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sexta-feira, março 08, 2024
DETALHES DO PROSAMIM: MANAUS
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domingo, março 03, 2024
MEMÓRIAS DE MANAUS (AM)
A implantação do Prosamim, projeto de saneamento da capital, ainda em execução, descaracterizou, modificou a rede fluvial de parte da cidade. A primeira foto mostra o início dos trabalhos, em 2002, na foz do igarapé do Quarenta, próximo à Penitenciária Central e à primitiva ponte que ligava o bairro de Educandos ao de Cachoeirinha. Com isso, vieram a canalização de vários igarapés: Mestre Chico (foto 2) e de Manaus (foto 2).
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| Igarapé do Quarenta e a velha ponte de Educandos (c1970) |
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| Igarapé de Manaus e seus flutuantes (anos1950) |
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domingo, março 05, 2023
LEMBRANÇAS (TRISTES) DE MANAUS
A fartura de águas amazônicas produz efeitos indesejáveis, como a construção de moradias às margens de igarapés. Manaus conviveu com esta miséria até recente, quando o governo extinguiu as palafitas, em troca de moradias do projeto Prosamim.
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sábado, janeiro 25, 2020
PONTE "EVANDRO CARREIRA"
Morador
do Morro da Liberdade, na primeira metade da década de 1960, circulei bastante por
uma ponte de madeira que ligava este bairro, passando pelo Cajual, ao de Santa
Luzia e, consequentemente, à avenida Sete de Setembro. Era precaríssima.
Adiante,
a ponte foi melhorada, certamente por indicação do vereador Evandro Carreira,
daí o nome que lhe atribuíram. Em 1970 estava aos pandarecos, ao menos é o que
se deduz da publicação de A Notícia, que reclamava total recuperação.
Para mais estimular o reparo, o matutino teceu violentas observações, finalizando
por indicar que o cruzamento servia como local de uso de drogas, daí o epiteto infundido:
Ponte da Maconha.
Atualmente,
é muito difícil sinalizar a posição dessa sumida ponte, pois a urbanização do espaço
com a construção do Prosamim, permite aos mais idosos apenas que digam que a
travessia nos levava à lateral do então Grupo Escolar Leopoldo Neves, ainda
existente, promovido a Escola Estadual.
A ponte da maconha
A ponte “Evandro Carreira”, que liga Santa Luzia ao Morro da Liberdade (foto) balança, mas não cai. Desengonçada, rota, velha e treme-treme, ela está por um fio. Os moradores atravessam-na, mas com um enorme pavor de um desabamento total, que pode acontecer a qualquer instante. Como, entretanto, o público tem justo receio de experimentá-la a todo momento, o passadiço transformou-se em autêntica passarela de maconheiros, beberrões, marginais, homens e mulheres da pior espécie, que ali vivem vagabundando e atormentando mais ainda a vida daqueles dois bairros. O apelo é endereçado à Prefeitura, para consertá-la, como tem feito a tantas outras, e à Polícia para salvaguardar a integridade moral de quantos utilizam a caraquenta ponte “Evandro Carreira”.
terça-feira, março 20, 2018
PONTE EFIGÊNIO SALES
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| Situação da ponte |
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| Placa comemorativa |
Semana passada, tomei um desafio: visitar a Ponte Efigênio Salles (prefiro
com “f”, não obstante a ortografia exibir o “ph”) em Educandos. O objetivo era
entender o professor Aguinaldo, que afirmava ter aquela passagem outra denominação:
Ponte dos Ingleses. A prova da visita vai postada: uma placa de metal barato,
apesar do lucro da Andrade Gutierrez com o Prosamim, quase sem condições de
leitura.
E a foto da ponte com o mato em toda extensão, hoje unicamente um
caminho quase sem uso, pois o pedestre prefere atravessar a larga artéria de outro
modo. Se há responsável por esta situação de desamparo, deve caber à prefeitura.
