CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sexta-feira, março 20, 2026

CENTENÁRIO DE ARMANDO DE MENEZES (2)

Amanhã (21) completaria 100 anos de idade o saudoso Armando Andrade de Menezes (1926-2017), parintinense que, concludente da Faculdade de Direito do Amazonas (1954) integrou com méritos o Tribunal de Contas do Amazonas. Memorialista e professor, participou dos grêmios literários do IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas) e da Academia Amazonense de Letras. Todavia, foi uma associação que prosperou com a denominação de Chá do Armando que o tornou admirado pelos inúmeros frequentadores, crismados de chazistas. Foram os remanescentes deste grupo que se congregaram para festejar o centenário do patrono.
Convite da festa centenária

Novamente recorro ao exemplar que a Edições Chá do Armando fez publicar em homenagem ao fundador e mantenedor. Intitulado de “O Chá do Armando – em prosa e verso”, circulou em 2012, dirigida pelo Almir Diniz e outros, entre os quais me incluo. A prosa que segue é de autoria do falecido Sergio Luiz Pereira (1965-2015).

 

CHÁ DO ARMANDO: BREVE RELATO

Na cerimônia do chá, o chá é mais um coadjuvante neste universo que almeja, através do exercício de cada movimento, chegar à perfeição do esquecimento de si, do se pôr a serviço do homenageado, de se tornar magia o tempo que escorre em movimentos de ângulos precisos, uma oferenda de paz num mundo-do-fora. Como prática social, como exercício espiritual, como fruição dos sentidos, a cerimônia do chá em sua origem não se dissocia do pensamento zen-budista, (...). Sadô é o caminho do chá, para o qual convergem simultaneamente outros, (...) propiciando a compreensão da harmonia, do respeito, da pureza e da tranquilidade.

(Madalena Hashimoto. Pintura e escritura do mundo flutuante: Hishikawa Moronobu e ukiyo-e llhara Saikaku e ukiyo-zôshi. São Paulo: Editora Hedra, 2002)

A cultura do chá vem de tempos imemoriais. Achamo-lo nas mais antigas civilizações conhecidas. Mas China, Japão e Índia são os lugares por ele mais encontrados. Ouve-se, há muito, falar sobre as cerimônias do chá nesses países orientais. Também o chá das cinco na Inglaterra, mas sempre ele como centro de comunhão entre homens e mulheres, idosos e crianças. Sem falar no chá da Academia Brasileira de Letras, nas tardes das quintas-feiras.

Todo esse mínimo preâmbulo para falar do mundialmente famoso e conhecido "Chá do Armando". Vamos lá: Levado pelas mãos do sempre lembrado e amado Anísio Mello, fui ao "Chá" pela primeira vez em algum crepúsculo do ano de 2003, ocasião em que funcionava ele em uma das dependências, mais precisamente na biblioteca, da Academia Amazonense de Letras. Lá, surpreendi-me com algumas visões até então, para mim, pouco ortodoxas. Um ex-presidente da Casa, totalmente despojado da sisudez acadêmica, cantarolando, tocando violão e bebendo aperitivo escocês; outros, do mesmo naipe, contando "causos", com gestos e feições interessantíssimos; e mais algumas figuras de outras plagas, como o acadêmico paraense e espírita Nazareno Bastos Tourinho — de quem me tornei amigo —, convidadas a participar daquelas tertúlias semanais.

Depois de sair da AAL, por motivos até hoje por mim desconhecidos, o Chá circulou por várias casas, como o Ideal Clube na administração do querido Humberto Figliuolo, o Sebão Manaus, de propriedade de Antônio Diniz; a casa-liceu e porão do Anísio, a residência do coronel Roberto Mendonça, e atualmente pousado na “mansão dos belos quadros”, do artista plástico Neleto Silva, ali na avenida Joaquim Nabuco.

É a reunião das sextas-feiras, de amigos e companheiros verdadeiros, onde se irmanam em perfeita harmonia. A cultura e as ideias, porém, são seu ponto mais alto. No Chá, são discutidos desde a fraternidade dos anjos à paz mundial e o sexo entre machos e fêmeas de boa vontade. Quando possível, ouve-se música ao vivo — popular e erudita — tocada e cantada por gente amiga e habitué. Sem falar nos quitutes saborosíssimos da mesa farta. Às vezes, até tartarugada! Tudo isso regado com os maravilhosos líquidos da Escócia.

Tal confraria, no entanto, não é apenas teoria, falação, música ou comes e bebes. São do Chá do Armando Edições: Convite à poesia, obra póstuma de Anísio Mello, Melodia pagã, coleção poética de Almir Diniz, e mais este livro — gênese e história, repositório e testemunhos de seus principais membros —, que é sua terceira publicação. Além das visitas de membros chazistas a personalidades enfermas, união de verbas (cota) para ajuda financeira a pessoas necessitadas e outros projetos futuros etc.

