CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de setembro de 2012

Cruz e Sousa e a academia dos bacharéis


Zemaria Pinto (*) 


Zemaria Pinto
No último dia 25, ao noticiar a eleição do acadêmico que irá ocupar a cadeira n° 23 da Academia Amazonense de Letras, o jornal onde o eleito trabalha noticiou o fato, informando que o patrono da referida cadeira era um tal de Cruz e Silva. Como notícias de jornais são descartáveis, imaginei que a pessoa que escreveu a matéria no calor da luta confundiu o poeta Alencar e Silva, o ocupante anterior, com o genial poeta catarinense Cruz e Sousa, o verdadeiro patrono da cadeira 23. 

Já esquecera o incidente quando, há pouco, lendo o tal jornal onde trabalha como advogado e assina colunas o futuro acadêmico, deparo-me novamente com a aberração: o “patrono Cruz e Silva”, citado em matéria de mais de meia página, com o sorridente bacharel e futuro acadêmico.  

Jornalistas não precisam conhecer literatura, claro. Mas acadêmicos não podem ignorar seus símbolos. Quem deu a informação errada? O próprio “novo nome da academia”? O presidente, bacharel e jornalista? Os eleitores bacharéis? 

Tenho certeza que o vice-presidente, também bacharel e jornalista, não foi, porque em seu “dicionário biográfico”, ele dá a informação correta, apesar de tropeçar na grafia – Cruz e Souza, com z -, o que não chega a ser incomum.

Cruz e Sousa (1861-98)
Podia continuar calado, no meu canto, mas agredir o autor de Broquéis e Faróis duas vezes em menos de uma semana é demais pro meu estômago. 

Como a poesia continua sendo necessária, apesar dos bacharéis, dos jornalistas e dos acadêmicos, fiquem com um poema de João da Cruz e Sousa 

Acrobata da dor

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
Como um palhaço, que, desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
De uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta, clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
Nessas macabras piruetas d’aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
Afogado em teu sangue estuoso e quente,
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.

 

(*) Transcrito do blog - www.palavradofingidor.blogspot.com

Governador Henoch Reis, em 2 tempos


 
Henoch Reis (à esq. curvado), coronel Cavalcanti Campos e
o deputado Homero de Miranda Leão
Henoch Reis, que foi ministro de Tribunal Superior do Trabalho, governou o Estado entre 1975-79, sucedendo ao coronel João Walter de Andrade, e entre outros atributos manteve ou procurou manter a elegância pessoal.

No primeiro momento, em seu gabinete no Palácio Rio Negro, HR recebe o deputado Homero de Miranda Leão, igualmente poeta e membro da Academia Amazonense de Letras, assistido pelo chefe da Casa Militar, coronel Cavalcanti Campos, ornado de alamares e sorriso. O despacho de Sua Excelência devia ser de geral agrado.

Mas, que mais chama atenção no registro fotográfico é o vestuário dos dois políticos: paletós de xadrez bem “chamativo”. Aliás, a repartição do nosso governador era bem sóbria, assim como o material de escritório, basta observar a pasta colecionadora sobre a mesa, que parece combinar com os paletós.

 
Henoch Reis caminha a frente de dom Milton (de batina) e ao
lado do coronel Cavalcanti (à dir.); capitão Salvio (à esq. de perfil)

Aqui, o governador HR, rodeado por segurança policial e eclesiástica, dirige-se a uma festividade. Novamente o modelo xadrez da camisa do primeiro mandatário se destaca.

A segurança militar cabia aos membros da Casa Militar, vendo-se na direção o coronel Cavalcanti Campos. Também se vê o finado Sálvio Belota (então capitão) e alguns subalternos. A corte da Igreja estava representada pelo arcebispo de Manaus, dom Milton Pereira, e monsenhor Francisco Pinto, vigário da Catedral. Amém.

28 de setembro de 2012

A PMAM e saudosos oficiais



Coronel Silva (à esq.), major Achilles (centro) e
doutor Danilo Corrêa, 1967-68
A ilustração reproduz o encontro realizado no quartel da Praça da Polícia, no qual três oficiais da PM trocam amistosa conversa e desfrutam de um “copo de guaraná”. Uma pequena mostra da bandeira nacional, que foi conduzida pela tropa policial em Canudos (1897), hoje disposta no Palacete Provincial, identifica o local dessa reunião.

É que antes do Museu Tiradentes, inaugurado em 1985 e extinto com a desativação daquele quartel, a aludida Bandeira permanecia num escrínio no salão de honra, à entrada do gabinete do comandante.
O local abrigava diversas peças, as mesmas que inauguraram o extinto museu.

Na foto, (à esquerda) encontra-se o coronel José Silva, pernambucano que desembarcou em Manaus, integrando uma tropa do Exército, ao tempo da Segunda Guerra. Era terceiro-sargento. Com o tempo, descobriu que a Polícia pagava mais ou que a cidade era mais “risonha”. Deu baixa do EB e engajou-se na condição de oficial na PM. Era comum essa subida de posto, quando da transferência entre essas entidades militares.

