CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, julho 30, 2026

DIA DO SELO -2026

 

Há 50 ANOS, o filatelista Edilsom Aguiar publicou este artigo comemorando o Dia do Selo no Brasil. Para lembrar a data, os filatelistas da cidade se reúnem neste sábado (01), no Palacete Provincial.

Recorte do Jornal do Commercio, 30 julho 1976

Como é natural, o selo também tem o seu dia, que é comemorado hoje em todo o Brasil pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e pelas associações e clubes filatélicos. O Brasil foi o terceiro país do mundo a emitir selo postal, seguindo o exemplo da Inglaterra e do cantão de Zurich, que respectivamente emitiram o primeiro e a segundo selo do mundo. A lei que instituiu o selo no Brasil foi votada em 1841 e um ano depois foram estabelecidos os valores de 30, 60 e 90 réis para os selos, que viria a ser a primeira série de selos ordinários de nosso país. Para as cartas destinadas a circularem dentro do país, a taxa a ser paga era de 60 réis, enquanto que as destinadas ao exterior deveriam pagar 90 réis.

Houve alguma demora na confecção da série, uma vez que a Casa da Moeda não dispunha de máquinas apropriadas e ainda mais pelo fato de não se ter ainda escolhido os motivos de sua ilustração, muito embora já se soubesse que nos selos não seria registrada a efígie do então Imperador D. Pedro II, para que não fosse desfigurada com a aposição do carimbo obliterador. Nos selos constaria somente um cifrão e não foi exceção nem para o nome de nosso país; a intenção era fazer um selo simples e expressivo, e isso foi conseguido. Assim, ao emitir o terceiro selo do mundo, o Brasil se colocava ao lado da Inglaterra e do Cantão de Zurich, como os pioneiros do lançamento do selo postal, a maior novidade da época.

Dessa maneira, pelo edital do 5 de julho de 1843, os Olhos de Boi, assim chamados por serem parecidos com os olhos daquele animal, foram emitidos finalmente a 1º de agosto de 1843, completando, portanto, hoje, cento e trinta e três anos de seu lançamento. Os Olhos de Boi, orgulho de qualquer colecionador, tiveram uma impressão de cerca de um milhão e meio (60 réis), mais de um milhão (30 réis) e quase trezentos e cinquenta mil (90 réis), que após o seu período de circulação e validade ainda sobraram quatrocentos e sessenta e seis mil, setecentos e onze selos.

Essa expressiva sobra do nosso primeiro selo é explicada pelo fato de, na época, o hábito da correspondência estava em sua fase inicial, e sua necessidade ainda não se fazia sentir, pelo menos de maneira expressiva, para os padrões do Brasil imperial. Já por volta do ano de 1844, estando já em circulação outra série ordinária, a dos chamados Inclinados, os selos que não tinham sido utilizados foram todos queimados, e ninguém previu, como era natural, a futura raridade dos selos Olhos de Boi, que hoje estão cotado entre os selos mais caros do mundo.

Os selos Olhos de Boi foram impressos em folhas diversas, a saber: folhas de 54 selos, em três painéis de 18 selos de 30, 60 e 90 réis, em ordem crescente, cada painel enquadrado e separado por uma linha divisória horizontal ou espaço em branco (2 chapas). Folhas de 54 selos, em 3 painéis de 18 selos de 30 réis. Folhas de 60 selos, sem divisão, de 30 réis. Folhas de 60 selos, sem divisão, de 60 réis (2 chapas).

Os selos foram impressos em talho doce, com gravação da Casa da Moeda do Brasil, em chapas de cobre, e impressão das Oficinas de Estamparia das Apólices. Os selos não têm denteação. Os vários tipos de papel utilizados na confecção dos selos Olhos de Boi foram: papel médio acinzentado ou amarelado; papel expressão branco ou amarelado com relevo no verso, e papel fino transparente.

Assim, comemorando o Dia do Selo Brasileiro, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançara amanhã o selo comemorativo em homenagem à Juventude Filatélica, num excepcional desenho de autoria de Glan Calvi. 

quarta-feira, setembro 24, 2025

SESQUICENTENÁRIO DA PM AMAZONAS

 Em 1972, às vésperas de comemorar o centenário, a Polícia Militar do Amazonas foi surpreendia por uma publicação do  saudoso mestre Mário Ypiranga, que expandia a idade desta corporação. Cuja criação ocorreu em 4 de abril de 1837, e segue sendo respeitada. Assim, o centenário desapareceu, passando-se a aguardar o sesquicentenário.