Assim, costuma-se dizer que em nenhum lugar da terra a vida parece ter mais sentido que no clima harmonioso e aconchegante do Chá, ambiente informal frequentado por pessoas das mais diversas atividades, liberais ou não, em franco despojamento e alegria constante. Declamação de poemas, atualização de conversas, troca de mimos e presentes, conhecimentos gerais, história e política locais, de ontem e de hoje, curiosidades regionais, nacionais e estrangeiras, e estórias, muitas estórias, todas elas contadas de maneira democrática, como de todo o restante que é levado e discutido no seio do encontro.

Por fim, à figura exponencial de Armando de Menezes, decano e dirigente maior do Chá, na jovialidade de seus mais de 80 anos, agradeço por fazer parte da confraria que mudou a forma de divertir-se, aprender-se e principalmente exercer e praticar a amizade, que, na sabedoria de Montaigne, assim conclama: "O que chamamos geralmente de amigos e amizades não passa de convivências e familiaridades estabelecidas ocasional ou comodamente por meio das quais as nossas almas estabelecem vínculos. Na amizade de que falo, as almas se misturam e se confundem uma com a outra numa mistura tão universal que apagam e não encontram mais a costura que as juntou" (I, 28. "Da amizade", apud Sêneca, As relações humanas: a amizade, os livros, a filosofia, o sábio e a atitude perante a morte. São Paulo: Landy Editora, 2002).

Sergio Luiz Pereira

quarta-feira, dezembro 31, 2025

RETROSPECTIVA PRÓPRIA 2025

 Neste último dia de 2025, permito-me uma revisão sobre o que me aconteceu ou deixou de fluir. Logo no começo do ano retornei depois de um ano sabático em Curitiba e, diante da Manaus que reencontrei, tenho dito que me ofertei um "presente de grego". Porque depois de usufruir da vitalidade curitibana, reclamei, esperneei, esbravejei ao deparar com nossa cidade. Logo, contudo, assumi a forma citadina, seja no trânsito, seja na limpeza das ruas, enfim, do desarranjo que nos cerca. Voltei a ser o caboco nascido nos Educandos.

Ano Novo de 1979 e 2026, no quartel da Rádio Patrulha,
rua Dr. Machado, aos fundos da maternidade Balbina

Adiante, voltei a visitar o quartel da Polícia Militar buscando fazer algum trabalho cultural. Comecei alinhando o esquecido Piquete de Cavalaria ao CPM, um quartel existente nos fundos da maternidade Balbina. Para isso, remexi meus alfarrábios, fui em frente rememorando as passagens policiais do local. E mais, levantei a questão da criação da Polícia Feminina acontecida há 45 anos, ou seja, em fevereiro de 1980. Planejei e tentei elaborar um Revista virtual, a fim de marcar a efeméride. Não consegui, ao ser atropelado pelas femininas da caserna que preferiram uma impressa. Ficou para a próxima festa.

Neste ensejo, o comando da corporação constituiu uma comissão para escrever a História da PMAM, e nela fui incluído como convidado. De novo intentei, mas novamente fui barrado pelas indecisões e outros entraves, pois a comissão se preocupava antes de tudo com a "capa dura" do compêndio. Nenhuma linha foi escrita, assim fugi do vexame ou contribui para.

Outra idealização não cumprida foi a publicação do livro póstumo de poesia de Sergio Luiz Pereira, que diligenciei junto aos amigos do falecido, porém, nada consegui, não obstante faltar somente a capa do livro. Nesta linha de lembranças, busquei a Cúria para rememorar o falecido padre Luiz Ruas, nada feito, pois a Semana Santa seguida da morte do Pontífice Francisco não permitiram a comemoração.

Somente consegui junto ao CLAM (Clube Literário do Amazonas) relembrar o poeta Anísio Mello pelos 15 anos de sua morte. Portanto, fracassei redondamente. Espero em 2026 conseguir pouco, para tanto vou prometer pouco, para não falhar. Farei um vídeo sobre meus 80 anos e festejá-los com realce. Publicar o livro sobre a Banda de Música em ebook. Chega.

Agora, há 20 dias presenteei-me com um "puzzle" de somente 4.000 peças, com a intenção de refrescar a cabeça e manter um recorde, montá-lo em 25 dias. Junto com a esposa Beatris, vamos  conseguir. Ufa, chega 2025.

