CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

10 de dezembro de 2017

MIL E QUINHENTAS POSTAGENS


Os alicerces do meu
trabalho

Alcancei este número, anteontem. Não deve ser grande coisa diante de tantos concorrentes, mas estou exultante, por variados motivos.
Comecei em março de 2010, com a ideia de registrar os trabalhos literários em fase de preparação ou que, já produzidos, pudessem reduzir ou eliminar os arquivos impressos. Assim, grande parte de meu livro – Os Bombeiros do Amazonas, está aqui, espalhado por diversos dias e várias postagens.

Enquanto havia um material pronto, já articulado, a divulgação foi elementar e célere. Isso me deu empolgação, pois servia de contato com os amigos, com os reduzidos leitores. E sempre havia retorno, ainda que infrequente. Além desse contato rareando, novas formas de publicação circulando na Internet fizeram com que me perdesse no caminho.

Ou seja, não soube acompanhar a evolução, apesar das exigências da máquina. Outro motivo, o material publicável escasseou e, desse modo, estive “fora do ar” por vários meses.

Resultado: parei, enquanto rearmava a página. O primeiro “técnico” que busquei, gente do peito, me deixou na mão. Diante do projeto pífio que me apresentou e do longo período de espera, “pulei fora”, tardiamente. Perdi o tempo e o pagamento.

Enfim, alcancei ao profissional – Amaro Junior – que rapidamente me conectou com o mundo da informática, reajustou meu Blog e me incentivou na tarefa. Com o estímulo redobrado, reabri a caminhada em “busca do tempo” parado.

No mesmo período, obtive ajuda do Marcelo Menezes, que me incrementou a publicação de meus livros na Internet. Três deles já se encontram no site Issuu.com, enquanto outros títulos estão sendo preparados.

Com tanto apoio, desde setembro passado venho me dedicando com afinco, esperando dobrar a quantidade de postagens que dias passados alcancei, em tempo recorde.   


Obrigado a você pela atenção, desculpas pelos tropeços.

9 de dezembro de 2017

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS NO SESQUICENTENÁRIO

Capa do panfleto
Quando do sesquicentenário da nossa Independência, festejado em 1972, o Brasil promoveu inúmeras festas e homenagens. Entre tantas, passou por todas as capitais um cortejo conduzindo as cinzas do 1º imperador do Brasil.

Na Semana da Pátria, acentuaram-se os festejos. Para incrementar o desfile em Manaus, a Polícia Militar do Estado distribuiu um panfleto, que reproduzo abaixo, com apontamentos sobre a data festiva e sobre pelejas sangrentas em que se envolveu.

Acredito que o texto pertence ao falecido mestre Mário Ypiranga Monteiro, visto que a iniciativa coube a chefia da Casa Militar, a quem o intelectual estava muito achegado e já havia produzido outros textos. Seja de quem for, há necessidade de alguns reparos, pois foi concretizado com exorbitantes arroubos.

Um deles, assegura que, em 1851, entre a criação da província do Amazonas e sua instalação no ano seguinte, a Guarda Policial dispunha de 1339 guardas! Não há registro sobre tal número, e mais, este efetivo alcançou este número em razão da obrigatoriedade de todos os homens, a partir dos 14 anos, a “pertencer’ (sem ônus) a uma Guarda.

Outra desdita: a PM amazonense lutou ao lado de Plácido de Castro, na conquista do Acre. Não! O governador amazonense Silvério Nery, ainda que interessado na disputa, apenas dispôs uma guarnição Policial e outra Fiscal na fronteira acreana, na região onde hoje evolui a cidade de Boca do Acre.

No entanto, a Legião dos Poetas (voluntários idealistas) seguiu para a região com arma pesada da Força Estadual, cedida por governador. Contudo, foi um fiasco redondo.

Apesar dos pesares, entoa-se no hino policial: No Acre, com batalhas e vitórias...




São 135 anos de existência — de honrada e ufanosa existência! que se somam neste soberbo desfilar dos soldados de Cândido Mariano. São 135 anos de lutas incessantes, — pela ordem, pela paz, pelo bem do povo e da Pátria, — que estão passando, agora, em frente aos nossos olhos orgulhosos, — diante da nossa cívica emoção! — no passo-certo dos homens do heroico batalhão de Canudos!
São 135 anos da Polícia Militar do Amazonas, desfilando em reverência aos 150 anos da Independência do Brasil!

