CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

31 de maio de 2011

Aviação amazonense no Diário Oficial

Sempre que alguém me pede orientação sobre canais de pesquisa, indico o Diário Oficial do Estado (DOE). E sempre vejo surpresa no interlocutor. Mas, o Diário Oficial? Aquele que publica somente os atos administrativos dos três poderes e seus agregados?

Bem, em nossos dias acontece isso mesmo, porém, anteontem na história de nosso Estado o órgão oficial relatava inúmeros fatos. Houve um período em que o DOE circulava aos domingos, como qualquer outro periódico. Vendido nas bancas, com publicidade e coluna social.
Houve momento em que descrevia os acontecimentos mais destacados de nossa história. Também publicou anexo literário, divulgando nossos artistas das letras e da ilustração.

Obviamente, todos esses detalhes interessam aos pesquisadores contemporâneos. Para ilustrar esses enfoques, vou reproduzir duas informações, concernentes a aviação em Manaus.
Pela ordem, falo primeiro do Aeroclube. Nascido com o nome de Aéro Clube do Amazonas (ACA), com incentivo financeiro do interventor Álvaro Maia, cujo governo “doou à promissora instituição um aparelho da marca Funk”. Informa ainda mais este periódico: “Aéro-Transporte do Amazonas é uma organização que contribuirá com o esforço de guerra, ligando Manaus aos núcleos mais distantes da hinterlândia. A Interventoria Federal adquiriu duzentas ações da ATA, no valor de Cr$ 200.000,00”.
Diário Oficial do Estado. Manaus, 14 nov. 1942
Assim começou o Aeroclube do Amazonas, em plena Segunda Guerra. Segue evoluindo, modernizando-se, em benefício de tantos, não somente do interior do Estado.

A outra, diz respeito à construção da Base Aérea de Manaus. Em 13 de março de 1944, o DOE publicava na primeira página a matéria: A Futura Base Aérea de Manaus.
E prosseguiu: Em fevereiro passado esteve em Manaus o Dr. Salgado Filho, titular da pasta da Aeronáutica. O ilustre ministro estudou os nossos problemas e prometeu, dentro de seu setor de atividade e administração, uma série de iniciativas e providências louváveis e úteis, condicionadas ao incremento do transporte comercial pelos céus do Amazonas e a dotação, a essa área imensa, de um equipamento de defesa aérea capaz de assegurar as necessidades da defesa nacional do Vale.
Montagem sobre Diário Oficial do Estado.
Manaus, 13 mar. 1944
Quisera que o esforço feito para dotar Manaus de uma Base Aérea Militar e uma rota segura para o transporte aéreo eficiente – registrou o ministro Salgado Filho – fossem fatores práticos para a garantia de sua integridade territorial e o seu desenvolvimento econômico.

A gravura que estampamos documenta a envergadura do empreendimento: Essas custosas e modernas instalações serão erguidas em local estratégico com técnicos e numerário nacionais. A Base Aérea de Manaus aí está. As suas obras serão iniciadas dentro em breve, sob a superintendência do coronel Ivo Borges, comandante da 8ª Zona Aérea.

30 de maio de 2011

Quarta Literária: Convite

A Livraria Valer tem a satisfação de convidá-lo(a) para a Quarta Literária que acontecerá dia 1º de junho, no Espaço Cultural da Livraria Valer, situado na Av. Ramos Ferreira, 1195 – Centro. O evento tem início às 16h30, com a exibição do documentário Os Lusíadas – Luís Vaz de Camões. Em seguida, às 18h30, terá início a palestra sobre a obra Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, ministrada pelo professor Marcos Frederico Krüger, que também participará da mesa de autógrafos de lançamento da terceira edição de seu livro Amazônia: mito e literatura.
Professor Marcos Frederico e seu livro
A Quarta Literária é um encontro mensal entre escritores, professores, estudantes e leitores, em que são discutidos temas ligados à literatura, às artes e a cultura em geral, firmando-se como um espaço para geração de novos conhecimentos e diálogo intelectual. Após as discussões há sorteio de livros e é servido o Chá Poético. Os encontros acontecem sempre na primeira quarta-feira de cada mês no Espaço Cultural Valer (altos da Livraria Valer) situado na Av. Ramos Ferreira, 1195 – Centro. A entrada é franca.

O encontro de junho acontecerá no dia 1º, às 16h30, com a abertura da exposição “Camões” e exibição do documentário da Série Grandes Livros: Os Lusíadas – Luís Vaz de Camões, narrado por Diogo Infante, ator e diretor do Teatro D, Mª II.
Em seguida, às 18h30, terá início a palestra sobre a obra Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, ministrada pelo professor Marcos Frederico Krüger.
Ao final da palestra, Marcos Frederico participará da mesa de autógrafos de lançamento da terceira edição de seu livro Amazônia: mito e literatura.