Ao leitor desta página, meus votos de prosperidade no Ano Novo, que lhe permita saúde e bastante crédito.  Aleluia.   

domingo, setembro 28, 2025

POEMA PARA O DOMINGO

 Em março de 1998, o saudoso multiartista Anísio Mello, então presidente do Clube da Madrugada, intentou publicar um folheto intitulado: MADRUGADA - POESIA, destinado a "divulgar os poetas madrugadenses e estudantes e professores e ao povo em geral que necessitem conhecer melhor este movimento cultural". No primeiro folheto (que não chegou a ser impresso), Anísio selecionou o seu amigo poeta Sérgio Luiz Pereira (falecido em dezembro de 2015), que assim se definiu: 

"O verde ar respiro desde 82. A floresta me acolheu. Como é normal, a prosa e verso me acompanharam desde os meus suspiros poéticos e saudades, quando despertei para as musas que me abraçaram no Olimpo. Senti-me bem entre as ninfas e com elas convivo com um prazer sobrenatural. E mostro-me..."

Página do folheto em elaboração

Compartilho um dos poemas selecionados de Sérgio Luiz: Legado do Tempo.

O caldo da panela está fervendo/ Pelo fogo da raiva que a consome/ Seja feliz aquele cujo nome/ Em nada do tempero se envolvendo.

O ralo caldo e seu unir tremendo/ Não satisfaz a mais ninguém que o tome:/ Sua sustância não mitiga a fome/ Por tudo ter de cor mas pobre sendo.

Assim eu, destampando-a, vejo as loucas/ Ondas vaidosas - cínicas figuras/ De fama grande mas mensagens poucas.

Falta-lhe o tempo de hoje: ingrediente/ Que vão cobrar as gerações futuras/ Como legado, infelizmente ausente. 

 

domingo, abril 27, 2025

POESIA DOMINICAL (5)

 O  poema deste domingo, último de abril, pertence ao Sergio Luiz Pereira (1966-2015), encontra-se em seu livro de estreia Cordas da Lira (Manaus: Ed. Valer/Prefeitura de Manaus, 2002). Sobre o autor escreveu o saudoso poeta Anísio Mello: "A arte do soneto é, sem dúvida, tarefa árdua, que exige do poeta profundo conhecimento da métrica e da rima. (...) Agora, recentemente, leio um volume inédito de Sergio Luiz Pereira, que o crismou de Cordas da Lira
Capa do livro
. (...) Ainda bem que as gerações não têm deixado no esquecimento o soneto, pois é a forma mais erudita de versejar, onde o poeta mostra realmente o seu talento." 

Assim foi o Sergio, que nos abandonou antes dos seus 50 anos de idade.  



sábado, abril 12, 2025

ANÍSIO MELLO: 15 ANOS DE FALECIMENTO (1927-2010) -3-

Como programado, ocorreu ontem no final da tarde o encontro literário entre amigos e admiradores de Anísio Mello, para recordar o 15º ano de seu falecimento.
Os componentes do CLAM (Clube Literário do Amazonas) emprestaram a competência ao relembrar alguns poemas do saudoso poeta. Presente à festa, Zemaria Pinto recordou os passos do “pré madrugadense”, pois, no ano de 1950, Anísio acolheu no porão de sua residência os futuros criadores do Clube da Madrugada. Mauri Marques usou sua musicalidade para, mesmo à capela, reviver um poema. Tive o privilégio de abrir e encerrar a sessão, sob a titulação de Curador do evento. Grato aos nominados e a outros que abrilhantaram a homenagem ao multiartista Anísio Thaumaturgo Soriano de Mello.
Elementos do CLAM e outros participantes e
o Curador do evento (abaixo)







sexta-feira, abril 11, 2025

ANÍSIO MELLO: 15 ANOS DE FALECIMENTO (1927-2010)

 Nesta data, faleceu em Manaus o artista plástico Anísio Taumaturgo Soriano de Mello (83 anos). Guardei dele uma galeria de apreciáveis lembranças, de suas obras, grande parte inacabada ou em fase de publicação. Agora que se completa o 15º ano da sua morte, articulei com o CLAM (Clube de Literário do Amazonas) um sarau para reavivar na cidade o nome deste multiartista, pois, além de artista plástico, elaborou prosa e versos, escultura, editoração de jornal, músico e instrumentista, e incentivou algumas associações de classe. 

Abaixo, o convite para a festa na Casa da Pamonha e a página elaborada pelo jornalista Evaldo Ferreira circulada no Jornal do Commercio.

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Edição de hoje - 11 abril 2025

  

domingo, abril 06, 2025

POESIA DOMINICAL DE ANÍSIO MELLO

A poesia deste domingo pertence a Anísio Mello que, na próxima sexta-feira (11), completa 15 anos de morto. A ocasião servirá para uma homenagem conduzida pelo CLAM (Clube Literário ao Amazonas). O poema produzido em São Paulo (20 março 1964), foi transcrito do seu livro (póstumo) Convite à Poesia (Manaus: Chá do Armando Edições, 2011). 

Anísio Mello

ALMAS INFANTIS


Não desenhei como os antigos

constelações, mas naveguei,

como navegam todos os poetas.

 

Olhando o céu vejo a árvore

e seus frutos são estrelas,

que minha mãe bondosa e santa

colheu para minha infância.

