CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Helcio Motta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Helcio Motta. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, junho 15, 2026

MEUS OITENTANOS

 FASCÍCULO (6) 

 

A viagem rumo ao Rio de Janeiro — então Estado da Guanabara — poderia ter sido mais leve, não fosse a ordem implacável de seguir uniformizado e, pior ainda, com um sapato social recém-comprado que, em cada passo, me lembrava da crueldade do couro novo contra a pele desacostumada. Ao cair da tarde, desembarcamos no Santos Dumont: dois oficiais amazonenses, cansados, mas curiosos, e ali, como um porto seguro, já nos aguardava o major Hélcio Motta.

Saudoso Okada e eu, em tempo
de confraternização

Seguimos para Deodoro, onde a Escola de Material Bélico não tinha espaço para nos acolher. O major, generoso, nos conduziu até Sulacap, na Escola de Oficiais, onde passamos a primeira noite. Dias depois, enfim, consegui alojamento na própria Material Bélico, libertando-me da preocupação com transporte e alimentação. Ainda assim, as diárias pelo afastamento de Manaus continuavam a pingar — e eu, em silêncio, celebrava com meus botões: que maravilha! Era o primeiro curso fora de Manaus, estendido de março a dezembro de 1967, e não poderia ter começado melhor.

Explorando os arredores, reencontrei parte da família de minha tia Raimunda em Marechal Hermes. Conversas se reacenderam, memórias se entrelaçaram, e logo soube que outros parentes viviam em Santos, empregados na refinaria de Cubatão, em fase de ampliação. Foi o primo Francisco, o “Cote”, quem me guiou até o litoral santista, onde fui recebido com festa exuberante. A casa, repleta de filhos, pulsava de vida; sempre havia uma cama quente cedida por alguém, como se a hospitalidade fosse um ritual.

Essa rotina tornou-se quase um rito semanal: saída do curso ao meio-dia de sexta, chegada em Santos na madrugada, mergulho nos afetos e na alegria, retorno no domingo à noite, desembarque na Avenida Brasil já próximo à escola, na madrugada de segunda. O preço era alto: aulas massacrantes, o corpo vencido pelo sono atrasado. Mas a recompensa era maior — o deleite de pertencer, de estar entre os meus entes queridos.

O curso reunia oficiais das Forças Federais e das Polícias Estaduais. Entre eles, destacava-se a delegação mineira, cujo chefe me tratava como se fosse da própria família. O quartel, erguido diante da estação da Central do Brasil, oferecia o trem como companheiro habitual de deslocamentos. Eu o tomava para estudar, para circular pelo Rio, sem desprezar os ônibus que, até às 23h, ainda partiam do centro. O cobrador, figura incansável, acordava os dorminhocos aos gritos em cada estação — como se fosse guardião do tempo e da disciplina urbana. 

Diploma do Curso de 
Manutenção de Armamento


Minha participação no curso foi um desastre: terminei como o último colocado da turma. Duas razões se impunham com clareza. A primeira, técnica: até então havia manuseado apenas armas de uso pessoal, e de repente me vi diante de um currículo que exigia compreender canhões e obuses de grande potência, descrevendo seus mecanismos como se fossem familiares. O despreparo era evidente. Como se não bastasse, o capitão Imbuzeiro, carioca nato e dono de ironia afiada, sugeria que eu estudasse zarabatanas e flechas — armas dos indígenas amazonenses — numa zombaria que me feria, mas que eu suportava com resignação. 
Ainda assim, aceitei o desafio: era o único curso disponível, e eu não poderia recusar. 

A segunda razão era mais sedutora: o deslumbramento com a Cidade Maravilhosa e o reencontro com a família. Alguns viviam nas proximidades, outros no litoral santista. Os finais de semana, inevitavelmente, eram devorados por viagens a Santos, e o trajeto, embora prazeroso, cobrava seu preço em fadiga. A lembrança de casa e da namorada, mesmo à distância, pesava no coração e roubava energia.

Naquele tempo, as cartas eram o fio que ligava os ausentes. Eu escrevia e recebia com frequência, disputando com os colegas quem mais acumulava correspondências. Recordo-me de uma correspondente em Guajará-Mirim (RO), que escrevia com tanta ênfase que suas palavras pareciam atravessar fronteiras e rivalizar com o afeto dos demais. O telefone também era recurso constante: em frente ao quartel havia um orelhão, usado à noite para economizar fichas. Certa vez, o aparelho entrou em pane, mas continuava funcionando — e por dias transformou-se em palco de uma farra coletiva, onde cada ligação era uma vitória contra o acaso.

