CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

Mostrando postagens com marcador Tribunal de Justiça do Amazonas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tribunal de Justiça do Amazonas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, julho 28, 2026

AVENIDA EDUARDO RIBEIRO (2)

 Para o melhor entendimento, esclareço que o jornalista Ulisses Azevedo escreveu este texto em 1979, recordando seu tempo de jovem “de 30 anos atrás”. Desse modo, relembrou a situação na virada dos anos 1940. Azevedo tomou a avenida Eduardo Ribeiro como amostra, dissecando as diversas atividades e personalidades que por ali passaram. Lembro-me dela dos anos 1960, quando já dispunha somente parte do registrado pelo autor, cujo artigo foi publicado em A Crítica. Aqui vai a parte final.

 Passemos agora para o lado direito da Avenida. Em [19]49, salvo erro, o Morgado não estava mais com o Ponto Chic, ali na esquina já se situava a loja Credilar, que não era da Moto Importadora e sim do Charles Hamut, o mesmo Charles que fundou a Rádio Rio Mar; vinha o escritório da firma Freitas & Cia., a Casa Martins, a casa de modas de Madame Verdade, a Ourivesaria Biase, com o Zé discutindo futebol e o Zuílo lá nos fundos, na bancada. Minha amiga Thereza Biaze não trabalhava na Ourivesaria e sim na firma Oliveira Negreiros (aproveito a oportunidade para uma homenagem ao saudoso amigo Pedro Manuel de Oliveira Negreiros, o velho Manezinho). Depois do Biase, onde é a “Exposição”, ficava um bar-restaurante cujo nome não lembro. E o Salão da Messody Henriques, o primeiro salão de beleza de nossa cidade. Depois não me lembro o que era, a memória falha, para se deter na “Maranhense”, da Verónica e da Olivia, minha colega de turma do Ginásio Amazonense, turma de [19]42, e que não se chama Olívia, e sim Maria do Perpétuo Socorro. Depois da “Maranhense” os “Reservados São Paulo”, do Didier Monteiro e, na esquina, a padaria do Osvaldo Loyo.

 Agora o outro quarteirão, Saldanha Marinho/24 de Maio. Do lado esquerdo, não sei se em [19]49 ainda estava a Mercearia Central ou a Alfaiataria Avenida, do Antonio Sá Freitas, “Esquina da Elegância” (não estou fazendo pesquisa, apenas forçando a memória). O escritório do Homero Sá; onde é um banco, nos altos eram duas moradias, do Edgard Gama e Silva e do Dr. Álvaro Bandeira de Melo, no térreo a Nestlé, o Depósito Público, seguia-se o IAPI, a funilaria do Celani, a Singer (nos altos a Rádio Baré), o Saci Bazar, Confeitaria Avenida, Padaria Avenida e a marmoraria do Veronesse (costumava ir tomar uns tragos com a turma de lá, mas de nome, só me lembro do Bibi e do Pereira, que também era guarda de trânsito).

O muro ia até a esquina, tinha uma casa dentro e uma garagem. Do lado direito, o Cine Odeon, o velho prédio com o maior salão de espera que um cinema possa ter, cheio de colunas e de espelhos, com cadeiras de palinha; ao lado a “Casa de Chopp”, depois “boate Odeon”, hoje tudo incorporado ao Shopping Center; e o edifício do Foto Artístico. onde no térreo A Crítica foi fundada; ao lado o escritório do dr. Adriano Queiros, o prédio de “O Jornal” e “Diário da Tarde”; o “Jornal do Comércio”; depois um muro do terreno dos Agostinianos, atualmente o edifício “Cidade de Manaus”.

Avenida Eduardo Ribeiro de nosso tempo

Quarteirão da 24 de Maio/José Clemente. Do lado esquerdo a residência do Coqueiro Mendes, presidente da Câmara Municipal, hoje o edifício “Palácio do Comércio”; depois, terreno baldio, murado, até a esquina. Do lado direito, o velho prédio da Associação Amazonense de Imprensa, e lembro o mestre Aristophano Antony, um verdadeiro líder da classe, sempre ao lado de seus companheiros de jornal; vinha o prédio da Associação Amazonense de Professores e na esquina o Tribunal Regional Eleitoral, edifício construído na época da Ditadura para o Departamento das Municipalidades, já demolido.

Quarteira da José Clemente/ 10 de Julho. Do lado esquerdo, o Palácio da Justiça; lembrar fatos históricos é impossível neste registro; o mesmo acontecendo com o lado direito, fundos do Teatro Amazonas. Nada mudou nesse quarteirão, apenas os dois majestosos edifícios foram recuperados.

