CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, julho 17, 2024

CMA: INSTALAÇÃO EM MANAUS

Em 4 de julho (data nacional norte americana), marca a posse do CMA (Comando Militar da Amazônia) em Manaus. Aconteceu há 55 anos, em 1969, quando foi extinto o GEF (Grupamento de Elementos de Fronteira), em prol desta nova grande unidade das Forças Terrestres. Dias depois ocorreu a solenidade de posse do primeiro comandante: general Rodrigo Otavio Jordão Ramos, singularmente conhecido por RO.

Manaus, 4 de julho de 1969

domingo, março 11, 2018

ATLÉTICO RIO NEGRO CLUBE

Em novembro de 1971, a Federação Amazonense de Futebol (FAF) organizou um torneio pentagonal, intitulado Taça Comando Militar da Amazônia (CMA). Apesar da reportagem referir-se a penta, somente quatro clubes participaram: Atlético Rio Negro Clube, Olímpico Clube, Fast Clube e Nacional FC, saindo vencedor o primeiro.

Recorte do Jornal do Commercio, 30 novembro 1971

sexta-feira, dezembro 08, 2017

GOVERNO MILITAR E O DESAFIO AMAZÔNICO (3)


Encerrando a postagem acerca da descrição de algumas Unidades da Força Terrestre no interior do Amazonas, elaborada pelo Governo dos Generais, em revista especial (foto), circulada em 1970.

O Soldado no Postal de Cucui


Tudo em volta de Cucui é verde e belo, dentro do grande silêncio potâmico. Lá, entre árvores e água — em cima o azul cintilante do céu — perfila-se o 4° Pelotão de Fronteira. Um punhado estoico de verde-oliva que ocupa os espaços em nome do Brasil. Defronte ao quartel, a famosa Pedra do Cucui, já no território venezuelano, perto da fronteira do Brasil e da Colômbia.

Ali também chegou o padre com o Exército. Gandola e batina, numa autêntica cruzada de desbravamento e conquista, convocaram pequenas comunidades salpicadas para a obra educacional e cívica. A cartilha na frente, de mãos dadas com a saúde e a palavra Brasil.
Cucui está sendo ocupado. O índio deixa a maloca e aprende a cantar o Hino Nacional. O braço corta a árvore, e da clareira surge o roçado. Uma agricultura de sobrevivência. Espetam o céu pequenas chaminés. Do rastro da farda vai nascendo a obra sonhada de integração.



O Brasil chegou ao Içá

Ipiranga, sede do 2° Pelotão de Fronteiras, no Rio Içá, funciona como centro integrador na imensa região. Não faz muito tempo era mato virgem, sem sinal de civilização, com uns poucos nativos desterrados naqueles verdes. A presença do homem era assinalada por canoas esparsas que subiam ou desciam o rio em razão da pesca para sobrevivência.

Mas chegou o quartel com a sua correspondente ação civilizadora. O velho Rio Içá, tão primitivo, tão sem Brasil, experimentou pela primeira vez o toque de uma alvorada de ocupação humano-econômica. E apareceram a quadra de esporte, a granja, o alfabeto militar para a criança e o homem perdidos. Em função social, o Exército começou a lecionar vida moderna para as gentes de Içá. A roça mais racional, a implantação do curral e o artesanato. No mastro do quartel, a Bandeira do Brasil é uma mensagem eterna de integração. 

Recorte do Almanaque Municipal
Ele é responsável pelo movimento cívico em relação ao Desenvolvimento. Produz o soldado e o cidadão. Implanta a escola e o complexo social que torna possível a fixação do homem. É a Bandeira no mastro além das copas, como corolário de um trabalho produtivo de conquista. A colonização que sempre acompanhará a presença do Exército na região significa o apossamento da terra: o cultivo, novas técnicas o agrícolas, o criatório, tudo o que a terra poderá produzir para sobrevivência do homem do Brasil.

Tabatinga está dividida em dois centros principais, interligados na obra integradora: o civil, no povoado de Marco, por onde passa a divisa Brasil—Colômbia, e o militar, que se desdobra pelo resto da área, semeando núcleos paisanos de ocupação. Destaca-se, neste espaço, a Vila Militar, com o grupo escolar, o quartel, casas e uma farmácia. Manaus fica a 5 dias de navio e 12 de pelo lancha, mas um avião da FAB, tipo Catalina, aterrissa naquela região banhada pelo Solimões todas as semanas.

