CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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domingo, setembro 13, 2026

POEMA DOMINICAL (45)

 A arte deste domingo pertence à Violeta Branca, a poetisa amazonense, publicada na revista Rionegrino nº 14, de novembro de 1929.



domingo, fevereiro 01, 2026

POEMA DOMINICAL (9)

Obra da minha visita à Biblioteca Mário Ypiranga, no CC Povos da Amazônia, compartilho um poema de Violeta Branca (1912-2000), publicado na revista Cabocla, em agosto de 1937. Com tal, volto a preencher o domingo com uma produção poética. 

Revista Cabocla, agosto 1937

Onde estás, meu amor? 

Em que mar distante tu estás, meu amor,/ que meu pensamento não te encontra?/ Em que porto de sombras/ o teu barco ancorou na noite erma?/ (...) Onde estás, meu amor,/ que a minha aflição e o meu sonho/ caminham em vão na asa do vento/ pelas distâncias sem te encontrar?

Dize-me onde estás/ e eu irei com o primeiro clarão do sol/ da madrugada que se aproxima azul,/ esperar-te amorosa, de braços abertos/ numa ânsia de voo e de abraços/ no silêncio branco/ da praia coberta de conchas e de sargaços.

Dize-me ande estás, meu amor,/ e eu irei boiando nas espumas alvas/ como uma estrela diurna iluminando/ um céu mais claro que os teus olhos verdes,/ esperar-te perdida/ no embalo da vaga/ que subindo alto/ te encontra e te afaga/ numa carícia dolorosa de amante arrependida.

Em que mar distante tu estás, meu amor,/ que o meu pensamento/ e o meu beijo/ não te encontram?

quarta-feira, março 29, 2023

SILOGEU AMAZONENSE & ACADÊMICOS

 A Academia Amazonense de Letras possui a galeria de seus acadêmicos cinquentenários - de vida acadêmica. Compartilhado de revista da Casa de Adriano Jorge vão expostos os quatro primeiros a conquistar este laurel. Outros já conquistaram: Elson Bentes Farias (2019) e William Rodrigues (2020) e, proximamente, Newton Sabbá Guimarães (abril 2023).


 

domingo, março 12, 2023

SILOGEU AMAZONENSE & ACADÊMICOS

 

Sede (ontem e hoje), Adriano Jorge, Jorge de Moraes e
Moacir G. Rosas (abaixo) 

(Sentido horário) Violeta Branca, Álvaro Maia, Ribeiro da Cunha,
 Agnello Bittencourt, Almir Diniz e Zemaria Pinto

Antisthenes Pinto (acima), Alencar e Silva e
Tenório Telles 

sábado, maio 01, 2021

POESIA NO DIA DO TRABALHADOR

Recolhi este poema de Violeta Branca (1915-2000) na revista Rionegrino nº 14, circulada em novembro de 1929, editada pelo Atlético Rio Negro Clube.

Violeta Branca - 1939

Extraido de Rionegrino, 1929

BUENA DICHA

Há muito tempo, numa tarde lilás de abril

veio uma cigana vivaz, olhos rasgados,

muito gentil

para ler a minha mão.

Disse, que eu seria feliz, teria glórias, amor,

que a minha vida toda, seria de esplendor.

Disse mais: o teu coração

será de um rapaz do Norte,

moreno... elegante... forte...

E foi-se embora, contente com a moedinha na mão,

a linda ciganinha, que era mesmo

uma tentação.

 

Tenho convicção,

que a ciganinha errou ao ler a minha mão,

e dizer que a minha sorte

estava num rapaz moreno do Norte;

pois dentro desta bela manhã azul,

sinto a minha vida muito presa

a de um rapaz louro, bem do extremo sul.

 VIOLETA BRANCA


sábado, setembro 30, 2017

POESIA DE JORNAL (I)

Sebastião Norões
Até recente, era corriqueira a publicação de poemas de variados matizes e de qualquer pretenso poeta local, nos periódicos. As revistas foram as primeiras a abandonar tal prática, porém, os jornais prosseguiram. Era habitual que, em datas consagradas à celebração, como Dia das Mães, jornais abrissem alguma página para acolher essa produção. Por óbvio, a maioria desse material se tornava “inédito”, e recolhido aos arquivos.

