CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sexta-feira, julho 31, 2026

SESQUICENTENÁRIO DO CORPO DE BOMBEIROS (3)

 Dia 11 do corrente (sábado), o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) completou 150 anos. A comemoração aconteceu uma semana depois, quando o comando da corporação promoveu o devido festejo. Uma semana antes, ao encontrar o comandante do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, em entrevista no Jornal do Commercio, lembrei a ele que seria oportuno a fixação de uma placa comemorativa. E assim foi feito, a placa encontra-se à entrada principal do aquartelamento. Eu a vi, esta semana, ao visitar os Bombeiros; então me recordei de que -- no Centenário -- o major Ilmar Faria fez afixar também à entrada a respectiva placa, cujo descerramento foi realizado pelo vice-governador João Bosco Ramos de Lima. Agora, como não vi a dos 100 anos, e somente a dos 150 anos, esse fato me trouxe uma inquietação: como as placas, os Policiais e os Bombeiros parecem desconhecidos, apesar de constituir a Força Militar do Estado. FOGO!


Publicação de A Crítica,
11 julho 1976 (cima e abaixo)


Placa do sesquicentenário


sábado, fevereiro 22, 2025

AVENIDA EDUARDO RIBEIRO

 Duas amostras desta avenida, artéria que já foi a principal de Manaus, servindo de palco para os principais eventos, como Carnaval e 7 de Setembro. O cartão postal da década de 1990 capta a avenida do alto da Catedral, portanto próxima de seu início. Algumas das principais edificações estão situadas nas laterais, outras já desaparecidas, como a Lobras, em primeiro plano.

Avenida em foto da torre da Catedral

Na viatura segue a Guarda Bandeira,
sob o comando do tenente Tertuliano,
com os bombeiros sem qualquer segurança

A foto adiante é do desfile de 7 de Setembro de 1970, realizado na avenida Eduardo Ribeiro, contemplando um veículo (picape) do Corpo de Bombeiros Municipais, organização então pertencente à Prefeitura de Manaus. Passava por um remodelação, sob o comando do major Nicanor Gomes da Silva, recém diplomado no Corpo de Bombeiros da Guanabara, hoje Rio de Janeiro. No entanto, os governos estadual e municipal já dialogavam buscando implantar um novo organismo, melhor estruturado no combate ao fogo e serviços afins. Dois anos depois, em dezembro de 1972, foi concretizada a transferência desses encargos para o Estado, sob o controle da Polícia Militar, cuja evolução administrativa permitiu o estabelecimento do atual Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.

sexta-feira, setembro 06, 2024

CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS

Ainda em comemoração aos 50 anos da instalação do Corpo de Bombeiros em Petrópolis, com a entrega do quartel e de equipamentos na Semana da Pátria de 1974, reproduzo imagens efetivadas pelo mago da fotografia em Manaus – Carlos Navarro Infante, algumas delas inseridas no meu livro Bombeiros do Amazonas (2013).



As fotos pertencem ao Carlos Navarro Infante, com mais um agradecimento

quarta-feira, setembro 04, 2024

QUARTEL DO CORPO DE BOMBEIROS – 50 ANOS

Neste 5 de setembro - feriado no Amazonas por sua independência política, completa-se o cinquentenário da inauguração do aquartelamento do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas na rua Codajás, bairro de Petrópolis. Esta expressiva alteração aconteceu no encadeamento da incorporação do serviço de contra incêndios, prestado pela Prefeitura de Manaus, à Polícia Militar do Amazonas, em 1973.

Quartel do Corpo de Bombeiros/PMAM, quando da
inauguração

Para melhor situar esta evolução, transcrevo alguns tópicos do meu livro Bombeiros do Amazonas (2013).

Detalhe da capa do livro

Consolidada a transferência do serviço em março de 1973, o Estado intensificou a renovação dos equipamentos de combate a incêndios, usufruindo dos benefícios da Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, o governador João Walter (1971-75) baixou o decreto 2512/73 “autorizando adquirir, com dispensa de licitação, um Auto Escada, marca Metz; cinco Auto Bomba Tanque; dois Auto Salvamento e uma Plataforma de iluminação, marca Total”. Este “pacote” de viaturas foi adquirido na Alemanha, e inaugurado no desfile de 7 de Setembro de 1974.

Recorte do matutino A Crítica

A inauguração do quartel de Petrópolis ocorreu após o desfile do Dia da Pátria, com a presença do govenador em exercício, desembargador Lúcio Fonte de Rezende. A solenidade teve curta duração - 20 minutos, quando falou o governador; o coronel Lucy Coutinho, comandante da PMAM, e o coronel EB Odilon Spinelli, superintendente da Suplam, que explicou tecnicamente as obras concretizadas.

Placa alusiva a festa

Acerca do feito foi afixada uma placa comemorativa, ainda presente à entrada do aquartelamento.

sexta-feira, abril 05, 2024

ARQUIVO HISTÓRICO DO CORPO DE BOMBEIROS (2)

O CBMAM (Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas) foi criado em julho de 1876, meses depois do surgimento da Guarda Policial, atualmente Polícia Militar do Amazonas (esta
a posteriori demudou sua data de inauguração). Os Bombeiros surgiram não como entidade militar, mas apenas como acerto de funções que diversos órgãos provinciais executavam em caso de incêndio. Desse modo se manteve até o advento da República, embora sem grande definição, pois a mudança de governantes estaduais ocorria de modo confuso.