Aproveitei para recordar meu caminho entre o Morro da Liberdade e a
Praça Quatorze, quando estudante do Seminário São José. Lembrei-me do velho ônibus
de madeira que atravessava perigosamente a dita-cuja mostrando as águas do igarapé
do Quarenta ainda em condições de uso; do casario às margens deste curso de água,
do funileiro com vitiligo, que parecia um artista televisivo; da serraria
Moraes, bem na curva saindo da ponte; da subusina de eletricidade, cuja
passagem lateral permitia-nos sair na avenida Sete, encurtando a caminhada; do “mercadinho”,
agora um simulacro do mercado da Cachoeirinha, usado para servir somente um café
da manhã e suas iguarias; a Ponte de Ferro, em triste condição, agonizando nas noites,
pois sequer dispõe de uma lamparina para alumiar sua degradação. Chega de lembranças.
Recolhi do saudoso memorialista Genesino Braga parte de um artigo em que
ele louva o criador da primeira ponte a servir o bairro de Educandos.
Tem o Amazonas, a rigor: o Estado do Amazonas, um dever de gratidão a cumprir com um homem que fora dos mais probos, dos mais operosos, dos mais progressistas e dos mais proeminentes de seus governantes: o saudoso político amazonense Dr. Efigênio Ferreira de Salles, (...)
É a esse saudoso governante que se deve a criação do "broadcasting" local e também a montagem da radiotelefonia em Manaus. E mais: construiu a Vila "Belisário Pena" e o Sanatório "Ephigênio de Salles"; construiu a antiga ponte de acesso aos Educandos e os prédios do "Broadcasting" na saudosa Praça do Pobre Diabo; deu luz elétrica ao bairro dos Educandos; levou a água potável e a ampliação da rede elétrica a São Raimundo e a Adrianópolis; reconstruiu o hospital da Santa Casa; restaurou e remodelou o Teatro Amazonas, o Instituto Benjamim Constant, o Hospício Eduardo Ribeiro, a Penitenciária, as pontes metálicas da Cachoeirinha e dos Bilhares, o Asilo de Mendicidade, o Hospital São Sebastião; e enriqueceu o patrimônio do Estado com importantes aquisições de prédios, terrenos, máquinas e embarcações.
Obrou mais, ainda: estimulou a colonização e promoveu a vinda de imigrantes japoneses; fundou o Campo Experimental de Agricultura; instituiu o plantio das héveas, criando os seringais do Estado e distribuindo árvores ao longo das estradas de rodagem; levantou a carta geográfica e mandou imprimir o mapa do Estado; manteve ininterruptos os trabalhos da rodovia Manaus-Rio Branco.
Em seu governo foram abertos 121.000 quilômetros de estradas de rodagem: para o Tarumã, para o Rio Branco, para a Raiz, para a Chapada, para a Ponta do Ismael, para Camanaus, para Campos Sales, tendo feito o levantamento das de Manaus-Itacoatiara, Lábrea-Humaitá, Lábrea-Acre e a que contornaria as cachoeiras do Aripuanã.
(...)Nascido nos altos de Minas Gerais, Efigênio Ferreira de Saltes fora aluno-interno do famoso Colégio do Caraça, berço de estadistas e de intelectuais. Viera para o Amazonas ainda adolescente, contando dezessete anos de idade; e aqui aprendera o ofício de tipógrafo, como aprendiz nas oficinas do Diário Oficial. (Contou-nos, a propósito, o seu ilustre filho, Dr. Alíneo de Salles, certa vez em conversa na Superintendência do Correio da Manhã, no Rio, que o Dr. Efigênio de Salles, quando Presidente do Estado (tinham esse título os governadores de então), exibia com orgulho, na parede de seu gabinete do Palácio Rio Negro, o antigo diploma de tipógrafo). E foi precisamente nas oficinas daquele velho órgão de publicidade do Governo, que tivera início a sua escalada de triunfos. (...)Nessa escalada árdua, mas gloriosa, Efigênio de Salles foi tipógrafo e foi repórter; foi soldado do exército de Plácido de Castro, na reação patriótica que deu o Acre ao Brasil; foi herói da resistência local no malsinado bombardeio de Manaus, em 1910. Depois, foi Partidor e Distribuidor Geral do Foro de Manaus, foi redator do Amazonas, foi diretor do Diário do Amazonas.
