhol; José Bento, português e Alcebíades Alves, brasileiro.

O Velódromo "Recreio" era o maior do Brasil, quando deixou de funcionar. Depois, no mesmo lugar, foi instalado o Velódromo "Álvaro Maia", todo construído em alvenaria pelo engenheiro Deodoro D'Alcântara Freire, em 1944, e concluído com ajuda financeira do então Interventor Álvaro Maia em 1945. Esse velódromo tornou-se o único no país e o segundo da América do Sul.

A frente dele ficava na rua Santa Isabel, os fundos na av. Costa e Silva e a lateral na rua Urucará. Funcionava nos finais de semana, feriados e comemorações festivas. Algumas vezes no meio da semana, tomava parte em algum evento importante.

Esse estádio velocipédico e recreativo tinha 1.430 m2 de área para patinação, ténis, boxe, basquetebol, voleibol e exercícios ao ar livre. A pista, magnificamente arquitetada por seu idealizador tinha 225m à corda e 35º de inclinação, além de possuir cabines, vestuário, banheiros, departamento médico etc.

Os tipos de corridas apresentadas nessa época eram as de motocicletas, marca Indiana; Harley-Davidson e velocete e as de bicicletas, próprias para as pistas, com aros de madeira, pneus de seda e pião preso com roda livre, isto é, sem freio. Das marcas utilizadas eram as mais comuns a Pejour e a Raleg.


O velódromo também oferecia outras atrações como competição de patins e demonstração de patins rebocado à motocicleta. Algumas vezes, na área central, um ringue era montado para a realização de lutas livres, boxe e jiu-jitsu. Possuía as seguintes classes de corredores: corridas de fundo com uma média de 30 a 40 voltas aproximadamente; corridas as de velocidade de 3 a 4 voltas e demonstração de corridas coladas a motocicleta. Nesse tipo de competição os corredores acompanhavam uma motocicleta em suas bicicletas e depois de dar as voltas necessárias, a motocicleta saía da pista e os corredores continuavam a corrida para ver quem seria o vencedor da prova.

O tempo foi passando... não conformado com a participação de apenas corredores brasileiros, o Dr. Deodoro D'Alcântara Freire resolve partir para o exterior a fim de contatar com proprietários de outros velódromos e efetuar acertos de intercâmbios quanto a exibição dos atletas, sem que para isso tivesse que pagar. Seu sonho, no entanto, não chegou a tornar-se realidade, vindo a falecer em 1950 quando retornava dessa viagem.

Morto o proprietário, alguns anos depois a família desfez-se da praça de esporte, vendendo-a à firma comercial do Dr. Benzecry que a adquiriu pela importância de duzentos e vinte cinco mil cruzeiros [Cr$ 225.000,00]. Este empresário transformou as arquibancadas, as casas utilizadas para massagens, depósitos de bicicletas, enfermaria e posto médico em dependências para aluguel. Hoje, no local existe um depósito da Serraria Moss.

terça-feira, julho 21, 2020

PMAM: UM CAUSO DE SARGENTO


Esta postagem reproduz uma denúncia contra o sargento da PMAM, cujo nome de guerra era Camurça (ortografia correta), morador do bairro da Cachoeirinha. A publicação ocorreu em O Jornal, 8 de janeiro de 1965.
Na ocasião, Camurça já estava reformado por desequilíbrio mental. E não foram poucas as alterações que ele promoveu. Engajei na PM em 1966, e conheci o sargento por outra agitação, dentro do quartel da Praça da Polícia.
Certa noite desse ano, Camurça foi levado ao quartel, sendo recebido pelo oficial de dia, tenente (hoje coronel reformado Pedro Lustosa). Seu estado emocional alterado impacientou o oficial, que buscou de várias formas contornar o problema. Acabou sendo conduzido ao hospital psiquiátrico. Todavia, Camurça deu um show, ocorrência que ficou marcada naquele quartel.
 
