CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

31 de outubro de 2012

ALAGOAS NO SILOGEU AMAZONENSE

Casa de Adriano Jorge
Estou empenhado na revisão do dicionário biográfico da Academia Amazonense de Letras (AAL), cujo original compete ao acadêmico Almir Diniz. Essa empresa tem me proporcionado algumas informações bem sugestivas, bem peculiares. Como a que relaciona os integrantes desta Casa de Cultura por local de nascimento.


Eis o pretexto desta postagem. O estado de Alagoas acaba de receber reforço na última sexta-feira, com a posse de Ernesto Renan Melo de Freitas Pinto. Com este, sobe a cinco os emissários alagoanos, os demais são: Adriano Augusto de Araújo Jorge; José Chevalier Carneiro de Almeida; Odilon Valeriano de Lima e Gebes de Mello Medeiros.


Adriano Jorge
Os três primeiros são fundadores da AAL. Adriano Jorge, graduado pela Faculdade de Medicina da Bahia, aos 21 anos, tornou-se, em Manaus, avultado brasão da cultura e emblemático profissional da saúde. Além de jornalista, participou da política, tendo sido vereador da cidade. Residiu por anos no bairro da Vila Municipal.
Quando da fundação da Academia de Letras, em 1918, ocupou a Cadeira 1 e o posto de presidente, o qual exerceu por três décadas até seu falecimento, ocorrido em Manaus a 3 de novembro de 1948.
Morto, Adriano Jorge recebeu três duradoras homenagens: do Poder Executivo, que efetuou a mudança do nome do bairro  para Adrianópolis; da Câmara Municipal, que adotou seu nome no plenário daquele Poder; e da AAL, que denominou a sede da entidade de Casa de Adriano Jorge. 

José Chevalier é igualmente lembrado por outro proeminente membro desta Casa: seu filho, Ramayana de Chevalier. Professor competente, o pai, depois de conquistar alunos particulares, adquiriu o Instituto Universitário Amazonense, situado à rua Dr. Moreira, esquina com a rua Quintino Bocaiúva. Imóvel ainda hoje existente.
Adiante, fechando o Instituto, passou a residir no casarão. Neste, também morou, durante os 18 anos que permaneceu no Amazonas, o cientista João Barbosa Rodrigues. E neste tradicional endereço, nasceram dois acadêmicos: Arthur Reis, que foi governador do Estado, em 1964-67; e o mencionado Ramayana.
Chevalier graduou-se na Faculdade de Direito do Amazonas, na primeira turma, em 1914. Entre outros empregos, dirigiu a Biblioteca Pública, Arquivo Público e Diário Oficial do Estado, ao tempo que estas repartições subordinavam-se ao mesmo diretor.  Não deixou publicação, todavia, uma escultura, de sua lavra, adorna a sede da Academia. Trata-se de um dos articuladores do movimento para a instalação do silogeu amazonense. Concretizada, fundou a Cadeira 20, cujo patrono é o filólogo João Ribeiro. Faleceu em 1940, no Rio de Janeiro. 

Odilon Valeriano de Lima nasceu em 25 de abril de 1897, em Viçosa das Alagoas, então próspero município próximo à capital. Quase nada se conhece deste acadêmico, apenas que estava em Manaus, quando se instalou a Academia Amazonense. Sabe-se que para preencher as 30 Cadeiras, foram aproveitados alguns nomes sem destaque, outros conhecidos somente pelo exercício do jornalismo.
De qualquer maneira, e até prova em contrário, Odilon mantém a marca do mais jovem a ingressar neste sodalício. Com apenas 21 anos, inaugurou a Cadeira 4, do patrono Sílvio Romero. Não há registro de sua retirada de Manaus. No entanto, diante da reforma dos estatutos em 1946, foi transferido para a categoria de correspondente. Fixara residência no antigo estado do Rio, empreendendo carreira política em Niterói (RJ), onde morreu em 1981.

Gebes de Mello Medeiros nasceu na capital de Alagoas, em 13 de setembro de 1915. Obteve o bacharelo na Faculdade de Direito do Recife (1944). Nesse mesmo ano, integrando uma comitiva daquela festejada Escola, foi recebido em Manaus pelo interventor Álvaro Maia. Nesse passeio, encantou-se pela capital do Amazonas e prontamente retornou.
Ligado à atividade teatral, aqui teve oportunidade de expandir esta arte, tendo instalado algumas atividades inerentes. Creio que o mais destacado tenha sido o Teatro Escola, inaugurado em 1957, no Teatro Amazonas, com a peça de Ariano Suassuna, Auto da Compadecida.
Seu bacharelado o capacitou a exercer o cargo de Promotor Público, tendo dirigido este órgão e outros afins. A par dessa atividade, Gebes Medeiros publicou dois romances: Fim de mundo sem fim  e Linha do Equador . Assim, foi eleito para a Cadeira 25, do patronato de Araújo Lima, em 6 de maio de 1994, e recepcionado a  13 de setembro do mesmo ano. Morreu em Manaus, em 2003.