Data de 4 de abril de 1837 a existência da Polícia Militar do Amazonas. Criada com o nome de Guarda Policial, teve, mais tarde, a honrosa atribuição de milícia guarnecedora das nossas fronteiras e dos presídios militares de vários pontos do interior amazonense, além da sua função precípua de zelar pela ordem pública nas seus municipais, vilas e freguesias.

Dois Batalhões compunham, em 1851, a Guarda Policial, que tinha, então um efetivo de 1.339 praças distribuídas pelos diversos lugares da Província.

Elevada à categoria de Batalhão Policial em 1890 e de Regimento Policial em 1897, — foi como Regimento que destacou o seu 1º Batalhão de Infantaria para seguir com destino a Canudos e ali juntar-se às Forças em Operações. Foi em Canudos, dentro da própria cidadela dos jagunços de Antônio Conselheiro, que essa brava Polícia Militar do Amazonas derramou o sangue generoso de seus soldados pela paz e pela ordem da família brasileira. Seu Comandante, o intrépido Coronel Cândido Mariano, — que é a figura máxima, o símbolo do heroísmo e da honradez, do miliciano amazonense, tem o seu Altar na consagração da História do Amazonas.

Esta mesma Polícia Militar do Amazonas lutou no Acre, ao lado de Plácido de Castro, e ajudou a libertar aquele Território da ocupação estrangeira e a reincorporá-lo ao Patrimônio Territorial do Brasil.
Outros feitos gloriosos tem em sua história a Polícia Militar do Amazonas!

Feitos gloriosos e troféus gloriosos! E o mais belo e o mais glorioso desses troféus é aquela velha Bandeira Brasileira que é guardada com orgulho, em seu quartel pelos soldados amazonenses: é a Bandeira que acompanhou a Polícia Militar em Canudos e de lá voltou tinta do sangue dos nossos soldados e esfarrapada pelos impactos das balas inimigas.



8 de dezembro de 2017

GOVERNO MILITAR E O DESAFIO AMAZÔNICO (3)


Encerrando a postagem acerca da descrição de algumas Unidades da Força Terrestre no interior do Amazonas, elaborada pelo Governo dos Generais, em revista especial (foto), circulada em 1970.

O Soldado no Postal de Cucui


Tudo em volta de Cucui é verde e belo, dentro do grande silêncio potâmico. Lá, entre árvores e água — em cima o azul cintilante do céu — perfila-se o 4° Pelotão de Fronteira. Um punhado estoico de verde-oliva que ocupa os espaços em nome do Brasil. Defronte ao quartel, a famosa Pedra do Cucui, já no território venezuelano, perto da fronteira do Brasil e da Colômbia.

Ali também chegou o padre com o Exército. Gandola e batina, numa autêntica cruzada de desbravamento e conquista, convocaram pequenas comunidades salpicadas para a obra educacional e cívica. A cartilha na frente, de mãos dadas com a saúde e a palavra Brasil.
Cucui está sendo ocupado. O índio deixa a maloca e aprende a cantar o Hino Nacional. O braço corta a árvore, e da clareira surge o roçado. Uma agricultura de sobrevivência. Espetam o céu pequenas chaminés. Do rastro da farda vai nascendo a obra sonhada de integração.



O Brasil chegou ao Içá

Ipiranga, sede do 2° Pelotão de Fronteiras, no Rio Içá, funciona como centro integrador na imensa região. Não faz muito tempo era mato virgem, sem sinal de civilização, com uns poucos nativos desterrados naqueles verdes. A presença do homem era assinalada por canoas esparsas que subiam ou desciam o rio em razão da pesca para sobrevivência.

Mas chegou o quartel com a sua correspondente ação civilizadora. O velho Rio Içá, tão primitivo, tão sem Brasil, experimentou pela primeira vez o toque de uma alvorada de ocupação humano-econômica. E apareceram a quadra de esporte, a granja, o alfabeto militar para a criança e o homem perdidos. Em função social, o Exército começou a lecionar vida moderna para as gentes de Içá. A roça mais racional, a implantação do curral e o artesanato. No mastro do quartel, a Bandeira do Brasil é uma mensagem eterna de integração. 