Esta data ocorreu no comando do coronel PM Pedro Lustosa (1987-89), por coincidência, foi este oficial que, quando da publicação do mestre Ypiranga, servindo na Casa Militar, estimulou ao governador João Walter a adoção da mencionada efeméride. Todavia, coronel Lustosa não foi capaz de realizar uma respeitável festa, limitando-se a reunir a imprensa, para assistir um culto ecumênico, e, ao lado do governador Amazonino Mendes, na praça da Polícia inaugurar uma placa comemorativa mequetrefe, sem brilho, ressaltando apenas os caciques da Segurança.


Quando da remodelação da praça e do antigo quartel da Polícia, a placa foi transferida para uma parede do Palacete Provincial, assim pois, segue abandonada pela corporação.


SOLENIDADE DOS 150 ANOS DA

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS 

A Policia Militar do Amazonas terá, no prazo de oito meses, o seu destacamento de Cavalaria. A decisão foi anunciada ontem de manhã, pelo governador do Estado Amazonino Mendes e pelo comandante coronel Pedro Lustosa, durante as festividades do sesquicentenário da PM. Logo pela manhã, o comando da Policia Militar recebeu o governador Amazonino Mendes, o comandante da 12ª Região Militar, coronel Garrone, a Imprensa e outros convidados para um breakfast que foi servido em um dos salões do quartel do Comando-Geral.

Durante o café, Amazonino Mendes e o coronel Lustosa conversaram com os jornalistas, anunciando a ideia de formar um destacamento de cavalaria, “que é um tipo de policiamento já consagrado no mundo todo e que já foi usado pela PM desde os tempos de Canudos, em 1897”, disse o comandante.

ORDEM DO DIA

O restante da solenidade teve continuidade na praça Heliodoro Balbi, a conhecida praça da Policia, onde foi realizado um ato litúrgico com a participação de três segmentos diferentes de religiões: católica, hebraica e batista. Em seguida foi realizada a solenidade de incorporação da Bandeira Nacional e apresentação da tropa ao governador Amazonino Mendes.

Na leitura da Ordem do Dia, pelos 150 anos da PM, o coronel Lustosa disse que o acontecimento cívico-histórico de 4 de abril, marcava uma maior aproximação da polícia com o povo da terra. “A Polícia Militar - disse o coronel - tradicional vanguarda dos anseios sociais, pode assegurar orgulhosamente que não dormiu sobre os louros conquistados no passado”. De acordo com a Ordem do Dia, a evolução exige que a Polícia Militar do Amazonas caminhe junto à comunidade, “porque ao lado dela é o nosso lugar, para ela é dedicada nossa árdua, mas habilitante missão, a ela pertence o nosso sacerdócio”. Para tanto -- continua — necessário se torna que cada um de nós, milicianos amazonenses, resista às tentações enganosas, em benefício do prestigio de nossa profissão, em nome de uma tradição de 150 anos de serviço honrado e sem manchas”.

PLACA DE 150 ANOS

Durante a solenidade militar, foi descerrada, também, pelo governador Amazonino Mendes, uma placa de bronze, comemorativa aos 150 anos da Polícia Militar do Amazonas, afixada na praça, à frente do quartel do Comando-Geral. Ao fim da cerimônia, o comando ofereceu um coquetel aos presentes, quando o cel. Lustosa voltou a conversar com a imprensa. Ele considera que não existe qualquer desgaste na imagem da PM perante a comunidade: Pelo que me consta se disse o comandante -- não existe tanto desgaste assim. O que tem que haver é conscientização de cada um para se criar uma mentalidade profissional para exercer o sacerdócio sobre o qual acabamos de falar (referindo-se à Ordem do Dia).

Sobre a formação da cavalaria, segundo o coronel, será feita no máximo em 8 meses, uma vez que para formar um cavaleiro são necessários 4 meses. “E depois vem ainda o tempo para adestrar o animal e fazer as instalações. E isso é um elenco muito grande de pessoal e material”, lembrou o comandante. Sobre o pessoal de treinamento, o comandante Lustosa informou que os seus oficiais são formados na Academia onde recebem, também, instruções de cavalariano. “Nós temos oficiais com aptidões cavalarianas”. Sobre a aquisição de animais, o cel. Lustosa disse que a PM poderá buscar fora, talvez Minas Gerais, ou usar animais criados aqui mesmo.

sexta-feira, março 22, 2024

ARQUIVO HISTÓRICO DA PM AMAZONAS

 

Nova compilação de arquivos da Polícia Militar amazonense, datados de 1901 e 1903, quando no comando do coronel Adolpho Lisboa, e era intitulada de Regimento Militar do Estado, pujança que a “era da borracha” permitia. O texto (foto) aposto com esmero e ótima caligrafia pertence ao próprio comandante, que fora sargento auxiliar da administração.
Este material e tantos outros (livro 12) acham-se no Arquivo Histórico da corporação, ora “agregado” ao Centro Cultural Palacete Provincial.
 