Baixo e gordo, Silva possuía uma característica na relação com os subordinados: tratava-os por “caboco”.

Silva aprendeu depressa os caminhos das pedras, do avanço na caserna. Em oportunidades promissoras serviu na Polícia Civil, quando esta se abrigava na rua Marechal Deodoro. Foi então delegado de polícia. Também comandou a Guarda Civil, a organização subsidiária da PC, com sede na rua Guilherme Moreira, extinta pelo Governo Militar.

O oficial do centro (na foto) era o major Achilles Daltro Pinto da Frota (tio do ex-governador Vivaldo Frota). Dentista formado ainda pela Universidade Livre de Manaus, solteirão convicto, exercia esse ofício no Serviço de Saúde da corporação. Como não havia material odontológico, nosso colega pouco ou nada realizava.  E, para complicar, sofria de artrose nas mãos. Pronto.

Mas, se alguém quisesse “matar” ao major Achilles, o local exato era o extinto bar Balalaika, ali no cruzamento da rua Leonardo Malcher com avenida Epaminondas. Ali, todas as noites, onde possuía mesa cativa, ele sorvia seu uísque.  Fiz companhia ao amigo em várias oportunidades. Aproveitava eu para comer o sanduiche de pernil ou leitão, servido a moda portuguesa. Naquele tempo, eu apreciava uma cerveja, hoje prefiro o uísque.

Um detalhe chama atenção no uniforme do major Achilles. São os distintivos de oficial, então de metal, mas quadriculados. Bem diverso das estrelas hoje exibidas pelos membros da milícia. Foram usados na transição entre o laço húngaro e as divisas em vértice, creio que entre 1967 e ano seguinte. Portanto, este registro fotográfico pertence a essa época.

O terceiro personagem era o doutor Danilo de Aguiar Corrêa, que também passou pelo Serviço de Saúde da PMAM. Médico com clientela formada obteve eleição para deputado estadual. Numa dessas desobrigas politicas ou eleitoreiras, morreu em acidente de aviação. O desastre aconteceu nos barrancos em município do rio Solimões.  

27 de setembro de 2012

Livros publicados em Manaus (1900-60)

Editado pelo Departamento de Estado
de Imprensa e Propaganda, em 1944



Diante de vasto material bibliográfico consultado, tomei a iniciativa de listar os livros que foram publicados em Manaus, no século passado. Para facilitar a exposição, fixei o período entre 1900 e 1960. A razão é bastante simplória. A partir deste ano, em especial com a presença do governador Arthur Reis (1964-67), um volume extraordinário de livros foram aqui lançados. Basta recordar que as coleções deste governo se aproximam de 150 livros.

Meu intento é divulgar os dados básicos das obras e, se possível, a capa; quando não for possível, a folha de rosto. Espero acrescentar algumas informações, como a localização das tipografias, das impressoras. Enfim, onde pode ser encontrado o material impresso.

Surpresas fatalmente devem surgir. Em Manaus, os editores, os frequentadores de “sebo” sabem das dificuldades para se encontrar algum material dessa espécie. Apesar de “catador de papeis” habilitado, não espero revelar “todos” os lançamentos realizados nas seis décadas observadas.  
 
O autor nasceu em Urucará (AM) e o
livro foi lançado na Academia Amazonense
de Letras.  

Ao final, quem sabe, eu possa transformar esse novelo em mais um lançamento. Ilustro a postagem com algumas espécies coletadas.

1908

FARIA E SOUZA, J. B.; SOUZA, A. Monteiro de; e BAHIA, Alcides. A Imprensa no Amazonas (1851-1908). Tipografia da Imprensa Oficial. (Acervo Biblioteca MYM)
BITTENCOURT, Agnello. Contribuição para a corografia política do Estado do Amazonas. Tip. Palais Royal.
Governo do Estado. Catálogo do Estado do Amazonas – Exposição Nacional de 1908. Tip. Palais Royal.
FERRAZ, F. J. da Silva. Através do Amazonas: Manaus ao Javari. Tipografia do [jornal] Amazonas. (Acervo Biblioteca Pública)
MIRANDA, Bertino (B.M.). A cidade de Manaus: sua história e seus motins políticos. J. Renaud. (Acervo Biblioteca Pública)

1942

BATISTA, Djalma. Medicina e estética: discursos de formatura. Imprensa Pública. (Acervo Biblioteca Pública)
MADEIRA, Armando. Ao sair do templo. Imprensa Pública. (Acervo Biblioteca Pública)
MORAES, Aldo. Ouro quebrado (crônicas). Imprensa Pública. (Acervo Biblioteca Pública)
PEREIRA, Nunes. Um naturalista brasileiro na Amazônia. Imprensa Pública. (Acervo Biblioteca Pública)
POGGI, Oder. A campanha da malária no Amazonas; impressões de um sanitarista. Encadernação Moderna. 134p. (Acervo Biblioteca Pública)
VIEIRA, Antóvila M. O perigo amarelo na Amazônia brasileira. Imprensa Pública. (Acervo Biblioteca Pública)

