CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, julho 25, 2026

DIA DO ESCRITOR

 

Após breve dúvida, para comemorar o Dia do Escritor, revisei meus arquivos sobre o in memoriam  Ramayana de Chevalier (1909-72 ), que, no decorrer de 1961, há 65 anos, publicou crônicas e artigos no extinto jornal A Gazeta. Quase encerrando aquele ano, Chevalier demonstrou sua erudição ao comentar “A Raposa e as Uvas”, peça apresentada no Teatro Amazonas pelo Teatro Escola.

Ramayana de Chevalier

 BEBE O MAR, XANTÓS!

 Ramayana de chevalier

A GAZETA, 19 de dezembro de 1961

 

QUANDO as centelhas do primeiro relâmpago rasgaram os céus, entre massas de nuvens e pavores eternos, duas criaturas se digladiavam, filhos do mesmo Deus, o Anjo do Bem e o do Mal, enquanto dentro da caverna, começava a se esboçar, no alto do monte, a palavra mágica de Zaratustra. O que Nietzsche fixou, milênios depois, significa o nascimento do teatro. Essa luta milenária é o sangue e a voz do teatro.

Ainda estou emocionado, até agora, com a reapresentação de A Raposa e as Uvas, poema de profunda crispação estética, filho do talento de Guilherme Figueiredo. Se o Novo Amazonas pode ser afirmado, em realidade, é num momento desses. Aos saudosistas, não resta senão um gesto de compreensão. Jamais, em todo o nosso passado artístico, tivemos uma tão profunda demonstração de pujança intelectual, de criação interpretativa, do que durante o drama grego, da autoria daquele inolvidável Guilherme Figueiredo, nos nervos da equipe amadorista do nosso Teatro Escola.

A vida, no seu conturbado mistério, que se confunde com o mistério do teatro, na apreciação de Jean-Louis Barrault [1910-94, ator francês], a destinação dos sábios, o prêmio transitório da fortuna à mediocridade, a intriga dos simples e, ao cabo de tudo, o imenso triunfo do Amor, em toda a sua plenitude, a vitória do Espírito sobre a Matéria, assim é o desenrolar dessa peça maravilhosa, lição, diversão e glória. Com o Ponto a cargo de Geraldo Xavier e a direção de cena sob o comando de Aldemar Bonates e Francisco Aragão, a peça se mostrou ao nosso povo, que a aplaudiu delirantemente durante vários minutos, por duas vezes, com o cenário sóbrio, elegante, real e harmonioso, sobretudo histórico e sugestivo. É uma residência grega de um filósofo rico, com toda a vertiginosa beleza do seu tempo.

O ponto alto da representação é a figura monstruosa de Esopo, revelado pelo talento de Alfredo Fernandes. A caracterização, a justeza de atitudes, a presença do corcunda que, como um Caliban, horripila pelos olhos, mas que é um Ariel no espírito, tudo se reuniu para dizer da alta dramaticidade, da voz segura e impostada, do sucesso rigorosamente perfeito do intérprete do feio samósata. Hélio Azaro esteve magnifico. Xantós, o filósofo, através do seu talento cênico, revive e entusiasma, dá-nos a ideia nítida da fraqueza humana em todos os tempos, a exaltação da vida luxuriosa e fútil, a enorme lição da desumanidade vencida. Mauricio Wanderley, no Etíope, está bem posto, discreto e sincero, enquanto Carlos Araújo, em Agnóstos, é uma expressão teatral de porte soberbo. Terezinha Tribuzzi, em Melita, admirável corporificação das grandes passionais da Hélade antiga, dá-nos um papel natural, elegante, sutil, capaz de emocionar nas horas amenas de convívio com Xantós, como nos lances dramáticos de dedicação ao seu amor oculto. Ao seu lado, Ana Maria Araújo, numa Clea radiosa, viva, bela e espontânea, figura imponente de uma Grécia que nos deu Parmênides e nos deu Safo, honrando ao elenco.

O conjunto excedeu a todas as expectativas. Houve uma alma de santo passeando pelos corredores, afagando sacrifícios, velando, ora a assistir para ajudar, ora a viver os papéis antes de explicá-los, ora a desaparecer na sua modéstia, como a luz das cavernas, que ilumina sem ser pressentida: Américo Alvarez, um dos diretores artísticos do Teatro Escola Amazonense de Amadores. Mas o Amazonas, como sempre, deve tudo aos que aqui chegam, para cumprir um fadário, e terminam enleados na tremenda realidade telúrica e morrendo numa saudade doce e eterna.

O Amazonas deve o sucesso de A Raposa e as Uvas, a dois espíritos de brasileiros de outras paragens. Um deles, esse inefável e indescritível Gebes Medeiros, dínamo de capacidade invulgar, sonhador incorrigível, dono de uma extraordinária inteligência criadora. Veio de Alagoas e luta, com um punhado de heróis, pela grandeza de nossa cultura. O seu esforço, à frente do Teatro de Amadores, comove. Sou um decidido e obscuro voluntário do seu exército de párias, aplaudindo-o freneticamente. Em Gebes, quando se o aplaude, não se o faz a um homem em carne e osso, mas a uma materialização de artista, de todos os tempos, hábil e bom como um veio d’água.

