CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, julho 11, 2026

SESQUICENTENÁRIO DO CORPO DE BOMBEIROS - CBMAM

         Eis a minha contribuição pela respeitável data, pois sei que a corporação amazonense é a segunda instalada no Brasil. A qual, depois um longo e penoso percurso, encontrou guarida no Estado em 1973, a partir de quando vem cada vez mais evoluindo. 

A publicação integra a edição do Jornal do Commercio (10 julho).  

FOGO!



sábado, fevereiro 22, 2025

AVENIDA EDUARDO RIBEIRO

 Duas amostras desta avenida, artéria que já foi a principal de Manaus, servindo de palco para os principais eventos, como Carnaval e 7 de Setembro. O cartão postal da década de 1990 capta a avenida do alto da Catedral, portanto próxima de seu início. Algumas das principais edificações estão situadas nas laterais, outras já desaparecidas, como a Lobras, em primeiro plano.

Avenida em foto da torre da Catedral

Na viatura segue a Guarda Bandeira,
sob o comando do tenente Tertuliano,
com os bombeiros sem qualquer segurança

A foto adiante é do desfile de 7 de Setembro de 1970, realizado na avenida Eduardo Ribeiro, contemplando um veículo (picape) do Corpo de Bombeiros Municipais, organização então pertencente à Prefeitura de Manaus. Passava por um remodelação, sob o comando do major Nicanor Gomes da Silva, recém diplomado no Corpo de Bombeiros da Guanabara, hoje Rio de Janeiro. No entanto, os governos estadual e municipal já dialogavam buscando implantar um novo organismo, melhor estruturado no combate ao fogo e serviços afins. Dois anos depois, em dezembro de 1972, foi concretizada a transferência desses encargos para o Estado, sob o controle da Polícia Militar, cuja evolução administrativa permitiu o estabelecimento do atual Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.

quarta-feira, dezembro 18, 2024

AMAZONAS: CORPO DE BOMBEIROS

Em 1896, na transição do governo estadual entre Eduardo Ribeiro e Fileto Pires ocorreu uma movimentação extraordinária na questão da Segurança Pública. A Força Policial estava consolidada, já ocupando o quartel recém restaurado na Praça da Polícia. Restava cuidar do serviço de Bombeiros, que se arrastava em prédio alugado, quase sempre sem condições, e efetivo reduzido. Para sanar esta questão, o governo enviou a Recife (PE) o tenente Theophilo Gomes de Oliveira.

Eduardo Ribeiro (esquerda) e Fileto Pires

Ao lado da situação policial o Estado, para surfar na explosão da hévea, também buscava mão de obra para os seringais. Desse modo, aquele oficial “contratou” homens de qualquer condição, alguns, segundo artigo do Jornal do Recife (13 dez 1896), recolhidos à penitenciária. No artigo “Emigração para o Amazonas”, lê-se:

Recorte do mencionado jornal

“Agora somos informados que a polícia auxilia o negócio, convertendo o engajamento em recrutamento, tendo sido compelidos diversos homens a embarcar no vapor Olinda que anteontem por aqui passou, só deixando de seguirem todos que foram colhidos na rede por falta de acomodações a bordo, e punidos com prisão os que procuraram fugir à tamanha violência de seus direitos!...”

Adiante, conclama: “Que o Amazonas procure gente para compor a sua companhia de bombeiros ou para explorar as suas riquezas vegetais ou minerais, está no seu direito.” Todavia, adverte: “Que muitos dos nossos coestaduanos, perfeitamente esclarecidos do destino a que se encaminham, aceitem as promessas que lhes fazem e se dirijam para ali em busca de melhorar as suas condições, a que a todos é dado aspirar”.

Por isso a advertência produzida pelo referido matutino em seu editorial. No dia imediato, o mesmo jornal publica a contestação da Questura Policial do Estado, que comprova a inexistência de “indivíduos contratados para a Companhia de Bombeiros do Amazonas” com o atestado do diretor da penitenciária. Ainda desse modo, o mesmo editorialista elencou distintas considerações, tais como: “não podemos deixar de braços cruzados que os nossos patrícios, seduzidos por falazes promessas, pois a vida no Amazonas custa quatro vezes mais que entre nós, vão morrer improficuamente de miséria e impaludismo em inóspitos seringais, ficando Pernambuco despovoado, como pela mesma causa já o foi o Ceará”.

Para concluir: ao consultar o Arquivo Histórico da PMAM para elaborar meu livro Bombeiros do Amazonas (2014), foi fácil tabelar o número de nordestinos no efetivo da corporação à época mencionada: eram 9, entre 10 policiais. E mais. O corpo da Força Policial intitulada de Regimento Militar, constituída de dois batalhões e outros serviços, era da ordem de 900 homens.

sexta-feira, setembro 06, 2024

CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS

Ainda em comemoração aos 50 anos da instalação do Corpo de Bombeiros em Petrópolis, com a entrega do quartel e de equipamentos na Semana da Pátria de 1974, reproduzo imagens efetivadas pelo mago da fotografia em Manaus – Carlos Navarro Infante, algumas delas inseridas no meu livro Bombeiros do Amazonas (2013).



