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sexta-feira, março 29, 2019

FUTEBOL NA PMAM

Em 1982, a Polícia Militar do Amazonas, por ação de vários entusiastas, intentou criar uma equipe de futebol para rivalizar com o Rio Negro e o Nacional, ou seja, participar do certame estadual. 



Sargento Francisco Alencar - Jornal
do Commercio
, 01 abril 1982 
Outro incentivo provinha das PMs do Piauí e do Ceará que fundaram uma equipe de futebol intitulada de Tiradentes FC. Escapando desta marca, a PM amazonense pensou em Rio Amazonas. Outro respeitável incentivador foi o então major Danizio Valente.
Bom que se ressalte que a corporação sempre foi bem servida de jogadores, alguns  excepcionais, integrantes de equipes profissionais. Do meu distante tempo de serviço, relembro três personagens: o coronel reformado Lustosa que, quando cadete da PM da Guanabara, integrando a equipe da EsFO, efetuou uma preliminar no estadio do Maracanã. Outro foi o saudoso Pretinho, centro avante (termo da época) do Nacional FC, que foi soldado da 2ª companhia; enfim, o saudoso coronel Ilmar Faria, que atuou pelo Sul América EC. 

Transcrevo o texto do Jornal do Commercio (1º abril 1982) para melhor deixar entendido aquele movimento. 


Recorte do Jornal do Commercio - 1º abril 1982
Para os torcedores do clube profissional da Polícia Militar, que deverão ser em número acima de 6 mil pessoas, incluindo familiares dos PMs, o nome que realmente está ganhando aceitação para a fundação da agremiação é do Rio Amazonas Futebol e Regatas. Aliás já falam até que, quando jogarem Rio Negro e o time da PME, o clássico será denominado “Clássico do Encontro das Águas”.

DOIS EXCELENTES FISICULTORES
Com dois excelentes fisicultores formados na Escola de Educação Física do Exército, que são major Orleilson Guimarães e tenente-coronel Cavalcanti Campos, a equipe da Polícia Militar terá um longo planejamento orgânico para seus atletas corresponderem as expectativas durante as diversas partidas, do certame estadual. O comandante da Polícia Militar ainda não informou oficialmente, se convidara os dois excelentes preparadores para integrarem a equipe de trabalho que funcionara no futebol PM. Por outro lado, outro oficial que será possivelmente chamado, é o major Aurefredo, homem bastante vivido no futebol profissional do Estado.

OFERTA DO SUL
Embora o sargento Alencar tenha escondido algumas informações, nós do JC sabemos que ele e sua família têm bons laços de amizade com o ex-presidente do Flamengo, Marcio Braga, o possivelmente, alguns atletas do "Mais Querido" do Brasil serão oferecidos ou negociados para o futebol da PM. Por outro lado, amigos do coronel Guilherme também estão oferecendo craques para ajudar o time a conseguir bom êxito na primeira disputa regional.

DOIS FORTES EMPRESÁRIOS

Para deixar bem claro que já existem outras pessoas ajudando o futebol da Polícia Militar, o alto comando da comissão dos PMs guarda sigilo de dois grandes nomes que ajudarão o futebol no profissionalismo. Embora não seja confirmado, sabe-se que um deles poderá ser o empresário José Moura Teixeira, o popular Mourinha.

Resumo da ópera: apesar de toda essa movimentação e apoio e entusiasmo, o sonho morreu no nascedouro.

segunda-feira, setembro 19, 2016

AMAZONAS: SUA HISTÓRIA (2)

O AMAZONAS É ASSIM - 2ª parte (*)

Quando Portugal, na primeira metade do século XVI, dividiu o Brasil em capitanias ou províncias desiguais, o Amazonas não foi incluído, e só depois de 1636 se estabeleceu na embocadura do imenso "mar de água doce" a Capitania de Joanes, hoje Ilha de Marajó.
Embarcações no porto de Manaus, 1970

Quem primeiro descobriu o Rio Amazonas foi o espanhol Vicente Yanez Pinzon, companheiro de Colombo, que explorou a costa no Norte do Brasil e reconheceu o estuário. Em 1519, Gonçalo Pizarro, irmão do conquistador do Peru, partiu do Pacífico em busca do Eldorado que, embora hoje no domínio da fantasia, empolgou a imaginação e credulidade da Europa por meio século.