Recorte do Almanaque Municipal
Ele é responsável pelo movimento cívico em relação ao Desenvolvimento. Produz o soldado e o cidadão. Implanta a escola e o complexo social que torna possível a fixação do homem. É a Bandeira no mastro além das copas, como corolário de um trabalho produtivo de conquista. A colonização que sempre acompanhará a presença do Exército na região significa o apossamento da terra: o cultivo, novas técnicas o agrícolas, o criatório, tudo o que a terra poderá produzir para sobrevivência do homem do Brasil.

Tabatinga está dividida em dois centros principais, interligados na obra integradora: o civil, no povoado de Marco, por onde passa a divisa Brasil—Colômbia, e o militar, que se desdobra pelo resto da área, semeando núcleos paisanos de ocupação. Destaca-se, neste espaço, a Vila Militar, com o grupo escolar, o quartel, casas e uma farmácia. Manaus fica a 5 dias de navio e 12 de pelo lancha, mas um avião da FAB, tipo Catalina, aterrissa naquela região banhada pelo Solimões todas as semanas.

Vejam que o novo Comando Militar, dentro do espírito da antiga Colônia Militar, vai também ao encontro do brasileiro roceiro, na área, ensinando-lhe o bê-á-bá da agricultura moderna. Nesta missão prolongada, o Exército proporciona assistência dentária, veterinária, deflagrando um processo continuado de alfabetização.

É preciso que a farda dê de tudo, porque não existe mesmo nada na área. Dessa operação conjugada — da farda com a ocupação econômica — repontam os setores de agropecuária, industrial, comercial, serviços públicos, habitacional e sanitário, sendo que o fator educação do homem é o capitânea de todas as metas. Crianças, quando deixam a escola pela manhã, buscam à tarde os aprendizados de carpintaria, olaria, serraria, colchoaria, oficinas mecânicas e construção de embarcações típicas da região.

Situação atual do Pelotão situado em
Vila Bittencourt - Japurá,
recebendo a visita do ministro da Defesa.
Vai assim o soldado aplicando uma educação pragmática ao homem da fronteira. Uma educação prática, ensinando ao homem o que necessita aprender para transformar o mato em Brasil. Estes Comandos Militares – progresso natural dos pelotões e companhias de fronteira – são o arremate tático da ocupação. Funcionam como colmeias de ensinamentos úteis. E significam o único apoio – ao lado de outros dispositivos fardados – que tem o brasileiro da fronteira para a sua integração definitiva na comunidade nacional.

7 de dezembro de 2017

GOVERNO MILITAR E O DESAFIO AMAZÔNICO (2)



Danilo Areosa
Prosseguindo com a postagem anterior, sobre o tema, reproduzo mais um trecho do Almanaque Municipal Brasileiro, de 1970, quando era governador do Amazonas Danilo de Matos Areosa.


Manaus é a sede do Comando Militar da Amazônia

A transferência do Comando Militar da Amazônia de Belém para Manaus marcou a maior presença do Exército, nos seus objetivos de Segurança e Desenvolvimento, em relação aos 3/5 de Brasil quase sem ocupação: a Amazônia.

Esse deslocamento do CMA para Manaus — capital da Amazônia Ocidental — evidencia a penetração fardada, senão a conquista de novos e remotos espaços geográficos, onde a dispersão demográfica e as grandes distâncias representam a maior dimensão do problema da integração. O Exército quer ocupar — deixar seus rastros de colonização do vazio. Está marchando mato adentro, transpondo rios e pântanos, para que o sigam atrás da farda, nos sulcos de seu desbravamento, as colunas do empresariado industrial, agrícola e de comercialização, implantando núcleos com condições de fixação do brasileiro no Brasil amazônico.

Recorte da citada publicação 
Por isso Manaus é a sede do Comando Militar da Amazônia. Porque Manaus funciona como centro irradiador da Amazônia Interior — a mais perdida, a mais distante, a mais longe do Brasil Desenvolvido, a que mais necessita do pioneirismo do soldado.

As gandolas entram com o capital do sacrifício. Por baixo da Bandeira que se mistura com o verde das copas, o ponto civilizador iniciado: o quartel, salpicos de casas de sapé, a escolinha, o hospital, a olaria, a serraria, a chaminé da pequena usina elétrica. Em suma: a ocupação implantada, ainda balbuciante, mas a matriz do que será, em breve, a grande Amazônia Brasileira.