Vejam que o novo Comando Militar, dentro do espírito da antiga Colônia Militar, vai também ao encontro do brasileiro roceiro, na área, ensinando-lhe o bê-á-bá da agricultura moderna. Nesta missão prolongada, o Exército proporciona assistência dentária, veterinária, deflagrando um processo continuado de alfabetização.

É preciso que a farda dê de tudo, porque não existe mesmo nada na área. Dessa operação conjugada — da farda com a ocupação econômica — repontam os setores de agropecuária, industrial, comercial, serviços públicos, habitacional e sanitário, sendo que o fator educação do homem é o capitânea de todas as metas. Crianças, quando deixam a escola pela manhã, buscam à tarde os aprendizados de carpintaria, olaria, serraria, colchoaria, oficinas mecânicas e construção de embarcações típicas da região.

Situação atual do Pelotão situado em
Vila Bittencourt - Japurá,
recebendo a visita do ministro da Defesa.
Vai assim o soldado aplicando uma educação pragmática ao homem da fronteira. Uma educação prática, ensinando ao homem o que necessita aprender para transformar o mato em Brasil. Estes Comandos Militares – progresso natural dos pelotões e companhias de fronteira – são o arremate tático da ocupação. Funcionam como colmeias de ensinamentos úteis. E significam o único apoio – ao lado de outros dispositivos fardados – que tem o brasileiro da fronteira para a sua integração definitiva na comunidade nacional.

quinta-feira, dezembro 07, 2017

GOVERNO MILITAR E O DESAFIO AMAZÔNICO (2)



Danilo Areosa
Prosseguindo com a postagem anterior, sobre o tema, reproduzo mais um trecho do Almanaque Municipal Brasileiro, de 1970, quando era governador do Amazonas Danilo de Matos Areosa.


Manaus é a sede do Comando Militar da Amazônia

A transferência do Comando Militar da Amazônia de Belém para Manaus marcou a maior presença do Exército, nos seus objetivos de Segurança e Desenvolvimento, em relação aos 3/5 de Brasil quase sem ocupação: a Amazônia.

Esse deslocamento do CMA para Manaus — capital da Amazônia Ocidental — evidencia a penetração fardada, senão a conquista de novos e remotos espaços geográficos, onde a dispersão demográfica e as grandes distâncias representam a maior dimensão do problema da integração. O Exército quer ocupar — deixar seus rastros de colonização do vazio. Está marchando mato adentro, transpondo rios e pântanos, para que o sigam atrás da farda, nos sulcos de seu desbravamento, as colunas do empresariado industrial, agrícola e de comercialização, implantando núcleos com condições de fixação do brasileiro no Brasil amazônico.

Recorte da citada publicação 
Por isso Manaus é a sede do Comando Militar da Amazônia. Porque Manaus funciona como centro irradiador da Amazônia Interior — a mais perdida, a mais distante, a mais longe do Brasil Desenvolvido, a que mais necessita do pioneirismo do soldado.

As gandolas entram com o capital do sacrifício. Por baixo da Bandeira que se mistura com o verde das copas, o ponto civilizador iniciado: o quartel, salpicos de casas de sapé, a escolinha, o hospital, a olaria, a serraria, a chaminé da pequena usina elétrica. Em suma: a ocupação implantada, ainda balbuciante, mas a matriz do que será, em breve, a grande Amazônia Brasileira.

Em Manaus, além da sede do CMA, está o CIGS, o Centro de Instrução de Guerra na Selva. É sem favor, o mais treinado e eficiente corpo de tropa de sua especialidade. Nem no Vietnã — nem em selva outra de paz ou de guerra — existe um CIGS com tamanho poder operativo e mobilidade de combate em meio adverso. É a lição da anti-guerrilha.

Sua fama se projetou em outros Exércitos. Pois o CIGS está formando, nas técnicas da guerra na selva, oficiais de outras nações amigas. Sua missão é a de transformar homens em supersoldados. Quem não possuir têmpera de aço, vontade dura, saúde excepcional e, sobretudo, quem não tiver motivação cívico-militar, não resistirá às rígidas instruções do CIGS. Ele forma homens para vencer. Produz a síntese da Coragem-Civismo-Técnica, dentro do imoderado amor à Pátria.

