CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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terça-feira, julho 21, 2026

PRAÇA RIBEIRO JÚNIOR (1)

 Há setenta e um anos, precisamente em 23 de julho de 1955, foi aberta ao público a então denominada Praça Ribeiro Junior, instalada no canteiro central da avenida Leovigildo Coelho e delimitada entre as ruas José Paranaguá e Lima Bacuri. Morei neste logradouro por seis anos, a partir de 1967, e acredito que até sua desativação teve, no máximo, 60 moradores; pois somente existiam residências de um lado, do outro, estava o muro do quartel da Polícia Militar, hoje Palacete Provincial. Ainda me recordo: residi no Edifício Lilac, nº 348, entre a casa do seu José – onde vivia com cerca de uma dezena de filhos – à direita, e, à esquerda, uma oficina mecânica. Sucediam-se a big residência do Ali Assi; a do Adriano, proprietário dos cinemas; uma casa onde no térreo funcionava um comércio de medicamentos e, na esquina da Lima Bacuri, a moradia do desembargador Lucio Resende.

 

Detalhe da capa do livro
lançado em Manaus

A postagem – dividida em duas seções – expõe o texto do saudoso jornalista e acadêmico Arlindo Porto, que manifesta sua admiração pela Revolução de 1924 e ao altaneiro e sua maior expressão: tenente Ribeiro Junior.

SALVE  RIBEIRO JÚNIOR

Não estava de nenhuma forma destituída da razão a senhora Yara Ramos Ribeiro, filha de Alfredo Augusto Ribeiro Júnior, quando afirmava, em 1985, à passagem do 47º aniversário da morte do instituidor do “Tributo da Redenção” no Amazonas, ocorrida em 29 de junho, que a memória do seu pai, o grande revoltoso de 1924, “está completamente esquecida dos amazonenses”. E ainda quando dizia que “o busto de Ribeiro Júnior está azinhavrando num pequeno nicho, num logradouro bem identificado pela palavra saudade”. Esta última afirmativa, por sinal, deve soar até agravada dois anos depois de feita, porque na realidade o busto, nas últimas reformas municipais procedidas na Praça da Saudade, tomou rumo ignorado, volatilizou-se. Coisas de uma terra que não cultiva a memória. 

Recorte do artigo de Arlindo Porto,
jornal A Crítica, 23 julho 1987

Cometia, no entanto, aquela querida amiga uma meia verdade, quando afirmava que “nada mais resta em Manaus que lembre essa figura histórica, nem mesmo a praça com o seu nome, inaugurada a 23 de julho de 1955”. Resta sim. A praça, embora visualmente desfigurada pela ação  municipal, ao tempo da gestão Jorge Teixeira, que no seu dinâmico afã de dar aos ônibus um corredor de trânsito que facilitasse saída dos grandes carros do centro urbano da cidade, mutilou completamente a avenida Floriano Peixoto, anulando a passarela central destinada aos pedestres, derrubando-lhe todas as árvores e, na prática, devolvendo-lhe, por descaracterização, o trecho que antes pela existência de um marco assinalativo, configurava a Praça Ribeiro Júnior.

Contudo, se esta não existe de fato, pelo menos existe de direito. Não é um grande consolo para ninguém afirmar tal coisa, mas a lei municipal que a criou está em plena vigência. Não foi anulada.

Permitam-me um depoimento pessoal: criei-me assistindo, todos os anos, no dia 23 de julho, uma comovente demonstração de lealdade à memória de Ribeiro Júnior, marcada por salvas de foguetões desde o alvorecer e por um lauto almoço, na Cachoeirinha, tudo promovido pela generosa e depreendida iniciativa de Philadelfo Moraes, que ainda na data famosa divulgava pela imprensa um artigo laudatório exaltando a figura do grande comandante da revolução de 1924.