E, como os veios d’água, ele se deixa atravessar pela luz, fixando-a nas suas cores e no seu brilho. A outra criatura a quem o Amazonas já muito deve, nesta fase de ressurreição estética, é uma paulista, de sangue misturado como as águas do Amazonas: Úrsula de Noronha Santos. Esposa do engenheiro Noronha Santos, que luta, ao lado de outros técnicos, por dotar Manaus de um sistema luminoso moderno, Úrsula é um talento recortado de um álbum de Fra Angélico. Nunca deixará de ser criança, pois só às crianças é dado sonhar com as coisas de Deus. Foi ela a autora daquele cenário maravilhoso, uma das diretoras artísticas do conjunto, interferindo nos gestos, na mímica, na voz, na conduta e nos ensaios dos atores. Foi ela a sombra meiga que se devotou a uma causa, cujo sentido, só os altos espíritos podem compreender. Num momento em que se dá tanto título de “cidadão do Amazonas” a quantos elementos mal se conectam com a nossa vida interior, com as vibrações do nosso espírito planiciário, urge que deputados, bem intencionados, outorguem esse título a esses dois brasileiros de outras paragens, unindo-os espiritualmente a nós, para toda a vida.

Ao Governo do Estado, que se entusiasma tanto com as realizações legítimas, que nos honram e nos enobrecem, um apelo: que o Teatro Escola Amazonense de Amadores saia por esse Brasil, mostrando aos patrícios, o que já conseguimos pela cultura e pela inteligência, levantando-nos do nada, erguendo-nos da crise, vivendo pelo espirito e pela Arte. Isso é fazer um Novo Amazonas, superior ao antigo, maior, bem maior do que o das eras do oiro e do champagne, como afirmação de sentimento, de estudo e de cultura. O que eu vi no Teatro Amazonas me deixou completamente em êxtase. Natacha, contemplativa, estava de lágrimas nos olhos, a mais bela homenagem ao gênio dos intérpretes caboclos. ***

terça-feira, fevereiro 21, 2023

EFEMÉRIDES AMAZONENSES (1)

 No corrente mês foram registradas as seguintes datas “redondas”, que recolhi das efemérides amazonenses.

Há 20 ANOS

Em 1º de fevereiro

Faleceu em Manaus, Gebes de Mello Medeiros, nascido na capital de Alagoas em 13 de setembro de 1915. Bacharelado pela Faculdade de Direito do Recife, turma de 1944. Nesse mesmo ano, integrando uma comitiva daquela festejada Escola, foi recebido em Manaus pelo interventor Álvaro Maia. Nesse passeio, encantou-se pela capital do Amazonas, de forma que prontamente retornou. Integrou o Ministério Público, onde foi aposentado como Procurador. No exercício deste órgão, atuou por longa temporada na Auditória da Polícia Militar.

Ligado à atividade teatral, aqui teve a oportunidade de expandir esta arte, tendo instalado alguns grupos inerentes. Certamente o mais destacado foi o Teatro Escola, inaugurado em 1957 com a peça Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, no Teatro Amazonas. A par dessa atividade, Gebes Medeiros publicou dois romances: Fim de mundo sem fim e Linha do Equador. Desse modo, foi acolhido pela Academia Amazonense de Letras, eleito para a Cadeira 25, e recepcionado em 13 de setembro de 1994.


Igreja de Nossa Senhora de Nazaré,
em Adrianópolis - Manaus

 

Em 03 de fevereiro

Faleceu na Itália, aos 82 anos de idade, o padre Francisco Luppino, PIME, que exerceu seu ministério por longa data em Parintins, tendo recebido desta cidade a homenagem na Escola SESI Padre Francisco Luppino. Na década de 1960, foi pároco da igreja de Nossa Senhora de Nazaré, em Adrianópolis.

 

Em 19 de fevereiro (quarta-feira)

Em jogo noturno realizado no estádio Vivaldo Lima, válido pela Copa Brasil, o São Raimundo EC derrotou o São Paulo (SP) por 2x0. O time paulista jogou completo, inclusive com seus pentacampeões: Ricardinho, Rogério Ceni e Kaka. Observando os patrocinadores, diria que as desconhecidas Lojas Rozenha (patrocinadora do Mundico) derrotaram a globalíssima LG, que ilustrava o uniforme paulista. Bom público, de mais de 39 mil pagantes, assistiu a peleja futebolística.


Recorte do Jornal do Commercio (21 fev. 1973)
 

Há 50 ANOS

Em 14 de fevereiro

Assumiu o comando da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), o tenente-coronel (do Exército) Lucy Vicente Coutinho de Castro, comissionado no posto de coronel PM. Coube a este oficial a tarefa de implementar o serviço de combate a incêndios, com a transferência do Corpo de Bombeiros Municipais para o âmbito da corporação estadual. A partir desta iniciativa, a capital do Amazonas passou a contar com um serviço mais eficiente, cuja proteção em nossos dias, estendida a alguns municípios, encontra-se a cargo do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM). Deixou o comando em abril de 1975.

 

Há 130 ANOS

Em 19 de fevereiro

Nasceu no seringal Goiabal, em Humaitá (AM), Álvaro Botelho Maia. Obteve o bacharelado pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1917. Como jornalista e professor, impressionou pela competência, tanto que foi escolhido por Getúlio Vargas, por ocasião do golpe de 1930, para assumir o governo do Amazonas, que durou o longo período ditatorial getulista. Depois governador, por voto direto, governou o Estado entre 1951/55. Deixou uma vasta gama de publicações em jornais, porém, foram contados seus livros, alguns: Banco de Canoa (1963), Defumadores e Porongas (1966). Há um trabalho literário lido no Teatro Amazonas, que não podemos olvidar – A Canção de Fé e Esperança (1923).

sábado, setembro 12, 2020

MANAUS E SEU PRIMEIRO SUPERMERCADO

A inauguração deste serviço ocorreu em 26 de julho de 1963, ocupando parte do térreo do edifício situado na esquina da avenida Sete de Setembro com a rua Marechal Deodoro. Para identificar o local, hoje nele se encontra a loja de eletrodomésticos Novo Mundo. 
A descrição da solenidade, com o capitão Pedro Américo, ajudante de ordens, representando o governador Plínio Coelho, me lembrou outra inauguração de outro primeiro supermercado. Este fato aconteceu no município do Careiro Castanho, 20 anos depois, e nesta oportunidade fui eu, subchefe da Casa Militar, quem representou o governador Mestrinho. 
Sumesa (Super Mercado SA) foi a denominação de nosso primeiro supermercado, e a expectativa dos donos era sua expansão pela cidade. No entanto, ignoro quando encerrou suas atividades, mas tenho certeza que nao passou da primeira loja. 