25 de setembro de 2012

A sucessão de Alencar e Silva



Alencar e Silva, bico de pena de J. Maciel,
em Os poetas do Amazonas
Há um ano, em 25 de setembro, morria no Rio de Janeiro, o poeta Joaquim de Alencar e Silva, integrante da Academia Amazonense de Letras. Acabara de completar 81 anos e vinha enfrentando dura luta pela saúde. A vaga aberta com sua morte foi ontem preenchida, em eleição disputada, ao menos, em número de concorrentes: quatro foram os inscritos.

Alencar e Silva, que os mais próximos chamavam de Neto, nasceu em Fonte Boa (AM), em 1930. Realizou seus estudos em Manaus, alcançando o bacharelado pela Faculdade de Direito do Amazonas.  Aos 22 anos lançou seu primeiro livro de poesia – Painéis. Outras publicações foram realizadas, como Lunamarga, 1965, e Território noturno, 1982. Postumamente, em dezembro passado, saiu Quadros da Moderna Poesia Amazonense, pela Editora Valer.
Um pouco adiante, Alencar, ao participar com efusão do movimento literário criado em 1954, tornou-se “uma testemunha privilegiada das ações que transformaram o Clube da Madrugada num marco do fazer cultural no Amazonas” (Tenório Telles). Do Madrugada dirigiu por dez anos a “página literária” deste, encartada aos domingos em O Jornal.
Quando diretor-presidente do Diário Oficial do Amazonas, permitiu que nesse periódico fosse publicada uma página literária, experiência que perdurou enquanto seu mandato foi efetivo.

Na eleição de ontem, quatro concorrentes disputaram a Cadeira 23, do saudoso Alencar e Silva. Venceu o doutor Júlio Antônio Lopes, diretor de A Crítica, com 23 votos. Os demais pela ordem de sufrágios: empresário Rita Bernardino obteve cinco; padre João Batista Mendonça, dois; e Urias Freitas, um voto.  Novamente o jornal A Crítica vê-se recompensado pelos seus elementos; a primeira vez ocorreu na escolha da jornalista Mazé Mourão.

Alencar e Silva, por questões bem mais que plausíveis, decidiu morar na bela cidade do Rio de Janeiro, onde faleceu e foi sepultado.

24 de setembro de 2012

Couto Lopes: centenário


 
Mario Jorge Couto Lopes
Ocorre hoje o centenário de nascimento de Mário Jorge do Couto Lopes, nascido em Manaus (AM), filho de Antonio Farestono Lopes e de Lídia Couto Lopes. Mário foi casado com Creusa Goes do Couto Lopes. Concluiu sua formação superior com o bacharelado pela Faculdade de Direito do Amazonas, em 21 de novembro de 1936.

Nesse estabelecimento de ensino bastante conhecido em Manaus, serviu como secretário até 1941, sendo nessa ocasião substituído pelo doutor Arnaldo Rosas.
Sua inscrição na OAB/AM ocorreu em 11 de fevereiro de 1938. Quando faleceu, em 17 de março de 2001, era o decano dos advogados do Amazonas.
Em novembro de 1935, foi nomeado secretário interino da Fazenda Pública, depois secretário efetivo. Também foi nomeado subprocurador fiscal da Fazenda Pública. E, ainda, secretário de Educação do Estado.
Teve participação na Federação Amazonense de Desportos Atléticos (FADA), quando o mais conhecido dos presidentes desta entidade, Laercio Miranda, assumiu-a em 1955. Couto Lopes compunha o Conselho Superior.
Foi sócio efetivo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, ocupante da Cadeira 27, cujo patrono é J. Batista de Faria e Souza; deste sodalício foi presidente, em caráter temporário, para concluir o mandato de André Araújo, que faleceu em 1975.
Em 1982, quando do centenário de nascimento de padre Agostinho Caballero Martin, os festejos e as homenagens que este sacerdote recebeu dos ex-alunos salesianos e amigos foram dirigidos por Couto Lopes, também ex-aluno do Colégio Dom Bosco.
Morto em 2001, Couto Lopes recebeu até o momento as homenagens: da Prefeitura de Manaus que gravou seu nome uma EMEF, situada na rua Timbiras, na Cidade Nova II. Outra, da prefeitura de Manacapuru que igualmente batizou uma escola rural com o nome de Couto Lopes.
Enfim, outro preito de reverência veio da Alcear (Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas), que escolheu seu nome para patrono da Cadeira 23, do grupo dos Ensaístas. Reconheço que disse quase nada da produção desse centenário homem. Ainda haverá espaço e oportunidade.
O registro aqui vale pela proximidade que dele pude desfrutar e, sim, o reconhecimento pelo seu empenho em várias atividades.