Minhas mãos transbordavam

na colheita feliz daqueles anos...

 

Olho o céu ainda hoje.

A árvore inocente não existe,

mas estrelas ou frutos

ainda brilham pelo espaço antigo,

como brilham as almas infantis. 

sábado, abril 05, 2025

ANÍSIO MELLO: 15 ANOS DE FALECIMENTO (1927-2010)

A próxima sexta-feira (11) marca o 15º aniversário da morte do multiartista ANÍSIO Thaumaturgo Soriano de MELLO. Lembrei a data ao pessoal do CLAM (Clube Literário do Amazonas), que prontamente assimilou a ideia e coordenou o programa de homenagem que se prestará ao saudoso mestre. Assim, a partir das 18 horas na Casa da Pamonha (Rua Barroso, 375) vai rolar o sarau comemorativo, quando se fará uma síntese da obra do artista, do competente artífice em vários ramos da arte. O texto seguinte extraí de um currículo assinado pelo próprio Anísio Mello.

Afranio Pires, óleo sobre tela, 1999

“Herdou dos pais a vocação pelas letras e pelas artes. E pintor, é músico, e é poeta", assegura o poeta Américo Antony, tendo participado de várias exposições nacionais e internacionais, conquistando láureas. Participou de várias exposições de pinturas, em São Paulo, e no exterior, conquistando a "Medalha de Ouro" do "Salão da França Livre", em Paris, em 1948, a convite da embaixada brasileira naquele país. Além de artista plástico, possui várias composições musicais e dezenas de livros publicados, versando sobre assuntos diversos: poesia, crítica literária, ensaios, folclore e linguística. Além dos livros publicados, possui farta bagagem literária inédita.”

terça-feira, maio 14, 2024

ANÍSIO MELLO (1927-2010)

A postagem objetiva relembrar outro cultor das belas artes; refiro-me ao multiartista Anísio Thaumaturgo Soriano de Mello (1927-2010), morto há 14 anos, em abril de 2010. A fim de recordar a amizade e nossas boas conversas, compartilho um registro do saudoso acadêmico Waldemar Batista de Salles. Salles publicou a crônica exaltando ao Anísio Mello, quando este promoveu sua primeira exposição. A amostra ocorreu na Biblioteca Pública, em 1952, mesmo ano em que Anísio publicou Minhas Vitórias Régias (poesia), e dois anos após sua estreia na literatura com Lira Nascente (poesia). (*)

 



(...) Derrubando, esmagando, no entanto, este pesado véu e este ar provinciano, fomos visitar na semana última, no andar térreo da Biblioteca Pública, a exposição de quadros feita pelo pintor amazonense Anísio Melo. O artista, na sua simplicidade e na sua modéstia, se nos apresentou quadros admiráveis, nos quais se pode notar, desde logo, o brilho futuro que o espera, nessa difícil arte de pintar. Aliás, coisa rara em pintor, além de ser um artista de cores sóbrias e interessantes, é também poeta, pois tem livros publicados, demonstrando, assim, que pode fazer versos e empunhar o pincel.

Os seus quadros, alguns dos quais de motivos locais e paisagens amazônicas, não desmerecem qualquer artista do Sul e são expressões, sinceras, de seu gênio criador. Claro que a pintura não pode apresentar, unicamente, modelos clássicos, à semelhança de Rafael e tantos outros, pois a própria pintura também sofre a influência da civilização, dessa civilização que reduziu modelos antigos e formas clássicas em monstrengos da chamada arte moderna.  

Acontece, porém, que Anísio Mello, com rara habilidade, soube trazer aos seus quadros alguns aspectos da natureza amazônica, trechos e ângulos de novas paisagens, vitórias régias, igarapés e flores. Tudo enfim que serve para dar vida e beleza e que os pinceis, pela magia do artista, apresenta aos nossos olhos ávidos de beleza.

Constituiu, portanto, motivo de júbilo, assistir a exposição do jovem pintor amazonense, que promete ter brilhante futuro ao lado dos melhores pintores nacionais. Não lhe faltam talento, força de vontade, nem dotes artísticos, podendo prosseguir dando vida e expressão, naquilo que nós outros, leigos e simples admiradores, sentimos, mas não podemos fazer.

Não obstante todo o barulho e gritaria que fazem em torno da chamada arte moderna, na qual monstrengos e figuras irreconhecíveis são apresentadas como expressões de arte, a pintura clássica ainda permanece na sua beleza e no seu esplendor, porque se podemos hipertrofiar as cores e as figuras, não podemos alterar a própria natureza, nem os seres que nela vivem. Assim o verdadeiro artista não procura deformar o que na verdade não existe. Se há deformação, essa deformação existe nos homens, não nas paisagens, na natureza.