Recorte de O Jornal, 27 julho 1963

Em expressiva cerimonia inaugurou-se ontem, às 18 horas, na forma do anunciado, o primeiro supermercado da SUMESA em nossa capital.

O ato contou com a presença do capitão Pedro Américo (representante do governador Plinio Coelho), prefeito Josué Claudio de Souza, dom João de Souza Lima, srs. Jacob Benoliel, presidente da Associação Comercial, Danilo Areosa, presidente da Federação do Comércio, deputado Anfremon Monteiro, presidente da Assembleia Legislativa, vereador José Araripe, além de personalidades outras do comércio, da indústria, figuras da sociedade e grande massa popular.

Coube ao capitão Pedro Américo cortar a fita simbólica e fazer funcionar, juntamente com o prefeito da cidade, as borboletas que permitem o acesso ao salão de vendas.

Oferecendo o supermercado para o povo de Manaus falou o dr. Gebes de Mello Medeiros, cujo discurso abaixo transcrevemos. Ato contínuo, dom João de Souza Lima deu a benção ao novo entreposto de comércio, desejando perenes felicidades aos promotores da iniciativa, destacando-se o senhor Diógenes Santos.

Em seguida, foram servidos frios e gelados as autoridades, convidados, acionistas e populares. 

Está assim consubstanciado o discurso do dr. Gebes de Mello Medeiros: 

Um grupo de homens de negócios que tem a sua existência voltada para o progresso da terra, manifestou o ideal de  solucionar um dos problemas mais sérios que nos aflige: abastecimento para nossa população com rotação extremamente rápida dos seus estoques e diminuição dos preços, apesar das dificuldades que todos nós conhecemos motivados pela escassez permanente de transportes. Mesmo assim, pensaram maduramente no plano salvador e através de uma Sociedade Anônima, com a sigla de SUMESA (Super Mercado SA), ideia nascida nos Estados Unidos da América do Norte em 1930, e que hoje se propaga por quase todos os países do mundo, numa manifestação de domínio pela baixa de preços, marcando ainda aos seus clientes produtos de pronta saída com volume sempre maior e por preços inferiores ao geralmente estabelecidos.

O Amazonas, que há oito anos deixou o marasmo da improdutividade, através de jovens governantes Plinio Coelho e Gilberto Mestrinho, impôs mais confiança aos nossos homens do comércio, a ponto de vermos hoje nossa cidade com uma rede casas bancárias e co perspectiva de mais cinco, ampliando assim crédito fácil e rotativo para aqueles que desejam trabalhar pela grandeza da Amazônia legal que deveria ter como sede o nosso Estado. (...)

Hoje o Amazonas inaugura o seu Supermercado, integrando-se a essa rede de alto serviço coletivo e as nossas donas de casas com esse método de comprar terão prazer de escolher os nossos artigos sem a impertinência dos caixeiros ou balconistas, economizando tempo, dinheiro, e comprando muito e gastando pouco. (...)

Eis o vosso Supermercado. Que a população nos dê a preferência e dentro em breve instalaremos outros conjuntos em diversos bairros, fazendo com que Manaus se integre em definitivo à rota do progresso e esquecendo os métodos antigos de comércio, modernizando-se aos outros mais adiantados.

quarta-feira, outubro 31, 2018

LINHA DO EQUADOR

Linha do Equador refere-se ao livro de Gebes Medeiros, lançado um pouco antes. Nesse tempo, o autor, Ramayana de Chevalier, era secretário de Administração de Gilberto Mestrinho (1959-63), e escrevia para o jornal A Gazeta, cujo texto ocupava o alto da primeira página.


Este artigo, publicado em 31 de outubro, ocorreu há exatos 57 anos. Outro pormenor: não obstante as referências de Ramayana ao amigo, indicando-o ao sodalício amazonense, a posse de Gebes Medeiros na Academia de Letras ocorreu 33 anos depois, em 13 de setembro de 1994. Doutor Gebes morreu em 2003.  






Foi um acontecimento singular, para a nossa pacata vida provinciana, o lançamento do livro do escritor Gebes Medeiros [Linha do Equador]. Os homens são, sempre, a projeção das suas obras, ou mais concisamente, um substrato daquilo que produzem, em arte e em emoção. Estou a ver daqui, o Gebes que nos chegou de outras paragens, tangido pelo determinismo. Era um jovem iluminado pelo entusiasmo, cheio de uma hipertensa vontade de empolgar, de oferecer, de construir. Ouvi falar dele, como de um arigó simpático e dadivoso. Veio de envolta com as semicolcheias, e as da selva o retiveram, para sempre.

Gebes vinha do Nordeste. Trazia, para o meu coração, um sinal indelével e admirável. Vinha das Alagoas, terra macha, de gente sisuda e brava, com guelra vermelha tinta de sangue e uma lealdade de mandacaru. Também, como ele, há muitos anos passados, descera de um navio do Lóide um alagoano jovem, de olhos tontos de entusiasmo, de alma pura e límpida, que veio lançar raízes no Amazonas: o meu pai.