23 de setembro de 2012

As Catraias e a Ponte de Educandos



As catraias, no primeiro plano, com a cobertura de tecido.
Ao fundo, o bairro de Educandos
 
Morador do bairro de Educandos, cujo subúrbio, por décadas, manteve-se cercado de águas, utilizando catraias para se ligar com o centro da cidade, por essa razão, utilizei bastante esse meio de transporte. Mas, que raios são as catraias? Falo de um pequeno barco, geralmente com duas proas, bem resistente e que pode ser conduzido por uma só pessoa. Usado para transporte e outros serviços em portos, baías, doutrina o dicionário Aulete. Aproveito para acrescentar um detalhe: usado também em igarapés, como o de Educandos e de São Raimundo, em Manaus.  

Em Manaus, quem conheceu esse meio de transporte e melhor traduziu esse sentimento com as catraias foi o saudoso sãoraimundense Áureo Nonato (1921-2004). Vivendo no Rio de Janeiro, gravou parte de suas reminiscências no livro Porto de Catraias: um memorial da adolescência (1987).  

Como se pode observar na ilustração, para dar ligeira proteção do solzão amazônico, havia uma cobertura feita de tecido, sustentada por mastros de madeira. Bancos laterais acolhiam os passageiros, que não dispunham de qualquer outra proteção, como os hoje conhecidos salva-vidas. Enfim, a curta viagem levava o passageiro de um lado ao outro do igarapé (pequeno curso de água que, na Amazônia, aumenta e diminui conforme a enchente). Portanto, durante o período de vazante, esse percurso era irrisório. 

No entanto, o bairro de Educandos que já se ligava ao da Cachoeirinha pelas pontes Efigênio Sales e Juscelino Kubistchek, exigia mais. Queria se ligar diretamente ao centro da cidade por mais uma ponte. Veio então a ponte denominada de Padre Antônio Plácido, falecido vigário daquela do bairro, da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.  
 
Ponte Padre Antônio Plácido, vista do centro (à esq.), cujo trecho foi
modificado pela Manaus Moderna


A ponte foi inaugurada em 1975 e, logo, as catraias e os valorosos catraieiros fizeram paulatinamente suas despedidas. Registro aqui minha homenagem.

22 de setembro de 2012

PRAIA DA PONTA NEGRA


O próximo domingo, 23 de setembro, ainda terá a praia da Ponta Negra, o balneário público de Manaus, fechado ao público. Os técnicos lutam para recompor a obra que prometia à sociedade uma praia definitiva, a fim de superar a praia oferecida sazonalmente pelo rio Negro. A tecnologia da prefeitura continua lutando, mas, ainda vai dá certo. 

Exponho algumas ilustrações, que mostram como se divertiam os manauenses naquele local, entre as décadas de 1960 e 1970. 
Em 1966, ao tempo existia na "bola" da entrada
o restaurante rústico do seu Milton. Abaixo, em 1969



O barco regional domina a praia, em 1970. Abaixo, em 1972,
ainda com barcos e gente.

21 de setembro de 2012

Corrida pedestre Henrique Archer Pinto



Foto do pódio da prova realizada em 1970. Sargento Jurandir,
com a faixa de campeão, está ladeado por mais dois policiais.
Durante anos, esta prova de resistência foi mantida pelo O Jornal e o Diário da Tarde. Extinto o grupo Archer Pinto, a corrida passou à gerência da TV Amazonas, do grupo Daou, depois de um lapso de tempo fora do calendário.

Ao lado desta, que acontecia em outubro, para festejar o aniversário de O Jornal, ocorria a prova ciclística Aguinaldo Archer Pinto (creio eu).

Membro da Polícia Militar do Estado, “participei” de inúmeras dessas provas, claro que, na condição de segurança. Era óbvio que sempre torcia pelos atletas da corporação, os quais, sem dúvida sempre estiveram no pódio.

Aproveito para lembrar a participação da PMAM em vários certames. Em especial, de futebol. Não foram poucas as sovas que a agremiação da praça da Polícia aplicou em contendores das forças federais. Havia uma explicação para a existência de uma bem treinada equipe de futebol: jogadores de clubes de futebol (como Nacional, Rio Negro, América), no tempo do profissionalismo marrom,  pertenciam aos quadros policias, tanto da PM quanto da PC (polícia civil).

Quero aqui lembrar um centro avante do Nacional, Pretinho, que deixou seu nome no time “mais querido”, quando este era mais profissional. Agora, na quarta divisão, o Naça tornou-se uma assombração. Pretinho foi soldado da Polícia Militar durante anos, ou até quando conseguiu uma vaga, vencendo mais, na Portobras. Acredito que o www.bauvelho.com.br pode nos ajudar melhor.

