CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, abril 22, 2021

DEMOLIÇÃO DO TABULEIRO DA BAIANA

 Existiam na praça da Matriz pela avenida Eduardo Ribeiro dois postos de gasolina e uma edificação, intitulada de Abrigo Pensador, mas alcunhada de Tabuleiro da Baiana, na qual funcionavam duas lanchonetes. Funcionaram até quando o prefeito Abrahim Lima (1971-75) decidiu reurbanizar a área. Diante da impertinência dos proprietários em não atender as normas municipais, recorreu à Justiça que decidiu pela municipalidade.

Assim, em abril de 1973, a equipe da prefeitura de Manaus interditou os estabelecimentos, aplicando-lhes uma lacração. Adiante veio a demolição e, desse modo, a cidade perdeu algo bem peculiar, como era o Tabuleiro.


Esta notícia foi compartilhada de A Crítica (13 abril 1973).

 


Os postos de gasolina "Avenida" e "Texaco" e as duas lanchonetes do Abrigo Pensador, situados na Av. Eduardo Ribeiro foram lacrados ontem pela Prefeitura Municipal de Manaus por intermédio de uma Ação Cominatória enviada pelo prefeito Frank Lima, à Justiça.

A operação começou às 10 horas de ontem, quando vários funcionários da Prefeitura se puseram a lacrar os imóveis da principal artéria de Manaus, construindo ao redor dos postos de gasolina vários cercados de madeira, como também ao redor das duas lanchonetes do Abrigo Pensador. Depois de terem executado a operação escreveram no madeirame com tinta preta: LACRADO PMM.

A DEMOLIÇÃO

Quanto à demolição dos referidos imóveis os funcionários encarregados da lacração informaram que isso ocorrerá dentro de breves dias, pois por enquanto "só recebemos a ordem de lacrar" disseram eles.

O prazo de 60 dias dado pela Prefeitura Municipal de Manaus expirou anteontem dia 16, quando os proprietários dos imóveis já deveriam ter desocupado aquela dependência e, por isso, ontem (logo no dia seguinte após o prazo terminado), o prefeito Frank Lima através da Ação Cominatória que deu entrada na Justiça, vencendo a causa ordenou que todos os imóveis existentes próximos ao Relógio Municipal fossem lacrados, ou seja: os postos de gasolina "Avenida" e "Texaco" e ainda as lanchonetes existentes no "Abrigo Pensador".

Conforme explicações dadas pelo governador municipal os responsáveis por esses imóveis da Av. Eduardo Ribeiro serão indenizados, pela perda que sofreram, pois o que não poderia ser admitido era que isso continuasse e fosse evitado de qualquer maneira a poluição no local e ao mesmo tempo deverá haver mais espaço para a nossa população caminhar pela artéria principal da cidade.

ESTACIONAMENTO

Depois de serem demolidos os imóveis da Eduardo Ribeiro é pensamento do prefeito Frank Lima, mandar construir no lugar dos postos de gasolina "Avenida" e “Texaco” e do "Abrigo Pensador” um moderno estacionamento para veículos.

Para tanto, o arquiteto Júlio Tupinambá já apresentou na Câmara Municipal, no mesmo momento em que o governador da cidade apresentava o plano para a demolição, o projeto do referido estacionamento que será construído em forma de "dentes", cabendo, em cada um, cerca de 42 veículos, todos em "fila indiana". Assim sendo, mesmo com o surgimento do estacionamento, a nossa população terá muito mais espaço para caminhar à vontade.

segunda-feira, agosto 31, 2020

A CASA AZUL

 A nota aqui compartilhada traz uma curiosidade bem característica da Manaus de antanho. A de marcar a casa comercial pela cor, a fim de que o freguês, em particular do interior, não se engane. Toma por exemplo o prédio Kahn &

A casa Kahn vista da
igreja Matriz

Polack, que ainda permanece no cruzamento da rua Instalação com a avenida Sete de Setembro (um simulacro de hotel, com lojas de variedades no térreo). Neste local, ao final do século 19, a Polícia Civil utilizou as dependências do andar superior.