Quarteirão 10 de Julho: Monsenhor Coutinho. Lado esquerdo, na esquina, a residência do “seu” Cruz, pai do Raimundo, do Zé Arthur, do Miguel, do João Cruz, todos meus contemporâneos do Ginásio. Terreno baldio, murado, e o Ideal Clube, o mesmo prédio atual, na época presidido pelo saudoso Dr. Gama e Silva, que prestigiava a turma da radiofonia local. Do lado direito, onde foi o Siroco e hoje é moderno edifício, um terreno baldio, murado. Seguiam-se residências de gente importante, lembro apenas do Dr. Aristides Rocha e da família Roessing. Na esquina, o palacete da família Miranda Corrêa, uma coisa linda em estilo colonial, lembrando a época faustosa da borracha quando em Manaus se fabricavam cervejas gostosas (XPTO e Amazonense, em junho e no Natal a Yankee, cerveja escura). Demoliram o belíssimo palacete e, em seu lugar, está aquele espigão horroroso.

E ai terminava a Avenida, dando para a Praça Antonio Bittencourt, que o povo passou a chamar de Praça do Congresso, por ter sido ali o I Congresso Eucarístico de Manaus. Olhando para a Avenida, o Instituto de Educação do Amazonas, a despertar saudades e gratas recordações a dezenas de gerações. Dona Eunice Serrano Teles de Souza, dona Lila Borges de Sá, nomes que ficaram, entre outros distintos educadores, a merecer a lembrança imorredoura da juventude que ali estudou e aprendeu. No Instituto de Educação funcionou a Assembleia, que depois passou para o prédio da Biblioteca, retornou ao IEA, até conseguir local próprio no Palácio Rio Branco.

Desculpem o exagero das repetições. Onde, atual, ali, era, era. Foi apenas um roteiro de saudades, que pode ser percorrido por quem conheceu a Avenida de 30 Anos atrás. Num passeio de saudades e muitas recordações.

sexta-feira, fevereiro 16, 2024

CHAVE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO CMA

Ossuosky (acima) e
Farias de Carvalho
 O fato foi o seguinte: quando comandante-geral da PMAM, o coronel EB Mário Ossuosky (1975-79) enfrentou grave crise na segurança promovida por delinquentes negros. Ou, era o que se propagava na corporação. Certo dia, um soldado PM aborda o desembargador Paulo Feitosa que conduzia sua família em automóvel próprio. O magistrado era negro, apenas por isso o militar tratou aquela autoridade com o rigor da lei.  O presidente do Tribunal de Justiça buscou ao citado comandante, que concordou com seu subordinado, agravando a crise.

Na Assembleia Legislativa, o deputado Farias de Carvalho amplificou o imbróglio, que segue abaixo, compilado do matutino A Notícia (edição de 22 out. 1975)

 


Fechar as portas do Tribunal de Justiça e entregar as chaves ao Comando Militar da Amazônia, seria a decisão tomada pelo presidente do Poder Judiciário, face à decisão do comandante da Policia Militar, coronel Mário Ossuoski, ao cobrir de razões um soldado que agredira a autoridade do desembargador Paulo dos Anjos Feitosa. O fato foi denunciado na Assembleia pelo deputado Farias de Carvalho, e todo o Poder manifestou-se solidário ao membro do Tribunal de Justiça, molestado grosseiramente por um soldado da PM, num flagrante abuso de autoridade. Segundo o parlamentar emedebista, o desembargador Paulo dos Anjos Feitosa passeava em seu carro, acompanhado de sua família. Um soldado da Polícia Militar o abordara, exigindo os documentos do veículo.

O magistrado atendeu ao pedido, entregando-lhe a documentação para em seguida identificar-se. A petulância do policial foi mais além ao exigir que o desembargador saltasse do carro para a abrir c capô. a fim de que o militar realizasse uma investigação. Como membro do Tribunal de Justiça, o desembargador deveria ser respeitado como autoridade. O policial, porém, não quis saber com quem estava falando; a determinação era o magistrado sair do carro. "Não seria num desembargador que o soldado fosse encontrar o marginal que estava procurando" - afirmou o deputado Farias de Carvalho, protestando contra o comportamento do comandante da Polícia Militar, que, ao receber os protestos do Presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luiz Cabral, disse que o seu soldado estava acobertado de razões. (...)