Em Manaus, além da sede do CMA, está o CIGS, o Centro de Instrução de Guerra na Selva. É sem favor, o mais treinado e eficiente corpo de tropa de sua especialidade. Nem no Vietnã — nem em selva outra de paz ou de guerra — existe um CIGS com tamanho poder operativo e mobilidade de combate em meio adverso. É a lição da anti-guerrilha.

Sua fama se projetou em outros Exércitos. Pois o CIGS está formando, nas técnicas da guerra na selva, oficiais de outras nações amigas. Sua missão é a de transformar homens em supersoldados. Quem não possuir têmpera de aço, vontade dura, saúde excepcional e, sobretudo, quem não tiver motivação cívico-militar, não resistirá às rígidas instruções do CIGS. Ele forma homens para vencer. Produz a síntese da Coragem-Civismo-Técnica, dentro do imoderado amor à Pátria.

Trabalho da Força Aérea junto aos indígenas

O antigo 27° BC, hoje o 1° Batalhão de Infantaria da Selva, foi o primeiro apoio do Exército em Manaus. De suas baionetas partiu tudo o que existe na área militar da Amazônia Interior. É um Batalhão querido do povo, por onde passaram as lideranças regionais. Governadores do Amazonas contam com orgulho que foram praças do então 27° BC.

Hoje, este Batalhão prepara o soldado para a missão de fronteira, a mais prioritária do verde-oliva. Nas faixas perdidas da grande planície setentrional, a bandeira do CMA assinala a vigilância permanente e a progressiva integração. De Manaus parte o apoio logístico.

Ainda em Manaus funcionam, entre outras organizações militares, o Hospital Geral de Manaus, a Companhia Especial de Transportes, a 29ª CSM, a Comissão de Obras, com seu canteiro de construções que não lhe permitiu, sequer, pela arrancada de trabalho, o levantamento de sua sede própria. A Comissão opera na construção de casas para oficiais e sargentos, como em outros setores vinculados aos objetivos de integração.


Na Amazônia, o Exército assumiu características regionais. Outro Exército dentro do mesmo Exército. Um Exército caboclo – tão índio e tão Brasil — abrindo caminho para a passagem da civilização brasileira. O Exército exato para a Amazônia. 

6 de dezembro de 2017

GOVERNO MILITAR E O DESAFIO AMAZÔNICO (1)

Capa da publicação
Em 1970, em pleno verdor do Governo Militar (1964-85), a presidência de Garrastazu Medici faz circular especial publicação expondo a situação dos municípios, intitulada de Almanaque Municipal 
Brasileiro. Aproveita, ainda, para apregoar os avanços ministeriais.

Repartidos por Estados, o almanaque tocante ao Amazonas, então governado por Danilo de Matos Areosa (1967-71), traz um apologia sobre a atuação das Forças Armadas, destacando a Força Terrestre, efetivamente a maior em atuação na região amazônica.

Esta postagem compartilha o texto constante do volume sobre o Amazonas, discurso como se vê sopesa a expansão governamental sobre a Amazônia.

O EXÉRCITO NA PROA DO DESAFIO AMAZÔNICO

O quartel do seu Exército continua na Amazônia. Continua, porque sempre esteve dentro da amplidão verde que a farda conquista para a nossa economia. Principalmente agora, o Exército Brasileiro penetra nos 3/5 do Brasil amazônico, fixando-se nos pontos estratégicos de ocupação humana e econômica. Ao lado da FAB e da Marinha de Guerra, no mesmo abraço integrador, vai o verde-oliva rasgando espaços de integração, numa resposta viva ao maior desafio do século: a Amazônia.

Os claros demográficos e econômicos, todo o vazio continental de florestas e rios da grande área — recebem a ação colonizadora do soldado, mediante o apoio dos Ministérios do Interior, dos Transportes, da Saúde e da Agricultura, num movimento integrado de apossamento da maior fronteira virgem do Desenvolvimento Nacional.

Numa área cujo conceito geográfico transborda de nossos limites político — alcançando, além do Brasil, a Colômbia, Peru, Bolívia, Venezuela, Equador, Guiana, Suriname e Guiana Francesa —, o Exército irrompe como sentinela avançada no dorso do universo amazônico.

Catalina CA-12 "ancorado" num trecho de rio amazônico
Aceita, de frente, a carga ocupacional de um terço da reserva florestal do mundo, na vigésima parte do planeta. São 9 mil km de linhas de fronteira — volume linear maior do que a nossa costa atlântica — debaixo de vigilante e poderoso dispositivo de Segurança produzido pelo Triângulo das 3 Armas. Mas, além da missão primordial de Segurança, reponta o sacerdócio do desbravamento.