Da pessoa de Ribeiro Junior eu me recordava apenas, e muito vagamente, como de um homem muito alto, imponente no envergar de sua farda de oficial do Exército, de quem certa vez estive bem perto, levado pela mão de meu padrinho e pai adotivo, o ser humano extraordinário que foi Aristeu Guimarães, também ele um grande admirador do Redentor. Recordo-me também, menino, das grandes concentrações humanas, ali pelo “roadway” da Manaus Harbour, quando Ribeiro Junior chegava a Manaus, de navio, e o povo ia recebê-lo, no cais.

Em 1955, aos 26 anos de idade, já atuando na imprensa de Manaus, provavelmente tocado pelas reminiscências da infância, dispus-me a fazer alguma coisa, diante da inexistência de qualquer homenagem oficial ou mesmo oficiosa ao homem que acorrera em favor dos amazonenses, humilhados e ofendidos diante de uma oligarquia corrupta, insurgindo-se 31 anos antes contra a situação constituída e derrubando um governo que não correspondia aos anseios do povo.

Encontrei apoio para aquela “alguma coisa”, na pessoa de Walter Scott da Silva Rayol, um saudoso amigo, também ele um inconformado com o esquecimento em que jazia a memória de Ribeiro Junior. Vereador à Câmara Municipal de Manaus, dos mais brilhantes que aquela Casa conheceu, ele se encarregou de apresentar à consideração dos seus pares a lei de criação da praça, em local por nós escolhidos, em meio a longos conciliábulos.

Assim, graças a ação de Zé do Parque (nome com que Rayol assinava seus pitorescos artigos sobre futebol), deu-se o nome de Ribeiro Junior ao trecho da avenida Floriano Peixoto compreendido entre as ruas José Paranaguá e Lima Bacuri.  Com a total cobertura do “Jornal do Commercio”, do qual era eu o secretário da Redação, encetamos uma campanha e através de subscrições populares, obtivemos o dinheiro, primeiro para as placas da praça, que foram confeccionadas em mármore, pelo Mário Orofino, a preço que nem pagava a matéria-prima. Quanto ao busto, ou melhor, a herma do homenageado, como o dinheiro arrecadado fora pouco (o tempo era de vacas magérrimas) e não dava para que o confeccionássemos em bronze, material eterno, foi o mesmo modelado, sobre fotografia, pela arte de Branco e Silva, também engajado na campanha e que nada cobrou pelo trabalho. A composição final da estátua foi feita em liga de cimento, areia finíssima e colas, invenção do saudoso mestre amazonense, que pinta pelas suas mãos geniais, dava a nítida impressão de bronze.

Finalmente, no dia 23 de julho de 1955, com a presença em Manaus de Yara Ramos Ribeiro, filha do homenageado, inauguraram-se as placas, tornando a praça oficialmente existente, numa festa que não pude estar presente por me encontrar viajando. O ato seguinte foi a inauguração da herma, bem no centro da praça, o que se fez aos moldes de qualquer festa desse tipo, com oradores e tudo. Dentre estes, lembro-me que falou, com a mesma veemência de 31 anos antes, quando aplaudia a revolução das sacadas e palanques, o grande tribuno popular Hemetério Cabrinha.

Os anos correram, veio o Teixeirão e os seus executivos de obras, na febre de modernizar — e desumanizar? —  Manaus, devolveram a avenida Floriano Peixoto, que se pretendia bucólica e com uma passarela central arborizada, à condição de via trepidante e congestionada permanentemente. A obra foi impiedosa com a homenagem feita ao grande revolucionário de 1924, pois a herma em seu louvor, para memória das gerações sucessoras à sua, que estadeava no meio da praça com o seu nome, sobre um belo pedestal, foi dali arrancada e levada para um recanto especialmente construído na praça da Saudade, onde foi juntar-se a outros bustos e hermas para ali também exilados, juntamente com as placas alusivas. Destas, no correr dos tempos, se encarregaram os vândalos, pois foram todas destruídas. (SEGUE)

sábado, julho 20, 2024

REBELIÃO DE RIBEIRO JUNIOR (1)

