CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de setembro de 2010

Curiosidades políticas

No Amazonas, brasileiros de outras latitudes estiveram na direção do estado, isso sempre incomodou. Na província, nenhum amazonense teve o privilégio de presidi-la. Detalhe: do Pará veio o primeiro (Tenreiro Aranha) e o último (Manoel Francisco Machado, barão do Solimões) presidente da Província.

Omar Aziz, 2010


O primeiro amazonense a assumir o Poder Executivo foi José Cardoso Ramalho Junior (1898-1900). Outros brasileiros cumpriram esse encargo.
Mas, o primeiro paulista foi Omar Abdel Aziz (2010).


Agora, nestas eleições, acontecendo a vitória de Braga e Graziotin, teremos três senadores não amazonenses: Alfredo Nascimento (rio-grandense-do-norte); Eduardo Braga (paraense) e Vanessa Graziotin (catarinense).

Por essa e por outras amazonidades, Arthur Neto - 451 no Senado.

ACADEMIA NÃO ESCOLHEU ROBERTO MENDONÇA

A Academia Amazonense de Letras escolheu, sim, ao eminente político Almino Affonso, 81a, para a cadeira 15, de Graça Aranha, vaga do finado escritor e doutor acadêmico Narciso Lobo. Lobo morreu em julho de 2009.

Almino Affonso, no IGHA, 2003
Como amplamente divulgado, a reunião ocorreu ao final da tarde de ontem, com expressiva maioria de seus membros, aliada ao número de votos recolhidos entre os assoaciados. Ao todo, foram 28 votos.

Não foi dessa vez!, consolou-me o amigo Zemaria Pinto. Bem que eu me esforçei, porém, a minha ousadia foi exemplarmente castigada. Obtive 21%, ou melhor, "expressivos" seis votos.
Tamanha sova me permite sugerir que, deveria ser motivo de impedimento um anêmico escrivinhador de província desafiar a um "amazonense vitorioso fora", além de reverenciado pelos acadêmicos amazonenses. Hoje, ao abrir A Crítica, encontrei uma "notinhazinha" no colunista social. Mestre Almino Affonso, parabéns, o senhor merece ser nome de município, de rodovia, e de imensa avenida.

Estou contente por ter combatido "o bom combate". O apóstolo, de certo, vai me permitir perseverar no ideal. 

Não foram poucos os amigos, em especial aqueles que têm a cabeça no lugar, que me sugeriram o recúo. Como já havia realizado essa manobra na eleição do historiador Abrahim Baze, não entendia ser acertado este movimento. argumentava que, disputando com o ex-ministro do Trabalho e ex-vicegovernador de São Paulo, qualquer resultado me seria vantajoso. Se perdesse, como ocorreu, teria sido para o doutor Almino Afonso e, ao contrário, teria vencido do notável e douto Al-mi-no...

R. Mendonça, 2010
Agradeço àqueles que me sufragaram na urna acadêmica. Como foram poucos, pouquíssimos, posso escrever pouco e errar menos. A turma do "Chá do Armando": Almir Diniz, Zemaria Pinto e Armando de Menezes, que concretamente me estimularam, conduziram e votaram. 
Mais dois sufrágios: o do doutor Antonio Loureiro que, com seu voto vingativo, me ensinou a confiar. O do poeta Luiz Bacellar, por me permitir inquietá-lo com meus disparates. O sexto voto saiu de uma cuia de tantas promessas; dessa maneira, devido sua sacralidade, dorme comigo.

Prometo aos simpatizantes (aqueles a quem só é permitido torcer), não arrefecer. No entanto, devo cumprir os preceitos traçados por um doutor acadêmico, quando o procurei em busca de "luzes".
Enfim, cantarolando com o poeta suburbano: Por que não eu? Por que não eu? 

O fim dos Armazéns Rosas, de J. G. Araújo II

Para melhor entender esse gigantismo, reproduzo a “Cronologia do maior incêndio de Manaus”, publicada em A Crítica, de 28 de setembro de 1990.


O incêndio gigantesco que destruiu grande parte dos prédios situados no quarteirão formado pelas ruas Eduardo Ribeiro, Quintino Bocaiúva, Marechal Deodoro e Teodoreto Souto e também atingiu o prédio da Galeria Central, localizada na Marechal Deodoro, no lado oposto do quarteirão, durou cerca de 4 horas. O inicio do incêndio, segundo informações ainda não oficiais, foi na loja Disco de Ouro, por volta das 13 horas. E foi debelado quando faltavam 10 minutos para as 17 horas. A seguir a cronologia do acontecimento.
O mesmo periódico seguiu analisando o desastre. Em editorial - Fogo que clareia -, salientou as dificuldades manifestas dos bombeiros, e relembrou a punição do coronel Cavalcanti Campos, ex-comandante do Corpo, que, ao denunciar a situação dos “homens do fogo” em programa de TV dirigido por Carlos Souza, hoje vice-prefeito de Manaus, foi severamente punido.
Para encerrar esta postagem, afinal, este sinistro ofereceu motivação para longos debates. Recordo o finado colunista social – Gilberto (Gil) Barbosa, que nele, também encontrou o mote para sua coluna Gente, da mesma data: “Desaparelhamento imperdoável”.
13h – Começa incendiar a loja Disco de Ouro. As pessoas que ali trabalhavam correram a procura de extintores de incêndio.

13h30 – O fogo começa a se alastrar para as lojas vizinhas, em especial para A Cearense.

13h50 - Chegam os primeiros carros do Corpo de Bombeiros. O incêndio já estava tomando dimensões alarmantes, com focos para o prédio da Galeria Central.

14h – Uma senhora, identificando-se como tia das irmãs Cristiane e Claudia Feitosa, chega no local desesperada, dizendo que as duas estavam presas no prédio da Galeria Central. Até o final do acontecimento o fato não foi confirmado. Os bombeiros e policiais garantiram que não havia ninguém no prédio.

14h10 – Finalmente os Bombeiros conseguem armar as mangueiras e usar os jatos de água. Porém, somente pelo lado da avenida Eduardo Ribeiro.