Trabalho da Força Aérea junto aos indígenas

O antigo 27° BC, hoje o 1° Batalhão de Infantaria da Selva, foi o primeiro apoio do Exército em Manaus. De suas baionetas partiu tudo o que existe na área militar da Amazônia Interior. É um Batalhão querido do povo, por onde passaram as lideranças regionais. Governadores do Amazonas contam com orgulho que foram praças do então 27° BC.

Hoje, este Batalhão prepara o soldado para a missão de fronteira, a mais prioritária do verde-oliva. Nas faixas perdidas da grande planície setentrional, a bandeira do CMA assinala a vigilância permanente e a progressiva integração. De Manaus parte o apoio logístico.

Ainda em Manaus funcionam, entre outras organizações militares, o Hospital Geral de Manaus, a Companhia Especial de Transportes, a 29ª CSM, a Comissão de Obras, com seu canteiro de construções que não lhe permitiu, sequer, pela arrancada de trabalho, o levantamento de sua sede própria. A Comissão opera na construção de casas para oficiais e sargentos, como em outros setores vinculados aos objetivos de integração.


Na Amazônia, o Exército assumiu características regionais. Outro Exército dentro do mesmo Exército. Um Exército caboclo – tão índio e tão Brasil — abrindo caminho para a passagem da civilização brasileira. O Exército exato para a Amazônia. 

quarta-feira, dezembro 06, 2017

GOVERNO MILITAR E O DESAFIO AMAZÔNICO (1)

Capa da publicação
Em 1970, em pleno verdor do Governo Militar (1964-85), a presidência de Garrastazu Medici faz circular especial publicação expondo a situação dos municípios, intitulada de Almanaque Municipal 
Brasileiro. Aproveita, ainda, para apregoar os avanços ministeriais.

Repartidos por Estados, o almanaque tocante ao Amazonas, então governado por Danilo de Matos Areosa (1967-71), traz um apologia sobre a atuação das Forças Armadas, destacando a Força Terrestre, efetivamente a maior em atuação na região amazônica.

Esta postagem compartilha o texto constante do volume sobre o Amazonas, discurso como se vê sopesa a expansão governamental sobre a Amazônia.

O EXÉRCITO NA PROA DO DESAFIO AMAZÔNICO

O quartel do seu Exército continua na Amazônia. Continua, porque sempre esteve dentro da amplidão verde que a farda conquista para a nossa economia. Principalmente agora, o Exército Brasileiro penetra nos 3/5 do Brasil amazônico, fixando-se nos pontos estratégicos de ocupação humana e econômica. Ao lado da FAB e da Marinha de Guerra, no mesmo abraço integrador, vai o verde-oliva rasgando espaços de integração, numa resposta viva ao maior desafio do século: a Amazônia.

Os claros demográficos e econômicos, todo o vazio continental de florestas e rios da grande área — recebem a ação colonizadora do soldado, mediante o apoio dos Ministérios do Interior, dos Transportes, da Saúde e da Agricultura, num movimento integrado de apossamento da maior fronteira virgem do Desenvolvimento Nacional.

Numa área cujo conceito geográfico transborda de nossos limites político — alcançando, além do Brasil, a Colômbia, Peru, Bolívia, Venezuela, Equador, Guiana, Suriname e Guiana Francesa —, o Exército irrompe como sentinela avançada no dorso do universo amazônico.

Catalina CA-12 "ancorado" num trecho de rio amazônico
Aceita, de frente, a carga ocupacional de um terço da reserva florestal do mundo, na vigésima parte do planeta. São 9 mil km de linhas de fronteira — volume linear maior do que a nossa costa atlântica — debaixo de vigilante e poderoso dispositivo de Segurança produzido pelo Triângulo das 3 Armas. Mas, além da missão primordial de Segurança, reponta o sacerdócio do desbravamento.

O Exército reconstitui, no mar das selvas, a epopeia das bandeiras, imprime o seu timbre rondoniano. Foi assim no Brasil-Sul, todo ele integrado pela farda, ocupado pelas gandolas pioneiras. É assim no Super-Brasil da Amazônia, todo ele encampado pela presença humana do uniforme. Oiapoque, Manaus, Roraima, Cucuí, Japurá, Ipiranga, Tabatinga, Estirão do Equador, Palmeira, Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Guajará-Mirim, Forte Príncipe da Beira, Porto Velho — todo o corpo verde da Amazônia — experimentam os impulsos de integração do Exército.