Transcrição abaixo

Termo de encerramento

Em vista de achar-se a escrituração da presente folha, feita com incorreções, como sejam: falta de alterações e absoluta falta de asseio, sendo aquela falta originada por incorreções na escrituração das escalas de alterações dos oficiais do estado maior do Regimento, relativas aos meses de janeiro e fevereiro do ano corrente, fica encerrada a presente escrituração e aberta à folha dezessete verso e dezoito, conforme determinou a Ordem do Dia número duzentos e setenta e quatro de agosto corrente.

Secretaria do Regimento Militar do Estado, Manaus, 8 de agosto de 1903

Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa

Comandante

Recorte da capa do livro para Registro dos Oficiais nº 12


quarta-feira, fevereiro 22, 2023

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (19)

Sequenciando o desenvolvimento da Guarda Policial, hoje Polícia Militar do Amazonas, no período provincial, compartilho novo tópico do meu pretendido livro Guarda Policial (1837-1889). 

Palacete provincial, em gravura de 1883

Inauguração do Palacete

Em 28 de fevereiro de 1875, ocorre a inauguração do Palacete Provincial, conforme assinala o “imutável” diretor das Obras Públicas, então major engenheiro Leovigildo Coelho, em exposição ao presidente da Província, Domingos Monteiro Peixoto, que se despedia do cargo.

O Palacete constitui “um dos primeiros prédios públicos com características da arquitetura tradicional, construído em Manaus”. A avaliação pertence a Otoni Mesquita, em Manaus: História e arquitetura (1852-1910), que, prosseguindo em seu estudo, observa o aspecto formal da edificação. Trata-se da “herança de uma arquitetura colonial, lembrando bastante as construções típicas de casas da Câmara e Cadeia, erguidas em todo o país durante aquele período”.

Em março seguinte, ao transferir o governo ao 1º vice-presidente Nuno Alves Pereira de Mello Cardoso, oficial da Marinha, Peixoto ratifica a informação do ano anterior: o 3º Batalhão de Artilharia é o único corpo militar “que faz o serviço na guarnição”, portanto, na Província, sem contar com efetivo bastante. No comando, encontrava-se o major reformado Silvério José Nery, que se debatia com os crônicos estorvos: desfalque de efetivo e expurgo de oficiais de “mau proceder”. Peixoto distingue no Relatório de 16 de março de 1875 um tópico conveniente: incêndios.

Abaixo dessa entrada, o presidente comenta as primeiras providências tomadas para suprir a inexistência do serviço de contra incêndios. Muito embora inexistisse um corpo especializado, acabava de desembarcar na cidade “uma bomba com os seus pertences”, de tração animal e de fabricação inglesa. Por falta de melhor local, o engenho estava à disposição da repartição de Obras Públicas, abrigada na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, ainda em obras, mas prestes a acolher os fiéis.

 

Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em construção, 1865

quinta-feira, fevereiro 09, 2023

PALACETE PROVINCIAL: INAUGURAÇÃO (1)

 Na data da inauguração do Centro Cultural Palacete Provincial que, remodelado, ocupava o tradicional quartel da Praça da Polícia, o jornal EM TEMPO (25 março 2009) publicou um caderno Especial, no qual tive a graça de expor alguns conceitos, extraídos das vastas leituras empreendidas sobre o assunto.

Fragmento do aludido caderno Especial

“O prédio deve ser incluído entre as edificações mais antigas da cidade, mesmo que haja sido ampliado e ampliado sem muitos critérios". Essa é a opinião do pesquisador e escritor Roberto Mendonça, coronel da reserva da Polícia Militar, a respeito do prédio que fez com que a praça da Polícia tivesse esse nome, cuja construção data do início da década de 1860. Somente em1867 o estabelecimento foi adquirido pelo presidente da província (atual governador) José Coelho da Gama e Abreu (1867/68), para ser o Palacete Provincial.

Três anos depois, em 1870, o presidente da província João Wilkens de Matos (1868/70) anunciou a suspensão das obras no Palacete por "falta de tempo e de operários. E mesmo pela carestia dos materiais". A ordem de Wilkens de Matos foi mantida pelo seu sucessor, José de Miranda da Silva Reis (1870/72), que continuou com a suspensão das obras, em 1871, "por ter se transformado em sorvedouro de numerário".