O Exército reconstitui, no mar das selvas, a epopeia das bandeiras, imprime o seu timbre rondoniano. Foi assim no Brasil-Sul, todo ele integrado pela farda, ocupado pelas gandolas pioneiras. É assim no Super-Brasil da Amazônia, todo ele encampado pela presença humana do uniforme. Oiapoque, Manaus, Roraima, Cucuí, Japurá, Ipiranga, Tabatinga, Estirão do Equador, Palmeira, Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Guajará-Mirim, Forte Príncipe da Beira, Porto Velho — todo o corpo verde da Amazônia — experimentam os impulsos de integração do Exército.

Brancos, pretos, mulatos, índios — a grande raça dentro da mesma farda — a levantar o status social de comunidades vegetativas, levando a saúde, a cartilha e o complexo de infraestrutura essencial à arrancada do Desenvolvimento.

Onde o Brasil é apenas uma ficção geográfica — nas faixas ainda sem Brasil — o Exército Brasileiro implanta a Pátria física: o homem e sua economia. Em todos os quadrantes — lá, onde só existe o nada — o soldado deixa o rastro da colonização.

Sentinelas da Amazônia — o braço armado do Brasil — elas chegam primeiro com a marca do exemplo. Para definitiva ocupação do vazio. (veja próxima postagem)

5 de dezembro de 2017

OKADA: HIDEOMI E ODACY


A dupla Roberto e Okada, em 2011
Encontrei Odacy no início do nosso Serviço Militar, em 1965, portanto, já dobrado o cabo do cinquentenário desta e de outras efemérides. Assim foi com o Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva, no antigo 27 BC; com nosso ingresso na Polícia Militar do Estado, em 1966; e no Curso de Armamento (eu) e de Moto-mecanização (ele), na extinta Escola de Material Bélico (EsMB), no ano seguinte.

A formatura militar impõe certo bullyng aos de metro e sessenta, meu caso e dele. Porém essa “discriminação” com os baixinhos nos aproximou imensamente, pois éramos os cerra-fila, junto com o Ruy Freire. Cujo trio ingressou na PMAM e hoje desfruta da benevolência do Estado, ultrapassados os “setentanos”.

Há exatos cinquenta anos estava com o Odacy no Rio, encerrando os cursos na EsMB, ao final de um ano na (então) Cidade Maravilhosa. De regresso, estivemos sempre próximos, com a cidade de Manaus como menagem, pois a Polícia Militar ao tempo não dispunha de grandes efetivos no Interior. Creio que ele esteve como Delegado de Polícia em Parintins, na ilharga de Maués, de onde era originário, filho de Hideomi Okada.

Elaborei este resumo não para homenagear o Odacy, mas seu pai – Hideomi Okada, posto que este, em 5 de dezembro de 1975, recebeu uma condecoração do Império Japonês pelos serviços prestados no Amazonas. Tive pouco contato com o agraciado, sabia de suas conquistas e feitos pela fala mansa e despretensiosa do filho. Pouco o encontrei. Talvez por isso, guardei de seu Hideomi uma estranha imagem: ele montado a cavalo em Manaus.

Para encerrar, informo que a postagem abaixo foi sacada do extinto matutino A Notícia, da mesma data, esperando que ela chegue ao amigo Odacy, que hospitalizado intenta superar mais outra adversidade. Saúde, Kokada!

CONDECORAÇÃO
O Imperador Hiroito, do Japão, concedeu a Hideomi Okada, residente em Manaus, a comenda "Sexto Grau da Ordem do Tesouro Sagrado", por serviços relevantes de natureza
 
A Notícia, 5.XII.1975
 social. A cerimônia da entrega da condecoração acontecerá hoje, às 10 horas, na residência oficial do Cônsul do Japão.
O agraciado nasceu em 1896, na província de Yamaguchi, e é pai da Dra. Massue Okada, professora Carna Okada, Major PM Odaci Okada e Dr. Orlando Okada, este recentemente formado pela Universidade do Amazonas.