Brancos, pretos, mulatos, índios — a grande raça dentro da mesma farda — a levantar o status social de comunidades vegetativas, levando a saúde, a cartilha e o complexo de infraestrutura essencial à arrancada do Desenvolvimento.

Onde o Brasil é apenas uma ficção geográfica — nas faixas ainda sem Brasil — o Exército Brasileiro implanta a Pátria física: o homem e sua economia. Em todos os quadrantes — lá, onde só existe o nada — o soldado deixa o rastro da colonização.

Sentinelas da Amazônia — o braço armado do Brasil — elas chegam primeiro com a marca do exemplo. Para definitiva ocupação do vazio. (veja próxima postagem)

segunda-feira, dezembro 04, 2017

SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA

Ao final de seu governo, em 22 de fevereiro de 1975, João Walter de Andrade efetuou uma viagem a São Gabriel da Cachoeira (ex-Uaupés), a fim de ali inaugurar alguns órgãos estatais. Para o deslocamento, utilizou um avião Bufalo C-115 da FAB e, desse modo, conduziu uma extensa comitiva, como se verá abaixo.


A região, cuja população na sede era de 13.569 (dados de 1970), era considerada de Segurança Nacional, conjuntura que autorizava ao governador indicar o prefeito. Havia um esforço tanto do Governo Federal quanto Estadual em consolidar no Alto Rio Negro a presença brasileira, pois São Gabriel tem o encargo de assegurar a fronteira nacional com a Colômbia e Venezuela.

Esta postagem baseia-se na Nota de Serviço (operação cachoeira) expedida pela Casa Militar do Governador, no ensejo chefiada pelo tenente-coronel Pedro Rodrigues Lustosa.

VIAGEM A SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA
Reveste-se a viagem do Excelentíssimo Senhor Governador a São Gabriel da Cachoeira de uma significação maior. As inaugurações que lá irá proceder são o coroamento dos esforços dispendidos em sua resposta à política de Integração Nacional.

João Walter (dir.) e o
Presidente Ernesto Geisel
Considerada desde muito tempo, como área onde primeiramente o colonialismo, com o governador Lobo d'Almada, criou o plantel de abastecimento da Capitania, com as culturas e indústrias de transformação, esse pedaço do Brasil necessita, hodiernamente, de bases de apoio ao grande eixo viário que é a Perimetral-Norte, e por isso o Governo se apressa na consolidação dessas bases, levando à região os elementos preparatórios capazes de, em futuro próximo, aplicarem as soluções requeridas ao progresso do vale do Rio Negro.
Completa-se, pois, com êxito mais uma missão da atual gestão governamental, sempre voltada ao bem estar e à integração, no contexto civilizado, do nosso homem do Interior.

CONSTITUIÇÃO DA COMITIVA
·        Eng. João Walter - Governador do Estado
·        Gen Div Fernando Belfort Bethlem e Senhora - Comandante Militar da Amazônia e 12ª RM
·        Gen Bda Gentil Nogueira Paes - Comandante do 2º Grupamento de Engenharia e Construção
·        Dep José Cardoso Dutra - Presidente da Assembleia Legislativa
·        Desdor. Luiz Francisco de Oliveira Cabral - Presidente do Tribunal de Justiça
·        Dr. João Bosco Ramos de Lima – Vice-Governador eleito
·        Cel Mario Ramos de Alencar - Chefe do Estado-Maior do CMA/12ª RM
·        Cel Av Guilherme Alberto Dias Cal - Comandante da Base Aérea de Manaus
·        CMG Ricardo Raposo Carneiro - Comandante da Flotilha do Amazonas
·        Cel Manoel Jesus da Silva - Chefe da Agência do SNI
·        Cel Eliano Vieira de Souza - Chefe do Estado-Maior do 2º GEC
·        Dr. Ozias Monteiro Rodrigues - Secretário de Estado de Fazenda
·        Dr. Antonio Iran Gadelha - Secretário de Estado de Planejamento
·        Dr. Orlando Cabral de Holanda – Diretor-geral do Deram
·        Dr. Aluizio Campelo - Superintendente da Suframa
·        Dr. Delile Guerra de Macedo - Sarem
·        Dr. José Costa Neto - Funrural Dr. Naziano Pantoja Filizola - Presidente da Celetramazon
·        Dr. Ernani Varela de Melo - Presidente do Banco do Estado do Amazonas
·        Cap PM Francisco Orleilson Guimarães e Senhora - Ajudante de Ordens do Sr. Governador
·        Cap Sergio Albuquerque - Ajudante de Ordens do Sr. Comandante do 2º GEC
·        Dr. Djanir Guimarães Dantas - Suplan
·        Osny Araújo - Jornalista
·        Rubens Benzecry e Senhora
·        Carlos Alberto Viana - Cinegrafista da TVE
·        Francisco Dias Mendes — Fotógrafo

