CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, janeiro 10, 2024

AMAZONAS: ENERGIA ELÉTRICA

 O governo de Danilo Areosa (1967-71) incrementou a instalação de fonte de energia elétrica no interior do Estado. A capital havia recebido sua usina de energia ainda no governo de Gilberto Mestrinho (1959-63). 

Assim, em 26 de setembro de 1969, inaugurou algumas usinas nos municípios amazonenses, entre as quais, conforme registro do Jornal do Commercio, as de Autazes, Eirunepé e Codajás.

Central de Autazes


Central de Codajás e, abaixo, a de Eirunepé



segunda-feira, maio 26, 2014

À SOMBRA DOS IGAPÓS | 03


Avenida Eduardo Ribeiro, em 1928, ao tempo
descrito pelo cronista
Este texto, mais um sacado do livro de Waldir Garcia, descreve outro pedaço da cidade, que o avanço urbanístico soterrou. O igarapé da memória do saudoso cronista existe apenas como esgoto. Lembro que o livro foi editado em 1987, portanto, os citados nele certamente já não podem testemunhar, nem relembrar o passado bucólico de Manaus.
 
POMERÂNIA – BALNEÁRIO PIONEIRO 


A década de 30 transcorria sob a égide do Estado Novo, implantado pelo gaúcho Getúlio Vargas que, rompendo, já àquela época, com a Velha República, trazia com enfáticas promessas de esperança a renovação dos costumes políticos, a austeridade administrativa, combate implacável à corrupção e às ideologias alienígenas, acabando por impingir-nos nova Carta Constitucional – a de 10 de novembro de 1937 – de modelo e inspiração totalitárias.
 
Não obstante o regime discricionário imposto, no Amazonas vivia-se em clima de paz, tendo o Estado como timoneiro a inefável figura de Álvaro Botelho Maia, cuja irradiante bondade, lhaneza de trato e formação acendradamente democrática, permitiu-nos a nós, amazonenses, atravessar o regime então vigente sob a placidez da liberdade, da concórdia, da fraternidade, enfim.

A essa época Manaus era uma cidade bem iluminada e servida por um invejável sistema de transporte urbano – o Bonde –, que, sobre trilhos, oferecia-nos com pontualidade britânica e barato as linhas de Cachoeirinha Circular, Adrianópolis, Pobre-Diabo, Parada Campelo, Fábrica de Cerveja, Parque Amazonense, Flores, Alto-Nazaré, Saudades e Remédios, estas duas últimas preferidas dos jovens, principalmente aos domingos e feriados, para os tradicionais passeios e namoricos.

Bonde na estação da Cachoeirinha,
hoje Manaus Energia
Na Rua Lobo D'Almada, onde hoje pontifica[va] o renomado esculápio Raimundo Moura Tapajós, situava-se o escritório de procuradoria do meu saudoso tio e amigo Francisco Barnabé Gomes, que detinha o serviço de procuradoria de quase todo o funcionalismo público do interior do Estado, bem como da Magistratura e do Ministério Público, havendo ainda em seu escritório afinado serviço de advocacia cível e criminal prestado pelos renomados juristas da época: Waldemar Pedrosa, Leopoldo Carpinteiro Péres e Huascar de Figueiredo.

Nessa década Barnabé Gomes adquiriu um balneário a que denominou de Pomerânia, situado na Av. Constantino Nery, e que tinha um belíssimo pomar, uma casa de madeira coberta de telha tipo "Marselha", e um refrescante igarapé de águas correntes e límpidas, onde se reuniam, aos domingos e feriados, os familiares e amigos, dentre os quais me recordo de Zelmar Bonates da Cunha, Tancredo Moreira Lima, César Ituassú, Lulu Levy, Rubens Sena, Cícero Menezes, Flávio de Castro, Waldemar Pedrosa, Péricles Moraes, Antônio Maia, Carvalinho, diretor dos Correios, José Galvão, Oyama Ituassú e os desportistas Sálvio Corrêa, Almir e Adair Marques da Silva e tantos outros.

Eu era ginasiano e morava na Pomerânia. Às seis da manhã apanhava o bonde de Flôres para, às 6h30, saltar no Canto do Quintela [esquina da avenida Sete com a Joaquim Nabuco] e assistir às aulas no Gymnasio Amazonense Pedro II, a partir das sete horas. Meus primos e companheiros inseparáveis Benjamim e Manoelito participavam comigo dos entretenimentos domingueiros: caça aos tucanos, pesca de acarás e piabas, no igarapé que se dividia em duas partes distintas: uma rasa, de fundo arenoso, limpo e transparente, e outra com perau, de águas escuras, onde moravam acarás, cobras e até jacaretingas, de porte pequeno, que eram por nós eliminados a tiros de rifle.

