CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sexta-feira, setembro 11, 2026

VIAGEM NO TEMPO (final)

 

Renato Mendonça

12.08.2026

 Doce Regresso

 Como quem caminha sorrateiro, o navio Ana Beatriz deslizava pelo rio com a discrição e a suavidade de um felino noturno. O murmúrio das conversas no convés se misturava ao sopro leve das águas sendo cortadas, e o singrar naquele mar doce parecia quase um segredo compartilhado apenas entre a embarcação e a fluidez das nossas lembranças da gloriosa semana que ficara para trás.

Da sacada do camarote, a vista era um adeus emoldurado: a cidade de Manaus se despedia com suas construções centenárias — a Igreja Matriz erguida, no topo de uma colina, como testemunha de eventos religiosos memoráveis; o porto Rodoway pulsando de histórias do primeiro ciclo da borracha, assim como o prédio da Alfândega e o Mercado Adolpho Lisboa, este que nos acolhera como turistas curiosos em quase todos os dias. Ao fundo, a silhueta industrial da Refinaria de Manaus, com seus tanques e torres de refino de petróleo, lembrava que o progresso também se inscreve na paisagem exuberante.

E então, como um gesto de despedida dos tempos modernos, a ponte estaiada do Rio Negro se estendia sobre nós, delicada e firme, como se fosse um arco que abençoava nossa partida. O próprio rio, caudaloso e majestoso, abria o tapete líquido para a jornada — o doce regresso.

Logo adiante, o espetáculo do Encontro das Águas: o Rio Negro, com sua estirpe escura, caminhava lado a lado com o Solimões, de águas claras e barrentas. Por quilômetros, ambos seguem juntos sem se misturar, como se fossem amantes que compartilham o mesmo leito, mas guardam suas diferenças. Uma hora após a partida, ainda vivíamos essa dualidade cromática refletida no espetacular espelho líquido — fenômeno que a ciência explica pela incompatibilidade de densidade e temperatura, mas que a poesia prefere chamar de milagre da natureza.

O Ana Beatriz seguia como quem se deixa levar pela correnteza, flutuando sobre um devaneio líquido. O convés era palco de murmúrios, risadas e conversas calorosas entre os passageiros. Famílias se esgueiravam no afã de conquistarem um conforto plausível. A brisa do rio trazia o frescor úmido da floresta e do rio, para deixar a temperatura amena e revigorante. Cada rede armada era uma unidade de descanso, e o balanço suave do navio embalava os passageiros como se fossem crianças ninadas pelo próprio Amazonas.

No início da noite, o navio alcançou Itacoatiara. A troca de passageiros foi rápida, quase automatizada, como se cada gesto tivesse sido ensaiado. Logo depois, o céu se abriu em constelações dispersas, estrelas que pareciam dialogar com o reflexo das águas. O silêncio era apenas interrompido pelo ritmo compassado do motor, que pulsava como uma respiração profunda de quem sobe uma rampa. O tempo, ali, parecia suspenso, infinito, e nos mergulhava em sua contemplação. 

Porto de Itacoatiara, às 19h40

Quase ao romper da aurora, Parintins  nos recebeu como um espetáculo vivo: luzes refletindo sobre as águas, embarcações atracadas com tripulação a bordo e um frenético movimento de pessoas que pareciam dar continuidade à festa recente. O porto ainda guardava, como um eco persistente, as disputas dos bois-bumbás — Caprichoso e Garantido — que transformaram a cidade em um palco de folclore, paixão e cultura popular. O navio demorou-se um pouco mais ali, como se quisesse absorver cada detalhe daquela agitação portuária. Passageiros e mercadorias se misturavam em um fluxo incessante, mesmo diante do alvorecer de um novo dia, o 3 de julho, que se anunciava com cores suaves no horizonte.

As horas seguintes se sucederam em ritmo lento, e o rio era sempre o protagonista: ora largo como um mar, ora um pouco mais estreito; ora o navio se afastava da margem, ora se aproximava. Mas era sempre exuberante, nas suas margens se via aqui e acolá um recanto com suas particularidades. Povoados surgiam à margem, com casas de madeira flutuantes em sua maioria. O Ana Beatriz, sereno e firme, era nosso alicerce — guardava cada imagem como memória, cada paisagem como promessa de lembrança. E assim, o rio, com sua exuberância infinita, nos conduzia não apenas pelo espaço, mas também pelo tempo, como se cada cenário fosse uma revelação e um convite à contemplação.

Porto de Parintins, às 05h00

Antes do meio-dia, a chegada a Óbidos trouxe uma ruptura na rotina. A fiscalização portuária na Base Flutuante de Candiru lembrava que o rio também protege segredos sombrios e luta para combater o tráfico de drogas. Policiais e cães farejadores investigaram um casal vizinho de nosso camarote, que — talvez por denúncia recebida — foi convidado a desembarcar e não retornou. A cena foi rápida, mas deixou no ar a sensação de que a Amazônia também é palco de dramas invisíveis e precisa estar atenta aos mecanismos usados por traficantes.

E então, após horas de travessia, Santarém se anunciava com chegada prevista para as oito da noite. Foi marcada por uma manobra inesperada: o comandante, evitando tarifas do porto municipal, atracou em local impróprio — imprensada entre outras embarcações —, sem uma plataforma adequada de acolhimento e trânsito de passageiros. A espera, longa e tensa — aproximadamente quarenta minutos —, fez os passageiros com bagagens se alinharem em fila indiana entre os carros, motocicletas e equipamentos transportados no convés, causando estresse entre os mais ansiosos.