14h15 – Os bombeiros chegam também na rua Marechal Deodoro.

14h20 – Proprietários e empregados da loja Jambo, ajudados pelos bombeiros tiram e jogam nas esquinas das ruas Quintino Bocaiúva e [Marechal] Deodoro, grande parte das mercadorias da loja. Além de salvar um pouco do prejuízo, a operação visava retirar do local todo material de fácil combustão.

14h25 – Alguns bombeiros em cima do telhado da Sayes Importação e Exportação começam a controlar o fogo no prédio da Galeria Central. Nessa hora, o vento começa a soprar em direção à Lobrás e, se ajudou a controlar o fogo da Galeria, piorou a situação na loja Jambo e passou a ameaçar a loja Marisa.

14h40 – Soldado do Corpo de Bombeiros, identificado pelos companheiros como Jocildo, sai carregado com ferimentos na cabeça.

14h50 – O calor na rua Marechal Deodoro é intenso. O capitão Bonates pede a todos que se afastem porque existe material altamente explosivo no sobrado da Jambo. Cinco minutos após a informação se confirma e o telhado do prédio é consumido em poucos minutos.

15h – Caminhões do [supermercado] CO começam a levar todo o material da Dessana, neste instante também sobre ameaça. Nos quinze minutos seguintes chegam diversos veículos de apoio, como um caminhão-pipa da Aeronáutica e da SEMOB [Secretaria Municipal de Obras], e pás mecânicas para limpar o caminho para os caminhões dos bombeiros.

15h25 – O coronel Medeiros [comandante geral] da PM admite que o incêndio naquele momento estava incontrolável. Escutam-se várias explosões.

15h55 – Desaba grande parte da parede [dos Armazéns] que dá frente para a av. Eduardo Ribeiro. Dez minutos depois desaba outro pedaço menor.

16h – Começa a haver pequenos atritos entre a multidão de curiosos que nesta ocasião ocupava toda a Praça do Relógio, av. Eduardo Ribeiro e av. Sete de Setembro. O vento começa a diminuir de intensidade e o fogo começa a ser controlado.

16h30 – Chega um pelotão de choque da PM, com escopetas, submetralhadoras. Acontece um pequeno atrito entre um policial deste pelotão e um repórter de uma estação de TV.

Jornal O Povo. Manaus, 28 setembro 1990
16h55 – Finalmente, o fogo é apagado.

Curiosos e donos de lojas vêm o prejuízo. O Povo, 28.9.1990
Os prejuízos são incalculáveis! Empresas comerciais inteiras viram anos de esforços transformar-se em cinzas. Os parcos recursos do Corpo de Bombeiros não foram suficientes e o fogo, em algumas horas, consumiu o inacreditável. Sem agentes químicos para debelar e extinguir esse incêndio, mesmo a água foi um fator ausente e que teria sido providencial.
Esta é a Manô dos contrastes... tem Vila Olímpica e Sambódromo, mas não dispõe de um bem aparelhado Corpo de Bombeiros, para salvar do rescaldo o pouco que ainda continua de pé, já que os vândalos não se aperceberam, por ignorar, da arte que arte que é habitar neste Inferno Verde.

29 de setembro de 2010

O fim dos Armazéns Rosas, de J. G. Araújo

Quartel dos Bombeiros, Manaus 

O coronel Odorico Alfaia Filho assumiu a direção do Corpo de Bombeiros em 30 de agosto de 1990. Logo, antes de completar o primeiro mês de comando, teve seu “batismo de fogo”. Aconteceu em 27 de setembro, quando sentiu em toda extensão combater o incêndio dos Armazéns Rosas, de J. G. Araújo Cia. Ltda., situados entre a rua Marechal Deodoro e a avenida Eduardo Ribeiro. Manaus assistiu o prédio centenário desaparecer, restando apenas na extremidade superior direita, como a zombar do tempo e da fogueira, e até dos bombeiros - consoante descrição jornalística, o “A” de Armazéns.
A cidade, como nos velhos tempos, parecia estar presente. A imprensa também, que nada deixou escapar. Nem a pobreza dos Bombeiros no combater ao incêndio, afinal, alçado a condição de “pior incêndio de Manaus“. Não houve vítima fatal ou ferido grave, apenas a destruição do prédio histórico proporcionou esta classificação.

Jornal já desaparecido, O Povo. Manaus, 28 setembro 1990

28 de setembro de 2010

Bandeira do Amazonas II

Conforme afirmei em postagem anterior sobre o assunto, ainda muito vento há de passar por nossa bandeira estadual. Vamos a mais uma questão. Essa, recolhida em jornal de 1949, escrita pelo professor Júlio Uchoa que, como o próprio afirma, "sobre coisas antigas do Amazonas", trata-se de "assunto que muito me atrai e seduz".
Em resposta a consulta de uma jovem aluna, o mestre Uchoa produziu o seguinte artigo. Traz ao final do trabalho uma informação surpreeendente, ao aludir a uma bandeira do Amazonas nas cores azul e branca.


BANDEIRA DO AMAZONAS
O Jornal, 31 de julho de 1949
Solicitei, todavia, à gentil interlocutora que procurasse ler no O Jornal, de hoje, coluna de assuntos históricos, que se publica aos domingos, sob responsabilidade do signatário, onde, com absoluta sinceridade, expenderia minha opinião. E, como diz o brocardo popular, que o prometido é devido, aqui estou para cumprir a promessa.
Com o advento da Constituição de 1937, desapareceram os símbolos estaduais e municipais. Declarava-se, no artigo 2º da Carta Magna, que a bandeira, o hino, o escudo e as armas nacionais eram de uso obrigatório em todo o País. E mais: não existiriam outras bandeiras, hinos, escudos e armas.


No Amazonas, em decorrência àquele preceito constitucional, veio o decreto nº 1, de 16 de novembro do mesmo ano, extinguindo a bandeira, escudos e armas estaduais e municipais, os quais seriam, pelo referido decreto, recolhidos ao Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.