Aos domingos e feriados Barnabé Gomes estava na Pomerânia com toda a família: tias Mingota, Nenen e Sabá, Dona Maroca, velhinha e afável, os filhos Manoel Antônio, Jurandir, Hindemburgo, Jandira, Jacira, Marília, Glorinha, Elvira, Yolanda, Mário Hindemburgo, Guilherme, Lizandro e Roberto; e o seu afilhado Estácio, que tomava conta do balneário, alimentando as criações e cuidando do "Dox", um belíssimo pastor alemão, que, à noite, guardava o sítio.

Vizinhos da Pomerânia eram os balneários de Armindo de Barros e a Chapada dos Turcos, onde se localiza hoje o Clube Sírio-Libanês [hoje, a única referência do local].

B
arnabé Gomes costumava comunicar-se com seu vizinho Armindo de' Barros dando pranchadas com um “terçado 128” no tronco de uma velha árvore ali existente. Quando Armindo chegava, começava o banho no igarapé, regado a suculentas batidas de maracujá, caju e outras frutas cítricas regionais. Pomerânia tinha ao fundo um imenso areal e ali improvisamos um campo de futebol, onde jogávamos todas as manhãs de domingos e feriados.

Em 1938 Pomerânia foi vendida ao pranteado amigo Jacob Benoliel. Hoje, com suas águas poluídas, como geralmente estão as de todos os balneários vizinhos, Pomerânia traz-nos recordações imorredouras, como de haver sido um dos balneários pioneiros de nossa encantadora Manaus.

domingo, outubro 21, 2012

MANAUS: ONTEM E HOJE

A primeira foto mostra a manifestação de apoio ao presidente Getúlio Vargas, promovida pelos motorneiros, fiscais e cobradores de bondes da The Manáos Tramways, em agosto de 1945. A segunda, óbvio, foi captada hoje.

A motivação era o término da II Guerra Mundial. Aconteceu na avenida Sete de Setembro, e este registro foi realizado na segunda ponte, na esquina da rua Jonathas Pedrosa.

A faixa conduzida pelos manifestantes registrava:
 

SALVE – GETÚLIO VARGAS – SALVE

Os empregados da Manáos Tramways, comemorando o dia da vitória, saúdam as gloriosas Nações Unidas e a heroica Força Expedicionária Brasileira.
A edificação na "cabeça" da ponte´continua firme,
registrando o acontecimento.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

MANÁOS vs MANAUS (III)

A antiga estação de bondes da Manáos Tramways passa por recuperação. Existente no final da avenida Sete de Setembro, após a Ponte de Ferro de Benjamin Constant, começa a ser restaurada. Em duas paredes, haviam reconstruido fotos antigas, agora apesar de inexistir placa indicativa do responsável, o “bonde” vai partir.

Manaus Energia modifica a fachada do antigo prédio
Penso que será reconstruída a fachada, como antes, pois ali era a oficina dos bondes que circularam em Manaus por mais de 50 anos. Ao parar o serviço, foram sucateados, desaparecendo totalmente. Apenas uma réplica de um bonde e a amostra de trilhos existem no Largo São Sebastião.
Conhecida por Usina da Viação Urbana, no início do século XX
Mas, quem melhor escreveu sobre o bonde manauense foi o poeta Tiago de Mello, em seu livro Manaus, amor e memória (Manaus: Valer/Prefeitura de Manaus, 2004). Dele, estou “morcegando” alguns tópicos.
Os bondes “marcaram quase meio século da vida e da cultura da cidade. Único meio de
transporte, durante largo tempo, de toda a população. 200 réis a passagem: o condutor recebia a moeda e entregava ao passageiro um cupom numerado, em cujo verso vinha impresso um adágio, um pensamento. Embora muita gente andasse mesmo era a pé, porque não tinha o dinheirinho para tomar o ranqedor.”

Réplica do bonde Saudade, existente no Largo São Sebastião
"Mas o bonde não era apenas meio de transporte. As suas engrenagens também davam movimento à sociologia da cidade. Passear de bonde, dar uma volta no Saudade, fazer o Circular era mais que divertimento domingueiro: era o costume, virou moda. As famílias tradicionais não transigiam: primeiro era a missa da Matriz, a das dez, que era a mais elegante; depois o passeio pelo Roadway; e para fechar a manhã, uma volta na linha dos Remédios, que ao seu retorno à estação da Manaus Tramways mudava a placa para Saudade."
Bonde na avenida Sete de Setembro
Mais uma morcegada: "A rapaziada pobre se divertia a seu modo, inventando um esporte novo e perigoso, que demandava agilidade e coragem e que deu origem a um verbo só nosso: morcegar. Morcegar consistia em tomar o bonde em movimento e logo em seguida saltar. Quando o veículo vinha em marcha moderada, alguns eram capazes de tomar e saltar do "bonde andando" mais de uma vez. O segredo da proeza perfeita era a simultaneidade: as mãos no balaústre e os pés na plataforma; no salto bem calculado, as mãos já iam em concha. Rapaz que se prezasse só saltava de costas, principalmente se a namorada andasse por perto: corria dois ou três passos na plataforma e se lançava ao ar na direção oposta ao bonde; mal tocava o chão, o corpo iniciava a corrida, também de costas, amortecendo o impulso em sentido inverso.

