CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

9 de março de 2021

PRIMEIRO MILHÃO DE VISUALIZAÇÕES

Comecei este Blog há onze anos (a completar em abril próximo) e já efetuei duas mil e duzentas postagens, que, se impressas poderiam se converter em cinco volumes de variados temas. 

Obtive uma centena e pouco de seguidores e, somente agora, conquisto meu 1º milhão de visualizações. Desconheço se alguém já se vangloriou por tão pouco, pois este número é costumeiramente alcançado contado em dias. Todavia, estou contente com minha produção, que a consolido em respeito a minha divisa: catando papeis, escrevendo histórias.

Repiso o que disse quando alcancei duas mil publicações: trata-se de um exercício de aposentado, que necessita preencher o tempo vago, e ponha vago nisso. De outro modo, serve-me para desovar os inúmeros papeis velhos recolhidos nos arquivos nacionais. Isso é próprio de pesquisador, a guarda tão apaixonada de seus tesouros, ou aqueles que considera privilégio possui-los. E veja, eu os guardava, mesmo os tendo publicado nos livros que produzi.

Esse recesso sanitário que já persiste por um ano, que me impede de visitar os arquivos locais, serviu-me para gravar o material que dispunha, tendo publicado neste espaço alguns e outros foram digitalizados e disponibilizados. Ao cabo desse exercício, todos foram guisados (como se fazia com o “papagaio” ou pipa do concorrente, em tempos idos).

Retomo para um terceiro tempo, publicando o quanto entendo ser de interesse coletivo, pois, de vez em quando sou procurado por algum leitor interessado ou na cidade ou em religião ou em seus ascendentes e por aí afora. Nesta estação, sigo exercitando a memória e refinando a angústia, pois como burilou o saudoso poeta Luiz Bacellar em “Noturno no bairro dos Tocos”:

memória e angústia fundem-se num branco

cavalo manco numa rua torta

Espero alcançar breve o novo milhão (melhor se fosse em dólares) de visualizações, para tanto, assim vai prosseguir o Blog do coronel Roberto.

Roberto Mendonça - dez 2020



8 de março de 2021

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Neste dia, minha homenagem às mulheres vai assinalada com a persona aqui reproduzida. Trata-se de duas fotos de minha mãe – Francisca Pereira Lima – falecida há 69 anos. Graças à tecnologia, ela tomou vida, pelo trabalho de um neto competente no mister de aplicativos. Confesso que fiquei bastante emocionado ao conhecer as peças, e foi como se ela, no monitor, me transmitisse uma carinhosa mensagem. Mais que uma, refizemos várias conversas interrompidas há muito tempo. Enfim, consegui isso com a leitura labial, e quanto ao sorriso cativante da minha mãe e do Antonio e do Renato, foi bem singelo observar.

Uma flor para as flores de nossas vidas

Com essas salutares lembranças pessoais saúdo as mulheres brasileiras que, nesse período de intensas adversidades, veem sofrendo com a perda de entes valiosos: sejam os familiares em todos os graus, sejam os amigos, vizinhos, conhecidos, colegas.

Assim, pois, Saúde em demasia a todas as Mulheres neste Dia.

Dona Francisca, Xicuta para os familiares, em dois momentos


7 de março de 2021

OCTAVIO SARMENTO (1879-1926)

 Esta semana tomei a iniciativa de enfrentar as setecentas páginas que o mestre Tenório Telles escreveu para a sua obra Estudos de Literatura do Amazonas (Manaus: Valer, 2021). Lá pelas tantas deparei com o estudo sobre o poeta Octavio Sarmento, que foi fundador da Academia Amazonense de Letras, e esteve redondamente esquecido. Contudo, em trabalho para o Silogeu, o acadêmico Zemaria Pinto, ocupante da Cadeira fundada por Sarmento, retirou-o do limbo com a publicação A Uiara & outros poemas (Manaus: Valer, 2007).

Na ocasião, li as duas anotações citadas, e, para meu gáudio, remexendo meu arquivo encontrei um poema de Octavio Sarmento, publicado na revista Cá e Lá (janeiro de 1917), dedicado ao diretor da revista; aqui vai compartilhado.

  

Detalhe da capa do estudo academico

CABELOS BRANCOS

Para Heitor de Figueiredo

 

O’ moços de hoje, alegres companheiros

Dos mesmos brincos e da mesma idade.

Quão diferente a estrada que, ligeiros

Seguis agora, em viva alacridade,

 

Da que meus passos vão, entre espinheiros,

Em meio à minha funda soledade,

Em meio aos mortos risos meus, fagueiros,

A perlustrar, na extinta mocidade!...

 

Que santa mágoa, doce e pungida,

Me toma a ver-vos, pela penedia,

Vencendo a vida, em rápidos arrancos...

 

E eu não poder seguir-vos!... E entre escombros

Dos sonhos meus, sentir já, sobre os ombros,

Cair-me a neve dos cabelos brancos!


Original extraído da revista