Pizarro não foi longe, mas o seu lugar-tenente Orellana, traindo-o, quando a sua expedição estava nos maiores apuros, abandonou-o. Depois de ter descido o Amazonas, com alguns homens, e chegado ao Atlântico, Francisco Orellana seguiu para a Espanha, para onde levou maravilhosas lendas, grandemente exageradas como de costume. Entre elas contava-se a das mulheres guerreiras (também atribuída a Gonçalo Pizarro, que teve de explicar as causas do insucesso da sua expedição), de onde o grande rio tirou o seu nome – Amazonas, dado depois ao maior Estado do Brasil.

Um século depois, outro espanhol, Juan de Palácios, partindo de Quito, no Equador, chegou à confluência do Rio Napo com o Amazonas, continuou até a entrada do Rio Negro e foi morto pelos índios. Os companheiros que se salvaram conseguiram alcançar Belém, fortaleza fundada pelos portugueses no estuário.

Dirigida pelo capitão-geral Velho de Carvalho, partiu de Belém, rio acima, uma expedição em 1637 que, depois de um ano de quase incríveis aventuras, chegou a Quito, em 1638. Espanha e Portugal estavam então sob uma só coroa, e os pioneiros foram entusiasticamente recebidos. Esta foi a primeira expedição bem sucedida na travessia do continente, nesta latitude, de leste para oeste, e a sua ousadia e sucesso estão no mesmo nível do colossal trabalho dos brasileiros, na última metade do século XIX, no Amazonas.

Voltando a Belém, em 1639, Pedro Teixeira, chefe da expedição, levantou um marco na foz do Rio Napo, como sinal da ocupação do país pelos portugueses – fato que, devido à separação entre Portugal e Espanha, no ano seguinte, foi um dos principais argumentos aduzidos por Portugal para provar o seu direito a toda bacia do Amazonas até aquele ponto.

Em 1625, os holandeses estabeleceram uma feitoria no [rio] Xingu, um dos afluentes do [rio] Amazonas, mas foram, com outros aventureiros, gradativamente expulsos pelos portugueses, que conseguiram alcançar o completo domínio do rio, cuja livre navegação fecharam aos estrangeiros. Só depois de 1867 o Amazonas foi de novo franqueado ao mundo.

Até 1822, quando o Brasil se fez independente como Império, o território, agora conhecido por Amazonas, fazia parte da Capitania do Pará, com uma sub-capitania em São José do Rio Negro, estabelecida em 1755. O primeiro governador, Joaquim de Melo Póvoas, fez de Barcelos o seu quartel-general, no vale do Rio Negro, acima da cidade de Manaus, sendo Barcelos uma das muitas povoações fundadas pelos jesuítas nessa região.
O terceiro governador, Manoel da Gama Lobo [d’Almada], transferiu a sede do governo para a Barra do Rio Negro, hoje Manaus – capital do Estado do Amazonas –, então uma simples vila missionária.
Depois da Independência, em 1822, os habitantes de Rio Negro bateram-se pela sua autonomia e estabeleceram um governo provisório; mas, tendo sido subjugados, foi Rio Negro de novo incorporada, em 1832, como comarca da Província do Pará. 
Contudo, continuaram a protestar e, em 1850, conseguiram uma lei que separava da Província do Pará a Comarca de Rio Negro, elevando-a à categoria de Província sob a denominação de Amazonas, em 1° de janeiro de 1852. A vila da Barra do Rio Negro, elevada a cidade, que por uma vizinha tribo de índios foi de novo batizada com o nome de Manaus, ficou sendo a sede governo.
Até 1853, a navegação do Amazonas era feita por batelões, que levavam muitas semanas a chegar ao Rio Negro, tendo o governo central sistematicamente proibido a navegação a vapor naquele rio. Contudo, em 1852, o Visconde de Mauá, o mesmo homem que dirigira a construção da primeira estrada de ferro no Brasil, obteve um monopólio de navegação no Amazonas, e nesse mesmo ano foi organizada a Companhia de Comércio e Navegação, com o capital de 4.000 contos de réis.
Vinte anos mais tarde, depois de ser franqueada ao mundo a navegação no Amazonas (1872), essa Companhia se transformou na Companhia de Navegação a Vapor do Amazonas, pertencente aos ingleses, que tão bons serviços prestaram no desenvolvimento da região.