De volta à corrida Archer Pinto. Deixo este registro com a alegria de ter visto grandes vencedores e, em nome do sargento Jurandir, cumprimento todos policiais-atletas que suplantaram os tantos quilômetros de prova, em nome do esporte e em nome da Polícia Militar do Amazonas.

19 de setembro de 2012

EDUARDO RIBEIRO: 150 ANOS


Recorte de A Crítica, de ontem
Ouvi um jornaleiro do Canto do Quintela dizer, diante da programação da secretaria de Cultura sobre Eduardo Ribeiro, que Manaus cresceu apenas com dois governadores, coincidência, ambos batizados de Eduardo. Mais coincidências: ambos forasteiros, ambos engenheiros, ambos senadores (um eleito, mas não empossado).
Estou me referindo à iniciativa cultural do Governo em relembrar os 150 anos de nascimento de Eduardo Ribeiro, o governador do final do século XIX (1892-96), início do período republicano.
Efetivamente o construtor do Teatro Amazonas marcou a cidade, ainda mais com sua morte (14 outubro), ainda em nossos dias inexplicável. O proprietário da chácara Pensador (hoje hospital de alienados), em Flores, era um homem solteiro, sem encargos, cercado de áulicos e bajuladores, que soube angariar e colecionar bens, dai que, ao morrer, legou uma expressiva riqueza.
Pertencente ao acervo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), ali repousa o inventário judicial deste maranhense. Em bom estado, é possível ler com todas as letras o arrolamento de móveis e imóveis, de prataria e dragonas, de talheres e animais, enfim, a riqueza daquele morto valorizada em réis. Impressiona pela abundância, pela batelada.
Recorte do jornal A Crítica, de ontem
Mais impressionante, todavia, foi a maneira de sua “dilapidação” arrimada pela justiça. Ou seja, no inventario lê-se inúmeros recibos de cobranças, as mais estapafúrdias. A mãe do morto apareceu, vinda do Maranhão, e deve ter se contentado com alguma mixaria. Depois, sumiu, desapareceu da história, nos desvãos da mesma história. Não se conhece alguma notícia dela ou de qualquer parente.
Creio que houve o imperativo de apagar a presença de Eduardo Ribeiro, pois até o registro do óbito inexiste. Não foi realizado, portanto, não foi necropsiado. Explico: aquele ex-governador foi enterrado no cemitério São João sem que fosse expedido pelo 1º Cartório de registro da pessoa natural, então o único existente na capital, a certidão de óbito. Já estive na sede deste, agora na rua Leonardo Malcher, para recolher a segunda via, e necas... Não se diga que a folha foi suprimida, rasgada, arrancada. Não, aquele morto não devia ter amparo legal.
Material de divulgação do
Museu Eduardo Ribeiro,
publicado em A Crítica, de ontem
Tudo que lhe pertencia, registrado no substancioso inventário, evaporou, afinal o calor manauense deve ter essa propriedade. De tal modo que não existe qualquer objeto pessoal de Eduardo Ribeiro no museu que leva seu nome. Tudo acolá exposto foi adquirido fora de Manaus pela Cultura do Amazonas.
Não se engane, pois, caro jornalista ou eminente visitante com as aparências do museu. A Cultura com esta lembrança deseja explicar a existência da Casa de Eduardo Ribeiro como sede da Academia de Medicina do Amazonas. 

Deu nos jornais de hoje*

Folha principal de A Crítica, 18 set. 2012

A quantidade estupenda de multas aplicadas em Manaus, 84 mil em oito meses, média de dez mil mensal e “345 infrações por dia”, mostra algumas veracidades. A reportagem não informa o número de veículos em circulação, para que se possa estabelecer melhor comparação. Seria adequado que o motorista não cometesse qualquer infração. A propósito,  Ruth de Aquino (revista Época), em “A bandalha do acostamento”, mostra que o descalabro do trânsito é nacional.
Aqui na terra de Ajuricaba, a gente (onde me incluo) em questão de circulação de veículos vem fazendo o que quer. Isso mesmo. A gente realiza o que bem entende e como entende. Exemplificar é tão fácil: estacionar, avançar sinal, contramão, enfim, a própria quantidade de multas consolida a assertiva.
Que fazer, pergunta-se. Educar o motorista, não basta! Há necessidade da atuação do poder fiscalizador, do Detran sobre as escolas formadoras (suspeitas, por excelência) de condutores;  do Manaustrans e Imtrans sobre a circulação de carros.
Outra contribuição para o caos, a bagunça cometida pelas mudanças abruptas efetuadas pelo governo da PMM, de Amazonino Mendes. Farto exemplo encontra-se na movimentação da av. Sete de Setembro, uma, tentada no início do atual governo municipal, outra, em decorrência da enchente recorde e recente.
Ainda outros detalhes sobre a atuação da prefeitura: raras foram as placas indicativas ou as de orientação ou as de advertências instaladas na cidade. Sinalização de mão de direção, então, nem pra remédio. Por tudo isso, explicam-se as aberrações cometidas no trânsito e a quantidade de multas.
Recorte da autuação enviada pela Manaustran