29 de maio de 2011

Deu n'A Crítica

Parecia que o assunto em derredor do livro Por uma vida melhor estava encerrado. Mas, a questão do ensino da norma popular parece ter deixado resultado.


Aqui, talvez não seja um caso de linguística; o termo publicado afeta de alguma maneira aos leitores e compromete, sim, a maneira consagrada da língua. Em suma, o jornal cometeu, como vem cometendo ultimamente, um atentado ao dicionário, ao venerando “pai dos burros”.
A Crítica. Manaus, domingo, 29. maio. 2011
A edição dominical do jornal mais vendido do Amazonas destacou: Sem impedimentos durante a gravidês. Com acento circunflexo e sem aspas. Sei que qualquer gravidez produz dificuldades às gestantes, não imaginava que começaria tão cedo e tão gravemente. Ou talvez seja uma nova modalidade de gestação, diante das inovações tecnológicas.

Espero que o jornal A Crítica adote a famosa coluna do Erramos (ou outro título), pois o corretor ortográfico não tem colaborado com o jornal mais vendido. Também não tem atrapalhado, afinal a linguística esclarece.

27 de maio de 2011

ASSOCIAÇÃO DOS VELHOS CORONÉIS (AVC)

Ocorreu nesta sexta-feira, no restaurante Roma, reunindo um número respeitável de oficiais da reserva. Alguns apareceram pela primeira vez, trazendo uma renovada alegria aos demais. Fica a promessa de que no próximo encontro, sempre na última sexta-feira, se renove a festa.

Restaurante Roma, onde hoje se encontraram os coronéis
A única restrição para comparecer é que o “convidado” seja da reserva, aposentado, em linguajar mais comum. E tenha paciência em lembrar velhos causos, os receituários médicos e ver a mesa repleta de água mineral e coca zero. Outro papo forte é o referente ao soldo e seus desdobramentos.

Coronéis Vital (à esq.) e Torres, no almoço
Coronel Torres lembrou um causo, acontecido ao tempo em que o mesmo era major. Um dia, nos Bombeiros, eu instruía os soldados, quando percebi um deles com sintomas de embriagues alcoólica. Então falta gravíssima. Não titubeei, chamei uma viatura e mandei recolher o bebum ao xadrez. O motorista, cabo La Torre, pára a viatura junto a mim para saber o quartel onde entregar o infrator. Informei que fosse para o 1º Batalhão.

Nesse instante, o bêbado-preso põe a cabeça fora do veículo e dispara: "o senhor não manda nem no seu galinheiro!" Não duvidei, dei uma porrada na direção do soldado. Para meu azar, o motorista havia movimentado a viatura e eu acertei mesmo foi o vidro. Mais aborrecido ainda, investi contra o abusado soldado, não obedecendo nem as ordens do comandante dos bombeiros.
Tanto aborrecimento se deveu ao apelido do nosso querido colega: Zé Galinha.

Coronéis Mael Sá e Ary Renato falam sobre dieta (acima)
Odorico Alfaia (abaixo) promete começar na segunda.


Estiveram presentes ao almoço: Paulo Vital, Pedro Câmara, Helcio Motta, Romeu Medeiros, Odorico Alfaia, Antonio Carlos Pereira, Frandemberg Maués, João Ewerton, Odaci Okada, Amilcar Ferreira, Ruy Freire, Osorio Fonseca, Cavalcanti Campos, Mael Sá, Silvestre Torres, Abelardo Pampolha, Celio Silva, Alcantara, Deusamar Nogueira, Raimundo Encarnação, Ary Renato e eu.

26 de maio de 2011

Abastecimento de água em Manaus (IV)

A construção da rede de esgotos da capital amazonense teve início em março de 1906. Nessa data, no consulado brasileiro em Londres, a empresa contratada - Manáos Improvements, comprova sua organização.

Placa indicativa da Manáos Improvements,
1907

Mais adiante, em 1º de maio, a empresa apresenta a certificação necessária para dar cumprimento ao projetado. A documentação somente foi publicada em Manaus no ano seguinte, no jornal Amazonas, edição de 3 março.

Em fevereiro de 1907, desembarcam em Manaus, viajando no vapor Anselm, os engenheiros ingleses Orner Rosenlecker e Huascar Puncell designados para a construção das obras.
No mês seguinte, o governo brasileiro autoriza esta empresa a funcionar no País. As cláusulas da concessão são reconhecidas pelo ministro da Viação e Obras Públicas, e se tornam públicas pelo decreto nº 6.030, de 15 de maio de 1906. Entre outras determinações, havia a que obrigação da empresa inglesa de manter um representante no Brasil, capacitado a resolver as pendências entre o governo e os particulares.
Parte das máquinas na instalação do
Bombeamento, 1907
Para o início das obras são alocados recursos da ordem de 595 mil libras esterlinas, dos quais, 65 mil para fins de fiscalização e administração dos serviços. Para melhor atender a quantidade de cargas, a empresa freta vapores da Booth Line.

