CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, agosto 24, 2026

MEUS OITENTANOS (15)

 FASCÍCULO 15

 


Ao retornar ao quartel no início de 1978, fui informado do honroso prêmio alcançado: ser transferido do batalhão de Petrópolis para comandar a Rádio Patrulha. Este órgão, criado em 1972, funcionava em um quartel inaugurado no ano de 1977, onde substituí ao major Mael Sá, conhecido pela sua exigência com o serviço externo, notadamente o de radiopatrulhamento; concedendo aos patrulheiros ampla liberdade para agir e apoiando a repressão empregada. Para minha desventura, não aceitava esse perfil, porque defendia que o policial devia fiscalizar para proteger, e não para acossar. O serviço era realizado em prosaicos Fuscas, equipados com uma sirene e um rádio Motorola de funcionamento primário. Contudo, o policiamento, apesar desse reduzido aparato, impunha respeito e receio à sociedade. De fato, cumpria sua função plenamente.

Ao assumir o comando, passei a receber diariamente inúmeras reclamações de pessoas sobre os mais variados temas; a mais recorrente era a perseguição ao casal que, no interior de seus automóveis, buscava o escuro ou o matagal para maior enlevo. Nas formaturas diárias eu expunha minha posição acerca desse tipo de patrulhamento e, não raro, de maneira ríspida, recomendei que não procedessem assim, pois poderiam encontrar no local uma parenta próxima. Numa dessas noites, eu me encontrava no estacionamento do estádio Vivaldão, exercendo meu direito de namorar, quando minha parceira alertou que um veículo se aproximava; ao verificar, reconheci uma viatura da RP, às escuras. Os patrulheiros, ao reconhecerem meu carro – uma Brasília VW dourada – manobraram em velocidade de F1, tornando impossível a sua identificação.

    

Vista aérea do quartel da Rádio Patrulha, 1978

Minha postura quanto à disciplina e o controle do policiamento acabou incomodando os subordinados, que desejavam fiscalizar conforme lhes convinha, para obter as propinas que grande parte da cidade pagava. Perdi a disputa: certa noite o pessoal de serviço foi advertido pelo superior de dia, numa espécie de intervenção no comando, para que saísse às ruas e assumisse o turno. A despeito dos obstáculos, consegui, ainda que a duras penas, manter o comando até o fim do ano. Contudo, o pior erro foi obra minha, quando minha residência no Morro foi assaltada, e dali subtraíram o revólver da corporação sob minha cautela. Em conluio com alguns colegas, elaborei um inquérito infundado, atribuindo a culpa a terceiro. O expediente funcionou por um tempo, até que no ano seguinte a arma foi apreendida na posse de um marginal, que revelou a procedência. Resultado: acabei no banco de réus da Auditoria, ameaçado de ser excluído da corporação.

Antes dessa passagem pela Justiça, já havia enfrentado outra quando, no comando do coronel Ossuosky (1975-79), eu dirigia o Centro de Operações (COP). A cidade arrostava a atuação da gangue dos “Mulatos”, que exigia redobrado esforço dos policiais; em uma operação noturna, o desembargador Paulo Feitosa – pardo – foi aviltado por um soldado, fato que exigiu do comando largo esforço para contornar a situação. Dias depois, em plena manhã, um oficial de justiça foi detido e conduzido à sede do COP, onde me encontrava e prestei atendimento. Ouvido, foi liberado sem restrição, por ordem do comandante, porém, quando chegou à sede do Tribunal de Justiça, seu local de trabalho, relatou sua “versão”. Mais uns dias, eu recebo uma intimação do Tribunal, acusando-me de agressão àquele servidor. Apesar de minhas justificativas, inclusive citando a participação do coronel Ossuosky, fui incriminado e julgado. No dia do julgamento, ocupando o banco de réu, vi passar os colegas de faculdade que não entendiam a situação. Meu defensor – doutor Cabral Simonetti – recomendou-me que, se possível, chorasse, nada de atrevimento. Todavia, não suportei a descrição do crime realizada pelo promotor – Dr. Thury, tão engenhosa que o encarei, de que se aproveitou para me admoestar; fui salvo pelo meu defensor. Afinal, fui absolvido com restrições; então, compreendi ter sido utilizado, pois o Tribunal de Justiça teria embaraços para julgar o comandante, na condição de secretário de Estado. 