Eis, porém, que, após longo sono, de quase nove anos, ressurgiram os símbolos estaduais e municipais, nos termos do parágrafo único, artigo 195, da Constituição Federal, de 18 de setembro de 1946, embora o legislador tenha dito que os Estados e os municípios “podem ter símbolos próprios”, não emprestando à frase sentido de estrita obrigatoriedade. A constituição estadual vigente, neste particular, foi mais exigente, quando declarou que ficavam “restabelecidos o Escudo e a Bandeira do Estado do Amazonas, abolidos no governo ditatorial de 1937”.


Entendo, aliás, nesta questão de vigência dos símbolos estaduais e municipais, bem mais acertados andaríamos, se tivéssemos ficado com a Constituição de 10 de novembro de 1937.


Vale referir, nessas insulsas notas, ao trabalho que, sob o titulo de – Símbolos Estaduais e Municipais – divulguei no Diário da Tarde, de 4 de fevereiro de 1947. Aludia, ali, ao decreto nº 204, de 21 de novembro de 1897, ao tempo do coronel José Cardoso Ramalho Junior, quando vice-governador do Estado, em exercício; bem assim ao decreto municipal nº 17, de 17 de abril de 1906, do então superintendente de Manaus, coronel Adolfo Guilherme de Miranda Lisboa, o primeiro, criando o escudo d´armas do estado do Amazonas, e, o segundo, instituindo o escudo municipal.


E, seguindo o texto da lei, fiz a descrição dos dois brasões. Quanto à bandeira estadual, confessei não conhecer quaisquer leis ou decretos que autorizassem seu uso, acrescentando que jamais lera, em historiadores regionais, uma palavra sequer sobre sua criação.


O meu despretensioso artiguete chegou às mãos do erudito historiador Arthur Cezar Ferreira Reis, no Rio de Janeiro, o qual, no propósito elogiável de esclarecer algo, pediu a opinião do coronel Ramalho Junior, em cuja administração, como vimos, se verificara a criação do escudo d´armas do Estado. Seria, naturalmente, ele a pessoa indicada para prestar as informações necessárias.


Afirmava Ramalho Junior, na missiva a mim dirigida, que o decreto criatório da bandeira fora lavrado, esperando-se um dia festivo para referendá-lo. Acontece, porém, que nesse meio tempo, recebia o governador do Ministério da Justiça um despacho telegráfico declarando-lhe que os Estados não podiam possuir pavilhão próprio. Diante da peremptória determinação ministerial, o decreto “morreu no nascedouro”, como diz a gíria popular e foi, por isso, condenado à cesta de papeis inúteis.


Há ainda um fato interessante que merece ser divulgado. Além da bandeira conhecida geralmente, entre nós, vi, na Capital Federal, em 1946, numa exposição de pavilhões estaduais, outro modelo, que se dizia igualmente oficial. Formava-o quatro triângulos justapostos pelos vértices, sendo que os dois, no sentido horizontal, eram de cor branca e os outros dois, em posição vertical, azuis. Não souberam me informar, porque cargas d´água aquela bandeira fora parar na capital do País.


Bandeira no parque
Jefferson Péres


Ninguém, pois, em sã consciência, poderá usar a bandeira estadual, em solenidades oficiais, ou hasteá-la nos mastros dos edifícios públicos, sem que preceda um ato de poder competente, criando-a, mesmo porque, ficaríamos em dúvida, qual das duas bandeiras deveria merecer a nossa preferência e veneração.



27 de setembro de 2010

Eleições amazonenses 1950

Algumas décadas depois do ciclo da borracha, Manaus vivia cercado de uma pobreza extrema, "para encurtar a conversa", sequer havia energia elétrica. Havia sim, energia produzida pelo "motor de luz" do Porto e distribuida pelo "cabo C", que apenas distinguidos cidadãos privilegiavam. E tristemente candidata a "porto de lenha". 

O Jornal, no dia das eleições, convoca os eleitores

Sob esse panorama encerrava-se o mandato do governador Leopoldo Neves, ou, simplesmente Pudico. Aliás, este já renunciara ao cargo para se inscrever ao Senado nas eleições de 3 de outubro de 1950. Como deve ocorrer no final de semana, 60 anos depois!
Dois partidos seguiam dominando a cena política: Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN). Mas, outras siglas já prosperavam no País, destacando-se o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
O Jornal. Manaus,
3 outubro 1950

Outra questão influiu nas eleições regionais. Dizia respeito à presença de Getúlio Vargas, de volta ao poder executivo nacional. Envolvido pelo movimento do "queremismo", Vargas atropelou seus concorrentes. Sua vitória estendeu o mesmo efeito para antigos correligionários.


O Jornal. Manaus, 1º outubro 1950

No Amazonas, os dirigentes do PSD não se entenderam e, devido ao "racha", foram à disputa dos votos. Dessa maneira, restou para governador, pelo PSD, Álvaro Maia, e pela união UDN-PTB, Severiano Nunes.

Venceu o pleito o ex-interventor federal, também poeta e prosador, Álvaro Maia. A posse do novo governante ocorreu em 31 de janeiro de 1951.

O Jornal. Manaus, 4 outubro 1950
Resultado parcial em O Jornal. Manaus, 24 outubro 1950

25 de setembro de 2010

Igreja Batista da Chapada - 50 anos

Hoje, há 50 anos, teve início as atividades desta Igreja Batista. A sua história encontra-se no site oficial da mesma, de onde retirei o texto. Aos membros dessa Casa de Deus afirmo ter reelaborado o discurso para o leitor deste espaço. Espero ter colaborado positivamente.
Diego Valois

Aos batistas da Chapada, especialmente aos jovens como meu filho, Diego Valois, que frequentam com belo espírito religioso esse endereço, meus votos de amplo sucesso. Foi o Diego que me apresentou ao trabalho de vocês, ao Auto de Natal. Tornei-me fã ardoroso do trabalho artístico desenvolvido.
Amanhã acontecerá o encerramento das comemorações. Será um domingo soberbo, todos estão convidados. Estarei presente.


Tema da comemoração

Domingo, 26

9h - Culto da manhã e Café regional por Grupos de Oração e Amizade.
(Não esqueça que neste café são os grupos que levam a comida. Favor caprichar, pois distribuiremos nossos convidados nos diversos grupos).