Fragmento de O Jornal, 8 janeiro 1965

Uma comissão de moradores do bairro da Cachoeirinha eQtni eram à noite de ontem em nossa redação, a fim de que por nosso intermédio fizéssemos um apelo ao Comandante da Polícia Militar do Estado, no sentido abaixo.
No mencionado bairro reside um 3º Sargento daquela corporação de nome Camursa, o qual é considerado naquele populoso bairro, como um verdadeiro “manda chuva” e reincidente em diversos casos contra pessoas ali residentes.
Segundo um dos componentes da comissão, Sr. Osório, morador do bairro supra, assim como os demais, vieram à redação apenas para relatar um fato que se passou ontem à noite, para que o comandante da PME tome conhecimento e providências sobre o dito sargento.
Um motorista, cujo nome ignora-se, encontrava-se em um aniversário numa residência daquele bairro, na ocasião em que deveria sair para casa, se encontrava impossibilitado de levar seu carro para a garagem, o que fez o sr. Milton de tal, funcionário do DERA [Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas], entrar no veículo, por ser amigo do motorista, para conduzi-lo à garagem.
Surgiu o sargento Camursa dando voz de prisão aos dois. Milton incontinenti tirou de seu bolso sua Carteira de Habilitação para fazer ver ao sargento que poderia conduzir o veículo para onde quisesse. O Sargento disse que não interessava, que já havia dado voz de prisão aos mesmos e estava resolvido, sacando de sua arma, e botando várias pessoas para correr.
Disse-nos a comissão que o mesmo todas às vezes que o Sargento faz suas aventuras na via pública, e que saca de sua arma “é apenas para se mostrar para as mulheres”.

segunda-feira, fevereiro 17, 2020

IGREJA PENTECOSTAL

Encontrei nas páginas do Jornal do Commercio (3 fevereiro 1970) a cópia dos Estatutos da fundação da Igreja Pentecostal "O Brasil para Cristo", em Manaus. Sua sede provisória estava localizada na rua Itacoatiara, no bairro de Cachoeirinha.

A transcrição obedeceu ao texto original, onde se nota "pentencostal" de diversas formas, sem observância da ortografia. Ou por falta de revisão desse instrumento cinquentenário.
Vida longa para esta Igreja Pentecostal, que vem se expandindo com afinco.
Recorte da publicação do Jornal do Commercio (3 fev. 1970)
Igreja Evangélica Pentencostal "O Brasil Para Cristo" de Manaus.

Aos dezoito dias do mês de janeiro do Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil novecentos e setenta, precisamente as 15 horas reuniu-se a Igreja Pentencostal “O Brasil para Cristo”, cito a Rua Itacoatiara, 720, para em Assembleia Geral, adotarem esta denominação Igreja Evangélica Pentencostal “O Brasil para Cristo'", e tonar eletiva a sua participação na Convenção das Igrejas Evangélicas Pentencostais “O Brasil para Cristo” dos estados do Rio de Janeiro e Guanabara. Tendo constado na pauta ainda a eleição da Diretoria. Ao reverendo Pastor Ademar Alexandre de Aquino foi entregue um apelo com inúmeras assinaturas de Irmãos, convidando-o a ser presidente desta Igreja. Foi feita a leitura desse "abaixo assinado". A seguir foram eleitos por aclamação: Presidente: Reverendo Pastor Ademar Alexandre de Aquino; 1° Vice-presidente: Pastor Ari Guimarães; 2° Vice-presidente: Missionária Betty Smith; 1° Secretário: José Lazaro Francismar Moura; 2° Secretário: Sonia Alves de Albuquerque; 1° Tesoureiro: José Gomes da Silva; 2° Tesoureiro: Francisco Pereira Bezerra. Procedida a leitura dos Estatutos aprovados pela Convenção das Igrejas Evangélicas Pentencostais "O Brasil para Cristo" dos Estados do Rio de Janeiro e Guanabara, a Assembleia achando-o bom, pronunciou-se de acordo desde que ali fossem acrescentado os Cargos de 2° Vice-presidente e 2° Secretário conforme acima ficou dito terem sido eleitos com os demais membros da Diretoria por aclamação. A Sede da Igreja Evangélica Pentecostal "O Brasil Para Cristo" de Manaus filia-se à Convenção das Igrejas Evangélicas Pentencostais “O Brasil Para Cristo” dos Estados do Rio de Janeiro e Guanabara, que tem por seu Presidente legítimo o Reverendo Pastor Missionário Gildo José de Araújo, é a Rua Itacoatiara, 720, em Manaus, Capital do Estado do Amazonas, endereço provisório. Sem mais assunto tratado ou a serem tratados, redigi esta Ata que vai por mim, 1° Secretário já agora eleito, assinada e pelos demais membros da Diretoria também aqui aclamados, tendo assinado todos o livro de Presença com os demais membros da Igreja participantes desta Assembleia Geral de Fundação. Em Manaus, 18 de janeiro de 1970.

