CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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terça-feira, março 14, 2023

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (22)

 Dando sequência aos fatos sobre a história da Guarda Policial, hoje Polícia Militar do Amazonas, no período provincial, compartilho novo tópico do meu almejado livro Guarda Policial (1837-1889).

Primeiro comandante

Em 1º de maio de 1876, é nomeado o primeiro comandante da Guarda Policial. Trata-se de Severino Eusébio Cordeiro, tenente reformado do Exército, comissionado no posto de major da Guarda. Nascido no Pará em 1816, Cordeiro assenta praça no Exército em 1833, às vésperas da tomada de Belém pelos cabanos. Por isso, largo tempo de seu exercício militar passa combatendo os revoltosos.

Esteve destacado no Maranhão (1842); em Santarém (1847) e Itaituba (1848), cidades paraenses. Foi desligado da guarnição da província do Pará, em 28 de novembro de 1851, transferido para a do Amazonas. Em dezembro, viaja para Manaus na comitiva do presidente Tenreiro Aranha, empossado em 1º de janeiro de 1852. 

Tenreiro Aranha, 
1º presidente da Província


No dia seguinte, Cordeiro é “nomeado ajudante de ordens do Presidente, do Expediente e do Detalhe Militar”. Contava somente 19 anos de serviço (1833-52) quando foi reformado 1º tenente, em 25 de setembro de 1852, para aproveitar benefícios legais. Permanece em Manaus, servindo à presidência.

E foi longo o tempo de residência, razão pela qual foi alcançado para reerguer a Guarda Policial do Amazonas. Possuía 60 anos. Quão intensamente os nossos antecessores já cultuaram este oficial, durante quase um século atribuíram-lhe a primazia de ser o primeiro comandante da Polícia Militar. A Síntese histórica de 1972, porém, alcançou-o drasticamente e, com ou sem fundamento, cassando-lhe a prerrogativa.


Na mesma ocasião, é nomeado seu ajudante, Marcelo José Pereira Guimarães, no posto de tenente. Nascido em Manaus, torna-se o primeiro oficial da novel instituição, penso que se trata de filho do major Gabriel Guimarães (patrono de uma rua no Centro Histórico), que era o 2º vice-presidente da Província e, nesse interregno, substituía o titular. O tenente permanece pouco tempo na instituição, talvez por esse fato, são raros seus registros corporativos.


Destes comandantes, lamentavelmente, não há registros fotográficos.

terça-feira, novembro 15, 2022

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (10)

Em prosseguimento com a exposição acerca da Polícia Militar do Amazonas no período provincial, associado às efemérides mais destacadas do Estado, compartilho novo tópico do livro Guarda Policial (1837-1889). 

Comandos parciais

Como medida usual, o presidente da inaugurada Província elabora um Relatório, datado de 30 de abril de 1852, a fim de notificar ao governo de Sua Majestade a instalação da nova divisão territorial. O critério adotado por Tenreiro Aranha é franco: rescreve as informações contidas na exposição do governante paraense e, em seguida, anota as disposições tomadas.  “Comando parcial” foi a denominação empregada para explicar a presença de guardas policiais em qualquer localidade amazônica. Como não havia comando unificado, a solução foi designá-las pela localidade onde atuou.

Fragmento da capa do livro ainda no prelo

Neste documento, Tenreiro Aranha ratifica a criação de “22 comandos parciais” de Guarda Policial, conforme a legislação referida, embora, “atualmente só seis se acham preenchidos”, sem, no entanto, esclarecer as localizações. A despeito de o presidente paraense julgar desnecessários esses “comandos parciais’, Tenreiro Aranha, com efetivo militar aquém do requerido, e enquanto aguarda o reforço pretendido junto ao Ministério da Guerra, vê-se obrigado a empregar Guardas Policiais na manutenção dos lindes provinciais amazonenses.

Vasta documentação segue apensa a este Relatório, sendo possível identificar ao menos duas localidades amparadas por fração de Guarda Policial. Uma, “na freguesia de Alvelos”, hoje município de Coari, cuja companhia era comandada por um capitão (não identificado); a outra, situada em Borba, cuja fração recebe ordem para reforçar o destacamento de Maturá(?). Enfim, pela Ordem do Dia de 22 de janeiro de 1852, a presidência da província determina que todos os praças pertencentes à Guarda Policial, ainda que de folga e em destacamento, “façam exercício três vezes por semana”.

Documento nº 12

Neste sentido a portaria ao capitão comandante da companhia de Guardas Policiais da freguesia de Alvelos ou Coari...