18h Culto de 50 anos da NOVA IGREJA BATISTA DA CHAPADA
(Não esqueça o bolo e o guaraná).
Um pouco de história...
Em 25 de setembro de 1960, a Igreja Tabernáculo Batista de Manaus, por intermédio de seu pastor, Francisco Santiago, fundou na então rua João Alfredo, no bairro da Chapada, a Igreja Batista da Chapada. O pastor fundador foi o missionário John Hatcher que, juntamente com sua esposa e filhos, assinou a ata de fundação da Igreja. 
Apenas para nos situarmos na linha do tempo, a avenida Djalma Batista foi construída na administração do prefeito Jorge Teixeira (1969-1975). E o Shopping Amazonas foi edificado e inaugurado em novembro de 1991.


Depois, veio o ministério do Pr. Wanderlei de Melo Rodrigues. Foi ele o pastor presidente até 2002, quando, junto com os demais, operacionalizou arduamente sua missão. Coube-lhe dirigir a construção do prédio existente na avenida Djalma Batista, a casa ocupada até a presente mudança. Foi ele indiscutivelmente quem deu partida para esta promissora fase de crescimento.

No endereço da avenida Djalma Batista

Hoje, nossa Igreja é presidida pelo Pr. David Hatcher, filho do missionário fundador da Igreja da Chapada.
A NOVA IGREJA BATISTA, além de seu novíssimo templo, possui o acampamento (Recanto da Chapada), situado no km 14 da rodovia Manaus-Boa Vista. Além disso, agradecemos a Deus pela construção de várias igrejas, até em outros estados do País. Assim é que foi implantada, em 2004, a Igreja Batista do Paraná, em Cascavel, presidida pelo Pr. Jefferson Borges. Para mais detalhes, veja http://www.nib.org.br/
Enfim, foi motivo de muito júbilo a mudança de nossa Igreja para novo local, bem mais espaçoso, bem mais eficaz. Instalada agora na avenida Torquato Tapajós, próximo a saída da Cidade Nova, mantém sua programação e os cuidados com os filhos de Deus.

24 de setembro de 2010

ASSOCIAÇÃO DOS VELHOS CORONÉIS (AVC) (IV)

O encontro de hoje da Confraria voltou a ocorrer no Emporium Roma, revestido de certa tristeza e alguma revolta. Tudo porque, no sábado, 18, faleceu o coronel Luis Gonzaga Rodrigues de Oliveira. O coronel Oliveira, apesar de não frequentar este grupo, fora contemporâneo de todos, por isso, todos estavam enlutados.
Muitos não tiveram a oportunidade de se despedir do camarada. A exiguidade do tempo do velório, a falta de comunicação e porque era sábado, o coronel Oliveira foi-se sem as continências de estilo.

A frente, coronel Alfaia, no fundo
coronéis Celio e Ary Renato
Simpático, educado, carregando um sorriso sincero, sempre com uma história na "ponta da língua" para contar, enfim, bom papo. Destacou-se na administração da Polícia Militar, mas orgulhava-se de ter comandado o extinto 1º Batalhão, aquele quartel instalado no bairro de Petrópolis, onde agora funciona o comando geral da corporação.

E aqui vai o motivo da revolta. Apesar de velado na funerária Almir Neves, alguns colegas do coronel Oliveira tentaram transferir o velório para o mencionado quartel. Local apropriado existia. No mesmo onde, ano passado, a corporação despediu-se de outro camarada. O comando maior da entidade, todavia, não permitiu! 

Ao almoço compareceu um bom número de coronéis (Alfaia, Ary Renato, Abelardo, Alcantara, Cavalcanti, Claumendes, Câmara, Célio, Ewerton, Fernando, Gilson (presidente do clube dos oficiais), Humberto Mitouso, Medeiros, Osório, Roberto, Ruy, Santarém e Vital).
A partir da esq. Câmara, Medeiros e
Abelardo

Na entrada, acolheu-se mais um candidato a deputado estadual, desta vez quem veio foi o major Cardoso, que explanou os motivos para enfrentar tão infrutífera missão. Quem lembrou tal dificuldade foi o presidente do Clube dos Oficiais: desde a redemocratização do País em 1985, apenas o coronel Cavalcanti Campos elegeu-se deputado estadual. 

Para encerrar, deliberou-se reclamar da desatenção do comandado da PMAM para com o finado coronel Oliveira.

23 de setembro de 2010

Eleições amazonenses 1947


Encerrada a Segunda Guerra, deixou de existir clima para a ditadura existente no País. Assim, depois de algumas providências militares, Getúlio Vargas abandona o poder e, em eleições realizadas em dezembro de 1945, assume o eleito - Eurico Gaspar Dutra. Abria-se dessa maneira novo período democrático que, no entanto, perdura até 1964. 
No Amazonas, este novo lapso democrático permite a eleição de cinco governadores (Leopoldo Neves, Álvaro Maia, Plínio Coelho, Gilberto Mestrinho e, novamente, Plínio Coelho).
Syzeno Sarmento (nascido em Manaus e oficial do Exército) era o interventor federal. Por isso, empenhou-se na realização das eleições, que acontecem em dezembro de 1947.

Jornal do Commercio. Manaus, 19 dezembro 1947


Leopoldo Neves
Ruy Araújo
Dois candidatos disputam  o cargo de governador: Ruy Araújo, candidato pelo Partido Social   Democrático (PSD) e Partido Trabalhista Nacional (PTN) e Leopoldo Amorim da Silva Neves, apoiado pela União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).


Venceu a disputa Leopoldo Neves, carinhosamente tratado por Pudico, que encontra o Estado em franca decadência. Quase nada pode realizar.    

