CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

31 de julho de 2011

Câmera de Segurança

Desde que o governo implantou câmeras de segurança em esquinas, tornando a cidade em big brother, fiquei possuído da melhor expectativa.

A expectativa era de que o Ciops não acabaria com os delitos, mas que inibiria os ataques, e mais, estaria capacitado a desvendar com mais presteza os crimes registrados pelas lentes.
Carro com vidro estourado e (ao fundo) o poste com a câmera

Nesse sentido, cheguei incentivar a uma vizinha que tivera saqueado seu automóvel, que o estacionasse na proximidade de uma câmera. Assim, graças à tecnologia, estaria livre de meliantes. Ainda bem que ela não me ouviu.

Dias desses, na esquina da avenida Sete de Setembro com a rua Igarapé de Manaus, deparei com a cena que ilustra esta postagem. O carro mostrado amanheceu com um vidro traseiro estourado. Como a ação criminosa levou certo tempo, pois, afora a janela arrombada, foi aberto o capô para que alguém cortasse as ligações do sistema de som, é certo que a câmera captou o delito.

Em resumo, o ataque levou algum tempo, e um assaltante se expos a visão da câmera, que fica no poste em frente. Mas nada foi feito pela polícia ou pelo órgão gerente deste mecanismo, o Ciops. Nada.

Portanto, mudei completamente, pois as câmeras não intimidam; não oferecem registro compatível; não dispõem de meios para acionar os órgãos de segurança; não facilitam aos ofendidos a consulta aos registros. E poderia listar outros não.

Enfim, estou convicto de que o governo joga dinheiro fora com esse serviço.

30 de julho de 2011

Clube da Madrugada

Jorge Tufic, autografando O sonho de Tibério
Na próxima semana, teremos um novo livro sobre as artes plásticas, tendo como parâmetro a marcha do Clube da Madrugada. Aquele movimento literário surgido em 1954, que quando se pensa que desapareceu totalmente, eis que ressurge em páginas de nossos escritores e pesquisadores.



Outro livro, que foi lançado na Academia Amazonense de Letras, na quinta-feira passada, trouxe em suas páginas uma nota sobre este inolvidável Clube.


Trata-se de O sonho de Tibério, de Jorge Tufic, que foi presidente do Madrugada, por isso guarda no íntimo o “fogo olímpico” daquela extraordinária chama. Em Ainda o Clube, Tufic revela e compara os dois tempos, o passado sob o “mulateiro” e o atual, em que o novo ambiente muito lhe assusta.

Leia a seguir.

Após vários encontros, deu-se a fundação. Simplesmente aconteceu.
Madrugada de 22 de novembro de 1954. Debaixo do velho mulateiro, quase em frente ao portão do quartel da Polícia Militar, na praça do Ginásio Amazonense ou Ginásio D. Pedro II. A boemia literária emocionava a juventude da época, e aos papos diários em redor do pavilhão "São Jorge", do amigo Pina, apareciam, com regularidade, estudantes, professores, advogados, operários etc.

O maior contingente de jovens parecia vocacionado para as ciências sociais, contábeis, econômicas, entre outras. Os artistas e poetas quase não se importavam com isso. Eles já tinham a sua própria Universidade. A Universidade da Vida, que ficava ali mesmo na República Livre do Pina, um delta que em 1965 receberia o nome de Gonçalves Dias, sem faltar a escultura do grande indianista, por Álvaro Páscoa.

Nessa fase primitiva do Clube, e por conta da boemia, sagravam-se os guapos Cavaleiros de Todas as Madrugadas do Universo, brindava-se ao luar com a taça das Valquírias, compunham-se versos nas lousas do cemitério de São João Batista, em pleno Boulevard Amazonas; fazia-se o circular do bonde a pé (segundo nos ensinara o poeta Paulo Monteiro de Lima), tudo isso numa só algazarra de festas e cantos heroicos (Marselhesa, Internacional, em primeiro lugar).

