CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, outubro 22, 2026

CAMPANHA ELEITORAL - 1986


 Ao folhear jornais locais publicados na campanha eleitoral de 1986, destaquei este recorte do Jornal do Commercio: a atuação do governador Gilberto Mestrinho, conhecido por professor e Boto Navegador, entre outras alcunhas, em favor de seu indicado – Amazonino Mendes, que venceu ao Artur Netto.  

Alquimista 

 01 outubro 1986

Em campanha para fazer de Amazonino Mendes seu sucessor, o governador do Amazonas, Gilberto Mestrinho, diz que está apenas aquecendo as pernas para o próximo pleito majoritário, que espera enfrentar em maio do ano que vem. Ele acha que, nesse mês, estará disputando uma vaga de senador: Fábio Lucena, atual senador e candidato a uma das duas vagas disponíveis, se eleito vai renunciar ao mandato conquistado em 1982, juntamente com seus dois suplentes. O TSE deve marcar eleição para preencher esta vaga. Como Lucena é o favorito nas pesquisas, em 56 por cento de preferência, Mestrinho tem razão ao andar dizendo: — Estou pronto para a outra.

Será ele o candidato.

quarta-feira, outubro 21, 2026

CAMPANHA ELEITORAL

Estamos meio assombrados com a evolução da atual campanha eleitoral, em que os blocos de candidatos estão se digladiando de forma violenta, utilizando principalmente os meios virtuais. Recentemente, ao folhear jornais locais publicados há quarenta anos, ou seja, de 1986, destaquei recortes dessas edições para ilustrar esta postagem. Recordo que era período eleitoral, com a peleja pelo governo entre Amazonino Mendes (vencedor) e Arthur Netto. Assim como na corrida atual — em que Salazar apelidou Aziz de "capivara" —; na campanha de 1986 Amazonino comparou Arthur a um “curupira”. Também postei fotos de jovens candidatos, uns vitoriosos, outros, nem tanto, com destaque para o senador reeleito Plínio Valério.



Plínio Valerio - Jornal do
Commercio
- 1º outubro 1986


Jornal do Commercio, 1º outubro 1986

domingo, agosto 02, 2026

POESIA DOMINICAL (02)

 

Mensário nº 2, outubro 1996
Thiago de Mello, ilustração de 
Van Pereira


Na antemanhã da floresta Jorge Tufic me acompanha

             De moço me levaste a uma varanda / aberta para um céu feito de chão / coberto de                     palavras que inventavas / para que eu descobrisse o dom dos pássaros.

                        Na tarde de um aposento colorido, / rua Joaquim Nabuco, abriste a caixa / das                         goivas e formões com que domavas / os olhos e o perfil dos teus milagres.

             De mãos dadas, em frente aos Educandos, / no segredo das faixas aprendemos / as                     águas que navegam nosso peito.

             Temperos, tempo, estrelas e distâncias, / poderes foram com que me ensinaste                         / que castelos de bruma não se esfumam. 

                                                      Barreirinha, outubro 96


quarta-feira, setembro 24, 2025

SESQUICENTENÁRIO DA PM AMAZONAS

 Em 1972, às vésperas de comemorar o centenário, a Polícia Militar do Amazonas foi surpreendia por uma publicação do  saudoso mestre Mário Ypiranga, que expandia a idade desta corporação. Cuja criação ocorreu em 4 de abril de 1837, e segue sendo respeitada. Assim, o centenário desapareceu, passando-se a aguardar o sesquicentenário.

Esta data ocorreu no comando do coronel PM Pedro Lustosa (1987-89), por coincidência, foi este oficial que, quando da publicação do mestre Ypiranga, servindo na Casa Militar, estimulou ao governador João Walter a adoção da mencionada efeméride. Todavia, coronel Lustosa não foi capaz de realizar uma respeitável festa, limitando-se a reunir a imprensa, para assistir um culto ecumênico, e, ao lado do governador Amazonino Mendes, na praça da Polícia inaugurar uma placa comemorativa mequetrefe, sem brilho, ressaltando apenas os caciques da Segurança.


