CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quinta-feira, fevereiro 08, 2018

COSME E DAMIÃO (3)



Já escrevi aqui que o policiamento tipo Cosme-e-Damião implantado na cidade de Manaus, em 1957, repercutiu positivamente na sociedade. As reportagens dos periódicos locais registraram o acerto do comandante da Força Estadual, major do Exército Cleto Veras (foto). 

Compartilho o texto de Denise Cabral, igualmente aprovando a medida, que publicou em sua revista mensal Manaus Magazine (Ano 2, nº 31  set/out 1957).

 
Recorte da citada edição
 O coronel Cleto Veras, à testa do comando da Polícia Militar, vem desenvolvendo um programa proveitoso, onde se destaca a ordem e o respeito, em torno de um trabalho meticuloso, atacando todos os setores da referida corporação.
Fatos importantes realizados sob a orientação do coronel Cleto Veras, destacamos o funcionamento no próprio Quartel, de uma escola para os filhos dos praças, com um aproveitamento bastante concorrido.
Continuando a consideração pela pessoa humana, o coronel Cleto Veras, providenciou aproveitamento do nível mental dos graduados, estando em funcionamento no próprio Quartel, o Curso de Candidatos à Cabos. De acordo com o aproveitamento demonstrado, seguiram para Belém, a fim de fazerem o Curso de Aperfeiçoamento, dois sargentos.
Atacando a disciplina necessariamente exigida pela farda, o coronel Cleto Veras tem feito uma seleção rigorosa nos voluntários à Polícia, tendo expulsado os maus elementos que subiam à cifra de 55 homens.
Não esquecendo o fator economia fundou e já funciona o armazém de comestíveis e outros gêneros, a preços vantajosos, para todos os componentes da Policia Militar, preços inferiores ao vendido na praça de Manaus.
Dentre o programa elaborado, pelo brioso coronel Cleto Veras, houve a recuperação total de carroceria de um caminhão e diversos consertos, assim como pintura completa nos demais veículos da corporação e a valiosa compra de uma motoneta, para a supervisão do serviço profícuo levado a efeito pela dupla Cosme e Damião. Adquiriu também material para uso dos efetivos da Milícia.
É de bastante pasmo, a vida econômico-financeira da Polícia Militar, sob a direção do coronel Cleto Veras, pois a corporação não deve ao comércio e tem ótimos depósitos no Banco do Brasil e no Banco Popular, sendo no primeiro de Cr$ 536.526,20 e, no segundo, Cr$ 16.255.60.

Dirige o coronel Cleto Veras, com confiança e harmonia a nossa Polícia Militar, não esquecendo de oferecer aos componentes da mesma, recreio para o corpo e alma e, para tanto, vem realizando nas datas magnas do ano — Dia de Tiradentes — Dia de Caxias — Dia da Pátria, festas dançantes, homenageando dessa maneira os seus comandados e respectivas famílias.
No festejo do 1º ano da formação de Cosme e Damião ofereceu ao referido contingente, um banquete de confraternização pelo trabalho em prol do policiamento da cidade, pela dupla já tão conhecida e respeitada.
Achando poucos os elementos para o policiamento da cidade, aumentou o quadro dos Cosme e Damião, com o objetivo único de melhorar consideravelmente o policiamento da cidade, atualmente conta Manaus com uma vigilância contínua, durante as 24 horas, desempenhada por estes homens esforçados e dignos, escolhidos entre os melhores, que desenvolvem corretamente uma ronda eficiente e notável, digna de encômios, em virtude da confiança que neles deposita a população, está contristado pela situação dos mesmos, em relação ao ordenado, em virtude de estarem percebendo salários inferiores aos dos Guardas Civis.
A conservação do jardim da Praça da Polícia, os melhoramentos efetuados no mesmo, como sejam pintura a óleo nas cercaduras, carinhosa assistência aos canteiros, organização de um pequeno zoológico, para distração da petizada e do público em geral, são atestados louváveis de uma sã administração.
O coronel Cleto Veras é um administrador de pulso e não esquece o mínimo detalhe, desde a cozinha, onde mandou reparar o fogão e as chaminés, até o salão de honra, onde o brilho do enceramento é notado, em tudo está a marca da sua orientação. É de pasmar a organização do boletim e a escrituração de todo o material da Corporação, levado a efeito pelo dinâmico coronel Cleto Veras. Finalizando, na conversa mantida com o mesmo soubemos das pretensões que tem em dar início, dentre poucos dias, da pintura geral na parte externa do Quartel, bem como, de acordo com os propósitos do prefeito da Capital, professor Gilberto Mestrinho, inaugurar para a petizada baré, um Parque Infantil.
No desejo de ampliar o conhecimento dos oficiais, visitou a região petrolífera de Nova Olinda e a Refinaria da COPAM, com o objetivo de aprendizagem, ampliação de conhecimentos dos oficiais sob a sua profícua orientação.
Como se pode ver, neste pequeno relato, o coronal Cleto Veras é um elemento de valor na administração sadia do Dr. Plínio Ramos Coelho, que dado às suas qualidades intrínsecas merece a completa confiança do digno Governador do Estado.

sexta-feira, outubro 20, 2017

PUBLICIDADE (IV)






 Publicidade circulada na
 revista MANAUS MAGAZINE
(3º trimestre 1989)





domingo, dezembro 20, 2015

MANAUS MAGAZINE

Páginas em P&B retiradas da revista (3º trimestre 1989) que, por décadas, circulou em Manaus.