Documento nº 15

(...) mandando reforçar o destacamento do ponto de Maturá com um oficial inferior, um cabo e 16 soldados, da companhia de Guardas Policiais de Borba, com vencimentos de 1ª linha. Ver cap. 2º, título 6º, Lei 602, de 19 de setembro de 1850, e instruções do Decreto 722, de 25 de outubro de 1850.

Ao descrever a força militar de linha na Província, Tenreiro Aranha identifica as corporações localizadas e quantifica seus efetivos (12 oficiais de várias classes, nenhum de primeira). O 3º Batalhão de Artilharia, que fora comandado pelo tenente-coronel Floriano Peixoto (1871), deixara “para trás 39 praças em destacamentos”, quando esta unidade fora deslocada para Pernambuco. Portanto, não havia efetivo quer para assegurar as fronteiras, quer para policiar a capital ou marchar com a Guarda Nacional “em qualquer ensejo”.

A capital com uma população de cerca de 20 mil habitantes exigia “uma guarnição suficiente para os serviços diários da praça, que são Guardas, Reforços, Rondas e Ordenanças”. Enfim, o presidente confirma que “toda essa força militar estava sob o mando de um Comandante-Geral Militar, que ultimamente era o tenente-coronel de artilharia Albino dos Santos Pereira; oficial de merecimento distinto, a quem fiz saber que devia seguir para o comando que lhe fora designado por decreto de Sua Majestade, o Imperador.”

terça-feira, novembro 08, 2022

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (8)

Prosseguindo com a exposição acerca da Polícia Militar do Amazonas no período provincial, associado às efemérides mais destacadas do Estado, compartilho um tópico do livro Guarda Policial (1837-1889).

1852

Instalação da Província do Amazonas


“Eram nove horas menos dez minutos da manhã”, de 1º de janeiro, quando em Manaus a Câmara Municipal reuniu-se, sob a presidência do vereador João Inácio Rodrigues do Carmo, para solenizar a instalação da província do Amazonas, empossando o primeiro presidente, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha. Em prosseguimento, foram empossadas as autoridades nomeadas pelo Imperador e aquelas necessárias à administração provincial.

Rua da Instalação, foto do início do sec. 20


Dessa maneira ocorreu a instalação da Província:

O local escolhido – a Câmara provincial, abrigada em uma das melhores edificações da cidade, situada à rua da Instalação (por isso a hodierna denominação) esquina da rua Frei José dos Inocentes (religioso carmelita que, em junho de 1832, foi devotado coadjuvante no movimento de emancipação da “Comarca do Alto Amazonas, compreendida a capitania de São José do Rio Negro”). Este edifício-símbolo subsistiu por décadas, todavia, diante do progresso avassalador, desconhecida autoridade permitiu a demolição, restando somente o terreno desaproveitado como marco inauguratório da Província do Amazonas.

A solenidade encerrou-se com os festejos de praxe e o Te Deum, entoado na modesta capela de Nossa Senhora dos Remédios, em razão do desaparecimento da primitiva Matriz, arrasada por um incêndio em 1850.

 

Observa-se no competente termo do Auto de Instalação da Província um respeitável número de assinaturas, nenhuma feminina! Ocorria ou devido a discriminação machista, ou pelo pouco trato das damas com a caligrafia? Ou ambos? Entre tantas marcas pessoais ou rubricas, distinguem-se as de José Antônio Barroso, “vereador e alferes da Guarda Policial”, precedendo a de Albino dos Santos Pereira, tenente-coronel comandante do Comando Geral Militar do Amazonas.

Quanto à origem policial ou militar do vereador José Barroso impõem-se dúvidas. Pertenceria a alguma remanescente Guarda Policial da região ou, ainda, à Guarda Nacional? Não obstante desconhecer qualquer outro registro acerca deste policial, reconheço que se trata de presença significativa da instituição no mais alvissareiro acontecimento político do Amazonas.

 

No terço final do Auto, distinguem-se duas respeitáveis presenças: a de Justo Mavignier de Castro, que legou valorizada descendência. E a do tenente Severino Eusébio Cordeiro, ajudante de ordens do presidente da Província, este sim, o primeiro sabido comandante da Polícia Militar do Estado. O referido documento revela ainda o comparecimento de Manoel da Silva Ramos, proprietário do primeiro matutino a circular nesta província e progenitor de respeitável prole.