 

Na casa de tia Raimunda, os finais de semana tinham um ritual simples e encantador: diante do pequeno aparelho de televisão, reuníamo-nos para assistir ao III Festival da Record, transmitido de São Paulo entre setembro e outubro. Torcíamos juntos por Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, que naquele instante impulsionava a carreira do jovem baiano. Encerrada a transmissão, seguia com meu primo Luiz Jorge — que viveu entre 1945 e 2016 — rumo ao caminho das Bocas, território de bares e bordéis vizinhos às Docas. Numa dessas noites, ao tentar abordar uma gaúcha avantajada, fui descartado com ironia: disse não gostar de “miniatura”. Desde então, confesso, guardo certa mágoa contra os baixinhos.

No Rio, aproveitei também os eventos festivos que a cidade oferecia. Estive na eleição de Miss Brasil, realizada no Maracanãzinho em 1º de julho, vencida pela representante paulista. Logo depois, assisti ao II Festival Internacional da Canção Popular (FIC), promovido pela recém-criada TV Globo. No encerramento, em 22 de outubro, vi Milton Nascimento consagrar-se ao interpretar Travessia, apenas com seu violão — um momento de pura revelação artística. Conheci ainda o Maracanã, palco erguido em 1950, ano em que a família Mendonça se aventurou no Rio sem visitá-lo. No Dia do Trabalhador, assisti ao clássico Flamengo x Santos, com Pelé em campo. Contudo, não consegui vê-lo com clareza: o jogo de portões abertos atraiu multidão, e eu, sem óculos, acabei relegado ao alto das arquibancadas. 

Em outubro, veio a promoção a 1º tenente, com o soldo melhorado. Em dezembro, a cerimônia de formatura trouxe constrangimento: ocupei o último lugar da turma. Apesar do esforço para superar os obstáculos do currículo, ao retornar à corporação, fui nomeado tesoureiro da instituição. Quanto ao armamento, jamais fui cogitado para aplicar os conhecimentos adquiridos. A aversão às armas, já presente, reforçou-se com o resultado escolar. Não era apenas comigo: outros colegas também não foram aproveitados. Os cursos fora da sede tornaram-se, em essência, uma forma de ampliar o soldo. 

Henrique Antonio,
meu irmão 


Chegou, então, o momento de regressar a Manaus. Mas a convivência com os parentes de Santos trouxe uma proposta tentadora: ingressar em atividade privada, deixando a Força amazonense. Cubatão fervilhava de oportunidades, com a refinaria
Presidente Bernardes
cheia de construções, onde meus primos trabalhavam. Não hesitei. A saudade da terra e da namorada que me aguardava pesaram na decisão. Sugeri ainda que meu irmão Henrique Antônio, em Manaus, viesse juntar-se à empreitada. Enviei-lhe a passagem, e poucos dias depois o recebi em Congonhas, conduzindo-o à casa da tia, que o acolheu com calor. Logo conseguiu emprego, construiu sua vida e, recentemente, estabeleceu-se em Lisboa, Portugal.

Desembarquei no Ponta Pelada trazendo na mala presentes e, nas mãos, dois vinis: um do Festival da Record e outro do francês Paul Mauriat, cuja orquestra era a sensação da época — ainda que eu não tivesse aparelho para ouvi-los. A família seguia no Morro, e eu me mantinha alojado no quartel da Praça da Polícia. Atravessei a praça Ribeiro Junior em busca da namorada e, assim, vi chegar o ano de 1968. (segue)

quinta-feira, fevereiro 17, 2022

PMAM: FORMAÇÃO DE OFICIAIS

 Recentemente empreendi a busca pelos dados dos oficiais da Polícia Militar do Amazonas (PMAM). As perguntas são múltiplas, porém nesta postagem vou avaliar o desdobramento das primeiras promoções, ou como eram incluídos os primitivos oficiais.