Também em beneficio das obras, ocorre uma mudança na direção. Dois sócios, Antonio Lavandeyra e o conde Rymkiewicz, deixam a direção da sociedade para permanecer o primeiro em Manaus, na superintendência dos serviços. E o segundo instala-se em Londres, para acompanhar e fiscalizar o material necessário as obras.
Família observa a atual tomada de água no
Bombeamento, 2011
No entanto, um problema grave ocorreu com o fornecimento de energia elétrica, quando do funcionamento das bombas na estação da usina do Bombeamento. (segue)

25 de maio de 2011

Convite da Alcear

A Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas honra-se em convidar V.Exa. e família para a cerimônia de posse da sua Diretoria, eleita para o biênio 2011 – 2013.
Data: 31 de maio, terça-feira, às 20 horas.
Local: Auditório da Associação Comercial do Amazonas,
Rua Guilherme Moreira, n.º 289, próximo ao Banco do Brasil, Centro.
Traje: Passeio completo.



Diretoria para o biênio 2011 – 2013


Presidente: Raimundo Colares Ribeiro
1º vice-presidente: Liana Belém Pereira Mendonça de Souza
2º vice-presidente: Urias Sérgio de Freitas
Diretor de Finanças: Gaitano Laertes Pereira Antonaccio
Diretor de Finanças adjunto: Nelly Maria Falcão de Souza
Secretária: Rene Costa Menezes de Souza
Secretária adjunta: Giselle Vilela Lins Maranhão
Sede da Alcear, rua Monsenhor Coutinho
Diretor de Patrimônio: Jorge Humberto Barreto
Diretor Jurídico: Francisco Ritta Bernardino
Diretor de Edições: Mário Jorge Corrêa
Diretor adjunto de edições: Marita Socorro Monteiro
Diretor de Relações Públicas: José Coelho Maciel;
Diretora Bibliotecária: Ruth Prestes Gonçalves

24 de maio de 2011

Sessentanos do coronel Vital

Paulo Vital, risonho capitão, nos idos
de 1987

Parabéns ao Paulo Vital Menezes, pelos sessenta anos do itacoatiarense. De Manaus, um pouco menos, ou seja, desde que nos encontramos pelos corredores, capela e bancos escolares do Seminário (onde por longo período funcionou o ICHL). Depois, trocamos a batina pela farda caqui da Polícia Militar e, agora aposentados, acreditamos ainda mais no axioma do Petit Prince: “você se torna responsável por aquilo que cativa”. Não esqueça de Nossa Senhora Auxiliadora, no seu dia.

Vai fundo, Paulinho, o presente será entregue na sexta, no almoço dos antigos coronéis.

Primeiro ano da Sofia

Primeiro ano da Sofia Mendonça, que cruzou este "longo" período sem problemas. Costumava informar aos amigos e parentes que estavamos felizes, entre outras razões, pela saúde esbanjada pela moleca. Exato. Não tivemos outra preocupação, senão levá-la periodicamente a doutora Isabel Dias. Apesar de que outro dia, inauguramos a urgência da Unimed, muito mais por precaução.

Sofia Mendonça, 2011

No mais, os dentes inferiores estão vindo, as pernas ainda não se sustentam para caminhar, o jeito é o colo dos pais e da Mara que, qual anjo da guarda, cuida deste anjo.

A festa foi, a pedido, transferida para uma data bem mais confortável. Avisarei com antecedência. Aproveito para agradecer a quantos nos estimularam nessa empreitada, cheia de surpresas e de risos, algumas dores de cabeça e muitas noites “contando carneirinhos”. O melhor, acreditamos, vem vindo.

23 de maio de 2011

3º ano de morte de Jefferson Péres

Maio, 23

2008 - Morreu em Manaus, José Jefferson Carpinteiro Péres, senador da República. Sua atuação senatorial promoveu uma repercussão nacional. Mas, coincidência ou não, após sua morte uma série de mortes (naturais, claro) atingiu os integrantes da Academia Amazonense de Letras, a qual pertencia o saudoso amazonense.