O primeiro cenário da cidade não seduzia. Caminhamos por um acesso de terra batida até encontrar um táxi — na verdade, um carro de aplicativo. O motorista, mais atento ao jogo da Copa do Mundo da Argentina com Cabo Verde do que ao nosso interesse, nos levou a um hotel de péssima aparência, sem vagas, numa rua esquisita. Outro, sugerido por ele, na orla — o Hotel Tapajós —, nos acolheu em melhor condição.

Dizem que o encontro com o rio Tapajós é quase uma repetição do encontro das águas do Rio Negro: águas azul-turquesa se unem às barrentas do Amazonas, criando outro espetáculo cromático, parecido com o turístico Encontro das Águas de Manaus. Mas, nem conseguimos admirar esse outro espetáculo da natureza. No entanto, chegar a Santarém foi o realizar de um sonho longo. Uma viagem idealizada mesmo antes de saírmos do Rio de Janeiro. O desembarque, numa noite escura, trouxe de volta o ritmo da terra firme, embora o corpo ainda guardasse o delicioso balanço do rio. 

Encontro das águas entre os
rios Tapajós e Amazonas

No dia seguinte, ao caminhar pelas ruas, decidimos desbravar a cidade em sua essência, deixando que cada quarteirão nos conduzisse até a estação rodoviária. Não era parte do plano inicial fazer a travessia entre Santarém e Belém por terra, mas a ausência de embarcações nos próximos três dias nos obrigava a reinventar o roteiro. Assim, a rodovia Transamazônica surgia como alternativa inesperada e, após confirmarmos nossa presença na viação Ouro e Prata, a ideia ganhou contornos de aventura. A partida, marcada para as seis da manhã seguinte, parecia prometer novas descobertas.

Nesse trânsito pela cidade, a realidade urbana se impunha diante de nossos olhos. O que já havíamos testemunhado em Manaus repetia-se ali: sinais claros da falta de zelo do poder municipal. Calçadas quebradas, ruas sujas, construções improvisadas — escadas em caracol brotando das calçadas para conferir acesso a cômodos suspensos — compunham uma paisagem de desordem.

Em Santarém, escadas nas calçadas
(acima e abaixo)


Era como se a cidade, em sua luta por espaço e sobrevivência, tivesse criado uma arquitetura própria, marcada pela improvisação, com a conivência do poder público. Mas, como contraponto a essa situação caótica, para nossa satisfação, encontramos outro hotel — o Santorini — com a promessa de um aconchego melhor, mais próximo da Rodoviária. Ali perto, um restaurante com excelentes pratos típicos e estrutura de cidade grande, foi outra descoberta prazerosa.  A memória dessa viagem, entre Manaus e Santarém, não é apenas o deslocamento geográfico em cima de uma embarcação, cortando um mar de água doce — é sensorial, a doce lembrança feita de cores, sons, ambientes e silêncios que só um passeio memorável pela Amazônia pode nos oferecer.

segunda-feira, abril 27, 2026

EFEMÉRIDES AMAZONENSES

Em tantas iniciativas pessoais, intentei divulgar as efemérides amazonenses, ou seja, a compilação de datas sobre os acontecimentos estaduais que envolvam pessoas e entidades. Andei bastante, mas cansei e parei. Ontem, não sei que razão me levou a buscar os esquecidos apontamentos e me empolguei com o material recolhido. Hoje reproduzo uma parcela arquivada.

                                                    26 de abril

1876 – É sancionada pelo presidente Antônio dos Passos Miranda a lei 339, que cria a Guarda Policial do Amazonas, com efetivo de 73 homens, sendo “um comandante e seu auxiliar, três inferiores, seis cabos de esquadra, dois cornetas e 60 soldados”. O organismo policial destinava-se “a manter a ordem e a segurança pública na Província, e auxiliar a justiça”. Na verdade, era uma (re)criação da Guarda, visto que a primitiva de 1837, com a mesma nomenclatura, já desaparecera. Foi instalada em 4 de maio, sob o comando do tenente reformado do Exército Severino Eusebio Cordeiro, comissionado no posto de major.

1876 – Elevação do termo judiciário de Itacoatiara à denominação de Comarca, por força da lei 341, sancionada pelo presidente Antônio dos Passos Miranda.

1899 – Incorporada à tutela do governo a Academia de Belas Artes até então particular, consoante o decreto 324, sancionado pelo governador Ramalho Júnior. Esteve sob a direção do maestro Joaquim de Carvalho Franco. Extinta, todavia, em julho do ano seguinte. 

1936 – Toma posse no comando da Força Policial do Estado o tenente-coronel PM José Rodrigues Pessoa, na ocasião em que este organismo retorna efetivamente à atividade, após sua desativação em 1930, por decreto do Interventor Álvaro Maia.

