CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

29 de novembro de 2012

BOMBEIROS: ENTRE FESTA E FOGO

Manoel Ribeiro, 1984
O Corpo de Bombeiros amazonense não imaginava passar a semana de seu aniversário tão atribulado. Na segunda-feira 26, comemorou duas datas em única solenidade. No curso desta, tive o privilégio de apor a Medalha Dom Pedro II, patrono dos Corpos de Bombeiros, em duas personalidades: o artista plástico Moacir Andrade e Manoel Ribeiro, secretário municipal.

A parada realizada no pátio de formatura da corporação, cujo aquartelamento destacava-se pelas luzes vermelhas, relembrou os 136 anos de existência desse Serviço no Amazonas e os 11, de emancipação.

A primeira data recorda o esforço do administrador provincial de regulamentar o serviço de combate ao fogo na capital amazonense. Ocorreu, pois, em 11 de julho de 1876, e tudo quanto se podia esperar dessa organização era água, solamente  água. Mas, foi a partir desse elemento abundante na região que o Corpo cresceu, passando, claramente, por acertos e tropeços. Assim evoluiu assim nos alcançou.


Daí a razão da segunda comemoração -- sua desvinculação da Polícia Militar, sob cuja direção esteve por 25 anos (1973-1998). Há 11 anos, o agora Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas passou, como tantos congêneres no Brasil, a se conduzir com independência administrativa, hoje sob o comando do coronel Antônio Dias.


Detalhe do incêndio, A Crítica, 28 novembro 2012 e
jovem salvando inestimável bem (ao lado)
Não se pode deixar de observar a evolução deste ofício na cidade. Também não se podem esquecer os custos para a manutenção desta profissão. Se fosse de maneira contrária, qualquer município manteria uma corporação dos homens do fogo.

Mas, como para contrariar tais análises, na manhã seguinte 27, o fogo no bairro de São Jorge testou com rigor aos bombeiros de tantos julhos. A corporação compareceu com todas as forças, o efetivo mantido em Manaus estava no local. Uma favela construída há mais de 30 anos serviu lamentavelmente para o desafio. Não houve mortes, mas a destruição foi total, os casebres de madeira desapareceram, escapando utensílios domésticos, em especial, uma TV LED conduzida sobre a cabeça, com o transportador imerso no igarapé extremamente poluído que circundava o casario.

Nos dois ultimas dias, as queixas contra a atuação dos Bombeiros tomaram as paginas dos periódicos, ou melhor, da mídia em geral. Queixas como o atraso em chegar; falta de água; despreparo do pessoal; entre outras, pautam a imprensa.

Ainda hoje, o #1, de A Crítica, assegura que o incêndio na favela de São Jorge acendeu uma luz. E que para solucionar o problema, basta aumentar o efetivo do Corpo de Bombeiros. Porque, teme o colunista, se esse desastre acontece na Copa 2014...  

Falo por mim. A questão não é somente aumentar o efetivo, isso é o mais simples, apesar dos entraves burocráticos.  Para que não volte acontecer outra semelhante catástrofe, basta a prevenção. Não permitir a construção de favelas, com seus casebres em tantas existentes na cidade; não permitir que os gatos desafiem nossa paciência e nosso bolso; não permitir outros abusos patrocinados pela lambança política. Chega?

No mais, é preciso entender as técnicas de combate ao fogo, de mergulho, de salvamento em geral, de retirada de corpos, entre outras atividades dos bombeiros, para não se desgostar com o saldo desse fogaréu. Que se ouça o comandante, coronel Dias, para as explicações competentes, com isso, a capital vai continuar solidária com os homens e mulheres do fogo.