Assinatura de João Wilkens de Mattos


 

Auto de Instalação da Província do Amazonas


Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e cinquenta e dois, trigésimo primeiro da Independência e do Império, ao primeiro dia de janeiro do dito ano, nesta cidade de São José da Barra do Rio Negro, e Paço da Câmara Municipal respectiva, pelas dez e meia horas da manhã, onde se achava reunida a mesma Câmara, e sendo aí presente o excelentíssimo senhor João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, que acabava de prestar juramento e tomar posse do cargo de Presidente desta Província por ter sido nomeado por Carta Imperial de 7 de junho último, nos termos da lei; e depois de tomar o juramento e dar posse aos demais empregados nomeados pelo Governo de Sua Majestade, o Imperador, para chefes das diversas repartições; e em presença da mesma Câmara, de todas as autoridades civis, militares e eclesiásticas, e de grande concurso de cidadãos, que se achavam reunidos no dito Paço, declarou o mesmo excelentíssimo senhor, que em virtude da dita Carta Imperial, e das instruções do Governo de Sua Majestade, o Imperador, instalava a Província do Amazonas, criada pela Lei geral número quinhentos e oitenta e dois, para que nessa categoria entre em suas regalias. E, para constar, mandou lavrar este auto que assinou o mesmo excelentíssimo senhor e, após ele, todas as demais autoridades, tanto desta Capital, como das vilas e freguesias da Província, que se achavam presentes. E eu, João Wilkens de Matos, secretário do Governo por sua Majestade, o Imperador, o escrevi. 

segunda-feira, outubro 31, 2022

PMAM: SEUS PRIMÓRDIOS (7)

Novo tópico sobre o período provincial da Polícia Militar do Amazonas, associado às efemérides mais destacadas do Estado, compartilhado do livro Guarda Policial (1837-1889).

Ano de 1851

 

Tenreiro Aranha

Em ato de 7 de junho, o Governo Imperial nomeia João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha presidente da nova província. O primeiro presidente do Amazonas era filho do poeta Bento de Figueiredo Tenreiro Aranha, nascido a 23 de junho de 1798 e falecido a 19 de janeiro de 1861, ambos os fatos na cidade de Belém (PA). Na história regional, os autores mais avultados são unânimes em considerar de integral equidade a designação desse político para instalar a novel província. A razão é bastante singular: a despeito de representar, como deputado, a província do Pará na Assembleia Geral, propugnou “com longo e tenaz esforço” pela emancipação amazonense, sendo autor de ao menos uma indicação com esse objetivo.

Tenreiro Aranha

Para assumir o encargo, Tenreiro Aranha embarca em Belém, em 9 de dezembro, viajando no vapor Guapiaçu, da Marinha. A bordo viajou o pessoal nomeado para as repartições civis e militares da nova província, exceto o tenente-coronel Albino Pereira dos Santos, que já ocupava em Manaus o Comando Geral Militar, recorda o primeiro filho do presidente, talvez companheiro nesta aventura rio acima. A delegação desembarca aqui, na tarde de 27 de dezembro, após dezoito dias de viagem.

Em retribuição ao desempenho do primeiro governante, o Amazonas fez erigir o monumento inaugurado na praça com seu nome. Esta memória, todavia, para monumentalizar a praça Cinco de Setembro ou, se preferir no popular, da Saudade, ali foi remontada em 1932.

 

Exposição presidencial

O presidente da província do Pará, Fausto Augusto de Aguiar, cumprindo a práxis administrativa, encaminha em 9 de dezembro ao presidente da nova província, Tenreiro Aranha, uma extensa Exposição. Este documento buscava instruir abertamente o colega relativamente às medidas prévias adotadas no território desmembrado.

Acerca de a Força Militar, comenta a existência do Comando Geral Militar (criado pela portaria de 5 de julho de 1837), então sob a direção do tenente-coronel Albino dos Santos Pereira, desde 28 de outubro de 1850. Este oficial já foi designado para o comando do Corpo de Artilharia na província do Mato Grosso, devendo passar o comando e “recolher-se ao seu Corpo”. Subordinados a este comando, “foram em diferentes tempos criados (...), 22 comandos parciais, mas atualmente só seis se acham preenchidos”, constante do Mapa nº 1, cujo anexo inexiste nos relatórios arquivados em Manaus. Portanto, não há como avaliar essa instituição.

Sobre a Guarda Policial, aquela autoridade paraense expõe breve análise:

 

Tendo inteiramente cessado as circunstâncias extraordinárias que motivaram a criação de tais comandos parciais, são eles, atualmente, no meu entender, salvo nos pontos principais das nossas fronteiras, além de desnecessários, prejudiciais ao serviço público, por darem ocasião a frequentes e desagradáveis conflitos entre a autoridade militar e as civis das localidades.