Placa identificativa da Academia que, recentemente, foi surrupiada
Até janeiro passado, além de Jefferson Péres, foram-se os "homens de letras", mais ou menos nesta ordem: Jauary de Souza Marinho; Narciso Freire Lobo, Anibal Beça Neto, Oyama Cesar da Silva Ituassu; Paulo Herban Maciel Jacob; Áderson Pereira Dutra, Waldemar Baptista de Salles, Anísio Thaumaturgo Mello, Rui Alberto Costa Lins; Demosthenes Carminé.

Em substituição aos mortos, ingressaram na Casa de Adriano Jorge: Euler Esteves Ribeiro; Abrahim Sena Baze; Almino Alvares Affonso; José Roberto Tadros; e Maria José (Mazé) Mourão.
Salão do Pensamento Amazônico, na Academia Amazonense
de Letras
Duas cadeiras estão ora em disputa: a 24, patrono Joaquim Nabuco, cuja candidata é Marilene Corrêa; e a 40, patrono Paulino de Brito, cujo candidato é Francisco Vasconcelos. Assim, ainda estão abertas três vagas.

A única comemoração neste 3º ano de sua morte foi a realização da Missa na Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, em Adrianópolis.

22 de maio de 2011

Convite & Convite

Quem convida agora é a professora Dra. Selda Valle, que coordena e divulga, enfim, se empenha na realização da Mostra de Documentários Etnográficos sobre Patrimônio Cultural Imaterial. Sua especialidade, o Cinema em seus vários aspectos. 



O ETNODOC, 2ª edição, ocorre de 24 a 28 de maio, no auditório do Palacete Provincial, situado na Praça Heliodoro Balbi ou, sem discriminação, da Polícia, com início às 19h, diariamente. Entrada livre.


Haverá debates encerrando a programação diária, portanto, você pode participar.

21 de maio de 2011

Lançamento de livro (V)

O professor Orígenes Martins, fartamente conhecido nesta cidade pelo seu apego à educação, está convidando para uma noite de autógrafos de seus livros. O fundador do Instituto Christus, depois CIEC, em Manaus, vem paulatinamente editando suas memórias.


O evento acontece no próximo dia 26, quinta-feira, no Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos (Icbeu), localizado na avenida Joaquim Nabuco, em frente a Beneficente Portuguesa. O programa começa às 20h, no salão de Eventos.

Impressiona a riqueza de personagens que circundam os 84 anos do autor. Os pais, uma conjunção de um cearense e uma tefeense; os professores que o ajudaram a construir o Christus; os empreendedores de várias partes do País, que lhe estenderam a mão; os políticos também passam por essas memórias; não esqueceu os alunos e, em especial, os pais de inúmeros alunos que ajudaram a solidificar o CIEC.

Ou, como esclarece o autor: Marcaram minha alma. Influenciaram na minha formação. Ajudaram a construir minha personalidade e contribuíram para minha felicidade. Essas pessoas necessariamente não são famosas, ricas ou poderosas. Pelo contrário, algumas delas são simples, pobres e até iletradas.
Quinto livro de memórias do autor
Na noite de autógrafos, teremos cinco livros: Nossa Escola, Nossa Vida; Amazônia: um nobre cenário dourado; Vale a pena viver; A Alegria de viver; e Lembranças de minha vida.

20 de maio de 2011

Abastecimento de água em Manaus (III)

Na época, para solucionar o lançamento de esgotos, duas opções chegaram ao governo: ou lançar em terreno distante da cidade ou no rio Negro. Era ideia racional, para sanear esgotos, utilizar as águas do rio. E rios eram abundantes em derredor de Manaus, podia até optar: o Amazonas ou o Negro.

Estação de tratamento de esgotos, hoje
Centro Cultural Chaminé, na
Manaus Moderna

Estudos empreendidos então concluíram que as águas do Negro eram as mais apropriadas, pelos fenômenos mecânicos, físicos, químicos e até biológicos que apresentava. E mais, pela qualidade dos terrenos que constituem tanto o leito quanto a margem do rio e, em especial, pela acidez das águas.

Diante desse relatório, assinado pelo Secretário dos Negócios do Interior, Francisco Públio Bittencourt, as águas do rio Negro foram “escaladas” para purificar os esgotos, os dejetos da cidade. Levando-se ainda em consideração a declividade natural, que auxiliava a construção de um escoador rio a dentro.

Somente em dezembro de 1906, no governo de Constantino Nery, o assunto tem definição. Para completar a modernidade de Manaus, que já dispunha de eletricidade, bondes, água, faltava um completo aparelho de esgotos.
Dirigentes da empresa encarregada

A construção foi entregue a Antonio Lavandeyra, o mesmo que construíra o Porto de Manaus. Para tanto, Lavandeyra organiza na Europa uma empresa para explorar os serviços. Encerrados, teria a concessão de 60 anos de exploração. (segue)

19 de maio de 2011

Lançamento de livro (IV)

No sábado 21, às 10h30, o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e demais patrocinadores lançam o livro Diálogos com a Amazônia (Manaus: Editora Valer), de Marcus Barros, Marilene Corrêa e Marcílio de Freitas.



