CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

19 de setembro de 2012

Eduardo Ribeiro: 150 anos (ontem)



Recorte de A Crítica, de ontem
Ouvi um jornaleiro do Canto do Quintela dizer, diante da programação da secretaria de Cultura sobre Eduardo Ribeiro, que Manaus cresceu apenas com dois governadores, coincidência, ambos batizados de Eduardo. Mais coincidência: ambos forasteiros, ambos engenheiros, ambos senadores (um eleito, mas não empossado).
Estou me referindo à iniciativa cultural do Governo em relembrar os 150 anos de nascimento de Eduardo Ribeiro, o governador do final do século XIX (1892-96), início do período republicano.
Efetivamente o construtor do Teatro Amazonas marcou a cidade, ainda mais com sua morte (14 outubro), ainda em nossos dias inexplicável. O proprietário da chácara Pensador (hoje hospital de alienados), em Flores, era um homem solteiro, sem encargos, cercado de áulicos e bajuladores, que soube angariar e colecionar bens, dai que, ao morrer, legou uma expressiva riqueza.
Pertencente ao acervo do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), ali repousa o inventário judicial deste maranhense. Em bom estado, é possível ler com todas as letras o arrolamento de móveis e imóveis, de prataria e dragonas, de talheres e animais, enfim, a riqueza daquele morto valorizada em réis. Impressiona pela abundância, pela batelada.
Recorte do jornal A Crítica, de ontem
Mais impressionante, todavia, foi a maneira de sua “dilapidação” arrimada pela justiça. Ou seja, no inventario lê-se inúmeros recibos de cobranças, as mais estapafúrdias. A mãe do morto apareceu, vinda do Maranhão, e deve ter se contentado com alguma mixaria. Depois, sumiu, desapareceu da história, nos desvãos da mesma história. Não se conhece alguma notícia dela ou de qualquer parente.
Creio que houve o imperativo de apagar a presença de Eduardo Ribeiro, pois até o registro do óbito inexiste. Não foi realizado, portanto, não foi necropsiado. Explico: aquele ex-governador foi enterrado no cemitério São João sem que fosse expedido pelo 1º Cartório de registro da pessoa natural, então o único existente na capital, a certidão de óbito. Já estive na sede deste, agora na rua Leonardo Malcher, para recolher a segunda via, e necas... Não se diga que a folha foi suprimida, rasgada, arrancada. Não, aquele morto não devia ter amparo legal.
Tudo que lhe pertencia, registrado no substancioso inventário, evaporou, afinal o calor manauense deve ter essa propriedade. De tal modo que não existe qualquer objeto pessoal de Eduardo Ribeiro no museu que leva seu nome. Tudo acolá exposto foi adquirido fora de Manaus pela Cultura do Amazonas.
Não se engane, pois, caro jornalista ou eminente visitante com as aparências do museu. A Cultura com esta lembrança deseja explicar a existência da Casa de Eduardo Ribeiro como sede da Academia de Medicina do Amazonas.
Material de divulgação do Museu Eduardo Ribeiro,
publicado em A Crítica, de ontem