Esgotou-se, portanto, o vinho de Hamlet, sorvido às pressas no crânio do Vivente Desconhecido. A partir daí, começam a surgir os grupos dentro do Grupo. Música, teatro, literatura, cinema, estudos sociais, história, amazonologia. Eclodia o Movimento Madrugada, iniciando-se a tentativa de demolição dos valores acadêmicos. Uma estética nova, legitimamente regional, esboçava-se, com certa hesitação, em nossa primeira revista: "Madrugada" 1, 1955.


A seguir viriam as páginas literárias, palestras e debates orientados pelos companheiros Saul Benchimol, Francisco Batista e Jefferson Péres. Com a edição dos primeiros livros, programas de rádio, exposições de pintura e desenho, filmagens com roteiros cinematográficos etc., a mobilização atingiria o seu clímax por volta de 1967. A essa altura, e por falta, naturalmente, de oportunidade ao ingresso de novos clubistas, entre tantos espectadores interessados na causa, bate o refluxo.


Reduz-se o grupo dos abnegados plantonistas da aurora, o fogo olímpico decresce na pira da resistência. Ele mastiga os últimos clarões que lhe deram os primeiros gravetos da luta, mas não cede ao desmaio total.

As gerações que ficaram de fora, aí estão, sem terem muita coisa a dizer sobre o Clube da Madrugada. E os tantos outros que se fundaram por aí, com distinção para o de Brasília, o que resta deles?
Quando vou a Manaus fico a rever este cenário da praça, hoje tão diferente. Me assusta, porém, que todos nós ainda estejamos por ali, como à espera de alguém mais para o quórum de votação do anteprojeto dos estatutos. Sem dúvida, inúteis.

Almoço dos coronéis, em julho

Sucedeu ontem, no Emporium Roma, o encontro mensal dos coronéis inativos da Polícia Militar. Aceitando convite dos colegas, compareceu ao festim o coronel Almir David Barbosa, comandante-geral da corporação, acompanhado de seu assistente, tenente-coronel Samuel Farias.

Parte dos presentes, com Medeiros e
Okada em primeiro plano


Bom número de companheiros compareceu, alguns pela primeira vez, valendo sempre pelo reencontro de velhos camaradas. As recordações da caserna, com os acertos e os desacertos, pontuam o papo.


Ontem, ao final da mesa, usou da palavra o coronel Eber Bessa para recepcionar o convidado ilustre. Aproveitou para desejar ao coronel comandante-geral o sucesso nesse dificílimo cargo que, a cada dia, exige disposição reforçada para enfrentar os entraves da segurança.
Coronel Nogueira euforico, mostra o número de gols do seu Flamengo

Coronel Eber sauda o comandante-geral, com Medeiros, Câmara
e Pereira atentos.

Coronel Almir David agradece aos companheiros a homenagem
Compareceram cinco ex-comandantes: coronéis Helcio Motta; Odacy Okada; Amilcar Ferreira; Romeu Medeiros e Mael Sá. Os demais convivas foram os coronéis José Cavalcanti; Antonio Carlos Pereira; Abelardo Pampolha; Luiz da Rocha; Célio Silva; Claumendes Cardoso; Antonio Santarém; Ary Renato; Raimundo Régis; Deusamar Nogueira; Eber Bessa; Pedro Câmara; Valente Pereira; Odorico Alfaia; e Roberto Mendonça, que postei esta nota.
Coronel Roberto, dono do Blog, e Okada alegres com o encontro
O próximo encontro, acertado para 26 de agosto, ocorre em novo restaurante.

29 de julho de 2011

Deu no Jornal do Commercio, em 1971

Jornal do Commercio,
29 jul. 1971
Há 40 anos, falecia o advogado Renato de Souza Pinto, vítima de acidente de trânsito na rodovia Torquato Tapajós. O conhecido advogado fora vereador e deputado estadual por três legislaturas.