Jornal do Commercio. Manaus, 31 dezembro 1947
resultado parcial

22 de setembro de 2010

Deu em A CRÍTICA III


A Crítica. Manaus, 30 agosto 1980

No final de agosto de 1980, ainda se vivia sob o Governo Militar, aconteceu um alarme falso de bomba na agência da Caixa Econômica Federal, situada na rua Barroso, ainda hoje em funcionamento. Ao seu lado, funcionava a Justiça do Trabalho, e mais adiante a agencia do Banco do Estado do Amazonas que vendia seguros em geral.
Não podia ser diferente, a evacuação do prédio causou aquele rebuliço. Atraindo uma grande multidão para assistir quem sabe o trabalho da polícia. Ou ver a bomba explodir. Como não havia bomba, os curiosos ficaram a ver os fuscas da Polícia Militar. Sim, porque a PM ainda utilizava esses prosaícos veículos no serviço de policiamento.


A Crítica. Manaus,
10 agosto 1980




Interesante é que no início do mês, Mário Adolfo, competente chargista, publicou em sua coluna a ilustração seguinte. Parecia prever a notícia alarmante do final do mês. Afinal, agosto é mês do desgosto.

Mas, para entender o trabalho do chargista, Ibrahim Sued era um colunista social, com programa de TV. Era com o mote - bomba, bomba, que anunciava suas notícias.


21 de setembro de 2010

Oitentanos de Alencar e Silva


O poeta, na Academia
Amazonense de Letras,
em 2004

O poeta Joaquim Alencar e Silva nasceu em Fonte Boa (AM), e forma com Jorge Tufic e o finado Farias de Carvalho, todos de 1930, uma tríade respeitável e premiada da poesia nacional. Hoje, residindo no Rio de Janeiro, Alencar e Silva não terá o encontro pessoal de seus amigos daqui, mas segue lembrado e homenageado.

Iniciou os estudos nessa cidade do rio Solimões e os secundários encerrou no Colégio Estadual do Amazonas, ao lado da Praça da Polícia. Na mesma praça que ainda conserva o "mulateiro-sede" do Clube da Madrugada, agremiação de muito imortância para o poeta. Dissertando sobre A Poesia amazonense do século XX, Assis Brasil revela que Alencar escrevia desde a adolescência e, entre poemas e primeiros livros publicados, manteve "ativa colaboração em jornais de Manaus", citando A Tarde, de Aristophano Antony, e A Crítica, de Umberto Calderaro.
A lição sobre o jornalismo literário, Alencar e Silva aprendeu em O Jornal, "onde o Clube da Madrugada mantinha um importante suplemento".
Na década de 1970 muda-se para o Rio de Janeiro, onde obtém o bacharelado em Direito pela Faculade Nacional de Direito.

Alencar,
em 2004

Publicou os livros Painéis (1952); Lunamarga (1965); Território noturno (1982); Sob vésper (1986); Poesia reunida (1987); Noturno após o mar (1988); Ouro, Incenso e Mirra (1994), entre outras manifestações literárias.

Alencar e Silva, pelo conjunto de sua obra, ocupa a Cadeira 23, de Cruz e Souza, da Academia Amazonense de Letras. Assumiu-a em sessão de 5 de agosto de 1992, saudado pelo poeta Max Carphentier, sob a presidência do saudoso Oyama Ituassu.

Em 1959, o finado Anísio Mello funda e dirige o jornal Correio do Norte, em São Paulo, publicando em suas páginas a contribuição dos amazonenses. Na segunda edição quinzenal, o CN publica um poema de Alencar e Silva, que reproduzo com homenagem ao respeitado poeta de "boa fonte".

Correio do Norte. SPaulo, maio 1959

Memorial Amazonense XXXV

Setembro, 21


Herculano Castro,
O Jornal. Manaus, 29.12.1960

1905 – Nasceu em Itacoatiara (AM), o jornalista Herculano de Castro e Costa, filho de José e Rachel Fonseca de Castro e Costa. Iniciou na profissão em São Luis (MA), depois trabalhou em todos os jornais de Manaus. Dono de um texto exemplar, foi capaz de convocar para a profissão alguns de nossos conhecidos jornalistas. É pai da jornalista Baby Rizzato.


1916 – Nasceu em Waupés, hoje São Gabriel da Cachoeira (AM), o desembargador Arthur Gabriel Gonçalves, filho de Graciliano Lopes Gonçalves e de Olívia Palheta Gonçalves, foi casado com Maria da Penha Araújo Gonçalves. Graduado pela Faculdade de Direito do Amazonas, na turma de 1942, ingressou na magistratura amazonense em 1944, na condição de juiz municipal. Assumiu o cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas, por merecimento, em 20 de abril de 1956. Em 1977, presidiu a Alta Corte do Estado, tendo nessa condição substituido o governador do Estado. Morreu em 26 de agosto de 1980.

Oyama Ituassu, na
Academia, em 2004

1916 – Nasceu em Manaus (AM), o desembargador Oyama César Ituassú da Silva. Bacharel pela Faculdade de Direito do Amazonas, na turma de 1939. Doutor em Direito Público, por concurso, na mesma escola, em dezembro de 1956. Após longo período no exercício da magistratura, foi promovido a desembargador em fevereiro de 1952. Presidente do Tribunal de Justiça em 1954, exerceu o governo do Estado em substituição constitucional, em outubro do mesmo ano. Presideiu o ideal Clube, onde impos com seu porte a rigidez da conduta idealina.
Pertenceu a Academia Amazonense de Letras, onde ingressou em 12 de dezembro de 1967, na cadeira 26, em sucessão a Waldemar Pedrosa. Alcançou a presidência da Casa de Adriano Jorge, por alguns mandatos. Morreu em 2009, e sua vaga vem sendo disputada ardorosamente.



1946 - Nasceu em Manaus, o tenente-coronel Alrefredo Melo de Souza. Pertenceu aos quadros da Polícia Militar do Amazonas, tendo falecido no mês passado, ocasião em que relatei o ocorrido. 


20 de setembro de 2010

Eleições amazonenses

Aproveitando o período eleitoral, vou reproduzir até a próxima eleição os embates ocorridos pelo Executivo amazonense. As informações serão sacadas de jornais de época, quando então, o periódico dispunha de "liberdade" para declarar seu voto. 
O jornal defendia com empenho seu candidato, mantendo coluna especializada para denegrir ou satirizar o adversário.
Convém lembrar que o direito de votar, usurpado na ditadura de Getúlio Vargas, teve seu retorno em 1947. Dois partidos políticos disputavam a hegemonia estadual: o Partido Social Democrático (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN). À margem, seguia principalmente o Partido Trabalhista Brasileiro. No entanto, havia outros partidos menores.