Cópia do decreto

Somente no governo de Eduardo Ribeiro (1891-96) acontecem algumas importantes iniciativas: o desembarque em janeiro de 1892 de graduados do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal para instruir o pessoal amazonense; os Bombeiros são subordinados à Força Estadual e, finalmente, em 15 de dezembro do mesmo ano a promulgação do decreto 12, estabelecendo o Regulamento da Companhia de Bombeiros do Estado. Trata-se da primeira legislação a dirigir os serviços de extinção de incêndios na capital amazonense.

segunda-feira, janeiro 23, 2023

CORPO DE BOMBEIROS/PMAM - CINQUENTENÁRIO (2)

Em comemoração ao cinquentenário da incorporação do serviço de contra incêndios à Polícia Militar do Amazonas, reproduzo uma página - com algumas atualizações - de meu livro Bombeiros do Amazonas: retrospectiva 1876-1998, publicado em 2013. Acolá, deu-se a partida à renovação deste Corpo, que hoje prossegue sob administração própria.

Quartel do Corpo de Bombeiros, em 1973

Mais detalhes do ato relatei no volume citado, pois na ocasião assumi o subcomando do CB/PMAM. Detalhe novíssimo: o edifício, que pertence a Prefeitura de Manaus, está tomado pelo mato e prestes a desabar.  

 

Situação do prédio, há dois anos, hoje está bem pior

Na terça-feira, 23 de janeiro de 1973, ocorreu a solenidade de incorporação do Corpo de Bombeiros de Manaus à Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Curiosidade: reencontravam-se após mais de duas décadas na avenida Sete de Setembro, onde estiveram juntos no distante ano de 1936 (por ocasião da reativação da PMAM). O evento teve lugar no acanhado quartel adaptado para o Corpo há mais de quatro décadas, todavia emparedado em decorrência do avanço urbanístico da cidade. Três portas dianteiras serviam para a circulação de pessoal e viaturas, com saída diretamente para a avenida com constante fluxo de veículos, pois serve de ligação entre os bairros situados na Zona Centro-Sul e o Centro.

Dispunha de três viaturas denominadas de ABT (Auto-Bomba Tanque), que o vulgo denominava mesmo de carro-pipa. Serviam para combater incêndios, porém, serviam com mais agrado aos motoristas do Corpo para distribuir água; elemento vital, cuja distribuição na cidade continuava bastante precária. Assim, os motoristas compraziam-se em distribuir o precioso líquido, todavia, mais precioso ainda para eles, pois, enchendo alguns tanques ou camburões particulares, auferiam algum trocado. Em razão desse suprimento diário, apelidaram carinhosamente aos ABT de “mamãe Dolores”.

Na manhã desse dia, o major PM Pedro Câmara recebeu do major CB Nicanor Gomes da Silva o Corpo de Bombeiros de Manaus. Em uma solenidade estritamente policial militar, da qual, apesar da significação histórica, não há qualquer registro jornalístico. Muito embora circulassem vários títulos de jornais, além de rádios AM e da FM Tropical, as TVs Ajuricaba (Canal 20) e Baré (Canal 4). Nada foi noticiado (censura?), por se tratar de solenidade com tropas militares, ou para escamotear a inconcebível situação dos “homens do fogo”?

Recorte da capa do livro

Relembrou a singeleza desta solenidade para este relato o comandante dos municipais: nada de convidados, a mais destacada autoridade presente foi o comandante-geral da PM, coronel EB Paulo Figueiredo. A fim de abrigar a pequena tropa, retiraram-se as viaturas do quartel, e pronto! Não houve sequer a indefectível Ordem do Dia, tampouco coquetel. Todavia, os sofridos Bombeiros de Manaus possuíam uma incontida aspiração: ver a hora de recomeçar nova e prestigiosa etapa profissional. 

Vida longa aos “homens e mulheres do Fogo”!

quarta-feira, janeiro 18, 2023

CORPO DE BOMBEIROS/PMAM - CINQUENTENÁRIO

Há 50 anos, no decurso do governo estadual de João Walter de Andrade (1971-75) e do municipal de Paulo Pinto Nery (1965-72) foi cumprido o projeto de dotar a capital de um Corpo de Bombeiros mais eficiente. Até então, os serviços de extinção de incêndios e afins era cumprido pelo Corpo de Bombeiros Municipais (CBM), instalado na avenida Sete de Setembro, quase na esquina do Canto do Quintela.

Tropa dos Bombeiros Municipais em desfile de Sete
de Setembro, passando pelo IEA

Em outubro de 1972, a Prefeitura recebeu autorização legislativa para conveniar com o Estado sobre a incorporação do efetivo do CBM à Polícia Militar do Amazonas. O comandante da PM amazonense, coronel EB Paulo Figueiredo,  foi o artífice dessa integração, sem que se olvide do empenho do comandante dos "homens do fogo", major CB Nicanor Gomes da Silva. 

Coronel Paulo e
governador João
Walter

O ato definitivo ocorreu em 18 de janeiro de 1973, quando foi firmado o Convênio entre o governo estadual e o municipal (pelo novo prefeito, Frank Abrahim Lima), passando o serviço de combate a incêndios e afins à gestão da Polícia Militar do Amazonas. Este documento foi publicado no DOE 22.689, de 24 janeiro, e transcrito no Boletim Geral/PMAM 22, de 31de janeiro. 


Após a transferência do Corpo de Bombeiros para
Petrópolis, o prédio foi cedido para a Fundação
Joaquim Nabuco. Retirada esta, o edifício entrou
em abandono.