27 de abril

1756 – Nasce na Bahia o naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, e falecido em Lisboa em 1815, que empreendeu longa expedição pela região amazônica, após o que escreveu o livro Viagem filosófica pelas Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. Sua importância levou a várias edições, como a da Edições Governo do Amazonas. (foto)

Edição do Governo do Amazonas

1895 – Criado, por disposição da lei 118, sancionada pelo presidente estadual Eduardo Ribeiro, o município de Urucurituba, quando foi elevado à condição de vila, desmembrando-se de Silves e Urucará. Localiza-se no rio Solimões, e tem por padroeiro a São José Operário.

1916 – Faleceu aproximando-se de Lisboa (POR) no transatlântico que viajava à Europa em tratamento de saúde, o Dr. Lauro Batista Bittencourt. Nascido em Manaus, em 1853, logo após instalada a província do Amazonas. A formação superior foi realizada na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, colando grau de engenheiro civil. De retorno a Manaus atuou durante o governo de Eduardo Ribeiro, deixando suas marcas em diversos empreendimentos, em especial como Diretor das Obras Públicas do Estado.

1940 – É criada a SNAPP (Serviço de Navegação e Administração do Porto do Pará), por decreto-lei federal 2.154, como sede na cidade de Belém (PA). Apesar de extinta em 21 nov.1966, foi substituída pela ENASA (Empresa de Navegação da Amazônia S/A), estatal criada em 10 fev.1967. 

28 abril

1917 – Nasceu no lago do Anveres, distrito do Careiro, Francisca Pereira Lima Mendonça, a filha mais nova de Vicente e Adelaide Lima. Mudou-se para Manaus para cuidar da mãe viúva acometida de grave doença. Aqui encontrou o marido Manuel Mendonça, com quem gerou três filhos, nesta ordem, Roberto (1946), Antonio (1948) e Renato Lima Mendonça (1951). Contudo, minha genitora faleceu em 1952, aos 35 anos de idade, vítima de tuberculose.    

1957 – Faleceu no Rio de Janeiro, o senador pelo Amazonas, Manuel Severiano Nunes, nascido em 1892. Exerceu diversas atividades administrativas no Amazonas, tendo sido prefeito de Itacoatiara, deputado estadual (135-37), deputado federal (1946-47) e senador. Fez seus estudos primários no Colégio Sete de Setembro e Lauro Cavalcanti; Ginásio amazonense, Faculdade de Medicina da Bahia (incompleto), enfim, a Faculdade de Direito do Amazonas (1913). Seu nome denomina a Escola Estadual situada no bairro de Alvorada 2.

1989 – Assume o comando do VII COMAR, o major-brigadeiro-do-ar Luís Antônio Martins Leomil. Seu comando estendeu-se até 17 dez.1990.

1993 – Inaugurado o busto do empresário Adelino Pereira da Silva no jardim principal da Beneficente Portuguesa. Nascido no distrito de Vizeu, em Portugal, e falecido em Manaus, no mesmo hospital e na mesma data do ano anterior.

sexta-feira, novembro 21, 2025

CAPUCHINHOS UMBROS NO AMAZONAS

 No livro Igreja sobre o rio (2012), frei Antonino de Perugia analisa para seus superiores na Itália, a perspectiva de crescimento da Ordem dos capuchinhos umbros no Amazonas, em carta escrita em 1954. Lamentavelmente, não creio que essas ideias tenham prosperado. 

Detalhe da capa. Livro escrito por Mario Tosti,
utilizando missivas dos frades no Amazonas

A sua análise era sustentada por algumas observações: em primeiro lugar, era possível, segundo ele: “abrir um belo convento ao lado do santuário de Nossa Senhora de Fátima, em construção, mas já próximo à conclusão. Na vizinha e florescente cidadezinha de Itacoatiara, grande paróquia com o pároco brasileiro [cônego Alcides Peixoto] e o velho cura cego [monsenhor Pereira, português], o senhor arcebispo [dom Alberto Ramos] nos pediu para assumir a assistência espiritual. E a população ficaria contentíssima. Também ali se poderia construir imediatamente um convento e se faria tanto bem!

O senhor arcebispo depois – continua – ofereceu-nos outra cidadezinha em formação e muito promissora, em cujas proximidades encontra-se o importantíssimo centro agrícola e industrial do senhor Agesilau Gonçalves de Araújo, nosso grande amigo e benfeitor.

A filha, que é religiosa franciscana missionária de Maria, nos pede para assumirmos imediatamente ao menos o cuidado espiritual da propriedade paterna, que conta com milhares de trabalhadores: agricultores e operários. Isto, para não falar em noutras localidades aptas à abertura dos nossos conventos e residências.

Disto se vê que a nossa neocustódia tem diante de si as melhores perspectivas de crescimento e poderia ser na verdade digna do seu nome. E não faltariam nem mesmo as vocações à Ordem, porque no sul do Estado a maioria dos habitantes são nordestinos, e os próprios caboclos são já todos civilizados”.

sábado, abril 27, 2024

ITACOATIARA: 25 DE ABRIL (2)

 A data de 25 de abril de 1874 corresponde a elevação da vila de Serpa à categoria de Cidade. Confusamente, há 50 anos, o Estado e o Município comemoraram o centenário de fundação, que ora está consolidado noutro patamar. Nesta postagem reproduzo a Nota Oficial do governo  saudando a data centenária, nota que foi extraída de O Jornal (27 abr.  1974)

Cabeçalho da Nota Oficial


Remontando-se aos idos de 1874, quando a população da antiga Vila de Serpa recebeu, com júbilo intenso, a Lei nº 283, de 25 de abril do mesmo ano, que a elevou à categoria de cidade com a denominação de Itacoatiara, -- o Governo do Estado do Amazonas, unindo aos regozijos de há cem anos as celebrações desta data, saúda o Centenário da florescente cidade amazonense, ao mesmo tempo em que, cultuando a memória dos itacoatiarenses, que naqueles tempos, tanto se bateram pela autonomia municipal, saúda também os que ali vieram a sucedê-los e hoje prosseguem na obra de expansão e progresso do rico e próspero município do Estado de Amazonas.