Daí a beleza sempre nova que encontramos na pintura, especialmente quando ela espelha os anseios do povo ou a natureza. Há, mesmo, quadros bastante interessantes, nos quais as tintas e as cores formam um todo harmonioso, bem expressivo, do espírito estético do artista. E destacam-se entre esses, os denominados – Charco, Amore, Psique, Quitunde, Paisagem amazônica e Primavera. Enfim, um amazonense que procurou se destacar aqui mesmo, procurando fazer arte usando a cabeça e a inteligência.

(*) Publicado no DIÁRIO DA TARDE , –em 1º agosto 1952


domingo, julho 02, 2023

SILOGEU AMAZONENSE HOMENAGEIA ANÍSIO MELLO (2)

No sábado (1º de julho) a Academia Amazonense de Letras prestou homenagem ao saudoso acadêmico Anísio Mello, com o lançamento do seu livro póstumo Estrela Viva, que foi distribuído gratuitamente. Os originais desta obra foram por mim recolhidos no abandonado acervo do imortal. A presidência da Academia, atendendo minha solicitação, o fez publicar. A página que acrescentei à obra - Resgate e cortesia ao artista, vai abaixo exposta.

Resgate e cortesia ao artista

 

Não tenho como desassociar o Chá do Armando do homem de tantos instrumentos (pintor, escultor, poeta, crítico, músico, contista, folclorista e, ainda, jornalista e inventor, segundo “inventariante” Arthur Engracio) Anísio Melo (1927-2010). Conheci-o mais amiúde quando aquela confraria litero-cultural-filosófica (de cunho beberativo), abrigou-se na residência dele, situada na avenida Joaquim Nabuco, em frente à Beneficente Portuguesa. O endereço em si assustava, porém, a camaradagem do anfitrião fazia superar as carências, as penúrias do casarão secular.

Rotineiramente servido à noite de sexta-feira, lá pelas tantas,   eflúvio alcoólico consentia aos chazistas superar os fantasmas multifaces e, assim imunes, confraternizar com os anjos e os artistas de vários matizes que por ali desfilavam. De igual modo, semanalmente, revíamos do dono da casa as suas composições artísticas e melódicas; as histórias de sua família e dos habitantes da floresta; sua produção em prosa e verso; os livros lançados e os “prometidos”; o quinzenário Correio do Norte, editado em São Paulo (SP) e o desastre do seringal em Eirunepé (AM). Enfim, a pujante saga do imortal Anísio Mello, que continuamente retemperava os partícipes do Chá e de quantos frequentavam sua residência.

Chazista (adepto do Chá) militante, aproveitei para me converter em seguidor emérito da Escola de Artes Ester Mello (que, fundada por sua mãe, Anísio fez funcionar até sua (dele) morte). E, porque residíamos próximos, foi dessa outra maneira que me tornei habitué de seu empoeirado acervo. Empoeirado, porém inestimável! 

Nada daquela desorganização, todavia, me surpreendia, afinal me ufano de minha fortuna em tais ambientes e naquele fui inegavelmente bem-sucedido. O tratamento da doença que acometeu Anísio Mello, em seus derradeiros momentos, levou-o à hospitalização. De modo lamentável, não houve recursos medicinais capazes de reverter o quadro, assim, para meu pesar, na tarde do domingo, 11 de abril de 2010, estava morto o admirável elaborador de tantas belezas. Empenhei tanto no velório quanto no sepultamento.

Então, retornei ao acervo do extinto. Espanadas as teias de aranha e a poeirada, deparei-me com preciosidades que o descaso, o infortúnio condenava ao entulho da cidade. Aqui é o momento de registrar um “salutar” pecado: levei do desprezado acervo o quanto pude. Ao inventariar o butim, relacionei ao menos quatro projetos de livros. E, no intuito de expiar a minha infração, já retirei das sombra dois desses propósitos: o primeiro foi Convite à Poesia, em 2011,  inaugurando as “Chá do Armando Edições” e lembrando o primeiro ano do desaparecimento do seu autor. O outro foi Hemetérto Cabrinha, poeta, que as edições do Governo do Estado e a Secretaria de Cultura deram vida, em 2015.

Surgiu a ocasião da edição do projetado terceiro livro – Estrela Viva, que a Academia Amazonense de Letras pelo seu centenário dispõe ao público. Constitui uma coletânea dos melhores poemas selecionados pelo próprio autor. A fim de que mais perfeito você possa assentir, compartilho a opinião de um especialista: “este livro de versos livres e bancos, mas de intenso ritmo e de acalorada inspiração, cheios de ternura, amor e encantamento, o que não abandona seus melhores escritos metrificados”.

Sinto-me recompensado pela produção desta obra e pela amizade, acima de tudo, que desfrutei do saudoso amigo Anísio Thaumaturgo Soriano de Mello.