Quando da remodelação da praça e do antigo quartel da Polícia, a placa foi transferida para uma parede do Palacete Provincial, assim pois, segue abandonada pela corporação.


SOLENIDADE DOS 150 ANOS DA

POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS 

A Policia Militar do Amazonas terá, no prazo de oito meses, o seu destacamento de Cavalaria. A decisão foi anunciada ontem de manhã, pelo governador do Estado Amazonino Mendes e pelo comandante coronel Pedro Lustosa, durante as festividades do sesquicentenário da PM. Logo pela manhã, o comando da Policia Militar recebeu o governador Amazonino Mendes, o comandante da 12ª Região Militar, coronel Garrone, a Imprensa e outros convidados para um breakfast que foi servido em um dos salões do quartel do Comando-Geral.

Durante o café, Amazonino Mendes e o coronel Lustosa conversaram com os jornalistas, anunciando a ideia de formar um destacamento de cavalaria, “que é um tipo de policiamento já consagrado no mundo todo e que já foi usado pela PM desde os tempos de Canudos, em 1897”, disse o comandante.

ORDEM DO DIA

O restante da solenidade teve continuidade na praça Heliodoro Balbi, a conhecida praça da Policia, onde foi realizado um ato litúrgico com a participação de três segmentos diferentes de religiões: católica, hebraica e batista. Em seguida foi realizada a solenidade de incorporação da Bandeira Nacional e apresentação da tropa ao governador Amazonino Mendes.

Na leitura da Ordem do Dia, pelos 150 anos da PM, o coronel Lustosa disse que o acontecimento cívico-histórico de 4 de abril, marcava uma maior aproximação da polícia com o povo da terra. “A Polícia Militar - disse o coronel - tradicional vanguarda dos anseios sociais, pode assegurar orgulhosamente que não dormiu sobre os louros conquistados no passado”. De acordo com a Ordem do Dia, a evolução exige que a Polícia Militar do Amazonas caminhe junto à comunidade, “porque ao lado dela é o nosso lugar, para ela é dedicada nossa árdua, mas habilitante missão, a ela pertence o nosso sacerdócio”. Para tanto -- continua — necessário se torna que cada um de nós, milicianos amazonenses, resista às tentações enganosas, em benefício do prestigio de nossa profissão, em nome de uma tradição de 150 anos de serviço honrado e sem manchas”.

PLACA DE 150 ANOS

Durante a solenidade militar, foi descerrada, também, pelo governador Amazonino Mendes, uma placa de bronze, comemorativa aos 150 anos da Polícia Militar do Amazonas, afixada na praça, à frente do quartel do Comando-Geral. Ao fim da cerimônia, o comando ofereceu um coquetel aos presentes, quando o cel. Lustosa voltou a conversar com a imprensa. Ele considera que não existe qualquer desgaste na imagem da PM perante a comunidade: Pelo que me consta se disse o comandante -- não existe tanto desgaste assim. O que tem que haver é conscientização de cada um para se criar uma mentalidade profissional para exercer o sacerdócio sobre o qual acabamos de falar (referindo-se à Ordem do Dia).

Sobre a formação da cavalaria, segundo o coronel, será feita no máximo em 8 meses, uma vez que para formar um cavaleiro são necessários 4 meses. “E depois vem ainda o tempo para adestrar o animal e fazer as instalações. E isso é um elenco muito grande de pessoal e material”, lembrou o comandante. Sobre o pessoal de treinamento, o comandante Lustosa informou que os seus oficiais são formados na Academia onde recebem, também, instruções de cavalariano. “Nós temos oficiais com aptidões cavalarianas”. Sobre a aquisição de animais, o cel. Lustosa disse que a PM poderá buscar fora, talvez Minas Gerais, ou usar animais criados aqui mesmo.

sexta-feira, agosto 01, 2025

VIVALDO FROTA NA POLÍCIA MILITAR

 

Vivaldo de Barros Frota (1928-2015) abdicou do cargo de vice-governador para se candidatar a prefeito de Manaus, em maio de 1988. Em visita ao quartel da Praça da Polícia agradeceu aos policiais, na pessoa do comandante coronel Pedro Lustosa. Na ocasião, Frota delineou o vasto apoio que vem recebendo. Não obstante, Artur Virgílio Filho foi o vencedor das eleições, administrando Manaus entre 1989-93.