Recorte do matutino A Notícia, 22 out. 1975

Enquanto isso, o Presidente do Tribunal de Justiça, em expediente dirigido ao Governador Henoch Reis, fez ver que nenhum desembargador ou juiz daquela corte abrirá o capô de seus carros para investigações, depois de se identificarem. Providência idêntica será adotada pela presidência da Assembleia Legislativa com relação aos deputados, algumas vezes desrespeitados por soldados sem qualquer senso de educação. 

segunda-feira, fevereiro 13, 2023

LANÇAMENTO DO LIVRO

Está marcado para o dia 25 próximo (sábado) o lançamento do livro Valeu, quanto valeu: meu exercício na magistratura, na família, na cidadania, do desembargador aposentado Neuzimar Pinheiro. A festa acontecerá no Centro Cultural Palácio da Justiça, antiga sede do judiciário amazonense, situado na avenida Eduardo Ribeiro.

Como tive privilégio de organizar o material coletado pelo magistrado em sua vida profissional, e ainda auxiliar na editoração do livro, fui intimado pelo autor a escrever uma (desnecessária) Apresentação, que vai aqui compartilhada. 

Capa do livro

APRESENTAÇÃO

Ainda que não haja necessidade desse tópico, visto que o autor já explicitou seus dotes, salientando seu diligente trabalho no Tribunal de Justiça do Amazonas, mas vou cumprir. A realização desse mandado me compete por dois fundamentos: o primeiro, para retribuir a página que ele me obsequiou quando publiquei o Digesto em 1993. O segundo, para ordenar as etapas por ele vencidas, e rematar a motivação desse novo trabalho do desembargador Neuzimar Pinheiro.

Com o objetivo de registrar suas obras desenvolvidas no Poder Judiciário amazonense, ele mesmo publicou dois trabalhos. Neles, relacionou as obras e as aspirações enfrentadas, quando ocupou a direção do mesmo Poder e seus órgãos tributários, como a Justiça Eleitoral e a associação de classe, a Amazon (Associação dos Magistrados do Amazonas).

Não se deve olvidar, por meritória, a sua participação em órgão nacional dos magistrados, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). E outro mérito escolar foi a conclusão do curso Superior.

Aposentado, Neuzimar recebeu de sua equipe de apoio e do próprio Tribunal uma vasta coletânea de impressos jornalísticos e de seus discursos. Foi este material, em particular, de seus escritos que completaram este livro. Tive o cuidado de eliminar o quanto já fora publicado em obras anteriores, e confesso que ainda há que possa consolidar sua atuação no Poder Judiciário. Devo trabalhar os recortes de jornais e as fotografias que ilustram sua passagem pelo Palácio Clovis Bevilaqua.

Neuzimar Pinheiro afiança que viveu para a magistratura, e foram 40 anos, não obstante, os pequenos desvios como professor de ensino médio e superior. A leitura de seus textos e de outras fontes expõem o nordestino marcado para vencer. Nunca se intimidou, seja diante da morte do genitor e, pelo infortúnio, de enfrentar a inóspita barranca de Anamã, hoje município, graças a pertinência e seu reforço político. Aquela comunidade situada no rio Solimões soube convertê-lo em filho ilustre, ao conceder-lhe o título de Cidadão.

Este vencedor, contudo, obtém o pódio mais alto ao enfrentar a longa paralisação de duas obras destinadas ao Judiciário. Reconforta-se ainda em nossos dias com seu empenho ao ver as mencionadas obras, seriamente descuidadas, ora servindo de referência. Afinal, uma delas trazia a chancela do arquiteto Severiano Porto. Para os mais jovens, refiro-me aos edifícios do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), e o outro, ao Fórum Henoch Reis, ambos existentes no complexo administrativo do Aleixo.

A leitura deste livro salienta ao menos duas forças: a humana e a divina. o autor demonstra em cada página, ao descrever suas atividades, seja no Amazonas ou fora dele, a disposição à luta, algumas penosas, e a conquista das metas estabelecidas. Neuzimar não deixa ou sequer insinua qualquer deslize ou desacerto em ações pessoais ou administrativas. A força divina abre suas alocuções, agradecendo a Deus, expondo a abnegação ao Senhor pelas conquistas. Hábito adquirido, nos relata, ao tempo do Seminário São José de Manaus, onde eu, junto com o colega mais velho, também pude realizar inúmeras genuflexões na mesma capela deste orago.

Isto posto (perdão pelo termo jurídico), convido você à leitura.

domingo, setembro 20, 2020

FOLHINHA DE SETEMBRO

Notas recolhidas da folhinha de setembro: muito antes, este instrumento cronológico indicava nomes de recém nascidos. Hoje, vou me lembrar desses bem nascidos.
Alencar e Silva

21 de setembro

1916 – Nasce em Waupés, hoje São Gabriel da Cachoeira (AM), Arthur Gabriel Gonçalves, filho de Graciliano Lopes Gonçalves e de Olívia Palheta Gonçalves, e casado c/ Maria da Penha Araújo Gonçalves. Graduado pela Faculdade de Direito do Amazonas, na turma de 1942. Foi desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas, empossado em 20 de abril de 1956, e presidente do TJA em 1960 e 1971.

