CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

21 de julho de 2018

PMAM: NOTAS PARA SUA HISTÓRIA

Quartel da PM ainda
na Praça da Polícia

Compartilhado da Mensagem do governador Silvério José Nery lida perante o Congresso dos Representantes, em 10 de julho de 1902

Sobre o efetivo da Força Estadual, então intitulada de Regimento Militar do Estado, seu quadro é de 901 soldados e 53 oficiais. No período de 1º de julho de 1901 a 31 de maio de 1902, foram incluídas 434 praças e excluídas 320. Era seu comandante o coronel Adolpho Lisboa.

Na época, foi inaugurada a biblioteca do Regimento, com cerca de 800 0bras sobre assuntos militares e perto de 1.500 volumes. Montou-se uma sala d’armas, para exercício de esgrima.
Ainda alcancei esta biblioteca, quando ingressei na PM, em 1966, abandonada em uma sala, diria, sem serventia. Este acervo foi transferido para o CFAP (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças) enquanto funcionou no quartel existente na Ponte da Bolívia (hoje Barreira).
Declaro que frequentei bastante este espaço, tendo guardado alguns raros exemplares. Hoje, um resquício desses livros compõe a biblioteca da Academia Coronel Neper Alencar.

Tenente-coronel Ulisses Saturnino de Freitas foi nomeado membro da comissão encarregada de relacionar e avaliar o material de madeira enviado do Rio de Janeiro pelos Srs. Antonio Jacuzzi Irmãos & Cia. Outros membros da comissão: tenente-coronel Arthur Cesar Moreira de Araújo (cuja lembrança é a Escola Estadual com seu nome, situada à avenida Djalma Batista) e o tenente Francisco Lopes Braga.

Registro do valor do imóvel desapropriado pelo Estado até 31 maio 1902, do sobrado de Custodio Pires Garcia, na Praça da Constituição (hoje de Heliodoro Balbi, mas que o vulgo prefere de Praça da Polícia), que custou aos cofres estaduais – 868:518$399 [oitocentos e sessenta e oito contos, quinhentos e dezoito mil e trezentos e noventa e nove réis]. Não tenho capacidade de calcular essa fortuna.

QUEM SOU EU...

Este texto foi escrito para complementar o site que vou inaugurar até o final do mês, nada demais, somente a sequencia deste Blog. E serve para fazer minha apresentação.

Quem sou eu?... somente um
catador de papéis e de antigas histórias regionais

Acabo de executar largo passo na exigente concorrência da mídia pela Internet. Confesso de pronto minha penúria com as teclas e os atalhos, do mesmo modo com os aplicativos e os símbolos. Todavia, sigo me esforçando para melhor evoluir.

Nascido em Constantinópolis (hoje bairro de Educandos), em 1946, migrei para o centro da Cidade ao ingressar no quartel da Praça da Polícia, aos 20 anos. Antes, porém, completei o ensino médio no Seminário São José, desse modo, minha predileção por estas organizações e seus núcleos afins.
Graduei-me pela Faculdade de Direito do Amazonas (1980) e até iniciei (sem concluir) o mestrado em História, na Universidade Federal de Pernambuco (1999). Daí advém outra predileção: a história do Amazonas.
Ultimamente, a biografia da família tem me ocupado. Já se encontra em PDF o livro sobre as viagens de meu pai no Brasil. Ele era oriundo do Peru. Agora, estou removendo do fundo do lago a epopeia da família materna: os Lima do Anveres.
No tocante à minha própria família, esta já se encontra à sua disposição, basta copiar o texto de Rober70 Mendonça.

Com a intenção de “desovar” bom número de tantos papéis catados, a entulhar o escritório-residencial, surgiu o catadordepapeis.blogspot.com, que estreou em março de 2010. Vem servindo para preencher o meu tempo de aposentado e retribuir o incentivo de colegas e familiares, blog que acaba de ser substituído por este site nessa corrida sem termo. Julgo oportuna essa maneira elegante de me livrar de recortes e outros impressos e, de algum modo, compartilhar fontes de pesquisas.

Festejei a centésima publicação, prometendo fidelidade diária. Não alcancei. Ao atingir 1001 postagens, três anos depois, afirmei que, apesar dos apelos da controladora de blogs, persistia fiel ao formato antiquado. Afinal, reitero o que afixei na partida: caro leitor-amigo, aproveite a viagem deste barco e, desejando, envie sua contribuição. É cada uma dessas que me faz reparar o rumo. Vamos comigo!