As fotos pertencem ao Carlos Navarro Infante, com mais um agradecimento

quinta-feira, setembro 05, 2024

EQUIPAMENTOS DO CORPO DE BOMBEIROS – 50 ANOS

Há 50 anos, na tarde do Sete de Setembro, o Corpo de Bombeiros, então ancorado na Polícia Militar do Amazonas, subiu as escadarias da Matriz da Padroeira para demonstrar os equipamentos recém incorporados ao seu patrimônio. Manaus, então, podia confiar no desempenho dos “homens do fogo”, afinal a cidade havia presenciado cenas de desespero, algumas devido a carência material daquela unidade de socorro.
Auto Escada Metz, a primeira em Manaus (acima)
coronel Pedro Câmara👇

Assistiram ao adestramento o governador do Estado, João Walter, o comandante-geral da PMAM, coronel EB Lucy Coutinho, o comandante do CB/PMAM, coronel PM Pedro Câmara, entre tantos e povo em geral. Ainda do livro Bombeiros do Amazonas saquei esta memória que o coronel (hoje reformado) Osório Fonseca guardou desta Unidade. Lembrou-me, quando entrevistado, que foi comandante do quartel da Codajás entre 1978-79, e, perguntado sobre a incorporação deste serviço à Força Estadual, resumiu:

Em 1973, a PM assumiu o Corpo de Bombeiros. Logo, chegaram os carros, os equipamentos. Tornaram-se motivo de enorme vaidade para os policiais militares. Manuseá-los era demais, pois, nenhum bombeiro em Manaus vira uma Auto Escada que, equivocadamente, chamavam de magirus. Tratava-se, sim, de uma escada alemã, mas o fabricante era Metz. Para ostentação, exibia-se a auto escada em qualquer lugar ou reles oportunidade. Até para, do quartel, observar as margens do rio Negro, onde a balsa que leva para Manacapuru parava. Era o tal de levantar, "arvorar", descer a escada etc. Parecia até um "brinquedo" importado, porque não havia sequer prédio alto na cidade de Manaus.  

Detalhe da capa do livro

Desde 1998, emancipado da PM, o serviço de extinção de incêndios e outras atividades afins passou ao encargo do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, que prospera conduzindo os “homens e mulheres do fogo”, “sempre prontos para pousar em meio ao horror das grandes hecatombes, para o labor sublime de salvar, de resgatar, de opor uma barreira aos desastres, aos sinistros, às catástrofes”, consoante glorificou o saudoso poeta Farias de Carvalho.


quarta-feira, setembro 04, 2024

QUARTEL DO CORPO DE BOMBEIROS – 50 ANOS

Neste 5 de setembro - feriado no Amazonas por sua independência política, completa-se o cinquentenário da inauguração do aquartelamento do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas na rua Codajás, bairro de Petrópolis. Esta expressiva alteração aconteceu no encadeamento da incorporação do serviço de contra incêndios, prestado pela Prefeitura de Manaus, à Polícia Militar do Amazonas, em 1973.

Quartel do Corpo de Bombeiros/PMAM, quando da
inauguração

Para melhor situar esta evolução, transcrevo alguns tópicos do meu livro Bombeiros do Amazonas (2013).

Detalhe da capa do livro

Consolidada a transferência do serviço em março de 1973, o Estado intensificou a renovação dos equipamentos de combate a incêndios, usufruindo dos benefícios da Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, o governador João Walter (1971-75) baixou o decreto 2512/73 “autorizando adquirir, com dispensa de licitação, um Auto Escada, marca Metz; cinco Auto Bomba Tanque; dois Auto Salvamento e uma Plataforma de iluminação, marca Total”. Este “pacote” de viaturas foi adquirido na Alemanha, e inaugurado no desfile de 7 de Setembro de 1974.

Recorte do matutino A Crítica

A inauguração do quartel de Petrópolis ocorreu após o desfile do Dia da Pátria, com a presença do govenador em exercício, desembargador Lúcio Fonte de Rezende. A solenidade teve curta duração - 20 minutos, quando falou o governador; o coronel Lucy Coutinho, comandante da PMAM, e o coronel EB Odilon Spinelli, superintendente da Suplam, que explicou tecnicamente as obras concretizadas.

Placa alusiva a festa

Acerca do feito foi afixada uma placa comemorativa, ainda presente à entrada do aquartelamento.

sexta-feira, abril 05, 2024

ARQUIVO HISTÓRICO DO CORPO DE BOMBEIROS (2)

O CBMAM (Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas) foi criado em julho de 1876, meses depois do surgimento da Guarda Policial, atualmente Polícia Militar do Amazonas (esta
a posteriori demudou sua data de inauguração). Os Bombeiros surgiram não como entidade militar, mas apenas como acerto de funções que diversos órgãos provinciais executavam em caso de incêndio. Desse modo se manteve até o advento da República, embora sem grande definição, pois a mudança de governantes estaduais ocorria de modo confuso.