A formação de oficiais concretizada na própria Polícia Militar do Amazonas suportou alentado atraso (e quanto!), ultrapassando várias fases até o funcionamento de sua Academia, em 2002. Não obstante a longa existência, posto que a corporação foi criada em 1837, antes mesmo da instalação da província amazonense. A indigência da província logo impôs a dissipação da Força Estadual, até que em 1876 esta foi recomposta e, desde então, segue assinalando sua respeitosa presença nos espaços amazonenses.

Diversas tomadas do antigo quartel da PM na Praça da Polícia

A fim de instruir este levantamento, cabe inquirir: como a corporação provia seu corpo diretivo, ou seja, como se aparelhava quanto aos oficiais? Refiro-me ao primeiro instante de sua organização, inda no Lugar da Barra, a denominação primitiva de Manaus, que crescia na beira do barranco, cercada de igarapés e das diversas etnias em sua ilharga. Distante de tudo e de todos, Manaus somente podia contar com material e pessoal militar escassos, porém. A segurança pública era efetivada pela Força Terrestre, com uma marcante deficiência de pessoal. Reservado aos homens, poucos eram os voluntários para o serviço de vigilância pública, desse modo, restavam engajados os analfabetos e os arrivistas (alguns estrangeiros). 

A extração do látex trouxe um descomedido alento ao território na virada do século 20, no qual a fortuna corrente impulsionou a administração pública em todos os rumos, atraindo imigrantes daqui e de além-mar. Evidente que a Força Militar Estadual foi contemplada. Com a instalação da República (1889) e o usufruto da “fase áurea da borracha”, o estado do Amazonas tomou pujante impulso. Vejamos apenas a evolução da Polícia Militar, então denominada Regimento Militar do Estado, título este conservado entre 1896 e 1906.

O corpo de oficiais era integrado por oficiais do Exército, em particular no comando, e de cidadãos escolhidos ou indicados ao governante, segundo lhe permitia a legislação, e, enfim, os provenientes da classe subalterna dos sargentos. No fundo mesmo, as promoções ocorriam em função da afeição e do compadrio (no linguajar castrense: da peixada). Portanto, inexistia a formação de oficiais.

Encerrado o boom da goma elástica (cerca de 1920), quando a benfeitora exploração da borracha mudou de continente, a derrocada financeira tomou conta do Estado. Órgão estadual, a Força Pública foi no banzeiro, após período em que esteve desativada (1930-36), teve a redução de efetivo e de soldo até alcançar o fundo do leito do igarapé na metade do século passado. O balizamento desse descalabro pode ser notado pelo “efetivo previsto para o exercício de 1950”, contados em 326 homens (lei 438/49). 

Desativada em novembro de 1930, o Amazonas prosseguiu sem força policial. Consolidando os esforços da Câmara Federal, no início de 1936, Getúlio Vargas promulga a lei 192, de 17 de janeiro, com a qual “reorganiza pelos Estados e pela União, as Polícias Militares, sendo consideradas reserva do Exército”. Entretanto, o interventor Álvaro Maia já havia sancionado a Lei 55, de 31 de dezembro, em que “restabelece a Força Policial do Estado”, posto que não se tratava de estruturação. Uma das diretrizes (art. 1º) estabelecia que sua implantação ocorresse em até seis meses, todavia, o imperativo de policiamento e o grande afã de seus ex-integrantes contribuíram para que, em 20 de abril, a Força retornasse às atividades. 

No bojo desta legislação federal encontram-se regras, ainda que indiretas, sobre a formação de oficiais. Nela ficou estabelecido que, após 5 anos de existência desta legislação federal (art. 25), “só concorrerão ao provimento das vagas de segundo tenente, os candidatos que possuírem o Curso de Formação de Oficiais, de sua corporação ou da Polícia Militar do Distrito Federal; (...)”. Não foi dessa vez que algum candidato acudiu à vaga inicial do oficialato portando o CFO, até porque o decreto-lei 1.623/39 revogou o citado artigo.

Dez anos depois, nova alteração ocorreu na lei de reorganização das Polícias Militares. Com o país alforriado do governo ditatorial de Getúlio Vargas, Gaspar Dutra baixa o decreto-lei 9.460/46, alterando o art. 8º, sem que modifique o entendimento sobre a promoção aos candidatos a 2º tenente, que persiste “por merecimento intelectual”. Concurso neles, pois! Na contramão, a Força Estadual amazonense como não possuísse recursos para implementar essa decisão, prosseguia com o preceito consuetudinário, aproveitando os sargentos e os “indicados” para o quadro de oficiais. 