Obrigado, poeta, pela memória.

domingo, outubro 17, 2010

Deu no... O Estado de São Paulo


Manaus vira a capital nacional do apagão
Interrupções no fornecimento de energia elétrica têm se tornado rotina para os moradores da capital do Amazonas nos últimos meses
17 de outubro de 2010. Renée Pereira - O Estado de S. Paulo


Nos últimos meses, Manaus deixou de ser apenas o principal centro financeiro e econômico da Região Norte para ser a capital do apagão. Lá, as interrupções de energia elétrica, que antes ocorriam esporadicamente, viraram rotina na vida de moradores, empresários e multinacionais da Grande Manaus. Tudo isso porque os investimentos na rede de distribuição não acompanharam a demanda.

Diante do caos energético da capital amazonense, onde se localiza um importante polo industrial de eletroeletrônicos e veículos sobre duas rodas, Brasília resolveu agir. Por determinação do presidente Lula, uma comitiva liderada pelo ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, desembarcou na cidade no início do mês para anunciar um plano emergencial, que já começou a ser implementado.

"Até o fim do ano, vamos deixar Manaus com um bom atendimento de energia", garante José Antônio Muniz, presidente da Eletrobrás, que controla a distribuidora Amazonas Energia.
O plano inclui a troca de 425 transformadores em alguns bairros da cidade, o que deve aumentar a capacidade da rede de distribuição e dar mais confiabilidade ao abastecimento, afirma Muniz. Outros 575 equipamentos deverão ser substituídos nos próximos meses.

A pergunta que a população local faz ao executivo é: por que essa medida não foi tomada antes que houvesse a propagação dos desligamentos? Uma das respostas está ligada aos prejuízos milionários que as estatais amargaram nos últimos anos e reduziram a capacidade de investimento. Mas a explicação também está associada à falta de planejamento.

Demanda maior. Muniz reconhece que o crescimento da demanda, de 14% no ano, não era esperado pela empresa de distribuição, já que a média nacional estava em torno de 9%. De fato, a população local avançou para áreas mais afastadas do centro, novos empreendimentos comerciais foram abertos (como um novo shopping center e grandes redes de supermercados) e a produção industrial da Zona Franca aumentou de forma significativa com a demanda nacional por eletroeletrônicos.

Enquanto isso, a rede de distribuição continuou no mesmo nível - em algumas áreas houve forte degradação. Empresários e representantes do setor produtivo relatam que a deficiência da rede chegou ao ponto de a distribuidora ter de determinar o desligamento de algumas áreas para evitar um efeito dominó na cidade durante picos de consumo. O presidente da Eletrobrás negou que a operação tenha sido adotada e desmentiu a declaração dada por um técnico da empresa.

Isso não significa, no entanto, que a conta de luz da população dos Estados do Norte é barata. Pelo contrário. Está no mesmo nível das Regiões Sul e Sudeste. "Além de cara, é de péssima qualidade. Semana passada, o Rio ficou cinco minutos sem energia e causou uma grande polêmica. Aqui, ficamos cinco minutos sem energia todos os dias e ninguém faz nada", afirma o empresário Raul Andrade, dono de uma rede de restaurantes.
Andrade e Bandeira estão liderando, ao lado do presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus, Ezra Benzion, um abaixo-assinado para reivindicar melhorias no sistema. A intenção é levar o documento até Brasília e ter uma resposta mais rápida. "No Brasil, temos o custo Brasil. Aqui, temos o custo Manaus", reclama Andrade.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus, Wilson Périco, destaca que o problema já era para ter explodido se a crise mundial não tivesse arrefecido a atividade econômica. Ele conta que, em 2008, o setor elétrico local já havia apresentado sinais de estrangulamento.
Périco afirma que, para evitar ainda mais prejuízos, boa parte da indústria se equipou com geradores elétricos e "nobreaks".

Centro histórico de Manaus, vendo-se o Teatro Amazonas

É assim que o Governo Federal do companheiro Lula trata a população de Manaus. Trata o Polo Industrial de Manaus. Tá na hora de mudar esse quadro.