Não se sabia o que eram os escoteiros: ele foi o segundo a fundá-los, no Brasil. Não se conhecia um colégio exemplar, desses que formam o caráter das gerações: ele o fundou, no “Instituto Universitário”. Casou aqui, deu filhos a esta terra, pobres e honrados, intelectuais que se projetaram pelo país afora. Morreu no desterro, esquecido e amado, apenas, pelos seus descendentes e os alunos, esses grandes amigos, já hoje velhos.

Gebes Medeiros teve trajeto idêntico. Integrou-se no Amazonas, criou raízes, ama-o do mais fundo do seu coração. É um perdulário de iniciativas, um esbanjador de inteligência. Veio com a música, hoje está no teatro. Lança, agora, o seu primeiro livro, Linha do Equador é uma esplendida galeria de tipos. Compêndio de psicologia da vida cotidiana, seus personagens emocionam e fremem, fazem pensar e sorrir. As questiúnculas do vasto interior brasileiro, políticas ou latifundiárias, são focalizadas com raro equilíbrio e bom senso, com pinceladas fortes e inesquecíveis.

O sangue que corre pelas páginas de Linha do Equador, ferve conosco, dá-nos a sensação de um drama vivido, onde despontassem, como rosas do abismo, o coração de Airam e a carreira acrobática de Alcione, a paixão estonteante de Luís Carlos, funda, abrangente, sensual e meiga. Os perfis evocados nos entreveros do sertão do Piauí, falam por si mesmos. São reais, como o cheiro de urina dos seus currais perdidos.

Lançados com inteligência e arte, numa sequência que denota o exímio teatrólogo que é Gebes, homem quase modesto nas suas arremetidas pessoais, mas glorioso e candente nas iniciativas que visam a grandeza do Amazonas. Lutador sem desfalecimentos, sensibilidade requintada de quem nasceu com o choro lânguido das avoantes no beiral da casa, Gebes Medeiros é, hoje, um patrimônio nosso, que nós não damos, nem trocamos, nem vendemos. É uma joia de caráter, num deserto de almas.
Tenho acompanhado várias de suas singelas irradiações, algumas com um critério absolutamente original e puro, todas cheias de coração e de afeto. De muitos anos, venho sentindo o palpitar de sua generosidade, as lágrimas ocultas que há vertido, no silêncio do seu lar, sitiado pela incompreensão e o desalento. Sei de como tem sustentado a família, na luta pertinaz de sua profissão de advogado, nos recontros em que a arte, esfarrapada, mal lhe socorre com as espórtulas de sua glória amadurecida. Tenho por Gebes Medeiros, o respeito que se tem por um irmão sincero, de gibão de couro, que trocou a vestimenta do agreste pela cana da jacumã.

Gebes reuniu, no mesmo laço, as duas asas brancas: a Academia Amazonense de Letras e o Clube da Madrugada. Viveiros de talentos, condecorações mentais desse equador bendito, cuja linha foi traçada, com felicidade, pelo insigne escritor que estreia. As cenas duras, ou amoráveis, do seu livro, não são dele, são da vida. É uma técnica moderna: o de projetar os fatos, na sua nudez, sem os artifícios hipócritas da literatura ultrapassada.

O amor há de ser tão puro e tão nefasto, como se apresenta. Um beijo não tem roupas. Um homem que ama, não possui códigos, nem respeita conveniências. Punem-no, mas por fora. Por dentro, ele continua perfeito e agreste, como no limbo. Este aspecto de literatura leal nós sentimos no livro de Gebes. Um lançamento emocionante, para uma época de descréditos espirituais e desavenças mesquinhas.

Gostaria de ver esse amazônida integrado, ocupando o lugar que merece numa poltrona da Academia. Meu voto está dado. Sem máscaras, sem conciliábulos, sem falsidades. À vista do público, como as maioneses de lagosta do Restaurante Leite, do Recife. E não se trata de uma explosão de amizade. Gebes Medeiros é um escritor completo, um artista no mais amplo sentido da palavra. *

domingo, março 18, 2018

PADRE SOUZA E DOIS CASAMENTOS


Padre Souza e familiares na celebração do casamento
Relembro dois casamentos celebrados na Catedral de Manaus em 1973, com as bênçãos do padre Luís Gonzaga de Souza, que se aproximam das Bodas de Ouro. Padre Souza foi meu contemporâneo no Seminário São José, todavia, acabei coronel da PMAM e ele, virtuoso sacerdote. Hoje, ainda convalescente, auxilia o vigário da paróquia de São Raimundo, onde, para ele, tudo começou.
Sobre os casamentos: desfrutei da amizade do Dr. Gebes Medeiros, pai da noiva Vitória Regia, via os padres do Seminário e a presença da família nos atos religiosos desta Casa Religiosa.
Ingressei na PMAM junto com o outro noivo – Ruy Freire. Todavia, quando de seu casamento, cometi uma insanidade ao deturpar o seu Convite de Casamento exposto no cassino (refeitório) dos oficiais da PMAM. Em razão desse pecado, não compareci ao seu casamento. Perdão, meu camarada.   
As publicações foram sacadas do Jornal do Commercio, na coluna do Nogar.