Ainda a propósito da Guarda Policial, matéria deste resumo, reitera: “criada em toda essa Província pelas Instruções de 4 de abril de 1837, para substituir a Guarda Nacional, dissolvida por ocasião da rebelião de 1835, compõe-se, na nova província, de dois batalhões com a força de 1.339 praças”. O Mapa nº 4, que detalhava o efetivo dessa força, também não foi alcançado.

Este número tão elevado de guardas sempre causou perplexidade aos integrantes da Polícia Militar do Amazonas, todavia, a explicação é singela: naquele ensejo, a obrigatoriedade do serviço policial – predominantemente militar – atingia os homens entre os 15 e os 50 anos, sem que lhes fossem pagos soldo, salvo se empregados no serviço. “Como o cidadão válido pertencia, obrigatoriamente, às Polícias, registram-se efetivos assustadores para a época e para a população da Capitania”, sintetiza desembargador piauiense Tito Filho (1985).

domingo, agosto 25, 2019

ANIVERSÁRIO DE MANAUS



O painel aqui exposto circulou no aniversário de Manaus, quando a capital do Amazonas completava 310 anos, portanto, em outubro de 1979. Os homenageados foram o fundador da Província - Tenreiro Aranha; o governador do Estado – José Lindoso; o prefeito de Manaus – José Fernandes; e o superintendente da Suframa – Ruy Lins.



terça-feira, janeiro 16, 2018

UMA QUASE EXPERIÊNCIA JORNALÍSTICA [2]




Abaixo, a segunda parte de uma experiência própria em iniciar uma coluna jornalística. Ainda bem que permaneceu apenas na experiência.  
O Resumo (pretenso título da coluna) não passou no teste.


RESUMO

SEMANA DA PÁTRIA/96
Morna, a despeito do tempo calorento, repleta de fatos estranhos: seu início ocorreu no segundo dia. Afinal, começar em um domingo, não dava. Na segunda, o trânsito foi destroçado pelo fogo simbólico. Depois, um balé selvagem animou os transeuntes, porquanto as gradas autoridades não deram o mínimo. Desculpe, sim, o governador deitou falação e gabou o esforço estudantil. A semana homenageava o Meio Ambiente, tão em moda, mas o fogo queimava a árvore debaixo da qual espalhava sua chama. No dia 5, inventaram uma homenagem ao primeiro governador - Presidente Figueiredo, não apareceu qualquer autoridade. Caiu do céu um buquê de flores. A banda de música não tocou, mas o povão queria mesmo era o festival da Velha Serpa. Aos pombos nosso fundador.

SEMANA DA PÁTRIA (II)
Na noite de cinco, no Centro de Convenções, depois que a turma do governador driblou o candidato Serafim, deu-se início a partida, com direito a “ponta esquerda”. Ocorreu novo trabalho estudantil: a criação do mundo e da Amazônia, com a presença de inúmeros animais. Todos, menos, quem?, o boto “cor de rosa”. Foi uma produção que me recordou muito uma americana de 1964, que apresentava passou por Manaus com um elefante. O difícil era limpar o excremento do paquiderme.
No dia 7, que felicidade, um arco-íris de luzes (vermelha e azul) cobriu a pista do Centro. Era a segurança internacional na cidade de Amazonas. E, finalmente, o pavilhão nacional que arriou antes do horário regulamentar. Dezoito horas! Fica para 1997, cuja semana acontece igualmente em setembro.

TENREIRO ARANHA
Contou-me o presidente do IGHA, em tarde de chá acadêmico, que uma experiência japonesa, bem sucedida, deu vida a estátua do primeiro governador. Para quem desconhece sua localização: na praça da Saudade. O autor do milagre, evidentemente surpreso, recomendou ao ex-presidente da Província que descesse, a fim de conhecer a moderna Manaus, na fronteira do ano 2000.
A primeira decisão do novo habitante manauara foi de sacar a honrada espada. Ao vê-la empunhada, pensou o cientista, enfim, o homem vai decidir a eleição. – Qual nada, disse o presidente Figueiredo, primeiro vou acertar as contas com esses pombos, ora pombas!  