Cópia do decreto

Somente no governo de Eduardo Ribeiro (1891-96) acontecem algumas importantes iniciativas: o desembarque em janeiro de 1892 de graduados do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal para instruir o pessoal amazonense; os Bombeiros são subordinados à Força Estadual e, finalmente, em 15 de dezembro do mesmo ano a promulgação do decreto 12, estabelecendo o Regulamento da Companhia de Bombeiros do Estado. Trata-se da primeira legislação a dirigir os serviços de extinção de incêndios na capital amazonense.

segunda-feira, janeiro 23, 2023

CORPO DE BOMBEIROS/PMAM - CINQUENTENÁRIO (2)

Em comemoração ao cinquentenário da incorporação do serviço de contra incêndios à Polícia Militar do Amazonas, reproduzo uma página - com algumas atualizações - de meu livro Bombeiros do Amazonas: retrospectiva 1876-1998, publicado em 2013. Acolá, deu-se a partida à renovação deste Corpo, que hoje prossegue sob administração própria.

Quartel do Corpo de Bombeiros, em 1973

Mais detalhes do ato relatei no volume citado, pois na ocasião assumi o subcomando do CB/PMAM. Detalhe novíssimo: o edifício, que pertence a Prefeitura de Manaus, está tomado pelo mato e prestes a desabar.  

 

Situação do prédio, há dois anos, hoje está bem pior

Na terça-feira, 23 de janeiro de 1973, ocorreu a solenidade de incorporação do Corpo de Bombeiros de Manaus à Polícia Militar do Amazonas (PMAM). Curiosidade: reencontravam-se após mais de duas décadas na avenida Sete de Setembro, onde estiveram juntos no distante ano de 1936 (por ocasião da reativação da PMAM). O evento teve lugar no acanhado quartel adaptado para o Corpo há mais de quatro décadas, todavia emparedado em decorrência do avanço urbanístico da cidade. Três portas dianteiras serviam para a circulação de pessoal e viaturas, com saída diretamente para a avenida com constante fluxo de veículos, pois serve de ligação entre os bairros situados na Zona Centro-Sul e o Centro.

Dispunha de três viaturas denominadas de ABT (Auto-Bomba Tanque), que o vulgo denominava mesmo de carro-pipa. Serviam para combater incêndios, porém, serviam com mais agrado aos motoristas do Corpo para distribuir água; elemento vital, cuja distribuição na cidade continuava bastante precária. Assim, os motoristas compraziam-se em distribuir o precioso líquido, todavia, mais precioso ainda para eles, pois, enchendo alguns tanques ou camburões particulares, auferiam algum trocado. Em razão desse suprimento diário, apelidaram carinhosamente aos ABT de “mamãe Dolores”.

Na manhã desse dia, o major PM Pedro Câmara recebeu do major CB Nicanor Gomes da Silva o Corpo de Bombeiros de Manaus. Em uma solenidade estritamente policial militar, da qual, apesar da significação histórica, não há qualquer registro jornalístico. Muito embora circulassem vários títulos de jornais, além de rádios AM e da FM Tropical, as TVs Ajuricaba (Canal 20) e Baré (Canal 4). Nada foi noticiado (censura?), por se tratar de solenidade com tropas militares, ou para escamotear a inconcebível situação dos “homens do fogo”?

Recorte da capa do livro

Relembrou a singeleza desta solenidade para este relato o comandante dos municipais: nada de convidados, a mais destacada autoridade presente foi o comandante-geral da PM, coronel EB Paulo Figueiredo. A fim de abrigar a pequena tropa, retiraram-se as viaturas do quartel, e pronto! Não houve sequer a indefectível Ordem do Dia, tampouco coquetel. Todavia, os sofridos Bombeiros de Manaus possuíam uma incontida aspiração: ver a hora de recomeçar nova e prestigiosa etapa profissional. 

Vida longa aos “homens e mulheres do Fogo”!

terça-feira, julho 02, 2019

DIA NACIONAL DO BOMBEIRO MILITAR


A escolha desta data provém do decreto baixado pelo imperador para a criação dos Bombeiros do Rio de Janeiro, então capital do império, em 1856.

Selo comemorativo
Além desta entidade militar, desejo destacar outra entidade: os Correios. Esta repartição ameaçada de desaparecimento, nos bons tempos produzia a revista COFI (Correio Filatélico), que era distribuída gratuitamente. Nela se encontrava os diversos assuntos estampados em selos e os de interesse dos colecionadores. A prometida desativação dos Correios já mandou para o arquivo essa produção.
No entanto, foi da revista circulada em julho/agosto de 1991 (Ano 15, nº 131) que compartilhei essa Homenagem ao Corpo de Bombeiros.  
Em geral a figura do Bombeiro é imediatamente associada a incêndios, mas este profissional está presente em nossa sociedade em vários outros momentos críticos, tais como nas enchentes, nos salvamentos de adultos, crianças e animais em risco de vida e até mesmo em contextos menos perigosos, em atividades de caráter social e comunitário. Demonstrando, sempre, muita coragem, firmeza e solidariedade.
2 de julho – Dia do Bombeiro Brasileiro. Nada mais justo que emitir nesta data o selo que presta homenagem ao Corpo de Bombeiros.Acompanhando a história dessa instituição no Rio de Janeiro, depreende-se a importância da tecnologia para uma eficiência cada vez maior de seus profissionais e verifica-se um alargamento na sua área de atuação.Com este histórico estende-se a todos os Corpos de Bombeiros do País o reconhecimento pelos serviços prestados. No dia 2 de julho de 1856, sua Majestade o Imperador D. Pedro II assinou o Decreto imperial nº 1775, que criou o Corpo Provisório de Bombeiros do Município da Corte, reunindo sob uma administração as diversas seções que até então existiam para o serviço de extinção de incêndio nos Arsenais de Guerra e Marinha, repartição de Obras Públicas e Casa  de Correção, seguindo-se, no dia 26 a nomeação do major do Corpo de Engenheiros João Batista de Castro Moraes Antas, que (...) organizou o Corpo de Bombeiros Provisório da Corte, ou seja, a cidade do Rio de Janeiro.