 

Recorte do Jornal do Commercio, 20 abril 1988, com foto
no Auditório do quartel da PMAM
 


O candidato do Governo a Prefeitura de Manaus, Vivaldo Frota, despediu-se do cargo de vice-governador, ontem pela manhã, onde as 10 horas foi homenageado pelo Comando-Geral da Polícia Militar (...) “Vamos ganhar com apoio de Amazonino Mendes, o governador que mais trabalhou e detém o maior índice de popularidade”, declarou Vivaldo. Disse ainda contar com o apoio de Gilberto Mestrinho, “líder carismático, lideranças mais expressivas da Assembleia Legislativa e do Congresso.”

“Novamente aceitei o desafio e vou tranquilo, pois não é possível que um prefeito de uma capital mantenha relações estremecidas com o Governo, pois é para manter o bem de todos que estou indo para a Prefeitura” concluiu Vivaldo Frota.

domingo, março 30, 2025

DA POLÍTICA AMAZONENSE

 Ao final do segundo mandato do governador Gilberto Mestrinho (1983-87), tudo indicava que o sucessor seria o vice-governador Manoel Ribeiro. No entanto, como os caminhos da política são imprevisíveis, foi eleito governador o jovem Amazonino Mendes (1939-2023), e para confortar ao Ribeiro, este foi eleito prefeito de Manaus (1985-88). A postagem mostra um "santinho" distribuído pelo prefeito Manoel Ribeiro.




segunda-feira, março 25, 2024

ANIVERSÁRIO DO IGHA

 Aniversaria nesta data o IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas), comemorando 107 anos de existência, posto que criado em 1917. A data é sempre festejada, quase sempre aproveitada para homenagear beneméritos, empossar novos acadêmicos, enfim, congratular-se e fixar rumos para o novo ano. Assim aconteceu há 30 anos, quando em sessão solene, sob a presidência do comendador Junot Carlos Frederico (falecido em 2002), a agremiação outorgou o título de Sócio Benemérito ao governador Amazonino Armando Mendes (1939-2023). Na mesma sessão de 1994, o Instituto acolheu com o título de Sócio Efetivo ao historiador e cineasta Luís Maximino de Miranda Correa (1935-2019), que ainda foi acolhido na Academia Amazonense de Letras em 2003, para ocupar a Cadeira 37. 

Salão de Honra do Instituto, destacando a cadeira presidencial

terça-feira, fevereiro 14, 2023

AMAZONINO MENDES (1939-2023)

Morto o cacique eirunepeense neste domingo (12), os amigos e admiradores despejaram nas redes sociais todos os tipos de encômios. Ele bem merece! Também vou entrar nesta linha, apenas lembrando alguns fatos pessoais, dos quais estive próximo ao falecido administrador. 

Governador AM, à direita (claro)

Antes, um detalhe histórico: Hoje em dia somente um preso político dos tempos do governo militar de 1964 encontra-se vivo para contar a história: o nonagenário Arlindo Porto. AM (Amazonino Mendes) era outro que passou pelo cárcere do 27 BC, hoje 1º BIS, na estrada de São Jorge. Ainda em novembro passado, pesquisando nos arquivos daquela OM (organização militar), vi a relação dos “comunistas” detidos no livro do oficial de dia. Outro seu parceiro não olvidei, o padre Luiz Ruas (autor do poema Aparição do Clown).

Travei o primeiro contato com o AM, quando este foi nomeado prefeito de Manaus, por vontade do governador Mestrinho, de cuja Casa Militar eu era major subchefe, em 1983. Na oportunidade, uma invasão se apossava das terras junto ao igarapé do Crespo. O prefeito AM montou uma força-tarefa para equacionar o desastre fundiário. Fui indicado pelo governador para integrar esta comissão. Assim, estive em algumas reuniões, mas logo percebi que o prefeito não estava interessado em obstar seus futuros eleitores. Tanto que a invasão se concretizou. 