 


sábado, junho 09, 2012

Anúncios comerciais (3)

Estrada Silverio Nery, atual av. Joaquim
Nabuco, 1905
Mais uma partida de anúncios recolhidos de periódicos circulados em Manaus e datados dos novecentos. Reproduzo novo comercial sobre “bichas hamburguesas”. Consulta a um estudioso da história da medicina, cabe simples explicação: o mesmo que sanguessugas, que eram usadas em sangrias terapêuticas. (Hoje são mais conhecidas nas casas legislativas). No entanto, prosseguem duas questões: uma, qual o motivo da venda e aplicação em barbearia e, outra, a razão da destacada designação.

Gasônia, atual Fogás, anúncio circulado na
Revista Manaus Magazine, 1958

Já desaparecido, estava situado na av.Joaquim Nabuco.
Hoje resta apenas a marca na parede do prédio, 1957

Apesar da majestade, foi transformado no Condomínio
Ajuricaba. Revista Manaus Magazine, 1957

A segunda guerra obrigou a mudança de nome para
Estudio Artístico. Anúncio de 1905 

Há dois anos cerrou suas portas. Este ano
festejaria o centenário. Comercial de 1934 

Anúncio de 1957, quando a fabricação de automóveis
engatinhava no Brasil. 


sábado, dezembro 25, 2010

Dia de Natal

Pe. Nonato Pinheiro,
A Crítica, 1958
Os textos dessa homenagem ao Dia de Natal pertencem ao saudoso padre Nonato Pinheiro, e foram extraídos a crônica de uma revista muito regional e o poema do matutino O Jornal.

A revista era a Manaus Magazine, que guarda algumas peculiaridades, extinguiu-se com a morte de sua produtora, jornalista Denise Cabral. A MM era, aos olhos da produção modernizada, um trabalho artesanal. Denise escrevia a mão os trabalhos jornalísticos. Sua ajudante transcrevia para a máquina e daí a impressão.
De publicação mensal, a revista recolhia contribuição de artistas e intelectuais. Comentava as festas e os acontecimentos da cidade, mais a sociedade com disposição financeira, produzindo um periódico muito conhecido de publicações com a mesma linha. Essas, hoje, em distribuição nacional, são tantas e inumeráveis. A coleção da revista Manaus Magazine foi adquirida pela Secretaria Estadual de Cultura.

Padre Nonato Pinheiro (1922 -1994), intelectual de destacado saber e escritor em tempo integral, membro da Academia de Letras do Amazonas, foi um dos colaboradores. Ao menos nos primeiros números, convidado a escrever a crônica sobre o Natal. A que transcrevo, foi publicada na edição de dezembro de 1958. Quanto ao poema, este circulou em dezembro de 1963.

A mensagem do Natal

O Natal traz à humanidade, todos os anos, uma mensagem venturosa de luz, de amor e de paz. Estrela dos Magos, que há quase dois mil anos refulgiu sobre o humilde presépio do Salvador, em borbotões de intensa claridade, parece que uma vez por ano, na quadra natalina retornar à terra com o mesmo faiscante esplendor, para repetir aos homens, na eloquência do seu clarão, que só Jesus é o Salvador, que só Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, que só Ele é a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo, na frase cintilante do evangelista São João.
Sem o fulgor daquele célebre astro, os Magos não teriam encontrado o caminho de Belém. Também a humanidade, mormente nesta encruzilhada tremenda de caminhos do século XX, em que já se sondam novos caminhos para as viagens interplanetárias, e em que a energia nuclear é uma ameaça constante, geradora de pesadelos sinistros, necessita de brilho de um astro, para não perder o roteiro dos seus excelsos destinos.