1916 – Nasce em Manaus (AM), o desembargador Oyama César Ituassú da Silva.

1917 – Reorganizada a Força Policial, atual Polícia Militar do Amazonas, por disposição da Lei 916, subscrita pelo governador Jonathas Pedrosa, com um efetivo de 530 homens.

1930 (há 90 anos) – Nasce em Fonte Boa (AM), o escritor Joaquim Alencar e Silva. Fundador do Clube da Madrugada, tendo dirigido por dez anos a página literária do clube. Foi diretor presidente do Diário Oficial do Amazonas, onde criou o Suplemento Literário. É membro da Academia Amazonense de Letras e de sua obra poética poderiam ser destacados: Painéis (Manaus, 1952), Lunamarga (Manaus. 1965), Território noturno (Rio, 1982). Sob Vésper (Manaus. 1986), Sob o Sol de Deus (Manaus. 1992), Ouro, incenso e mirra (Manaus, 1994) e Solo de outono (Manaus, 2000).  Ainda póstumo: Quadros da Moderna Poesia Amazonense (Manaus, 2011). Faleceu no Rio, em setembro de 2011. 

Um bandolim passeia pela tarde 

Um bandolim passeia pela tarde

de carnaval. No olhar de Colombina,

ao longe, alheia-se um Pierrô. É tarde

para escutar-lhe a música divina.

Tudo ficou naquela antiga tarde.

O som da voz e a música em surdina

se esvaindo. Uma vela que em vão arde

e bruxuleia e, trêmula, se fina.

A mascarada rompe de repente

cindindo a tarde com seus sons quebrados.

E ao ar se eleva com seu ritmo quente

o som pagão dos corpos orquestrados.

E eis que o verão arrasta, em vivas cores,

Anas, Teresas, Conceições, Dolores.

22 setembro

2001 – Abertura da exposição de fotografias George Huebner – um fotógrafo em Manaus, no Centro Cultural Palácio Rio Negro, patrocinada pela Secretaria de Cultura, com apoio de entidades culturais e particulares. A mostra foi montada pelo Museu de Etnologia de Genebra, na Suíça, e durou até 28.10. Estive presente, representando o IGHA, que foi um dos colaboradores. 

 

sábado, agosto 15, 2020

FOLHINHA DE AGOSTO

Para lembrar alguns acontecimentos do mês de agosto, tido como azarento ou do desgosto (para rimar). 

14 (ontem)

1926 – Falece em Manaus, estando sepultado no cemitério de São João Batista, Doutor Astrolábio Passos, médico fundador da Universidade Livre de Manaus, em 1909.

1951 – Nasce em Manaus dr.  Robério dos Santos Pereira Braga. Bacharel pela Faculdade de Direito do Amazonas e outros títulos acadêmicos. Exerceu o mandato de vereador, ocasião em foi relator da Lei Orgânica de Manaus. Foi presidente da extinta Emamtur (Empresa Amazonense de Turismo) e depois Secretário de Cultura do Estado, por duas décadas. Membro do IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas), tendo exerceu a presidência por um decênio. E da Academia Amazonense de Letras, em que ocupa a poltrona 22 e, em nossos dias, exerce a presidência pela segunda oportunidade. Pertence ainda a outras entidades literárias. Autor de diversos livros, em particular, sobre a história amazonense.

2001 – Falece em Brasília (DF) José Menezes Ribeiro, nascido em Parintins (AM), que, casado com Darlinda Menezes, gerou numerosa descendência, da qual se destaca o médico Euler Ribeiro, que foi secretário de Saúde do Estado e integrante da Câmara Federal. O falecido era competente membro da maçonaria em Manaus.

15 (hoje)

1861 – Saiu de Manaus (AM), viajando no vapor Pirajá, sob o comando do tenente da Armada Rufino Luís Tavares, uma expedição destinada ao estudo do rio Negro. Na chefia, seguiu o engenheiro militar Joaquim Leovigildo de Souza Coelho, que em 31 de dezembro apresentou o Relatório sobre as Povoações do rio Negro. 

1936 – Nasce em Iranduba (AM), o desembargador Hossanah Florêncio de Menezes. Bacharel pela Faculdade de Direito do Amazonas, ingressou na magistratura em 1972, como Juiz de direito de Eirunepé. Transferido para Humaitá, de onde, em 1979, foi promovido para a Capital. Enfim, alcançou a Alta Corte por merecimento em 1995.


