CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

21 de setembro de 2016

AUTORIDADES NO AMAZONAS - 1970


Governador Areosa no quartel do CIM,
entregando medalhas 
RELAÇÃO DE AUTORIDADES DO ESTADO DO AMAZONAS (*)

Autoridades Estaduais:

Governador do Estado - Danilo Duarte de Matos Areosa
Vice-Governador - Homero de Miranda Leão
Chefe da Casa Civil – Dr. João Martins da Silva
Chefe da Casa Militar – Coronel PM Themistocles Henriques Trigueiro
Subchefe da Casa Civil – Dr. Emerentino Rodrigues Manso
Subchefe da Casa Militar – Tenente-Coronel PM Alcimar Guimarães Pinheiro
Oficial de Gabinete p/Assuntos Particulares – José Araújo Cavalcante
Ajudante de Ordens do Governador – Capitão PM Odacy de Lima Okada
Diretor dos Serviços Gerais do Palácio Rio Negro – Onofre de Queiroz Martins
Diretor da Divisão do Serviço Social – Demóstenes Raymundo de Queiroz Buzzaglo

Secretários de Estado:
Secretário do Interior e Justiça – Dr. José Cantanhede de Mattos Filho
Secretário de Fazenda – Dr. José Lopes da Silva
Secretário de Administração – Dr. José Caitete da Silva Filho

Autoridade Eclesiástica
Arcebispo de Manaus – Dom João de Souza Lima

Autoridades do Judiciário:
Presidente do Tribunal de Justiça – Des. Sady Paiva
Presidente do Tribunal Regional Eleitoral – Des. Joaquim Paulino Gomes

Autoridades Federais:

Ministério da Aeronáutica
Comandante da Base Aérea – Coronel Av Moacir de Carvalho Aires

Ministério da Agricultura
Diretor Estadual do MA – Dr. Mário Alves Malafaia
Delegado do IBRA  – Dr. Caio Cézar de Araújo
Delegado do INDA – Dr. José Ribamar Siqueira

Ministério das Comunicações
Diretor da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – Dr. Mário Frazão Tavernard

Ministério da Educação e Cultura
Reitor da Universidade – Dr. Jauary G. de Souza Marinho
Inspetor Seccional do MEC – Prof. Agenor Ferreira Lima

Ministério do Exército
Quartel do 1º BIS, em São Jorge
Comandante Militar da Amazônia e 12ª RM – General de Divisão José Nogueira Paes
Chefe do Estado-Maior – Coronel Arídio Brasil
Comandante do 1° BIS – Tenente-Coronel Paulo Figueiredo A. Oliveira
Chefe da 29ª CSM – Major Expedito de Souza Pereira
Chefe do SNI (Agência de Manaus) – Tenente-Coronel Roberto Monteiro de Oliveira
Chefe da Comissão Geral de Investigações [CGI] e Comandante do CIGS – Tenente-Coronel Jorge Teixeira de Oliveira

Ministério da Fazenda
Delegada da Receita Federal – Sra. Cecilia Margarida de Oliveira
Delegado de Arrecadação – Dr. Colmar Medeiros Rabelo

Ministério do Interior
Superintendente da Zona Franca de Manaus – Coronel [EB] Floriano Pacheco
Diretor do Escritório da Sudam – Dr. Neper Antony

Ministério da Justiça
Delegado Regional de Policia Federal – Dr. Márcio José de Oliveira
Juiz Federal – Dr. Ariosto de Rezende Rocha
Juiz Federal Substituto – Dr. Aderson Pereira Dutra

(*) Extraído do Almanaque Municipal Brasileiro, ref. ao Amazonas, 1970

19 de setembro de 2016

AMAZONAS: SUA HISTÓRIA (2)

O AMAZONAS É ASSIM - 2ª parte (*)

Quando Portugal, na primeira metade do século XVI, dividiu o Brasil em capitanias ou províncias desiguais, o Amazonas não foi incluído, e só depois de 1636 se estabeleceu na embocadura do imenso "mar de água doce" a Capitania de Joanes, hoje Ilha de Marajó.
Embarcações no porto de Manaus, 1970

Quem primeiro descobriu o Rio Amazonas foi o espanhol Vicente Yanez Pinzon, companheiro de Colombo, que explorou a costa no Norte do Brasil e reconheceu o estuário. Em 1519, Gonçalo Pizarro, irmão do conquistador do Peru, partiu do Pacífico em busca do Eldorado que, embora hoje no domínio da fantasia, empolgou a imaginação e credulidade da Europa por meio século.