Ainda são palavras de João Nogueira da Matta, insertas em
Manaus por dentro (1988), lembrando alguns nomes de partícipes da revolta militar que depôs o governador Rego Monteiro (1921-24) e seus filhos, instalados em postos de destaque da administração. Houve por parte da população uma aprovação unanime, tanto que os dirigentes da revolta foram aclamados em Belém (PA), Magalhães Barata, e em Porto Velho (RO), Aloizio Magalhães, sem olvidar Ribeiro Junior em Manaus, eleito deputado federal e lembrado em logradouro público (1954) que a Prefeitura adiante desmontou.
Ribeiro Junior

 "Tradicionais os conciões (sic) políticos desde os primeiros anos do século [20]. Com o eclodir da Revolução Amazonense, em 1924, tornaram-se inesquecíveis as reuniões de Ribeiro Junior, que durante 34 dias dirigiu os destinos do Amazonas. Além desse militar, cuja voz se fez ouvir com eloquência, usaram da palavra vários oradores, como Hemetério Cabrinha, Chagas Aguiar, Crisanto Jobim, Pereira da Silva e Osvaldo Viana." 


terça-feira, abril 28, 2020

HEMETÉRIO CABRINHA (1892-1959)


Capa do livro

Hemetério José dos Santos, que literariamente usou o sobrenome de Cabrinha (apelido de infância), foi um poeta de qualidade, mas que se manteve no anonimato, e humildemente foi sua vida e morte. Produziu alguns livros de poesia, que outro poeta contemporâneo – Anísio Mello – soube reconhecer, para tanto nos legando um folheto sobre Cabrinha. Morto Anísio (2010) sem que a homenagem ao amigo fosse publicada, tomei o encargo como co-organizador, e, por obséquio da Secretaria de Estado da Cultura (2014), Cabrinha veio a público.

Folheando a pequena obra, revi o soneto Falando a meu coveiro, que nos remete ao caos que o cemitério de Manaus enfrenta devido a quantidade de mortos pela Covid-19. Se não há tempo para despedida cristã, quanto mais para orientar o coveiro.



Falando a meu coveiro 

É aqui neste lugar, ao pé deste cipreste,
junto a este mausoléu. Pega uma enxada, cava
sete palmos de chão! Anda depressa, grava
no teu semblante mudo o riso que escondeste!

Abre o meu leito eterno... O meu lugar é este!
Quero nele abafar minha paixão escrava
Quero enterrar-me logo... a vida já me agrava...
Depressa! a minha dor de dores se reveste!

Alarga-a mais um pouco, afasta mais a areia!
Eia, assim como está, torna-se muito feia,
profunda-a mais...trabalha! Este dinheiro é teu!

Que é isso? Um crânio aí? Dá-m'o, quero beijá-lo.
Limpa-lhe bem o pó! Dá cá, quero estudá-lo
Como alguém algum dia há de estudar o meu!

(“Vereda Iluminada". Manaus-AM, 1932)

sexta-feira, novembro 18, 2016

CLUBE DA MADRUGADA: 62 ANOS (3)

A derradeira parte do texto do saudoso poeta Alencar e Silva sobre o Clube da Madrugada, que celebra seu aniversário no próximo dia 22. O original encontra-se no livro póstumo deste poeta - Quadros da Moderna Poesia Amazonense (2011).