1998 – Inauguração da agência Djalma Batista do Banco do Brasil, situada na avenida de mesmo nome.

16 (amanhã)

1874 – Lançamento da pedra fundamental do hospital da Sociedade Portuguesa Beneficente, inicialmente na praça Uruguiana, atual de General Osório. O hospital, todavia, acabou sendo construído na av.  Joaquim Nabuco.

1971 – Toma posse no Tribunal de Justiça do Amazonas, o desembargador José de Jesus Ferreira Lopes, que foi presidente deste Poder em 1976.

 

 


quarta-feira, abril 15, 2020

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL / AM


Em nossos dias, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas dispõe de sede própria, apropriada aos trabalhos desta justiça especializada, e conta inclusive com o Centro de Memorial Eleitoral do Amazonas, dispondo de fragmentos da história desta Corte.


Atual sede do Tribunal, inaugurada em 1988
No entanto, até atingir esse patamar, circulou por alguns endereços de nossa cidade, alguns nem um pouco digno do serviço eleitoral. Conheci alguns deles, o da avenida Getúlio Vargas, quando da presidência do desembargador
Neuzimar Pinheiro. Aliás, pertence a este magistrado em empenho relevante a conclusão do prédio que hoje abriga o TRE, inaugurado em dezembro de 1988.
Catando material para este blog, encontrei a notícia abaixo, compartilhada de A Crítica (9 março 1970). Portanto, acaba de completar o cinquentenário a informação de que o TRE, sob a direção do saudoso desembargador Paulino Gomes, transferiu a sede deste para a rua Guilherme Moreira, onde funcionara uma companhia telefônica, em razão de que a anterior ameaçou ruir. Tratava-se do prédio Hermenegildo Campos, que já servirá para algumas repartições estaduais; demolido, em seu terreno (avenida Eduardo Ribeiro com rua José Clemente) funciona uma seção da Secretaria de Turismo.
Quando da construção do edifício Rio Mar, pertencente a Rádio de mesmo nome, e patrimônio da arquidiocese de Manaus, ocorreu o desastre com o “velho” Hermenegildo. Interessante que o TRE, em ocasião adiante, ocupou dependências do Rio Mar.  

Espero com isso contribuir de alguma maneira para o memorial do Tribunal Regional Eleitoral.
 
Recorte da reportagem sobre o TRE (A Crítica, 9 mar. 1970)


O Tribunal Regional Eleitoral passará a funcionar nesta semana em prédio novo, na rua Guilherme Moreira, local onde funcionou a antiga Companhia Telefônica, e que foi todo remodelado e adaptado para atender às várias seções da justiça eleitoral. No dia de hoje, a Secretaria de Obras estará entregue [sic] o prédio ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Joaquim Paulino Gomes que, determinará a imediata transferência de todos os setores do órgão que estão funcionando em prédios distintos, para a nova sede.

ATENDIMENTO
Com a inauguração das novas dependências do Tribunal Eleitoral, será melhorado o atendimento do público que tem acorrido em maior número nos últimos dias em busca da obtenção e da regularização necessária para participarem, como votante nas próximas eleições estaduais em novembro deste ano.
Desde que o prédio “Hermenegildo de Barros”, na rua José Clemente, ameaçou ruir, em virtude de escavações para a construção de um prédio nas proximidades, a seção de atendimento público do Tribunal passou a funcionar no local onde funciona o Tribunal do Júri, separada da direção maior, que se deslocou para uma das salas da Associação Amazonense de Imprensa.
Agora é plano de o desembargador Joaquim Paulino Gomes conseguir apoio das autoridades e recursos para a construção de um edifício no local do prédio “Hermenegildo de Barros” que continua interditado por não oferecer mais condições de segurança.

Sede do Tribunal de Justiça, hoje Centro Cultural

NA HORA
Os chefes de seções do Tribunal Regional Eleitoral e os próprios funcionários ficaram contentes com a notícia da mudança para a rua Guilherme Moreira, sobretudo pela melhor condição que o novo local vai oferecer para um trabalho mais eficiente. A mudança, no entender do presidente Paulino Gomes, chegou na hora quando o Tribunal vai começar a desdobrar suas atividades para atender maior número de pretendente ao título [eleitoral], pois tudo leva a crer que o contingente eleitoral que vai participar do próximo pleito será bem expressivo, capaz de superar os cálculos mais otimistas.

sábado, janeiro 11, 2020

CARTA AO DESEMBARGADOR


O desembargador Neuzimar Pinheiro (foto) estava assumindo a presidência do Tribunal de Justiça do Estado, naquele princípio de julho de 1996, quando eu estava saindo (aposentado) da PMAM (Polícia Militar do Amazonas). Fomos colegas no Seminário São José, de Manaus, ele alguns degraus adiante. Restou-nos a amizade e, de minha parte, a admiração por conhecer sua luta a fim de conquistar o pódio.
Na ocasião de sua posse, absorvido por esse entusiasmo, enderecei-lhe a carta que hoje transcrevo, depois que ele me permitiu rever o original.