Em 1997, no centenário da Campanha de Canudos, da qual a força policial do Amazonas participou, editei o livro Candido Mariano & Canudos, cuja impressão foi encargo da EDUA (Editora da Universidade do Amazonas). Para maior brilhantismo da festa que –em recordação de Canudos– anualmente a PMAM realiza, sugeri ao comandante-geral uma gradação da Medalha comemorativa e os nomes, um elenco enorme de nomes para ser agraciados. O coronel comandante foi ao governador AM, que simplesmente mandou a relação dos indicados para o lixo e, de próprio punho, escolheu uma dúzia de “amigos do rei” para a premiação.

Indignado, escrevi uma malcriação a respeito da solução governamental e a remeti à seção Cartas, de A Crítica, que a publicou. E fiz mais, de teimosice, não compareci à solenidade alusiva na Praça da Polícia.

Enfim, quando fui agraciado com a Medalha Tiradentes da PM estadual, tive a ventura de recebê-la das mãos do governador Amazonino Mendes, em seu segundo mandato (1995-98). Desde então, eu virei seu fã.

Como aprendi no seminário: Requiescat in pace, AM.

domingo, setembro 26, 2021

VISITA ILUSTRE

 Esteve em visita a Manaus na condição de presidente da Embratur, o atual governador de São Paulo - João Dória. Recebido pelo governador do Amazonas Amazonino Mendes e demais autoridades. A festança foi noticiada pelo Jornal do Commercio, de 1º de novembro de 1987. A coluna social mostra diversas figuras bem conhecidas da capital amazonense.




domingo, agosto 22, 2021

REVISTA DO ISEA - 1987

 Ignoro o fim do ISEA (Instituto Superior de Estudos da Amazônia) inaugurado há 34 anos, em 10 de agosto de 1987, por iniciativa do governador Amazonino Mendes. Restou o prédio centenário que serviu de sede, ainda que transformado em Teatro da Instalação, que a pandemia tornou inativo.



O encargo pelo funcionamento do ISEA era dos governos da região amazônica, conforme descreve a revista ISEA, circulada por ocasião da inauguração do instituto. Na página aqui postada se pode anotar os nomes dos bravos governantes. 

 

Relação dos governadores da época


Na revista, foto do
ISEA

Um prédio construído no século passado, mas que foi totalmente restaurado, na rua da Instalação, é a sede do (ISEA). Tombado pelo Patrimônio Artístico e Histórico do Estado, o prédio seria transformado no Museu da História do Amazonas, ao lado do casarão onde se instalou a Província após a emancipação do Pará (hoje, em frente, funciona a chamada Feira das Frutas). Entretanto, as obras de restauração foram paralisadas há alguns anos e agora reativadas para a instalação da sede do ISEA.

A restauração dotou o edifício de sistema de ar-condicionado, elevador, hall, sala de espera, salão nobre, copa, subestação de energia elétrica, sala de imprensa, sala de apoio e um auditório com capacidade para 266 cadeiras, setor de Bibliografia e Documentação.

Quando funcionava há cerca de 20 anos, no prédio havia sapataria, relojoaria, a drogaria do "Velho Azaro" e até motel, mas antes de ser tombado serviu como residência.

A mencionada publicação traz, entre outros informes, a relação dos hotéis então operando em Manaus. 

Página da Revista do ISEA


sexta-feira, janeiro 01, 2021

1º JANEIRO

Vou elencar algumas datas “redondas”, como costumam denominar os historiadores e seus discípulos, que ocorrem neste ano de 2021. Valho-me da sinopse que realizei, quando intentei escrever as efemérides amazonenses. Quanta pretensão, mas vai indo.

Nesta primeira etapa, vou relembrar os governantes que assumiram no primeiro dia do ano. Convém salientar que a posse de governador, no início da República, foi estabelecida pela Constituição para o dia 23 de julho. Adiante, a data recuou para o dia 31de janeiro, até que em novo recuo é realizada hoje, como acontece com o prefeito David Almeida.