Os trabalhos de construção do prédio só seriam reiniciados dois anos depois, quando outro governador, Domingos Monteiro Peixoto (1873/75), ordenou que os trabalhos tossem reiniciados. Ele já pensava em abrigar virias repartições públicas no prédio, como a Assembleia Legislativa, o Tribunal do Júri, a Tesouraria e Recebedoria da Província, a Câmara Municipal e a diretoria das Obras Públicas, que ocupavam prédios alugados. Graças ao seu empenho, o prédio foi concluído em 25 de março de 1874, mas a inauguração só ocorreu quase um ano depois, em 28 de fevereiro de 1875.

De acordo com o artista plástico e historiador Otoni Mesquita, em seu livro Manaus, História e Arquitetura:1852/1910, "tratava-se de um prédio com três andares; sem dúvida. Mil obra de grande porte para a província". E completa: "Na realidade, este prédio fora projetado para possuir três pavimentos; mas, por questão de segurança, o terceiro foi demolido". 

Quartel da PM

Antes de ser concluído, o Palacete Provincial já abrigava o Liceu, a Biblioteca e, a partir de 1880, a Assembleia Provincial, passando a ser chamado de Palacete da Assembleia e abrigar o Tesouro Provincial. Depois chegou a Repartição de Obras. "Mas o prédio ao foi bem construído e, naquele ano, já recebia a sua primeira reforma, seguida de outra, em 1884, sofrendo alterações e acréscimos e servindo de sede a inúmeros órgãos públicos", escreveu Antonio Loureiro em seu livro O Amazonas na Época Imperial".

Foi a partir de 1890 que o Palacete da Assembleia recebeu o quartel da força, que viria a se transformar na Polícia Militar. Foi responsável por esta mudança o governador Augusto Ximeno de Viileroy (1890), mudando o nome da força policial de Corpo Policial do Amazonas para Batalhão de Polícia. Eduardo Ribeiro (1892/96), no entanto, foi o governador responsável em ampliar o prédio do quartel, mudando o nome da força para Batalhão Militar do Estado.

segunda-feira, janeiro 30, 2023

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (17)

A propósito do desenvolvimento da Guarda Policial, hoje PM do Amazonas, no período provincial, compartilho novo tópico do meu pretendido livro Guarda Policial (1837-1889).

Primitivo Palacete Garcia, hoje, amplamente aumentado,
Palacete Provincial
 

Palacete Provincial (I)

Consoante a informação contida em Relatório, José Coelho da Gama e Abreu, presidente da Província (1867-68), alude à compra de um prédio em construção de propriedade do capitão (Guarda Nacional) Custódio Pires Garcia pelo governo provincial, no valor de 12:000$000 (doze contos de réis). O sobrado em edificação situava-se à rua do Espírito Santo, hoje Dr. Moreira, cujo terreno estendia-se para o “aterro” (eufemismo para indicar o soterramento do igarapé existente nos fundos), atual avenida Floriano Peixoto. Em frente ao Palacete Garcia, assim crismado em alusão ao sobrenome do proprietário, existia um terreno ocioso destinado à construção de um logradouro conveniente ao entretenimento da urbe.

O parque ali edificado já acumula meia dúzia de denominações: 1) Largo do Palacete; 2) Largo 28 de Setembro (em memória à Lei do Ventre Livre, de 1871); 3) Praça da Constituição (dos primeiros instantes da República); 4) de João Pessoa, no alvoroço do “golpe getulista” em 1930; 5) Gonçalves Ledo; e 6) atual de Heliodoro Balbi (consoante o decreto 472/1953), portanto, há 70 anos mantém esta denominação.

Houve um período em que a praça esteve tripartite, sob as denominações de Gonçalves Dias (local do original Café do Pina), de Heliodoro Balbi (parte central) e de Roosevelt (seção situada após a rua Marcílio Dias), todavia, o prefeito Jorge Teixeira de Oliveira (1974-79) reunificou-as, legando à cidade o largo tal como usufruímos em nossos dias.  A população, no entanto, teima em alcunhá-la de Praça da Polícia, em decorrência da presença do extinto quartel da Força Militar do Estado em seu entorno.