A transferência efetivamente cumprida ocorreu em 23 de janeiro, no quartel da Sete pertencente à Prefeitura Municipal, hoje dolorosamente (para quantos ali se empenharam) em ruinas. 

domingo, junho 12, 2022

NOTA SOBRE O CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS

Conforme o título, a nota revela um detalhe dos Bombeiros Municipais, existentes em 1909. Convém lembrar que o Amazonas percorreu aquele início de século sob o governo dos irmãos Nery (1900-07), seguido da administração do coronel da PM Raimundo Afonso de Carvalho. Que foi sucedido por Antonio Bittencourt (1908-12), protagonista de sérios desastres na história amazonense. 

A notícia aqui compartilhada do Diário Oficial do Estado ocorreu em seu governo, apesar de que os "homens do fogo" estavam subordinados à Prefeitura de Manaus. De uma simples leitura pode-se perceber a indigência desse Corpo. E o edifício descrito na peça foi reconstruído, localiza-se no cruzamento da av. Sete com a rua da Instalação.


Em nossos dias, o Corpo de Bombeiros Militar é uma organização autônoma, integrante da Secretaria de Segurança do Estado.


Companhia de Bombeiros Municipais

 Diário Oficial, domingo,  21 de novembro de 1909                                                                    

 Insisto em ponderar que está sem materiais e em reduzido número de homens o Corpo de Bombeiros Municipais. Já vos tinha afirmado as suas precárias condições e agora aproveito o ensejo para lembrar-vos as dificuldades em que ficaram há pouco, no dia 19 de outubro, por ocasião do pavoroso incêndio que destruiu o prédio Kahn Polack.

Não há perícia e bravura que excluam a necessidade de bons aparelhos como sejam bombas, mangueiras, escadas etc., além da falta de homens, em momentos como aquele. Com os elementos que poderiam dispor, em frente ao maior incêndio que os anais da cidade registram em suas páginas, tudo fizeram digno de merecidos encômios; a falta d'agua abundante foi ainda um dos principais motivos de não se pode atacar eficazmente o fogo, que devorou, em poucas horas, o grande prédio.

Foi um fato aliás desagradável que veio patentear a carência em que estamos de dotar a Municipalidade com os recursos de que a Companhia de Bombeiros precisa. O aumento do número de praças, mangueiras e escadas, enquanto se espera que chegue a esta capital a bomba automóvel encomendada para Londres, suprirão as deficiências do momento.

Agora que ides votar a lei orçamentaria para o ano próximo futuro é conveniente que se consigne uma verba para aquisição de mais alguns aparelhos de pequeno custo. Com a importância de 60:000$000 que o Governo do Estado destinou em seu orçamento para 1910, a título de auxílio para melhorar as condições da Companhia, além de lhe dar a casa que serve de quartel, pode-se afirmar que os bombeiros municipais prestarão grandes benefícios à cidade.

Aqui consigno em nome da Municipalidade, os meus agradecimentos pela valiosa oferta de 100 metros de mangueira para incêndio, que fizeram os srs. Kiernam & Peters.

sexta-feira, outubro 30, 2020

DESATIVAÇÃO DA PMAM - 90 ANOS

Parece não ter ocorrido qualquer manifestação sobre os 90 anos da posse de Getúlio Vargas no governo do Brasil. Quem sabe por que a rebelião por ele conduzida submeteu o país à ditadura. Seu governo estendeu-se até 1945, ao final da Segunda Guerra. Mudanças foram impostas, duas das quais interessam a essa postagem: 1) a posse do interventor federal e 2) a desativação da Polícia Militar do Amazonas, ambos acontecimentos registrados em novembro de 1930.


Quartel da Força Policial, ao tempo de sua desativação

Na tomada do governo federal, em outubro, a repercussão acertou o país, em Manaus uma Junta Governativa sucedeu ao governador Dorval Porto. Adiante, assumiu o governo o tenente EB Floriano Machado, que preferia utilizar o posto mais elevado (tenente-coronel) exercido na Polícia Militar.

Outro entrevero aconteceu no quartel da Praça da Polícia. Seu comandante era o amazonense Joaquim Vidal Pessoa, capitão do Exército, que retornara para Manaus com o interventor Alfredo Sá, em 1924. Em 1º de novembro, todavia, foi substituído pelo tenente-coronel PM Sergio Rodrigues Pessoa Filho, em cujo comando permaneceu até o dia 29 seguinte, quando a corporação foi desativada. Tratava-se de resquícios da disputa entre oficiais do Exército e da PM, que rolava desde a Rebelião de Ribeiro Júnior (julho de 1924).

O segundo fato: a desativação da Força Policial do Amazonas que ocorreu por força do Ato (nova designação para o decreto) 52, de 29 de novembro. Coube ao interventor Álvaro Maia, que fora em 1917 o primeiro Juiz Auditor, com a patente de capitão, decidir sob frágil justificativa (escassez de recursos) extinguir a corporação, pondo na rua centenas de profissionais.

A decisão atingiu também ao Corpo de Bombeiros, então estava subordinado à Força Estadual e ocupando o quartel da Praça. Como a cidade não podia permanecer sem o serviço de combate a incêndios e afins, logo a interventoria corrigiu o desastre. Para tanto, baixou o Ato Interventivo 99, de 16 de dezembro, reativando esse serviço e mantendo no comando dos Bombeiros o capitão Arthur Martins da Silva.