OS SERVIÇOS
Hideomi Okada chegou a Maués (AM) em 1930, onde, a par de serviços odontológicos, trabalhou na erradicação da malária. Em 1933 exerceu a direção da Associação Japonêsa de Maués. Em 1958, atendendo convite da Prefeitura de Parintins, mudou-se para o citado município, onde, juntamente com a filha Massue Okada, prestou assistência odontológica à comunidade municipal.
Registro na sepultura

Em 1960 mudou-se para Manaus, ajudando, naquela época, a JAMIC na organização da Casa do Estudante Nissei, principalmente com o seu trabalho e exemplo junto aos pais, mostrando-lhes a importância da educação dos filhos a fim de que pudessem participar e se Integrar na comunidade brasileira

4 de dezembro de 2017

SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA

Ao final de seu governo, em 22 de fevereiro de 1975, João Walter de Andrade efetuou uma viagem a São Gabriel da Cachoeira (ex-Uaupés), a fim de ali inaugurar alguns órgãos estatais. Para o deslocamento, utilizou um avião Bufalo C-115 da FAB e, desse modo, conduziu uma extensa comitiva, como se verá abaixo.


A região, cuja população na sede era de 13.569 (dados de 1970), era considerada de Segurança Nacional, conjuntura que autorizava ao governador indicar o prefeito. Havia um esforço tanto do Governo Federal quanto Estadual em consolidar no Alto Rio Negro a presença brasileira, pois São Gabriel tem o encargo de assegurar a fronteira nacional com a Colômbia e Venezuela.

Esta postagem baseia-se na Nota de Serviço (operação cachoeira) expedida pela Casa Militar do Governador, no ensejo chefiada pelo tenente-coronel Pedro Rodrigues Lustosa.

VIAGEM A SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA
Reveste-se a viagem do Excelentíssimo Senhor Governador a São Gabriel da Cachoeira de uma significação maior. As inaugurações que lá irá proceder são o coroamento dos esforços dispendidos em sua resposta à política de Integração Nacional.

João Walter (dir.) e o
Presidente Ernesto Geisel
Considerada desde muito tempo, como área onde primeiramente o colonialismo, com o governador Lobo d'Almada, criou o plantel de abastecimento da Capitania, com as culturas e indústrias de transformação, esse pedaço do Brasil necessita, hodiernamente, de bases de apoio ao grande eixo viário que é a Perimetral-Norte, e por isso o Governo se apressa na consolidação dessas bases, levando à região os elementos preparatórios capazes de, em futuro próximo, aplicarem as soluções requeridas ao progresso do vale do Rio Negro.
Completa-se, pois, com êxito mais uma missão da atual gestão governamental, sempre voltada ao bem estar e à integração, no contexto civilizado, do nosso homem do Interior.

CONSTITUIÇÃO DA COMITIVA
·        Eng. João Walter - Governador do Estado
·        Gen Div Fernando Belfort Bethlem e Senhora - Comandante Militar da Amazônia e 12ª RM
·        Gen Bda Gentil Nogueira Paes - Comandante do 2º Grupamento de Engenharia e Construção
·        Dep José Cardoso Dutra - Presidente da Assembleia Legislativa
·        Desdor. Luiz Francisco de Oliveira Cabral - Presidente do Tribunal de Justiça
·        Dr. João Bosco Ramos de Lima – Vice-Governador eleito
·        Cel Mario Ramos de Alencar - Chefe do Estado-Maior do CMA/12ª RM
·        Cel Av Guilherme Alberto Dias Cal - Comandante da Base Aérea de Manaus
·        CMG Ricardo Raposo Carneiro - Comandante da Flotilha do Amazonas
·        Cel Manoel Jesus da Silva - Chefe da Agência do SNI
·        Cel Eliano Vieira de Souza - Chefe do Estado-Maior do 2º GEC
·        Dr. Ozias Monteiro Rodrigues - Secretário de Estado de Fazenda
·        Dr. Antonio Iran Gadelha - Secretário de Estado de Planejamento
·        Dr. Orlando Cabral de Holanda – Diretor-geral do Deram
·        Dr. Aluizio Campelo - Superintendente da Suframa
·        Dr. Delile Guerra de Macedo - Sarem
·        Dr. José Costa Neto - Funrural Dr. Naziano Pantoja Filizola - Presidente da Celetramazon
·        Dr. Ernani Varela de Melo - Presidente do Banco do Estado do Amazonas
·        Cap PM Francisco Orleilson Guimarães e Senhora - Ajudante de Ordens do Sr. Governador
·        Cap Sergio Albuquerque - Ajudante de Ordens do Sr. Comandante do 2º GEC
·        Dr. Djanir Guimarães Dantas - Suplan
·        Osny Araújo - Jornalista
·        Rubens Benzecry e Senhora
·        Carlos Alberto Viana - Cinegrafista da TVE
·        Francisco Dias Mendes — Fotógrafo