Bem ou mal, também eu contribui com essa cifra, para essa bandalha. Como sei? Acabo de receber uma notificação (ilustração) acusando-me de “deixar o passageiro de usar o cinto de segurança”. A tragédia aconteceu às 17h15 da sexta-feira, 24 de agosto. Local do desastre: “av Sete de Setembro oposto ao n 1599”.
Diante do inusitado, peço ajuda a alguém. Se não me lembro do que realizei ontem, como recordar o “passageiro(a)” que estava no meu carro há três semanas.  Como vou apresentar defesa prévia em ato onde somente vale a palavra do agente de trânsito. Não há foto comprobatória da infração. Portanto, trata-se da palavra da autoridade contra a do infrator.
Obrigado pelo seu F1 (ajuda).

PS. No título, onde se lê hoje, leia-se ontem. É que estando prestes a postar o texto, fui atingido pelo “milésimo” apagão do governo Lula/Dilma. Paciência?!

17 de setembro de 2012

O “Amazonas” - fundador da imprensa no Amazonas


 
Ainda do livro A Imprensa no Amazonas, editado pelo governo do Estado, em 1908, para celebrar o primeiro centenário da imprensa no Brasil, recolho o material sobre o fundador da imprensa em Manaus.
Detalhe da capa do livro
 
*  *  *
 
Redigiam o Amazonas, por essa época, os drs. José Maria de Albuquerque Mello, então Chefe de Polícia, e Luiz Coutinho, Bento Aranha, professor público, e Antônio Cunha Mendes.

O primeiro suplemento apareceu acompanhando o número 10, de 8 de setembro, ainda de 1866, declarando o Amazonas em sua edição de 15 do referido mês, o seguinte: Expediente. Tendo nós contratado com o governo da Província o expediente oficial, temos de fazer publicar o “Amazonas”, em todas as quartas-feiras, de tarde, o que declaramos para ciência dos nossos assinantes e mais pessoas a quem possa interessar.

No seu número 12, de 18 de setembro, começou a publicar o expediente do governo da Província, mediante o contrato que firmara o seu proprietário para tal fim.

A 2 de janeiro de 1867 foi publicado o segundo folhetim de Baré Manao, estando a folha no seu número 20, entrando, por esse tempo, para a redação o dr. Manoel José Domingues Codeceira, secretário do governo da Província. No número 34, de 6 de fevereiro, surgiu a seção “Revista Mensal”, de Aldeão, contendo o resumo dos fatos mais importantes do mês anterior. O pseudônimo Aldeão era usado pelo dr. Luiz Coutinho que, com Bento Aranha, se revezava na feitura dessa crônica.

Na data acima a tipografia fundiu-se com a da Voz do Amazonas, declarando o então Amazonas que, desde então, os assinantes daquele periódico receberiam este, ficando considerados como assinantes seus, salvo declaração em contrário. (...) A 4 de abril de 1867, com o número 43, mudou o formato do título, tornando-se órgão oficial a 1º de maio, com o número 48. No número seguinte, de 8 de maio, retirou a declaração de ser órgão oficial.

Contava então o semanário com a colaboração de Antônio Epaminondas de Mello [presidente da Província]; Romualdo de Souza Paes de Andrade; Antônio David de Vasconcelos Canavarro [médico] e Domingos Soares Ferreira Pena. A 28 de abril, Antônio da Cunha Mendes firmou o segundo contrato com o presidente da Província, Antônio Epaminondas de Mello, e a 24 de maio assinou com a mesa da Assembleia Provincial outro contrato para a publicação das atas das sessões.

A 13 de junho o Amazonas passou a ser propriedade da firma Antônio da Cunha Mendes & Filhos e, em novembro, a tipografia, que funcionava à rua 5 de Setembro [atual Henrique Martins] nº 4, mudou-se para a rua Brasileira [hoje Sete de Setembro], casa próxima a ponte do Aterro, hoje praça da Constituição [praça da Polícia].

A 29 de fevereiro de 1868 principiou a inserção dos folhetins intitulados “De fio a pavio”, de Guilherme Trovoada, entrando, nessa época para a redação o então capitão do exército Estevão José Ferraz [na condição de deputado provincial foi o autor do projeto que recriou a Polícia Militar no Amazonas, em 1876].