Presidente —Ademar Alexandre de Aquino
1° Vice-Presidente — Ari Guimarães
2° Vice-Presidente — Betty Smith
1° Secretário — José Lazaro Francismar Moura
2° Secretário — Sônia Alves de Albuquerque   
Tesoureiro — José Gomes da Silva 
2° Tesoureiro — Francisco Pereira Bezerra 
Tabelião Caminha – 2° Ofício - Av. Eduardo Ribeiro, 179. Reconheço verdadeira a firma retro de Ademar Alexandre de Aquino e dou fé. Manaus, 21 de janeiro de 1970. Roberto de Lima Caminha — Tabelião.

domingo, abril 08, 2018

SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA


Ao assumir o governo, João Walter (1971-75) deparou-se com a recém-criada Secretaria de Segurança, que substituía a provinciana Chefatura de Polícia, instalada em “casarão” centenário na rua Marechal Deodoro, quase esquina da avenida Sete. Nele funcionava, além da chefia, várias delegacias ditas especializadas, pois outras de atendimento geral funcionavam em bairros mais populosos.
A primeira grande separação dessa estrutura ocorreu com a transferência da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio (DCCPa), antes nominada de Delegacia Especializada de Roubos e Furtos.
O compartilhamento desta reportagem foi feito do Jornal do Commercio (8 novembro 1972), lembrando que desde julho daquele ano já funcionava a Rádio Patrulha, em seus prosaicos Fuscas. Relembro que esvaziado o “Casarão da Marechal”, como também era alcunhado, foi leiloado e adquirido pelo Banco do Brasil, onde instalou sua sede regional, cuja entrada encontra-se na rua Guilherme Moreira.

 Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio está na Cachoeirinha

A Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio, desde segunda-feira última, passou a funcionar na antiga Delegacia da Cachoeirinha, por determinação da chefia geral da SESEP [a sigla da Secretaria de Segurança está troncha, deveria ser como restou conhecida, SESEG] que visou a dar maiores possibilidades de atendimentos aos queixosos, assim como também aos presos que terão um xadrez devidamente adaptável, dentro das condições higiênicas e mais humanas no cumprimento da pena.
No prédio foram feitas reformas gerais, incluindo a construção de mais salas, tais como alojamentos para os policiais de permanência, novos sanitários e uma sala isolada para o Delegado de plantão.Toda sua instalação elétrica foi substituída, além de receber nova pintura interna e externa.
ACOMODADOS
Moradores daquele bairro ao serem abordados pela reportagem, disseram que foi boa a iniciativa da SESEP. “Pelo menos, nos sentimos mais seguros contra os assaltos que, ultimamente, vinham ocorrendo neste bairro e outros lugares aqui por perto, pois, sabemos que a DCCPa estará rondando toda a área suburbana da cidade.”
NO CENTRO
Algumas pessoas acharam que ficará muito contramão, se for apanhado um ladrão no centro da cidade por algum popular. Este terá que depender de condução para ser entregue à Polícia ao menos que se opte dar-lhe muita pancada e depois soltá-lo.
A PRÓXIMA
A próxima Delegacia a ser transferida do “casarão” da Marechal Deodoro, será a de Crimes Contra a Pessoa, que passará a funcionar na Subdelegacia de Adrianópolis, na primeira quinzena de dezembro, enquanto se processa a total restauração do prédio daquela subdelegacia.
E, assim, quebra-se a tradição de cem anos, onde o velho “casarão” começou a criar suas Delegacias e agora se separará de uma por uma até que o prédio fique totalmente vazio.