Os autores pertencem a Universidade Federal do Amazonas e, na condição de professores e estudiosos da região, cada um em sua especialidade, produziram esta interessante conversa com o leitor sobre a Amazônia. Não perca.


Não há qualquer formalidade, o traje é esporte, próprio para o sábado, e será servido um coquetel.

18 de maio de 2011

Abastecimento de água em Manaus (II)

Manaus. Praça dos Remédios, início
do século XX
A despeito dos entraves, a distribuição de água em Manaus estava funcionando. Em 1900, o governo de Ramalho Junior preocupa-se com essa problemática, determinando a Inspeção da Higiene Pública que proceda a averiguação da qualidade da água fornecida.


Dr. Alfredo Augusto da Matta, chefe desta repartição, reconhece que não há como manter a pureza da água, pois o manancial onde se coleta não oferece condições, exposto “inteiramente ao recebimento de detritos vegetais e orgânicos”. Não pode ser água pura nem oferece vantagem para utilização, conclui o saudoso médico.

Lembrando que o manancial a que se refere Dr. Alfredo da Matta é do igarapé da Cachoeira Grande (que hoje escoa sob a ponte de São Jorge). Suspeitava aquele clínico que ali se encontrava um dos motivos para as doenças que acometiam os moradores da cidade, especialmente na época “invernosa”, ou seja, chuvosa.

Diante dessa grave circunstância, sugeriu que a água, antes de chegar às bicas e torneiras, deveria passar por um processo de filtragem. Mas, como evoluir, como implantar tais recursos, se a água servida pela canalização era reclamada pelo excessivo custo? Usufruir desse progresso era privilégio de poucos.

A origem das doenças não se restringia unicamente a tomada de água, outro problema crítico era o destino de águas utilizadas nas residências. Estas escoavam para as ruas. E outro ainda mais agudo, as privadas (latrinas) sem escoamento.

Reservatório do Mocó, início do séc. XX

Portanto, o trabalho da Higiene Pública era dobrado, necessitava implantar as medidas científicas, mas esbarrava no cofre do governo. Diante do descalabro, o governador Ramalho Junior encarou a questão do destino do material de esgoto. Onde descartá-lo? (segue)

17 de maio de 2011

Abastecimento de água em Manaus (I)

A alternativa escolhida para a captação e distribuição de água passa a ser executada. O projeto foi organizado pelo engenheiro Lauro Bittencourt, ajudante da diretoria de Obras Públicas.

Fac-símile da assinatura de José Paranagua
Em 1884, a represa da Cachoeira Grande estava conclusa e passa a operar, após os testes necessários. Ao mesmo tempo, o presidente José Paranaguá providencia a construção do primeiro reservatório, intitulado de Castelhana.

A construção da represa esteve a cargo de fabricantes ingleses – John Moreton & Co., certamente os fornecedores das turbinas Fourneyron e bombas de duplo efeito. Mais adiante, apesar de concluída, a edificação passa a responsabilidade de Tarciano Maurilo Torres (cujos dados biográficos relatarei em breve) e, ainda um pouco depois, as mãos de José Teixeira de Souza.

Quanto ao reservatório da Castelhana, construído em alvenaria e pedras, possuía 4m de altura e, para corresponder ao seu uso, uma elevação de mais de sessenta metros. Possuía a capacidade de armazenamento de mais de 4.500m3 de água. Ainda que desativado, o prédio se encontra na avenida Constantino Nery próximo ao Boulevard Amazonas.

Com esse dispositivo tem início o abastecimento de água da cidade de Manaus. Logo, porém, os técnicos concluem da pouca utilidade do reservatório; o nível de água captado não permitia pressão para abastecer com eficiência a pequena cidade. Sob essa conjuntura, Manaus deixa o regime provincial, em 1889.

Somente em 1893, o governador Eduardo Ribeiro manda construir outro reservatório. O reservatório do Mocó, instalado em terreno bem mais elevado, junto ao cemitério de São João Batista, onde ainda pode ser admirado.
Reservatório do Mocó, em nossos dias (foto de Carlos Navarro)
De construção metálica, possuía duas câmaras de armazenagem com capacidade para 5.650m3, protegido por expressiva edificação. Sua inauguração, no entanto, ocorreu em 23 de setembro de 1899, no governo de Ramalho Junior. (segue)

16 de maio de 2011

Abastecimento de água em Manaus

A partir de hoje, um pouco da evolução desse serviço. O problema é obvio data do período provincial. Até então a água era “distribuída” pelos aguadeiros, que recolhiam dos mananciais da cidade. Mas, a água dos igarapés tinha todo tipo de serventia, inclusive para banho de pessoas e animais.