No mês de março, a tipografia foi mudada para a rua da Palma (hoje Saldanha Marinho), canto da travessa da União (hoje rua Affonso de Carvalho) [agora rua Rui Barbosa]. A 26 de junho foi renovado o contrato com a Assembleia Provincial e a 29 de agosto, o sr. Cunha Mendes retirou-se da cidade, substituindo-o nos seus serviços na folha o administrador das oficinas, Raymundo Pereira da Silva Lobo, cognominado O Capucho. Por falta de papel de impressão, o semanário diminuiu o formato a 3 de outubro, voltando ao tamanho primitivo somente a 26 de setembro de 1869. (segue)

16 de setembro de 2012

Lançamento de selos


Capa do Edital
Ocorreu no sábado 15, no salão de honra do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), a sessão de lançamento de selos comemorativos, que integram a série América – Mitos e Lendas: Guaraná e Mandioca.
O ato que assisti (como integrante do IGHA e filatelista aposentado) contou com a presença da diretora regional dos Correios, Luquesia Paes; do presidente do IGHA, Geraldo dos Anjos; do presidente do Clube Filatélico, Altino, e vários associados.
Os selos dizem respeito a lendas amazônicas, por isso, o lançamento aconteceu simultaneamente em Manaus e Belém. Para explicar a lenda do guaraná, falou o presidente do IGHA, que leu um circunstanciado trabalho coletado pelo acadêmico Nunes Pereira. O selo sobre essa lenda, com valor de face de R$ 1,85, apresenta, ao fundo, a mãe e, em primeiro plano, o curumim, a serpente, que representa o espirito do mal. Vê-se ainda a planta do guaraná.
Mas, em se falando de guaraná, no Amazonas, há uma assimilação com o município de Maués, onde se encontram a maior plantação desta planta nativa da região amazônica. Por isso, a distribuição de material de propaganda daquela prefeitura.
O outro selo, sobre a lenda da mandioca, com o mesmo valor de face, teve a apresentação de Antônio Loureiro, vice-presidente do IGHA e filatelista competente. O selo mostra, em primeiro plano, a mãe com seu filho nos braços; em outro plano, a planta da Mandioca, “que brotou de Mani”.
É conveniente registrar que este foi o primeiro acontecimento desta natureza, ou seja, a obliteração de selos. A primeira obliteração foi realizada pelo acadêmico Arlindo Porto, presidente da Academia de Letras. Outra meia dúzia de obliteração foi realizada. A festa foi encerrada entre fotos e um simpático coquetel.
Página do folder distribuído pela
Prefeitura de Maués
 

15 de setembro de 2012

CENTENÁRIO DE VIOLETA BRANCA


Violeta Branca
Ocorre hoje o primeiro centenário de nascimento da poeta Violeta Branca, nascida na Manaus bellepoquiana. Era filha de José, oficial do Exército, e de Tarcila Hermínia Menescal de Vasconcelos.
Nenhuma festa, comemoração ou nota jornalística foi promovida pelos seus conterrâneos. Tampouco as entidades culturais, como a Academia Amazonense de Letras, que a acolheu em 1949, tornando-a a primeira mulher no Brasil a pertencer a uma academia de letras.

Apesar do Dicionário... de Almir Diniz, havia dúvida sobre essa data: criam os acadêmicos amazonenses que ela nascera em 1915, porque se dizia que a publicação de seu primeiro livro – Ritmo de inquieta alegria, ocorrera quando a jovem poeta possuía apenas 18 anos.
Não foi difícil sanar tal incerteza: visitei, isso mesmo, eu fui ao Cartório do 1º ofício do registro de pessoa natural. Lá se encontra o registro de Violeta (Branca, seria apelido doméstico? consolidado com o sucesso do primeiro livro?).

Moradora do Rio de Janeiro por anos, Violeta Branca representou o silogeu amazonense junto a Federação das Academias de Letras do Brasil, durante anos. Nesta cidade, morreu em outubro de 2000. Dois meses depois, a Casa de Adriano Jorge, na presidência de Max Carphentier, efetuou sessão solene para celebrar a primeira mulher acadêmica.

13 de setembro de 2012

Convites para o fim de semana


 
Sexta-feira, 14

CHÁ DO ARMANDO

Depois da pausa patriótica de 7 de setembro, a comunidade chavista volta a se reunir no horário de praxe.


 

APRESENTAÇÃO DE CORAL

No Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (ICBEU), às 20h30

 
LANÇAMENTO DE LIVRO
 
Senhoras da Justiça,
de autoria da desembargadora Graça Figueiredo.
DATA: 14 de setembro de 2012
HORÁRIO: 19h
LOCAL: Livraria Saraiva do Manauara Shopping
Av. Mário Ypiranga Monteiro (antiga Recife),

Sábado, 15

 

LANÇAMENTO DE SELOS

No Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA).

às 10h30, seguido de coquetel.
 

 

LANÇAMENTO DE LIVRO

Programação Bemol de Educação do Consumidor

Bemol do Amazonas Shopping, 11h

12 de setembro de 2012

LUIZ BACELLAR (1928-2012)

A morte e a morte de Luiz Bacellar
(notas ligeiras sobre os primeiros 174 dias de morte do poeta)

Zemaria Pinto

Zemaria Pinto
 No dia 19 de março de 2012, pouco mais de 13h00, uma idiota, estacionando, atropelou Luiz Bacellar, que esperava, no meio-fio, o momento de atravessar a Ferreira Pena. Sua perna direita partiu-se em quatro pedaços. Ali começava a morte de Luiz Bacellar.

