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quarta-feira, agosto 26, 2020

NOVA OLINDA NO “NEW YORK TIMES”

Faz bastante tempo. Aconteceu em março de 1956, um ano após o petróleo jorrar nos barrancos de Nova Olinda, no rio Madeira. 

A descoberta foi de tal ordem encantadora para o país, que levou o presidente da República (Café Filho), enfatiotado, junto ao governador (Plínio Coelho), empaletozado, e ao bispo (dom Alberto), paramentado, além de oficiais militares, uniformizados, a enfrentar uma catraia para alcançar aquela cidade.  

Logo, porém, veio o desencanto, aquele petróleo ainda não era “nosso”. É isso que o correspondente do Times comenta no primeiro aniversário do único poço aberto. Lembro-me que três meses depois desse registro – em junho – passei em Nova Olinda e ainda pude recolher em garrafinha de Bromil um pouco daquele óleo. Era autêntica panaceia, servia de unha encravada a alisador de cabelos crespos...  

Compartilhei esta publicação do Jornal do Commercio (14 março 1956) 

NOVA IORQUE, 13 (AM) — Há uma esperança flagrante em todas as cidades e vilas da Região Amazônica de que uma nova era esteja para alvorecer para os seus habitantes, diz hoje o Times, de Nova lorque.

O correspondente do Times Tad Szule, escreve de Manaus que “se o petróleo jorrar em grandes volumes nesta região – e os geólogos consideram isso possível, então será certo o alvorecer de um novo dia para o povo da Bacia Amazônica.”

“A Amazônia, - como os brasileiros a chamam – conheceu a opulência e a grandeza durante o período áureo da borracha que se estendeu do século 19 às duas primeiras décadas do século 20. Foram feitas fortunas com a rica seiva que fluía de milhões de seringueiras”.

Os refinamentos da cultura, civilização e tudo mais que o dinheiro podia comprar penetraram na selva verde e fumegante. Manaus, situada a 608 quilómetros rio acima, mas acessível através do seu grande rio navegável por uma constante parada de navios oceânicos e outras embarcações, tornou-se o centro cosmopolita da borracha no mundo.

Depois veio a queda da borracha brasileira, no decênio de 1920/30. A borracha podia ser produzida mais barata e melhor nas Índias Orientais. Sementes da seringueira brasileira tinham sido levadas para lá, e a Amazônia sofreu um golpe quase mortal.

Szule escreveu que nos últimos anos planos de desenvolvimento governamentais e locais têm trazido “nova vida” à Amazônia. A juta e a castanha do Pará se tornaram seus principais produtos de exportação. A indústria leve tem prosperado.  Uma refinaria particular deverá entrar em funcionamento, em Manaus, em breve, com a capacidade de cinco mil barris diários. A refinaria usará óleo bruto trazido de jazidas peruanas por transporte fluvial.

Continua dizendo Szule: “após quase 40 anos de economia primária a Amazónia e Manaus... estão começando a vibrar. Mas a economia desta região encharcada de água, provavelmente não entrará em fase de desenvolvimento vigoroso se não receber mais assistência. É por isso que a Amazônia reza por petróleo.

Vários poços pilotos estão sendo perfurados em ilhas do Rio Madeira, a uns 240 quilômetros à sudoeste de Manaus. O petróleo jorrou, no ano passado, na ilha de Nova Olinda, e prospectores brasileiros e norte-americanos estão trabalhando com equipamentos novos em folha.

O Times conclui dizendo que “se o petróleo puder ser produzido em grande escala, a Amazônia pudera ter nova bonança. Os rios oferecem canais naturais, e a exportação do petróleo da selva não exigiria novos meios de transporte. Mas muito disso tudo dependerá da capacidade do Brasil para desenvolver a indústria potencial.

 

Faz, hoje, precisamente um ano, em que brasileiros de todos os matizes pulsaram de alegria, com a notícia de que, em Nova Olinda, recôndito escondido e inóspito do Rio Madeira, jorrara o "ouro negro" brasileiro. Faz, ainda, época gloriosa para a imprensa cabocla, quando o JORNAL DO COMMERCIO e a Rádio Baré, impelidos pelo influxo de patriotismo arrojaram todas suas forças para informar, primeiramente ao Brasil, o resultado de uma operação perigosa e acima de tudo aventurosa.

A Petrobrás, naquele dia, respondia aos espiritas pessimistas com a segurança da verdade. Através dos seus trabalhos anônimos e até certo ponto inacreditados, conseguirá à Nação, descobrir o petróleo amazonense. É verdade que, ainda hoje mãos criminosas procuram derrubar, num sopro, o efeito de um trabalho efetuado entre suor e lágrimas.