Nestes 100 anos que hoje se completam, Itacoatiara soube, deveras, corresponder às expectativas dos que lutaram pela elevação da Vila à categoria de Cidade, quer na Câmara da Vila de Serpa quer na Assembleia Provincial, culminando com Lei 283, do Presidente Domingos Monteiro Peixoto, a sua caminhada pela estrada larga do desenvolvimento, a sua posição de liderança e a vontade sempre inflexível de seus homens, fizeram-na confirmar amplamente aqueles anseios e torná-la à altura da importância de que se reveste, para todo o Amazonas, o acontecimento histórico que é o seu Centenário como Cidade.

Fecho da Nota governamental


quinta-feira, abril 25, 2024

ITACOATIARA: 25 DE ABRIL (1)

 Os festejos do centenário de Itacoatiara, em 25 de abril de 1974, que depois se sabe relativo à independência política, não à fundação, reuniu na sede autoridades do Estado e algumas do governo federal. Reproduzo na postagem o texto publicado pelo O Jornal, que apresentou um texto mal escrito, repleto de senões, porém, dele se pode recolher alguns expressivos detalhes. Com ocorre com os nomes da Rainha e das Princesas do centenário.

Lembro ao itacoatiarense raiz - Francisco Gomes da Silva que a data 25 de abril ainda encima o Brasão do município.  

Recorte de O Jornal, de 27 abr. 1974

Com a presença da Procuradora-Geral da República, senhora Hildicéia Carvalho de Paula e de uma das filhas do ministro da Pasta da Saúde, Paulo Machado, o prefeito Aurélio Vieira comemorou anteontem o primeiro centenário da cidade de Itacoatiara. As comemorações iniciaram-se no dia 24 com repicar de sinos nas igrejas, apitos de fábricas e de embarcações, além de salvas de foguetões. Enquanto isto, autoridades de outros estados do Brasil e do Amazonas chegavam a Velha Serpa para prestigiar os festejos alusivos aos cem anos daquela cidade.

Quinta-feira, às 14 horas, viajando em um dos aparelhos da Força Aérea Brasileira chegou àquela cidade o governador João Walter de Andrade, além de outras autoridades militares, civis e eclesiásticas. Como parte das programações, às 17 horas, na Praça de Esportes “Herculano de Castro e Costa”, dom João de Sousa Lima, arcebispo de Manaus, auxiliado pelos vigários de Itacoatiara, oficiou uma missa campal, seguindo-se de comunhão das autoridades e do povo que se fez presente tanto da cidade como de todas as comunidades que integram aquele município. (...) 

INAUGURAÇÃO

Após a missa, todos se dirigiram para a Praça Nossa Senhora do Carmo, onde o prefeito Aurélio Vieira e comandante Naval de Manaus, o governador João Walter de Andrade inaugurou o monumento alusivo ao centenário da Velha Serpa. Em seguida, outras autoridades tiraram o pano da placa com dizeres em saudação aos cem anos de instalação de Itacoatiara. (...)

BAILE DO CENTENÁRIO

Às 22 horas, na sede do Amazonas Esporte Clube, ocorreu o baile do centenário, que reuniu a sociedade itacoatiarense, bem como as autoridades de Manaus que se fizeram acompanhar de suas esposas. Por outro lado, às 24 horas, houve a escolha das candidatas ao título de Miss Centenário. A comissão foi presidida pelo jornalista Sinval Gonçalves, presidente da Empresa Amazonense de Turismo (Emamtur), além de outros jornalistas, incluindo a Procuradora-Geral da República e a proprietária da [loja] Orquídea Modas.

As candidatas desfilaram pela passarela e diante das autoridades para que a comissão julgadora tomasse suas impressões. Decorridos alguns minutos foi dado oficialmente por Sinval Gonçalves o resultado do concurso, sendo escolhida como Rainha do Centenário de Itacoatiara a senhorita Margareth de Oliveira, representante da Brasil-Juta e Associação dos Jovens de Itacoatiara. Como 1ª e 2ª princesas foram escolhidas as senhoritas Denise Oliveira e Rosa Ermelinda Menezes.

Coube à esposa do prefeito Aurelio Vieira dos Santos, sra. Fatima Santos, Primeira Dama de Itacoatiara, entregar a faixa à rainha. Do mesmo modo, a faixa da primeira princesa foi entregue pelo senador José Lindoso e a faixa da segunda, foi entregue pelo representante do Comando Militar da Amazônia, coronel Rebuá. Já a Rainha da cidade de Itacoatiara, senhorita Fatima Figueiredo, foi o prefeito (sic) João Walter de Andrade quem fez a coroação da rainha do centenário da Velha Serpa. (...)

quarta-feira, abril 24, 2024

ITACOATIARA: 25 DE ABRIL

Semelhante ao que ocorreu na capital amazonense quando, em 1949, o governo estadual ergueu na Praça da Matriz o monumento ao 1º centenário de Manaus. Duas décadas depois, em 1966, no entanto, foi celebrado o Tricentenário da cidade e assim prossegue. Em Itacoatiara aconteceu o mesmo. Há 50 anos, o governador João Walter de Andrade e o prefeito Aurélio Vieira promoveram com brilhantismo o 1º centenário da Velha Serpa. Os jornais de Manaus esbanjaram louvores sobre o evento, ressaltando a eleição da Rainha do Centenário.