Pizarro não foi longe, mas o seu lugar-tenente Orellana, traindo-o, quando a sua expedição estava nos maiores apuros, abandonou-o. Depois de ter descido o Amazonas, com alguns homens, e chegado ao Atlântico, Francisco Orellana seguiu para a Espanha, para onde levou maravilhosas lendas, grandemente exageradas como de costume. Entre elas contava-se a das mulheres guerreiras (também atribuída a Gonçalo Pizarro, que teve de explicar as causas do insucesso da sua expedição), de onde o grande rio tirou o seu nome – Amazonas, dado depois ao maior Estado do Brasil.

Um século depois, outro espanhol, Juan de Palácios, partindo de Quito, no Equador, chegou à confluência do Rio Napo com o Amazonas, continuou até a entrada do Rio Negro e foi morto pelos índios. Os companheiros que se salvaram conseguiram alcançar Belém, fortaleza fundada pelos portugueses no estuário.

Dirigida pelo capitão-geral Velho de Carvalho, partiu de Belém, rio acima, uma expedição em 1637 que, depois de um ano de quase incríveis aventuras, chegou a Quito, em 1638. Espanha e Portugal estavam então sob uma só coroa, e os pioneiros foram entusiasticamente recebidos. Esta foi a primeira expedição bem sucedida na travessia do continente, nesta latitude, de leste para oeste, e a sua ousadia e sucesso estão no mesmo nível do colossal trabalho dos brasileiros, na última metade do século XIX, no Amazonas.

Voltando a Belém, em 1639, Pedro Teixeira, chefe da expedição, levantou um marco na foz do Rio Napo, como sinal da ocupação do país pelos portugueses – fato que, devido à separação entre Portugal e Espanha, no ano seguinte, foi um dos principais argumentos aduzidos por Portugal para provar o seu direito a toda bacia do Amazonas até aquele ponto.

Em 1625, os holandeses estabeleceram uma feitoria no [rio] Xingu, um dos afluentes do [rio] Amazonas, mas foram, com outros aventureiros, gradativamente expulsos pelos portugueses, que conseguiram alcançar o completo domínio do rio, cuja livre navegação fecharam aos estrangeiros. Só depois de 1867 o Amazonas foi de novo franqueado ao mundo.

Até 1822, quando o Brasil se fez independente como Império, o território, agora conhecido por Amazonas, fazia parte da Capitania do Pará, com uma sub-capitania em São José do Rio Negro, estabelecida em 1755. O primeiro governador, Joaquim de Melo Póvoas, fez de Barcelos o seu quartel-general, no vale do Rio Negro, acima da cidade de Manaus, sendo Barcelos uma das muitas povoações fundadas pelos jesuítas nessa região.
O terceiro governador, Manoel da Gama Lobo [d’Almada], transferiu a sede do governo para a Barra do Rio Negro, hoje Manaus – capital do Estado do Amazonas –, então uma simples vila missionária.
Depois da Independência, em 1822, os habitantes de Rio Negro bateram-se pela sua autonomia e estabeleceram um governo provisório; mas, tendo sido subjugados, foi Rio Negro de novo incorporada, em 1832, como comarca da Província do Pará. 
Contudo, continuaram a protestar e, em 1850, conseguiram uma lei que separava da Província do Pará a Comarca de Rio Negro, elevando-a à categoria de Província sob a denominação de Amazonas, em 1° de janeiro de 1852. A vila da Barra do Rio Negro, elevada a cidade, que por uma vizinha tribo de índios foi de novo batizada com o nome de Manaus, ficou sendo a sede governo.
Até 1853, a navegação do Amazonas era feita por batelões, que levavam muitas semanas a chegar ao Rio Negro, tendo o governo central sistematicamente proibido a navegação a vapor naquele rio. Contudo, em 1852, o Visconde de Mauá, o mesmo homem que dirigira a construção da primeira estrada de ferro no Brasil, obteve um monopólio de navegação no Amazonas, e nesse mesmo ano foi organizada a Companhia de Comércio e Navegação, com o capital de 4.000 contos de réis.
Vinte anos mais tarde, depois de ser franqueada ao mundo a navegação no Amazonas (1872), essa Companhia se transformou na Companhia de Navegação a Vapor do Amazonas, pertencente aos ingleses, que tão bons serviços prestaram no desenvolvimento da região.