Amazonino Mendes e David Almeida, prefeitos de Manaus
   

1913 – Toma posse no governo do Estado, Jonathas de Freitas Pedrosa, médico nascido na Bahia.

1917 – Empossado no governo de Estado, Pedro de Alcantara Bacellar, outro médico, outro baiano seguidamente na sede governamental.

1921 – Toma posse na chefia do Poder Executivo, o bacharel César do Rego Monteiro, nascido no Piauí, graduado pela Faculdade de Direito do Recife, desembargador do TJA e seu presidente. Seu período governamental foi encurtado pela Rebelião de Ribeiro Júnior (23|07|1924).

1926 – Tomam posse no governo do Estado, Efigênio Salles, natural de Minas Gerais, e, na prefeitura da Capital, o dr.  José Francisco de Araújo Lima.

1930 – Empossado na chefia do Poder Executivo, o doutor Dorval Pires Porto, nascido no Rio Grande do Sul, tendo sido prefeito e deputado federal.

1999 – Posse de Amazonino Armando Mendes, governador reeleito.

2003 e 2007 – Posse de Carlos Eduardo de Souza Braga, no posto de governador do Estado.

 

quarta-feira, junho 26, 2019

EIRUNEPÉ (AM)


Em Eirunepé, a posse do prefeito Armando Mendes (genitor do governador Amazonino Mendes e patrono de bairro na capital), em 1951, foi de festa imponente. Afinal, contou com a presença do governador Álvaro Maia e comitiva. Nesta, incluído o prefeito de Manaus.
Além desses conhecidos, veem à lembrança membros da família Conrado, que exerceu domínio político na localidade; Amauri Thomaz, cujos filhos seguem operando na capital. Enfim, o nome de Anísio Mello, então Promotor Público, inaugurando o seu serviço público.
As fotos foram extraídas de O Jornal (perdão pelo lapso, pois somente anotei o ano - 1951).





Ao alto — O líder político João Quadros sendo abraçado pelos srs. Armando Mendes e João Conrado, logo após a posse do Prefeito. Aparecem ainda, à esquerda, o seringalista João Domingos e outras pessoas.
Em baixo — Grupo tomado no salão de honra da Prefeitura, depois da posse, no qual aparece o governador Álvaro Maia em companhia de sua comitiva e dos srs. Armando Mendes e dr. Edson Araújo, juiz de Direito da Comarca, e a senhorita Acy Conrado, filha do seringalista e chefe pessedista João Conrado.




Ao alto — Logo depois de empossar-se, o prefeito Armando Mendes é abraçado pelo governador Álvaro Maia. Aparecem ainda na foto, da esquerda para a direita, os srs. dr. Bandeira de Melo, prefeito de Manaus, agricultor Pedro Viriato, vereador João Conceição, promotor Anísio Melo, seringalista João Carioca e outras pessoas.
Em baixo — aparecem os vereadores municipais recentemente eleitos e empossados. Da esquerda para a direita: Sebastião Monteiro Albuquerque, Amauri Thomaz (PTB), João Conceição, Luiz Sidou (presidente) e Alcides Barbosa.


sábado, março 26, 2016

CENTENÁRIO DO IGHA: NOTAS (6)


Sede do IGHA, março 1996 
Este Instituto, inaugurado em 1917, seis anos depois empenhou-se nas comemorações do 1º Centenário da Independência do Brasil que, no Amazonas, possui data bem diferenciada. Ao que tudo indica, a pretensão do IGHA foi acolhida, e a Praça 9 de Novembro foi implantada e conservada.

Todavia, há mais de dez anos desapareceu, pois, em seu lugar restam somente tapumes aplicados pela Prefeitura de Manaus. Resta lembrar que este abandono já consumiu três governos municipais: Serafim Correa, Amazonino Mendes e, em final de mandato, Arthur Neto.