Pensando na melhoria da captação e distribuição de água, as primeiras medidas são tomadas na gestão do presidente José Lustosa da Cunha Paranaguá (1882-84). Consistiram em explorar as fontes dos igarapés do Mocó e da Castelhana.

Os técnicos da diretoria de Obras Públicas descartam as águas tanto de um quanto do outro igarapé, alegando a insuficiência para o abastecimento de Manaus. Voltam-se então para as fontes do igarapé da Cachoeirinha, mas estas também são inviabilizadas, devido a impureza causada pelo fenômeno das enchentes periódicas.
Represa da Cachoeira Grande (desaparecida) em funcionamento
Diante desse quadro, restavam as águas do igarapé da Cachoeira Grande (hoje descaracterizados, cachoeira e igarapé, sob a ponte velha de São Jorge), que se prestava para o abastecimento pelo volume considerável apresentado. Na época, avaliado em 80 milhões de litros/dia.
Reservatório da Castelhana, ainda existente,
na av Constantino Nery com Boulevar Amazonas
Iniciam-se os estudos para o aproveitamento deste manancial. Uma alternativa básica, afinal desenvolvida, era instalar máquinas para aproveitar a força da queda d´água, construir um reservatório no centro da cidade e deste, por encanamentos, para diversos pontos de Manaus. (segue)

15 de maio de 2011

Academia Amazonense de Letras


Acadêmico Adriano Jorge

O processo da escolha de novos acadêmicos está aberto na Casa de Adriano Jorge. O Edital respectivo foi publicado dia 2, no Diário Oficial, e as inscrições podem ser feitas por trinta dias, no horário comercial.
 Estão abertas duas Cadeiras. A 24, do patrono Joaquim Nabuco, cujo último ocupante foi o professor Dr. Áderson Pereira Dutra que, entre outros cargos, foi Reitor da Universidade do Amazonas.

A outra é a 40, do patrono Paulino de Brito, tendo por derradeiro ocupante o cronista Waldemar Baptista de Salles, nascido na Paraíba, em 1913, e morto em Manaus, ano passado.
Áderson Dutra e Waldemar Baptista,
mortos ano passado
A quem interessar possa: já foram realizadas duas inscrições. Para a primeira, a professora Dra. Marilene Corrêa, que deixou o cargo de Reitora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para concorrer, no pleito de 2010, a eleição de senadora.
Para a segunda, o cronista Francisco Vasconcelos, membro do Clube da Madrugada, autor de, entre outros livros, Regime das Águas. Hoje, aposentado do Banco do Brasil, reside em Brasília-DF.

14 de maio de 2011

A morte em A Crítica

Duas notícias na edição de hoje sobre o mesmo tema – a morte – espantam. Uma anuncia a missa de ação de graças pela morte de funcionários da Secretaria de Educação, acontecida ano passado. Certamente não foi com essa intenção que o vigário da Catedral de Manaus, onde ocorreu o ato religioso, rezou.

 A Crítica. Manaus, 14 maio 2011
Ação de graças, agradecimento pela morte de pessoas de bem, vitimadas em desastre de avião, não. Ao menos se fosse para o cara que passou para o outro “laden”... Assim, a missa foi mesmo para lembrar, recordar o primeiro ano de falecimento da ex-secretária de Educação, Cintia Regis do Livramento, e seus assistentes.


A outra nota vem da diretora geral do Detran, Monica Mello, que se orgulha de ter afixado um totem com todos os recursos da tecnologia para indicar o número de mortos! de trânsito no País. O totem da morte mereceu elogio de deste jornal, veja a coluna Sim & Não.
Jornal A Crítica. Manaus, hoje
Não seria interessante, doutora Monica, mais humano indicar o número de fiscais do trânsito, em condições de evitar os desastres, evitando assim essa estatística mortuária que envergonha o País? Ao invés de indicar os mortos, indique os vivos que fiscalizam nossos carros, para que a gente não veja “cacarecos” circulando; carros estacionados e transitando como bem entendem, na contramão, em fila dupla, e bote etc. nisso.


Breve, teremos mais totens, para destacar entre estados os mais e os menos matadores.

13 de maio de 2011

Manaus sitiada

Uma passagem pelo centro de Manaus deixa qualquer um triste? aporrinhado? Tanto faz de dia quanto de noite, o desastre é igual. De dia, encontra-se de tudo em qualquer lugar. Onde comer sem nenhum respeito a higiene; vendedores e veículos ocupando as calçadas; o trânsito então, faz-nos crer que não há solução.
Taxi estacionado junto ao monumento na Praça da Matriz 
Talvez fosse preferível que o prefeito não mais empregasse os “azuzinhos”, pois, da mesma forma como não se encontra sinalização nas ruas, nem tão pouco fiscalização, não farão falta os agentes de “azul”.