Em 1947,quando da primeira disputa a ser considerada nesta página, circulavam em Manaus, O Jornal e o Diário da Tarde; A Gazeta; Jornal do Commercio; A Tarde, entre outros.
A segunda eleição ocorreu em 1950, e as demais a cada quatro anos, até que o Governo Militar cassou esse direito.

Ruy Araújo, emblemático político estadual,
O Jornal. Manaus, setembro 1950
Enfim, pretendo com recortes de jornais mostrar a propaganda, a forma de votar e os resultados.

19 de setembro de 2010

Memorial Amazonense XXXIV

Setembro, 19



1853 – O governo imperial, consoante a lei nº 715, estabeleceu em Manaus o Comando das Armas da Província. Ao mesmo tempo, extinguiu o Comando Militar do Amazonas que fora estabelecido, em 1837, para combater os cabanos. A posse do primeiro comandante, coronel Ignacio Corrêa de Vasconcelos, em 9 de setembro de 1854, marca o início de sua atividade.


1926 – Morreu em Belém (PA), Antônio Constantino Nery, general da reserva, que foi governador (1904-19070 e senador do Amazonas.


O Jornal,
10 março 70
1947 – Nasceu em Manaus (AM), Romeu Pimenta de Medeiros Filho, coronel da reserva da PMAM. Seu pai, Romeu, empregado da Cervejaria Amazonense, no bairro de Aparecida, era um comunista convicto e competente. Um dia no início da década de 1960, tentou influenciar este filho para que fosse estudar na antiga URSS, mas, algumas controvérsias impediram a viagem. Assim, o filho concluiu o curso secundário no Colégio Estadual do Amazonas e, a seguir, o curso do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), na turma de 1967, onde adotou o sobrenome Medeiros como seu “nome de guerra”.


No mesmo ano, Medeiros ingressou na tradicional Polícia Militar, em fase de expansão pelo esforço do Governo Militar (1964-1985). Seu porte, de jogador de vôlei do Atlético Rio Negro Clube, permitia com vantagem enfrentar aqueles entreveros mais duros. Ao menos, em duas oportunidades foi enviado ao interior do Estado para tais missões.


Destacou-se na parte administrativa, gerenciando as finanças e a logística. Também se capacitou ao comando superior, ao conduzir a Companhia de Rádio Patrulha, o Corpo de Bombeiros, entre outras unidades subalternas. Depois, um tempo depois, realizados os cursos obrigatórios da corporação, em São Paulo e Minas Gerais, além do curso de Administração na Universidade do Amazonas, Medeiros alcançou o comando geral da PMAM, entre 22 de junho de 1989 a 7 de maio de 1991.


Ocorreu no primeiro governo de Amazonino Mendes (1987-1991). Tratava-se de grato reconhecimento do governante ao filho de um de seus mestres da doutrina comunista, Romeu sênior. Medeiros, no entanto, havia se capacitado para tanto, sua geração de colegas e subordinados ainda hoje reconhecem sua liderança. A assunção ao cargo era esperada com entusiasmo. Mas, Medeiros não pode realizar o comando que havia montado. Obrigado a atravessar o governo de José Sarney, marcado por criminosa inflação, todo o esforço deste comandante se concentrou em salvaguardar o soldo dos policiais militares.


Para isso, valeu-se de toda a amizade acumulada com os amigos da Secretaria da Fazenda e de outros órgãos governamentais. Conseguiu manter o soldo, mas teve que poupar os investimentos. Dedicou-se a modernizar o Centro de Operações, órgão de controle do policiamento urbano. Deu início a reunião de comandantes de PM da região Norte, entre suas marcantes iniciativas.


Enfim, ao discordar das diretrizes do Secretário de Segurança, Klinger Costa, pediu exoneração e passou o comando ao coronel Amilcar Ferreira. Foi, então, cuidar do sítio. Agora cuida da marca Zainffe, que produz roupas e fardamentos. E segue torcendo vivamente pelo Flamengo.


Medeiros, usufruindo da boa mesa, ao lado dos amigos

18 de setembro de 2010

Espaço Cultural V

Às dez horas hoje, a Universidade Federal do Amazonas, em conjunto com o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, efetuou o lançamento de três livros póstumos do professor Mário Ypiranga Monteiro.
Presentes à mesa dirigente o vice-reitor da Ufam, , o presidente do Igha, Geraldo dos Anjos, a diretora da Edua, Iraildes Torres, e a filha do autor, Marita Monteiro. 

Iraildes Torres apresenta os livros
Tanto a diretora da Edua quanto o vice-reitor lembraram a existência de 30 produções do falecido mestre em processo de editoração. E que haverá um esforço da direção maior da Ufam nesse segmento, para publicar todas.



Marita Monteiro, emocionada,
agradece
Ao agradecer o cuidado dispensado a obra de seu pai, Marita emocionou-se.  Apesar das lágrimas, prosseguiu falando. A emocão circundou a plateia.

Os três livros ora lançados: O Pescador; Papagaio de papel e Escravidão indígena, todos a venda nas livrarias de Manaus.

Um dos livros lançados
Para alegrar os convivas, foi servido um coquetel básico: salgados, refrigerantes e uísque. A festa atraiu um bom número de simpatizantes da Casa de Bernardo Ramos e da obra do saudoso professor.