Inspeção do general IGPM à Rádio Patrulha. 1978

Desejo registrar um caloroso momento ocorrido em meu comando: a visita do Inspetor-Geral das Polícias Militares, em maio daquele ano. A curiosidade ficou pelo seu nome de guerra, de difícil sotaque para os nortistas – general Schnarndorf. Ao tempo, as organizações policiais – como órgão auxiliar – se encontravam sob o controle das Forças Armadas; por essa razão, o inspetor visitava periodicamente as PM. A interferência proliferou de tal maneira que, para o cabal cumprimento das normas, eram distribuídas cartilhas, cuja capa, de coloração amarela intolerante, ensejou o codinome de “amarelinhas”. De outra forma, a Inspetoria distribuía fartamente vagas em cursos dentro e fora do país, facilitando com essa movimentação alguns “penduricalhos” no soldo dos policiais; esse benefício era extremamente bem-vindo.

A esse respeito, tenho duas peripécias sobre curso no estrangeiro. Na primeira, se não me falha a memória, foi cerca de 1968 em que a PM foi contemplada com duas vagas para um curso nos Estados Unidos. As colocações eram abertas a todos oficiais indistintamente, sendo a única exigência a proficiência em inglês ou espanhol. A vaga destinada a falantes em inglês, cuja competência era exclusiva do tenente Osório, foi preenchida prontamente; já a destinada a especializados em espanhol exigiu prova escrita porque havia vários inscritos. Revisei meu portunhol, aprendido com meu pai e com conterrâneos peruanos, e consegui a aprovação. Meu entusiasmo, porém, durou pouco; um oficial mais graduado procurou o comandante e obteve minha substituição por outro colega, justificada somente pela antiguidade. Guardei ressentimento. Dois anos depois surgiu nova vaga e a mesma exigência; dessa vez sequer me inscrevi, receoso de sofrer nova retaliação. (segue)

sexta-feira, abril 23, 2021

SÃO JORGE NA POLÍCIA MILITAR

Hoje é dia consagrado a São Jorge, santo da igreja católica. A imagem aqui exposta foi ofertada à corporação em volta de 1950, sendo instalada em um pequeno oratório no quartel da Praça da Polícia. Hoje estivesse no Palacete para uma gravação, motivo pelo qual visitei aquela imagem, que espera o retorno ao seu lugar.

Imagem exposta no restauro do
Palacete Provincial (hoje)

Este santo nunca foi constituído em patrono daquele corpo policial, porém, a maioria dos policiais o tratavam com essa distinção. Tanto que aquele nicho sempre esteve ornado com velas, fitas, cédulas e outras oferendas.

Em certa data, ainda no serviço ativo, combinei com o padre capelão o restauro da imagem. Para isso, a retiramos do quartel sem passar pelo portão principal. Isso, levou o coronel comandante Mael Sá a se enfurecer ao perceber que a segurança do portão não avistou “o santo montado a cavalo, açoitando um dragão, fugir do quartel”. O incidente resultou um corre-corre danado, afinal, os “caçadores” chegaram a mim, que expliquei a “fuga”.

Em visita a São Jorge (hoje)

Outra recordação que me trouxe hoje a imagem de São Jorge foi a devoção que o tenente Silvestre Torres lhe dispensava. O fato ocorria quando orientava o pessoal de serviço do trânsito, no longínquo 1982/83. Antes de dispensar a turma, Torres entoava uma oração bem estapafúrdia, posto que a encerrava exigindo dos policiais em serviço o compromisso de “não pegar propina”.