Descansa em paz!

sábado, julho 01, 2023

SILOGEU AMAZONENSE HOMENAGEIA ANÍSIO MELLO

 Na manhã deste Sábado a Academia Amazonense de Letras prestou uma homenagem ao saudoso acadêmico Anísio Mello (1927-2010), com o lançamento do seu livro póstumo:: Estrela Viva. A apresentação foi escrita pelo sócio Zemaria Pinto, todavia, como este estivesse impossibilitado de comparecer, foi lida pelo ex-presidente da Casa Elson Farias, e abaixo vai reproduzida. Minha participação neste livro registro na próxima postagem.



Sobre Anísio Mello,

por ocasião do lançamento de Estrela Viva

Zemaria Pinto,

Cadeira 27, de Tavares Bastos

Como não poderia deixar de ser, começo agradecendo a oportunidade de homenagear o amigo Anísio Mello, no 13° ano de seu desenlace, fortalecendo a ideia de que a imortalidade acadêmica é a permanente relembrança.

Por isto estamos aqui, nesta ensolarada manhã de sábado (espero não errar na previsão do tempo), relembrando o artista múltiplo, o multiartista Anísio – pintor, escultor, músico, compositor, que, como escritor destaca-se em diversas frentes: ensaio, ficção, folclore, poesia e até um precioso Vocabulário etimológico tupi do folclore amazônico, onde dá continuidade a um trabalho iniciado por seu pai, Octaviano Mello. E, pasmem, Anísio era um inventor de mão cheia...

Luiz Bacellar, que quanto mais velho mais menino ficava, dizia que Anísio, com quem vivia arengando, era a reencarnação de Leonardo da Vinci. Aí mostrava uma reprodução da “Mona Lisa” e, ecoando uma teoria da época, dizia: “vamos tirar a barba do Anísio e ver se ele é ou não o Da Vinci”. Um estudo da época dizia que Leonardo retratara a si mesmo na “Mona Lisa”. Anísio fazia cara amuada e replicava: “este fim de semana não tem café nem jornal...” Era um hábito que os amigos cultivavam no domingo: ler os jornais juntos, com um cafezinho, acompanhado de tapioca e pamonha. Tudo bancado pelo Anísio, claro.

Lembro de uma arenga dos dois que deu um trabalhão para contornar. Um cidadão francês, de passagem por Manaus, enturmou-se com os dois. Só que o Bacellar, a propósito de manter seu francês (que ele dizia “de Paris”) em dia, danou-se a conversar em francês com o novato. Como o francês do bom Anísio era “de Itacoatiara”, o tempo fechou. Os dois “trocaram de mal” e ficaram alguns fins de semana sem ler os jornais juntos...

Mas, estamos aqui para louvar a poesia de Anísio Mello, representada neste Estrela Viva, uma antologia organizada pelo próprio autor e salva dos escombros do esquecimento pelo notável trabalho do pesquisador Roberto Mendonça – que multiplicou a obra do meu querido professor L. Ruas e agora nos revela poemas de Anísio, se não inéditos, perdidos em edições esgotadas.

Chamo a atenção para a capa, que reproduz um quadro do próprio Anísio: um belíssimo exemplar de seu expressionismo abstrato – ele, que pintava desde prosaicas paisagens até quadros como este, de refinado simbolismo e múltiplas leituras.

Exímio sonetista, Anísio escrevia poemas em versos livres e rimas brancas com a mesma facilidade com que cultivava o haicai. Em outras palavras, tinha o total domínio da técnica poética, mas também tinha uma verve, um entusiasmo que passava a sua poesia, caracterizada pelo lirismo, sem pretensões a revoluções estéticas, mas construindo uma obra que encanta e encantará ainda muitas gerações, como no petrarquiano “Lembrança”, de Sexagésima Stella (p. 125):

      

Na lembrança ficaste de permeio

a momentos de amor como te vi.

Foste rosa em meu peito e com receio

a primavera augusta então vivi.

 

Nos teus lábios agora me tonteio

e na luz dos teus olhos refleti

todo um sonho feliz e agora creio

que o amor é como o beijo que senti.

 

Este amor que flutua mansamente

e incandesce a manhã tão de repente,

mais parece o delírio de um adeus.

 

Um dia partirei, quem sabe quando?

lembranças levarei sempre cantando,

com teus lábios impressos sobre os meus... 

Este – meus amigos, minhas amigas, crianças – era Anísio Mello, um homem simples, um artista completo. Aliás, este é Anísio Mello, pois ele continuará vivo em nossas lembranças...

quinta-feira, outubro 14, 2021

LITERATURA AMAZONENSE

 Mais uma página do folheto Amazonas Cultural, publicação da subsecretaria de Cultura do Amazonas, circulado em dezembro de 1992. O trabalho literário pertence ao poeta Cláudio Fonseca e a ilustração saiu do pincel do saudoso artista Anísio Mello.