GATO DE LUZ

Escrevi para a Eletronorte informando de que iria cancelar o pagamento de minha conta de luz. Se alguém deseja copiar o exemplo, é bom ler o texto até o final. Na esquina da rua onde moro aconteceu uma invasão. Já entenderam, decerto. Pois, bem, junto a um poste há mais fios que um pisca-pisca natalino. Reclamar, reclamei com nome e endereço, cpf e cic e outros comprovantes (inclusive de renda). Nada. Por isso vou de cidadania, a igualdade de direitos expressa na Constituição. Se todos pagam, vou pagar. Atenção, a concessionária de energia elétrica ainda não se dignou de me responder. 

segunda-feira, setembro 05, 2016

ELEVAÇÃO DO AMAZONAS À PROVÍNCIA

Compartilho o texto abaixo do dr. Antonio Loureiro, presidente do IGHA (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas) que, para relembrar esta efeméride, o publicou em sua página social.
Teatro Amazonas e o monumento a abertura dos Portos
5 DE SETEMBRO DE 1850


Até agosto de 1823, o Estado do Brasil, com sede no Rio de Janeiro, conseguiu cooptar as administrações portuguesas dos Estados do Maranhão, com sede em São Luís, e do Grão-Pará e Rio Negro, com sede em Belém, e essas colônias portuguesas foram incorporadas a ele, com as suas Capitanias transformando-se em Províncias do Brasil. 
A anexação da esquecida Capitania do Rio Negro ao Brasil deu-se, somente em novembro de 1823, quando tomou posse a primeira Junta Provincial, que foi sendo prorrogada até 1825, quando por ordem do Governo Imperial de D. Pedro I, foi extinta e a região anexada ao Grão-Pará, passando toda a Amazônia a ser uma Província única, correspondendo quase à metade do Brasil.
As solicitações do Alto Amazonas jamais foram ouvidas em todo Primeiro Reinado, até o desencadeamento da Rebelião de 1832, quando a população de Manaus criou a efêmera Província do Rio Negro, derrotada por uma força militar, mandada pelo Império.
Passaram-se mais 18 anos de subordinação indevida ao Grão-Pará, até que a Assembleia Nacional Legislativa, através de Lei apresentada pelo deputado paraense João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, cuja origem familiar estava na vila de Barcelos, reconhecesse e criasse a nova Província.
Isto ocorreu no dia 5 de Setembro de 1850, a data que hoje comemoramos, o reconhecimento da Província do Amazonas, esbulhado desde 1823.
Esta libertação do domínio político paraense, transformou-se no controle econômico da região, pela exclusividade do transporte fluvial a vapor concedida, no dia seguinte, 6 de setembro, à Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas, pertencente ao barão de Mauá.
Antonio Loureiro

Presidente do IGHA

sexta-feira, março 04, 2016

EDUCAÇÃO NO AMAZONAS: NOTAS

Sacadas do folheto intitulado – AGNELLO BITTENCOURT: o Historiador da Cultura e Educação do Amazonas, do saudoso professor João Crisóstomo de Oliveira. 

Ginásio Amazonense D. Pedro (em construção)

  

Conforme a Carta Magna do Império, consequência do Ato de 7 de setembro de 1822, no seu 2º artigo, a Capitânia de S. José do Rio Negro deveria entrar na lista das Unidades Administrativas do Brasil com o nome de Província do Amazonas. Mas, na execução da lei fundamental, esse predicamento não lhe foi conferido, sendo mesmo rebaixada à simples Comarca do Pará, até que a 1º de janeiro de 1852, quando, afinal, pode entrar na outorga de sua autonomia política.

Nessa preterição de 30 anos, quase nada se fez pelo Amazonas, principalmente quanto ao ensino do povo. Basta dizer que o primeiro presidente da novel província, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, encontrou criadas somente oito escolas elementares em todo o território de sua jurisdição, sendo três em Manaus. Do interior, nem todas estavam providas. Dentre os múltiplos problemas a enfrentar, afigurou-se-lhe o do ensino um dos mais sérios e urgentes. Nesse ramo, foi febril a sua atividade e dos seus auxiliares.

Enquanto não se concluiu o Regulamento da Instrução Pública, a fim de que não fosse obra de afogadilho, Tenreiro Aranha mandou adotar algumas normas do ensino da Província do Pará. O certo é que a 8 de março do mesmo ano (1852), estava pronto e, logo, em vigência o Regulamento nº 1, da Instrução Pública da Província. É obvio afirmar que não existia, na província, nenhum curso secundário organizado. O Seminário Episcopal de Manaus, fundado quatro anos antes de instalada dita província, sob os auspícios do arcebispo do Pará, não era nem Liceu, nem Seminário, mas um estabelecimento destinado a ensinar apenas algumas disciplinas do curso geral de "humanidades" ou "preparatórios".

