CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

3 de outubro de 2012

Morte do meu filho (2)



Anjo existente no
cemitério São João Batista
Transcrevo o bilhete que meu irmão me enviou, lembrando a morte do sobrinho Roberto Souza, o Betão.
 
Mano,

Lendo a mensagem em homenagem ao Betão no seu blog, senti novamente a dor que me acometeu há seis anos. Naquele ano, naquele Natal me senti desanimado e amargurado, principalmente com a perda prematura do garoto. Nas poucas vezes em que estivemos juntos senti a sua aura e sua candura me tocar. Senti o prazer da convivência e do papo inteligente, a hospitalidade nunca antes experimentada.

Para nossa tristeza, mais uma das decisões divinas que custamos a aceitar. Agora, passados esses anos, também estou solidário com você para podermos expiar os nossos pecados; esperançosos de que Deus na sua benevolência guarde para o Roberto filho um lugar de luz e paz na sua morada. Enquanto ficamos por aqui, cumprindo a nossa missão até que um dia a inevitável morte nos una novamente.

Receba as minhas condolências sinceras. 

Renato Mendonça 

Bem a propósito, hoje, em conversa com o amigo Almir Diniz, dele recebi uma antiga (março 2002, número 51) publicação. Intitulada Ô Catarina!, foi endereçada de Florianópolis (SC) para o saudoso Anísio Mello.
E porque me fez relembrar o golpe, reproduzo deste periódico o poema de Osmard Andrade Faria.  

Espera por mim, filho 

Faz um ano, meu filho,
que tu estás dormindo.
Lembras-te do instante anterior
em que nos despedimos
e desejei que dormisses em paz?
Levaste aquele meu voto muito a sério
-- a sério demais.

Já faz um longo ano que te espero acordar.
Ou será que este sono
que estás agora
é tão mais justo e repousante
que me convidas
a ir ter contigo?
Pois espera por mim
que não demoro.