PROGRAMA

Dia 22 fevereiro 1975
06h30 - Embarque na Base Aérea de Manaus
07h00 - Decolagem
09h30 - Chegada a São Gabriel da Cachoeira
10h45 - Inauguração do Hospital, com assinatura de Convênio entre o Governo do Estado (Secretaria de Saúde) e o Exército.
11h30 - Inauguração da Agência do Banco do Estado do Amazonas (BEA)
12h15 - Inauguração das ampliações da Usina da Celetramazon
13h00 - Entrega de residência para o Juiz de Direito
14h00 - Embarque para Manaus
16h30 - Chegada a Manaus.

BREVE HISTÓRICO

MUNICÍPIO DE SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA

Freguesia em 1833. Por lei nº 92, de 6 de novembro de 1858, é considerada freguesia o como tal reconhecida "para os efeitos civis e eclesiásticos". Vila por lei estadual nº 10, de 3 de setembro de 1891. A instalação do município efetua-se a 13 de maio de 1892.
Capa da NS

Um dos municípios do Amazonas, em virtude da lei nº 33, de 4 de novembro de 1892, que "Organiza o Município do Estado". Anexado ao município de Moura por ato nº 45, de 28 de novembro de 1930. Anexado a Barcelos por ato nº 33, de 14 de setembro de 1931, como Delegacia municipal.

Volta à condição de município independente, em virtude da reconstitucionalização do Estado, em 1935. Elevada a Vila de São Gabriel à categoria de cidade, na vigência do Decreto-lei de 31 de março de 1938, que dá execução ao Decreto-lei nacional nº 311, de 2 do mesmo mês e ano.

Em virtude da divisão administrativa e judiciária para 1944/48, passa a denominar-se Uaupés. O município passou a denominar-se São Gabriel da Cachoeira pela Lei nº 233, de 8 de julho de 1965.
Foi declarado de "Interesse da Segurança Nacional" pela Lei Federal nº 5.449, de 4 de junho de 1968.

AUTORIDADES MUNICIPAIS DE
SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA.

Prefeito - Francisco Chagas de Oliveira
Juiz - Kid Mendes de Oliveira [hoje desembargador aposentado]
Exatoria - Ivan Ferreira Gonçalves, responsável pela exatoria.
Delegado - José Monteiro 2º Sargento PM
O Setor de Saúde é de responsabilidade do 5º BEC.
O Setor de Saneamento está em fase de implantação. Educação não possui nenhum convênio assinado
Celetramazon - Percy Brasil da Costa - Agente

BEA - Manuel Araújo Pereira - Gerente

sábado, novembro 21, 2015

NPOR – ENCONTRO ANUAL

Na continuidade da comemoração do primeiro centenário do 1º BIS(Amv), o comando desta Unidade promoveu nesta manhã o Encontro anual dos eternos alunos do NPOR/1º BIS.  Devo assinalar que este curso funcionou em Manaus por ocasião da II Guerra. Depois de 20 anos de interrupção, voltou a formar os oficiais da reserva, a partir de 1966.
Pavilhão de comando do 1º BIS, na formatura dos
eternos alunos do NPOR

Ao encontro, compareceram mais de duas centenas de eternos alunos.
A recepção ocorreu no Cirmam, onde as turmas foram se reencontrando, em especial as mais antigas.  Também neste local, houve a recepção pelo comandante do BIS, tenente-coronel Alexandre dos Passos.
Seguiu-se uma vídeo conferência com a transmissão da palavra do comandante do CMA (Comando Militar da Amazônia), general de Exército Theophilo Gaspar, falando desde o Estado de Roraima onde se encontra em missão.