1.    Oficiais da Reserva (R/2)

Em 2 de abril de 1941, Gentil João Barbato, major do Exército, assume o comando da Força. Imbuído dos regulamentos militares, obtém do Interventor a sanção do decreto-lei 581, de 2 de junho, que, modificando legislação anterior (decreto 108/36), estabelece normas básicas para a promoção ao primeiro posto do oficialato. As vagas destinavam-se aos graduados, porém, se houvesse civis inscritos, dispondo do CPOR, “terão estes preferência, sendo dispensados do concurso”. Pode ser alcunhada de lei Neper Alencar, o primeiro beneficiário. 

Ocorreu, no entanto, ligeira variação: o acolhimento de oficiais R/2, sendo o primeiro deles formado no CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva), sediado em Belém (PA), turma de 1940; logo, outros chegariam do NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva) pertencente ao 27 BC local, turma de 1942/43. Além disso, é conveniente registrar que o primeiro oficial a concluir o CAO (Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais) foi o então capitão Omar Gomes da Silveira, na PMDF (em nossos dias RJ), em 1954. Este oficial, sendo tenente-coronel, em 1967 assumiu o comando-geral da corporação. 

O capitão EB Pará Bittencourt assume o comando em 12 de setembro de 1947, e logo se confronta com a lei 82, de 25|11|1947, a qual ordena (art. 16) que “a partir de 1º de janeiro seguinte funcione na Polícia Militar o Curso de Formação de Oficiais”. Incrível, somente 40 anos depois se renova o empreendimento para a formação de oficial com a criação da “Academia de Polícia Militar Coronel Neper Alencar” (lei 1.876, de 18|12|1988). E mais 12 anos para seu funcionamento, a despeito de malmente aquartelada. Outra cláusula (letra “d” do art. 15) estabelecia que a promoção de segundo tenente, seria feita “por merecimento intelectual”. Logo, mediante concurso.

 

A lei 494, de 16|12|1949, aprova o “Estatuto dos funcionários públicos civis do Amazonas”. Este código, ainda que destinado a civis, certificou certas atividades e funções na corporação da Praça da Polícia, nem sempre de forma republicana. Somente para elucidar: foi aproveitado para comissionar um oficial médico EB no posto de tenente-coronel PM e, servindo-se desta lei, designar o “comissionado” na chefia da Casa Militar (07|1960). 

A promoção, que amiúde serve de pretexto para suspeita ou disputa acirrada entre camaradas, já continha regras fundamentais, algumas bastante vagas, todavia, cumpridas com higidez. Inexistia a figura do oficial excedente ou do agregado, expediente tão comum em nossos dias. Em 1952, a lei 21, ao estabelecer as “normas para o ingresso no oficialato da PM e para as promoções”, tornou-se um marco incisivo desse processo.

2.    Primeiros oficiais de Escola

Em 1959, ao assumir o governo do Estado, o professor Gilberto Mestrinho nomeia ao doutor (advogado) Francisco de Assis Albuquerque Peixoto para a função de coronel comandante da Polícia Militar. Ao final desse ano, a corporação promove a seleção de candidatos para o CFO (Curso de Formação de Oficiais) da PM da Guanabara, hoje Rio de Janeiro. Foram selecionados três moços, nascidos em 1939: Pedro Câmara, Pedro Rodrigues Lustosa e Hélcio Rodrigues Motta (um quarto, desistiu – Pedro Falabela, saudoso prefeito de Urucará e gerente da Afeam). Tornaram-se, pois, os primeiros alunos a oficial, adiante, os cadetes e, enfim, os oficiais da PMAM com formação apropriada.

Antigo logotipo da PMAM, circulado em 1991

A experiência exibiu à corporação o elevado proveito em enviar seus candidatos a oficial para outras coirmãs, possuidoras de Academia. Tornou-se conveniente para ambos os lados, e a força amazonense aproveitou a ocasião. Em frente, com a instalação do Regime Militar (1964-85), que criou a IGPM (Inspetoria Geral das Polícias Militares) para gerenciar as polícias estaduais, em 1969, esse intercâmbio expandiu-se, alargou-se tanto que onde houvesse escola, certamente, havia amazonenses. Espalharam-se pelo país inteiro e, tem mais, até pelo continente, pois uma turma concluiu o CFO nos Carabineros do Chile (1985). 