Manaus, 2 de julho de 1996
Desembargador Manuel Neuzimar Pinheiro 
DD Presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas 
Nesta


A sua posse, eminente desembargador Neuzimar Pinheiro, revitaliza a Justiça Estadual que, como toda a entidade nacional, sofre os revezes das críticas desclassificadas. Como creio na Justiça, da mesma forma como creio no amigo, estou felicíssimo. Feliz pelo Seminário São José que nos ensinou as tetras e nos solidificou o caráter. Nos incrustou a crença no Cristo que, pleno de poderes, humildemente ensinou aos homens a Verdade. Enfim, no Direito, capaz de iluminar os mesmos homens pelo caminho da Paz.

Esta é, pois, caro desembargador, sua grave responsabilidade hoje mais do que nunca: distribuir a Justiça, em prol do bem-estar social.

Eminente desembargador, antigo colega naquela Casa de Ensino e de formação de homens, receba a continência do velho soldado do Estado. Com ela segue o meu respeito e a minha solidariedade, esperando contribuir para o enfrentamento ao desafio assumido. Seja feliz em seu labor judicante e saiba, com modéstia, mas com denodo, partilhar "aos que tem fome e sede de Justiça". Com o amplo conhecimento do Direito que lhe é próprio, com seu obstinado desempenho profissional e, acima de tudo, com a altivez do jovem interiorano que ascendeu à Suprema Corte Estadual.

Que o Deus do nosso Seminário São José, e de todos nós, sem distinção, lhe seja o Guia altaneiro, conduzindo-o pelos campos inestimáveis do Bem.
Com o respeito do velho colega, hoje seu ardoroso admirador.

Manoel Roberto (Malafaya) Mendonça (*)coronel da Polícia Militar do Amazonas

(*) Malafaya, sobrenome de meu pai, era a forma carinhosa com que desembargador me distinguia.

segunda-feira, novembro 06, 2017

PMAM vs PODER JUDICIÁRIO

Este post me fez relembrar um fato escabroso. Dele participei indiretamente, assegurando que os dois principais personagens estão vivos, já ingressados nos “oitentanos”: coronel EB Mario Perelló Ossuosky e desembargador Paulo dos Anjos Feitosa.
Então major da PMAM, dirigia o CPC (Comando de Policiamento da Capital), quando este órgão enfrentou forte onda de assaltos e outros crimes conexos, atribuídos a uma quadrilha alcunhada de “mulatos”.



Para combater a delinquência, a PMAM, sob o comando do coronel EB Mario Ossuosky (1975-80), estabeleceu diversos procedimentos. Um deles constituía em vistoriar todos os veículos suspeitos.
Certa noite, uma patrulha abordou o desembargador Paulo Feitosa que, devido sua cor amorenada, foi considerado suspeito. Um soldado, entretanto, não atendeu a explicação do magistrado, apesar deste ter se identificado.

O desdobramento do incidente ocupou os deputados estaduais; e a manifestação segue abaixo, conforme publicado no extinto periódico A Notícia (22 outubro 1975).

COMANDANTE DA PM QUER FECHAR O TRIBUNAL
E ENTREGAR AS CHAVES AO CMA

A revelação “estourou” em plenário através do presidente da Casa, deputado José Dutra: um soldado da PM ofendeu e humilhou o desembargador Paulo Feitosa, no trânsito. O presidente do Tribunal, desembargador Luiz Cabral, foi ao comandante da Polícia Militar, coronel Mario Ossuosky, e ouviu dele esta declaração: “O soldado tem razão. Vou fechar o Tribunal de Justiça e entregar as chaves ao Comando Militar da Amazônia”.


Soldado da PMAM molesta e desrespeita desembargador


O fato foi denunciado na Assembleia pelo deputado Farias de Carvalho, e todo o Poder manifestou-se solidário ao membro do Tribunal de Justiça, molestado grosseiramente por um soldado da PM, num flagrante abuso de autoridade. Segundo o parlamentar emedebista, o desembargador Paulo dos Anjos Feitosa passeava em seu carro, acompanhado de sua família. Um soldado da Polícia Militar o abordara, exigindo os documentos do veículo. O magistrado atendeu ao pedido, entregando-lhe a documentação para, em seguida, identificar-se.