Faleceu em 1939. Lembramo-nos bem do Dr. Efigênio de Salles, quando Presidente do Estado. E lembramo-nos bem, porque muito o admirávamos e respeitávamos. Homem simples e cordial, espírito balsamizado de religião e de bondade, a saúde moral de todos os seus atos, de sua vida e de suas lutas, tinha respiração intensa nos desvelos de sua santa esposa, Dona Alice de Salles, e nos carinhos de seus filhos, com reflexos de harmonia e sãos princípios de costumes e maneiras no comportamento de nossa sociedade.
Com esse nome honrado — Efigênio Ferreira de Salles — o Estado do Amazonas e a municipalidade de Manaus têm um dever de gratidão. Devem-lhe, sim, uma pública homenagem. Uma homenagem em que haja, nos seus sentimentos, na sua expressão e na sua espontaneidade, a exculpação do ato grosseiro de há 41 anos atrás, quando o nome do emérito estadista, num impulso demagógico de falsos líderes, foi retirado das placas da avenida Sete de Setembro. (...) E honrará Manaus, como há anos honra o Rio de Janeiro, no aristocrático bairro do Cosme Velho, a rua de Efigênio de Salles.
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quinta-feira, outubro 06, 2011
Cinemas da Manaus: cine Eden (1)
Cine Eden (1946-1973); Cine Veneza (1974-1984); Cine Novo Veneza (1984-1985); Cine Teatro Guarany (1989-1991)
O cine Veneza era o campeão em reclamações. Vejamos dois exemplos retirados de jornais locais. Intitulada de A Sapataria do Veneza, o Jornal da Amazônia (22 jun. 1975) esbraveja contra a censura.
Outro CINE VENEZA - Sim e Não A Crítica (6 maio 1976)
O jornal A Notícia (6 jan.1977) aproveitando a confusão, publicou matéria sob o título “Povo virou cavalo-do-cão para ver e adorar o diabo”, relatando os lamentáveis incidentes ocorridos no cine Veneza:
Nem mesmo a forte chuva que desabou sobre a cidade na tarde de ontem, fez com que a multidão de mais de 5.000 pessoas desistissem de assistir o filme de produção americana, O Exorcista, que marcou a sua estréia no cine Veneza, gerando muita polêmica, agressões, tumultos e tentativa geral de invasão ao cinema. Um pelotão de choque da Polícia Militar do Estado foi destacado para o local, mas mesmo assim, a ordem não foi mantida.
Quando as portas do “Veneza” se abriram, a luta para entrar no cinema acabou gerando outro tumulto. Só entraram os mais fortes. Algumas pessoas saíram com ferimentos pelo corpo, mas mesmo assim, não desistiram de assistir O Exorcista.
Ainda assim, o filme bateu recordes de bilheteria em Manaus. Nos dias que se seguiram, as sessões ocorreram tranquilas e sem incidentes.
Em agosto de 1977, o sucesso do filme Dona Flor e seus dois maridos permitiu ao Veneza arrecadar perto de 600 mil cruzeiros. Com essa quantia, o proprietário resolveu reformá-lo. O Veneza ganhou forro com detalhes em gesso, poltronas com encosto e assento estofado, novo sistema de ar-condicionado e aparelhagem de som da marca G.K. A abertura sucedeu a 20 de dezembro, com o filme O Fundo do mar, com Nick Nolte e Jaqueline Bisset.
Nessa época, a programação do Veneza predominava pelos filmes pornográficos, proibidos para menores, que causaram o afastamento do grande público. Alguns desses: O Rei da Boca, O Leito selvagem de fêmeas, O Cafetão, O Diabo na carne de miss Jones, Orgia das libertinas.
A exibição da pornochanchada nacional Escalada da violência, na noite de 3 de março de 1984, marcou a despedida da empresa Bernardino da direção desta sala. No dia imediato, a empresa Cinemas de Arte Ltda., de Antonio Gavinho e Joaquim Marinho, arrenda o prédio do Veneza e realiza uma reforma parcial: pintura do edifício, instalação de ar-condicionado central, projetores com lâmpada xênon (substituindo os antigos projetores a carvão, que literalmente queimavam o filme); e sala de espera decorada com painel pintado pelo artista plástico Sérgio Cardoso, com alegorias homenageando os antigos cartazes de filmes.