sexta-feira, junho 05, 2020

HISTÓRIA DA PMAM: ANOTAÇÕES

Quartel da PMAM, em 1982

1982 foi o ano de encerramento do Governo Militar em nível estadual. Pois, nesse final de ano ocorreu a eleição para governador, vencida por Gilberto Mestrinho (oposição) sobre Josué Filho. Todavia, a Polícia Militar atravessou um ano extremamente político, aliás, como foi em todo o Estado.
Um ligeiro retrospecto: em maio, o governador José Lindoso abdicou do mandato para se candidatar ao Senado, assumindo o vice, Paulo Nery. No mês seguinte, Nery destituiu o comandante-geral, coronel Guilherme Vieira, por desavença administrativa, o qual foi substituído por outro oficial EB, Duailibe Mendonça.
Comandantes da PMAM
Foi aí que a “chapa esquentou”. Este oficial chegou prometendo pelejar, como de fato realizou, pela vitória da situação, a de Josué Filho. Com isso, os quarteis se inflamaram, tendo o comandante do Corpo de Bombeiros (então subordinado à PMAM) assumido a liderança destes. Coronel Cavalcanti arregimentou enorme ajuntamento de oficiais e praças. E encaramos (eu estava engajado) a peleja.
Houve nos bastidores várias querelas, que logo vamos registrar. No entanto, para encurtar a conversa, em outubro, Gilberto Mestrinho foi eleito governador, para exercer seu segundo mandato. Em janeiro seguinte, estava encerrado o período militar no governo do Amazonas. Do mesmo modo, sucedeu na Polícia Militar do Amazonas, quando o coronel Hélcio Motta assumiu o comando.
Para marcar esse memorável ano, reproduzo parte do Relatório expedido pelo comandante Duailibe, em que arrola a composição dos comandantes e diretores da corporação, referente aquele 1982. Ainda que tenha esquecido da Banda de Música e do Serviço de Saúde.

Comandante-Geral
Tenente-Coronel EB Guilherme Vieira dos Santos, 1º jan. a 21 jun.
Coronel PM Hélcio Rodrigues Motta, 22 a 25 jun.
Tenente-Coronel EB José Raimundo Duailibe Mendonça, 26 jun. a 31 dez.


Chefe do Estado-Maior Geral
Coronel Hélcio Rodrigues Motta, 1º jan. a 21 jun.  
Coronel Pedro Câmara, 22 jun. a 25 jun.  
Coronel Hélcio Rodrigues Motta, 26 jun. a 31 dez.  
Ajudante-Geral 
Coronel Pedro Câmara, 1º a 5 jan.
Tenente-Coronel Humberto Henrique Soares, 6 jan. a 29 jun.  
Coronel Pedro Rodrigues Lustosa, 30 jun. a 1º set.
Tenente-Coronel Humberto Henrique Soares, 2 set a 31 dez.
Comando do Policiamento da Capital (CPC) 
Coronel Amilcar da Silva Ferreira, 1º a 4 jan.
Coronel Pedro Câmara, 5 jan. a 31 dez.
Comando do Policiamento do Interior (CPI) 
Tenente-Coronel PM Mael Rodrigues de Sá, 1º jan. a 31 dez.
1º Batalhão de Polícia Militar (BPM) 
Tenente-Coronel PM Ruy Freire de Carvalho, 1º jan. a 22 out.
Tenente-Coronel PM Ilmar dos Santos Faria, 23 out. a 31 dez.
2º Batalhão de Polícia Militar (BPM)
Major Osias Lopes da Silva, 1º jan. a 31 dez.  
Corpo de Bombeiros (Cia CB)