Catando papeis para postagem, recolhi uma “tonelada” dessas contribuições. Encontra-se material de bom número de notórios poetas (como a postagem abaixo evidencia), todavia, a maioria foi produzida por um caudal de autores desconhecidos.


Com este título, a cada semana, vou reproduzi-las com informações (quando obtiver) sobre o autor, quem sabe, possam estas estimular algum trabalho acadêmico ou doméstico.

Na postagem de hoje retirada da revista Redempção (outubro 1933), temos dois saudosos poetas: o criador, Sebastião Norões (1915-72), autor de Poesia frequentemente; e Violeta Branca (1915-2000), a homenageada.

Gigante que dorme

              Sebastião Norões


Para você, Violeta Branca,
num grande abraço de fraternidade poética.


Lá no sul,
bem perto do marulho constante
da baía mais bonita deste mundo,
dorme,
o seu sono de há muito tempo
o portentoso “Gigante que dorme.”

E a cidade,
(que a natureza enfeitou
como se fosse a sua noiva,
para que o estrangeiro
visse com os olhos bestas do panorama,
a mansão da bela Mãe-Natura),
serviu de companheira
ao gigante da serra!

Ela vigia
com os olhos de seus filhos,
— durante o dia,
e com os olhos lucientes de suas casas
— durante a noite,
o sono bom do “Gigante que dorme”!

Quando eu vejo o “Gigante que dorme”,
meu pensamento se encaminha para ti, Brasil,
porque tu és um gigante que dorme,
sem se incomodar com o teu futuro.
Gigante pela opulência do teu solo,
pela expansão infindável de teu território,
gigante pela tua força ainda virgem!

E tu vives a dormir.
De há muito o teu sono.

Gigante que dorme !

Mas há quem te vigie o sono,
e com os olhos pregados no teu corpo,
espera o teu acordar,
a tua ressurreição!

Um dia, Brasil — Gigante que dorme,
entre explosões de contentamento e jubilo,
ainda mesmo,
no meio de troar de fuzis,
e baquiar de corpos na luta,
tu serás acordado, por aquele teu filho,
(o general que ainda se espera),
que há anos,
              quis te acordar e não pode! 

quarta-feira, outubro 07, 2015

VIOLETA BRANCA

Recorte do jornal
Nascida em Manaus, em 1912, Violeta Branca Menescal de Vasconcelos será homenageada na Feira Literária do SESC, entre 8 e 12 do corrente.

Integrou a Academia de Letras do Amazonas, que a recepcionou em setembro de 1937 (leia o texto abaixo). Sem que o noticiário indique o local da festa. Por esse acontecimento, tornou-se a primeira mulher a ingressar em uma Academia de Letras no país. 

Retirando-se de Manaus em definitivo perdeu, por disposição regimental, esse galardão acadêmico. Uma década depois, atualizados os Estatutos da Casa de Adriano Jorge, a homenageada do SESC foi reincluída na Cadeira nº 28, do patrono Anibal Teófilo.

Violeta Branca morreu em 2000.