Depois passou ela para o domínio do governo brasileiro com o nome de Serviços de Navegação da Amazônia e Administração dos Portos do Pará (SNAPP), mais tarde, já no governo da Revolução de 31 de março de 1964, transformada apenas em Empresa de Navegação da Amazônia Sociedade Anônima (Enasa).

De 1872 em diante o progresso passou a ser rápido e, por volta de 1874, começou a linha subsidiada de vapores entre Liverpool e Manaus, outra para os Estados Unidos e ainda outra para o Rio de Janeiro e portos de escala, em 1884.
Então Palácio Rodoviário, 1970

Em 1889, com a proclamação da República, a Província tornou-se o autônomo Estado do Amazonas, dirigido por um governador e uma Constituição própria. 
Vale recordar o barão Sant'Anna Nery, na sua maravilhosa obra A Terra do Amazonas: — "A causa e efeito do desenvolvimento do comércio no Estado do Amazonas é a facilidade do transporte. Em 1872 entraram 51 vapores; em 1906, o número atingiu 1.248".
A franquia do colossal rio foi o ponto de partida do progresso do Amazonas, aumentado pela sua subsequente independência do Pará.
(*) Extraído do Almanaque Municipal Brasileiro, ref. ao Amazonas, 1970

17 de setembro de 2016

AMAZONAS: SUA HISTÓRIA

A primeira parte de um conteúdo sacado do Almanaque Municipal Brasileiro, do ano de 1970, quando governava o Estado Dr. Danilo Duarte de Matos Areosa. 

O AMAZONAS É ASSIM
Resumo histórico:
Posição geográfica: 2° 8' 30" lat. N; 9° 49' 00" extremo S.;
56° 04' 50" extremo E.; 73° 48' 06" extremo O. long. W. Gr.


O Estado do Amazonas é o mais extenso de todos os Estados brasileiros. Com os seus 1.564.445 km2, o Amazonas apresenta os mais variados aspectos, que vão das várzeas a um relevo importante; de igarapés a rios dignos de nota; da vegetação rasteira à grande floresta.

Confina com seis países estrangeiros. Ao Sul limitam-no o Estado de Mato Grosso, a República da Bolívia e o Estado do Acre; a Oeste, o Peru, Equador e Colômbia; ao Norte, a Venezuela; a Leste, a Guiana e o Estado do Pará.

O Amazonas divide com o Pará o poderoso Rio Amazonas; mas tem uma parte muito maior desse rio que o Pará e é a unidade político-geográfica que dispõe da mais extensa superfície fluvial do mundo.

O Amazonas é geralmente baixo e quase inteiramente produto do período terciário. O seu contorno irregular muito se aproxima do quadrado, estendendo-se por mais de 15 graus de longitude e mais de 15 graus de latitude. O equador passa pela sua parte Norte, correndo o leito principal do Rio Amazonas numa latitude quase uniforme de 3 graus Sul; a maior parte do Estado acha-se, pois, no Sul da zona tórrida.