Tenente-Coronel José Cavalcanti Campos, 1º jan. a 21 out.
Tenente-Coronel Ruy Freire de Carvalho, 22 out. a 31 dez
Companhia de Policiamento de Trânsito 
Major Osias Lopes da Silva, 1º jan. a 17 jan.  
Major Jetero Silva de Menezes, 18 jan. a 14 jul.  
Major Antonio Carlos Cardoso Pereira, 15 jul. a 31 dez.
Companhia de Polícia de Rádio Patrulha (Cia P RP)
Major Edval Correa da Fonseca, 1º jan. a 31 dez.  
Diretoria de Finanças (DF)
Tenente-Coronel Odorico Alfaia Filho, 1º jan. a 31 dez.  
Diretoria de Apoio Logístico (DAL) 
Major Romeu Pimenta de Medeiros Filho, 1º jan. a 02 fev.
Major Jarbas Rocha da Costa, 3 fev. a 6 jul.
Coronéis Medeiros e Amilcar
Major Romeu Pimenta de Medeiros Filho, 7 jul. a 31 dez.
Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) 
Major Antonio Guedes Brandão, 1º jan. a 31 dez.
lª Companhia Independente PM 
Major Edson de Lima Matias, 1º jan. a 1º ago.
Capitão José Cabral Jafra, 2 ago. a 31 dez.
2ª Companhia Independente PM 
Capitão Manoel dos Santos Araújo, 1º jan. a 31 dez.  
Companhia de Polícia Rodoviária (Cia P Rod)
Capitão Francisco Silva dos Santos, 1º jan. a 07 jan. 82
Capitão Raimundo Pereira da Encarnação, 8 jan. a 31 dez.  
Companhia de Polícia de Guardas (Cia P Gda)
Capitão Ronaldo Francisco Albuquerque Toledano, 1º jan. a 1º out.
Capitão Adalberto Fonseca Rodrigues, 2 out. a 31 dez.
Coronéis Brandão e Mael Sá
Companhia do Comando Geral (Cia CG)
Capitão Luiz Fernandes da Rocha, 1º jan. a 16 ago.
Capitão Francisco Silva dos Santos, 17 ago. a 6 out.
Capitão Alcy Costa Sampaio, 7 out. a 31 dez.
Companhia de Polícia de Choque (Cia P Ch)
Capitão Antonio Alfredo Rego da Matta, 1º jan. a 31 dez.  
Pelotão de Polícia Feminino (Pel P fem)
1º Tenente João Ewerton do Amaral Sobrinho, 1º jan. a 15 abr.
2º Tenente Fem Antonia Arlene da Silva Oliveira, 16 abr. a 31 dez.

quinta-feira, janeiro 02, 2020

PMAM: COQUETEL



Texto legendando a foto:

Recorte de A Crítica, 3 de janeiro de 1970
Cumprindo uma tradição, a Polícia Militar do Estado oferecerá um coquetel à imprensa no próximo dia 5, véspera de Reis, às 11 horas, oportunidade em que o comandante José Maury da Silva fará um breve relato das atividades do ano passado, e exporá, em linhas gerais, o planejamento traçado para este ano. 

A solenidade será levada a efeito no Salão Nobre da PM, tendo a oficialidade dessa corporação formulado convite à A Crítica através do coronel Neper Alencar, major Helcio Motta e tenentes Carvalho e Edson Matias.




NOTAS DO BLOG DO CORONEL ROBERTO:

De certo, a ideia partiu do comandante da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), tenente-coronel EB José Maury de Araújo e Silva (1968-71), que desfrutava de vasta amizade nos meios jornalísticos, em particular, dos colunistas sociais. Desse modo, organizou o coquetel para a imprensa, tendo enviado seus arautos para convidar os “caciques” dos jornais.
Exercia eu a função de Tesoureiro da corporação nesse início de 1970. O cargo me isentava de algumas obrigações, como o serviço diário e esse batente de relações públicas (termo da época). Obviamente, cuidava dos recursos para o pagamento dos fornecedores.

A foto em preto e branco desta postagem, expondo a deficiência da impressão de então, foi realizada na direção de A Crítica, cujo proprietário Umberto Calderaro (à esquerda da foto), acolheu aos seguintes oficiais: coronel Neper da Silveira Alencar, que exercia o subcomando da Força Estadual; major Helcio Rodrigues Motta (que não aparece na foto), que, todavia, foi comandante-geral da PMAM (1983-87); tenente Edson de Lima Matias que, adiante exerceu, entre outras funções, a direção do Detran (Departamento Estadual de Trânsito); enfim, tenente José Cavalcanti Campos (erroneamente indicado por Carvalho), teve marcante passagem pela corporação: chefe da Casa Militar dos governadores Henoch Reis e Gilberto Mestrinho, deputado estadual, e ora dirigente da AVC (Associação dos Velhos Coronéis).