O casamento de Vitória Régia e Ananias, acontecido de alto requinte, que reuniu a "finesse" de Manaus. A cerimônia celebrada pelo padre Luís de Souza realizada às 20 horas, na Catedral Metropolitana de Manaus, foi assistida pelo mundo social manauara, que lotou todas as dependências do tradicional templo.
Vitória Régia que trajava lindo vestido branco com longa cauda, ao som da marcha nupcial, foi levada ao altar pelo seu pai, Dr. Gebes de Mello Medeiros, onde já a aguardava o noivo.
Terminada a cerimônia com a benção nupcial e a troca das alianças, os noivos após assinarem o Termo na Sacristia e receberem os cumprimentos, acompanhados dos padrinhos e demais convidados, dirigiram-se ao Salão dos Espelhos do Atlético Rio Negro Clube, onde aconteceu a requintada recepção, com jantar à americana e tudo
Jornal do Commercio, 17 fevereiro 1973


Capitão Ruy Freire de Carvalho, subchefe da Casa Militar do Palácio Rio Negro, e a jovem Delzuita Bentes, votaram núpcias sábado último. A cerimônia religiosa com efeitos civis foi prestigiada pelo coronel João Walter de Andrade, governador do Estado. (V. Santos) Jornal do Commercio, 7 fevereiro 1973

segunda-feira, setembro 28, 2015

NOTAS PARA A HISTÓRIA DA PMAM (2)


Coronel Lucy entrega prêmio a Waldir
Garcia, ao fundo, coronel Câmara.
Jornal A Crítica, 12 março 1975
Em março de 1975, José Bernardino Lindoso tomou posse no Governo Estadual, sequenciando a Henoch da Silva Reis. Para compor seu secretariado, escolheu a Waldir Garcia para a Secretaria de Educação e Cultura. 
Exercendo a função de Juiz Auditor Militar, funcionando na Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Garcia possuía experiência na área, pois fora professor e diretor da então Escola Técnica de Manaus. já havia publicado um livro em que deixa bem patenteado seu trabalho como mestre de sala de aula.

A corporação da Praça da Polícia organizou, para tanto, uma manifestação a fim de expressar o apreço e a admiração com que se despedia desse magistrado. À despedida, compareceu o comandante-geral, coronel Lucy Coutinho de Castro, acompanhado do coronel Pedro Câmara e demais oficiais e outros servidores daquela repartição. 

O registro abaixo, pertence ao jornal A Crítica, de 16 março, mostra (na fileira de cima, a partir da esquerda) os oficiais: Manoel Freire, Nathan Lamego, Romeu Medeiros, Ilmar Faria, Nestor Arnaud, Silva Santos, (?), Celio Silva e Franz Alcantara.  
(Na fileira de baixo) Ivens Carreira, Gonzaga Pinheiro, Simonetti Filho, Pedro Câmara, Waldir Garcia (homenageado), Gebes Medeiros, Edval Fonseca, Osias Lopes, Cavalcanti Campos e Ruy Freire.






quarta-feira, outubro 31, 2012

ALAGOAS NO SILOGEU AMAZONENSE

Casa de Adriano Jorge
Estou empenhado na revisão do dicionário biográfico da Academia Amazonense de Letras (AAL), cujo original compete ao acadêmico Almir Diniz. Essa empresa tem me proporcionado algumas informações bem sugestivas, bem peculiares. Como a que relaciona os integrantes desta Casa de Cultura por local de nascimento.


Eis o pretexto desta postagem. O estado de Alagoas acaba de receber reforço na última sexta-feira, com a posse de Ernesto Renan Melo de Freitas Pinto. Com este, sobe a cinco os emissários alagoanos, os demais são: Adriano Augusto de Araújo Jorge; José Chevalier Carneiro de Almeida; Odilon Valeriano de Lima e Gebes de Mello Medeiros.


Adriano Jorge
Os três primeiros são fundadores da AAL. Adriano Jorge, graduado pela Faculdade de Medicina da Bahia, aos 21 anos, tornou-se, em Manaus, avultado brasão da cultura e emblemático profissional da saúde. Além de jornalista, participou da política, tendo sido vereador da cidade. Residiu por anos no bairro da Vila Municipal.
Quando da fundação da Academia de Letras, em 1918, ocupou a Cadeira 1 e o posto de presidente, o qual exerceu por três décadas até seu falecimento, ocorrido em Manaus a 3 de novembro de 1948.
Morto, Adriano Jorge recebeu três duradoras homenagens: do Poder Executivo, que efetuou a mudança do nome do bairro  para Adrianópolis; da Câmara Municipal, que adotou seu nome no plenário daquele Poder; e da AAL, que denominou a sede da entidade de Casa de Adriano Jorge. 

José Chevalier é igualmente lembrado por outro proeminente membro desta Casa: seu filho, Ramayana de Chevalier. Professor competente, o pai, depois de conquistar alunos particulares, adquiriu o Instituto Universitário Amazonense, situado à rua Dr. Moreira, esquina com a rua Quintino Bocaiúva. Imóvel ainda hoje existente.
Adiante, fechando o Instituto, passou a residir no casarão. Neste, também morou, durante os 18 anos que permaneceu no Amazonas, o cientista João Barbosa Rodrigues. E neste tradicional endereço, nasceram dois acadêmicos: Arthur Reis, que foi governador do Estado, em 1964-67; e o mencionado Ramayana.
Chevalier graduou-se na Faculdade de Direito do Amazonas, na primeira turma, em 1914. Entre outros empregos, dirigiu a Biblioteca Pública, Arquivo Público e Diário Oficial do Estado, ao tempo que estas repartições subordinavam-se ao mesmo diretor.  Não deixou publicação, todavia, uma escultura, de sua lavra, adorna a sede da Academia. Trata-se de um dos articuladores do movimento para a instalação do silogeu amazonense. Concretizada, fundou a Cadeira 20, cujo patrono é o filólogo João Ribeiro. Faleceu em 1940, no Rio de Janeiro. 