A petulância do policial foi mais além ao exigir que o desembargador saltasse do carro para a abrir o capô, a fim de que o militar realizasse uma investigação. Como membro do Tribunal de Justiça, o desembargador deveria ser respeitado como autoridade. O policial, porém, não quis saber com quem estava falando; a determinação era o magistrado sair do carro.

“Não seria num desembargador que o soldado fosse encontrar o marginal que estava procurando” – afirmou o deputado Farias de Carvalho, protestando contra o comportamento do comandante da Polícia Militar, que, ao receber os protestos do Presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luiz Cabral, disse que o seu soldado estava acobertado de razões.

Desembargadores
Luiz Cabral (acima) e
Paulo Feitosa
Ao abordar o fato na Assembleia Legislativa, o deputado emedebista foi aparteado pela maioria dos parlamentares da ARENA e MDB que hipotecaram solidariedade ao desembargador agredido, enquanto repudiavam o comportamento do soldado e do próprio comandante da PM.

Dizendo não estar dando qualquer demonstração de machismo, Farias de Carvalho salientou que, se um fato daquele lhe acontecesse, só duas coisas poderiam acontecer: ou o soldado o respeitava como deputado, ou no dia seguinte a Assembleia abriria suas portas para velar o seu cadáver. (...)

Enquanto isso, o presidente do Tribunal de Justiça, em expediente dirigido ao governador Henoch Reis, fez ver que nenhum desembargador ou juiz daquela Corte abrirá o capô de seus carros para investigações, depois de se identificarem.

sábado, novembro 14, 2015

NPOR - 1º BIS(AMV)

Na passada quinta-feira (12), oficiais R/2, oriundos do NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva), reuniram-se no quartel do 1º BIS (Batalhão de Infantaria de Selva), sucedâneo do legendário 27 BC (Batalhão de Caçadores).

O objetivo do encontro era organizar a festa de confraternização que acontece no próximo sábado (21). Também, serviu para delinear as atividades que marcarão o cinquentenário da Turma Ajuricaba, que ocorre em março do  ano vindouro. Trata-se da terceira turma desta organização de formação militar. 
As primeiras formaram em 25 de agosto de 1944 e 1945, ao tempo da Segunda Guerra, segundo dados colhidos na imprensa local.(*)

Para que se compreenda a valorização que os jovens de então dispensaram a essa convocação, tomo o nome de Adriano de Queiroz, conhecido advogado, e que prestou renomados serviços ao Estado na sua área profissional. Ele, nascido em 1913, e bacharelado pela Faculdade de Direito do Amazonas em 1937, participou da turma de 1944. 

Duas observações, antes de relacionar os 45 concludentes, nenhum deles vivo para abrilhantar a festa. O primeiro lugar coube ao aluno Roderick Castelo Branco (cujos filhos são bastante conhecidos na sociedade) e o orador, o aluno João Martins da Silva, outro respeitável advogado de nossa cidade. Enfim, o baile de formatura ocorreu no Ideal Clube.
 
Sede do Ideal Clube onde foi realizado o baile
Adriano Queiroz, (1913) bacharel 1937
Agnello Uchoa Bittencourt, (1923-97) bacharel 1945 / aluno 61 / Academia Amazonense de Letras
Agobar Garcia Vasconcelos, (1919) / bacharel 1948
Aldemir Paes Lima de Miranda, (1918) bacharel 1942 / aluno 21 /
Alcimar Guimarães Pinheiro, bacharel 1961 / oficial PMAM
Alexandre Carvalho Pimenta, (1924) / bacharel 1954 /
Alípio Meninéa Netto, (1923) / bacharel 1952 /
Aluísio Brasil Lima,
Augias Augusto Pinheiro Gadelha, bacharel 1947
Bento Rocha da Silva,
Claudio Lemos de Aguiar, médico
Clovis Angelim, bacharel
Elias dos Santos Ferreira,
Francisco de Assis Albuquerque Peixoto, (1920) / bacharel 1949 / deputado estadual / comandante da PMAM
Geraldo Dantas,
Jersey Nazareno de Brito Nunes, (Acre 1921) bacharel 1947
João Mendonça de Souza, (1915-
2003) / bacharel 1952 / da Academia Amazonense de Letras
João Martins da Silva (orador), (1920) / bacharel 1947
João Alfredo Sampaio Nunes de Melo,
José de Jesus Ferreira Lopes, bacharel 1948 / desembargador
José de Araújo Paiva,
José Milton Caminha da Silva, bacharel 1947 / juiz de Direito
Júlio Seixas,
Joaquim Gonzaga Pinheiro, bacharel 1955 / promotor público
Luiz Barros,
Luziadas Ferreira dos Santos,
Manoel Antunes,
Manoel Dias de Souza Cruz,
Manoel Alexandre Filho, (1919) / bacharel 1952
Manary Vasconcelos Mendes, bacharel 1943 / transferido para OAB/São Paulo.
Mario Silvio Cordeiro de Verçosa, (1924-89) bacharel / desembargador / Academia Amazonense de Letras
Mario Melo Mendes,
Milton Cesar de Araújo e Lima,
Newton Galvão de Alencar,
Odorico Rodrigues de Andrade,
Oyama de Macedo, bacharel 1948 / serventuário de Justiça
Orange Soriano de Mello, dentista
Osvaldo Teixeira Mendes,
Pietro Antonio Celani, (1922) / bacharel 1947
Roderick Castelo Branco (1º lugar),
Rodolfo Lopes Martins, bacharel 1949 / juiz do Tribunal de Contas
Samuel Isaac Benchimol, (1923-2008) / bacharel 1945 / escritor / Academia Amazonense de Letras / da empresa Bemol
Sylvio Moura Tapajós, (1918) / bacharel 1952
Waldir Garcia, professor / bacharel 1946 / juiz de Direito
Wilson Zuany Figueiredo, (1920) / bacharel 1945