“Cláudio Fonseca (1952) é um poeta que, seguindo a senda aberta por Luiz Bacellar, apresenta, em seu discurso poético, elementos clássicos. O autor faz uma poesia com forte conotação existencial e densidade literária. O poeta transcende a percepção regional da vida e elabora uma lírica identificada com os dramas humanos, a solidão e o tempo”, registra Tenório Telles em Estudos de Literatura do Amazonas (Valer, 2021).
 

 

domingo, outubro 03, 2021

AMAZONAS CULTURAL

 

Nem desconfio quando e como desapareceu este folhetim, que era produzido pela então subsecretaria de Cultura do Amazonas. Conforme se pode ler no cabeçalho: era produzido por trimestre, este circulou no último trimestre de 1992. Composto de 12 páginas, portanto, bem-sucedido com trabalhos de literatos domésticos. E ilustrado por prestigiados mestres, como a mencionada edição que recebeu a inspiração do saudoso artista Anísio Mello (A.M.).

O Editorial esboça as propostas para o ano seguinte.

Detalhe da primeira página

quinta-feira, setembro 30, 2021

DOIS SAUDOSOS ARTISTAS

 A Poesia - Haicais que circulam entre Londres, Paris, São Paulo e Manaus e outras cidades -  pertence a Luiz Bacellar e a ilustração ao multiartista Anísio Mello, em trabalho circulado no Amazonas Cultural, publicação trimestral da então subsecretaria de Cultura do Amazonas, em dezembro de 1992.



segunda-feira, maio 31, 2021

ALMIR DINIZ & O CHÁ DO ARMANDO

Almir Diniz, falecido na semana passada, participou com entusiasmo do Chá do Armando, a extinta entidade etílica-filosófica, que se reunia à cada sexta-feira, para dialogar motivada pelo uísque (chá) e os petiscos fornecidos pelo saudoso Armando de Menezes, daí a pomposa designação.

Morto o fundador e patrocinador, Diniz bem que intentou refazer o grupo e o papo de cada sexta. Foram poucas as novas oportunidades, porém. Desse modo, quero lembrar com a postagem destas fotos os apetitosos encontros chazistas.

Há promessa para um breve  reencontro, para solenizar os dois primeiros membros desta confraria. Descansem em paz!

Confraternização no Ideal Clube (acima e abaixo)


A grande mesa da residência de Anísio Mello

Logo da agremiação

Local de fundação: Academia de Letras


terça-feira, setembro 22, 2020

ANOTAÇÕES ESPARSAS

Roberto Mendonça

Ao revisar o arquivo da Polícia Militar do Estado, nesses dias, em busca de dados sobre os oficiais da corporação, encontrei o registro abaixo, que me diz respeito. Assinado pelo coronel Guedes Brandão, ao final de sua administração em 1994, e escrito pelo coronel Fonseca Neto, apregoou sem salamaleques o assunto que atento há décadas, desde aquele período. A aprendizagem com afinco e a divulgação coerente da história do Amazonas, com especial dedicação ao setor militar estadual.

Digesto (Manaus: Imprensa Oficial, 1993) trata-se da minha primeira ousadia no âmbito da publicação. Ao intrometer-me até na idealização da capa, o resultado que passa é de muita indigência, daí ter sido alcunhado de “indigesto”. Ainda assim, agrada-me saber que tem sido referenciado em vários trabalhos acadêmicos de colegas policiais.

Meus agradecimentos aos coronéis Brandão e Osório, retribuindo-lhes os votos de fortunas.

Elogio: como assessor do Comandante-geral e Ajudante-geral da corporação deu provas convincentes de sua inteligência e visão administrativa. Tem contribuído de forma destacada para a história e a cultura de nossa corporação. Recentemente, elaborou cautelosamente um trabalho de catalogação de toda legislação histórica, um trabalho que por certo fundamenta a nossa história institucional: o Digesto.

Além disso tem sido um expoente cultural de nossa história. A este companheiro o nosso reconhecimento e votos de felicidades.

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Quando do falecimento de Anísio Mello (abril de 2010), o poeta Max Carpenthier, expressando a perda da cultura, anotou a declaração aqui compartilhada. Todavia, devo consignar que na ocasião encontrei no quarto de despejo de Anísio Mello, não o artigo, mas um livro sobre o avô do Max. Tomei a iniciativa de reorganizar o trabalho, solicitando da Secretaria de Cultura a publicação. Minha solicitação foi bem sucedida, no que resultou o Hemetério Cabrinha: poeta (Manaus: Governo do Estado/Secretaria de Cultura, 2014).

Original de Max Carphentier

Anísio, artista de muitas Musas, da escultura à pintura, da poesia à prosa. Amigo de meu avô Hemetério Cabrinha, escreveu sobre ele um belo artigo, pelo qual sou grato. O Clube da Madrugada teve em Anísio sua inspiração constante, multifacetada. Elevemos nossas preces a Deus neste momento de angústia para a cultura amazonense.