Depois passou ela para o domínio do governo brasileiro com o nome de Serviços de Navegação da Amazônia e Administração dos Portos do Pará (SNAPP), mais tarde, já no governo da Revolução de 31 de março de 1964, transformada apenas em Empresa de Navegação da Amazônia Sociedade Anônima (Enasa).

De 1872 em diante o progresso passou a ser rápido e, por volta de 1874, começou a linha subsidiada de vapores entre Liverpool e Manaus, outra para os Estados Unidos e ainda outra para o Rio de Janeiro e portos de escala, em 1884.
Então Palácio Rodoviário, 1970

Em 1889, com a proclamação da República, a Província tornou-se o autônomo Estado do Amazonas, dirigido por um governador e uma Constituição própria. 
Vale recordar o barão Sant'Anna Nery, na sua maravilhosa obra A Terra do Amazonas: — "A causa e efeito do desenvolvimento do comércio no Estado do Amazonas é a facilidade do transporte. Em 1872 entraram 51 vapores; em 1906, o número atingiu 1.248".
A franquia do colossal rio foi o ponto de partida do progresso do Amazonas, aumentado pela sua subsequente independência do Pará.
(*) Extraído do Almanaque Municipal Brasileiro, ref. ao Amazonas, 1970

segunda-feira, novembro 23, 2015

ITINERÁRIO ANDINO (2)

Na metade do século passado, dois médicos amazonenses empreenderam uma viagem por países andinos. Concluído o périplo, Djalma Batista, saudoso cientista extremamente conhecido, fez publicar o relato dos acontecimentos.
Foi transformado em impresso, sob o título: Itinerário transadino (1951), que o autor dedicou ao companheiro de viagem – doutor Moura Tapajós, cujo nome designa a maternidade municipal instalada na avenida Brasil, bairro da Compensa.


UM VOO DO AMAZONAS AOS ANDES

Nós brasileiros andamos designando mal o nosso tuxaua hidrográfico, chamando-o de Amazonas, Solimões e Marañon. Em frente a Iquitos, por exemplo, olhando o belo panorama do rio a deslizar sereno, carregando detritos andinos, galhadas do baixo-plano e aluviões quaternários das terras aquém dos Pongos; olhando o rio banhado pelos últimos reflexos do crepúsculo planiciário, de que me estava a despedir, e recordando as minhas tinturas de geografia, exclamei: "Miremos al Marañon!" Esclareceu logo o amável acompanhante que estávamos defronte do Amazonas e que o Marañon estava muito longe.

Debrucei-me então sobre a monografia do sábio [Antonio] Raimondi, que consagrou sua vida ao Peru e palmilhou Loreto: aprendi que o Amazonas se forma pela união do Marañon com o Ucayali, da mesma forma que o [rio] Madeira nasce do abraço do Mamoré com o Beni, e o rio Branco da fusão do Maú e do Tacutu.
Cancelemos a nossa homenagem ao rei Salomão, concentrando-a na outra lenda, muito mais simpática e sugestiva, das guerreiras do Nhamundá, que arrebataram ao próprio Orellana a designação onomástica do rio-grande descoberto!
Matriz de Iquitos,
foto de julho passado

De Iquitos para Lima há três vias de comunicação: uma pelo ar, coberta pelas possantes e confortáveis unidades da Cia. Fawcett, que transportam tudo, gente e bichos, encomendas e cargas; outra por terra, a partir do porto de Pucallpa, até onde chegam embarcações fluviais, e início da grande estrada transandina, que substituiu a picada terrível de 20 anos atrás, pela qual, em caravanas aventurosas, que enfrentavam os gentios, as feras, o frio e a aspereza do terreno, se mantinha a unidade territorial do Peru; uma terceira via é toda por água: descendo o Amazonas, navegando o Atlântico, cruzando o canal do Panamá e costeando o Pacifico, até Callao...

Por uma das três vias sai a produção loretana: borracha, petróleo, sorva, madeiras e couros. Como se vê tudo coisa que a terra dá por si: nada criado pela mão do homem, tal qual sucede com os irmãos amazônicos do lado de cá da linha divisória...