terça-feira, março 20, 2018

PONTE EFIGÊNIO SALES

Situação da ponte
Placa comemorativa

Semana passada, tomei um desafio: visitar a Ponte Efigênio Salles (prefiro com “f”, não obstante a ortografia exibir o “ph”) em Educandos. O objetivo era entender o professor Aguinaldo, que afirmava ter aquela passagem outra denominação: Ponte dos Ingleses. A prova da visita vai postada: uma placa de metal barato, apesar do lucro da Andrade Gutierrez com o Prosamim, quase sem condições de leitura.
E a foto da ponte com o mato em toda extensão, hoje unicamente um caminho quase sem uso, pois o pedestre prefere atravessar a larga artéria de outro modo. Se há responsável por esta situação de desamparo, deve caber à prefeitura.
Aproveitei para recordar meu caminho entre o Morro da Liberdade e a Praça Quatorze, quando estudante do Seminário São José. Lembrei-me do velho ônibus de madeira que atravessava perigosamente a dita-cuja mostrando as águas do igarapé do Quarenta ainda em condições de uso; do casario às margens deste curso de água, do funileiro com vitiligo, que parecia um artista televisivo; da serraria Moraes, bem na curva saindo da ponte; da subusina de eletricidade, cuja passagem lateral permitia-nos sair na avenida Sete, encurtando a caminhada; do “mercadinho”, agora um simulacro do mercado da Cachoeirinha, usado para servir somente um café da manhã e suas iguarias; a Ponte de Ferro, em triste condição, agonizando nas noites, pois sequer dispõe de uma lamparina para alumiar sua degradação. Chega de lembranças.
Recolhi do saudoso memorialista Genesino Braga parte de um artigo em que ele louva o criador da primeira ponte a servir o bairro de Educandos.
  
Artigo circulado no Jornal do Commercio, 7 novembro 1971
Tem o Amazonas, a rigor: o Estado do Amazonas, um dever de gratidão a cumprir com um homem que fora dos mais probos, dos mais operosos, dos mais progressistas e dos mais proeminentes de seus governantes: o saudoso político amazonense Dr. Efigênio Ferreira de Salles,  (...)
É a esse saudoso governante que se deve a criação do "broadcasting" local e também a montagem da radiotelefonia em Manaus. E mais: construiu a Vila "Belisário Pena" e o Sanatório "Ephigênio de Salles"; construiu a antiga ponte de acesso aos Educandos e os prédios do "Broadcasting" na saudosa Praça do Pobre Diabo; deu luz elétrica ao bairro dos Educandos; levou a água potável e a ampliação da rede elétrica a São Raimundo e a Adrianópolis; reconstruiu o hospital da Santa Casa; restaurou e remodelou o Teatro Amazonas, o Instituto Benjamim Constant, o Hospício Eduardo Ribeiro, a Penitenciária, as pontes metálicas da Cachoeirinha e dos Bilhares, o Asilo de Mendicidade, o Hospital São Sebastião; e enriqueceu o patrimônio do Estado com importantes aquisições de prédios, terrenos, máquinas e embarcações.
Obrou mais, ainda: estimulou a colonização e promoveu a vinda de imigrantes japoneses; fundou o Campo Experimental de Agricultura; instituiu o plantio das héveas, criando os seringais do Estado e distribuindo árvores ao longo das estradas de rodagem; levantou a carta geográfica e mandou imprimir o mapa do Estado; manteve ininterruptos os trabalhos da rodovia Manaus-Rio Branco.
Em seu governo foram abertos 121.000 quilômetros de estradas de rodagem: para o Tarumã, para o Rio Branco, para a Raiz, para a Chapada, para a Ponta do Ismael, para Camanaus, para Campos Sales, tendo feito o levantamento das de Manaus-Itacoatiara, Lábrea-Humaitá, Lábrea-Acre e a que contornaria as cachoeiras do Aripuanã.