Na passagem do cinquentenário deste noticiário (3 de janeiro de 1970), convém observar que, dos integrantes da foto, apenas o hoje coronel Cavalcanti Campos encontra-se na “ativa”, os demais passaram à eternidade.

sexta-feira, junho 01, 2018

PMAM: PARA SUA HISTÓRIA

A foto mostra o momento do hasteamento da
Bandeira Nacional
A postagem foi recolhida do jornal A Crítica (5 abril 1983), descrevendo a solenidade comemorativa do aniversário da Polícia Militar do Amazonas, que completava 146 anos de existência.
O governador era Gilberto Mestrinho, eleito no ano anterior, e Manuel Ribeiro, o vice, a quem coube presidir a formatura. Na chefia da Casa Militar estava o tenente-coronel PM José Cavalcanti e, na subchefia, o autor desta, ainda major.
Coronel Hélcio Motta comandava a corporação, ainda em caráter interino, por questão administrativa. Todavia, foi efetivado e cumpriu o quadriênio daquele governador. Assim exerceu, a partir da redemocratização do país (1983), o comando mais duradouro (1983-87).


O governador, em exercício, Manuel Ribeiro presidiu, ontem pela manhã, no quartel do 1° BPM, em Petrópolis, a solenidade militar comemorativa à passagem dos 146 anos de existência da Polícia Militar do Estado do Amazonas.
A cerimônia foi prestigiada pelo secretário de Segurança, coronel [Henrique] Lustoza, diretor do Detran, coronel [Mario] Ossuosky, secretário de Interior e Justiça, deputado José Dutra, chefe da Casa Civil, Luiz Verçosa, desembargador Mário Verçosa, chefe da Casa Militar, Tenente-coronel [José] Cavalcanti, futuro secretário para Assuntos Fundiários, Yomar Oliveira e toda oficialidade da PMAM, tendo à frente o coronel Hélcio Mota, que responde pelo comando-geral.
Manuel Ribeiro passou revista à tropa, hasteou o Pavilhão Nacional, ouviu a leitura da Ordem do Dia do [coronel] Hélcio Mota sobre o evento, a Canção da PM e, no final, a tropa desfilou em sua continência.

 ORDEM DO DIA
"Como policiais militares, pretendemos, ainda que envolvidos por esses fatores antagônicos, sermos bem orientados pelos ditames da consciência profissional, jamais permitindo que sejamos envolvidos por nossas fraquezas, ambições ou caprichos e que, tampouco, sejamos indiferentes ao nosso trabalho.
Seremos eternos sentinelas voltados para o bem servir e baniremos constantemente os vícios que representam falhas de sinceridade, de propósitos — disse Hélcio Mota.
Mais adiante, afirmou que o momento histórico que hoje vivemos na PMAM, este sim, não deve deixar de ser lembrado, pois decidiu o presidente João Figueiredo que os comandos das Polícias Militares de todo o Brasil passarão a ser prioritariamente exercidos por oficiais das próprias corporação, o que foi corroborado pelo governador Gilberto Mestrinho".

sábado, outubro 27, 2012

ASSOCIAÇÃO DOS VELHOS CORONÉIS (AVC)



Coronel Raizer (à esq.) no dia da posse. A Crítica, 14 maio 1979
O costumeiro almoço mensal dos coronéis da reserva (aposentados) da Policia Militar estadual ocorreu ontem, no restaurante Cero´s, e contou com um distinto visitante. Trata-se do coronel Wilson Ribeiro Raizer, este da reserva do Exército, que foi comandante da PM amazonense no governo de José Lindoso (1979-1981). Em seu comando, foi criada a Polícia Feminina.

Passados trinta anos, foi difícil ao velho comandante relembrar aos então jovens comandados. Hoje, todos com os cabelos embranquecidos, uns até sem estes, ou com as curvas do corpo proeminentes e distintos males da “melhor idade”.
Polícia Feminina em desfile na av Djalma Batista, 2007
De qualquer maneira, foi uma farra. Os comensais: Pedro Câmara; Hélcio Motta; Romeu Medeiros; Amilcar Ferreira; Cavalcanti Campos; Odorico Alfaia; João Ewerton; Franz Alcantara; Assis Nogueira; Edson Matias; Abelardo Pampolha; Pereira da Encarnação; Ary Renato; Edson Pereira; Paulo Ramos; Frandemberg Maués; Celio Silva; Fernando Valente; Claumendes Cardoso; Mael Sá e Roberto Mendonça, ao final, entregaram ao coronel Raizer uma nota manuscrita carimbando este evento.