Como decorrência, o Estado ficou sem policiamento ostensivo e os Bombeiros herdaram o imenso quartel. E ali se mantiveram até que o governo decidiu ocupar o prédio com escolas públicas. Nele funcionou o Grupo Escolar Barão do Rio Branco (hoje instalado na avenida Joaquim Nabuco) e a Escola Normal, destinada à formação de normalistas.

A pergunta é óbvia: como se conduziu a capital e as cidades interioranas, sem polícia? Em 1930, Manaus possuía cerca de 60 mil habitantes e, devido a ruína financeira causada pela borracha, a cidade esvaziava-se a cada saída de navio do porto da Manáos Harbour. Devido a essa situação, a capital fartou-se tão-somente com a reformulação da Guarda Civil, uma entidade subordinada à Polícia Civil, afinal não havia a reivindicação de força policial para os pequenos quebra-cabeças do quotidiano.

Zuavo (estátua militar) postada
à frente do quartel, hoje
Palacete Provincial

Quanto ao interior, o problema foi contornado com mais presteza. A condição de oficiais e sargentos de repente desempregados, levou-os a aceitar a chefia de prefeitura e o cargo de delegado de municípios. De certo, ambos levavam consigo praças (subordinados) igualmente desemparados. Essa situação, quanto aos delegados, intensificou uma prática que se estendeu por cerca de oito décadas. Isso mesmo, a PM predominou no interior nas delegacias até a década passada.

Como citado, os Bombeiros foram deslocados daquele imenso quartel para a um arremedo de quartel na avenida Sete de Setembro, o mesmo que se encontra em “estado terminal”. Aguarda a próxima chuvarada para melhor desabar. Será que os Homens do Fogo serão chamados, será tremenda ironia.

Em 1936, a Força Estadual voltou a operar, propiciando um esplendoroso festejo quando de sua abertura. Foi uma conquista e tanto para os desesperançados policiais. Este capítulo constitui a postagem de amanhã.

sábado, agosto 22, 2020

segunda-feira, março 09, 2020

MAJOR NICANOR GOMES SILVA


O Corpo de Bombeiros Municipais de Manaus passou a ocupar o quartel da avenida Sete de Setembro (cujo prédio encontra-se em escombros) em 1963. A prefeitura local desdobrava-se para melhorar o serviço dos “homens do fogo”. Dessa maneira, ia levando. Até que, quase ao final da década de 1960, enviou ao Corpo de Bombeiros da Guanabara um aluno oficial - Nicanor Gomes da Silva. Tratava-se do único bombeiro na corporação manauara com o curso médio completo.
Nicanor Silva
(foto do jornal)
Em 1969, Nicanor concluiu o Curso de Formação de Oficiais Bombeiros, com a conquista do 8º lugar, entre 23 alunos, todos da Guanabara. Ano passado, fui consultado para oferecer o endereço do Nicanor, pois sua turma iria comemorar o cinquentenário de formatura. Acredito que ele foi alcançado.
Concluído o curso, esse oficial efetuou um estágio em organização militar, de forma que somente desembarcou em Manaus, em março de 1970. Levado ao prefeito de Manaus, Paulo Pinto Nery, conquistou aquele alcaide e foi nomeado major comandante do Corpo de Bombeiros de Manaus, ainda pertencente à prefeitura. O restante da história do major Nicanor registrei em Bombeiros do Amazonas (Valer, 2012).
O registro da visita ao prefeito, texto aqui compartilhado, saquei do matutino A Crítica (10 março 1970).

Recorte de A Crítica (10 março 1970)


O Corpo de Bombeiros que vive na esperança de um dia melhorar, parece que está com os trunfos na mão. O primeiro oficial de escola chegou sexta-feira passada na capital amazonense após três anos de estudos no Corpo de Bombeiros da Guanabara onde aprendeu, por meios modernos, a combater o fogo e ajudar o próximo.  
O jovem Nicanor Silva, que ontem se apresentou ao prefeito municipal, acha que os bombeiros necessitam de mais incentivos e, acima de tudo, melhores apetrechos para o trabalho cansativo e sobre-humano que desempenham vontade de trabalhar e de executar uma reforma, se for pedido ao novo aspirante pelo chefe da comuna, ele tem. Seja no setor financeiro ou mesmo no técnico e assistencial, tudo isso, pode executar o primeiro graduado de escola.

TRUNFOS NAS MÃOS
Ao chegar em Manaus no sábado passado, o aspirante Nicanor Silva formado pelo Corpo de Bombeiros da Guanabara, numa turma de 23, ficou estarrecido com as condições dos Bombeiros de Manaus, onde, segundo afirma, falta muita coisa para ser verdadeiramente uma corporação. O primeiro graduado-de-escola, dentro de suas possibilidades, pretende fazer um esforço se for permitido para melhorar as comissões dos seus colegas de farda, que lutam pelo povo com um trabalho dos mais perigosos mesmo em condições.
Com os primeiros trunfos nas mãos, se encontra a corporação dos homens do fogo, que com a compreensão do prefeito deverá executar uma verdadeira reforma na corporação.
Major Nicanor Gomes Silva

MAIS INCENTIVOS
Recebendo muito pouco pelo trabalho perigoso que faz, o Bombeiro necessita verdadeiramente de mais incentivos. Há poucos dias os bombeiros terminaram um trabalho de evacuação de mais de oito famílias que estavam na iminência de morrerem soterradas, as mangueiras e outras árvores balançavam ao compasso do vento, enquanto os bombeiros faziam o trabalho de retirada das árvores na base do muque com um machado, tudo isso porque o barranco podia cair e com ele os grossos troncos arrasariam as pequenas casas existentes na beira-mar do Educandos. Recebem verdadeiramente pouco pelo trabalho, quando outrora eram equiparados aos vencimentos na Polícia Militar do Estado. Para um plantão de 24 horas é necessária em toda corporação uma boa alimentação, e no Corpo de Bombeiros a rancho é precário.

quinta-feira, julho 11, 2019

CBMAM - CORPO DE BOMBEIROS AM


Hoje 11, o Corpo de Bombeiros do Amazonas festeja mais um aniversário.