Odilon Valeriano de Lima nasceu em 25 de abril de 1897, em Viçosa das Alagoas, então próspero município próximo à capital. Quase nada se conhece deste acadêmico, apenas que estava em Manaus, quando se instalou a Academia Amazonense. Sabe-se que para preencher as 30 Cadeiras, foram aproveitados alguns nomes sem destaque, outros conhecidos somente pelo exercício do jornalismo.
De qualquer maneira, e até prova em contrário, Odilon mantém a marca do mais jovem a ingressar neste sodalício. Com apenas 21 anos, inaugurou a Cadeira 4, do patrono Sílvio Romero. Não há registro de sua retirada de Manaus. No entanto, diante da reforma dos estatutos em 1946, foi transferido para a categoria de correspondente. Fixara residência no antigo estado do Rio, empreendendo carreira política em Niterói (RJ), onde morreu em 1981.

Gebes de Mello Medeiros nasceu na capital de Alagoas, em 13 de setembro de 1915. Obteve o bacharelo na Faculdade de Direito do Recife (1944). Nesse mesmo ano, integrando uma comitiva daquela festejada Escola, foi recebido em Manaus pelo interventor Álvaro Maia. Nesse passeio, encantou-se pela capital do Amazonas e prontamente retornou.
Ligado à atividade teatral, aqui teve oportunidade de expandir esta arte, tendo instalado algumas atividades inerentes. Creio que o mais destacado tenha sido o Teatro Escola, inaugurado em 1957, no Teatro Amazonas, com a peça de Ariano Suassuna, Auto da Compadecida.
Seu bacharelado o capacitou a exercer o cargo de Promotor Público, tendo dirigido este órgão e outros afins. A par dessa atividade, Gebes Medeiros publicou dois romances: Fim de mundo sem fim  e Linha do Equador . Assim, foi eleito para a Cadeira 25, do patronato de Araújo Lima, em 6 de maio de 1994, e recepcionado a  13 de setembro do mesmo ano. Morreu em Manaus, em 2003.

terça-feira, outubro 18, 2011

L. Ruas: oitentanos (3)

A participação do saudoso padre Luiz Ruas no movimento cinematográfico e teatral de Manaus foi expressiva. 

Marca literária desde 1953

Este ciclo vem sendo enfocado por vários estudiosos. Vale observar que, quando o clérigo Ruas chegou em Manaus (final de 1953), depois de dois anos no Rio, já trazia conhecimentos básicos da Sétima Arte. A permanência no seminário do Rio Comprido propiciou-lhe um envolvimento com a vida cultural da então Capital Federal.

Assim, já sacerdote, atendia a qualquer convocação de cineclubes de Manaus. Nestes, a presença do padre Ruas era constante. Por isso, pode-se afirmar que ele teve competência para aprofundar o movimento cinematográfico de Manaus, cidade que ultrapassou a ousadia de patrocinar o I Festival Norte de Cinema (1969). O instrumentador deste encontro foi o jornalista Joaquim Marinho que, hoje atuante em todos os segmentos da mídia, era então diretor do DEPRO. O padre Ruas foi um dos membros da Comissão Julgadora.


Há dele outra averbação favorável. A participação no I Festival de Cinema Amador do Amazonas, realizado entre 17 e 23 de novembro de 1966. O encontro objetivava incrementar as atividades cinematográficas entre nós (O Jornal, 21 nov. 66). Além de J. Borges Filmes, A Crítica, o Clube da Madrugada e a Rádio Rio Mar patrocinaram o evento. O encerramento ocorreu no cine Avenida e indicou como vencedor o curta Carniça, de Normandy Litaiff e Aloísio Sampaio. Na comissão julgadora, pelos críticos cinematográficos, José Gaspar e o padre Luiz Ruas, que ainda fez a apresentação da festa de encerramento.

O sucesso na ribalta ocorreria no ano de 1959, quando participou da peça Auto da
Compadecida, de Ariano Suassuna, encenada no Teatro Amazonas. No Auto, o ator L. Ruas representou com aptidão o palhaço do espetáculo. Contou-me muito depois o dr. Gebes Medeiros, diretor do TEAA, que o padre Ruas para atuar na ribalta necessitou de autorização do Vaticano. Como se vê o palhaço (clown) se incorporava à vida literária do sacerdote. E foi, a partir desta produção, que se concretizou a criação do Teatro Escola Amazonense de Amadores (TEAA).

Desde o ano de 1960 se têm notícias de suas palestras sobre cinema, a exemplo de quando foi instalado o cineclube Comerciário no Sesc-Senac (Jornal do Commercio, 06 mar.1960). Na programação, palestra do padre Ruas. Esta arte o fascinava, por isso sua atuação seja como palestrante seja como simples integrante de cineclubes (Grupo de Estudos Cinematográficos (GEC); do Colégio Dom Bosco e outros) será sempre marcante. Outro pormenor de sua aptidão acentuou-se ao escrever sobre cinema tanto na Ronda dos Fatos (1957-58) quanto, aqui especialmente, no Cinéfilo.

Como indica seu título, trata-se de uma revista produzida, em Manaus, sobre a arte cinematográfica. E funcionou no limite escasso de quatro edições, pois foi encerrada pela censura militar de 1964, rememora seu diretor — José Gaspar, ainda professor do Centro de Artes da Universidade Federal do Amazonas.