A casa tem seu nome alterado para cine Novo Veneza, e a abertura ao público ocorreu uma semana depois, com o lançamento da produção nacional Águia na cabeça, estrelada por Nuno Leal Maia, Cristiane Torloni e Hugo Carvana.
Embora exibindo grandes sucessos da 7ª Arte, o cine, entretanto, não prolongaria sua existência. A 31 de março de 1985, com uma sessão dupla exibindo A Noiva e Dio come ti amo, o Novo Veneza encerraria definitivamente as atividades. Ao término do contrato de arrendamento, a empresa Cinemas de Arte devolveu o prédio à proprietária.
Em depoimento ao Jornal do Commércio (15 maio.1985), Joaquim Marinho expôs os motivos que o levaram a fechar o cine:
Adquirido pelo empresário Dahilton Cabral (1940-), ainda em 1985, o prédio do Veneza permaneceu fechado durante dois anos. Em outubro de 1987, seu novo proprietário decidiu reabri-lo, batizando-o de Cine Teatro Guarany, numa justa homenagem ao antigo cinema que funcionara na esquina da av. Floriano Peixoto com a Sete de Setembro, e demolido em 1984.
Uma das primeiras medidas tomadas pelo empresário, foi estender na fachada o letreiro com nome do cinema preferido de sua infância. Em entrevista ao Jornal do Commércio (28 out.1987), Cabral disse que o nome do cine foi trocado porque tanto Eden, como Veneza, não mexiam com as recordações dos antigos frequentadores.
Questionado pelo jornal sobre a razão da nova casa de diversões chamar-se “teatro” também, Dahilton justificou que além da projeção de filmes, a idéia era aproveitar o espaço do palco que media 17x5m, para a realização de shows, peças de teatro, seminários, palestras, entre outras coisas.
O empresário disse ainda que no “novo” cinema somente seriam exibidos filmes clássicos ou produções direcionadas ao público jovem.
Atrasos na conclusão das obras, e a espera pela chegada dos equipamentos de projeção, fizeram com que a inauguração do “novo” Cine Teatro Guarany acontecesse somente a 21 de junho de 1989, com lançamento do filme A Princesa Xuxa e os Trapalhões.
Apesar de promover duas sessões diárias, às 16h e às 20h, e exibir filmes de boa qualidade, a nova sala não teve uma carreira muito longa. No entanto, teve que apelar: a 27 de setembro de 1990, promove pela primeira vez, no palco desta sala, uma sessão de sexo explícito através da comédia erótica Aluga-se moças.
O anúncio desta casa aparece em jornais até 1º de outubro de 1990. Mas, segundo seu proprietário, a mesma ainda continuou funcionando apenas como teatro, apresentando peças, palestras e outros eventos artísticos até o início de 1991, quando o prédio foi arrendado pela Caixa Econômica Federal para efetuar o pagamento do PIS.
Depois abrigou no local até março de 1999, a sede da Igreja Viva.
Após amargar um longo período de ruínas e abandono, em agosto de 2009, o prédio do antigo cine teve apenas sua fachada restaurada pelo projeto Prosamim, do governo Eduardo Braga (2007-2010). Mesmo não funcionando mais com casa de espetáculos, a reforma recuperou o nome original do prédio: Cine Eden.Marinho também argumentava que o Veneza só se tornaria viável, se fosse transformado em três pequenos cinemas, com 200 lugares cada. Mas, segundo o próprio, o custo seria muito alto porque teria de colocar mais seis projetores para um prédio que não lhe pertencia. O advento do vídeo-cassete que começava a ganhar popularidade, também concorreu para esvaziar os cinemas da cidade.Em 5 de janeiro de 1977, o polêmico filme O Exorcista finalmente iria entrar em cartaz, no cine Veneza. Chegava com atraso de quase cinco anos, motivado principalmente pela Censura, que se recusava liberá-lo pelas fortes cenas “diabólicas”. Com ingressos a dezesseis cruzeiros, a estréia em Manaus restou marcada por grande tumulto e tentativas de invasão da casa de espetáculos.