Levado ao SAMEL, um serviço particular, o escritor foi atendido com presteza, sendo preparado para a operação de colocação de pinos e placas, que ligariam de volta os ossos de sua perna, o que só aconteceria cerca de um mês depois.

Após a recuperação, no dia 02 de maio, Bacellar foi para a Fundação Dr. Thomas, um órgão mantido pelo município de Manaus, onde ficou na enfermaria.
A opção pela Fundação era simples: Bacellar morava em um apartamento, onde teria que subir vários lances de escada. E, além disso, precisaria de cuidados 24 horas por dia. Como ele optara – há muito tempo – por viver sozinho, foi levado, sob protestos, ao Dr. Thomas.

Em julho, quando, apesar de muito debilitado, já estava até caminhando, com o auxílio de um andador, uma série de exames médicos colocou-o sob a suspeita de tuberculose. Foi, então, levado ao Hospital de Doenças Tropicais, onde o diagnóstico mudou radicalmente: câncer no pulmão, com metástase para outros órgãos.

Mais alguns dias de volta à Fundação e Bacellar foi levado ao CECON – especializado em oncologia, onde ficou por mais de um mês, tendo retornado ao Dr. Thomas na segunda metade de agosto.

No dia 06 de setembro, sentindo muitas dores e apresentando um quadro de convulsão, Bacellar foi levado de volta ao CECON, de onde saiu no dia 09 de setembro, para ser velado em uma funerária particular. Deixara de respirar pouco depois das13h00, exatamente 174 dias depois do início da agonia. No dia 10, com a presença de uma pequena multidão de amigos, foi sepultado no mesmo jazigo onde fora sepultada sua mãe, no cemitério São João Batista.  
Luiz Bacellar
Este é o histórico da agonia, que se prolonga, agora, mesmo com o poeta vivo apenas em nossa lembrança e eternizado em seus poemas. Agonia motivada pela irresponsabilidade e inconsequência de uns poucos.

Alguns jornais impressos e alguns blogs, no dia 10 de setembro, atribuíram a um secretário de estado uma declaração que o faz – ao secretário – parecer mentiroso e lambanceiro. Para preservar a honra e a dignidade do tal secretário, vou relatar a verdade, tal como ela de fato aconteceu – e que pode ser checada com gente da estatura moral de Ronaldo Bonfim, Tenório Telles, Jane Cony e Elson Farias, entre tantos outros.

O secretário teria dito que “o governo do Amazonas tomou todas as medidas necessárias para tentar reverter o quadro de saúde de Bacellar.” Disse também que “o governo informou à família que custeará todas as despesas do sepultamento, assim como acompanhou todo o tratamento médico dele.”  

Os fatos:

Desde o dia 19 de março até o dia 10 de setembro – do acidente até o enterro – nenhuma secretaria ou qualquer órgão público gastou um centavo de real com a saúde de Luiz Bacellar.

1 – O serviço médico e a estada no SAMEL foram cortesia da direção daquela instituição;
2 – Os pinos e placas usados na perna avariada foram pagos com recursos do próprio Luiz Bacellar (não vou dizer o valor para não envergonhar os pretensos benfeitores);
3 – O Dr. Thomas, o Tropical e o CECON são instituições públicas, que jamais cobraram por qualquer serviço prestado a Bacellar;
4 – Para ter cuidadores 24 horas por dia, Bacellar pagava do seu próprio bolso os serviços desses profissionais, além de contar com um time de voluntárias – o que valeu para as temporadas no Tropical e no CECON;
5 – O serviço da funerária foi pago com recursos de uma das irmãs do Bacellar, que fez questão de respeitar sua vontade, declarada em um documento datado de 25 de agosto, que se resume ao seguinte (copio o documento, por isso a primeira pessoa):  

A – Não quero ser velado em nenhum espaço público; por conseguinte, desejo ser velado em um local particular, sem pompa nem circunstância;
B – A propósito, desejo que minha urna seja a mais simples possível;
C – Dispenso antecipadamente quaisquer manifestações públicas de apreço, que desejo reservadas apenas a meus amigos sinceros.  

Portanto, nenhuma instituição e nenhuma pessoa física, além da irmã citada, desembolsou qualquer quantia, mínima que fosse, para o tratamento de Luiz Bacellar, custeado com as escassas economias do escritor.
Mente e prevarica quem disser o contrário.  

Agora, abutres, deixem que o poeta descanse em paz. 

PS: sobre as últimas palavras de Bacellar terem sido que “queria se encontrar com Jesus”, trata-se de uma falácia evangélica: o velho Dom Luiz jamais diria tal sandice. Nem pra fazer piada.  
Extraído do www.palavradofingidor