Ofício do IGHA (*)

Ofício de 8 do corrente, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, o qual, a requerimento do Sr. Intendente Marçal Ferreira, transcreve-se na ata:

Exmo. Sr. Dr. Presidente e demais membros do Conselho Municipal de Manaus.
Este Instituto empenha-se em dar realce às comemorações, que se projetam, para o dia 9 de novembro próximo, 1º centenário da adesão do Amazonas à Independência Nacional, bem assim o momento em que ergue o lábaro da sua autonomia, como parte integrante da nova e esperançosa nacionalidade.

Trata-se de uma data a que não podem ser indiferentes todos os bons amigos desta terra, pois assinala um evento importantíssimo da nossa evolução política, porque tanto se bateram os nossos maiores. Os predicamentos de liberdade, que hoje gozamos, foram obra sua. Seus nomes não devem ficar esquecidos, no meio das homenagens que se vão tributar ao nosso passado.

Seria uma falta de civismo deixar no olvido as nossas efemérides queridas, que são as provas do nosso orgulho e o sinal das nossas expansões de gente civilizada.

O Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, desejando concorrer para a exaltação de uma data tão significativa para nós, resolveu, em sessão de ontem, fazer um apelo à V. Exas., no sentido de substituir o nome da atual praça Tamandaré pelo de “9 de Novembro”, passando a dar o nome daquele ilustre e denodado almirante à rua que está designada de Tenreiro Aranha.
Não desaparecerá, da nossa urbe, o nome do primeiro Presidente do Amazonas, pois já tem uma praça a lembrá-lo, além do monumento em bronze que, ali, a nossa gratidão fez implantar. Não há necessidade de duas denominações idênticas, dentro de Manaus.

Não desaparecerá o nome de Tenreiro Aranha, e ficará perpetuado, como um padrão de civismo, o dia 9 de Novembro.

O Instituto não se contenta, somente, com este alvitre: pede ainda permissão para inculcar no patriotismo de V. Exa. a ideia de um monumento comemorativo, na aludida praça, porque foi exatamente nesse local que se proclamou, há um século, a autonomia da Amazônia, pela voz dos defensores da sua liberdade.

E' este o respeitoso apelo, que faz ao Poder Legislativo da cidade, certo da sua benemérita interferência nessa solidariedade de espirito e de coração do Povo Amazonense.

Aproveitamos o ensejo, em nome do Instituto, para saudar a V. Exa. e patentear nosso mais alto apreço e subida estima.

(aa) Bernardo de Azevedo da Silva Ramos, Presidente
Agnello Bittencourt, 1º Secretario.  

(*) Diário Oficial do Estado, 9 out. 1923

sábado, janeiro 18, 2014

CORONEL WILDE BENTES (3)


Governador Amazonino Mendes (à  esq.) em
solenidade no comando do coronel Wilde
Bentes
Para recordar o coronel Wilde Azevedo Bentes, ex-comandante da Policia Militar do Amazonas, reproduzo a página do jornal TRIBUNA DE ÓBIDOS, que circulou no 2º trimestre de 2000, editado pelo jornalista Paulo Onofre Lopes de Castro, para saudar aquele “filho da terra”.
Como é fácil observar, desde a circulação mais de uma década já se escoou e muita água passou sob a ponte Rio Negro, de sorte que esta transcrição sofreu pequenos acertos de rumo.
Esta é a terceira e última parte.

 OS ESTUDOS
 

Em Óbidos, Wilde Bentes fez o primário na escola José Veríssimo e, como seus pais eram muito religiosos e frequentavam normalmente a igreja, decidiu, aos doze anos de idade, ir para o Seminário, em Campina Grande, na Paraíba, onde só passou um ano e meio, pois descobriu que aquela não era sua verdadeira vocação. Voltou para Óbidos e, em seguida, foi estudar em Belém, no Colégio Nazaré, onde concluiu o Ginásio. No Colégio Paes de Carvalho fez o científico e, em 1966, foi convocado pelo Exército. "Fiz tudo para não servir, entretanto fui o terceiro a ser escolhido. Confesso que eu não gostava da vida militar, de jeito nenhum", enfatiza.