PROGRAMA

Dia 22 fevereiro 1975
06h30 - Embarque na Base Aérea de Manaus
07h00 - Decolagem
09h30 - Chegada a São Gabriel da Cachoeira
10h45 - Inauguração do Hospital, com assinatura de Convênio entre o Governo do Estado (Secretaria de Saúde) e o Exército.
11h30 - Inauguração da Agência do Banco do Estado do Amazonas (BEA)
12h15 - Inauguração das ampliações da Usina da Celetramazon
13h00 - Entrega de residência para o Juiz de Direito
14h00 - Embarque para Manaus
16h30 - Chegada a Manaus.

BREVE HISTÓRICO

MUNICÍPIO DE SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA

Freguesia em 1833. Por lei nº 92, de 6 de novembro de 1858, é considerada freguesia o como tal reconhecida "para os efeitos civis e eclesiásticos". Vila por lei estadual nº 10, de 3 de setembro de 1891. A instalação do município efetua-se a 13 de maio de 1892.
Capa da NS

Um dos municípios do Amazonas, em virtude da lei nº 33, de 4 de novembro de 1892, que "Organiza o Município do Estado". Anexado ao município de Moura por ato nº 45, de 28 de novembro de 1930. Anexado a Barcelos por ato nº 33, de 14 de setembro de 1931, como Delegacia municipal.

Volta à condição de município independente, em virtude da reconstitucionalização do Estado, em 1935. Elevada a Vila de São Gabriel à categoria de cidade, na vigência do Decreto-lei de 31 de março de 1938, que dá execução ao Decreto-lei nacional nº 311, de 2 do mesmo mês e ano.

Em virtude da divisão administrativa e judiciária para 1944/48, passa a denominar-se Uaupés. O município passou a denominar-se São Gabriel da Cachoeira pela Lei nº 233, de 8 de julho de 1965.
Foi declarado de "Interesse da Segurança Nacional" pela Lei Federal nº 5.449, de 4 de junho de 1968.

AUTORIDADES MUNICIPAIS DE
SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA.

Prefeito - Francisco Chagas de Oliveira
Juiz - Kid Mendes de Oliveira [hoje desembargador aposentado]
Exatoria - Ivan Ferreira Gonçalves, responsável pela exatoria.
Delegado - José Monteiro 2º Sargento PM
O Setor de Saúde é de responsabilidade do 5º BEC.
O Setor de Saneamento está em fase de implantação. Educação não possui nenhum convênio assinado
Celetramazon - Percy Brasil da Costa - Agente

BEA - Manuel Araújo Pereira - Gerente

3 de dezembro de 2017

MANAUS: 341 ANOS


Os jornais circulados no domingo, 24 - destacaram variadas personagens e entidades para homenagear a cidade de Manaus. De fato, foi interessante, pois sempre há o que se ler.

Assim, tive ocasião para rever personagens bem distintos, mortos uns, vivos outros. Tomei ciência da origem de muitos dos que dirigem o Estado e outros departamentos.

Aprendi igualmente que muitas lojas e empresas estavam ali por questão de financiamento da campanha. Entenda bem: são os patrocinadores. Sem eles, não há salvação.

Li ensinamentos do pessoal do legislativo, de membros dos tribunais e da sociedade mais destacada. Mas, nada encontrei, uma linha sequer sobre duas entidades permanentes e institucionais. Bem mais antigas que o próprio Estado.

Falo das Polícias e dos Bombeiros.

As polícias civil e militar são entidades que antecederam o 5 de Setembro, pois foram instituídas antes da elevação do Amazonas à categoria de Província. Atravessaram o periódo provincial enfrentando lutas sangrentas, ora em defesa do poder constituído e da população, ora submetidos à política contra o povo.

Sei igualmente que poucos têm admiração pelos policiais, que o ibope desse contigente de homens e mulheres é insignificante. Por isso, o local que lhes cabe no jornal é sempre nas páginas internas, circunstanciados ao combate nem sempre eficiente ao crime.


