CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

10 de outubro de 2012

Polícia Civil do Amazonas



Mavignier de Castro
O relato sobre esta instituição pertence ao saudoso acadêmico Mavignier de Castro (1891-1970), que o publicou em seu livro Síntese histórica e sentimental da evolução de Manaus, lançado em Manaus, em 1948.
O texto, que presumo escrito sem anotações prévias apenas com “sentimentos”, apresenta algumas distorções. Por isso, acrescentei pequenas notas à fala do autor, a fim de atualizar e facilitar o entendimento. Há muito este “roteiro” deveria ter sido reeditado. Quem sabe possamos vê-lo em breve.

Um detalhe final, a Polícia Civil era dirigida pelo Chefe de Polícia, consoante menciona De Castro. Ainda alcancei esse personagem, que reunia forte domínio, pois se ligava ao governador e possuía as atribuições de prender, de investigar e, durante décadas, de dirigir a penitenciária. Essa figura, que foi substituída pelo secretário de Segurança, deixou-nos muitos causos e incontáveis lembranças, nem sempre afortunadas.
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Capa do livro de Castro, trabalho do
artista Branco Silva
No espaço de um século a Polícia Civil ocupou três prédios em ruas diferentes. A instalação da Província, em 1852, a encontrou situada na atual praça Pedro II, em  um casarão assobradado que também servia de cadeia pública e delegacia, precisamente no local onde hoje se ergue o Palácio Rio Branco [atualmente centro cultural].  

Em 1875, não mais oferecendo segurança suas vetustas paredes, determinou o governo a transferência da Chefatura para a casa que ocupa atualmente a marcenaria Leo  fazendo canto com a rua Dr. Moreira e a praça Roosevelt, antigo largo da Constituição [hoje praça Heliodoro Balbi ou da Polícia].   

Muitos anos se passaram antes que a sede da Polícia Civil fosse instalada no amplo palacete em que ora funciona, à rua Marechal Deodoro. Em 1934, quando Chefe de Polícia o Dr. Rui Araújo, o prédio ficou acrescido por um andar permitindo melhor funcionamento à seção de datiloscopia.
 
Chefatura de Polícia, na rua Marechal Deodoro,
antes da reforma de 1934

Também na gestão do Dr. Sady Tapajós de Alencar [1940-41], a repartição policial recebeu notáveis melhoramentos, sendo adquirido o primeiro carro celular para transporte de presos.

Na administração governamental do Dr. Pedro Bacelar [1913-17] contava a cidade com dois distritos policiais cada um obedecendo à respectiva delegacia. A primeira funcionou no prédio da rua Joaquim Sarmento agora pertencente à Tipografia Fenix e a segunda, na esquina da avenida Eduardo Ribeiro com a rua 10 de Julho.

Apesar de tecnicamente desaparelhada, não contando entre os seus investigadores nenhum detetive de curso especializado, a Polícia Civil de Manaus tem se distinguido em inúmeras ocasiões ao demonstrar argúcia na pista de salteadores e bravura no capturar indivíduos facinorosos quase sempre foragidos de outros Estados.  

Quando chefiava a repartição o Dr. Marcionílio Lessa, no mês de fevereiro de 1934, em consequência de um conflito entre militares e elementos da Guarda Civil, o próprio da rua Marechal Deodoro foi invadido, desarmada a sua guarda e desacatados os comissários e escrivães de serviço que foram recolhidos à Penitenciaria do Estado. [A chefia de Lessa durou de 20.02 a 06.03.1935, que deve ter sido exonerado em decorrência desse conflito].

Anexa à Chefatura funciona a Comissária da Polícia do Porto. No prolongamento do mesmo prédio, mas de fachada para a rua Dr. Moreira [o correto é rua Guilherme Moreira, onde se encontra o Banco do Brasil], tem o seu quartel a Guarda Civil [desativada no início do Governo Militar], montando um efetivo de sessenta homens. Sua fundação data de 1917.

Pelo Dr. Rui Araújo, em 1934, foi organizada a Guarda Noturna, a qual juntamente aos guardas civis vem prestando eficiente serviço no policiamento central e suburbano da capital.