Em 1955 será o centenário de Iquitos. Portanto, apenas sete anos mais nova do que Manaus, embora afastadas as duas capitais por mais ou menos 2.000 quilômetros...

Depois de uma animada e proveitosa conversa com os nossos anfitriões Planas e Vidurrizaga, na qual tanto podemos admirar a vivacidade de espírito do último, conhecedor minucioso do Norte e Nordeste do Brasil, onde amassou o pão do exílio, aqui lançando raízes afetivas imperecíveis e fruir o encanto da companhia do primeiro e de sua família, — começou a bater-nos forte o coração : fazia um calor supermanauense assim pelo meio-dia, no aeroporto iquiteño da CORPAC, e em pouco estaríamos sobrevoando os Andes e jogados no inverno da orla do Grande Oceano! (continua)

domingo, maio 03, 2015

HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO AMAZONAS (2)


Tenreiro Aranha, presidente
No segundo governo dos irmãos Nery (1904-07), circulava em Manaus a “Revista destinada a vulgarização de documentos geográficos e históricos do Estado do Amazonas”, intitulada ARCHIVO PÚBLICO. Tais documentos constituíam o acervo desta repartição que, ainda em nossos dias, sem o brilho anterior, prossegue funcionando.
Em 17 de outubro de 1907, Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha (filho do 1º presidente da Província amazonense e dirigente do referido órgão), proferiu uma palestra sobre a História e Geografia do Amazonas. Essa alocução, realizada no Ginásio Amazonense diante de respeitável plateia e do próprio governador, Constantino Nery, foi reproduzida no volume II, datado de 23 de janeiro seguinte.

Abaixo, a II Parte.

 O rio Amazonas, um dos principais do mundo, é o mais caudaloso da América do Sul e dos conhecidos até hoje na Europa, Ásia, África, América e Oceania. A sua bacia com o Tocantins, formando toda a Amazônia, tem de dimensão, segundo calculou Chichko, 6.430.000 quilômetros quadrados.

Diz Eliseé Reclus na sua “Geografia, etnográfica e estatística do Brasil”, sobre o Tocantins que: “O sistema hidrográfico do Tocantins prende-se estreitamente ao do Amazonas. Se é verdade, como tudo parece indicar, que em consequência de alterações do fundo do mar, as águas do Atlântico invadiram as terras, hoje ocupadas pelo golfo amazônico, tempo houve em que o Tocantins, que atualmente se comunica com o rio mar por furos e igarapés, unia diretamente a sua corrente com a dele por uma confluência situada a leste da ilha Marajó: era então simples tributário do Amazonas”.

Ela, sem o Tocantins, mede 5.594.000 quilômetros quadrados; só sob a denominação de brasileira 3.620.000, limitada ao estado do Amazonas 1.720.060, e ao do Pará 1.070.000. O seu curso, menor que o do Nilo, Missouri-Mississipi, e Yang-Tsé-Kiang, tem de extensão, partindo do Nupe, que se lança no tributário do Lauricocha, até sair no Atlântico, 5.710 quilômetros e, só no Brasil, 3.200.
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As grandes crescentes das suas águas ou extraordinárias baixantes, cada qual delas com duração de seis meses a um ano, tornam variável e por isso mesmo incalculável a dimensão de sua maior ou menor largura. No período da sua crescente ficam submergidas as partes mais baixas de sua margem, e a maior parte das ilhas do imenso arquipélago, formado em todo o seu leito; e por este motivo não se pode determinar com exatidão a dimensão da largura do rio.

O contrário disto dá-se com a grande baixante (sic) das águas, a vista da parte baixa das margens, que se achando submergidas, surgem barrancosas com a altura de 16 e mais metros, e as suas praias que avançam para o meio do rio, mais de três quilômetros.

Herndon avaliou em 1,5 milha (3.332 metros) por hora a corrente do Amazonas, que se torna maior em tempo da sua máxima enchente e menor na vazante; entretanto, a sua velocidade em muitos lugares é calculada, próximos das embocaduras de rios, pedras e cachoeiras de 5 a 6 milhas por hora.

Em frente a Óbidos, onde mais estreita-se o Amazonas, mede de largura 1566 metros, de profundidade no meio 132, e junto às margens 44; e de corrente mede também uma velocidade média, de 0,63m a 1,34m por segundo, parecendo-me todavia haver engano neste último cálculo.