Em nossos dias, a PMAM possui no quartel do comando-geral o Oratório Policial Militar, bem que a imagem de São Jorge poderia ser acolhida nesse sítio religioso. Todavia, percebo: no local, a religião católica e as evangélicas se topam, daí o impasse para o retorno do Santo do Dia de hoje. Salve Jorge!

sexta-feira, junho 05, 2020

HISTÓRIA DA PMAM: ANOTAÇÕES

Quartel da PMAM, em 1982

1982 foi o ano de encerramento do Governo Militar em nível estadual. Pois, nesse final de ano ocorreu a eleição para governador, vencida por Gilberto Mestrinho (oposição) sobre Josué Filho. Todavia, a Polícia Militar atravessou um ano extremamente político, aliás, como foi em todo o Estado.
Um ligeiro retrospecto: em maio, o governador José Lindoso abdicou do mandato para se candidatar ao Senado, assumindo o vice, Paulo Nery. No mês seguinte, Nery destituiu o comandante-geral, coronel Guilherme Vieira, por desavença administrativa, o qual foi substituído por outro oficial EB, Duailibe Mendonça.
Comandantes da PMAM
Foi aí que a “chapa esquentou”. Este oficial chegou prometendo pelejar, como de fato realizou, pela vitória da situação, a de Josué Filho. Com isso, os quarteis se inflamaram, tendo o comandante do Corpo de Bombeiros (então subordinado à PMAM) assumido a liderança destes. Coronel Cavalcanti arregimentou enorme ajuntamento de oficiais e praças. E encaramos (eu estava engajado) a peleja.
Houve nos bastidores várias querelas, que logo vamos registrar. No entanto, para encurtar a conversa, em outubro, Gilberto Mestrinho foi eleito governador, para exercer seu segundo mandato. Em janeiro seguinte, estava encerrado o período militar no governo do Amazonas. Do mesmo modo, sucedeu na Polícia Militar do Amazonas, quando o coronel Hélcio Motta assumiu o comando.
Para marcar esse memorável ano, reproduzo parte do Relatório expedido pelo comandante Duailibe, em que arrola a composição dos comandantes e diretores da corporação, referente aquele 1982. Ainda que tenha esquecido da Banda de Música e do Serviço de Saúde.

Comandante-Geral
Tenente-Coronel EB Guilherme Vieira dos Santos, 1º jan. a 21 jun.
Coronel PM Hélcio Rodrigues Motta, 22 a 25 jun.
Tenente-Coronel EB José Raimundo Duailibe Mendonça, 26 jun. a 31 dez.


Chefe do Estado-Maior Geral
Coronel Hélcio Rodrigues Motta, 1º jan. a 21 jun.  
Coronel Pedro Câmara, 22 jun. a 25 jun.  
Coronel Hélcio Rodrigues Motta, 26 jun. a 31 dez.  
Ajudante-Geral 
Coronel Pedro Câmara, 1º a 5 jan.
Tenente-Coronel Humberto Henrique Soares, 6 jan. a 29 jun.  
Coronel Pedro Rodrigues Lustosa, 30 jun. a 1º set.
Tenente-Coronel Humberto Henrique Soares, 2 set a 31 dez.
Comando do Policiamento da Capital (CPC) 
Coronel Amilcar da Silva Ferreira, 1º a 4 jan.
Coronel Pedro Câmara, 5 jan. a 31 dez.
Comando do Policiamento do Interior (CPI) 
Tenente-Coronel PM Mael Rodrigues de Sá, 1º jan. a 31 dez.
1º Batalhão de Polícia Militar (BPM) 
Tenente-Coronel PM Ruy Freire de Carvalho, 1º jan. a 22 out.
Tenente-Coronel PM Ilmar dos Santos Faria, 23 out. a 31 dez.
2º Batalhão de Polícia Militar (BPM)
Major Osias Lopes da Silva, 1º jan. a 31 dez.  
Corpo de Bombeiros (Cia CB)