Este recorte foi retirado do Jornal do Commercio, sem que saiba a data. 


Antigamente, as casas comerciais tinham como distintivo a cor da pintura de suas fachadas. Nos anúncios que faziam, dirigidos aos seus fregueses do interior indicavam quer a situação do estabelecimento quer a cor da tinta com que, permanentemente, eram pintados.

A casa Kahn & Polack teve sempre a cor azul.

Eis a transcrição de um desses anúncios, quase sempre publicados em a quarta página dos jornais, ocupando-a toda. Por sinal, é precisamente do estabelecimento de que tratamos:

 

Casa Kahn & Polack &. Cia.

Rua da Instalação junto ao grande prédio em construção, fronteira à rua Henrique Antony.

A frente é pintada de azul (Esta discrição é para os fregueses do interior não se enganarem com outro.  (1881)

***

Mas, consideremos a afirmação da nota supra transcrita: 0 terreno onde a firma Kahn & Polack levantou o grande sobrado que foi há poucos anos incendiado, foi comprado ao comerciante português Antônio José Lopes Braga.

Não é exato.

Esse terreno, os srs. Kahn & Polack adquiriram ao clínico paraense dr. Antonio Emiliano de Souza Castro, depois barão de Anajás, e sua esposa d. Mirandolina Fernandes de Souza Castro que o houveram por herança de seu sogro e pai João Francisco Fernandes.

A escritura respectiva foi lavrada em notas do tabelião Antonio Firmo Dias Cardoso. 

domingo, setembro 22, 2019

AVIAQUÁRIO DE MANAUS


PARQUE INFANTIL INAUGURADO


Jornal do Commércio, 24 dezembro 1963
Nas fotos, em cima, um aspecto do ato inauguratório do Parque Infantil Dom João de Souza Lima, no antigo Aviaquario Municipal. O arcebispo metropolitano quando falava enaltecendo a obra do prefeito Josué Claudio de Souza, que também aparece no clichê [à direita]. Em baixo, a garotada de Manaus banhando-se na piscina do Parque Infantil inaugurado.


Nota: O espaço semicircular existente entre as escadarias da Matriz de Nossa |Senhora da Conceição, hoje desocupado, já serviu para alguns empreendimentos do governo municipal. Recordo-me do aviaquário, de fato havia uns exemplares de nossa fauna nas gaiolas e peixes nos aquários.
Em seguida, veio o parque infantil com piscina, que acredito teve pouca duração, como foi o governo de Josué Claudio na Prefeitura. Em seguida, a igreja assumiu a administração e foi paulatinamente desativando as atrações. Enfim, ao tempo do padre Luiz Souza, servia como setor de depósito e secretária. Como lembrei, em nossos dias aguarda a próxima atração.
Ainda sobre a foto, junto ao arcebispo, à esquerda, o jornalista João Bosco Ramos de Lima que, ingressando na política, faleceu ocupando uma vaga do Senado Federal. E atrás, de perfil, o cônego Walter Nogueira.

segunda-feira, novembro 20, 2017

PRAÇA DA MATRIZ: VEXAME


Compartilho o texto do graduando em História Fábio Pedrosa, pela oportunidade da festa.
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Floriano Peixoto
 
SOBRE A REINAUGURAÇÃO DA PRAÇA DA MATRIZ: OU COMO DETALHES QUASE PASSARAM DESPERCEBIDOS

Depois de 3 ou 4 anos de reformas, a Praça da Matriz, no Centro Histórico de Manaus, foi reinaugurada, com direito a festa com presença de autoridades civis, militares e eclesiásticas. Tudo muito bonito, uma nova página na trajetória da preservação do Patrimônio Histórico da cidade.
No entanto, um detalhe chamou a atenção do pesquisador Ed Lincon, que entrou em contato comigo.
Vejam esse busto, identificado como sendo de Manuel Luís Osório (1808-1879), o General Osório, político e militar do Império, combatente nos conflitos da Guerra Cisplatina, Revolução Farroupilha, Guerra do Prata e Guerra do Paraguai.
O erro se encontra na figura do homenageado: o busto, na verdade, é o do Marechal Floriano Peixoto (1839-1895), militar e político, vice-presidente de Marechal Deodoro e posteriormente Presidente entre 1891 e 1894.
Essa peça ficava na avenida Floriano Peixoto, sendo retirada do local em 1975 e instalada em uma das laterais da Praça da Matriz.
Parece um detalhe simples, mas necessita ser reparado, pois além de prejudicar a percepção histórica dos que transitam diariamente no local, evidencia como os "especialistas" realizaram um serviço duvidoso. 