Quartel do Corpo de Bombeiros - Petrópolis
São agora 143 anos de serviços, desde que o vice-presidente da província, capitão-de-mar-e-guerra Nuno Alves Pereira de Mello Cardoso sancionou a Portaria nº 268/1876, “mandando observar as instruções para o serviço de extinção de incêndios”. Apesar de não se tratar de uma corporação militar, esta data tornou-se respeitada pelas demais congêneres, de sorte que o Amazonas possui a segunda corporação do gênero criada no Brasil. A primeira, como é sabido, foi estabelecida na capital da Corte pelo Imperador D. Pedro II, em 1856.
Na capital amazonense, esse serviço assemelhava-se aos bombeiros voluntários. Com uma diferença: a administração havia determinado as obrigações de tantos, da igreja e os sinos a anunciar o local da tragédia; dos policiais civis e militares e demais militares; da tripulação de navios ancorados no porto; dos aguadeiros (vendedores de água) com suas carroças; enfim, a ajuda intimorata da população; todo esse esforço estava sob a responsabilidade do diretor de Obras Públicas, coronel de engenheiros Leovigildo Coelho.
Bomba de incêndio
Convém salientar que para apoiar ao trabalho dos “bombeiros”, o governo provincial havia importado uma bomba de incêndio, estando ela armazenada na igreja matriz, próxima de sua abertura ao culto. Exemplar dessa máquina (veja foto) encontra-se no Museu do CBMERJ (Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro).

Oito anos depois desse arremedo de instituição, o presidente José Paranaguá ousou implantar “um corpo especial de bombeiros”. Porém, os cofres públicos não suportavam a medida. Assim se manteve, até que a República veio modificar essa atuação.
Coube ao governador Eduardo Ribeiro (1892-96) implantar o serviço de extinção de incêndios como corporação militar, desse modo, pode-se indicar o primeiro comandante do Corpo – major João de Lemos, nomeado em 23 de fevereiro de 1893.
Em 1900, com a posse do governador Silvério Nery, esse serviço foi “terceirizado” com a implantação de bombeiros voluntários. No entanto, durou enquanto aquele Nery foi governador. seu sucessor e irmão, Constantino Nery, restabeleceu a organização. Então, com definhamento financeiro do Estado, o Corpo de Bombeiros correu de ceca e meca, ou seja, ora sob a égide do governo estadual, ora do municipal.

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE MANAUS
Comandante Ventura
Na metade do século passado, o Corpo de Bombeiros estava sob o controle da Prefeitura. Cada vez mais quebrado o orçamento do Município, o depauperado Corpo de Bombeiros municipais sofreu a ingerência dos voluntários do “comandante” José Antonio Dias Loureiro VENTURA, desaparecido em 1961 com a morte de seu fundador. Ventura era cidadão português, morador do bairro de Aparecida, e essa instituição funcionou em sua residência-indústria à rua comendador Alexandre Amorim, onde agora está erguido o Fórum.

Major Nicanor Gomes
A instalação do Governo Militar em 1964 trouxe novos recursos para o Estado, permitindo que as forças de segurança crescessem. A Prefeitura seguia administrando o serviço contra incêndios. No entanto, em 1970, em afortunada decisão do prefeito Paulo Nery, este entregou o comando do CBM ao então
tenente Nicanor Gomes da Silva, que acabara de se formar na Academia do então Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro. Trata-se do primeiro oficial bombeiro formado em academia do gênero. A entidade estava aquartelada na avenida Sete de Setembro, no Canto do Quintela, em prédio hoje em ruínas.

CORPO DE BOMBEIROS DA PMAM
Em 1972, o governo do Estado resolveu encampar este serviço. Havia duas alternativas: ou adotar nova organização ou transferir para o Estado o corpo existente, com pessoal e material. Foi esta a decisão. No início do ano seguinte, estava criado o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Amazonas.
Na semana da Pátria de 1974, já com viaturas importadas com benefícios da Zona Franca, foi inaugurado o novo quartel, no alto da rua Codajás, bairro de Petrópolis. Onde ainda se encontra. Sob a direção da PMAM, este serviço e afins durou até 1999, quando ocorreu o instalação do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, que segue altaneiro cumprindo seu dístico: Alienam vitam et bona salvare, ou Vida alheia e riquezas salvar!


Parabéns, homens e mulheres do Fogo.

terça-feira, julho 02, 2019

DIA NACIONAL DO BOMBEIRO MILITAR


A escolha desta data provém do decreto baixado pelo imperador para a criação dos Bombeiros do Rio de Janeiro, então capital do império, em 1856.