O Palacete Garcia, quando de sua aquisição, destinava-se a abrigar a Tesouraria Provincial, porém, acolheu diversas repartições públicas. Nesse prédio estiveram abrigadas a Assembleia Provincial, a Biblioteca Pública, a Repartição das Obras Públicas, entre outras. A mais marcante foi a Polícia Militar, especialmente pelo duradouro período de ocupação (1890-2002), em cujo edifício funcionou em seus últimos anos o comando-geral da corporação. (segue)

domingo, janeiro 29, 2023

PALACETE PROVINCIAL: SUA INAUGURAÇÃO

Em 2002, há duas décadas, a Praça da Polícia perdeu seu maior referencial, o quartel da Força Pública, que foi transferido para o bairro de Petrópolis. Sete anos depois, em 25 de março de 2009, o governo do Estado inaugurou naquelas dependências o Palacete Provincial, que segue oferecendo diversas atividades culturais.
Quartel da Polícia Militar, em festa noturna

Na ocasião desta solenidade, o matutino EM TEMPO circulou um caderno Especial, no qual ocupei uma página, entrevistado pelo jornalista Evaldo Ferreira sobre a mudança do comando da Polícia Militar do Amazonas.  

Recorte do jornal EM TEMPO, 25 mar. 2009

Em 2002, depois de passar 107 anos no Palacete Provincial, o Comando-Geral da Polícia Militar teve de ser transferido para outras instalações no bairro de Petrópolis. O coronel reformado Roberto Mendonça, que foi subchefe da Casa Militar de 1983 a 1984 e subcomandante da corporação de 1993 a 1994, lembra que a mudança dividiu opiniões.

"A situação em que estava o prédio, bastante deteriorado, inclusive o seu entorno, e pequeno demais para a corporação, levou a PM a procurar outro local e liberar o Quartel da Praça da Policia para outra destinação. Entretanto, muitos dos policiais saudosos, entre oficiais e praças, realmente “choraram” essa separação. Até hoje, muitos gostariam de ver a PM de volta no local”, comentou o ex-PM que serviu a corporação par 30 anos.

Segundo o militar aposentado, o que determinou, de fato, a transferência do Comando-Geral da PM foi a falta de estrutura física. "A mudança era necessária porque o prédio não tinha mais condições físicas de abrigar o efetivo, que havia crescido com o tempo, e nem mesmo os próprios carros dos militares. Agora, o Comando está mais bem instalado", comentou.

Roberto Mendonça é favorável à reutilização do antigo prédio da PM, que, agora se tornou um centro cultural. "A cidade ganhou um belo edifício de arquitetura antiga", disse, elogiando o trabalho de restauro realizado no prédio pela Secretaria de Estado e Cultura (SEC). "Ele também será muito importante porque vai abrigar importantes museus do Estado, como o Tiradentes, que tem peças adquiridas há mais de cem anos, entre elas a bandeira que os soldados amazonenses levaram a Canudos", comentou.

O ex-PM registrou a história da corporação na série "Memória", que foi lançada pelo governo do Estado em novembro de 2000. Ele também pretende lançar o seu livro "Administração do Coronel Lisboa", sobre a vida do também militar Adolpho Lisboa, no atual complexo do Palacete Provincial. O livro é um ensaio histórico que recebeu o prêmio Arthur Reis, concedido pelo Conselho Municipal de Cultura (ConCultura), por meio do projeto cultural Prêmios Literários Cidade de Manaus. 

PM continua no palacete

A Polícia Militar não foi totalmente retirada do prédio, após o restauro do Palacete Provincial. O secretário estadual de Cultura, Robério Braga, informou que o antigo gabinete do comandante, juntamente com todo o mobiliário original, como sofás, cadeiras, mesas, armários, além de objetos de arte, entre eles escudos, brasões, esculturas etc. foram completamente restaurados com o intuito de ser novamente utilizado pelo Comando Geral da PM em ocasiões solenes. "Da mesma forma que o governador Eduardo Braga recepciona chefes de Estado e outras autoridades no Palácio Rio Negro, o comandante da PM poderá realizar suas reuniões e receber convidados aqui no seu Gabinete", explicou Robério, destacando que a sala contém, ainda, a memória da PM. "Todos os boletins históricos da PM foram recuperados e agora estão disponíveis. A história da corporação está registrada aqui", frisou.

 Prédio teve várias utilizações

Antes de abrigar a sede do Comando Geral da PM, o Palacete Provincial teve várias utilizações. Ele começou a ser construído, em 1861, para ser a residência do empresário e capitão da Guarda Nacional Custodio Pires Garcia, que faleceu deixando a obra inacabada. Em 1867, foi comprado pelo presidente provincial José Bernardo Michilles para transformá-lo Paço Municipal.