Visão do salão de honra, e parte dos presentes

17 de setembro de 2010

Espaço Cultural IV


Capa do folheto



O acadêmico Armando Andrade de Menezes acaba de publicar mais um trabalho literário. Trata-se da palestra que proferiu na Academia Amazonense de Letras, em 29 maio. Intitulada de Joaquim Nabuco, o abolicionista, a publicação faz parte da coleção Cadernos da Academia.
Armando de Menezes homenageou a dois acdêmicos nesta publicação: Almir Diniz e Zemaria Pinto.
Mereci, junto a outros colaboradores do autor, a seguinte manifestação:



Convencido de tudo haver feito no sentido de cumprir a missão a mim conferida pelo eminente confrade Cláudio Chaves, diretor de Promoções e Eventos desta Casa, desejo, de público, agradecer a colaboração de amigos na cessão de material sobre a vida e a obra de Joaquim Nabuco, destacando o próprio amigo/confrade Cláudio Chaves, o livreiro Antonio Diniz, e o historiador/pesquisador coronel Roberto Mendonça.


Contracapa do folheto com
foto do autor
 De minha parte, muitíssimo obrigado pela deferência, amigo Armando de Menezes.

16 de setembro de 2010

CINEMAS DE MANAUS (IV)

Cinema Avenida (Final)
 
Ed Lincon

Nas noites de sexta-feira, o cine Avenida promovia a “Sessão Chic das Moças”, rodando filmes adequados aos valores comportamentais da sociedade manauara: A Noiva, Suplício de uma saudade, Três dias de vida, O Coração não envelhece e Sonho de Estrelas, só para exemplificar. Essa sessão era especialmente frequentada por casais enamorados.

Para ampliar o conforto, em fevereiro de 1954, a Empresa Bernardino instalou cadeiras estofadas no cine Avenida. Mas, apesar de ostentar o título de “cinema da elite”, nele havia somente ventiladores de teto e, ao contrário de outros cinemas de Manaus, não possuía palco para a realização de espetáculos.

Em agosto, o técnico Mario Schneider, da Companhia Black de São Paulo, instalou no Avenida a tela panorâmica e os projetores da marca “Gaumont-Keller” (os existentes neste cine foram montados no cine Vitória). A estréia da tela panorâmica, marcada para 7 de setembro, ocorreu na 2ª quinzena desse mês, devido o atraso na chegada do filme Luzes da Ribalta, de Charles Chaplin.

Em 1955, veio mais um melhoramento na luxuosa sala da av. Eduardo Ribeiro: a instalação do “cinemascope”. A estréia sucedeu na noite de 16 de julho, apresentando O Príncipe Valente, com James Mason e Robert Wagner. “O sistema proporcionava maior raio visual, emprestando à película maior campo de ação e permitindo, igualmente, a apresentação, em primeiro plano de tantos atores quantos a cena requer e, de modo simultâneo, uma vista panorâmica de ação filmada”, explicava o Jornal do Commércio (Manaus, 14.7. 1955).

A 18 de agosto de 1956, faleceu no Pará o fundador da empresa, Antonio Lamarão. Na igreja de D. Bosco, foi rezada a missa de 30º dia, encomendada por seus amigos e ex-sócios, Adriano Bernardino e Aurélio Antunes.

Todos os anos, em 27 de março, a empresa Bernardino comemorava o aniversário do cine Avenida, exclusivamente com a exibição de filmes. No 21º aniversário desta sala, o jornal A Gazeta (Manaus, 27.3.1957) destacou:


Ponto obrigatório de frequência da melhor sociedade amazonense, que dirigentes da Empresa, para brindar seus clientes, o aniversário do Cinema AVENIDA, por isso mesmo, é uma efeméride que leva satisfação e alegria também aos seus frequentadores, aos quais a empresa proprietária, numa justíssima homenagem, pela preferência, brindará durante todo o dia de hoje, com um excelente programa de muito bem escolhidas películas.

Cine Avenida, Manaus, 1973
No período de 17 a 22 de novembro de 1966, foi realizado em Manaus, o I (e único) Festival de Cinema Amador do Amazonas, patrocinado pelo Clube da Madrugada, J. Borges Filmes, Rádio Rio Mar e A Crítica. O encerramento ocorreu na noite de 21, no cine Avenida, em sessão especial para convidados.
Contrariando as previsões de que só teria sucesso de bilheteria nos cinemas suburbanos, o filme “Paixão de um Homem” levou ontem, ao Cinema Avenida (em plena Eduardo Ribeiro), uma das maiores enchentes já recebidas por aquela casa. O principal figurante da película é o discutido cantor Waldik Soriano, que, com o chapéu e o óculos que marcam a sua personalidade fez a fila do “Avenida” atingir a Rua Joaquim Sarmento. 
A intenção era mostrar a loja Bemol, sucedânea do cine Avenida,
todavia, hoje as barracas não permitem 
A comissão julgadora do I Festival de Cinema Amador era composta por: Madalena de Almeida (Jornal do Brasil); Décio Luiz (da J. Borges Filmes e TV Continental); Padre Luiz Ruas (1931-2000) e José Gaspar (1937-). Saiu vencedor do Festival o curta-metragem Carniça, de Normandy Littaiff, sob protestos dos demais participantes.

Tal qual sucedeu a outros cinemas da cidade, a televisão afastou o grande público. As chanchadas nacionais foram substituídas pelos faroestes italianos, conhecidos popularmente como “Western Spaghetti”: Viva Django, Os Abutres têm fome, 7 Dólares ensangüentados, A Marca da forca, etc. O baixo custo no aluguel dessas fitas ainda garantia pequena lotação aos domingos.

Em outubro de 71, a comissão formada pelos vereadores Francisco Flores, Aluizio Oliveira e Praxíteles Antony, visitou os cinemas da cidade e constatou vários problemas. Entre esses, a falta de higiene, conforto, conservação e segurança. Consultados os proprietários, todos alegavam os mesmos motivos: um, a televisão, que afugentou os freqüentadores; outro, o ingresso a Cr$ 1,50 (um cruzeiro e cinquenta centavos), mais barato que o cobrado nos cinemas do Sul, que cobravam entre quatro e cinco cruzeiros. Mais dois, as cadeiras quebradas pelos espectadores; e a exigência de ingressos padronizados pelo INC, impostos etc.

Em junho de 1972, a Prefeitura de Manaus determina o fechamento de todos os cinemas da cidade, exceto o Avenida. O INC, por seu delegado regional, Afonso Lopes, diverge da Comuna, por entender que cabia à entidade o serviço de fiscalização das casas de diversões. O cine Avenida apesar da crise, ainda desfrutava de boa frequência, como atesta o Jornal do Commércio (27.02.1973).