Vinte anos depois, a capital da província do Amazonas ganhava semelhante serviço, o de extinção de incêndios, igualmente reunindo sob a disciplina do diretor de Obras Públicas - Leovigildo Coelho - as ações de diversas repartições públicas.  

Em 11 de julho de 1876, o vice-presidente Nuno Pereira Cardoso baixava o Portaria nº 268-1ª Seção, mandando observar as instruções concernentes ao serviço. Sem caráter militar, assemelhava-se aos bombeiros voluntários. Tanto assim, que eram “convocados” à luta contra o fogo membros das corporações militares, tripulantes de navios surtos no porto e os aguadeiros. Estes, de importância capital, pois cabiam-lhes a condução de água, líquido que era vendido em toneis à população.
Outro componente bastante interessante, para nossos dias, era a utilização dos sinos das igrejas de Manaus. Havia um código de badaladas para indicar o local do incêndio, levando-se em consideração o tamanho da cidade, restrito ao que denominamos de Centro Histórico.
Para mais saber sobre o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, consultar Bombeiros do Amazonas (Manaus: Travessia, 2013), de minha autoria (foto). 

domingo, dezembro 03, 2017

MANAUS: 341 ANOS


Os jornais circulados no domingo, 24 - destacaram variadas personagens e entidades para homenagear a cidade de Manaus. De fato, foi interessante, pois sempre há o que se ler.

Assim, tive ocasião para rever personagens bem distintos, mortos uns, vivos outros. Tomei ciência da origem de muitos dos que dirigem o Estado e outros departamentos.

Aprendi igualmente que muitas lojas e empresas estavam ali por questão de financiamento da campanha. Entenda bem: são os patrocinadores. Sem eles, não há salvação.

Li ensinamentos do pessoal do legislativo, de membros dos tribunais e da sociedade mais destacada. Mas, nada encontrei, uma linha sequer sobre duas entidades permanentes e institucionais. Bem mais antigas que o próprio Estado.

Falo das Polícias e dos Bombeiros.

As polícias civil e militar são entidades que antecederam o 5 de Setembro, pois foram instituídas antes da elevação do Amazonas à categoria de Província. Atravessaram o periódo provincial enfrentando lutas sangrentas, ora em defesa do poder constituído e da população, ora submetidos à política contra o povo.

Sei igualmente que poucos têm admiração pelos policiais, que o ibope desse contigente de homens e mulheres é insignificante. Por isso, o local que lhes cabe no jornal é sempre nas páginas internas, circunstanciados ao combate nem sempre eficiente ao crime.


Os bombeiros, no entanto, são bem conceituados. Possuem a melhor pontuação em termos de credibilidade, de crença em seus serviços. Nem assim foram lembrados no aniversário da capital baré. Não importa. Sempre que preciso, estas organizações mostram seu empenho.

Apesar desse pouco crédito jornalístico, o Amazonas confia na força e na elegância destes policiais e bombeiros.

quinta-feira, setembro 21, 2017

CORPO DE BOMBEIROS DO AMAZONAS

1º comandante dos
Bombeiros amazonenses
O Corpo de Bombeiros do Amazonas foi criado em julho de 1876. O documento que chancela esse feito foi assinado pelo vice-presidente da Província, no exercício do cargo superior, Nuno Cardoso. Trata-se de um oficial da Marinha, que durante décadas permaneceu na região, tendo ocupado cargos de relevo e adquirido vastas propriedades.
O saudoso cronista Mário Ypiranga Monteiro é o autor das notas aqui postadas, e que foram sacadas da edição do jornal A Crítica (14.setembro.1982)    



Algumas notas sobre o capitão-tenente
Nuno Alves Cardoso

Sabe-se há muito que o capitão-tenente Nuno Alves Pereira de Melo Cardoso foi Capitão dos Portos do Amazonas, em consequência da criação de companhias de navegação a vapor e, consequentemente, a motivação maior do comércio fluvial entre Manaus e Belém, Manaus-Loreto, Nauta, Laguna e Iquitos, no Peru, e Manaus-Europa-América do Norte. Ignora-se, pelo visto, o trabalho social e humanitário desenvolvido por aquele cavalheiro, numa época em que os surtos epidêmicos locais e introduzidos matavam a população ainda desassistida de hospitais, de médicos e de enfermeiros, além da carência de boticas em número compensador.

Estas notas pretendem dizer algo mais que deixou de ser abonado pelos escassos biógrafos do ilustre marinheiro; inclusive a sua primeira participação na Assembleia   Legislativa Provincial como deputado eleito e reconhecido por ato do presidente da Província do Amazonas, a 23 de junho de 1860, em vista de haver requerido licença ao ministro do Império para tomar assento.