Tenente-Coronel José Cavalcanti Campos, 1º jan. a 21 out.
Tenente-Coronel Ruy Freire de Carvalho, 22 out. a 31 dez
Companhia de Policiamento de Trânsito 
Major Osias Lopes da Silva, 1º jan. a 17 jan.  
Major Jetero Silva de Menezes, 18 jan. a 14 jul.  
Major Antonio Carlos Cardoso Pereira, 15 jul. a 31 dez.
Companhia de Polícia de Rádio Patrulha (Cia P RP)
Major Edval Correa da Fonseca, 1º jan. a 31 dez.  
Diretoria de Finanças (DF)
Tenente-Coronel Odorico Alfaia Filho, 1º jan. a 31 dez.  
Diretoria de Apoio Logístico (DAL) 
Major Romeu Pimenta de Medeiros Filho, 1º jan. a 02 fev.
Major Jarbas Rocha da Costa, 3 fev. a 6 jul.
Coronéis Medeiros e Amilcar
Major Romeu Pimenta de Medeiros Filho, 7 jul. a 31 dez.
Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) 
Major Antonio Guedes Brandão, 1º jan. a 31 dez.
lª Companhia Independente PM 
Major Edson de Lima Matias, 1º jan. a 1º ago.
Capitão José Cabral Jafra, 2 ago. a 31 dez.
2ª Companhia Independente PM 
Capitão Manoel dos Santos Araújo, 1º jan. a 31 dez.  
Companhia de Polícia Rodoviária (Cia P Rod)
Capitão Francisco Silva dos Santos, 1º jan. a 07 jan. 82
Capitão Raimundo Pereira da Encarnação, 8 jan. a 31 dez.  
Companhia de Polícia de Guardas (Cia P Gda)
Capitão Ronaldo Francisco Albuquerque Toledano, 1º jan. a 1º out.
Capitão Adalberto Fonseca Rodrigues, 2 out. a 31 dez.
Coronéis Brandão e Mael Sá
Companhia do Comando Geral (Cia CG)
Capitão Luiz Fernandes da Rocha, 1º jan. a 16 ago.
Capitão Francisco Silva dos Santos, 17 ago. a 6 out.
Capitão Alcy Costa Sampaio, 7 out. a 31 dez.
Companhia de Polícia de Choque (Cia P Ch)
Capitão Antonio Alfredo Rego da Matta, 1º jan. a 31 dez.  
Pelotão de Polícia Feminino (Pel P fem)
1º Tenente João Ewerton do Amaral Sobrinho, 1º jan. a 15 abr.
2º Tenente Fem Antonia Arlene da Silva Oliveira, 16 abr. a 31 dez.

terça-feira, março 31, 2020

HOSPITAL DA POLÍCIA MILITAR



Ao passar para a reserva na Polícia Militar do Amazonas (PMAM) em outubro de 1996, estava dirigindo o Serviço de Saúde da corporação. Aliás, fui o primeiro oficial combatente a exercer esse cargo e, desse modo, preciso explicar o evento: na época, diante de um desentendimento entre médicos e dentistas integrantes deste setor, o coronel Mael Sá, comandante-geral (1995-97), resolveu inovar nomeando-me chefe do Serviço de Saúde (SS). 

Principal serviço de saúde da PMAM, hoje abandonado
Com apoio no decreto 17.238/96, que efetuou uma reorganização na PMAM, estive naquela função entre junho e outubro desse ano. Apesar do tempo exíguo, produzi uma reforma dos prédios do SS, o hospital na rua Candido Mariano (atualmente aos pedaços, largado e ocupado por “invasor”), e o do Consultório Dentário, na rua Duque de Caxias, onde foi inaugurado a Companhia de Rádio Patrulha (desaparecido, após ser absorvido pela maternidade Balbina Mestrinho).
Além de melhorar as acomodações, consegui dar novo visual ao Hospital da Polícia Militar (HPM). E, devido minha aproximação com a imprensa, divulgar o feito. Veja a foto.
Mais: em busca de uma fórmula para que o HPM sobrevivesse, sem depender exclusivamente da Diretoria de Finanças, conversei exaustivamente com os oficiais médicos. Não alcançamos resultado positivo, mas intentamos com as seguintes sugestões: 1) receber  do extinto Ipasea, somente, 1% do nosso recolhimento; 2) estabelecer em diretrizes os dependentes dos policiais, a fim de que impedir que o “coronel” levasse até os vizinhos, para atendimento sem ônus; 3) melhoria das dependências, para permitir a recepção de clientes-particulares, mediante paga; 4) o pagamento simbólico (R$ 1,00) pelo atendimento, seja por consulta ou internação, pelos associados (lembrando que de graça, nada tem valor); 5) absorver o atendimento pelo SUS.
Enfim, o resultado desses procedimentos injetaria recursos financeiros no HPM, todavia, para que o gerenciamento desses valores fosse mais bem administrado, urgia que a corporação criasse uma Fundação (ainda continua necessária). Semelhante as que possuem as corporações militares federais e algumas policiais estaduais.
À fundação caberia, entre outras iniciativas, contratar médicos especializados, que atenderiam conforme normas administrativas e trabalhistas. Com isso, a corporação não se preocuparia com a seleção de oficiais médicos e de outras categorias. E, mais adiante, com a promoção desses e os desgastes que a hierarquia acaba gerando, tal como a que enfrentou o coronel Mael Sá, conforme explanado.