Selo comemorativo
Além desta entidade militar, desejo destacar outra entidade: os Correios. Esta repartição ameaçada de desaparecimento, nos bons tempos produzia a revista COFI (Correio Filatélico), que era distribuída gratuitamente. Nela se encontrava os diversos assuntos estampados em selos e os de interesse dos colecionadores. A prometida desativação dos Correios já mandou para o arquivo essa produção.
No entanto, foi da revista circulada em julho/agosto de 1991 (Ano 15, nº 131) que compartilhei essa Homenagem ao Corpo de Bombeiros.  
Em geral a figura do Bombeiro é imediatamente associada a incêndios, mas este profissional está presente em nossa sociedade em vários outros momentos críticos, tais como nas enchentes, nos salvamentos de adultos, crianças e animais em risco de vida e até mesmo em contextos menos perigosos, em atividades de caráter social e comunitário. Demonstrando, sempre, muita coragem, firmeza e solidariedade.
2 de julho – Dia do Bombeiro Brasileiro. Nada mais justo que emitir nesta data o selo que presta homenagem ao Corpo de Bombeiros.Acompanhando a história dessa instituição no Rio de Janeiro, depreende-se a importância da tecnologia para uma eficiência cada vez maior de seus profissionais e verifica-se um alargamento na sua área de atuação.Com este histórico estende-se a todos os Corpos de Bombeiros do País o reconhecimento pelos serviços prestados. No dia 2 de julho de 1856, sua Majestade o Imperador D. Pedro II assinou o Decreto imperial nº 1775, que criou o Corpo Provisório de Bombeiros do Município da Corte, reunindo sob uma administração as diversas seções que até então existiam para o serviço de extinção de incêndio nos Arsenais de Guerra e Marinha, repartição de Obras Públicas e Casa  de Correção, seguindo-se, no dia 26 a nomeação do major do Corpo de Engenheiros João Batista de Castro Moraes Antas, que (...) organizou o Corpo de Bombeiros Provisório da Corte, ou seja, a cidade do Rio de Janeiro.

Vinte anos depois, a capital da província do Amazonas ganhava semelhante serviço, o de extinção de incêndios, igualmente reunindo sob a disciplina do diretor de Obras Públicas - Leovigildo Coelho - as ações de diversas repartições públicas.  

Em 11 de julho de 1876, o vice-presidente Nuno Pereira Cardoso baixava o Portaria nº 268-1ª Seção, mandando observar as instruções concernentes ao serviço. Sem caráter militar, assemelhava-se aos bombeiros voluntários. Tanto assim, que eram “convocados” à luta contra o fogo membros das corporações militares, tripulantes de navios surtos no porto e os aguadeiros. Estes, de importância capital, pois cabiam-lhes a condução de água, líquido que era vendido em toneis à população.
Outro componente bastante interessante, para nossos dias, era a utilização dos sinos das igrejas de Manaus. Havia um código de badaladas para indicar o local do incêndio, levando-se em consideração o tamanho da cidade, restrito ao que denominamos de Centro Histórico.
Para mais saber sobre o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, consultar Bombeiros do Amazonas (Manaus: Travessia, 2013), de minha autoria (foto). 

domingo, novembro 01, 2015

CORONEL PEDRO CÂMARA (1939-2015)



Nascido no Rio Grande do Norte, em 1939, morreu nesta quarta-feira, aos 76 anos, o coronel PM da reserva Pedro Câmara, vitimado por um colapso cardíaco. O velório foi realizado no quartel central do Corpo de Bombeiros, entidade que este oficial comandou quando o Estado absorveu este serviço em 1973. O sepultamento ou a “semeadura”, como define a igreja que o falecido professava, ocorreu no final da manhã no cemitério São João Batista, com a tropa da PMAM cumprindo o cerimonial militar.

Aspecto do velório ocorrido no quartel central do Corpo de Bombeiros

Câmara, antes de desembarcar em Manaus, cresceu no Acre, onde sua família se instalou atraída pela fortuna da borracha regulada por ocasião da Segunda Guerra. A família Câmara de marcante religiosidade possui, entre seus membros, pastores e dirigentes da igreja Assembleia de Deus.

Em Manaus, ao tempo do serviço militar, Câmara foi engajado no 27º BC (Batalhão de Caçadores), aquartelado na praça General Osório, hoje sede do Colégio Militar de Manaus. Naquela unidade militar prestou concurso para ingresso no CFC (Curso de Formação de Cabo), sendo aprovado com brilho. Dessa maneira, antes da conclusão do serviço militar obrigatório, era o cabo Câmara. Sempre bem alinhado, uniforme impecável, conhecedor dos regulamentos e exigente extremado. Era um militar “caxias”.
Ainda na caserna do 27 BC enfrentou a seleção para o curso de sargento que, não obstante ter sido aprovado, não conseguiu vaga. 

Entre outros entreveros, esse acelerou seu desligamento ao final do período compulsório. Aprovado em concurso, passou a funcionário da Chefia de Polícia, órgão encarregado da Polícia Civil. Nesse emprego foi alcançado por um edital da Polícia Militar.

Aos 21 anos, foi selecionado junto com mais dois Pedro (Lustosa e Falabela, que desistiu da empreitada) e o Helcio Motta, para integrar a turma de cadetes na EFO (Escola de Formação de Oficiais) da então PM da Guanabara. Tratou-se de iniciativa pioneira do doutor-coronel Assis Peixoto, no comando da PMAM: promover a formação de oficiais de escola. Ao término do curso (1960-62), Câmara estava em primeiro lugar entre os amazonenses e, diante desse valor militar, deve ser considerado o primeiro Cadete da história da Força Estadual.

Ainda tenente, em 1965, foi nomeado comandante do CIM (Centro de Instrução Militar), a pioneira iniciativa da corporação para capacitar os praças. Funcionava no Piquete, a edificação centenária que abrigou como a denominação indica uma tropa de Cavalaria. E ainda, servia de referência para os moradores do bairro da Praça 14. Nesse local, no momento, funciona o CPM (Comando de Policiamento Metropolitano), guardião do portão do Piquete. Tenente Câmara permaneceu pouco tempo na direção, porém, o bastante para que os colegas jocosamente identificassem o CIM por “Câmara Instrui Meganhas”.