No jornal amazonense Estrela do Amazonas, de 1860, aparecem várias notícias a respeito do lazareto de Paricari, no Pará. Naquele ano, o capitão-tenente Nuno Cardoso havia contraído uma obrigação moral-social para com os hansenianos do Pará, qual fosse a de arranjar por meio de subscrição pública, algum numerário.


Fê-lo desinteressadamente, da mesma maneira como fez a doação de suas imensas terras em [bairro] São Raimundo Nonato, para a construção do cemitério e lazareto denominado Umirizal, mandado arrasar pelo governador Álvaro Maia.

Fê-lo, como fez a doação das suas terras para a construção da Vila Operária Municipal no antigo bairro da Vila Municipal, hoje Adrianópolis. A arrecadação importou em 456$734 réis antigos, que o capitão-tenente Nuno Cardoso encaminhou ao Governo provincial, em vista da dissolução, mais logo, do referido lazareto, pelo governo paraense. A importância reverteu, pois, em benefício do Colégio Nossa Senhora dos Remédios.

O que mais nos surpreendeu nessa coleta de dados, foi saber que o capitão-tenente Nuno Alves Pereira de Melo Cardoso exerceu o comando de navios da Companhia de Navegação, conforme este "Aviso", estampado no mesmo órgão amazonense, edição de 24 de outubro de 1861: "Agência da Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas. O paquete a vapor Ince comandante o capitão-tenente Nuno Alves Pereira de Melo Cardoso, sairá para Laguna e portos intermediários às 5 horas da tarde de 1º de novembro vindouro. Recebe cargas para os portos do Peru nos dias 26 e 28 e para os do Brasil 29 e 30 do corrente. As encomendas e passagens serão recebidas até às 2 horas da tarde de 31 do corrente em que se fecha o expediente. Manaus, 24 de outubro de 1861."

Também foi ele excelente observador, como oficial de Marinha, dos fenômenos hídricos. No mesmo jornal, edição de 23 de novembro de 1861, vem ele fazendo as seguintes declarações: "a vazante do Solimões foi extraordinária", por isso que o vapor (Ince) não pôde entrar em Tefé e Coari, o "que não havia acontecido antes com navios a vapor".

Diz que a corrente do rio Amazonas era de quatro milhas horárias e que achou dez braças de fundo na foz do rio Negro e "como a vazante fora de cinco braças", seguia-se que nas enchentes o fundo era de cento e cinquenta palmos.

Não termino estas nótulas sem precisar que encontrei naquele jornal, de sete de junho de 1862, referências a um Nuno Alves Pereira, segundo tenente do Terceiro Batalhão de Artilharia-a-Pé, fazendo permuta de corpos com outro segundo tenente do Corpo de Artilharia da Província. Parece que foi mesmo em dezembro ou novembro de 1882 que faleceu o irmão do capitão-tenente, Caetano José Cardoso, pois encontrei um agradecimento do Nuno Cardoso às pessoas que compareceram à missa do sétimo dia.

O Comandante Nuno tem nome de rua no Plano Inclinado [bairro de Aparecida].

domingo, dezembro 22, 2013

BOMBEIROS DO AMAZONAS


Capa do livro
Trata-se do livro que escrevi, para efetuar uma retrospectiva desta instituição, surgida em Manaus há 137 anos. Como foi longo o tempo que levei para concluir esta memória, mas, enfim, saiu da gráfica na noite de quinta-feira (19). As dificuldades foram múltiplas: a inexistência de uma equipe de trabalho; apoiado pelo CBMAM, vieram os entraves burocráticos, como as substituições direcionais; concluído o texto, sobrevieram a seleção e o tratamento das imagens, com a necessidade de substituir, devido a acidentes de trânsito, o primeiro designer contratado; elaborada essa etapa, com os acréscimos de última hora, restava catar os recursos para a impressão.  E a data marcada para o lançamento, ou melhor, a apresentação deste aos “homens e mulheres do fogo” aproximando-se célere. Deu na medida!
Coronel BM Antonio Dias
Um ligeiro cálculo permite-me afirmar que desde 1993 venho trabalhando o tema. Em 1995, editei Os Bombeiros de Manaus que, diante do novo, se tornou um ensaio, um esboço. Somente em 2005, voltei ao trabalho, quando o então comandante dos Bombeiros Militares, coronel Marinho de Alcântara, contratou-me para a elaboração do texto. Tudo caminhava bem, até que a exoneração deste oficial do referido comando emperrou a conclusão da obra por outra temporada. Somente há três anos voltei ao batente sob o entusiasmo do coronel Antônio Dias e, como relatado, concluir o projeto. Assim, pois, essas diversas paradas na linha do tempo, devido aos entraves acima elencados, fizeram que este compêndio demorasse tanto.

Todavia, vencemos. Em especial pela dedicação do coronel Dias, empenhado ao extremo, mas cuidadoso com a administração que há alguns anos desenvolve no CBMAM. Às vezes, entusiasmado, eu tentei discordar, mas fui vencido, como quando recorri ao secretário de Estado da Cultura e ao presidente da Rede Amazônica. Desisti. Deixei que o coronel Dias conduzisse o processo. Foi desse modo que triunfamos. Este livro, por tantas razões e colaborações, pertence ao centenário Corpo de Bombeiros do Amazonas.