Os bombeiros, no entanto, são bem conceituados. Possuem a melhor pontuação em termos de credibilidade, de crença em seus serviços. Nem assim foram lembrados no aniversário da capital baré. Não importa. Sempre que preciso, estas organizações mostram seu empenho.

Apesar desse pouco crédito jornalístico, o Amazonas confia na força e na elegância destes policiais e bombeiros.

SEGURANÇA PÚBLICA

Pontos de policiamento, alguns extintos


1 de dezembro de 2017

PARÓQUIA DE EDUCANDOS (II)

Padre Antonio Plácido
Padre Antônio marcou o bairro de Educandos, pela sua capacidade de mestre de obras e produção de longo sermão nas missas dominicais. Fui testemunha e padecente desses prédicas, como seminarista e frequentador da sessão matinal do cine Vitória. Quase sempre perdia ao início do filme. Na condição de seminarista, estive ajudando-o até quando me transferi do bairro, em 1959.

Esses primeiros passos da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro retirei do Suplemento intitulado As festas jubilares (1946), encartado no A Reação (desaparecido jornal católico), e complementa a postagem anterior.


OFICINAS DE SAPATARIA
Revivendo o estabelecimento de ensino profissional que deu o nome àquele bairro, o “Educandos Artífices”, dos dias de 1858, hoje funciona ali uma oficina de sapateiro, que bem poderá ser o núcleo de futuras oficinas profissionais masculinas. Mantida também pela Paróquia, a oficina de Sapataria, apesar de estar em começo, vem despertando o interesse dos jovens do bairro e sob a direção de um mestre habilitado ali estão 15 aprendizes.

ENSINO RELIGIOSO
É o ensino religioso ministrado, semanalmente, pelo Vigário, com a colaboração de 15 catequistas. Para estas, às quintas-feiras, há uma aula especial, onde recebem a orientação para transmitir conhecimentos às crianças.
Em nº de 330 são os alunos de Catecismo, apresentando a frequência semanal de 200.

ESCOLA PAROQUIAL
Vem funcionando com regularidade as aulas da Escola Paroquial. Há o curso diurno para as crianças do bairro e o noturno, para os operários, de ambos os sexos, que não dispõem de tempo para estudar durante o dia.
 
Igreja em construção
DIVISÃO PAROQUIAL 
São seis as zonas em que se acha dividida a Paróquia: 1) bairro de Educandos – Matriz; 2) Terra Nova; 3) Paraná da Eva; 4) Murumurutuba; 5) Tabocal; 6) bairro de Sta. Luzia.
As povoações de Terra Nova, Colônia Oliveira Machado e Tabocal possuem cada uma sua Capela. Está sendo construída uma, no bairro de Santa Luzia.

ASSOCIAÇÕES RELIGIOSAS
Associações Religiosas e número de membros:
Apostolado da Oração, 206; Pia União das Filhas de Maria, 42; Cruzada Eucarística (fem. e masc.), 40; Obra das Vocações Sacerdotais, 81; Amiguinhos do Menino Jesus, 38; Irmandade de N. S. do Perpétuo Socorro, 63; Irmandade do Santíssimo Sacramento, 8.

EM SOCORRO DAS VÍTIMAS DO INCÊNDIO
Teve o Vigário a ideia de construir uma casa, pelo menos, para uma das vítimas do incêndio que devorou grande parte de casebres do seu bairro. Pôs mãos à obra e a casa concluída foi sorteada entre as vítimas e entregue imediatamente. A despesa com a construção foi de Cr$ 9.000.00
Angariaram óbolos para esse fim: Frei Timóteo — Cr$ 3.050,00; Liga de Defesa Popular – Cr$ 1.500,00; Povo do Educandos – Cr$ 800,00; a Diocese contribuiu com Cr$ 1.000,00 e o Vigário, Pe. Plácido, com Cr$ 2.650,00.

CONSULTÓRIO MÉDICO
O Consultório Médico de Educandos, mantido pela paróquia, está sob os cuidados profissionais do Dr. Jorge Abrahim que, gratuitamente, vem assistindo à pobreza do bairro. Dispendeu o Vigário, em remédios e auxílios, a soma de Cr$ 6.000,00.

ESPORTES

Possui a paróquia courts de Volei, de Basquete e de Futebol, além de uma animada turma de Ping-Pong, constituindo esses esportes o mais sadio meio de diversão de que a juventude masculina do Bairro.