A FESTA DA ACADEMIA AMAZONENSE DE LETRAS (*)
 Realizou-se a festa de recepção da poetisa Violeta Branca Menescal de Vasconcelos, na Academia de Letras. Festa de arte, nada lhe faltou para ser uma grande hora musical, uma página de coloridos impressionantes, que se registrou na crônica das celebrações acadêmicas.
Salão cheio, repleto de elementos de alto valor social, ali estava a representação lidima do espírito da cidade, da alma encantadora e harmônica do Amazonas – terra virginal de beleza, terra de mistério e de maravilha. 
Na festa de Violeta Branca, na Academia, ela teve a consagração solene de seus méritos excepcionais, de suas qualidades rítmicas de inquieta alegria. Poetisa dos gestos heráldicos e das atitudes impressivas, a hora acadêmica em que se lhe deu ingresso no seio da imortalidade regional teve a cor e o movimento das grandes luzes meridionais. 
Logo depois de abrir a sessão, o presidente da Academia, Adriano Jorge, que o fez com a cintilação de sua palavra de cambiantes inesperados e realizações surpreendentes de beleza, deu a palavra à acadêmica Violeta Branca. 
Esta, assomando a tribuna sob uma demorada e calorosa salva de palmas, leu um maravilhosos poema em prosa, um discurso de sensibilidade, um fino estudo, delicado e gentil, destacando-se as figuras de Aníbal Teófilo e Raimundo Monteiro. Causando ótima repercussão de simpatia no auditório, foram-lhe as derradeiras palavras, como seguimento de seu entusiasmo, coberto de aplausos.Gentil Puget, as senhorinhas Maria Celeste Vieira e Yeda Menezes prestaram, então, com relevo próprio de seus temperamentos artísticos, o concurso de sua arte.
Teve a palavra em seguida, o escritor e acadêmico Pericles Moraes. O discurso do notável cultor das letras, eminente pensador amazônico, em que a pujança da terra se manifesta pela expressão de sua cultura, que é maior e mais vasta consagração  dos recursos literários das duas últimas gerações do Brasil, foi um hino de arte à glorificação da poetisa, cujos versos tiveram um exame detido e minucioso, pondo em segredo emocional de suas poesias, a saudade do mar, a nostalgia das grandes vagas, o temperamento de requintes com que a mesma faz os seus versos, nos quais a melodia está na arte dos assuntos e nas cambiantes da sua sensibilidade. 
O orador passou depois a estudar a personalidade de Aníbal Teófilo, de quem falou com calor e com entusiasmo de saudade e de reverência à sua memória, com os traços inconfundíveis da amizade e da admiração.
O discurso do escritor Pericles Moraes encheu de frêmitos de aplauso a assistência durante mais de uma hora e foi demoradamente aplaudido ao terminar.
O pianista Gentil Puget executou uma composição própria, que foi bastante festejada pela assistência. A graciosíssima e distinta senhorita Ines Roberti, com a expressão de sua graça elevada e brilhante, disse, então, alguns versos de Violeta Branca, aplaudidos calorosamente.

Encerrando festa, o presidente Adriano Jorge anunciou que o dr. Maximno Correa, honrando a Academia, iria executar alguns números de piano. O notável virtuose patrício, recebido por uma salva de palmas, executou um estudo de Backhauss e uma Fuga em ré menor.
E assim terminou a festa de Violeta Branca na Academia Amazonense de Letras, deixando a lembrança inesquecível de uma grande, de uma expressiva hora de imortalidade.


(*) O Jornal, 15 set. 1937

sábado, setembro 15, 2012

CENTENÁRIO DE VIOLETA BRANCA


Violeta Branca
Ocorre hoje o primeiro centenário de nascimento da poeta Violeta Branca, nascida na Manaus bellepoquiana. Era filha de José, oficial do Exército, e de Tarcila Hermínia Menescal de Vasconcelos.
Nenhuma festa, comemoração ou nota jornalística foi promovida pelos seus conterrâneos. Tampouco as entidades culturais, como a Academia Amazonense de Letras, que a acolheu em 1949, tornando-a a primeira mulher no Brasil a pertencer a uma academia de letras.

Apesar do Dicionário... de Almir Diniz, havia dúvida sobre essa data: criam os acadêmicos amazonenses que ela nascera em 1915, porque se dizia que a publicação de seu primeiro livro – Ritmo de inquieta alegria, ocorrera quando a jovem poeta possuía apenas 18 anos.
Não foi difícil sanar tal incerteza: visitei, isso mesmo, eu fui ao Cartório do 1º ofício do registro de pessoa natural. Lá se encontra o registro de Violeta (Branca, seria apelido doméstico? consolidado com o sucesso do primeiro livro?).

Moradora do Rio de Janeiro por anos, Violeta Branca representou o silogeu amazonense junto a Federação das Academias de Letras do Brasil, durante anos. Nesta cidade, morreu em outubro de 2000. Dois meses depois, a Casa de Adriano Jorge, na presidência de Max Carphentier, efetuou sessão solene para celebrar a primeira mulher acadêmica.

domingo, dezembro 19, 2010

VIOLETA BRANCA: A POETISA DO AMAZONAS


Violeta Branca, 1939
Ainda que tardia, aqui segue a minha contribuição ao trabalho da acadêmica Carmen Novoa em Violeta Branca: o poetismo de vanguarda, cujo lançamento ocorreu ontem na Academia Amazonense de Letras.