Da maneira que segue, lamentavelmente, a Policlínica não passará de uma UBS.


domingo, abril 01, 2018

PMAM - 181 ANOS (III)

Ainda em sequência aos festejos de criação da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), lembro que esta corporação, em dezembro de 1974, estava o comando do coronel Lucy Coutinho. Na oportunidade, recebeu o encargo de coordenar a “Operação Rebraca” (Repatriação de Brasileiros de Caiena). No próximo post detalharei a execução deste exercício mais de caráter diplomático.

Reescrevo a coluna sobre militares, encartada em A Crítica (22 dezembro 1974), em que divulga ralos acontecimentos sobre a PMAM.

O recorte da mencionada edição mostra a barraca da Rádio Patrulha

POLÍCIA MILITAR

OPERAÇÃO REBRACA
O ponto de convergência da “Operação Rebraca”, em Manaus, estará a cargo do Comando-Geral da Polícia Militar.
 CONCLUÍRAM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO
Após terem concluído com êxito o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na Academia de Policia Militar de S. Paulo, regressaram a Manaus os capitães Mael Rodrigues de Sá e José Cavalcanti Campos.
(Ambos coronéis reformados, recordo que Mael Sá exerceu o comando da PMAM em duas ocasiões; e o segundo, também em duas oportunidades, chefiou a Casa Militar. Cavalcanti ocupou ainda a Assembleia Legislativa na condição de deputado).
 PM REALIZOU FESTA NATALINA
Com a presença de todos os militares daquela organização militar e de seus familiares, a PM proporcionou na última sexta-feira no 1º BPM, sua festa natalina, que contou com a presença do Papal Noel e de centenas de crianças. As barracas foram construídas com brincadeiras diferentes, assim como foram distribuídos brinquedos para a petizada.(A corporação deveria ter próximo de 1.200 homens, portanto, descontados os destacados, era fácil reuni-los no imenso pátio do 1º BPM, em Petrópolis, onde hoje assenta-se o Comando-Geral.) 

sábado, outubro 27, 2012

ASSOCIAÇÃO DOS VELHOS CORONÉIS (AVC)



Coronel Raizer (à esq.) no dia da posse. A Crítica, 14 maio 1979
O costumeiro almoço mensal dos coronéis da reserva (aposentados) da Policia Militar estadual ocorreu ontem, no restaurante Cero´s, e contou com um distinto visitante. Trata-se do coronel Wilson Ribeiro Raizer, este da reserva do Exército, que foi comandante da PM amazonense no governo de José Lindoso (1979-1981). Em seu comando, foi criada a Polícia Feminina.

Passados trinta anos, foi difícil ao velho comandante relembrar aos então jovens comandados. Hoje, todos com os cabelos embranquecidos, uns até sem estes, ou com as curvas do corpo proeminentes e distintos males da “melhor idade”.
Polícia Feminina em desfile na av Djalma Batista, 2007
De qualquer maneira, foi uma farra. Os comensais: Pedro Câmara; Hélcio Motta; Romeu Medeiros; Amilcar Ferreira; Cavalcanti Campos; Odorico Alfaia; João Ewerton; Franz Alcantara; Assis Nogueira; Edson Matias; Abelardo Pampolha; Pereira da Encarnação; Ary Renato; Edson Pereira; Paulo Ramos; Frandemberg Maués; Celio Silva; Fernando Valente; Claumendes Cardoso; Mael Sá e Roberto Mendonça, ao final, entregaram ao coronel Raizer uma nota manuscrita carimbando este evento.

