CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

17 de setembro de 2012

O “Amazonas” - fundador da imprensa no Amazonas


 
Ainda do livro A Imprensa no Amazonas, editado pelo governo do Estado, em 1908, para celebrar o primeiro centenário da imprensa no Brasil, recolho o material sobre o fundador da imprensa em Manaus.
Detalhe da capa do livro
 
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Redigiam o Amazonas, por essa época, os drs. José Maria de Albuquerque Mello, então Chefe de Polícia, e Luiz Coutinho, Bento Aranha, professor público, e Antônio Cunha Mendes.

O primeiro suplemento apareceu acompanhando o número 10, de 8 de setembro, ainda de 1866, declarando o Amazonas em sua edição de 15 do referido mês, o seguinte: Expediente. Tendo nós contratado com o governo da Província o expediente oficial, temos de fazer publicar o “Amazonas”, em todas as quartas-feiras, de tarde, o que declaramos para ciência dos nossos assinantes e mais pessoas a quem possa interessar.

No seu número 12, de 18 de setembro, começou a publicar o expediente do governo da Província, mediante o contrato que firmara o seu proprietário para tal fim.

A 2 de janeiro de 1867 foi publicado o segundo folhetim de Baré Manao, estando a folha no seu número 20, entrando, por esse tempo, para a redação o dr. Manoel José Domingues Codeceira, secretário do governo da Província. No número 34, de 6 de fevereiro, surgiu a seção “Revista Mensal”, de Aldeão, contendo o resumo dos fatos mais importantes do mês anterior. O pseudônimo Aldeão era usado pelo dr. Luiz Coutinho que, com Bento Aranha, se revezava na feitura dessa crônica.

Na data acima a tipografia fundiu-se com a da Voz do Amazonas, declarando o então Amazonas que, desde então, os assinantes daquele periódico receberiam este, ficando considerados como assinantes seus, salvo declaração em contrário. (...) A 4 de abril de 1867, com o número 43, mudou o formato do título, tornando-se órgão oficial a 1º de maio, com o número 48. No número seguinte, de 8 de maio, retirou a declaração de ser órgão oficial.

Contava então o semanário com a colaboração de Antônio Epaminondas de Mello [presidente da Província]; Romualdo de Souza Paes de Andrade; Antônio David de Vasconcelos Canavarro [médico] e Domingos Soares Ferreira Pena. A 28 de abril, Antônio da Cunha Mendes firmou o segundo contrato com o presidente da Província, Antônio Epaminondas de Mello, e a 24 de maio assinou com a mesa da Assembleia Provincial outro contrato para a publicação das atas das sessões.

A 13 de junho o Amazonas passou a ser propriedade da firma Antônio da Cunha Mendes & Filhos e, em novembro, a tipografia, que funcionava à rua 5 de Setembro [atual Henrique Martins] nº 4, mudou-se para a rua Brasileira [hoje Sete de Setembro], casa próxima a ponte do Aterro, hoje praça da Constituição [praça da Polícia].

A 29 de fevereiro de 1868 principiou a inserção dos folhetins intitulados “De fio a pavio”, de Guilherme Trovoada, entrando, nessa época para a redação o então capitão do exército Estevão José Ferraz [na condição de deputado provincial foi o autor do projeto que recriou a Polícia Militar no Amazonas, em 1876].

No mês de março, a tipografia foi mudada para a rua da Palma (hoje Saldanha Marinho), canto da travessa da União (hoje rua Affonso de Carvalho) [agora rua Rui Barbosa]. A 26 de junho foi renovado o contrato com a Assembleia Provincial e a 29 de agosto, o sr. Cunha Mendes retirou-se da cidade, substituindo-o nos seus serviços na folha o administrador das oficinas, Raymundo Pereira da Silva Lobo, cognominado O Capucho. Por falta de papel de impressão, o semanário diminuiu o formato a 3 de outubro, voltando ao tamanho primitivo somente a 26 de setembro de 1869. (segue)