CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

18 de maio de 2011

Abastecimento de água em Manaus (II)

Manaus. Praça dos Remédios, início
do século XX
A despeito dos entraves, a distribuição de água em Manaus estava funcionando. Em 1900, o governo de Ramalho Junior preocupa-se com essa problemática, determinando a Inspeção da Higiene Pública que proceda a averiguação da qualidade da água fornecida.


Dr. Alfredo Augusto da Matta, chefe desta repartição, reconhece que não há como manter a pureza da água, pois o manancial onde se coleta não oferece condições, exposto “inteiramente ao recebimento de detritos vegetais e orgânicos”. Não pode ser água pura nem oferece vantagem para utilização, conclui o saudoso médico.

Lembrando que o manancial a que se refere Dr. Alfredo da Matta é do igarapé da Cachoeira Grande (que hoje escoa sob a ponte de São Jorge). Suspeitava aquele clínico que ali se encontrava um dos motivos para as doenças que acometiam os moradores da cidade, especialmente na época “invernosa”, ou seja, chuvosa.

Diante dessa grave circunstância, sugeriu que a água, antes de chegar às bicas e torneiras, deveria passar por um processo de filtragem. Mas, como evoluir, como implantar tais recursos, se a água servida pela canalização era reclamada pelo excessivo custo? Usufruir desse progresso era privilégio de poucos.

A origem das doenças não se restringia unicamente a tomada de água, outro problema crítico era o destino de águas utilizadas nas residências. Estas escoavam para as ruas. E outro ainda mais agudo, as privadas (latrinas) sem escoamento.

Reservatório do Mocó, início do séc. XX

Portanto, o trabalho da Higiene Pública era dobrado, necessitava implantar as medidas científicas, mas esbarrava no cofre do governo. Diante do descalabro, o governador Ramalho Junior encarou a questão do destino do material de esgoto. Onde descartá-lo? (segue)