Igualmente como na capital ocorreu a mudança no fundamento deste festejo. Francisco Gomes, ilustre historiador de sua cidade, preconiza que em 25 de abril de 1874 ocorreu a Independência política da Velha Serpa, amanhã celebra-se o sesquicentenário do município. O nascimento da vila aconteceu há mais de três séculos. Como faço neste espaço, reproduzo os jornais da época apenas para relembrar a festa e comprovar os tropeços dos cultores da história.

Recorte do Jornal do Commercio, 27 abr. 1974

No dia do seu primeiro centenário Itacoatiara entrou de férias. Comércio, bancos, indústrias e repartições públicas fecharam suas portas durante 24 horas, participando também das comemorações elaboradas pelo Prefeito Municipal. Nas ruas desertas, à princípio, e completamente tomadas pela população durante a tarde e começo da noite, foram afixados cartazes alusivos à data, banhando a cidade de um colorido diferente.

Aliás, tudo, em Itacoatiara, parecia diferente. Até o seu aspecto característico de cidade interiorana foi substituído, por uma aparência de metrópole, comentado depois pelas autoridades convidadas para o evento. Por incrível que pareça, até a rainha do primeiro centenário de Itacoatiara escapava à característica geral da gente itacoatiarense. Margareth Oliveira, que vai reinar durante 100 anos, é um tipo louro, franzino e de grandes olhos claros que parecem estar sorrindo o tempo todo. Com 17 anos de idade, e demonstrando desembaraço digno do melhor manequim profissional, Margareth conquistou a preferência do público desde o início, ganhando inclusive uma saraivada de palmas e gritos de “já venceu, já venceu”. 

A FESTA DOS CEM

Itacoatiara caprichou na festa do seu primeiro centenário. Executou uma programação digna de cidade grande, recebendo, por isso, centenas de parabéns das autoridades amazonenses que para lá se deslocaram para participar da missa campal, desfile estudantil e o grande baile de gala na sede do [clube] Amazonas. De Manaus foram o governador João Walter de Andrade, que foi inclusive recebido no aeroporto de Itacoatiara pela banda da Polícia Militar executando “Carinhoso”, secretários Antonio Ricci, da Saúde, e Odilon Spinelli, do Planejamento, e mais o jornalista Sinval Gonçalves, presidente da Emamtur [Empresa Amazonense de Turismo], deputado Washington Stephano etc...

Às 17 horas, na praça da igreja de N. S. do Rosário, houve um desfile estudantil, para, em seguida, na quadra de esportes do município, ser realizada a Missa Campal celebrada pelo arcebispo dom João de Sousa Lima. Na oportunidade, o arcebispo de Manaus se congratulou com as autoridades itacoatiarenses pelo evento, e, em nome da Igreja católica, procedeu à bênção da cidade. Antes de ser cumprida a outra parte da programação, ou seja, a inauguração do obelisco referente à data, grupos de estudantes dos colégios N.S. do Rosário e Vital Mendonça fizeram uma pequena mostra dos produtos responsáveis pelo equilíbrio econômico-financeiro de Itacoatiara, destacando-se a juta e a castanha.

Meia hora depois, diante da Igreja, o governador João Walter descerrou o obelisco relativo ao primeiro centenário. Em breves palavras, o prefeito Aurelio Vieira agradeceu a presença das autoridades amazonenses na bonita festa realizada por Itacoatiara e aproveitou o ensejo para se congratular com toda a população itacoatiarense, responsável direta polo desenvolvimento que ora o município atravessa. Disse Aurelio Vieira que é dever de todos continuar nesse ritmo de trabalho para elevar o nome de Itacoatiara junto à constelação amazônica, e afirmou que isso só será possível se todos se unirem num trabalho conjunto, planejado, tentando impulsionar o progresso que já começa a deitar suas mãos sobre o município. (...)

 UM POUCO DE HISTÓRIA

Itacoatiara, no dia 25, despiu sua roupa moderna para se vestir como há 100 anos atrás, lembrando nostalgicamente o passado cheio de promessa e esperanças que plantou as raízes do presente. Na frente da cidade, instalada à beira do barranco que circunda o município, a réplica da antiga Vila de Serpa atraía a atenção de todos. Aos interessados em um pouco de história, os recepcionistas, pródigos em conversa e escassos de imaginação, apontavam para um folheto e contavam para o turista um pouco das coisas que nem eles mesmos sabiam.