No ano de 1873, o então presidente da Província (1873-1875) Domingos Monteiro Peixoto concluiu a obra para abrigar as várias repartições provinciais. Após um  ano, em 25 de março, com as obras concluídas, foram instaladas no edifício a Assembleia Provincial, a Repartição de Obras Públicas, a Biblioteca Pública e o Liceu Provincial – atual Colégio Amazonense D. Pedro II. Entretanto, a inauguração ocorreu somente em 28 de fevereiro de 1875.

Durante o governo de Eduardo Ribeiro (1892-96), o Palacete passou a ser o comando da Polícia Militar. Hoje, o prédio considerado um patrimônio tangível que foi tombado em conjunto com a Praça Heliodoro Balbi e o Colégio Amazonense D. Pedro II, encontra-se sob a proteção especial da Comissão Permanente de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico.

sábado, abril 02, 2022

CLUBE FILATÉLICO DO AMAZONAS (5)

Os últimos aficionados filatelistas marcaram para hoje uma reunião no Palacete Provincial. Não deu, as chuvas impossibilitaram o papo e as conversas que temos exercitado, na tentativa de soerguer o colecionismo de selos em Manaus. Aliás, percebemos que a filatelia vem passando por tempos complexos, acontecem em todo o país. De outro modo. observamos a prática de venda por ofertas, por preço fixo, de todo tipo de material, por leilão ou por sites individuais. Ou seja, o selo vem circulando de outra maneira, apenas entre os iniciados. O objetivo premente do CFA é despertar novos colecionadores, como alcançar se nem carta se escreve mais? Este desafio segue em nossa pauta.

Para ilustrar esta postagem, reproduzo material filatélico do acervo do colecionador Jorge Bargas. São miniaturas de classificador que a empresa brindava aos clientes de então. Outro recorte mostra o anúncio da loja filatélica pertencente ao saudoso Joaquim Marinho. E assim vamos vivendo de recordações. Quem sabe, um dia...

Circulado na revista Teminas - 1988

Dedicatória do vendedor Getzel - 1984

Miniatura de classificadores (em cores)





sábado, outubro 02, 2021

PMAM E SUAS MEDALHAS

 As condecorações na PMAM surgem muito tempo depois da criação desta Força, sabido que seu advento ocorreu em 1837. As primeiras medalhas estão datadas de 1976, portanto, às vésperas desta completar os 140 anos.

A inciativa aconteceu no comando do coronel EB Mario Ossuosky, que foi comandante da PMAM entre 1975-79. Lembrando que, durante o Governo Militar, as Polícias Militares foram comandadas por oficiais do Exército.

Saudoso quartel da PMAM, hoje Palacete Provincial, que
abriga o Museu Tiradentes e as medalhas postadas

1. Intitulada de Medalha Policial Militar, foi a primeira comenda estabelecida, pelo decreto 3395, datado de 31 de março de 1976, data comemorativa da implantação do Governo Militar. Sua destinação: recompensar os policiais militares por bons serviços. Atualmente Medalha de Tempo de Serviço, modificada pelo decreto 7030, de 24 de fevereiro de 1983.

2. A segunda comenda, de mesma data, a Medalha Candido Mariano, foi criada pelo decreto 3396, “destinada a agraciar os policiais militares da ativa que se distinguiam por atos pessoais de coragem e bravura.” Esta igualmente sofreu modificação, consagrada pelo decreto 7031, de 24 de fevereiro de 1983, que ampliou o agraciamento para “funcionários civis, secretário de Estado, oficiais de outras forças estaduais e das Forças Armadas, desde que oficiais superiores com mais de 25 anos de serviço”.

Medalhas descritas



3. Ainda na sequência, pelo decreto 3397, de 31 março de 1976, foi estabelecida a Medalha Tiradentes, para homenagear ao patrono das Polícias Militares do Brasil. Nesta primeira fase “cabia aos oficiais e praças da PMAM e de outras organizações”.

Outra data expressiva no estabelecimento de condecorações foi a de 24 fevereiro de 1983, no encerramento do comando do tenente-coronel EB Duailibe Mendonça. E da presença de oficiais da Força Terrestre nas polícias estaduais. Além das modificações citadas, outras comendas foram estabelecidas.

4. A Medalha Cruz de Bravura, consoante o decreto 7025, prossegue de abrangência geral, pois cabe tanto aos integrantes da corporação, quanto aos “militares das Forças Armadas, policiais militares de outras corporações e civis que, no cumprimento do dever, se hajam distinguido por atos excepcionais de desprendimento, espírito de sacrifício, coragem e bravura, com risco da vida.”