Ainda que sem qualquer cacoete para qualquer esporte, Câmara organizou delegações esportivas. De oficiais, conduziu equipes de futsal (ao tempo, futebol de salão) ao interior do Estado. Tefé, Manacapuru, Maués, Parintins e Itacoatiara foram palcos desses encontros. Bons resultados esportivos e ótimos causos essas excursões ofereceram, talvez o melhor tenha ocorrido em Coari. Na quadra, faltava um dos bons jogadores, o então capitão Ruy fora nomeado “carcereiro” do delegado. Explico: Câmara havia determinado a detenção deste – tenente da reserva, alcunhado de Rabo Fino.  

Outro bom causo: Câmara adquiriu um Fusca, branco, se não sou traído pela memória. Nada de excepcional, senão que esse objeto de desejo era da fábrica alemã. E, como o condutor aqui e ali bateu com vontade o alemão, tomou a alcunha de um lutador de “telequete”, modismo da TV da época.

Economista, Câmara foi graduado pela Faculdade de Ciências Econômicas, antes que essa fosse incorporada à Ufam. Matemático competente, essa competência o capacitava a elaborar tabelas de vencimentos, sempre que a comunidade policial (ainda não operava o clube-sindicato) buscava melhorar o soldo.

Quartel do CBMAM em preparativos para o cortejo fúnebre

Em 1973, major Câmara assumiu o comando do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar, ocasião em que este serviço passou à órbita do Estado. Nada entendia desse serviço básico, mas era excelente administrador, preocupando-se até com o “pimentão” consumido no rancho. No ensejo, aproveitou a chance e viajou a Paris (FRA) para um aprendizado sobre bombeiros. Fez o estágio e o fez bem, aclimatando-se de tal maneira ao espírito parisiense que, ao regressar, os colegas o tratavam de forma espirituosa por Pierre Camarrá.

Em seu comando desembarcou a primeira escada de socorro que, por hábito, foi alcunhada de “magirus”. Comandante Câmara usou e abusou dela. Fazia-a arvorar (elevar seu dispositivo) e, do alto, de binóculo em punho, apreciava a movimentação na praia de Cacau Pirera.

Um dia, em pleno expediente, inspecionando o terreno do quartel, encaminhou-se para os fundos onde havia (ainda há) uma caixa d’água. De repente, ouviu-se um tiro naquela direção. Acorrem vários bombeiros, imaginando um desastre com o chefe. Mas eis que, guapo, Câmara os recebe com aquela pachorra: “pensaram que eu havia me suicidado!?”.

Enfim, “dirigia” a AVC (Associação dos velhos coronéis), que se reúne na última sexta-feira de cada mês para discutir assuntos burgueses: saúde, soldo e bom apetite. Dirigia sem contestação, afinal, apenas cabia-lhe indicar o restaurante do mês. Outra determinação: apenas seu aniversário era comemorado, porque acontecia a 31 de janeiro. Ou seja, estava sempre próximo do encontro ou no mesmo dia. A vaga está aberta.

Chegou, porém, o dia da indesejada. Ele já havia suplantado alguns procedimentos cirúrgicos, e seguia mostrando a força e a determinação do nordestino vitorioso. Sua fleuma, marcada pela entonação de voz, era própria. Tudo planejava e calculava meticulosamente. Por isso, creio que até a forma de “atravessar o rio Negro” foi encomendada.


Foi-se na madrugada, quando nós, amigos e parentes, esperávamos pelo novo dia. Filho! Até outro dia, na eternidade. 

sexta-feira, novembro 16, 2012

BOMBEIROS DE MANAUS EM 1972

Major Nicanor Gomes,
comandante dos Bombeiros, 1972
Há 40 anos, mudaria amplamente o panorama dos Bombeiros; seria o último ano sob o escudo da prefeitura de Manaus, esta veria a substituição de Paulo Pinto Nery por Frank Lima.
O efetivo na abertura desse ano: comandante, major Nicanor Gomes da Silva, e Raimundo Duarte Paiva (que refizera sua situação na corporação), capitão subcomandante. Havia mais seis oficiais; um subtenente; 18 sargentos; nove cabos e 53 bombeiros. Total – 87 homens. A despeito do rigor, a disciplina aqui e ali se esboroava, porém, no mesmo diapasão a mão disciplinadora do comandante resistia com energia.    
 
Em 1.º de maio, aprovado pelo prefeito Paulo Nery, foi instituído o Quesito de Incêndio e Salvamento, que foi utilizado até o início dos anos 1990. Autêntico back-up  do congênere da Guanabara, este documento metodizava a descrição dos diversos tipos de desastres. Antes, essa atividade dependia do humor e do influxo ortográfico do comandante do socorro, daí se encontrar no acervo dos municipais uma variedade de narrativas. Algumas, apesar de dramáticas, hilariantes.