A vida no Amazonas não é mais perigosa do que em outras regiões, como na África Ocidental, por exemplo. É uma terra em que a colheita é perpétua, em que a natureza não dorme nem descansa. É uma terra de poderosos rios, que são as suas estradas, entre florestas que, se não fossem habitadas, se poderiam considerar virgens.

De Parintins, situada a 676 milhas a oeste da cidade (sic) do Pará, até Tabatinga, onde o grande rio, vindo do Peru, penetra em território brasileiro, há 1.074 milhas de distância. Nesse enorme trajeto, três imensos rios entram no Amazonas, procedendo do Norte — o Içá, o Japurá e o Negro; e cinco, do Sul — o Javari, que é a linha divisória com o Peru, o Jataí, o Juruá, o Purus e o Madeira.

Todos estes grandes rios têm ainda inúmeros afluentes; e há outros rios menores procedentes do Norte ou do Sul que às dezenas desembocam na grande artéria amazônica e que são do volume do Tâmisa, do Sena ou do Tejo. A par do explorador, do seringueiro e do negociante de madeiras, o geógrafo, muito especialmente, tem aqui vastíssimo campo de trabalho.

O maior dos grandes rios que desaguam no Amazonas, dentro dos limites do Estado, é o mais oriental, o Madeira, que, vindo das altas montanhas da Bolívia, tem um curso de 3.107 milhas.

Em todo o vasto Estado, as margens do rio, revestidas de grandes florestas constituem o horizonte do viajante, e em nenhuma dessas florestas se poderia penetrar sem o auxílio do guia, do terçado [facão] ou do machado. As florestas do Amazonas têm sido chamadas "o desespero dos botânicos". Depois de apresentar uma lista bem minuciosa de orquídeas e palmeiras, conhecidos monarcas das plantas e árvores da Amazônia, diz o geógrafo francês Eliseu Reclus: "Quanto às outras produções da floresta, preciosas madeiras, borracha, variadas gomas, resinas e substâncias canforadas, o botânico as classificou em milhares de espécies e a indústria está sempre aprendendo a conhecer os seus valores s e aplicá-las".

Em relação à fauna, podemos citar o mesmo autor: "Reina um silêncio tumular em muitos pontos da floresta, de onde se poderia inferir que a fauna é mal representada; entretanto, se não são muito numerosos os representantes de cada família, as espécies oferecem uma variedade singular". Durante os seus onze anos de exploração no Amazonas, o naturalista Bates (a quem tanto deveu o ilustre Darwin) colecionou 14.712 espécies de animais, 8.000 dos quais eram completamente desconhecidos da ciência.

Francisco Orellana, o espanhol – quem primeiro desceu o Amazonas com 50 companheiros –, fez referência no seu relatório a grande número de vilas nas margens desse rio. Três séculos depois, 150 tribos distintas que povoavam essas vilas desapareceram. A invasão dos brancos sem dúvida concorreu muito para diminuir a população indígena e é muito raro encontrarem-se índios de pura raça nas margens dos rios. Existem ainda, na selva, tribos belicosas que evitam a presença dos civilizados, atacando-os quando penetram em seus territórios.

No setor de colonização do Amazonas ou dos altos rios, os mestiços e especialmente os cearenses, estes de cruzamento português, indígena e africano, são em maior número. A história do suprimento de trabalhadores ao Amazonas é uma curiosa página da história da pátria. Assim, tem sido comprovado que uma proporção apreciável de seringueiros procede não do estrangeiro, mas sim do Ceará, vindos em menor escala os demais Estados do Nordeste.


E são os Estados nordestinos que têm ajudado a povoar a imensa Amazônia. Muitos a procuram ávidos pela riqueza que os seringais possam lhes proporcionar; outros, fugindo da impiedosa seca que os reduz a verdadeiros trapos humanos. A grande maioria não enriquece. Poucos se tornam os "coronéis" dos velhos tempos. Mas, em compensação, a família se reproduz abundantemente. (segue)