(...)Nascido nos altos de Minas Gerais, Efigênio Ferreira de Saltes fora aluno-interno do famoso Colégio do Caraça, berço de estadistas e de intelectuais. Viera para o Amazonas ainda adolescente, contando dezessete anos de idade; e aqui aprendera o ofício de tipógrafo, como aprendiz nas oficinas do Diário Oficial. (Contou-nos, a propósito, o seu ilustre filho, Dr. Alíneo de Salles, certa vez em conversa na Superintendência do Correio da Manhã, no Rio, que o Dr. Efigênio de Salles, quando Presidente do Estado (tinham esse título os governadores de então), exibia com orgulho, na parede de seu gabinete do Palácio Rio Negro, o antigo diploma de tipógrafo). E foi precisamente nas oficinas daquele velho órgão de publicidade do Governo, que tivera início a sua escalada de triunfos. (...)Nessa escalada árdua, mas gloriosa, Efigênio de Salles foi tipógrafo e foi repórter; foi soldado do exército de Plácido de Castro, na reação patriótica que deu o Acre ao Brasil; foi herói da resistência local no malsinado bombardeio de Manaus, em 1910. Depois, foi Partidor e Distribuidor Geral do Foro de Manaus, foi redator do Amazonas, foi diretor do Diário do Amazonas. 
Faleceu em 1939. Lembramo-nos bem do Dr. Efigênio de Salles, quando Presidente do Estado. E lembramo-nos bem, porque muito o admirávamos e respeitávamos. Homem simples e cordial, espírito balsamizado de religião e de bondade, a saúde moral de todos os seus atos, de sua vida e de suas lutas, tinha respiração intensa nos desvelos de sua santa esposa, Dona Alice de Salles, e nos carinhos de seus filhos, com reflexos de harmonia e sãos princípios de costumes e maneiras no comportamento de nossa sociedade.
Com esse nome honrado — Efigênio Ferreira de Salles — o Estado do Amazonas e a municipalidade de Manaus têm um dever de gratidão. Devem-lhe, sim, uma pública homenagem. Uma homenagem em que haja, nos seus sentimentos, na sua expressão e na sua espontaneidade, a exculpação do ato grosseiro de há 41 anos atrás, quando o nome do emérito estadista, num impulso demagógico de falsos líderes, foi retirado das placas da avenida Sete de Setembro. (...) E honrará Manaus, como há anos honra o Rio de Janeiro, no aristocrático bairro do Cosme Velho, a rua de Efigênio de Salles.

domingo, agosto 16, 2015

REINAUGURAÇÃO DA PONTE DE FERRO

Denominada de Ponte Benjamin Constant, essa festa aconteceu no governo de Eduardo Braga. Foram luzes para todos os lados. Hoje... não há qualquer lâmpada acesa.


domingo, maio 03, 2015

HOSPITAL DO EXÉRCITO


Hospital da Guarnição do Exército, em construção na praça Floriano Peixoto, no bairro da Cachoeirinha, Manaus. Realizada no início da década de 1940, quando da II Guerra e o esforço norte-americano na região.




quinta-feira, setembro 04, 2014

FÁBRICA ROSAS



Dias desses, transitando pela Praça da Polícia tive a atenção voltada para um centenário edifício situado na avenida Sete, onde funciona no térreo uma loja da TVLar. O prédio parece entrar em recuperação, com isso, mostrando sua fachada nos consente algumas recordações. Eu sabia que ali funcionara a Fábrica Rosas. Sabia eu, por dois motivos: um muito especial, pois meu falecido pai ali trabalhou por muitos anos como balconista, em especial na turbulência da 2ª Guerra Mundial. E ele me recordava esse local com reverência extremada, como se aquele estabelecimento tivesse sido um templo.

Revista Cá e Lá, maio de 1917
O segundo agente chega agora pelo texto – abaixo transcrito, de Robério Braga, em seu livro Manáos... Manaos.. Manaus. (Manaus: Reggo Edições, 2013).  



FÁBRICA BIJOU

No correr dos anos atuais, nos quais muito se tem falado e agido na recuperação do patrimônio histórico e tradicional do nosso Estado, com esforços e ações crescentes em Manaus, e que vão ser feitas obras no antigo Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, o tradicional Palacete do centro histórico, vale a pena tratar de uma empresa que tinha sede bem na vizinhança mais próximo do Quartel, a Fábrica Bijou – Panificação Amazonense –, seja pelos seus salões elegantes com mobiliário especial e a importância da fachada do prédio, ou pelos produtos que fabricava e eram bem colocados no mercado. E não é coisa do passado muito distante, que se possa dizer que foi retirada do fundo do baú, porque se estendeu ainda aos meus anos de menino e jovem rapaz. 