Onezime Reclus avalia a profundidade do rio em 50 a 100 metros. A extensão da influência das marés, que no Amazonas é de 750 quilômetros, chega só até Óbidos, onde a preamar atinge 0,33m; e segundo Wappeus 500 milhas da embocadura do Amazonas até Óbidos. O rio começa a encher, como diz Saint Adolphe, em novembro e atinge a sua máxima elevação em junho.

No mar a sua embocadura partindo da ponta de Tigioca até Macapá, e a ilha de Marajó de permeio, segundo Ayres do Casal na sua “Geografia Brasileira ou Relação histórica-geográfica do Brasil”, 50 léguas, e até o cabo Norte, como calculou Wappeus, 180 milhas. Baena no seu “Ensaio Corográfico da Província do Pará” mede a largura da embocadura da ponta do Maguary, a N. E. da ilha do Marajó, ao rio Arauari (Araguari) – 56 léguas e 2/3.

Corre o Amazonas de oeste para leste, atravessa proximamente a mesma latitude, possui o mesmo clima as suas margens, e as suas chuvas não caem ao mesmo tempo em toda a sua extensão, havendo mesmo uma diferença de seis meses entre o norte e o sul.

Na extensão de mais ou menos 70.000 quilômetros é navegável o rio Amazonas por navios à vapor de 2 a 30 pés de calado, bem assim os seus paranamirins, paranás, lagos, igarapés, afluentes, tributários e subtributários dos afluentes, e secções encachoeiradas de alguns destes.

A sua navegação até 31 de dezembro de 1852 fazia-se com pequenas embarcações à vela ou a remo e sirga, a exceção de 5 viagens, que efetuaram nos anos de 1843, 1845, 1848, 1850 e 1851, os vapores da Marinha de Guerra Brasileira, Thetis e Guapiassu, tendo sido uma ao Xingu e Tapajós, uma a Vila Bela (Nova da Rainha), uma ao rio Branco, uma ao rio Negro até Tauapessassu, e ao Solimões até Tabatinga, e a última à Manaus.

Principiaram com regularidade as viagens a vapor do rio Amazonas entre Belém e Manaus em 1º de janeiro de 1853.

O vapor brasileiro “Marajó”, primeiro da Companhia de Navegação, Comércio e Colonização do Amazonas, incorporada por Irineu Evangelista de Souza (Visconde de Mauá), capitalista brasileiro e natural do Rio Grande do Sul, iniciou essas viagens, sendo precedido esse navio pelo vapor “Rio Negro”, da mesma companhia, a 7 de agosto do mesmo ano.

Este na sua 3ª viagem, em regresso de Manaus para Belém, encalhou no dia 14 de outubro, perto da embocadura do rio Madeira sobre as pedras que ficam abaixo da ilha do Espírito Santo a pouca distância acima de Serpa (Itacoatiara).

O 1º vapor que sulcou as águas do Solimões e Marañon entre Manaus e Nauta, depois da viagem a Tabatinga do vapor de guerra Guapiassu entre 1848 foi o “Marajó”, saindo a 23 de setembro do mesmo ano de 1853 do porto de Manaus, para iniciar a 3ª linha, na conformidade do contrato do referido Irineu Evangelista de Souza com o governo.

Depois desta navegação à vapor do Solimões e Marañon, a Companhia do Amazonas efetuou a do Rio Negro, entre Manaus e S. Isabel, fazendo seguir o vapor “Monarca” em 15 de janeiro de 1855. Esta viagem foi a 3ª, a vapor, que se fez ao Rio Negro, tendo sido a 1ª, até o Rio Branco, realizada em 9 de setembro de 1843, a 2ª, a 25 de maio de 1848 até Tauapessassu pelo vapor de guerra “Guapiassu”.
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As cores das águas do rio Amazonas e dos seus tributários são diversas, notando-se que as do Amazonas, propriamente dito, e do Xingu é [sic] parda, do rio Negro é preta, dos rios Madeira, Branco, Padauari, Japurá, Purus, Juruá e alguns mais é branca, do rio Tapajós é verde-castanha, do rio Tocantins é verde-clara, dos lagos em geral é preta e dos igarapés é de alguns preta e da sua maior parte branca cristalina. (segue)




sexta-feira, maio 20, 2011

Abastecimento de água em Manaus (III)

Na época, para solucionar o lançamento de esgotos, duas opções chegaram ao governo: ou lançar em terreno distante da cidade ou no rio Negro. Era ideia racional, para sanear esgotos, utilizar as águas do rio. E rios eram abundantes em derredor de Manaus, podia até optar: o Amazonas ou o Negro.