(*)  O Jornal, 25 de agosto de 1944 
A responsabilidade sobre os dados pessoais cabem ao autor da postagem. A maioria dos jovens concluiu a Faculdade de Direito, a única então existente.   

domingo, maio 24, 2015

DESFILE DE SETE DE SETEMBRO


Em 1963, ainda na avenida Eduardo Ribeiro, com o palanque instalado no cruzamento da rua José Clemente, ao lado do Tribunal de Justiça, ocorreu o desfile de Sete de Setembro. Era governador do Estado, Plínio Ramos Coelho, que presidiu seu último Dia da Pátria, pois foi cassado no ano seguinte.
Curioso é o aproveitamento do asfalto para a propaganda política. Pode se ler o anúncio do deputado Paulo Nery, bem em frente ao palanque.

A primeira foto mostra a Banda de Música, enquanto, na segunda, vê-se o comando da tropa da Polícia Militar do Amazonas.






terça-feira, dezembro 10, 2013

DEU EM... A CRÍTICA

Museu Casa de Eduardo Ribeiro
O desembargador aposentado Alcemir Figliuolo publicou na edição de hoje, a parte final de uma ligeira biografia do sempre lembrado governador Eduardo Ribeiro. Porque há alusão ao meu nome nesse trabalho, tomei a liberdade de reproduzi-lo. Aproveito para agradecer ao eminente magistrado pelo registro.

Eduardo Ribeiro – O Pensador
O seu médico italiano, o professor Ludovici, depois de examinar detidamente, o cadáver, declarou "não concordar absolutamente com o parecer dos seus colegas que subscreveram o atestado de óbito de Eduardo Ribeiro, visto, tratar-se, da evidência dos sinais que constatara não de um suicídio, como se fizera capciosamente, acreditar, mas de um bárbaro crime, frio e premeditadamente cometido".
O historiador coronel Roberto Mendonça, contou que fez diversas buscas no Cartório do 1.° Ofício, único existente naquele tempo, mesmo com o auxílio dos servidores, não encontrou a certidão de óbito de Eduardo Ribeiro. Ainda me forneceu o historiador Mendonça, um documento muito importante, que foi a arrecadação e o arrolamento dos bens de Eduardo Ribeiro uma vez que o mesmo não deixou herdeiros.
O juiz municipal de Órfãos, Ausentes e Interditos de Manaus, à época, doutor Emílio Bonifácio Ferreira de Almeida, o escrivão Francisco Nogueira de Souza, autoridades constituídas e testemunhas, às 9 horas do dia 15 de outubro de 1900, deram início ao Auto de Arrecadação. Podemos destacar, entre alguns bens deixados, inúmeros terrenos, casas e sítios localizados em diversos locais da cidade.
O governo de Eduardo Braga, através da Secretaria da Cultura, por meio de seu secretário Robério Braga inaugurou e entregou à população, o "Museu Casa de Eduardo Ribeiro", localizado na rua José Clemente, próximo ao Teatro Amazonas e do Tribunal de Justiça, obras construídas pelo Pensador.
Uma homenagem mais do que justa a esse grande homem que foi o verdadeiro "transformador na cidade e o responsável pela mudança da paisagem urbana da cidade de Manaus”.