Fábio Augusto de C. Pedrosa, com colaboração do pesquisador Ed Lincon  

domingo, julho 19, 2015

IGREJAS CATÓLICAS EM MANAUS

NOVA SÉRIE DE IGREJAS E CAPELAS DA CIDADE

Capela do Dom Bosco, hoje desaparecida. No mesmo lugar foi construída nova
com entrada pelo colégio.

Capela de São João Batista, existente no cemitério do
mesmo nome

Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no bairro da
Praça 14 de Janeiro

Cartão Postal da igreja, existente nas proximidades do
Teatro Amazonas 

Matriz de Nossa Senhora da Conceição, quando de sua última reforma,
ano 2002

domingo, maio 31, 2015

IGREJA MATRIZ DE MANAUS

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição levou quase duas décadas para ser construída. Foi sagrada e aberta aos católicos em 1877. Abaixo, três momentos dessa trajetória.



quarta-feira, outubro 29, 2014

CLUBE DA MADRUGADA: 60 ANOS | 3




Página (18) da Revista1 do Madrugada, 1955

Ainda em nossos dias, outra robusta discussão se trava sobre a denominação do Clube da Madrugada (CM). Quanto ao período do dia escolhido não restam dúvidas. Os membros dessa congregação conversavam e debatiam preferencialmente sob a luz das estrelas e, entre distraídos e empolgados, alcançavam a antemanhã. E Clube? Porque indica associação, coletividade, grêmio e por aí a fora, ideia talentosa do inesquecível poeta Luiz Bacellar.

Tudo bem. Mas, qualquer clube merece ou exige regras básicas que possam disciplinar as atividades do grupo e de seus associados. No primeiro instante, tal burocracia foi escusada, um ano depois, porém, em franca expansão, o CM resolveu editar uma revista.

Novamente, em conversa vai e vem com o poeta Jorge Tufic, fundador e o grande cronista do Madrugada, aprendi bem mais. Indicou-me seu livro sobre os 30 anos desta associação, que ainda me orienta. De fato, ali encontrei a descrição sobre a primeira constituição, na verdade, seu Manifesto. E sua Revista.

Já tratei deste manifesto em postagem Madrugada1, de 22 de junho do ano passado, plagiando o título da revista. Revista que se tornou a “primeira e última”, em razão da crise financeira que assolava o cube, ou melhor, seus abnegados integrantes. Escreve o cronista mor que “projetos para novas edições” não faltaram. Faltaram foram os anúncios, a propaganda.

O ano de 1961, sob a direção de Aluísio Sampaio, tornou-se emblemático para o Madrugada. Em parceria com O Jornal, da empresa Archer Pinto, então o mais influente matutino estadual, o CM passou a publicar uma página na edição de domingo. Esse trabalho prosperou por mais de dez anos, oportunizando a publicação de inúmeros trabalhos do grupo. Não somente os trabalhos literários, o clube, com sua página e sua parceria, foi capaz de promover diversos eventos culturais, marcados por “duas feiras gigantes”, uma, na praça da Matriz, e outra, na Ponta Negra.

Este material, com as publicações do CM, segue reclamando sua recuperação, que saia do limbo e que, editadas e publicadas, possam servir a quantos estudiosos se debruçam sobre esse movimento literário, acontecido em Manaus.

Por ocasião do cinquentenário, em 2004, revirei essas páginas de O Jornal em busca de obras do falecido padre-poeta L. Ruas. Então conheci a extensão desses trabalhos e, agora, lamento não ter aprofundado minha colheita, catando mais e mais páginas, que a cada geração se valorizam e se tornam valiosas.