Ed Lincon
O cine Veneza era o campeão em reclamações. Vejamos dois exemplos retirados de jornais locais. Intitulada de A Sapataria do Veneza, o Jornal da Amazônia (22 jun. 1975) esbraveja contra a censura.
Outro CINE VENEZA - Sim e Não A Crítica (6 maio 1976)
O jornal A Notícia (6 jan.1977) aproveitando a confusão, publicou matéria sob o título “Povo virou cavalo-do-cão para ver e adorar o diabo”, relatando os lamentáveis incidentes ocorridos no cine Veneza:
Nem mesmo a forte chuva que desabou sobre a cidade na tarde de ontem, fez com que a multidão de mais de 5.000 pessoas desistissem de assistir o filme de produção americana, O Exorcista, que marcou a sua estréia no cine Veneza, gerando muita polêmica, agressões, tumultos e tentativa geral de invasão ao cinema. Um pelotão de choque da Polícia Militar do Estado foi destacado para o local, mas mesmo assim, a ordem não foi mantida.
Quando as portas do “Veneza” se abriram, a luta para entrar no cinema acabou gerando outro tumulto. Só entraram os mais fortes. Algumas pessoas saíram com ferimentos pelo corpo, mas mesmo assim, não desistiram de assistir O Exorcista.
Ainda assim, o filme bateu recordes de bilheteria em Manaus. Nos dias que se seguiram, as sessões ocorreram tranquilas e sem incidentes.
Em agosto de 1977, o sucesso do filme Dona Flor e seus dois maridos permitiu ao Veneza arrecadar perto de 600 mil cruzeiros. Com essa quantia, o proprietário resolveu reformá-lo. O Veneza ganhou forro com detalhes em gesso, poltronas com encosto e assento estofado, novo sistema de ar-condicionado e aparelhagem de som da marca G.K. A abertura sucedeu a 20 de dezembro, com o filme O Fundo do mar, com Nick Nolte e Jaqueline Bisset.
De Veneza a Guarany
Ao entrar a década de 1980, as finanças da empresa Bernardino, que reinara absoluta na década anterior, não era das melhores, comprometida ainda mais com a reforma do cine Ipiranga, na Cachoeirinha, e a concorrência de novas salas de cinema. Nessa época, a programação do Veneza predominava pelos filmes pornográficos, proibidos para menores, que causaram o afastamento do grande público. Alguns desses: O Rei da Boca, O Leito selvagem de fêmeas, O Cafetão, O Diabo na carne de miss Jones, Orgia das libertinas.
A exibição da pornochanchada nacional Escalada da violência, na noite de 3 de março de 1984, marcou a despedida da empresa Bernardino da direção desta sala. No dia imediato, a empresa Cinemas de Arte Ltda., de Antonio Gavinho e Joaquim Marinho, arrenda o prédio do Veneza e realiza uma reforma parcial: pintura do edifício, instalação de ar-condicionado central, projetores com lâmpada xênon (substituindo os antigos projetores a carvão, que literalmente queimavam o filme); e sala de espera decorada com painel pintado pelo artista plástico Sérgio Cardoso, com alegorias homenageando os antigos cartazes de filmes.
A casa tem seu nome alterado para cine Novo Veneza, e a abertura ao público ocorreu uma semana depois, com o lançamento da produção nacional Águia na cabeça, estrelada por Nuno Leal Maia, Cristiane Torloni e Hugo Carvana.
Embora exibindo grandes sucessos da 7ª Arte, o cine, entretanto, não prolongaria sua existência. A 31 de março de 1985, com uma sessão dupla exibindo A Noiva e Dio come ti amo, o Novo Veneza encerraria definitivamente as atividades. Ao término do contrato de arrendamento, a empresa Cinemas de Arte devolveu o prédio à proprietária.
Em depoimento ao Jornal do Commércio (15 maio.1985), Joaquim Marinho expôs os motivos que o levaram a fechar o cine:
Primeiro o Cine Veneza fechou pelo tamanho dele, um cinema de 600 lugares que nos parâmetros hoje do mundo inteiro, a procura é por cinemas menores, 200, 300 lugares como é a média dos nossos cines atualmente.