A seguir, a comunidade passou às dependências daquele quartel, para apreciar a exposição de armas e outros recursos bélicos e visita as instalações do NPOR.

Veio, então, o momento mais exigido dos “cabeças brancas”, ao menos da metade.  Foi o momento da formatura no pátio externo, com tudo que manda o regulamento: entrega de medalhas, salientando-se a que premiou post mortem o aluno nº 1 da turma de 1944, Roderick Castelo Branco (lembrado professor dedicado do Colégio Estadual e eficiente filatelista). A comenda foi recebida pelo filho do homenageado -- Rodemark Castelo Branco.

Ainda tivemos (pertenço a turma de 1966), entrega de medalha do Centenário do BIS; a palavra entusiasmada do representante dos oficiais da reserva; a do general Poty, chefe do Estado-Maior do CMA; o canto da Canção da Infantaria e, ufa, às 11 horas da matina, em plena canícula, o desfile da tropa. Entre mortos e feridos, todos chegaram ao destino.  
No meio do dia, encerrando o Encontro, foi sérvio o almoço na Toca da Onça.

A ocasião serviu para múltiplos acertos, como a comemoração do cinquentenário da turma Ajuricaba, que vai festejar seu cinquentenário em março próximo. Serviu ainda para reafirmar que o Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva nos une em prol da Amazônia.

Selva!!!

Tenente-coronel Alexandre Passos recepcionando os convidados

Registro da solenidade.

domingo, maio 24, 2015

DESFILE DE SETE DE SETEMBRO


Em 1963, ainda na avenida Eduardo Ribeiro, com o palanque instalado no cruzamento da rua José Clemente, ao lado do Tribunal de Justiça, ocorreu o desfile de Sete de Setembro. Era governador do Estado, Plínio Ramos Coelho, que presidiu seu último Dia da Pátria, pois foi cassado no ano seguinte.
Curioso é o aproveitamento do asfalto para a propaganda política. Pode se ler o anúncio do deputado Paulo Nery, bem em frente ao palanque.

A primeira foto mostra a Banda de Música, enquanto, na segunda, vê-se o comando da tropa da Polícia Militar do Amazonas.






domingo, março 10, 2013

NPOR – TURMA 1966


Em 10 de março  – Ocorreu no quartel do 27º BC (atual 1º BIS) a formatura da 1ª turma do renovado NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva). Parte dos 17 concludentes dessa Turma Ajuricaba ingressou na Polícia Militar do Amazonas, os hoje coronéis da reserva Osório Fonseca Neto, Amilcar da Silva Ferreira, Ruy Freire de Carvalho, Odacy de Lima Okada e Manoel Roberto Lima Mendonça (autor deste post) e Ilmar dos Santos Faria, que morreu em 1999. Outros três experimentaram a então farda caqui da corporação estadual, porém a deixaram em pouco tempo. São eles: Antônio Germano Gadelha; Carlos Salustiano Coelho e Hélio dos Santos Graça.

Foto oficial com alunos, comandantes e auxiliares, em
frente ao comando do 1º BIS
Quando me refiro à renovação do NPOR, torna-se necessário explicar que ocorreu uma etapa deste curso em Manaus, durante a II Guerra Mundial. No biênio 1942-43, o mesmo 27º BC preparou a pioneira, vastíssima turma de jovens, visando apoiar obviamente o esforço de guerra em que se metera o Brasil. Preparou 100 (isso mesmo, uma centena) oficiais da reserva, e com isso envolveu filhos das famílias mais distintas da cidade. Acredito que, dos mais conhecidos, o último destes oficiais R/2 a morrer foi o doutor Samuel Benchimol, em 2002.

É praxe militar dar números aos integrantes de curso; assim foi efetivado com a turma do NPOR da II Guerra. Em decorrência dessa providência, os componentes do novo curso também foram designados por números e na ordem alfabética, começando pelo Al (aluno)101 Amilcar da Silva Ferreira. Porque me chamo Manoel Roberto, tomei o número 111. Já o Renato de Azevedo Tribuzy, doutor em Matemática da Ufam, respondia pelo número 113.