Para melhor expressar meu ponto de vista, reproduzo a Apresentação que assinei em os Bombeiros do Amazonas:


O exercício da significante função no Corpo de Bombeiros e o próprio tema que já expandi, nessa ordem, inquietaram-me. A primeira inquietação ocorreu quando servi na instituição em três situações e, a segunda, ao publicar a brevíssima retrospectiva dos Bombeiros de Manaus, em 1995. Ainda que na reserva, prossigo estimulado pela temática. Desse modo, a exploração que ora concluo
ultrapassa suficientemente a antecedente, ao recordar treze décadas de existência do serviço de extinção de incêndios na capital amazonense, núcleo básico de sua atuação.
De outro modo, creio existir um condão mágico seduzindo àquele que se relaciona com essa abnegada profissão, porque não dizer, a todos os combatentes do fogo. Daí meu reconhecimento: sofri o aludido fascínio. Os substratos deste estão assim sistematizados: anteontem, quando jovem capitão (1973) comandei o Corpo de Bombeiros, subordinado à Polícia Militar; ontem, ao retornar ao Corpo (e alma), em ocasiões bastante afortunadas. E hoje, por esta retrospectiva que entrego a você, leitor.
Para a concretização desta empresa, deste compêndio, busquei com afinco, documentos e outros elementos exequíveis; uns foram alcançados no Rio de Janeiro, onde os repositórios nacionais permitiram-me deslindar a fundação e a existência da Polícia Militar do Amazonas. Com semelhante intento estagiei em Belém do Pará, onde manuseei ou pus os olhos em centenários apontamentos. Pa-
tenteei, pois, com os papéis examinados, a saga desses bombeiros, aos quais, sem distinção externo meu profundo apreço.
Devo acrescentar que nesta obra, observei o relato cronológico dos fatos zelando pelos fundamentos básicos da corporação. Do efetivo geral; dos comandantes; das repetidas transferências devido às mudanças políticas; dos vencimentos; e por aí afora. E ainda há muito a relatar. Declaro, enfim, que o livro não me pertence com exclusividade - porque aqui e ali reproduzo citações honrosas e transcrições jornalísticas. E não foram poucas!
Estruturei esta obra em três fases: a primeira, mais alongada, narra desde a criação do serviço de extinção de incêndios até meados do século passado, cujo balizamento foi a passagem desse ofício para a competência da Prefeitura de Manaus. A segunda, iniciada em 1951, prospera até 1973, quando o Corpo de Bombeiros de Manaus foi incorporado à Polícia Militar do Amazonas. A terceira,
com duração de 25 anos, cobre a responsabilidade do Estado com os serviços, enquanto competência da Força Pública.
A partir de 1998 abre-se novíssima idade, quando o encargo do combate ao fogo prossegue com o Estado, porém, desvinculado da Polícia Militar, a corporação dos Bombeiros veleja autônoma.
Sou agradecido aos "companheiros de viagem", àqueles que contribuíram de qualquer modo para a concretização desta retrospectiva. O primeiro, sem dúvidas, é o "civil folgado" Ed Lincon. Ed vestiu a camisa, o boné, avermelhou-se de bombeiro, por isso, qual a todos os bombeiros, é um herói.
Fogo!,  assim se saúdam os Bombeiros. A mesma saudação para a Sandra Assayag, funcionária do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, pelo apoio dispensado, ontem e hoje. Ao sargento Jorge Medeiros, que mantém o arquivo desta corporação
com dedicação e zelo.


Agradeço ao Antônio Matos, subtenente, e ao Jocemar Luís P. Marcos, soldado, ambos do arquivo-geral do Centro Histórico e Cultural do Corpo de Bombeiros Militar (RJ) o adjutório dispensado. Ainda, a Salete Lima, da Fundação Dirson Costa, pela gravação das entrevistas, e ao Carlos Navarro, pelas fotografias elaboradas. Finalmente, aos familiares de combatentes do fogo que, entre fortes emoções e copiosas lágrimas, me emprestaram suas lembranças para tornar bem mais crível esta retrospectiva.
Fogo!

sábado, dezembro 07, 2013

BOMBEIROS DO AMAZONAS (2)



Atuação dos Bombeiros no Sambodrómo, carnaval de 2011
Tenente-coronel Nilson Pereira da Silva (11 janeiro 1999 a 27 novembro 2000), primeiro comandante do Corpo de Bombeiros Militar, este oficial teve o prestigioso, mas espinhoso, encargo de consolidar a desvinculação. Desvinculação foi o termo adotado por outros corpos de bombeiros para expressar o desligamento do serviço contra incêndios da Polícia Militar. No Amazonas, os Bombeiros alcançaram autonomia no curso de uma década.

No Estado, esta passagem demandou penosa tarefa, que deixou sequelas em ambas as corporações. O tempo, inquestionável bálsamo, haverá de cicatrizar. Para explicar seu período de comando, o emergir desta nova corporação, o coronel da reserva Nilson Pereira (1951-) concedeu-me a seguinte entrevista.   