PRELUCIDAÇÃO

Havia, por certo, razões para esse comportamento, ditadas, umas, subconscientemente, pela autocensura que teme contrariar a ordem estabelecida, ou que a aceita, e, outras, pelo natural processo de envelhecimento e asfixia de um quadro marasmático que não tinha por onde renovar-se, de vez que todos os caminhos pareciam estar bloqueados, como no poema de Aníbal Machado, e não havia salvo-conduto para a canção.
Dir-se-ia, então, que não havia bons poetas em Manaus? Havia-os, sem dúvida, e, alguns, mesmo, muito bons, como Hemetério Cabrinha, Américo Antony e Álvaro Maia, para mencionarmos apenas aqueles para os quais a arte poética não era um mero exercício de diletantes, mas, sim, o sopro vital que os acompanharia por toda a vida. Conheci-os bem e de perto e fui amigo dos três. 
Em verdade, só o dom da poesia fazia-se-lhes traço comum, a par do talento que os distinguia e os nobilitava. No mais, pessoas em tudo e por tudo diferentes entre si. Hemetério Cabrinha (1892-1959), o poeta de Vereda Iluminada e Frontões, publicados respectivamente em 1932 e 1959, era carpinteiro de profissão. E notável orador. Reunimo-nos várias vezes no café "Leão de Ouro" e no bar "Avenida" para falar de poetas e poesia. Eu gostava de ouvi-lo. E foi em sua própria voz, um pouco rouca mas bem empostada, que ouvi poemas inteiros do seu primeiro livro, bem como trechos dos poemas, editados em plaquetes, Satã, Caim e O Cristo do Corcovado. 
Certo dia, em 1951 ou 1953, indo eu ao Palácio Rio Negro, encontrei o poeta, já chegando à casa dos sessenta, a envernizar as escadarias internas da sede governamental, e ele, sorridente e orgulhoso do seu trabalho, a exibir-me as fortes mãos de operário manchadas de verniz: "Poeta, as águias voam alto, porém, para pousar nos altos píncaros, é preciso que tenham garras fortes!" Achei linda a tirada do mestre Hemetério Cabrinha. 
E fui à presença de outro poeta, o governador Álvaro Mala, a fim de solicitar, e obter, as quatro passagens que nos levariam (a mim e mais três companheiros) ao sul do país. Da produção poética de Álvaro Maia (1893-1969), também grande orador e excelente escritor, conhecia-se, então, apenas os poemas, poucos e bons, que ele se permitira estampar nos periódicos locais — suficientes, todavia, para incluí-lo entre os melhores poetas amazonenses de todos os tempos. 
Sua obra poética só seria conhecida em sua totalidade ao ser editada, em volume único, em 1958, sob o título de Buzina dos Paranás, onde o apuro formal corre em parelha com o seu telurismo e seu sentimento amoroso pela gleba estremecida. 
Quanto a Américo Antony (1895-1970), suponho que se há de lamentar sempre, talvez, não ter o poeta, que era Promotor de Justiça, reunido em livro senão parte mínima de sua obra (Os Sonetos das Flores, de 1959), num volume que, em verdade, não representa o que de melhor o poeta escreveu.
Pode-se, pois, prever, com larga margem de probabilidade, que o melhor de Américo Antony corre o risco de perder-se, na hipótese de sua família não ter diligenciado na recolta do material inédito ou publicado esparsamente nos jornais e revistas locais. (Desde já, todavia, essa hipótese deve ser afastada, eis que, ainda há pouco, nos vimos investido pelos filhos do poeta residentes no Rio de Janeiro — Sra. Isis Antony de Souza Brasil e Marco Aurélio Antony na condição de depositário do acervo de inéditos de Américo Antony, constituído de pouco menos de setecentos poemas, em sua maioria sonetos, e que muito em breve estaremos transmitindo à guarda e providências da benemérita Academia Amazonense de Letras). 
Vê-se, assim, que dos três poetas apenas Hemetério Cabrinha editou regularmente os seus livros, à medida que os escrevia. Foi, também, dos três, o único a não fazer parte da Academia, ainda que méritos lhe sobejassem. 
Por motivos de outra ordem e que se impõem tanto pela sua maior proximidade do ideário renovador do movimento madrugada quanto pelas características de fundo e forma de sua poesia inscreve-se neste pórtico o nome de Djalma Passos (1923-1990), apesar de sua passagem quase que meteórica pela poesia. Isto por que, a partir de 1955, ano em que saiu a sua terceira coletânea de poemas, não mais o poeta assinalou sua presença no território poético, frustrando, deste modo, as expectativas de quantos viram no autor de As Vozes Amargas (de 1952) uma voz, repassada de humanidade, a erguer-se contra as injustiças sociais e a acenar-nos com uma nova luz, e que ainda parece ressoar como o canto de um anjo rebelde pejado de revolta. 
Não se focalizasse, aqui, apenas um segmento da história da poesia amazonense, obrigatória, por certo, seria a menção a vários outros poetas que lhe fecundaram o território sagrado, como Jonas da Silva e Quintino Cunha, os quais, aliás, dividem entre o nosso e os seus estados natais a honra de os contar como seus. 
É claro que um critério mais elástico nos permitiria a inscrição neste preâmbulo de alguns outros nomes que, não obstante a sua contemporaneidade, conservaram-se à margem do movimento renovador, a exemplo de Áureo Mello, todavia, e sem que vá nisso qualquer censura ou juízo de valor, pergunto-me se seria esse o procedimento correto. 
Como quer que seja, parece que as lacunas e omissões em cometimentos da espécie são fatalmente inevitáveis, quando se tem o objetivo de constatar fatos e relatar as impressões mais duradouras por eles suscitadas. (fim)