O Veneza atingia um valor muito alto de despesas, uma despesa alta de custo de filmes porque dificilmente se conseguia filmes grandes para ele, que estava fora do pólo central de cinemas, e tinha menos afluência de público, e sempre requeria filmes de grande número de pessoas como o caso dos Trapalhões, A Noiva, Dio Come Ti Amo. Enfim, era um cine que dava bons resultados apenas duas vezes por ano, além de tudo isso era um cine arrendado.
Adquirido pelo empresário Dahilton Cabral (1940-), ainda em 1985, o prédio do Veneza permaneceu fechado durante dois anos. Em outubro de 1987, seu novo proprietário decidiu reabri-lo, batizando-o de Cine Teatro Guarany, numa justa homenagem ao antigo cinema que funcionara na esquina da av. Floriano Peixoto com a Sete de Setembro, e demolido em 1984.
Uma das primeiras medidas tomadas pelo empresário, foi estender na fachada o letreiro com nome do cinema preferido de sua infância. Em entrevista ao Jornal do Commércio (28 out.1987), Cabral disse que o nome do cine foi trocado porque tanto Eden, como Veneza, não mexiam com as recordações dos antigos frequentadores.
Questionado pelo jornal sobre a razão da nova casa de diversões chamar-se “teatro” também, Dahilton justificou que além da projeção de filmes, a idéia era aproveitar o espaço do palco que media 17x5m, para a realização de shows, peças de teatro, seminários, palestras, entre outras coisas.
| Fachada do cine Eden reparada pelo Prosamim, 2011 |
Atrasos na conclusão das obras, e a espera pela chegada dos equipamentos de projeção, fizeram com que a inauguração do “novo” Cine Teatro Guarany acontecesse somente a 21 de junho de 1989, com lançamento do filme A Princesa Xuxa e os Trapalhões.
Apesar de promover duas sessões diárias, às 16h e às 20h, e exibir filmes de boa qualidade, a nova sala não teve uma carreira muito longa. No entanto, teve que apelar: a 27 de setembro de 1990, promove pela primeira vez, no palco desta sala, uma sessão de sexo explícito através da comédia erótica Aluga-se moças.
O anúncio desta casa aparece em jornais até 1º de outubro de 1990. Mas, segundo seu proprietário, a mesma ainda continuou funcionando apenas como teatro, apresentando peças, palestras e outros eventos artísticos até o início de 1991, quando o prédio foi arrendado pela Caixa Econômica Federal para efetuar o pagamento do PIS.
Depois abrigou no local até março de 1999, a sede da Igreja Viva.
Após amargar um longo período de ruínas e abandono, em agosto de 2009, o prédio do antigo cine teve apenas sua fachada restaurada pelo projeto Prosamim, do governo Eduardo Braga (2007-2010). Mesmo não funcionando mais com casa de espetáculos, a reforma recuperou o nome original do prédio: Cine Eden.Marinho também argumentava que o Veneza só se tornaria viável, se fosse transformado em três pequenos cinemas, com 200 lugares cada. Mas, segundo o próprio, o custo seria muito alto porque teria de colocar mais seis projetores para um prédio que não lhe pertencia. O advento do vídeo-cassete que começava a ganhar popularidade, também concorreu para esvaziar os cinemas da cidade.Em 5 de janeiro de 1977, o polêmico filme O Exorcista finalmente iria entrar em cartaz, no cine Veneza. Chegava com atraso de quase cinco anos, motivado principalmente pela Censura, que se recusava liberá-lo pelas fortes cenas “diabólicas”. Com ingressos a dezesseis cruzeiros, a estréia em Manaus restou marcada por grande tumulto e tentativas de invasão da casa de espetáculos.
“Ainda não deu para entender qual é a do pessoal do Veneza, com essa exigência de só entrar no cinema com sapatos. O cinema é deles, mas o tipo de calçado que convém à gente ninguém tem nada com isso. Imaginem se os caras se associam com alguma fábrica de calçados e querem que a gente só passe a entrar com aquele tipo de sapatos, ou calças, ou... bem deixa pra lá. Mas censura de vestiário não”.