Para os coronéis, o próximo encontro ocorre em 30 de novembro.  

quarta-feira, outubro 12, 2011

CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS (XXIV)

Ao final de 1994, a PM do Amazonas indicou o coronel Deusamar Assis Nogueira, que deixava o gabinete do vice-governador Francisco Garcia, para o comando dos Bombeiros. Enquanto este oficial transferia os encargos daquela função, o tenente-coronel Homero Leite de Almeida exerceu o comando em caráter transitório, de 22 de novembro a 20 de janeiro de 1995, data da posse do coronel Nogueira.

O governador Amazonino Mendes, empossado em 1.º de janeiro, designou para o comando da Polícia Militar o coronel Mael Rodrigues de Sá, que assumiu ainda em janeiro.

Governador Amazonino Mendes e coronel Mael Sá, 1995
Para melhor compreender a evolução dos Bombeiros, cabe recordar um acontecimento de ampla repercussão nacional; em 1988, o Congresso Nacional promulgou a Constituição vigente, intitulada de Constituição cidadã. Antecedida de amplos debates, a Carta Magna acomodou numerosos direitos, entre esses proporcionou aos Bombeiros a conquista da emancipação.

Há tempo, essa secessão estava engajada nos quartéis dos soldados do fogo de todo o País, lembrando que estes foram submetidos à Polícia Militar durante o regime dos militares, salvo os do Rio de Janeiro e do Distrito Federal.

Tão logo a Constituição foi promulgada, deu-se partida em busca da separação, cabendo ao estado do Acre a conquista da pole position, em março de 1989. Em busca desse intento, os bombeiros amazonenses encetaram reuniões e encontros (quase tudo documentado) e, encorajados nesses, superaram árduos insucessos.

Até que o governador Amazonino Mendes autorizasse a divisão, havia passado dez anos desde o sucesso do desbravador acreano.

Cabral Jafra, Asp Of Exército


Em 1º de novembro de 1995, o Corpo de Bombeiros assistiu nova substituição de comandante; assumiu o coronel José Cabral Jafra.

Quando foi designado para comandar o CCB, coronel Cabral Jafra conhecia bastante tanto o quartel quanto o serviço de bombeiros. Afinal, em 1973, quando da incorporação do CBM ali servira próximo de oito anos, de forma que se considerava autodidata no assunto.

Enfrentara diversas ocorrências de variadas magnitudes e conhecia os veículos, cuja primeira remessa de importados, ele recebera. Comandou pouco mais de seis meses.
Nesse período, empenhou-se em dotar o Centro de Atividades Técnicas (CAT) de novo direcionamento, tratando-se de órgão administrativo obrigado a lidar com entidades civis e atender regras destas e da prefeitura de Manaus. Tem convicção de que disciplinou o trabalho e sua gestão financeira.

Coronel Cabral
Outra preocupação sua dizia respeito à disciplina no quartel. Comumente conhecida por ordem unida, ou seja, colocar a turma nos brios. E mais, sob recomendação do comandante-geral, enraizar os conhecimentos operacionais, em dialeto policial militar, cumprir a instrução programada.

Treinar e treinar, como convém aos bombeiros. Houve certo queixume de parte de oficiais, argumentando que o comandante não dispunha de formação qualificada. Extraordinário conversador, coronel Cabral, que se considerava autodidata na matéria, fez entender aos queixosos que seu tempo de Bombeiros o habilitava a exigir e a ensinar.

Conseguiu ser bem-sucedido. Uma ascensão funcional, porém, determinou sua exoneração, em 8 de maio de 1996. Assumiu a chefia da Casa Militar do governador Amazonino Mendes.