domingo, setembro 20, 2015

ALGUNS LIVROS PUBLICADOS EM MANAUS ENTRE 1900-1960











quinta-feira, setembro 25, 2014

EM TORNO DE HEMETERIO CABRINHA



Semana passada, postei um artigo do padre Walter Nogueira que bronqueava com o contista Arthur Engrácio, em disputa que envolvia o saudoso poeta Hemeterio Cabrinha. Abaixo vai o direito de resposta do acusado, publicada (interessante) no mesmo jornal A Crítica, do dia imediato, 18 de julho de 1958.  

A Crítica, 18 de julho de 1958




O PADRE Walter BRAZ GONÇALVES Nogueira é desses tipos que, a exemplo dos símios enraivecidos (que mordem a cauda quando nada encontram para morder), brigaria com a própria sombra se não achasse com quem pudesse derramar a sua fermentada bílis. Pequenino, ar humilde, ninguém supõe o de que é capaz esse campeão da sapiência no campo da insídia e da futrica. Pode passar sem um bom perfume para borrifar a sua bata elegante, mas o que não poderá passar é sem uma pendência, uma querela, uma lengalenga qualquer.
Vai daí ter ele, ontem, no seu espernegado neste jornal, se saído com quatro pedras na mão contra o pobre signatário destas linhas pelo simples fato de havermos publicado um artigo LITERÁRIO no qual comentamos, ligeiramente, o livro do poeta Hemetério Cabrinha, intitulado "Frontões". Doeu-se o minúsculo Guliver com umas referências que ali fizemos à sua castíssima pessoa e, doendo-se, escoiceou, esbravejou, puxou faca, numa demonstração clara de que é mesmo afeito a barulho.
*  *  *


MAS se o padre Walter BRAZ GONÇALVES Nogueira gosta de uma brigazinha, nem sempre escolhe uma arma adequada, limpa, honesta, digamos assim, com que enfrente o adversário. Se é desleal na vida comum, nos entreveros que provoca, para se safar, essa deslealdade, então, assume proporções avantajadas. É bem o que se poderia chamar de um Maquiavel-mirim de saias. Note o leitor que nos teve sob a vista que não fizemos a mínima alusão à Igreja. Falamos, isto sim, de "certos espíritos medíocres”; de um “jornaleco rotulado de católico, propugnador da verdade..."; de um “frutriqueiro das esquinas" etc., palavras essas cuja veracidade provaremos mais adiante, e as quais nada têm a ver com a sublime Instituição de Cristo, pelo menos no entender dos coerentes, dos sensatos.

Todavia, se a Coerência e o Bom Senso assim preceituam, já o professorzinho de Grego do Colégio Estadual pretende que, com aquelas nossas frases, tenhamos atacado a Igreja, o que, sobre ser uma saída pouco decente e viril, é uma forma sórdida, de atirar-nos à odiosidade dos católicos, o que não conseguirá, felizmente.

Sem argumentos honestos para debater assuntos honestos e à semelhança do garoto safado que, para livrar-se dos safanões de um adversário, corre a proteger-se na saia da mãe, o reverendozinho, temendo o nosso revide, trata de ocultar-se sob o nome da Santa Igreja. Mas é assim.  Essa gente faz o diabo, pinta os canecos, prevarica à vontade, e, chamada a prestar conta dos seus atos, é o nome da Igreja que logo invoca. 