A 16 de março de 1973, o controle acionário da A. Bernardino passou para o grupo Phellipe Daou. Daou cogitou montar ao lado do cine Avenida uma espécie de cinema-modelo: Cine Hora, equipado com bastante luxo e conforto e capacidade para 200 ou 300 lugares. Esse projeto, todavia, não se concretizou.
A campanha encetada pela Prefeitura já havia ocasionado o fechamento de quase todos os cinemas da cidade. Ainda resistiam o Avenida, o Guarany e Ipiranga. A agonia do “fecha ou não fecha” do Avenida prolongou-se até o encerramento de suas atividades na noite de 2 de julho de 1973. Projetou nessa noite o filme Fugindo do Inferno. Lamentou A Crítica:


Manaus hoje deve estar regredindo, pois todos os cinemas foram fechados, seja por qual for o motivo, isso significa uma grande perda para a população. Os cinemas Polytheama e Éden fecharam no último fim de semana. O Avenida ia continuar por mais algumas horas. Ontem chegou a sua vez. As placas com os cartazes desapareceram. A porta ficou fechada e o movimento cotidiano em frente àquela casa de diversões acabou. Tudo ficou no maior silêncio e dentro do prédio, um empregado cuidava da limpeza para conservar a casa.
A seguir, o imóvel foi vendido para a firma Benchimol, Irmãos Cia. Ltda., que ali instalou mais uma loja de eletrodomésticos.

15 de setembro de 2010

CINEMAS DE MANAUS (III)


Cinema Avenida

Ed Lincon

Na avenida Eduardo Ribeiro, junto ao “Canto das Novidades”, de Andrade, Santos & Cia. (onde estiveram, pela ordem, o Bar Americano, a agência do Credireal de Minas Gerais e, atualmente, a loja C & A), funcionou de 28 de novembro até o início de dezembro de 1909, a sala de exibição denominada Cinema Avenida.


Três anos depois, na mesma avenida, ao lado do “Restaurant Français” (mais tarde Bar e Sorveteria Avenida e, atualmente, agência do Bradesco), a 20 de outubro, foi inaugurado o segundo Cinema Avenida, de J. Moraes & Cia., com orquestra regida por Landry, Campos e Pagani. Assim como o antecessor, também este teve existência meteórica, ao fechar definitivamente em janeiro de 1913.


Cine Avenida, anos 1940
Somente em 1935, Antonio Lamarão e Aurélio Antunes fundaram a empresa Cinema Avenida Ltda. A empresa logo adquiriu o edifício nº 427 desta avenida, onde funcionara entre 1926-1934 a “Manáos Arte”, de J. G. Araújo (casa especializada na venda de artigos fotográficos, projetores, bicicletas, pneus e representação dos automóveis Willys), para nele instalar a sala de cinema Avenida.


A 1º de dezembro, a firma inicia as obras de reforma e adaptação do edifício, procurando dotá-lo de luxo e conforto. A pré-inauguração ocorreu na noite de 26 de março de 1936, em sessão especial para a imprensa e autoridades. Na ocasião, foi exibido o filme americano Voando para o Rio, estrelado pela atriz mexicana Dolores Del Rio, Fred Astaire e Ginger Rogers.


Equipado com “moderno” sistema de projeção, que combinava som e imagem, o Avenida foi o segundo (Alcazar, o primeiro no início dos anos 1930) a usar esse processo, denominado de Movietone. Dispunha de 642 lugares e, na estréia em 27 de março, cobrou o ingresso a 3$200 (três mil e duzentos réis). Já em maio, a empresa inaugurava ao lado da Igreja de São Raimundo, o Cine Paroquial, também conhecido como “Cine São Raimundo”.


Dona Yayá, 1942
Logo denominado pelos jornais de “o cinema da elite manauense”, o Avenida tornou-se o favorito das famílias abastadas de Manaus. Outro detalhe singular marcou essa casa: a presença do proprietário, Aurélio Antunes, acompanhando o movimento da bilheteria, e mais destacada a de sua esposa, Maria Amélia Cezar Antunes. Dona Yayá, como era conhecida, usava quase sempre vestidos floridos e os longos cabelos negros amarrados em coque. Por isso, tornou-se a atração: pelo trajar espetaculoso e pela excessiva maquiagem no rosto.


Yayá costumava descrever trechos do filme em exibição, com o intuito de atrair os espectadores. Ao lado do marido, manteve-se à frente do cinema Avenida até o começo dos anos 1970, quando o mesmo encerrou as atividades. O falecido senador Jefferson Peres (1932-2008), em seu livro Evocação de Manaus, traça luminoso perfil dessa personagem.


Para comemorar o primeiro aniversário, o Avenida exibiu dois filmes distribuídos pela R.K.O. Rádio Pictures do Brasil: Os últimos dias de Pompéia e O Picolino. Este, um musical estrelado pela dupla de atores-bailarinos Fred Astaire e Ginger Rogers.

Em setembro de 1937, informava o Diário Oficial que a empresa solicitara ao Governo o arrendamento de um terreno no bairro de Educandos. Situado nas proximidades da conhecida Baixa da Égua, destinava-se à construção de um cinema (no local iria funcionar mais tarde o Cine Vitória).
Adriano Bernardino, 1958


No final de 1937, retirou-se da empresa o sócio-fundador Antonio Lamarão, e foi substituído por Antonio Relvas Júnior e Adriano Bernardino. Nesse mesmo ano, a empresa passou a fornecer filmes para o vizinho município de Itacoatiara. E, no ano seguinte, a mesma arrenda o prédio onde funcionara o cine-teatro Alcazar, que o reforma e realiza sua nova inauguração a 6 de agosto, agora com a denominação de Cine-Teatro Guarany.



Em 1942, Adriano Bernardino assume o controle majoritário da Empresa Cinema Avenida Ltda., alterando a razão social para Empresa de Cinemas A. Bernardino & Cia. Ltda. (segue)