Na língua tupi, Itacoatiara quer dizer “Pedra Pintada ou Escrita”. Essa denominação foi dada porque, à época, abundavam nas praias pedras pintadas e escritas pelos primeiros habitantes do município. No dia 25 de abril de 1884, por força da Lei Provincial nº 283, a Vila de Serpa recebeu foros de cidade e passou a chamar-se Itacoatiara. Esses dados são esclarecidos pelo boletim distribuído pela prefeitura do município, que se preocupou também em deixar uma boa impressão às pessoas que o visitavam pela primeira vez. Grandes pastas azuis contendo a história do município, uma camiseta, um chaveiro e folhas de papel foram distribuídos aos visitantes, numa tentativa feita pelo Prefeito de agradar a todos.

quarta-feira, junho 07, 2023

ANÍSIO MELLO (1927-2010)

 Prestes a completar 94 anos, se vivo estivesse, o itacoatiarense Anísio Melo fez de mais nas artes. Parte de suas obras foram recolhidas ao meu acervo, que intento repassá-las ao município para a "honra e glória" da Velha Serpa. Esta postagem reveste-se de minha homenagem ao saudoso amigo. 

Anísio Mello e
pequena porção de suas
obras 





terça-feira, novembro 08, 2022

FAMÍLIA PAULA & SOUZA (2)

Retomo a descrição sobre este membro da família que foi, entre outras atividades, oficial da Polícia Militar do Amazonas.

Tupinambá de Paula e Souza (1915-1995) 

O tenente Tupinambá de Paula e Souza dirigiu a prefeitura de Borba (AM) por quase dois anos (1947-48); nesse curto período foi capaz de tomar gosto pela política e aprender seus meandros. O mandato foi encerrado antes da metade do ano, posto que, em junho de 1948, estava de retorno a Manaus e ao quartel da Praça da Polícia. Sendo 1º tenente, de imediato foi nomeado comandante interino da Companhia de Bombeiros Municipais. Tem mais, em 30 de agosto daquele ano foi promovido por “merecimento” ao posto de capitão.

Foto do referenciado

Seguiu recebendo as promoções devidas, todavia, em passo acelerado, de maneira que em 1951 exercia o posto de tenente-coronel, subcomandante da Força Estadual. Relembrando que Álvaro Maia exercia a governança do Estado (1951-55) que passava por um período de franca decadência.

Antes do encerramento do governo Maia, este oficial passou à reserva remunerada no posto de coronel, com soldo mensal de Cr$ 160.490,00. E foi cuidar da vida, não sei onde. Contudo, Plínio Ramos Coelho, assumindo o governo (1955-59), determinou em despacho de 13 de janeiro de 1956 o retorno do oficial ao serviço ativo, “visto não contar 30 ou mais anos de serviço, conforme estabelece a lei”. De fato, retornou, sem antes questionar juridicamente a decisão governamental, como a apelação proposta em janeiro de 1957, em que “solicita reconsideração de ato”. Não obtendo decisão favorável, a reversão foi cumprida.

Nesse meio tempo, Tupinambá cuidava de sua eleição ao Legislativo amazonense. Em 1958 foi bem-sucedido, sendo eleito deputado estadual pelo PSP (Partido Social Progressista), criação do governador paulista Ademar de Barros, com 736 votos, correspondendo a 0,93% dos votos válidos. A ficha deste deputado indica que ele é oriundo do município de Tapauá, porém, nem sua viúva – em janeiro de 2022 - soube me indicar o local de nascimento dele.

Desconheço a motivação que levou o coronel-deputado a retornar ao quartel em 1º março 1962. Algum acordo parlamentar? Ou estratégia em ano eleitoral? Tupinambá novamente eleito nas eleições de outubro de 1962. Agora integrante do PRT (Partido Rural Trabalhista) obteve 1.180 votos (1,20% dos votos válidos). A posse estava programada para o último dia de janeiro seguinte.

Antes de (re)assumir o mandato na Assembleia Legislativa no ano seguinte, foi premiado pelo governo de Gilberto Mestrinho (1959-63) com a nomeação para o cargo efetivo de Tesoureiro da Mesa de Renda de Itacoatiara, lotação da Secretaria de Economia e Finanças (SEF), concomitante com a aposentadoria de Stenio Neves (nome bastante lembrado pelos idosos, devido seu “xerifado” na Chefatura de Polícia). Curiosidade: como explicar a nomeação, se tanto Stenio quanto Tupinambá eram deputados e ambos foram reeleitos? Coisas da política mambembe, de certo.

A mencionada nomeação foi publicada no Diário Oficial de 15 de dezembro de 1962, ocasião em que Manaus lamentava o desastre do Constellation PP-PDE da Panair do Brasil ocorrido no dia anterior, no qual morreu seu irmão Aymoré de Paula e Souza (45 anos). Nascido em Borba (AM), Aymoré era casado com Hermelinda Sales de Souza e deixou os filhos Newton Sales de Souza, Vera Angelina Sales de Paula e Souza e Fabíola de Paula e Souza Santos (todos vivos em 2022). Era jornalista do matutino O Povo, morador de Fortaleza (CE).

Aymoré PS, morto no desastre do
Constellation PP-PDE

Do ofício em Itacoatiara guardou apenas a inclusão nos quadros da SEF, que muito lhe serviu quando da aposentadoria, ocasião em que dispensou os proventos do quartel pelos da Mesa de Renda. Em final de janeiro de 1963 reassumiu a cadeira de deputado estadual. Apesar de já experiente na Casa Legislativa não alcançou qualquer vaga na diretoria, que era presidida por Anfremon Monteiro. Este período se estende até 10 de março de 1964, quando o Governo Militar impõe novas regras aos parlamentares, sendo a mais drástica a redução do número de partidos políticos, tão-somente dois: Arena (Aliança Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro).