Como já tinha concluído o colegial, Bentes foi para a Escola de Formação de Oficiais, em Belém, que fica ao lado da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré. No decorrer do curso ele começou a gostar da carreira militar, mas, mesmo assim, ainda tinha um pouco de rejeição.

Ao concluir o curso para oficial do Exército, no final de 1967, passou em 3° lugar e teve o privilégio de escolher onde queria fazer o estágio de três meses, que era obrigatório. Os amigos queriam que ele ficasse em Belém, mas havia uma vaga em Manaus. "Aí eu disse: eu quero essa vaga. Meus companheiros me chamaram de doido, pois nessa época eu tinha passado no vestibular para bacharel em Administração, na Universidade Federal de Belém, mas eu já estava tão empolgado com a vida militar que não me matriculei na faculdade e vim embora para Manaus, onde fiz o estágio e conclui o curso em janeiro de 1968", recorda Bentes.

Nessa época o comandante do 27° Batalhão de Caçadores lhe pediu para fazer o Estágio de Serviço, que tinha a duração de quatro anos, com a finalidade de seguir a carreira militar. Ele retornou à Belém, já com o ofício em mãos e se apresentou no comando da 8ª Região como aspirante a oficial. Uma semana depois retomou à Manaus, para fazer o Estágio de Serviço, trabalhando na parte operacional, como tenente, no 1º BIS, do 27º BC (confusão do jornalista, pois as duas unidades são a mesma).

Em 1969, o então tenente Wilde Bentes fez o Curso de Guerra na Selva, com duração de uma semana, no complexo de treinamento do Exército, situado no Puraquequara. "Nós éramos um grupo de cinco oficiais”. No curso de sobrevivência na selva todo mundo é aluno, com deveres e obrigações. Tínhamos que andar impecavelmente uniformizados em plena floresta. Fizemos o nosso próprio tapiri para servir como Quartel. Nós não comíamos absolutamente nada, porque não tinha o que comer. Não aparecia nem uma paca, nada, nada.

Certa vez, lá pelas tantas, quando voltávamos para o acampamento, escutamos o som característico de um papagaio. Coitado dele, conseguimos derrubá-lo para
saciar a nossa fome. A nossa panela era o cantil onde esse papagaio foi fervido durante quatro dias e cada um dava uma mordida, pois o bicho era duro de comer. Nunca pensei em ter um papagaio como refeição, mas, em nome da sobrevivência, fui quase forçado a degustá-lo, tirando gosto com tapuru de coco e cobra. Eu não estranhei muito porque sou da região. Na realidade, nós só viemos a comer no quinto dia, mas quem matou a nossa fome foi o leite de amapá, foi a nossa sobrevivência.

Na nossa equipe havia um oficial americano que reclamava balbuciando barbaridades, tudo em inglês, e ninguém entendia nada, mas a gente sentia que ele não estava satisfeito. Todo dia ele decorava uma palavra em português e as que ele mais repetia era "obrigado" e "comida" (risos)... Mas era um cara muito extrovertido, pois reclamava muito com o que não estava acostumado, principalmente com os mosquitos. Era meio medroso, quando escurecia não ficava só no tapiri, de jeito nenhum", recorda.

Ao concluir seu estágio em 1972, o comandante do BIS – onde Bentes servia –, Paulo Figueiredo (pernambucano que chegou a general), foi convidado para comandar a Polícia Militar. "Incisivo, ele chegou comigo; botou as duas mãos nos meus ombros e disse, na minha cara: Você vai comigo! Ponderei que não queria ir para a Polícia Militar porque eu tinha passado novamente no vestibular para Administração, em Manaus, e queria me formar, mas ele foi intransigente ainda, dizendo que eu era o seu braço direito e ele não conhecia ninguém lá dentro.E, em 1972, eu fui para a Polícia Militar do Amazonas. Fiz o concurso, passei e entrei como tenente, de novo. A partir daí fui galgando os postos, graças a Deus.