Mas, felizmente, a Petrobrás não se rendeu nem se renderá. Aos que julgam macular o dia glorioso e histórico de 14 de marco do ano passado terminarão entregando seus dias, vencidos, pela certeza da operosidade.

Não estamos desiludidos. Acreditamos, piamente, envolvidos com o mesmo espírito de brasileiro, que este dia (14 de março) ficará estigmatizado na consciência dos brasileiros, com o marco de nova era de ressurgimento econômico para a Nação.

Resta-nos, somente, augurar melhores êxitos à Petrobrás e almejá-la a reprodução de feitos inusitados como o do dia 14 de março, não apenas na Amazônia, mas em todos os recantos da pátria.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

GOVERNADOR PLÍNIO COELHO

Plínio. A Crítica, 4 fev.58
A biografia deste governador (1920-2001) ainda não foi escrita, precisa ser publicada. Alguns apontamentos esparsos foram produzidos, mas nada que se possa intitular de uma história de sua vida. Assim, vou colocar aqui minha contribuição.

Plínio Coelho tomou posse do Amazonas em 31 de janeiro de 1955, quando a Petrobrás dava os primeiros passos. Ainda assim, a empresa conseguiu a façanha de “descobrir petróleo” em Nova Olinda do Norte, na calha do rio Madeira. Isso implantou o delírio não somente no município, mas no próprio Estado. Diria que no País, visto que a descoberta trouxe a Manaus e Nova Olinda o presidente da República.

Presidente Café Filho, em Nova Olinda
Era um momento de transição nacional, por isso, João Café Filho presidia o Brasil. E ao desembarcar acompanhado de sua comitiva, trouxe o subchefe da Casa Militar, coronel Ernesto Geisel. Na base de Nova Olinda foi realizada uma foto emblemática: o presidente Café Filho, entre o governador do Amazonas e o coronel Geisel, depois presidente da Petrobras e presidente do Brasil no Governo Militar.

O petróleo possuía tudo para redimir o Amazonas, trazer-lhe o desenvolvimento que há muito o rio levara. Mas, como a Petrobras dava os primeiros passos, não foi capaz de se aguentar e acabou "caindo"... deixando no Estado a lembrança de “ uma noite de verão”.


Situado na av. Castelo Branco, hoje bastante desfigurado.
O Jornal, 5 dez. 1956 
Plínio alcançou o governo de Juscelino Kubitschek, que revolucionou o Brasil, com o sonho realizado de Brasília. Quando da inauguração da Refinaria de I.B.Sabbá, JK esteve em Manaus e inaugurou uma ponte (em Educandos) e um conjunto residencial na Praça General Carneiro, onde se contruiu o Palácio Rodoviário (hoje UEA), o cine Ipiranga. As duas obras levam o nome de JK. Há muito mais desse governador.


Café Filho concede entrevista ao Jornal do Commercio, Manaus

Governador Plínio Coelho recebe amostra de petróleo.
Jornal do Commercio, 16 mar. 1955 

A partir da dir. general cmt GEF; Café Filho; Plínio Coelho e
Dom Alberto Ramos, arcebispo do Amazonas

domingo, março 28, 2010

MEMORIAL AMAZONENSE

Março, 28 

1894 – Nasce em Manaus, Carlos Mesquita, filho de Carlos Augusto Mesquita e Felismina Maquiné da Silva. Era tenente da Guarda Nacional. Concursado, assume, em 1920, a cátedra de inglês no Ginásio Amazonense, onde se notabilizou. Foi diretor deste estabelecimento de ensino.



1955 – João Café Filho, Presidente da República, visita o município de Nova Olinda do Norte, devido à descoberta de petróleo na região. Que aconteceu no dia 15. Esse auspicioso acontecimento despertou na comunidade sonhos de crescimento econômico. A presença da maior autoridade do País fomenta e amplia as expectativas. Mas, nada aconteceu, pois a prospecção foi sumariamente cancelada, abortando a tantos devaneios. Na comitiva presidencial, veio o chefe da Casa Militar, então coronel Ernesto Geisel, futuro dirigente da Petrobras e Presidente do Brasil no Governo Militar. Na foto, de Nascimento, publicada em A Crítica (28 mar.), os mencionados personagens ladeiam Plinio Coelho, Governador do Amazonas.
No ano seguinte, junto ao grupo de religiosos que participaram do 2º centenário de Borba, passei no local. Recolhi, como quase todos os colegas uma amostra do petróleo jorrado. Servia para tantos "milagres", asseguravam. Nao conseguiu o mais importante: a explração e a riqueza de Nova Olinda.