Estação de tratamento de esgotos, hoje
Centro Cultural Chaminé, na
Manaus Moderna

Estudos empreendidos então concluíram que as águas do Negro eram as mais apropriadas, pelos fenômenos mecânicos, físicos, químicos e até biológicos que apresentava. E mais, pela qualidade dos terrenos que constituem tanto o leito quanto a margem do rio e, em especial, pela acidez das águas.

Diante desse relatório, assinado pelo Secretário dos Negócios do Interior, Francisco Públio Bittencourt, as águas do rio Negro foram “escaladas” para purificar os esgotos, os dejetos da cidade. Levando-se ainda em consideração a declividade natural, que auxiliava a construção de um escoador rio a dentro.

Somente em dezembro de 1906, no governo de Constantino Nery, o assunto tem definição. Para completar a modernidade de Manaus, que já dispunha de eletricidade, bondes, água, faltava um completo aparelho de esgotos.
Dirigentes da empresa encarregada

A construção foi entregue a Antonio Lavandeyra, o mesmo que construíra o Porto de Manaus. Para tanto, Lavandeyra organiza na Europa uma empresa para explorar os serviços. Encerrados, teria a concessão de 60 anos de exploração. (segue)

quinta-feira, abril 14, 2011

A TRAGÉDIA DO "DOMINIQUE"

Okada (à esq.), ajudante de ordens
 do governador Areosa, 1969
Conversei com o coronel da reserva Odaci Okada sobre o comando que ele exerceu no Corpo de Bombeiros (1979-1981). A entrevista sairá no livro Os Bombeiros do Amazonas, cujo lançamento acontecerá no final do ano. Lembrou-me os graves acidentes que aconteceram nos dois anos de seu comando. O relato abaixo pertence a ele, complementado pela publicação do jornal A Notícia.

A competência da equipe de homens-rã dos bombeiros é comprovada. Mas sempre motivou comentários bem diversos, favoráveis ou não. Pretextos sempre existiram. Anteontem, porque não existia nem homens nem equipamentos; ontem, apesar dos aparatos técnicos, da instrução e do aprimoramento, os obstáculos ficavam por conta de nossos rios.
Verdade. Não é fácil mergulhar nos rios amazônicos, seja qual for a profundidade ou extensão. O pessoal encarregado desse serviço, todavia, seguia adestrando-se e a corporação adquirindo o material adequado. O desafio para esse treinamento surgiu quando o barco Dominique naufragou.

A Notícia (jornal dEsaparecido). Manaus, 15 fevereiro 1980

“30 mortos no naufrágio do motor Dominique“ bradou a edição de 15 fev.1980. Em resumo, este barco afundou na madrugada de 14 de fevereiro, no rebojo “Ponto do Vapor”, próximo à sede do município de Codajás, no rio Solimões, quando “foi envolvido por um remanso em forma de uma imensa onda que virou o motor”.

A Notícia. Manaus, 15 fev. 1980
Homens-rã do Corpo de
Bombeiros
Entre os mortos, há “duas crianças de colo, uma de nove meses e outra de um ano,” e dezesseis com idade até quinze anos. Não há informação sobre o trabalho dos bombeiros nesse periódico (17 fev.), mesmo quando relata a busca e os cuidados com os sobreviventes.
Mas os homens-rã estiveram no local empenhando-se como sempre. Obrigados a recolher do rio os mortos. Será sempre um serviço doloroso, mesmo para os profissionais mais experimentados.

Dois destaques: a iniciativa do proprietário do barco, Manoel Viana Neto, em mobilizar “mais de 40 canoeiros para auxiliar a equipe de resgate que fora providenciada pela Capitania dos Portos”. O outro, o resgate do neném Alberto Marinho, de nove meses, amparado em “colete salva-vidas preso ao galho de uma árvore caída dentro do rio caudaloso”.