Faz três anos que Bentes não vai a Óbidos, mas sempre está tendo notícias de lá. "Tenho contato com Óbidos através de meu cunhado, que é um marchante que compra gado em Óbidos e Oriximinã”. Ele tem uma verdadeira ojeriza à política. Conversamos sobre lazer, família. Segundo ele, a economia de Óbidos estagnou, comparando os dados de hoje, pois comprava muito gado no Paraná da Dona Rosa.

Mesmo “de pijama”, como gosta de frisar, Wilde Bentes guarda boas recordações da Polícia Militar, onde passou a maior parte da sua vida, mas avalia que a corporação tem dois grandes problemas: falta investimento e profissionalismo "Até acho que saí mais da PM, em função desses problemas, pois eu debatia muito o desvio de finalidades", avalia o coronel, analisando que o soldado, ao ingressar na Polícia Militar, vai com a intenção de pegar um bico fora ou ficar à disposição de uma secretaria, de algum órgão, para aumentar seu soldo e não se dedica com exclusividade para as atividades da Polícia, quando ele deveria estar na rua, prevenindo a ação.

Segundo o coronel, se for comparado o salário de um militar com o de um civil, que está exercendo função equivalente, chega-se à conclusão que ele não está ganhando tão mal, ressaltando, entretanto, que o militar coloca em risco a vida dele, da família e ainda está sujeito à hierarquia e disciplina rígidas.

Analisando as denúncias, feita em cadeia nacional de televisão, por um policial de São Paulo, acusando que desde o coronel até o soldado cheira cocaína, Wilde Bentes interpreta que, infelizmente, o ser humano está passivo desses erros. "Eu concordo que o militar, que tem o dever de guardar, de proteger e de garantir a segurança de outras pessoas, não pode ter problema nenhum como corrupção, contravenções e uso de drogas", analisando que o policial deve fazer todos os
anos, exames antidoping, de sanidade mental e psicológico, porque ele vai usar uma arma.

Hoje ele pode estar bem, daqui a um ano, pode ser outro, completamente diferente. O comando precisa encontrar uma saída para adaptação do policial que, em alguns casos, mora ao lado do marginal. Para isso, ele defende a construção um sistema de habitação para PMs.

Quando aconteceu (sic) as denúncias de corrupção dentro da Polícia Militar, Wilde Bentes já tinha pedido a sua aposentadoria. "Eu fiquei surpreso e me prontifiquei a
colaborar, mas nunca me chamaram a dar algum depoimento. Eu não sou a palmatória do mundo, mas sempre procurei desempenhar as minhas funções com respeito, com dignidade, com competência e, sobretudo, como exemplo a ser seguido”. Eu até hoje falo com o Governador, pois já trabalhei junto com ele, me dou bem com os Secretários.

Depois de 33 anos de trabalho, Wilde Bentes se diz feliz e realizado profissionalmente, embora sinta falta da caserna. "Nunca tirei licença, sempre me dediquei exclusivamente para o meu trabalho, procurando sempre fazer o melhor, bem feito”. Indagado se tem vontade de voltar para Óbidos, já que está aposentado, Bentes diz que sim, mas seus filhos não querem porque estão fazendo Faculdade. Se tivessem que sair de Manaus, escolheriam Fortaleza.

Em 1996, já como coronel, Wilde Bentes foi convidado para ser o chefe do Estado-Maior da Polícia Militar, onde exerceu a função durante oito meses, na administração do governador Amazonino Mendes. Em 14 de março de 1997, para sua surpresa, já que não tinha pedido cargo a ninguém, leu no Diário Oficial sua nomeação e quando chegou ao Palácio do Governo já era o novo Comandante-Geral da Polícia Militar do Amazonas. Ficou nessa nova missão até novembro e, em dezembro do mesmo ano, novamente foi surpreendido com a sua nomeação para secretário de Estado Chefe da Casa Militar. "Em março de 1999, a meu pedido, fui transferido para a reserva, por tempo de serviço”, finaliza o futuro médico, balançando em sua poltrona, saboreando uma “loura gelada”, socialmente, no bom sentido, claro.