Compelido por esta dicotomia político-partidária, Tupinambá decide pelo partido da situação: a Arena. Segue ausente na direção da Assembleia, que prossegue sob a presidência de Anfremon Monteiro. Em março de 1966, a presidência da Assembleia passa às mãos de Ruy Araújo, com Tupinambá ainda fora da direção. Nas eleições daquele ano, porém, ele renova sua cadeira, obtendo 1.484 votos, que representavam 1,61% dos votos válidos.

Na composição da Mesa Diretora para o biênio 1967-68, na qual retorna à presidência o deputado Anfremon Monteiro, Tupinambá torna-se o 2º secretário. Enfim, na composição da Mesa para o biênio seguinte, sob a presidência de Rafael Faraco, ele é “promovido” à 1º secretário. Nesse posto encerra sua participação na Assembleia Legislativa do Amazonas, pois na eleição de 15 de novembro de 1970, quando o número de deputados sofreu um corte intenso, passando para 12 vagas, Tupi não conseguiu uma delas.

A derrota deve tê-lo levado de volta ao município de Borba, onde talvez fosse sua base eleitoral ou seu “curral” (como antanho se denominava), afinal fora prefeito por nomeação, ao tempo da interventoria de Álvaro Maia.

terça-feira, abril 12, 2022

BANDA DE MÚSICA: BOMBEIROS DO PARÁ

 Compartilhado do livro O Corpo de Bombeiros do Pará. 2ª ed., de José Menezes, editado em 2007, e o fiz não para desmerecer ao maestro, mas para lembrar a passagem de um Itacoatiarense pela batuta militar em Belém. Não obstante minhas súplicas ao historiador da Velha Serpa Francisco Gomes, nada sei do Bruce. Fica o registro. 

A musa existente na
praça diante do antigo Paço Municipal

Começa nessa época um período de lutas políticas e revoluções, restando desse tempo pouquíssima informação sobre a Banda de Música.

Em 1917, era diretor da Banda de Música o 2° tenente Themistocles dos Santos Bruce, um amazonense de Itacoatiara. "Era um analfabeto, carrancista como um capataz de engenho do Brasil colonial..." descreveu-o o tenente Drago, acrescentando: "Desenhava o nome... Não lia os conteúdos alfabéticos, mas lia bem música e tinha o dom de decorar a instrumentação das peças que regia, a ponto de sentir, de ouvido, quando um músico deixava de tocar ou tocava mal alguns compassos ou trechos da partitura"

quarta-feira, abril 28, 2021

CENTENÁRIO & OUTRAS DATAS

 Uma breve revisão no calendário me permitiu observar algumas datas bem representativas, “redondas”, abrindo com o centenário de nascimento de Áureo Nonato, idades que ocorreram no corrente mês de abril.

Aureo Nonato (ao microfone)
 

Há 100 anos:

Dia 1º – Nasceu no bairro de São Raimundo, em Manaus, Áureo Nonato dos Santos, filho de Antônio e Virgília Nonato dos Santos. Foi estudante do Grupo Escolar Olavo Bilac, instalado no mesmo bairro. A continuação dos estudos realizou no Rio de Janeiro e iniciou-se no jornalismo em São Paulo, escrevendo para o jornal A Noite. Viveu grande parte de sua existência no Sul do país, trabalhando em teatro e jornalismo.

Estreou na literatura com o livro Os Bucheiros: um memorial da infância (1983), seguiu com Porto das catraias: um memorial da juventude (1987) e Pitombas & Biribas (1993), todos sobre a temática do bairro de nascimento. Eleito para a Academia Amazonense de Letras, assumiu a Cadeira 17, em dezembro de 1993. Faleceu em Manaus, em 2004.

 

Há 60 anos:

Dia 6 – Inauguração da linha aérea Rio/Manaus, em voo de 12h, alcançando Manaus no mesmo dia, com escalas em Belo Horizonte (MG), Anápolis (GO), Carolina (MA) e Santarém (PA), pelo Loide Aéreo Nacional.

Há 50 anos:

Dia 18 – Criada a paróquia de Santo Antônio, no bairro de mesmo nome, desmembrada da paróquia de São Raimundo, sendo seu primeiro pároco o padre João de Vries.

Dom João (à esq.) ao lado do governador
Mestrinho, na inauguração da Maternidade
Balbina Mestrinho (1959)

 

Há 40 anos:

Dia 25 – Por renúncia ao cargo eclesiástico, retirou-se para Salvador (BA) dom João de Souza Lima, arcebispo metropolitano de Manaus, nascido em Tacaratu (PE). Entre outras dignidades, era sócio efetivo e benemérito do IGHA, ocupante da cadeira 24, cujo patrono é frei Gaspar de Madre de Deus. Terminou seus dias no Conventos dos Monges Cistercienses, em Jequitibá (BA), em 1984.