MAS vamos deixar a Igreja de lado, que nada tem a ver com as futricas gonçalvinas desse Torquemada de araque, "doublé" de jornalista e professor de Grego. Trataremos diretamente de alguns tópicos do seu arrazoado, provando, inclusive, o que linhas atrás prometêramos fazê-lo. A dois pontos apenas nos reportaremos: 1° PONTO: — Nega-se o padre Walter BRAZ GONÇALVES Nogueira a acoitar o título de "espírito medíocre" que lhe demos. Agora perguntamos: não é espírito medíocre quem, não entendendo de um assunto se mete a falar do mesmo? Ilustremos o caso. O padre Walter BRAZ GONÇALVES Nogueira, pelo fato de ser católico, tratou de arrasar, de pulverizar o livro do poeta Hemetério Cabrinha por este professar o espiritismo, simplesmente. Isto, sem se dar ao trabalho de ler a obra, analisá-la literariamente como seria o justo e o correto. Um espírito superior, padre Walter, que não fosse medíocre jamais teria esse gesto. E você o teve.

2° PONTO: Pisou na brasa o padre Walter BRAZ GONÇALVES Nogueira por o havermos chamado de "frutiqueiro das esquinas". Ora, o Pai-dos-Burros, entre outras definições, diz: FUTRICAR – "intrometer-se (em alguma coisa para atrapalhar)". Logo, futriqueiro... é quem, não sendo nem literato nem crítico literário, mas apenas movido por paixões religiosas, se intromete na vida de um consagrado poeta com o fim exclusivo de atrapalhá-lo. Querem uma prova? Tome-se o número de o "Universal" do dia 25 de maio, e na coluna "Conversa de Esquina" vamos surpreender dois futriqueiros em animado bate-papo. Falam do livro "Frontões", de Hemetério Cabrinha, e à certa altura, um dos interlocutores, interpelado pelo outro, responde: – "A pura verdade. Não lhe aconselho a comprar o livro (Frontões), pois não vale a metade do preço que pedem. Refiro-me ao conteúdo, está claro...".

Um jornal sério, zeloso sacerdote de Cristo, que se prezasse; que cumprisse realmente a finalidade de "orientador católico", jamais estamparia em suas páginas escrito, de tal ordem; jamais manteria a torpe campanha de infâmia e de descrédito contra um pobre escritor que, enfermo além do mais, é do produto do seu labor que se mantém. Onde está a orientação católica desse jornal? Ele orienta ou desorienta os católicos? Faz ou não faz.
Responda a essas perguntas, se puder, o ingênuo BRAZ GONÇALVES das futricas.
_________________________
P.S. – Quanto às suas ameaças, não nos infundem o menor temor. Não somos contra a Igreja, repetimos. Somos, sim, contra os seus falsos apóstolos, os seus adeptos mascarados. E quando vier, venha com jeito, pois que já pegamos muito bicho bom pelo pé, e não nos custara agarrar mais uma gralha e depená-la toda.

terça-feira, novembro 13, 2012

LIVROS PUBLICADOS EM MANAUS (1900-60) 5ª Parte

Anísio Jobim
Tomei a iniciativa de listar os livros que foram publicados em Manaus, no século passado. Para facilitar a exposição, limitei a busca ao período de 1900 a 1960. Abaixo, outra curta amostra.

1934

Hemetério Cabrinha publica Caim: poemeto bárbaro. [sem indicação de editor] e com apenas 10p.  
Anísio Jobim, desembargador, lança dois livros: A intelectualidade no extremo norte, editado pela Livraria Clássica, e Codajás, pela Tipografia Fênix.
Paulo Eleutherio, pertencente ao IGHA e à Academia Amazonense de Letras, produz A caminho de novos rumos, pela Editora Sérgio Cardoso.
Arthur Cezar Ferreira Reis, já consagrado com o lançamento de História do Amazonas (1931), prossegue com Manaus e outras vilas, pela Tipografia Fênix, com 144p.