“Na terça-feira à noite, o Cine Veneza cometeu mais um desrespeito ao público. A película “La Calandria” está totalmente danificada e a sessão foi interrompida seis vezes. Quando a exibição era retomada nunca estava na mesma cena, e sim vários minutos à frente, o que deixou o público revoltado”.
| Fachada do cine Eden, em reparos, 2010 |
quinta-feira, julho 22, 2010
Manáos versus Manaus
Sob este título, nada original, pretendo reproduzir fotos da nossa capital. São fotografias de ontem que, revistas pelo mesmo ângulo, possam mostrar as modificações da mesma cidade.
Passagem Cabral, Centro
Começo hoje com a Passagem Cabral, que existe entre a avenida Sete de Setembro e a rua Dr. Almino, próxima a primeira ponte. A atuação do Prosamim manteve o trâfego no local, agora com mais brilho, depois do reparo necessário para se adequar a Passagem ao Parque Jefferson Peres.
A Passagem, também conhecida por Ponte, em seus primeiros momentos, era um “atalho” construído sobre madeira utilizado pelos moradores dessa artéria para alcançar a avenida Sete. Araújo Lima, quando Prefeito de Manaus, a reconstruiu. Outras administrações municipais trataram de melhorar a Passagem que chegou, em nossos dias, estruturada em concreto.
Demolição da Passagem, maio 2009
A melhoria do local obrigou a substituição da “ponte”, por uma rampa bem mais confortável.
Cabral, por que esta denominação? Não há registro confiável.
Rua Borba, Cachoeirinha
Essa era a situação da rua Borba no entroncamento com a rua Humaitá, no bairro da Cachoeirinha.
Não há muito que explicar. Durante anos quem circulava por aquele local percebia a “invasão”, que começou com casas de madeira e hoje, as edificações apresentavam-se em alvenaria.
Novamente o projeto Prosamim colocou ordem no local. É o que mostra a foto de hoje mesmo.
Passagem Cabral, Centro
Começo hoje com a Passagem Cabral, que existe entre a avenida Sete de Setembro e a rua Dr. Almino, próxima a primeira ponte. A atuação do Prosamim manteve o trâfego no local, agora com mais brilho, depois do reparo necessário para se adequar a Passagem ao Parque Jefferson Peres.
Rua Dr. Almino, ao fundo, antes da recuperação, 2006
A Passagem, também conhecida por Ponte, em seus primeiros momentos, era um “atalho” construído sobre madeira utilizado pelos moradores dessa artéria para alcançar a avenida Sete. Araújo Lima, quando Prefeito de Manaus, a reconstruiu. Outras administrações municipais trataram de melhorar a Passagem que chegou, em nossos dias, estruturada em concreto.
Demolição da Passagem, maio 2009
A melhoria do local obrigou a substituição da “ponte”, por uma rampa bem mais confortável.
Cabral, por que esta denominação? Não há registro confiável.
Rua Borba, Cachoeirinha
Essa era a situação da rua Borba no entroncamento com a rua Humaitá, no bairro da Cachoeirinha.
A Crítica, 30 março 1960
Não há muito que explicar. Durante anos quem circulava por aquele local percebia a “invasão”, que começou com casas de madeira e hoje, as edificações apresentavam-se em alvenaria.
Rua Borba, vendo-se a urbanização do Prosamim
Novamente o projeto Prosamim colocou ordem no local. É o que mostra a foto de hoje mesmo.
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quarta-feira, março 17, 2010
IGARAPÉ DE MANAUS
Ontem a noite, foi inaugurado o Parque Igarapé de Manaus, junto com o do igarapé Bittencourt, obras primordiais do Prosamim. A festa noturna contou com música e promessas políticas. O Chefe do Executivo - Eduardo Braga - esteve presente despedindo-se do governo. Para tornar compreensível a evolução sofrida pela área, publica-se algumas fotos.
Palácio Rio Negro e igarapés
.Igarapé de Manaus, década 1950.jpg)
Outro momento da mudança
Palácio Rio Negro e igarapés .Igarapé de Manaus, década 1950
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Outro momento da mudança
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