Quartel do 2º Batalhão PM

 

Há 30 anos:

Dia 30 – Inauguração do quartel do 2º BPM (Batalhão de Polícia Militar), denominado Candido Mariano, na cidade de Itacoatiara (AM), em local doado pela Prefeitura local, conforme a Lei 1, de 23|02|1978. Era seu comandante o tenente-coronel Ilmar dos Santos Faria.   

domingo, janeiro 10, 2021

FOLHINHA DE JANEIRO [2]

Para relembrar o passado, recorro às efemérides manauaras. Que sirvam ao leitor. Morador do bairro de Educandos, utilizei bastante a ponte da “subusina” de eletricidade. E as catraias, idem. E mais, fui aluno do GE (hoje EE) Machado de Assis.


Foto conhecida do extinto cemitério de São José

 10 de janeiro

1888 – Empossado na presidência da Província, o coronel (do Exército) Francisco Antônio Pimenta Bueno, filho do visconde de São Vicente. Na mesma ocasião, assume o Comando das Armas da Província do Amazonas, o coronel Candido José da Costa.

1963 – Falece em Manaus, Abílio Damazo Nery, genitor de Paulo Pinto Nery, que foi prefeito de Manaus e governador do Amazonas.

 

11 de janeiro


1924 – Criado pelo decreto 1472, sancionado pelo governador Rego Monteiro, o Grupo Escolar Machado de Assis, ocupando o restante das instalações do Instituto dos Educandos Artífices, embrião do bairro.

1926 – A prefeitura de Manaus, mediante edital, convoca aos familiares e responsáveis por túmulos ainda existentes no cemitério de São José, a fim de proceder a exumação. Outros editais e convocações foram publicados, até o ano de 1931. No ano seguinte, foi concretizada a transferência, sob as expensas da municipalidade. Os despojos não reclamados, foram locados no Ossuário construído para este fim, localizado na Quadra Cinco.


Edital do cemitério S. João, em 1926

 

12 de janeiro


1929 – Iniciados os serviços de construção da ponte destinada a ligar o Centro, via bairro da Cachoeirinha, ao bairro de Educandos. O encarregado – Antônio Rodrigues Vianna Júnior, engenheiro civil e de minas, era também autor do projeto. Hoje desativada, a construção foi conservada para lembrar-nos do tempo em que o bairro de Educandos era uma “ilha”, socorrida pelas catraias.

1956 – Eleito pela sigla do Partido Social Democrático (PSD), Raimundo Perales assumiu a prefeitura de Itacoatiara.

quarta-feira, dezembro 09, 2020

FOLHINHA DE 10 DE DEZEMBRO

 10 de dezembro

1851 – Embarca em Belém (PA), na barca Guapiaçu, da Marinha, em sua terceira e última viagem pelo Amazonas, Tenreiro Aranha, primeiro presidente da Província do Amazonas. Devido às avarias em suas caldeiras, a barca chegou em Manaus, no dia 27, depois de 17 e meio dias de viagem.

1857 – Elevado à categoria de vila, por dispositivo da Lei nº 73, sancionada pelo presidente da província Francisco José Furtado, o município de Borba, o mais antigo do Estado, localizado na calha do rio Madeira. Padroeiro: Santo Antônio de Borba, cuja festa ocorre em 13 de junho.


Brasão do município
de Itacoatiara

1857 – Elevado à categoria de vila a freguesia de Serpa, hoje município de Itacoatiara, por decisão da Lei 74, sancionada pelo presidente da Província Francisco José Furtado.  Sua padroeira é Nossa Senhora do Rosário, cuja festa ocorre 22 de outubro.

1890 – No Eden-Theatro, a cidade assiste a primeira estação operística, quando se apresenta a Companhia Lyrica Italiana, sob a direção de Joaquim Franco.

1891 – Nasce, em Pernambuco, o doutor Leopoldo Tavares da Cunha Melo, formado pela Faculdade de Direito do Recife. Serviu em Manaus como juiz federal. Depois ingressou na política, tendo sido Senador pelo Amazonas. Falecido, encontra-se sepultado no cemitério São João Batista, em um mausoléu de respeitável construção.

1900 – Assume o comando do Regimento Militar do Estado, o capitão EB Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa, comissionado no posto de coronel.

1906 – Nasce em Manaus (AM), o médico Waldemar Palma Lima, filho de Vivaldo Palma Lima e de Elvira Augusta B. de Lima. Foi contratado em 1945, como médico do Serviço de Socorros de Urgência.

1945 – Regulada a Justiça Militar na Força Policial do Estado, consoante disposição do decreto-lei 1554, sancionado pelo Interventor Federal Emiliano Stanilau Afonso. Sendo nomeado o bacharel Antonio Bentes Valle, como juiz militar.

1954 – Inauguração do cine Vitória, instalado na Estrada de Constantinópolis, com o maior salão de projeção de Manaus, visto que possuía 1.116 poltronas. Estreou com o preço de Cr$ 5,00 (cinco cruzeiros) e o filme de Kirk Douglas - Floresta Maldita.

1966 – Assume a direção da Faculdade de Direito do Amazonas, o dr. Oyama César Ituassú da Silva.

1981 – Criados, por decisão da Emenda Constitucional 12, os municípios de Amatura, Anamã, Alvarães, Beruri, Boa Vista do Ramos, Caapiranga, Itamarati, Iranduba, Manaquiri (festa do padroeiro, São Pedro, em 29 de junho); Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga, Tonantins e Uarini.

1986 – Assume o comando do VII COMAR, o major-brigadeiro-do-ar Lino Pereira, que permaneceu no comando até 31 mar. 1989.