CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

15 de novembro de 2012

A POLÍCIA ERRADA

Acredito que hoje busquei a polícia errada. A razão. Na avenida Sete de Setembro, quase esquina da Joaquim Nabuco, existe um prédio abandonado, entregue às baratas e aos cupins, entre outros “insetos”. Todavia, o pior aconteceu com a invasão do inseto humano. O prédio foi ocupado por marginais.

Edificação onde funcionou o Corpo de Bombeiros e o
Museu do Homem do Norte, hoje abandonado
Antes de contar o fato, conto que aquele endereço já abrigou mais recentemente o Corpo de Bombeiros estadual e o Museu do Homem do Norte municipal, cuja inscrição ainda se encontra em seu frontispício, se é que se pode chamar assim aquela fachada descamada e desenxabida.
O edifício pertence à Prefeitura de Manaus. E vem desamparado desde o governo de Serafim Correia, passando pelo do atual prefeito. Por isso, o abandonado derrota por ampla maioria de tempo a restauração da Biblioteca Pública (estadual) e a do Mercado Adolfo Lisboa (municipal).
Repito, o prédio foi invadido por marginais, que atuam no Centro que, sem Ronda do Bairro e com a proximidade do Natal, exerce um atrativo para os “amigos do alheio”. Hoje, aproveitando a presença de uma dupla de motociclistas da Polícia Militar nas proximidades, invoquei uma ajuda. Usei de minha carteira funcional para conseguir o socorro.
 
A dupla de policiais saltou pela janela, de arma em punho, e eu vibrando com o avanço. Logo, os soldados voltaram, ou melhor, não avançaram porque faltava iluminação. Pediram-me uma lanterna. Olhei em volta, apreciei as Hondas  de tantas cilindradas equipadas com sirenes, os coletes e outros implementos de segurança pessoal, armas automáticas e rádios para contato, tudo em vão.
Os bandidos que estavam ali entocados não foram sequer molestados, porque faltava a mequetrefe de uma lanterna, coronel Hildeberto, comandante da Cicom.
Os jovens policiais Faria e Zuzualdo me prometeram voltar. Como não acreditei, da mesma maneira que qualquer vizinho, fui à sede do 1º DIP.  Recebido pelo soldado Eduardo Moreno, este diante da narrativa, acionou o sargento Expedito, que rondava. Antes que o graduado chegasse, ouvi do Moreno a seguinte afirmativa: “qualquer policial hoje tem medo de dar um cascudo em alguém”, para não ser acusado de algum delito. Diante dessa apologia do...
Ainda assim, esperei o sargento. Após repetir-lhe o fato, ouvi dele que estava transferido e executava seu primeiro serviço, porém, daria ciência ao chefe. Lamentava que o expediente só na segunda-feira ou quarta-feira.
 
Voltei para casa, mas antes narrei a situação do prédio da prefeitura a um jornalista que cobria a apreensão de “bicho de casco”. Quando cheguei, tive a nítida sensação de ter recorrido à polícia errada.