O Quesito, quanto às Normas de Confecção e Entrega, atendia as seguintes instruções: 
                   1 – O Quesito será único para cada corrida realizada, embora tenha sido nela empenhados vários socorros;
                        2 – Será confeccionado pelo comandante do socorro que primeiro tiver chegado ao local, seja ele oficial ou praça;
                        3 – Nos casos de corridas, em que apenas um socorro tenha comparecido, o prazo de entrega à secretaria do Corpo será de 72 horas, contadas da rendição da parada, ao sair o responsável de serviço;
                        4 – Nos casos em que mais de um socorro tenha comparecido ou sido empenhados no local, os impressos de auxílio deverão dar entrada em 48 horas, contadas na forma do item anterior, também na secretaria;
                        5 – Os quesitos terão numerações que lhes caracterizarão os seus números de ordem de corrida, observando-se a sua contagem de zero hora do dia 1.º de janeiro às 24 (vinte e quatro) horas do dia 31 de dezembro de cada ano;
                        6 – Na confecção do Quesito, o chefe do primeiro socorro fará constar todas as ocorrências de todos os socorros que tenham comparecido, de forma a permitir que ele, por si só, constitua o relatório geral das atividades da Corporação no local do sinistro;
                        8- Na confecção do Quesito, os comandantes de socorros deverão seguir as normas que abaixo são estabelecidas para resposta a cada um dos itens.

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Quartel do Corpo de Bombeiros de Manaus, na avenida
Sete de Setembro, que existiu até 1974
A propósito do Dia do Bombeiro Brasileiro (2 de julho), o vereador João Zany dos Reis, antigo membro da Polícia Militar e bombeiro municipal por afinidade, todavia admirador e colaborador dos voluntários, homenageou a corporação. Para isso, Zany justificou sua propositura notando que, criado o primeiro Corpo de Bombeiros do Brasil no Rio de Janeiro, “outras corporações similares foram sendo organizadas e o espírito de luta do Soldado do Fogo tornou-se uma constante, fato que o tem consagrado credor de estima pública”. Endossa, porém, seu discurso com garantida dose de politicagem, ao apresentá-lo “mal alimentado, com vencimentos deficientes, sem estímulo, mas num desprendimento impressionante”. Capaz de lutar contra o fogo movido pela “coragem, bravura e amor aos seus semelhantes”.                                                    
* * *

Em 7 de julho, João Mendonça de Souza, superintendente da Fundação Cultural do Amazonas, recorreu aos Bombeiros. Motivo: o reparo nas instalações elétricas da Biblioteca do Estado.  Não dispondo a Fundação de uma escada, solicitou-a por empréstimo, prometendo que “terminado o referido trabalho será devolvida”. Seguiu a escada e a respectiva guarnição. Para a instituição que combatera o incêndio da Biblioteca (1945) unicamente com entusiasmo, aquele pequeno serviço constituía-se deleite.                                                                

Perseguindo a meta de instruir seu pessoal, o comando aproveitou para cooperar na instrução de funcionários de empresas. Os instrutores do CBM eram forçados à preparação de aulas, de modo transverso, se atualizavam, e com essa atividade obtinham subsídio financeiro.
Um Curso de Combate a Incêndios, ministrado a “funcionários de diversas firmas comerciais e industriais desta cidade”, ocorreu no Instituto Cultural Brasil Estados Unidos (Icbeu), patrocinado pela Capitania dos Portos e Costas. Integraram o corpo docente o major Nicanor Gomes, como supervisor; 2.º sargento Agenor Dabela Marinho e 3.º sargento Bernardo Pereira de Oliveira, como instrutores (Boletim, 22 de agosto).

Em outubro, inicia-se o fechamento desta fase municipal dos Bombeiros, etapa que perdurou por 22 anos (1951-73). Os municipais principiam a se despedir, ao conhecer os acertos governamentais transferindo esses serviços para a órbita estadual. Para mim, que transitei pelo acervo do Corpo para formatar essa exposição, jamais anotara a liberação de tantos recursos, de tantas verbas para este fim. Eu estava ciente de que os municipais quase desapareceram por inanição, devido a escassez de recursos; e os voluntários, tal qual “primo rico”, usufruíram de farto quinhão. Angariaram donativos não apenas de doadores, mas também de governos (estadual e municipal) que tinham compromisso de manter o Corpo oficial. Paciência!

A arrumação dos troços para a mudança começava. Exigia pouca mão de obra, pois tudo se manteria na mesma paragem, apenas um novo comandante passaria a dar novas ordens. Em 12 de outubro, consoante a Lei n.º 1.146, o prefeito de Manaus recebeu licença para “firmar convênio com o Estado, para a regulamentação dos serviços de prevenção contra incêndios, combate ao fogo e socorros públicos”. Com a legislação encetada, carecia aos Bombeiros aguardar a “papelada” que, no Amazonas, se arrastou por mais de noventa dias. Ao mesmo tempo em que a Prefeitura despedia seus Bombeiros, agraciava-os com substancial aumento salarial, não somente retroativo a maio, mas com o encargo do pagamento  encerrar-se com a transferência.   

Em dezembro, o Corpo de Bombeiros de Manaus recebeu a visita de uma missão francesa. A cooperação técnica desembarcava sob os auspícios da agência local da Aliança Francesa, representada por Mr. Ange Guimera, vice-cônsul francês, e Mr. Guy Mourillas. E estava chefiada pelo coronel Robert Abadie, do Corpo de Bombeiros de Paris (FRA). E mais, assessorada por monsieurs Jean François Veillard, enviado da empresa Camiva (Constructeurs Associés de Matériels d´Incendie, Voirie, Aviation), e Michael Haudebault, do Groupe Sicli - Bureau Commercial Parisien. A equipe realizou exploração fotográfica aérea e terrestre estudando os riscos de incêndios existentes na cidade de Manaus, bem como para elaborar um diagnóstico das precariedades do CBM.