Max Carphentier

segunda-feira, junho 15, 2020

ARMANDO DE MENEZES (1926-2015)

São três anos - hoje - do falecimento de Armando de Menezes que, entre outras iniciativas e a boa condução de seus empreendimentos, criou e manteve o Chá do Armando, um encontro de amigos às sextas-feiras, para a conversa livre diante de geladas e do caraterístico chá (uísque).

fotos de arquivo



sábado, maio 09, 2020

ANÍSIO MELLO, NOVAMENTE



Remexendo meus alfarrábios, alcancei este folheto publicado (sem data) para comemorar as Bodas de Ouro de atividade do saudoso multiartista Anísio Mello. A publicação teve apoio do ICBEU e da AIRMA. Compartilhei, apenas acrescentando a data do seu falecimento.


Muito se tem falado em ANÍSIO MELLO, das suas múltiplas atividades no campo das letras e das artes.
Fundou e dirigiu jornais e revistas. Publicou 16 livros e escreveu uma dezena de outros, incluindo poesia, folclore amazônico, crítica literária, contos e ensaios. Proferiu conferências e palestras. A crítica especializada é unânime em aplaudi-lo. Obteve Medalha de Ouro, em Paris, no Salão da França Livre, em 1948, e prêmios no Brasil.
Realizou várias exposições individuais e participou de outras coletivas. Seus quadros são conhecidos no Brasil e no exterior. Tem obras adquiridas pelo Governo do Amazonas, resultante da Lei 130, de 26 de agosto de 1952, época em que o artista expunha na Biblioteca Pública do Amazonas e na Pinacoteca do Amazonas.

São palavras de Sérgio Milliet sobre o artista: “O amazonense Anísio Mello, crítico e poeta, é também pintor. Já tendo realizado algumas exposições individuais e participado de várias mostras coletivas. Através de uma evolução que vem se processando desde a idade de doze anos. Chega ele agora a uma pintura em que o abstracionismo lírico se amalgama a um geometrismo nada rígido, antes elegante, como que a controlar a possível exuberância das manchas. Se assim age com a composição, também o faz em relação com a cor. Os amarelos, os vermelhos e os pretos dos fundos são freados pelos brancos puros dos primeiros planos. Esse conúbio de tendências aparentemente opostas, longe de perturbar a harmonia do conjunto, equilibra com sabedoria e originalidade seus nanquins”.
Anísio Mello é um pintor [ora artista plástico] já realizado e um desenhista que aplica sua excelente arte numa obra de grande liberdade e sensibilidade.
Em A Crítica, de Manaus, escreveu o jornalista Luiz de Castro: “Pintor e poeta, as duas artes em Anísio Mello se irmanam e se confundem. Na pintura, ele patenteia poesia e da melhor, — e na poesia, ele trai o pintor. Em ambos os misteres, a sua inspiração é única, agindo sob o mesmo senso estético, notável, aliás, em todas as suas produções, quer poéticas, quer pictóricas".
Por ocasião do lançamento de Festa Geral, poema comemorativo dos seus 25 anos de poesia, assim se expressou o escritor e poeta Alencar e Silva: "ANÍSIO MELLO" é seguramente um temperamento fora de série. Não é só poeta, músico e pintor, reunindo em si a trilogia da sensibilidade estética, como afirmara certa vez Américo Antony: é, na verdade, muito mais: é também jornalista, ensaísta e folclorista, cineasta, escultor e inventor.
Poder-se-ia acrescentar que na vida prática é ele ainda bancário, projetista e construtor (sua casa, em São Paulo, é obra que saiu inteiramente de sua prancheta), além de ser graduado em Filosofia e Letras. E estou certo de que seu espírito se move com desenvoltura por muitos outros campos do saber e do fazer".

São palavras do padre Nonato Pinheiro, prefaciando o livro Vocabulário Etimológico Tupi do Folclore Amazônico, de Anísio Mello: "Não conheço outro amazonense que tenha divulgado tanto fora do Estado, sua terra e sua gente, o mundo amazônico e seus expoentes. Sua bibliografia é opulenta e da melhor valia".
Atualmente dirige o Liceu de Arte do Amazonas Esther Mello, em Manaus, e é presidente da AMAP (Associação Amazonense de Artistas Plásticos). 
ANÍSIO MELLO herdou dos pais o gosto pelas letras e pelas artes. Do pai, magistrado e poeta Octaviano Augusto Soriano de Mello, vem a inclinação para as letras; e da mãe, a pintora Esther Thaumaturgo Soriano de Mello, com quem cursou Belas Artes, absorveu a estética da cor. Descende de uma clã de artistas e de poetas.

Nasceu em Itacoatiara, no Amazonas, em 21.06.27 

e faleceu em Manaus, em 11.04.2010.