No entanto, a Portaria 236/AjG, de 17 de agosto de 1984, regulamentou a expedição.

Destacada medalha
da corporação

5. A seguinte, a Medalha Mérito Policial Militar, foi criada pelo decreto 7027, de mesma data, igualmente de alcance geral, premia aos policiais da própria corporação, que “tenham se destacado pelo valor pessoal, capaz de contribuir decisivamente com a projeção da PMAM, seja na esfera estadual ou federal. A condecoração é estendida a civis e militares que à PMAM “tenham prestado assinalados serviços”. Seu Regulamento foi expedido em Portaria 225/AjG, de 17 de agosto de 1984.

6. Com proposta de incentivar os alunos de cursos básicos policiais militares em todos os graus, ao longo da carreira, foi criada pelo decreto 7027/83, de mesma data, a Medalha do Mérito Ajuricaba – dedicação aos estudos. A regulamentação ocorreu pela Portaria 233/AjG, de 17 de agosto de 1984.

domingo, agosto 29, 2021

AMOSTRA FILATÉLICA EM MANAUS

 O Clube Filatélico do Amazonas (CFA), fundado em 1969, portanto com mais de 50 anos de existência, vem tentando se reabilitar. Os óbices são enormes: o selo postal há tempo perdeu sua maior utilização, são poucos aqueles que ainda escrevem uma carta (aliás, que é isso, companheiro?); a instabilidade dos Correios diante da prometida desestatização desta empresa; e mais, o desaparecimento dos filatelistas mais antigos. 

A nova geração, que me fez presidente do CFA, vem se esforçando para reabilitar a Filatelia no Amazonas, ou mais precisamente, em Manaus. Uma iniciativa que vai se estabilizando foi a abertura do Ponto do Colecionador na Feira da Eduardo Ribeiro, aos domingos.

Agora, neste mês de agosto, quando se comemora o Dia do Selo Postal, o CFA organizou uma Amostra Filatélica, realizada no Palacete Provincial. Fomos de 18 a 28 do corrente com o trabalho. Nossa inexperiência contribuiu com a pouca divulgação. Assim, o alcance foi reduzido. Todavia, serviu como ensaio, como aprendizado para o próximo voo, que deve acontecer no final do ano.

Encontro dos filatelistas no encerramento,
vendo-se parte do material exposto 

O tema Escotismo teve dois blocos, daí a
presença de escoteiros na exposição

O Clube agradece à Secretaria de Cultura do Estado e aos Correios pelo apoio disponibilizado. Na minha condição de presidente, agradeço aos filatelistas que se emprenharam na mostra:

Jordan Queiroz - Escotismo / Moysés Garcia - Disney / Jorge Bargas - Postais de futebol / Roberto Mendonça - Cartas circuladas / Adriel França - A Marinha na Filatelia / Cristiane Andrade - Moedas / Robervan Melo - Postais de Manaus antiga / Daniel Souza - Escotismo.

Jorge Bargas (acima) e Robervan (abaixo)


Adriel França (acima) e Roberto Mendonça (abaixo)


Nota: Efetuei uma adição nesta manhã de 30 de agosto.

segunda-feira, agosto 23, 2021

AMOSTRA FILATÉLICA AMAZONENSE


Ainda que os Correios passem por reformulação, repartição nacional ameaçada de privatização, o Clube Filatélico do Amazonas (CFA), originado em 1969, tenta sobremodo manter-se na superfície. De bubuia, resumiria o amazonense. Desse modo, depois de longa temporada quase inativado e da troca de seus dirigentes, o CFA promove a Amostra Filatélica Amazonense, abrigada no Centro Cultural Palacete Provincial. Sua duração vai até o próximo sábado (28), aberta a partir de terça-feira.

Aspectos da Amostra: (acima) Daniel Sousa e seus convidados.

                                      


Parte da exposição

Lamentável, mas a Amostra não representou o projeto que os associados conceberam e por ele foram à praça. Ficou aquém de nossos objetivos. Todavia, serviu para que os filatelistas em atividade, jovens promissores, abrissem seus arquivos, expusessem suas joias, e pudessem dialogar com os demais clubistas e visitantes. Serviu ainda para aflorar nossas deficiências, de maneira que, sanadas, o próximo evento obtenha melhor resultado.