O Natal, com a sua sublime poesia e a sua divina claridade, como se fosse a radiação de uma Estrela Magnífica, desperta os homens do letargo da sua indiferença, e do crime das suas negações e apostasias, recapitulando-lhes as verdades eternas que transbordam do Evangelho, o mais alto código de santidade que já se escreveu sobre a terra, cujas palavras brotaram da fonte inestancável daqueles lábios divinos, que um dia se descerraram para a proclamação desta verdade inatingível: “Eu sou a Luz do mundo; quem me segue não anda nas trevas”.
Manaus Magazine, dez. 1958


NATAL de 1958! Neste Natal já iremos sentir uma grande ausência: a ausência de Pio XII, que todos os anos nos trazia uma mensagem radiosa, que arrebatava os corações para o alto. Em dezenove anos já nos acostumáramos aos acordes e aos acentos daquela palavra augusta, toda feita de beleza e claridade, que nos fazia sentir a quase apalpar o mistério profundo do Natal de Jesus.
Neste ano, outra figura, vestida de branco, habita a colina do Vaticano: o Papa João XXIII, o qual também nos transmitirá sua palavra de salvação e de vida, de luz e de sabedoria, insistindo na mesma necessidade da justiça como condição para usufruirmos os benéficos supremos da Paz, que os anjos anunciam na noite fulgurante e santa do nascimento de Jesus: “Glória a Deus nas alturas, paz na terra aos homens de boa vontade”! (...)

“Lux fulgebit hodie super nos! Uma luz brilhará hoje sobre nós – reza a Igreja no intróito da segunda missa de Natal, celebrada ao romper da aurora. Todo o Natal se impregna do clarão dessa luz divina, que nos ilumina e nos arranca das trevas das iniquidades terrenas, elevando os nossos corações para as alturas da vida crista e sobrenatural, lembrando-nos que há uma vida celeste onde a felicidade não se acaba, e onde ouviremos as vozes harmoniosas daqueles mesmos anjos que na venturosa noite do nascimento de Jesus cantaram o mais belo cântico que já se ouviu sobre a terra: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade!”.

O Jornal. Manaus, 22 dez. 1963

domingo, março 14, 2010

MEMORIAL AMAZONENSE

MARÇO, 15

1910 – É ministrada a aula inaugural da Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais, da então Universidade Livre de Manáos. A sessão ocorreu no prédio do GE Saldanha Marinho, ainda hoje localizado na rua de mesmo nome, esquina da Costa Azevedo.

1951 – Lançamento da revista Manaus Magazine, sob a direção da saudosa jornalista Denise Cabral dos Anjos. A publicação perdurou por mais de cinquenta anos, sempre escrita e dirigida pela fundadora.


1955 – Inauguração do Instituto Christus, instalado na av. Joaquim Nabuco. A edificação recebeu a benção de Dom Alberto Ramos, então arcebispo do Amazonas, grande protetor do colégio. Ainda, sob a denominação de Centro Integrado Educacional Christus (Ciec), se mantém sob a administração da família de Orígenes e Berenice Martins, casal fundador. Foto retirada de A Crítica. Manaus, 6 Set.1957.

1971 – É empossado no governo do Estado, João Walter, coronel do Exército. O vice-governador era Deoclides de Carvalho Leal. A posse governamental foi mantida nessa data por algumas décadas. Em 1975, assume a chefia do Poder Executivo Henoch Reis. Graduado pela Faculdade de Direito do Amazonas, ao ser escolhido pelo Governo Militar, era ministro do Tribunal Superior do Trabalho. Na vice, estava João Bosco Ramos de Lima. Em 1979, assume o quinto governador do período militar, José Lindoso, com o vice, Paulo Pinto Nery.
Ainda em 1983, retorna à chefia do Executivo, Gilberto Mestrinho, o primeiro governador da “redemocratização”, acompanhado do vice Manoel Ribeiro. O substituto no governo, Amazonino Mendes, segue o protocolo. Novamente, em 1991, assume o governo do Estado, Gilberto Mestrinho, sendo vice-governador, Francisco Garcia. Hoje, a posse dos governantes em todos os niveis acontece no primeiro dia do ano.





1980 – Surge o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente de Aparecida (Gresmia), sob a presidência de César Bandeira. No carnaval seguinte, desfila na avenida Djalma Batista com o tema – Pai da Aviação: Santos Dumont, organizado pelo carnavalesco Amadeu Pinto.

1982 – Assume a chefia da Prefeitura de Manaus, o industrial João de Mendonça Furtado, nomeado pelo governador José Lindoso. Furtado seguiu na administração da Capital até 17 Mar. 1983.

1985 – Inauguração do Museu do Homem do Norte, situado na Av. Sete de Setembro, e subordinado ao Instituto de Estudos sobre a Amazônia (Iesam) da Fundação Joaquim Nabuco, de Recife. Esteve presente à solenidade, Fernando de Mello Freyre, presidente da organização. O imóvel foi cedido pela Prefeitura de Manaus, lembrando que nesse local esteve aquartelado o Corpo de Bombeiros, antes de se alojar em Petrópolis. Hoje, o museu foi transferido para a rua Quintino Bocaiúva, e o prédio está lamentavelmente abandonado!



2005 – Fundação da Câmara Amazonense do Livro e da Leitura (Call), entidade que abriga os dirigentes de livrarias e de editoras de Manaus, e busca divulgar a produção literária amazonense. Renan Freitas Pinto, diretor da Edua, foi eleito o primeiro presidente. Em nossos dias, quem a dirige é Tenório Telles, da Editora Valer.