Da turma pioneira, três concludentes passaram pela Polícia Militar do Amazonas.  Nessa ordem: Omar Gomes da Silveira, que foi incluído como tenente em fevereiro de 1947. Quando tenente-coronel, Omar assumiu o comando-geral da Força Policial (de novembro 1967 a março 1968), no interregno entre oficiais do Exército, como era praxe no Governo Militar. Depois veio Alcimar Guimarães Pinheiro, falecido coronel. Incluído na corporação em Bastante conhecido no bairro da Praça 14 e no Palácio Rio Negro, aonde serviu na Casa Militar dos governadores Arthur Reis e Danilo Areosa. Graduou-se em 1961 na Faculdade de Direito do Amazonas.
O terceiro foi Francisco de Assis Albuquerque Peixoto, na condição de coronel comandante da Polícia Militar, nomeado pelo governador Gilberto Mestrinho, em 1959. Tornou-se o último paisano a dirigir esta instituição militar. Já postei algumas informações sobre o comando do coronel Assis Peixoto, especialmente ressaltando a reforma e o embelezamento que empreendeu no quartel da Praça da Polícia. Cabe-lhe a primazia de matricular três alunos na Escola de Formação de Oficiais da Guanabara, constituindo a primeira turma. Seu comando durou até 1963.
A turma que hoje completa 47 anos de conclusão do NPOR, apesar do pequeno número de concludentes, nunca mais se encontrou. Semana passada, ensaiei com outro colega um movimento para que isso ocorresse. Não ocorreu. Talvez o cinquentenário, que se aproxima, seja a última oportunidade.

sábado, março 09, 2013

NAVEGANDO PELO RIO SOLIMÕES, DE CAIAQUE


Coronel Hiram Reis

Para homenagear ao chefe da expedição pelo rio Juruá, coronel da reserva do Exército Hiram Reis, reproduzo dele sua penúltima postagem, que narra a etapa vencida entre as cidades de Codajás e Anamã, no rio Solimões.

Com chegada marcada para a tarde deste domingo, 10 de março, a expedição encerra seus trabalhos de campo. É preciso destacar que este trabalho foi realizado em embarcação exótica para a dimensão de nossos rios, de caiaque, cobrindo vasta extensão do rio Juruá e parte do rio Solimões. Trabalho extenuante, que somente a dedicação e o empenho e a brasilidade de Hiram Reis e seus parceiros de luta poderiam vencer.

Selva, camaradas, até o próximo desafio.


Codajás – Anamã (*) 


Ao passar pela Boca do Purus, minha memória, madrugando no passado, recolheu, no arquivo ancestral, a imagem de dois ícones de nossa história, em outubro de 1905, navegando no vapor Rio Branco, singrando este mesmo rio tendo como destino Manaus. José Plácido de Castro tinha comandado o vitorioso Movimento Revolucionário Acreano, que resultou na incorporação das terras “ditas” bolivianas ao Brasil.
Euclides da Cunha chefiara a Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus, cuja missão era mapear o rio Purus desde a foz, no Solimões, até suas cabeceiras, definindo as fronteiras do país com a Bolívia e o Peru.
Novamente os cordiais Policiais Militares nos apoiaram na hora da partida. Quando chegamos ao flutuante do “Pisca”, ele já estava a postos para que pudéssemos carregar na lancha “Mirandinha”, o material que ficara sob seus cuidados.
Eu havia visitado Codajás, pela primeira vez em janeiro de 2009, na minha descida pelo Solimões. Deixamos para trás mais uma amazônica cidade que regrediu consideravelmente nos serviços prestados à comunidade, apresentando uma triste realidade que parece ser a tônica das cidades do rio Solimões pelas quais passamos, ao contrário do que observamos no Juruá.  