Compreendo o empenho da respeitada imortal na divulgação da obra vanguardista, da vida marcante de Violeta Branca. Também eu tento manter acesa a chama da lembrança de outro poeta, engolido pelo esquecimento. Cuido de padre Luiz Ruas ou mais semplesmente, de L. Ruas.
Sei quanto, apesar de minha dedicação quase diária, e na condição de “catador de papéis”, é difícil completar o trabalho. Imagino quanto ficou de fora sobre a poeta, quando sei que a autora teve apenas dois meses para editar seu livro.

A Tarde. Manaus, 19 fev. 1939

Espero, pois, que os papéis expostos colaborem na divulgação da arte da “poetisa do Amazonas” Violeta Branca.
A Tarde. Manaus, 19 fev. 1939







O texto e os recortes foram publicados no vespertino A Tarde, de Aristophano Antony. Implementavam a edição de 19 de fevereiro de 1939, quando o periódico comemorava o segundo ano de circulação.
A legenda da foto da homenageada sinaliza para outro mistério. Os poemas expostos fariam parte de outro livro – A festa da vida, que nunca veio a lume. Assim, temos a indicação de um quarto livro de poesia. O terceiro - Concerto a quatro mãos, Novoa tratou em seu livro.

Este último recorte recolhi de O Jornal, na coluna Velhos Tempos, de André Jobim. O poema de Violeta Branca circulara na revista Cabocla, em julho de 1936.

O Jornal. Manaus, 2 dez. 1962
EXTASE
Percorri os caminhos essenciais da alegria e do amor.
Pequei na embriaguez emotiva
dos sons, das cores
dos contatos e dos sabores,
na amarga delícia de fugir de meu próprio espírito,

para viver
a vida unânime dos sentidos.

Percorri os caminhos abertos às emoções humanas
na ânsia total

de desvendar o sortilégio da alma,
a aflição da carne,
o transcendentalismo do pensamento.

Percorri todos os caminhos,
rolei em abismos transfigurados,
pairei em surtos infinitos,
vivi ascensões vertiginosas
e descidas rápidas de estrela cadente,
quando, como uma alvorada luminosa,
que se abre
numa imitação rubra de rosas matinais,
eu percorria
os caminhos essenciais
da beleza e de esplendor,
vibrando, extasiada, na glória suprema de ser

a escrava pagã
da alegria e do amor.

sábado, dezembro 18, 2010

Academia Amazonense de Letras

O silogeu amazonense promoveu hoje mais uma manhã literária, com o lançamento de um livro da acadêmica Carmen Novoa. A sessão foi conduzida pelo presidente José Braga, que contou ainda com a participação do acadêmico Cláudio Chaves, diretor de Eventos da Casa.

Violeta Branca (1912-2000)

Estiveram presentes dez associados: Luiz Bacellar; Dom Luiz Vieira; Francisco Gomes; Max Carphentier; Abrahim Baze; Almir Diniz; Rosa Mendonça; além dos mencionados acima.

Abrindo a solenidade, o presidente Braga assegurou que a Academia “celebrava a vida” da poeta Violeta Branca. A seguir, falou o diretor de Eventos. Coube a este acadêmico apresentar o livro Violeta Branca: o poetismo de vanguarda. O livro para ele está lindíssimo e presta uma digna homenagem a saudosa integrante da Casa de Adriano Jorge.

Carmen Novoa (à esq.) e uma leitora
Encerrando a tertúlia, falou a autora da obra. Carmen Novoa ressaltou o corre-corre enfrentado para ultimar o livro, pois a publicação foi decidida em outubro passado. No Poetismo, além de textos de terceiros, encontra-se a correspondência mantida entre a autora e a homenageada. O livro foi distribuído em cortesia.

Capa do livro de Carmen Novoa