Foi isso que ocorreu comigo, anteontem, passando pela praça da Matriz, isolada para proteger o monumento, que espera restauração. Ali deveria passar apenas os transeuntes, mas já começa a ser ocupada. Vi fotógrafos, que penduram as fotos em árvores e atendem os interessados em um rústico banco.
Rua Marechal Deodoro obstruida por tapume e pelo comércio na calçada
Mas, vi um taxi (JXJ 3143) estacionado junto ao monumento, veja a ilustração. Mais adiante, no encontro da rua Marechal Deodoro com a av. Sete de Setembro, que está reduzida pelas escoras no prédio sinistrado e em restauração, o dono da loja fechou a calçada “dele”, obrigando os passantes a usar um resto de rua.
Calçada da av Eduardo Ribeiro "fechada" pelos camelôs
À noite, Manaus parece estar sitiada. Basta passar pela avenida Eduardo Ribeiro e contemplar aquelas “barricadas” vermelhas. Essa é a impressão que me ocorre, o sitiamento de Manaus, que sem direcionamento e chefia, vai se arruinando.

É preferível você não circular ou esperar o 2014 para ver “uma cidade”, que a PMM faz.

Memorial Amazonense (LIV)

Maio, 12

1887 – Criado, por disposição da lei nº 744, o município de Urucará, situado no rio Solimões. A padroeira é Sant’Ana, cuja festa é realizada em 26 de julho.
Bandeira do município de Urucará (AM)
1971 – Toma posse no cargo o desembargador Luís Caetano de Oliveira Cabral. Nascido em Manaus em 20 de abril de 1928, graduou-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais de Manaus, em 1946. Presidiu o Tribunal de Justiça em 1974, quando teve oportunidade de assumir provisoriamente o governo do Estado. Foi aposentado em junho de 1980.
Tribunal de Justiça do Amazonas, hoje sede do Centro Cultural
2010 – Morreu no Rio de Janeiro a doutora Silvia Pucú de Stephano, graduada pela Faculdade de Direito do Amazonas. Inscreve-se na história amazonense como a primeira mulher a lecionar na mesma Faculdade e, igualmente, a primeira a ingressar na magistratura amazonense.

10 de maio de 2011

ACIDENTE AERONÁUTICO

Tenente Paulo H. Splenger, do
site de sua formatura,
O acidente na manhã de hoje com um helicóptero da Marinha lembra-me outro semelhante, acontecido em outubro de 1989. Nesta manhã, não houve vítima fatal em decorrência do mergulho que a aeronave efetuou no Encontro das Águas. Ainda bem.

No outro acidente, acontecido no mesmo local, envolveu um helicóptero da Força Aérea Brasileira, atingindo gravemente a tripulação: matou o piloto, tenente Paulo Henrique Splenger, mutilou ao tenente Oswald Eseredter, e feriu levemente ao sargento José Donizete da Silva.

Coincidência ou não, ontem à noite, descrevi o episódio da FAB no livro em preparação - Os Bombeiros do Amazonas. Nele, narrei a participação dos mergulhadores dos bombeiros nas buscas da aeronave tipo esquilo ZH-50 que, apesar dos esforços gerais, desapareceu no conhecido e belo Encontro das Águas, levando em seu bojo o jovem piloto.
Brasão do Corpo de Bombeiros do
Amazonas
Não sei bem a destinação, mas recordei o título do livro do saudoso Leandro Tocantins – O rio comanda a vida. Por fim, saquei o acidente anterior em A Crítica (10 outubro 1989), em parte aqui repassado.

Tenente perdeu o pé no acidente 
Ainda não surtiram efeitos as buscas feitas pelos mergulhadores da Marinha e da Polícia Militar ao helicóptero que caiu na área do encontro das águas, matando o tenente da Base Aérea de Manaus, Paulo Henrique Splenger, cujo corpo continua desaparecido, e ferindo também o tenente Oswald Esheredter, que perdeu o pé direito no acidente e o sargento mecânico José Donizete da Silva, que já está fora de perigo, recebendo assistência no Hospital Militar.
Supõe-se que o corpo de Paulo Henrique esteja preso no helicóptero que sumiu nas águas do rio Solimões.

Pós Dia das Mães

Eu e dona Francisca Mendonça, 1949


Pensei com meus óculos que esta data havia passado sem brilho. Mas, conhecido os dados do comércio que bombou, venho me penitenciar. Em particular, fui comedido; passei por alguns locais públicos e não vi (ou não quis ver) o empurra-empurra na disputa por tudo, tudo para adoçar as mães ou outras divas.