No campo do teatro, padre Luiz Ruas possui dois momentos cimeiros: a participação no Auto da Compadecida (1959), interpretando o palhaço, e a direção do Auto da Paixão (1963). Registra Selda Valle (2001) que o cenário da Compadecida era de um circo. Tudo bem, até porque estimulado pelo autor. “No alto do trapézio, balançando-se, o palhaço-apresentador anuncia os personagens e o conteúdo da história que o público irá assistir”.
Aqui começam os transtornos, pois o palhaço era interpretado pelo padre Luiz Ruas. Tem mais. “A presença no palco de dois padres da Igreja Católica criou uma enorme celeuma, como era de se esperar naqueles tempos. (...), era muito diferente ver um padre de palhaço, pendurado num trapézio, balançando-se de um lado a outro do palco. Um escândalo!”.
Recorte de especial no Em Tempo, Manaus, 12 dez. 2004
O padre Juarez Maia interferiu naquele momento tentando amenizar os estragos. Deu entrevista em nome “da Santa Madre Igreja” e, diante da doação financeira do Teatro Escola, a presença dos padres-atores (Luiz Ruas e Onias Bento) pareceu sanada. Mas assegura Selda, que “padre Ruas teve que garantir sua participação com a autorização por escrito do Vaticano, que chegou a tempo da estréia”.

Um espectador da estréia – Ediney Azancoth, parceiro na obra Cenário de Memórias, avalia o “Deus-nos-acuda” que foi a ocupação “do enorme palco do Teatro Amazonas”. Reconhece que o Teatro Escola foi aprovado. Todavia, diante da indagação do motivo do sucesso, atribui-se muito ao diretor – o paulista Luis Watson.

Mas para Azancoth, “atribuir o sucesso da peça exclusivamente à presença de alguém de fora é negar o valor do trabalho do elenco local. Há o esforço homérico de Gebes Medeiros, coordenando o grupo, e a presença de dois intelectuais que fizeram história na cultura amazonense: o maestro Nivaldo Santiago, diretor musical da peça, e o padre Ruas, filósofo, professor e profundo conhecedor de cinema, exercendo a crítica em jornais da cidade”. Não houve outra participação do padre Luiz Ruas, mas tanto o TEAA quanto o palhaço (clown) saíram consagrados.

Na Semana Santa de 1963, a Rádio Rio Mar promoveu o Auto da Paixão. Coube ao padre Ruas escrever o texto e dirigir a montagem da peça, que foi encenada no Parque Amazonense (abandonado estádio de futebol no Beco do Macedo). A emissora, adquirida pela arquidiocese no ano anterior, era dirigida pelo padre Tiago de Souza Braz (1931-1997).

Para a montagem do Auto, contou ainda com a dedicação do então padre Onias Bento, pároco do bairro de São Francisco, que se encarregou de “selecionar” os coadjuvantes entre seus paroquianos. Os ensaios aconteceram no pátio do Seminário São José.

Entrevistei (julho de 2004) duas figuras primordiais deste espetáculo de fé. Um, o professor Carlos Eduardo Gonçalves que protagonizou o Cristo. Jovem bem-apessoado fazia suspirar as penitentes de todas as idades. Não sabia — desconversa, se elas gemiam pelo enlevo da encenação ou pelo visual do ator amador.

Outro foi Edson Paiva, do cast da Rádio Rio Mar. Apresentador do programa Essa noite feliz de todos nós, nas noites de sábado desde as vinte horas até o encerramento da emissora à meia-noite. Jovem educado, dotado de elegante e bem composta voz fazia, por essas e outras qualidades, a voz do Cristo. Havia também o narrador do espetáculo, mas sua identidade se perdeu na memória do tempo.

Gebes Medeiros, em sua coluna Theatro (O Jornal, 07 abr.1963), assim noticiou e convocou a grei católica para a representação.

AUTO DA PAIXÃO DE CRISTO
Cresceu e frutificou a idéia de padre Onias Bento Filho e reverendo Tiago Braz, no sentido de montar o AUTO DA PAIXÃO DE CRISTO em ar livre, tendo como palco ambiente o Parque Amazonense. A representação teatral que está sendo cuidadosamente preparada pelos referidos sacerdotes, tem como diretor artístico o padre Luiz Ruas certamente obterá o êxito esperado, tal o carinho e zelo que envolve essa festa cultural baseada no texto bíblico.

Assistimos dois ensaios no Seminário São José e pelo que observamos o público vai gostar do espetáculo, tal a movimentação dos personagens que trabalharão na base do teatro mímico, um dos mais difíceis do gênero.

A parte narrativa será interpretada por dois ótimos locutores da Rádio Rio Mar. Mais de setenta pessoas, moças e rapazes, tomarão parte no Auto, todos vestidos a caráter, nos dando uma impressão nítida de que foi a cena real no Monte Horeb, local aliás muito discutido pelos teólogos que divergem em longas polemicas.

Louvamos desta coluna a promoção de Onias, Tiago e Ruas, mostrando a nossa gente que a Igreja também ama a arte cênica, pois nela caracteriza-se a força cultural de um povo.

É dever de todos os católicos assistirem o AUTO DA PAIXÃO DE CRISTO.


Havia ainda restrição quanto à concentração de pessoas. Tudo isso contribuiu para o encerramento dessa atividade cênica que, se tivesse prosperado, traria como tem trazido para outras regiões brasileiras apreciáveis benefícios. Cabe, todavia, registrar este Auto da Paixão como a primeira apresentação deste tipo de espetáculo no Brasil, porquanto o de Nova Jerusalém (PE), o mais conhecido, data de 1968.