Incêndio no centro de Manaus, 2012
 
Roberto Mendonça - Como o senhor chegou ao comando do CBM?
Nilson Pereira da Silva - Em final de 1998, concluía o Curso Superior de Polícia (CSP) na PMESP, quando fui convidado pelo governador Amazonino Mendes para assumir o comando ou da PMAM ou do Corpo de Bombeiros Militar, se contribuísse para a exoneração de oficiais superiores da PMAM. Nesta, a ideia enfim concretizada pelo governador, tornou-se conhecida na cidade como a “expulsão de coronéis”. Como não via com simpatia a medida, aceitei o comando dos Bombeiros, uma unidade reconhecidamente simpática. E mais, em processo de desvinculação da PMAM.

Como se deu a desvinculação?  Foi bastante difícil. A questão vinha se arrastando desde 1988, quando a Constituição Federal deu este privilégio à corporação dos Bombeiros. A partir do ano seguinte, a separação entre as corporações aconteceu em ritmo cada vez mais acelerado. No Amazonas, como disse, o episódio vinha esquentando. Nessa ocasião, a Emenda Constitucional da desvinculação já fora aprovada e, portanto, era hora de escolher o comandante.

E por que se tornou difícil esta escolha? Pelo número de candidatos. Havia ao menos três candidatos, cada um com sua corrente disputando com vontade. Então, era dossiê circulando contra e a favor; os padrinhos apadrinhando e nenhuma coesão dentro do quartel.

Quem era então o comandante dos Bombeiros e qual sua condição neste quadro?  Era o tenente-coronel PM Colares Filho, que enfrentava o assunto como podia, afinal também aspirava à nomeação. Daí se tornar difícil sua posição.

Na disputa entre alguns, o senhor apareceu como terceiro? Como disse, fui escolhido sem estar no campo. Resultado: a minha presença nos Bombeiros, ainda mais como oficial da PM, não foi bem aceita. Assim, as divergências ainda mais se aprofundaram.
Uns candidatos se retiraram, outros permaneceram. Conversei com todos mostrando que fora escolhido para implantar uma nova corporação. Disse que precisava da ajuda de todos. Convidei, na ocasião, o tenente-coronel Colares Filho para ser o subcomandante, o qual, para minha satisfação, aceitou. Já foi um bom começo. Mas, havia dificuldades de todos os lados.

Quais dificuldades? As verbas eram geridas pela PM, isto não fora pensado quando da desvinculação. Este tópico era fundamental. As viaturas estavam quase todas paradas, e os Bombeiros precisam sempre de viaturas rodando. Fui à luta, pedindo aqui e ali, botei os veículos para rodar. Tanto que no Sete de Setembro todas (!) desfilaram, inclusive a sucata de um jipe encontrado no Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (Deram).
Me dirigi ao comandante da PMAM (coronel Gutemberg Soares), de quem consegui colaboração básica. Instalamos comissões para a separação do patrimônio e do pessoal, mas, devido nossa pequena força, perdemos bastante. Consegui ajuda no próprio Exército, que presenteou o CBM com pneus e outros materiais. Tive ajuda das outras Forças federais. E de órgãos do governo estadual.

Quais recursos o senhor usou para suprir de pessoal o CBM?  Em seu marco zero, o CBM não possuía legislação. Por isso, nomeei algumas comissões para a elaboração de projetos de regulamentos. Alguns poucos foram encerrados. Mas, o de pessoal, que mais nos afligia, foi elaborado e enviado para o Governo. Antes, consultei o Comando Militar da Amazônia e a Inspetoria-Geral das Polícias Militares (IGPM), em Brasília, pois desejava reforço para minha solicitação.
O projeto de Pessoal ficou bem conhecido no meio policial-militar, pois dotava o CBM de seis coronéis para um efetivo de seiscentos homens. Era uma aberração, reconheço, mas havia coerência. O secretário de Fazenda, também vice-governador, sem compreender a questão, não aprovou o aumento de efetivo.
Certo dia, em autêntico desespero, eu alcancei o governador Amazonino Mendes e pude explicar-lhe nossa situação, a situação de pessoal. Nesse dia consegui êxito, o aumento de efetivo. 

Como preparou o pessoal para conhecer a gestão do Estado? Indiquei oficiais para conhecer a estrutura de pessoal e orçamentária, a parte mais difícil, pois passamos o ano de 1999, vinculados à PMAM. O trabalho foi proveitoso, tanto que no ano seguinte, já em março, foi possível dispor de verba própria.

O senhor possuía algum conhecimento da atividade de combate ao fogo?   Além do conhecimento proveniente da formação de oficial PM, com relação aos Bombeiros, eu possuía o CBO (Curso de Bombeiro para Oficial), realizado em São Paulo. Também havia concluído um estágio no Centro de Atividades Técnicas (CAT), na mesma corporação. Assim, eu não era um leigo no assunto, quando assumi o CBM.

