CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

9 de maio de 2011

Os Bombeiros do Amazonas (XVII)

No início de 1982, na turma de praça especial incluída na corporação, foram selecionados para os bombeiros, quatro: Carlos Bacelar Martins Costa, nascido em 1958; e seu irmão Raimundo Jeodar Martins Costa, em 1960, ambos de São Felix de Balsas (MA); Reginaldo Lima de Souza, de Manaus (AM), nascido em 1962; e Salim Soares dos Santos, nascido em Manaus, em 1959, matriculados na EFO do Corpo de Bombeiros de Brasília (DF).

Coronel Dias


E, em dezembro, apresentaram-se dois concludentes da mesma EFO/DF, os aspirantes José Carlos Cardoso e Antonio Dias dos Santos, que marcaria sua carreira na corporação. O aspirante Dias, jovem simpático, promissor jogador de futebol, nasceu em Boa Vista, ao tempo do Território Federal do Rio Branco (1960). Em janeiro de 1977, enfrentou por três dias a então carroçável BR-174 até Manaus para enfrentar na Escola Técnica Federal do Amazonas o curso secundário e o de Técnico em Edificação de Estradas. Vencida essa etapa, não desperdiçou as chances: em 1980, matriculou-se nos vestibulares públicos da cidade. Passou em todos: para o oficialato da PMAM; em Matemática Plena, da então Universidade do Amazonas, e para Engenharia de Estradas na Universidade Tecnológica do Amazonas (Utam). Diante dos resultados, optou pela Polícia Militar, afinal sairia de Manaus para estudar e, melhor ainda, auferindo um soldo convenhamos de bom porte.

Conquistou a Academia dos Bombeiros de Brasília (DF) em 2º/14 (segundo lugar entre quatorze alunos), e devido a média obtida, assegurou o 1º lugar de sua turma, na Polícia Militar do Amazonas. (Esclareço que os bombeiros amazonenses, como em todo o País, estavam subordinados à Polícia Militar, a qual disciplinava a formação de seus oficiais). Nos Bombeiros, o aspirante Dias começou nomeado Tesoureiro (o cofre abastecido pela Prefeitura de Manaus fora lacrado), para gerir diminuta dotação fornecida pela PMAM; Almoxarife e Aprovisionador, encarregado da alimentação do pessoal. Algum tempo depois, em 1986, tenente Dias foi escolhido com outros policiais para dar partida à informatização da Polícia Militar, que encarava ainda que a passo o mais enfático desafio do final do século XX. A equipe (restaram dois) estruturou-se nos cursos da Prodam (Processamentos de Dados do Amazonas).
Indicativo do quartel dos Bombeiros do Amazonas
Mas, as maquinações da informática quase desestabilizaram este bombeiro. Depois de bem ponderar a situação, em 1995, o então major Dias voltou às atividades policiais, primeiro enfrentando o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na PM de Goiás. Em seguida, passou pelo 7º BPM, sediado no Distrito Industrial, e pelo 5º BPM, responsável pela segurança da Compensa. Enfim, estando no 6º BPM, instalado no Mutirão, teve que tomar outra séria decisão: permanecer na Polícia Militar ou transferir-se para o Corpo de Bombeiros, que se emancipava. Não houve evasiva, major Dias assumiu sua gênese – os Bombeiros, em novembro de 1998.
Plataformas modernas do Corpo de Bombeiros do Amazonas
O traumatismo da separação ocorrida entre os Bombeiros e a Polícia Militar do Amazonas vem sendo gradualmente superado. Presentemente, os “homens do fogo” sedimentam a atuação, consolidando com méritos a emancipação. Promovido a tenente-coronel em 1999, Dias retornou vinte anos depois à Academia de Brasília para o Curso Superior de Bombeiros (CSB). Recebeu a ultima estrela do oficialato em 2003, quando foi nomeado chefe do Estado Maior, nele se mantendo até ser alçado ao posto de Comandante Geral em 2007. Apesar dos entraves, coronel Dias segue com aquele sorriso cativante estampado na face, com a fisionomia de quem soube da vida edificar uma “estrada” modelar.