Péricles Moraes
Os livros acima se encontram no acervo da Biblioteca Pública do Amazonas. Não se tem possibilidade de consultar, visto que esta se encontra em reparos, há mais de cinco anos, e sem prazo para a abertura.

 
1935

Péricles Moraes, legendário presidente da Academia Amazonense de Letras, lança Legendas & águas-fortes (ensaios críticos). Outro trabalho gráfico da Livraria Clássica, com 284p, existente na biblioteca Mário Ypiranga.
Paulo Sarmento. Sulamita (poema em um ato). Artes Gráficas, 35p. (sem maiores dados, pois este livro pertence à Biblioteca Pública)
 
1938

Felix Valois Coelho, membro do silogeu amazonense, lança seus poemas em livro intitulado Arranhões. Trabalho elaborado pela Imprensa Oficial (ver na Biblioteca Pública).
Djalma Batista, conhecido cientista, escreve Letras da Amazônia, editado pela Palácio Real (acervo da Biblioteca Pública).
Anísio Jobim, desembargador, segue com a coleção Panoramas amazônicos: IV - Moura. Trabalho gráfico da Tipografia Phenix (depois Fênix), com 155p., (existente na biblioteca Mário Ypiranga)
Luiz da Cunha Costa. Determinação da idade (tese de concurso à cadeira de Medicina Legal da Faculdade de Direito do Amazonas). Elaborado pela Papelaria Velho Lino, de Lino Aguiar, com 62p., (também existente na biblioteca Mário Ypiranga).  

quinta-feira, outubro 25, 2012

LIVROS PUBLICADOS EM MANAUS (1900-60) 4ª Parte

Capa do livro de Francisco Pereira, 1927
mais conhecido por Pereira da Silva
Tomei a iniciativa de listar os livros que foram publicados em Manaus, no século passado. Para facilitar a exposição, limitei-os ao período de 1900 a 1960. Abaixo, outra curta amostra.

1956

NORÕES, Sebastião. Poesia frequentemente. Fenix/Planície, 80p. (acervo da Biblioteca Pública e Mário Ypiranga Monteiro)
SALLES, Waldemar Batista de. Pétalas rubras.(crônicas) Sergio Cardoso, 287p. (acervo biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)
TUFIC, Jorge. Varanda de pássaros. Sérgio Cardoso, 66p. (acervo biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)
Consistório de Príncipes do Real Segredo (convite). Tipografia Reis Limitada. (acervo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas)
BENEVIDES, Aron Ypiranga. Pedaços de minha vida. Sérgio Cardoso. (acervo Biblioteca Pública e Mário Ypiranga Monteiro)
VALENTE, Aviz. Brasão de rimas (sonetos). Tipografia Palácio Real (acervo biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)
 
1958
Primeiro livro publicado por um membro do
Clube da Madrugada, 1956

CASTRO, Mavignier de. Amazônia panteísta. Sérgio Cardoso (acervo Academia Amazonense de Letras)
L. RUAS. Aparição do clown. Sérgio Cardoso. (acervo biblioteca do autor)
TUFIC, Jorge. Pequena antologia Madrugada. Sergio Cardoso, 128p. (acervo biblioteca Mário Ypiranga Monteiro  + Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas)
MONTEIRO, Mário Ypiranga. A Catedral metropolitana de Manaus. Sérgio Cardoso.
--------------. O Regatão. Sérgio Cardoso. (acervo Academia Amazonense de Letras)
CABRINHA, Hemeterio. Frontões. Sérgio Cardoso. (acervo Mário Ypiranga Monteiro)
BENEVIDES, Aron Ypiranga. Caroço amargo  (crônicas). Sérgio Cardoso. (acervo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas)
MAIA, Álvaro. Buzina dos paranás (poemas). Sérgio Cardoso.
----------------. Nas barras do pretório. Sérgio Cardoso, 200p. (acervo biblioteca Mário Ypiranga Monteiro)
CARVALHO, Afonso de. O eterno caminhante. Sérgio Cardoso. (acervo Biblioteca Pública)
SOARES, Felismino F. Resposta. Livraria Clássica, 74p. (acervo Biblioteca Pública)