17 de julho de 2018

CAVALARIA DA PMAM: NOTAS


Estátua à entrada do quartel da
Cavalaria
Na condição de unidade policial, a Cavalaria surgiu com a criação do Regimento, no meado da última década do século XIX. No entanto, devo registar que, na reinstalação da Guarda Policial, em 1876, havia previsão de alguns cavalos para uso do estafeta e do ordenança. Com isso, pode-se nomear esse período e esse emprego da cavalgadura como a pré-história desta arma na Polícia Militar do Amazonas.

Efetivada na estrutura do Regimento Militar em 1896, e a fim de operacionalizar o serviço, o Estado teve de adquirir os cavalos.  Não os encontrando em Manaus ou adjacências, foi obrigado a importá-los, realizando-a de muito longe, do exterior. Os cavalos vieram da Argentina, a distância e o único meio de transporte existente me leva a imaginar essa operação. Não muito estranha, visto que outra similar foi realizada já em nossos dias, um século depois.
Ainda que não se conheça o número desses animais, são conhecidos dois registros sobre dessa singular importação. O primeiro, inserido na mensagem do governador do Amazonas aos Congressistas, em 10 de julho de 1902. Na ocasião, Silvério Nery efetuava um retrospecto de seu governo e, entre outros subsídios, registrou que as “contas tomadas”, ou seja, os recursos dispostos “ao tenente Luís Gomes Freire de Quadros não foram adequadamente aprovados”.  
Os valores referiam-se ao “emprego de 1.000 libras esterlinas que recebeu em Buenos Aires, para a compra da cavalhada para o Regimento Militar do Estado, e mais 2:500$000 [dois contos e quinhentos mil réis] que recebeu no Pará para despesas com o transporte da cavalhada até este porto”.
Asseguram os fiscais do Tesouro que a prestação de contas estava incorreta, “pela falta de documentos comprobatórios das despesas que o responsável alega ter realizado”.
Tenente Quadros era apesar da nacionalidade portuguesa, oficial do Regimento e, na ocasião dessa negociata, exercia o cargo de Ajudante de Ordens do próprio governador. Não alcancei as providências administrativas sobre o comprador.  De igual maneira, o número de quadrupedes “hermanos” adquiridos com as libras esterlinas.

A única alternativa de transporte então do rio da Prata ao rio Negro era o navio. Assim foi realizado. Apenas interrogo se o afretamento foi realizado em duas etapas, de Buenos Aires à Belém, e deste porto para o de Manaus.

Na verdade, a cavalhada chegou ao porto de Manaus e encaminhada ao Piquete de Cavalaria, que existia na rua Duque de Caxias, onde hoje está assentada a maternidade Balbina Mestrinho e um quartel da PMAM. Este terreno estendia-se por um barranco que findava no igarapé do Mestre Chico, cuja referência hoje é um edifício da igreja Quadrangular do Reino de Deus.
Capa do livro com o
registro de Mario Ypiranga

O outro registro tem por fonte o governador Antonio Bittencourt, que foi vice do governador Silvério Nery. No opúsculo circulado em 1912, sob sua responsabilidade, intitulado Eram eles os ladrões... (crônica de uma oligarquia nefasta), referindo-se aos Nery, delatou seu antigo chefe. A primeira acusação diz respeito a mencionada cavalhada comprada para o Regimento, que, todavia, acabou na fazenda do governador situada no lago do São José do Amatari.
Um pouco mais de delação: alguns cavalos foram “vendidos” aos oficiais, que pagaram em módicas prestações.

Enfim, o texto do citado panfleto sempre ocasionou uma indagação: quem era o autor dos artigos publicados no primitivo jornal Diário do Amazonas, que originou o Eram eles...? Entre outras especulações, suspeitou-se do jornalista Victor Hugo Aranha. Todavia, o saudoso mestre Mario Ypiranga dirime a dúvida: registrando de próprio punho na capa do exemplar de sua biblioteca, assegura que o texto desta delação foi escrito “pelo professor Agnello Bittencourt”. Dessa maneira começou a Cavalaria na Polícia Militar do Amazonas.

Que fim levaram os cavalos? Perderam o imperativo quando o boom da borracha esvaziou o Estado, que entrou em decadência, levando em seu bojo a corporação militar estadual. A Polícia Militar sentiu o reflexo e foi encolhendo ano após ano. De sorte que, como a cavalaria desapareceu, os canhões foram recolhidos ao museu, não havendo mais necessidade dos “beiçudos”. Não houve renovação.
Até que... isso é para outro capítulo. 

16 de julho de 2018

AVIAÇÃO NO AMAZONAS

Apenas para ilustrar a futura história da aviação no estado do Amazonas, e lembrar as extintas empresas de navegação aérea.

Observe os horários e o tempo de voo de Manaus ao Rio de Janeiro. 

Este compartilhamento foi sacado do matutino A Gazeta, de agosto de 1955.  

Boa viagem.