Em 2000, já dispondo de verba orçamentária, de relativo pessoal, de viaturas rodando, o CBM seguia proveitoso?   Os problemas dentro do quartel estavam apenas serenos, porque nunca desapareceram. Sempre enfrentei alguns, inclusive no judiciário.
Mas, na ordem estadual, a coisa aumentou. O maior quebra-cabeça, creio, foi na aquisição de equipamentos no valor de U$ 16 milhões. Isto mesmo, dólares! Uma noite, em minha casa, estudei o processo de inúmeras páginas que licitava material para os Bombeiros. Os interessados na venda importunavam-me, a toda hora. Preocupado com o valor e com minha responsabilidade, enviei o processo ao Tribunal de Contas do Estado e à Procuradoria-Geral do Estado, órgãos que me solicitaram diversos documentos. Como não os consegui, nem tinha interesse, a compra foi sustada, o que me trouxe enorme alívio.

O senhor nasceu em Goiana-PE, quando chegou a Manaus?  Vim em busca de progresso. Cheguei aqui em 1971, indo morar com um tio, no bairro do Japiim. A impressão não foi boa, o tio era chegado demais a uma pinga.
Todavia, como precisava trabalhar, saí em busca, e me empreguei na lanchonete Go-Go, ali ao lado do cine Odeon. Tive outro emprego, mas não lembro onde. Bom, apareceu a PMAM inscrevendo para ser soldado.
Ingressei na corporação. Nesse tempo a formação de praças era realizada no Centro de Instrução Militar (CIM), na rua Dr. Machado. Lá, fiz amizade com o então tenente Medeiros, que muito depois foi comandante-geral. Um dia, recebi um convite melhor e deixei a Polícia. Me arrependi. Mas, envergonhado do que fizera, não procurei voltar. Até que o tenente Medeiros encontrou-me trabalhando em um restaurante, e me levou de volta. Conclui o curso de sargento, depois o de oficial. Promovido, segui fazendo carreira e amigos por onde passava, assim cheguei ao comando do Corpo de Bombeiros.    

Que contribuição, apesar dos entraves, o senhor deixou no CBM?  Isso mesmo, apesar dos entraves. Deixei melhor a instituição, melhor do que havia encontrado, em disputas e sem horizonte. Fui um desbravador, até por ser o primeiro comandante do CBMAM.
Lá, encontrei viaturas com até 30 anos de existência. Como era do meu ramo, consertei todas, e as deixei funcionando. Adquiri os novos uniformes, que ainda hoje são usados. As leis básicas da corporação foram aprovadas em meu comando. Fiz inaugurar a revista Labaredas (circulou até 2008).
Contudo, conservo uma considerável mágoa: entrei e sai dos Bombeiros como não desejava.

Assim como ? Explique.  Quando fui escolhido e empossado, não houve passagem de comando. Cheguei ao quartel e assumi. Pronto. Da mesma forma aconteceu quando de minha substituição, não houve cerimônia. Como gostaria de ter passado o comando, ter lido a ordem do dia, para registrar o que fiz em prol dos Bombeiros. Nada disso aconteceu.

Por que, coronel Nilson?  No segundo ano do meu comando, no final de 2000, as acusações contra meu comando aumentaram. Um dossiê passou a circular na cidade, todos conheciam. Algumas autoridades falaram comigo, me deram conselhos, mas eu não via o tal dossiê. Como me defender?
Zelando pela minha honra, precisava que o governador decidisse, pois, do contrário, como continuar no comando? Certo dia, como é do meu temperamento, dirigi-me ao Palácio e solicitei ao chefe da Casa Civil, José Pacífico, que marcasse uma audiência com o governador Amazonino. Aguardei durante quatro horas. Quando o governador ia se retirando, abordei-o. Exigi uma conversa, ele me concedeu.
Expus-lhe a situação, falei do dossiê que não conhecia e pedi que ele me afastasse do comando, pois não podia ser apurada minha conduta, estando no comando. O governador aceitou, e determinou que o comandante da Polícia Militar, coronel Mael Sá, assumisse na condição de interventor.

E o dossiê?   Certamente será tarde para minha defesa, mas um dia o encontrarei. 

Decreto de 27 de novembro de 2000
O Governador do Estado do Amazonas, no exercício das atribuições que lhe confere o artigo 54, XVII, da Constituição Estadual, resolve

            I – Exonerar, a pedido, o Cel PM Nilson Pereira da Silva do cargo de confiança de comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas.
            II – Designar o Cel PM Mael Rodrigues de Sá, comandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, para responder, sem prejuízo de suas funções, pelo Comando-Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas, até ulterior deliberação.                       

Amazonino Armando Mendes - Governador do Estado

Em conformidade com o decreto, o coronel Nilson Pereira solicitou a exoneração do comando. Como a corporação necessitasse de estruturação e, ainda, apurar as denúncias contra o ex-comandante, o governador do Estado inovou, efetuando uma intervenção (figura inexistente na legislação policial militar, mas recebida sem protestos) no Corpo de Bombeiros. Para cumprimento desta disposição, nomeou o então comandante da PMAM, coronel Mael Rodrigues de Sá, que permaneceu na função até 23 de março seguinte.

Seu sucessor, com nomeação efetiva, foi o tenente-coronel Franz Marinho de Alcantara, que permaneceu no comando até 2008. Outro oficial que igualmente se retirou debaixo de disputas, repetindo-se a escrita, sem efetuar a passagem de comando.