Eu e dona Dora, 1983


Há tempo venho colhendo flores e guardando-as virtualmente. São elas que enfeitam este espaço, dedicadas a todas as mães, em nome de minhas duas: dona Francisca, que me gerou, mas que ainda jovem não resistiu à doença, e se foi há longo período; e dona Dora, que me criou por outro lapso, também ela não resistiu a uma grave moléstia.


Desculpem-me a falta de fineza, mas... vai de coração.

9 de maio de 2011

CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS (XXIII)

No início de 1982, na turma de Praça Especial incluída na corporação, foram selecionados para os bombeiros, quatro: Carlos Bacelar Martins Costa, nascido em 1958; e seu irmão Raimundo Jeodar Martins Costa, em 1960, ambos de São Felix de Balsas (MA); Reginaldo Lima de Souza, de Manaus (AM), nascido em 1962; e Salim Soares dos Santos, também de Manaus, em 1959, matriculados na EFO do Corpo de Bombeiros de Brasília (DF).

Coronel Dias
E, em dezembro, apresentaram-se dois concludentes da mesma EFO/DF, os aspirantes José Carlos Cardoso e Antonio Dias dos Santos, que marcaria sua carreira na corporação. O aspirante Dias, jovem simpático, promissor jogador de futebol, nasceu em Boa Vista, ao tempo do Território Federal do Rio Branco (1960). Em janeiro de 1977, enfrentou por três dias a então carroçável BR-174 até Manaus para enfrentar na Escola Técnica Federal do Amazonas o curso secundário e o de Técnico em Edificação de Estradas. Vencida essa etapa, não desperdiçou as chances: em 1980, matriculou-se nos vestibulares públicos da cidade. Passou em todos: para o oficialato da PMAM; em Matemática Plena, da então Universidade do Amazonas, e para Engenharia de Estradas na Universidade Tecnológica do Amazonas (Utam). Diante dos resultados, optou pela Polícia Militar, afinal sairia de Manaus para estudar e, melhor ainda, auferindo um soldo convenhamos de bom porte.

Conquistou a Academia dos Bombeiros de Brasília (DF) em 2º/14 (segundo lugar entre quatorze alunos), e devido a média obtida, assegurou o 1º lugar de sua turma, na Polícia Militar do Amazonas. (Esclareço que os bombeiros amazonenses, como em todo o País, estavam subordinados à Polícia Militar, a qual disciplinava a formação de seus oficiais). Nos Bombeiros, o aspirante Dias começou nomeado Tesoureiro (o cofre abastecido pela Prefeitura de Manaus fora lacrado), para gerir diminuta dotação fornecida pela PMAM; Almoxarife e Aprovisionador, encarregado da alimentação do pessoal. Algum tempo depois, em 1986, tenente Dias foi escolhido com outros policiais para dar partida à informatização da Polícia Militar, que encarava ainda que a passo o mais enfático desafio do final do século XX. A equipe (restaram dois) estruturou-se nos cursos da Prodam (Processamentos de Dados do Amazonas).
Indicativo do quartel dos Bombeiros do Amazonas
Mas, as maquinações da informática quase desestabilizaram este bombeiro. Depois de bem ponderar a situação, em 1995, o então major Dias voltou às atividades policiais, primeiro enfrentando o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na PM de Goiás. Em seguida, passou pelo 7º BPM, sediado no Distrito Industrial, e pelo 5º BPM, responsável pela segurança da Compensa. Enfim, estando no 6º BPM, instalado no Mutirão, teve que tomar outra séria decisão: permanecer na Polícia Militar ou transferir-se para o Corpo de Bombeiros, que se emancipava. Não houve evasiva, major Dias assumiu sua gênese – os Bombeiros, em novembro de 1998.

Plataformas modernas do Corpo de Bombeiros do Amazonas
O traumatismo da separação ocorrida entre os Bombeiros e a Polícia Militar do Amazonas vem sendo gradualmente superado. Presentemente, os “homens do fogo” sedimentam a atuação, consolidando com méritos a emancipação. Promovido a tenente-coronel em 1999, Dias retornou vinte anos depois à Academia de Brasília para o Curso Superior de Bombeiros (CSB). Recebeu a ultima estrela do oficialato em 2003, quando foi nomeado chefe do Estado Maior, nele se mantendo até ser alçado ao posto de Comandante Geral em 2007. Apesar dos entraves, coronel Dias segue com aquele sorriso cativante estampado na face, com a fisionomia de quem soube da vida edificar uma “estrada” modelar.