Partida para Anamã (05.03.2013)
Deixamos o cabo Mário para trás arrumando os badulaques na lancha Mirandinha e iniciamos nossa jornada. A noite emprestava à paisagem um toque de magia e mistério, eu me orientava pela claridade da cidade que ainda dormitava preguiçosamente e pelas luzes das embarcações que desciam placidamente o formidável rio. Os primeiros raios solares só surgiram no horizonte, depois de termos remado hora e meia, matizando as diáfanas nuvens.
Ao raiar do dia cruzamos por uma embarcação da Marinha do Brasil, a P20, que realizava manobras na área. O dia transcorreu sem grandes alterações, o calor era insuportável e foi necessário reabastecer nossos cantis por três vezes. Antes de entrarmos em um furo que conduzia à cidade de Anamã, solicitei ao Mário que fizesse algumas tomadas da Boca do lendário rio Purus. Como em 2009, cruzamos pelas enormes alfaces d’água (pistia stratiotes) de mais de 50 cm de diâmetro, do Purus.
O Furo, indicado ao Mário por um ribeirinho, diminuía consideravelmente a distância até Anamã e por ele enveredamos. As águas do Solimões penetravam velozmente pelo furo e chegando ao lago já tinham empurrado as águas negras mais para o interior tingindo-o totalmente com suas águas leitosas. Depois de remarmos uns dez minutos, avistamos a cidade das originais e multicoloridas casas de madeira, ao fundo, e picamos a voga para atingi-la.
Fomos direto para o Porto de Anamã, que por sinal encontra-se em péssimo estado de conservação. Guardamos nossos materiais em um flutuante da Prefeitura, sob custódia do Vovô, e contatamos o cabo PM Evandro Carreira, já orientado pelo seu comandante, Major PM Michel, que nos levou até o hotel e às dezenove horas até o restaurante do Soldado, que a Prefeitura havia-nos igualmente franqueado. 

Anamã e a Enchente de 2012
Para saber mais, consulte

 A maior enchente em mais de cem anos castigou uma das mais belas cidades do Amazonas. A alagação colocou o município de Anamã em situação de emergência, já que 100% das ruas da cidade estavam debaixo d’água e mais de 800 casas tinham sido inundadas, sendo que mais da metade delas precisou utilizar do recurso do assoalho levantado.
A maioria das casas de Anamã é de madeira e sua arquitetura requintada, riqueza de detalhes e pinturas vivas chamam a atenção de quem a visita. Os marceneiros locais são muito hábeis e os acabamentos são originais raramente repetidos em outra construção. A marca das águas nas paredes das residências não deixa dúvidas do estado de calamidade que assolou a pequena Anamã. Verificamos muitas obras sendo executadas e esperamos que o pico da cheia que se avizinha não venha a causar mais transtorno aos moradores. 

O lendário rio Purus
Pelo Purus havia passado alguns desbravadores em busca do conhecimento e da fortuna, muitos em busca da simples sobrevivência, idealistas buscando estender nossas fronteiras pela força do direito, e guerreiros tentando fazê-lo pelo direito da força. O Purus não é apenas um rio, mas um protagonista que, junto com homens de valor, gravou belas páginas na história da nossa nação.
Homens que enfrentaram o desconhecido, que subjugaram a mata, que a analisaram, estudaram, mas, também homens que tiveram suas vidas arrebatadas pela força da natureza e cujos destinos foram manipulados inexoravelmente pelas titânicas energias telúricas.
O Purus merece nosso respeito pelo que foi, pelo que é e pelas contraditórias passagens levadas a efeito na sua calha. Um rio patriota, que guarda nas suas águas as imagens imaculadas de um Plácido de Castro e de um Euclides da Cunha. Um rio de ambição e sem consciência, que reflete as carrancas dos ambiciosos seringalistas que escravizaram os seringueiros nordestinos e suas famílias.
O Purus pré-histórico é tudo isso e muito mais. Nas suas calhas, foram descobertos os restos de gigantescos animais, como o “Purusaurus brasiliensis” de 15 a 20 metros de comprimento, que dominava as águas no lago Pebas. O purusaurus viveu de 5 a 6 milhões de anos atrás e provavelmente foi o maior dos crocodilianos gigantes extintos.
Nosso preito de respeito a esta artéria viva da nacionalidade brasileira que reflete, nas suas águas, a pujança de uma raça do porvir, alicerçada no invulgar passado, mas com os corações e mentes voltados para o futuro.

Encerramento dos trabalhos de campo da Expedição GBM
Convidamos aos amigos que acompanharam fielmente nossa jornada cívica a comemorar nossa chegada às 15 horas, de 10 de março de 2013, no porto do Centro de Embarcações do Comando Militar da Amazônia. Participe e\ou convide seus amigos a fazer parte da escolta fluvial no Rio Negro ou do congraçamento nas instalações do CECMA. 

(*) Hiram Reis e Silva, Manacapuru (AM), 07 de março de 2013