Pouquíssimos os estudantes inscritos nas seguintes matérias: Latim, Francês, Retórica, Geografia, História e Matemática. Somente mais tarde, criou-se a cadeira da Língua Portuguesa, pois à época, entendia-se que o estudante, tendo conhecimento do Latim, estava dispensado de estudar o seu próprio idioma. No entanto, havia obrigação de saber Retórica (Lógica, Eloquência, Figuras de imaginação etc.). Para aplicar em que língua?

As preocupações dos estadistas dos primeiros anos do Império estavam voltadas para a alta cultura, com menosprezo do ensino primário. Nas províncias mais adiantadas, seguia-se o modelo pedagógico da Corte. Desejava-se formar uma elite de intelectuais. Era tudo. Mas D. Pedro, não obstante o seu clássico estouvamento, tinha também rasgos de um iluminado, como o prova a Lei de 15 de outubro de 1827, ordenando a criação de "escolas de primeiras letras" em todas as cidades, vilas e lugares em que fossem necessárias". Tal data (modernamente), inspirou o Dia do Professor.
O monarca, leviano e doidivanas, fazendo pôr em imediata execução o seu pensamento e sua vontade, resgatou, em boa parte, as atitudes destemperadas de sua índole, impulsiva, arrebatada.

Retornando ao Seminário, onde o Governo provincial criou e financiou duas ou três cadeiras, pode-se dizer que foi lá, embora sem caráter oficial, o berço do nosso antigo Liceu, os pródromos do ensino público secundário dado pela Província, até que se fizesse a sua real e efetiva criação e mudança de sede.

Fora de dúvida que esse educandário particular, que tantos serviços prestou à cultura amazonense, foi o pioneiro do ensino secundário na região. Bem haja sua memória: Quem perlustrar os anais das primeiras décadas da evolução social e política, nos cargos de altas responsabilidades, da vida local, verificará que quase todos os funcionários, ou simples comissários, foram filhos espirituais do Seminário. Foi pena que um dia os maus fados lhe tivessem cerrado suas portas, por falta de recursos financeiros.
* * *
Dois motivos poderosos impediram que os administradores do Amazonas, naqueles tempos de expectativas e ensaios, realizassem uma obra mais eficiente: a escassez dos créditos do erário e a falta, quase absoluta, de pessoal habilitado para os cargos do governo. Não teriam os governantes, isto é, os presidentes que a chefia do Gabinete Ministerial, então no Poder (sistema parlamentarista), todos mandados do Rio de Janeiro ou seus substitutos legais, gente de Manaus, suspeitado nada se conseguir, no campo do ensino, sem a criação de uma Escola Normal? Não é possível crê-lo.
Faltava ser escolhido um cidadão que tivesse a coragem e a clarividência de lançar a ideia. Esse foi o presidente Angelo Thomaz de Amaral em seu Relatório à Assembleia Provincial, de 19 de outubro de 1857. Disse ele: "Proponho a criação de uma Escola Normal e de um Internato para o ensino secundário". Fazia-se mister malhar a bigorna. A Thomaz do Amaral, seguiu-lhe o pensamento o conselheiro Francisco José Furtado, presidente da Província, em seu Relatório aquela Assembleia, de 7 de setembro de 1858:

"Pouco ou nada tem feito, Senhores, o Poder Público em favor da Instrução popular, com criar cadeiras, se não cuida dos meios de preparar os mestres, se não lhes oferece um futuro e incentivos para se aperfeiçoarem, esperando promoção e recompensas segundo os seus progressos e merecimentos".
E propõe a criação de uma instituição de alunos-mestres (Manoel de Miranda Leão, Antiga Província do Amazonas, in: Anuário do Ginásio Amazonense Pedro II. Ano I, p. 30, Manaus: 1925). 
(continua)

domingo, outubro 05, 2014

PRAÇA TENREIRO ARANHA




Para recordar o aspecto deste logradouro, diante da miséria que se observa em nossos dias. Detalhe: aqui esteve instalado o monumento do primeiro presidente da província do Amazonas. No entanto, para monumentalizar a Praça da Saudade – onde se encontra – o pedestal foi deslocado para aquele espaço.

Vemos na foto com mais destaque a sede do extinto jornal A Notícia. Ao fundo, parte da Catedral e, ainda mais ao fundo, o edifício do Iaptec, hoje INSS. 

Anos 1970