Vale relembrar que o Auto da Paixão pernambucano teve início com atores do povo, a cada ano, porém, a emissora global impõe um Cristo altamente globalizado, para maior audiência.

O Auto foi encenado na quinta-feira Santa e no domingo de Páscoa, dias 7 e 10 de abril. E apenas nesse ano. Deixou de se realizar no seguinte, entre outros empecilhos, em razão de padre Ruas ter passado a Semana Santa encarcerado. O governo dos generais controlava o país (março de 1964) e impusera um relativo controle (censura) à emissora radiofônica católica.

domingo, abril 10, 2011

ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS (V)

Salão da Academia Amazonense de Letras
Para completar a indicação da origem dos acadêmicos, aqui segue a relação pelos demais estados do País. Observa-se que apenas os estados do Paraná, Rondônia e Roraima e Amapá ainda não possuem representante na Academia.

Djalma Batista
Acre (3): Epaminondas Barahuna; Djalma da Cunha Batista; Jorge Alauzo Tufic
Pará (8): Benjamin Malcher de Souza; José Francisco de Araújo Lima; Benjamin Franklin de Araújo Lima ; João Huascar de Figueiredo ; Genesino Braga; Alberto Gaudêncio Ramos; Mário Augusto Pinto de Moraes; Zemaria Pinto de Figueiredo
Maranhão (5): Manoel José Ribeiro da Cunha; Raul de Azevedo; João Leda; Manuel Nunes Pereira; Felix Valois Coelho
Piauí (2): Thaumaturgo Sotero Vaz; Jonas Fontenelle da Silva
Ceará (5): Achilles Bevilaqua; Ormando Sobreira de Sampaio; Antonio Mavignier de Castro; Cosme Ferreira Filho; José de Castro Monte
Rio Grande do Norte (2): Aurélio Waldomiro Pinheiro; Francisco Pereira da Silva;
Paraíba (1): Waldemar Batista de Salles
Pernambuco (6): Francisco Pedro de Araújo Filho; Gaspar Antonio Vieira Guimarães; Arthur Virgilio do Carmo Ribeiro; Paulo Eleutério Álvares da Silva; André Vidal de Araújo; Leopoldo Carpinteiro Peres
Alagoas (4): Adriano Augusto de Araújo Jorge; José Chevalier Carneiro de Almeida; Odilon Valeriano de Lima; Gebes de Mello Medeiros
Sergipe (1): José Pereira Neto
Bahia (4): Alfredo Augusto da Matta; Vivaldo Palma Lima; Carlos Eugenio Chauvin; Moacyr de Souza Alves
Minas Gerais (1): William Antonio Rodrigues
Rio de Janeiro (1): Antonio Gonçalves Pereira Sá Peixoto
São Paulo (1): Luiz Soares Vieira
Santa Catarina (1): Josué Claudio de Souza
Rio Grande do Sul (1): Dorval Pires Porto                      Total : 47


Genesino Braga
Ainda falta identificar a origem de dois: Alcides Bahia e José Mendonça Lima.

Sacerdotes (5): Dom Alberto Gaudêncio Ramos (PA); Dom Luiz Soares Vieira (SP); Cônego Walter Gonçalves Nogueira (Coari-AM); Padre Raimundo Nonato Pinheiro (Manaus-AM); Padre José Pereira Neto (SE);

Paulo Eleuterio
Josué Claudio Souza


Gebes Medeiros
Nunes Pereira

terça-feira, fevereiro 01, 2011

MEMÓRIAS AMAZONENSES (LIII)

Fevereiro, 1º

1951 – Ao constituir seu secretariado, Álvaro Maia escolheu para o comando da Polícia Militar o coronel Manoel Corrêa da Silva (1894-1954). Coronel Corrêa era natural de Pernambuco e possuía 57 anos, ao assumir o comando. Residiu por anos na casa nº 7 da Vila Georgete, ainda existente à rua Lauro Cavalcante - Centro.
Este coronel era negro, o único com esse atributo a exercer o comando e, quando o assumiu, já se encontrava na reserva. Tratava-se, portanto, de coronel de pijamas. Ao Estado, grosso modo, retornavam o governador e o comandante já experientes.
Casado, em segundas núpcias, com Porcina Andrade Corrêa Silva com quem constituiu descendência. Passou o comando em 17 abr. 1953, e morreu menos de um ano depois. Foi sepultado no cemitério de São João Batista.

1980 – Ocorre a fundação da Academia Amazonense Maçônica de Letras. Um dos fundadores foi o sócio Ruy Alberto Costa Lins (1934-2010) que ocupava a cadeira nº 25, patronada pelo Dr. Jorge de Moraes.
Ruy Lins (à dir.) com o ministro
Mario Andreazza, 1980
Na época, Ruy Lins era o superintendente da Suframa (1979-1983), ao tempo do governo de José Lindoso. Economista da primeira turma da Faculdade de Ciências Econômicas da UA. Participou ainda de outras oganizações culturais, com destaque para o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e a Academia Amazonense de Letras.

2003 – Morreu em Manaus, Gebes de Mello Medeiros, nascido em Maceio (AL), em 1915. Bacharel pela Faculdade de Direito do Recife, aqui desembarcou em 1942. Participou de diferentes movimentos culturais na cidade, especialmente de natureza teatral. Atuou no jornalismo da terra. Pertenceu ao Ministério Público, aposentado como Procurador.
Pertencia à Academia Amazonense de Letras, onde ocupou a Cadeira 25, de Araújo Lima, empossado em maio de 1994. Tem seu nome no teatro inaugurado nas dependências do Ideal Clube. Publicou os livros Linha do Equador e Fim de mundo sem fim.