Para os coronéis, o próximo encontro ocorre em 30 de novembro.  

segunda-feira, novembro 07, 2011

1º BATALHÃO, EM PETRÓPOLIS: 40 ANOS (2/4)


Quartel do 1º Batalhão, Petrópolis, 1975
Desde 8 de novembro de 1971, a Polícia Militar do Amazonas encontra-se no bairro de Petrópolis, com o aquartelamento do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM). Nessa data, esta unidade, com o efetivo de aproximadamente 400 homens (as mulheres somente ingressariam na PM em 1980), ocupou o enorme quartel destinado a abrigar todo o efetivo desta corporação.


Eram três enormes prédios (para a época), o do comando, com tantas e um enorme corredor, que mais parecia um hotel ou hospital, e mais dois para as companhias, sem esquecer o corpo da guarda, onde se encontrava o famigerado xadrez. Todos eles dispondo de venezianas de madeira; armários de madeira nos alojamentos; travessas adequadas a armação de redes, isso mesmo, com essas medidas Dr. Severiano Porto pensava em arejar os espaços. Hoje, as venezianas quase desapareceram, pois a refrigeração do ambiente obrigou a substituição.
Coronel Flávio Augusto
Ainda existe a caixa elevada e a cisterna, que supriam a deficiência do abastecimento de água na cidade. Somente muito depois, foi construído um galpão, que se transformou em garagem e serve em nossos dias para outros fins. Não posso esquecer a quadra esportiva, onde muito futebol-de-salão foi disputado, nem semi-oficial campo de futebol, onde por ocasião das olimpíadas policiais as disputas ferviam.  


Coube ao tenente-coronel Flávio Augusto da Silva Rebello, comandante do batalhão desde abril, efetuar a transferência. Dois outros auxiliares do coronel Flavio são aqui lembrados: major Manoel Gouveia dos Santos Freire e o capitão Mael Rodrigues de Sá, coincidência, estes dois eram conhecidos pelo último sobrenome.
Na manhã dessa data, no quartel da praça da Polícia, o batalhão tomou seu escasso mobiliário, enfiou-o em um caminhão e fez a mudança. Desembarcou, então, no outro lado da cidade, para encontrar unicamente a edificação, não havia telefone (a comunicação era feita pelo rádio), pouco transporte, mas muita determinação em superar os embaraços.

Tenentes-Coronéis
Helcio Motta e
Lustosa, e major Freire
(a partir da esq.)

Dois anos depois, em fevereiro, assumia o comando da organização, o tenente-coronel Hélcio Rodrigues Motta (1973-1976), nele permanecendo por três anos. Coronel Hélcio, oficial graduado na escola da PM da Guanabara, soube conduzir, ainda que com sua conversa algumas vezes prolixa, a tropa. Conseguiu superar alguns entraves, tanto os policiais como os da administração municipal. Enfim, como se diz na caserna, assentou alguns tijolos na construção do batalhão.

Foi para esse comando que, em 1974, eu fui transferido. Ainda major, prestei os encargos próprios do meu posto, ali permanecendo até 1977, quando fui designado para o comando da Rádio Patrulha, então ocupando o aquartelamento da rua Dr. Machado, atrás da Maternidade Ana Nery, agora Balbina Mestrinho.
As aperturas que o batalhão enfrentava eram desafiadoras, por isso, atraía poucos militares para o serviço de policiamento da cidade, que lhe cabia. Assim, era considerado um local de “castigo”. Os faltosos, os transgressores da disciplina eram comumente transferidos para aquela unidade. Foi o que aconteceu comigo, ao fracassar no comando do Corpo de Bombeiros.


Quadra de esportes em funcionamento (acima) e os
soldados-especialistas na ampliação do quartel, no
comando do coronel Lustosa (abaixo)
Em 1976 (29 jun.), assume o comando do 1º BPM o tenente-coronel Pedro Rodrigues Lustosa, no dia de São Pedro e de seu natalício. Na direção, permaneceu por três anos. Conhecido por sua disciplina e organização, além de sua paixão pelo São Raimundo EC, do qual foi jogador e treinador, coronel Lustosa renovou o aquartelamento e enquadrou no melhor sentido os policiais do 1º BPM. (segue)