 

A ilustração acima reproduz anúncio dos Correios, circulado na revista Manchete (setembro 1989) em edição especial, focalizando a “Amazônia, o desafio do futuro”.

quinta-feira, dezembro 24, 2020

NATAL, SEMPRE FESTA [4]

Ontem 23, o Clube Filatélico do Amazonas (CFA) reuniu seus associados, poucos, é bem verdade, em congraçamento natalino. Depois de muita conversa e declarações oficiais, chegou a notícia do decreto governamental destinado a proteger a cidade contra a covid19. A decisão atingiu fundo a Exposição elaborada pelo CFA, aberta dois dias antes.

Registro da festa natalina do CFA

Ficou decidido: hoje é ponto facultativo, amanhã 25, feriado nacional, o Palacete Provincial estará fechado. E no sábado, 26, começa a valer a decisão de que somente os serviços indispensáveis estarão abertos. Desse modo, a Expo deve entrar para o livro dos recordes: durou apenas 48 horas, abatida pelo covid19.

Painel da Exposição com material de Jorge Bargas

Aproveito para agradecer aos amigos filatelistas e de outros órgãos do Estado pelo apoio. Valeu, breve voltaremos.

Saúde e mais saúde neste Natal 2020!


terça-feira, dezembro 22, 2020

NATAL, SEMPRE FESTA [3]

 Aconteceu hoje a abertura da Exposição Filatélica promovida pelo Clube Filatélico do Amazonas (CFA), no Palacete Provincial. Aproveitando a festa do Natal, estavam expostas peças filatélicas de membros do CFA.








Aspecto da exposição no Palacete Provincial



segunda-feira, dezembro 21, 2020

NATAL, SEMPRE FESTA [2]

 Inda que claudicante, está pronta a Exposição Filatélica cujo tema é o Natal, sempre Festa. Para alcançar este objetivo, juntei-me ao Jorge Bargas, outro devotado filatelista e ao tema natalino, e obtive o auxílio dos Correios e do Palacete Provincial, onde a exposição acontece. 

Abre amanhã, 22 de dezembro, e fecha em 8 de janeiro.

 

Aspecto do material a ser exposto
(acima e abaixo)





domingo, dezembro 20, 2020

NATAL, SEMPRE FESTA [1]

Escrevi esta mensagem para integrar a Exposição Filatélica de Natal, oferecida pelo Clube Filatélico do Amazonas (CFA), do qual sou dirigente.
Vou continuar nesta semana publicando peças natalinas de minha coleção.

Envelope de 1º Dia - Natal 1989

  NATAL, SEMPRE FESTA

dezembro 2020

O RENOVADO CLUBE FILATÉLICO DO AMAZONAS (CFA) VOLTA A SE REJUBILAR NESTA FESTA, EXPONDO À COMUNIDADE MANAUARA O EMPENHO DE COLECIONADORES, OCASIÃO EM QUE SE CONFRATERNIZA COM QUANTOS VISITAREM ESTA MANIFESTAÇÃO NATALINA. 

A FESTA DO NATAL DESTE ANO – MACULADA PELA MOLÉSTIA – APROXIMA-SE SITIADA EM SEUS LEGÍTIMOS ENTUSIASMOS. AINDA ASSIM, REJUBILAM-SE TODOS E SE CMPRIMENTAM COM OS MEIOS DISPONÍVEIS. ENTRE ESSES, OS ELEMENTOS FILATÉLICOS QUE PROSSEGUEM RELEMBRANDO O NASCIMENTO DO MENINO JESUS. 

AGRADEÇO EM NOME DO CFA À DIREÇÃO DA AGÊNCIA FILATÉLICA DE MANAUS E AO CENTRO CULTURAL PALACETE PROVINCIAL, PELO REFORÇO VALIOSO QUE HARMONIZOU O PRIMEIRO AGITO DE NOSSA SOCIEDADE.

Roberto Mendonça, presidente do CFA

Envelope de 1º Dia - Natal 1985


NATAL, SEMPRE FESTA

OS integrantes do cinquentenário Clube Filatélico do Amazonas (CFA), em renovado entusiasmo, promove uma Exposição de Selos Natalinos no Centro Cultural Palacete Provincial, entre os dias 22 de dezembro a 8 de janeiro.

Diante da expectativa da desestatização dos Correios, que há mais de um século é responsável pela circulação de cartas e outros encargos, além da pandemia que assola o país, o movimento filatélico se tornou insipiente. Por isso, conto com você.

Apareça, venha visitar nosso espaço, seja para rever os itens de filatelista, seja para adquirir novos selos ou oferecer aquela “coleção” que dormita nos seus arquivos. Seja bem-vindo! 


Peças de minha coleção