Inicialmente era empresa local, de propriedade de Pereira, Santos & Cia., conforme os registros de 1914, e conseguira prêmios nas Exposições do Rio de Janeiro e Bruxelas. Estava instalada a Rua Municipal, 129, atual Avenida Sete de Setembro, valendo-se da Caixa Postal 36 e do endereço telegráfico Bijou, que eram coisas modernas e chiques, feitas para empreendimentos de porte. Seus serviços eram movidos à eletricidade, outra grande novidade que fazia questão de ressaltar nas propagandas. Para melhor servir, a panificadora mantinha várias filiais, embora a cidade ainda fosse acanhada, o que, de certo modo, bem caracteriza sua hegemonia na praça comercial: Fábrica Universal (rua Henrique Antony); Padaria Amazonense (rua Marquês de Santa Cruz); Padaria São Sebastião (rua Costa Azevedo); Padaria Dois Irmãos (Rua dos Barés); e, Frigorífico Bohêmia (rua Marechal Deodoro), que eram seus principais pontos de venda.

Vendia pão fresco – tanto pela manhã quanto pela parte da tarde; rosca comum e à barão; farinha de trigo e de milho; bolachas e biscoitos variados; doces secos e finos, bombons, amêndoas, bebidas finas, conservas, massas alimentícias, chocolates de puro cacau em pães e em pó. Além disso, ainda fazia torração de café especial e Moka, e refinação de açúcar. Seus proprietários se orgulhavam de ostentar o título de confeitaria mais bem montada no Norte do Brasil e, como tratava de comércio, indicavam para todos os lados que praticavam preços sem concorrência.

Quem passasse por ali, nas imediações do Gimnásio Amazonense D. Pedro II, descendo pelas calçadas de lioz do lado direito da Avenida Sete de Setembro em direção à Catedral de Manaus, veriam um belo salão com ventiladores de madeira no teto, lustres em forma de pera, piso em ladrilho bem à moda daqueles anos de vésperas da 1ª Grande Guerra Mundial com paredes recheadas de pinturas decorativas, colunas centrais e mesas para quatro lugares em madeira, com pernas torneadas, rodeadas de cadeiras com forração em palhinha da Índia. Ao redor das colunas estavam os balcões de apoio com louças e peças para serviços de atendimento aos clientes. Era lugar de classe, lugar fino, por onde circulavam os que tinham paladar exigente, mas ao mesmo tempo era um ponto de encontro sem ostentação que incomodasse as pessoas simples ou afastasse qualquer freguês.
Jornal  A Tarde, novembro de 1940

Vendida depois para a forte empresa de J.G. Araújo e Companhia Ltda., transformou-se na Fábrica Rosas e nos primeiros anos de 1950 estava com suas atividades encerradas. Em 1954 a firma J. Barbosa Grosso e Companhia Ltda. iniciou sua atuação restabelecendo o nome de Panificadora Bijou, funcionando no mesmo casarão alugado até 1974, passando-se depois para a Rua Ajuricaba com a Av. Castelo Branco, na Cachoeirinha, local em que a empresa parou de funcionar nos anos 1980, sendo o nome concedido ao antigo funcionário Luís Alberto Farias que ainda manteve a fábrica funcionando por mais ou menos dez anos. Quem sabe ao menos o prédio possa voltar aos tempos áureos de sua presença na paisagem da nossa cidade.

terça-feira, outubro 30, 2012

MANAUS: ONTEM E HOJE (2)

A avenida Castelo Branco leva o nome do primeiro presidente do Governo Militar, general Humberto de Alencar Castelo Branco. Antes, aquela artéria era denominada de avenida Waupés, instituída quando da construção do bairro da Cachoeirinha (1891-92). A artéria começava no igarapé do mesmo bairro e se estendia até à rua Belém, ou seja, atravessava (como acontece) o referido subúrbio.

Av. Castelo Branco no cruzamento da rua Humaitá


No entanto, ao cruzar com a rua Ipixuna, havia uma descontinuidade devido ao covão (cuvão, no popular) existente no local. Isso obrigava a uma curva acentuada que, devido aos acidentes causados no local, tomou a denominação vulgar de “curva da morte”. Nesta paragem, ainda funciona a mercearia do Carvalho.
 

Av. Castelo Branco com rua Ipixuna, a extinta "curva da morte"
Superado este obstáculo, a Castelo Branco encontra-se com o término da avenida Ramos Ferreira, pois, do outro lado da via, chama-se avenida Costa e Silva (outro general presidente).
As fotos mostram as duas épocas.