O acidente alcançou Renato Pinto dirigindo seu veículo, o Fusca de placa AB-7954 (MG), perto do quilometro 14, onde a Secretaria de Produção possuía um campo experimental. Certamente o condutor perdeu a direção do veículo, que se precipitou em um “pequeno abismo”, causando-lhe a morte.

Renato Pinto nasceu em 1922, no rio Juruá. Era casado com Maria de Lourdes Xavier Pinto, com quem teve quatro filhos. Possuía escritório na rua Henrique Martins, altos da Cruzeiro do Sul, sala 103, associado ao Dr. Sandoval Gomes de Oliveira.

Outra atividade exercida pelo mencionado era a desportiva, tendo exercido a presidência do Departamento de Futebol do São Raimundo EC. Seu sepultamento ocorreu no cemitério São João Batista.


Manoel Bastos Lira, 1971
A outra notícia era, ao contrário da anterior, bem alvissareira. Tratava-se da concessão do título de membro honorário da Academia Nacional de Farmácia ao professor Manoel Bastos Lira.

É sabido que esta instituição confere este título muito raramente, distinguindo apenas personalidades que tenham, de fato, se destacado no campo da Farmácia brasileira.
Bastos Lira era então diretor da Faculdade de Farmácia e Odontologia da UA, hoje Ufam. E havia recebido, em janeiro do mesmo ano, no I Congresso Brasileiro do Ensino Farmacêutico, a Medalha do Mérito Farmacêutico.

O eminente Acadêmico Honorário morreu, em Manaus, a 1.º de setembro de 1998.



28 de julho de 2011

Academia Amazonense de Letras (VI)

Para comemorar o Dia do Escritor, acontecido em 25 de julho, a Casa de Adriano Jorge realizou hoje a noite uma sessão especial. A mesa diretiva esteve sob a presidência do acadêmico José Braga, do secretário-geral Almir Diniz e do diretor de edições Marcus Barros.

Além dos citados, ocuparam a mesa o escritor José Carlos Gentili, presidente da Academia de Letras de Brasília; Marcílio Luís Reinaux, presidente da Academia Brasileira de Cerimonial e Protocolo; Geraldo dos Anjos, presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, e o acadêmico Cláudio Chaves, presidente da Academia Amazonense de Medicina.

Compareceram à cerimônia os acadêmicos Abrahim Baze; Francisco Gomes; Armando de Menezes; Arlindo Porto; Moacir Andrade; Jorge Tufic; Rosa Mendonça; Carmen Novoa; Max Carphentier e Elson Farias.

A abertura do evento ocorreu com a execução (poucos cantaram) do Hino do Amazonas, de autoria do poeta Jorge Tufic, pelo Coral João Gomes Junior. Em seguida, ocupou a tribuna o ex-presidente da Casa, Elson Farias,  para a saudação oficial.

Na  sequência, foi entregue o título de Sócio Correspondente ao presidente da Academia de Letras de Brasília, que usou da tribuna para os agradecimentos, ocasião em que efetuou uma sucinta aula sobre a história do Amazonas.
Os livros lançados


Para fazer o lançamento das obras editadas pela Academia falou o acadêmico Marcus Barros, diretor de edições. Finalmente, emprestando mais beleza ao evento, o Coral João Gomes Junior efetuou uma apresentação especial, homenageando os escritores amazonenses, encerrando com um trecho da ópera Carmen, de Bizet, que despertou vivas manifestações da plateia.

Os livros foram ofertados aos presentes, que puderam receber autógrafos dos autores Jorge Tufic e Rosa Mendonça, seguido de um coquetel na sala Mario Ypiranga.

27 de julho de 2011

Quarentanos do Colégio Militar de Manaus

Capa do convite comemorativo
Em agosto de 1971, o saudoso coronel Jorge Teixeira inaugurou o Colégio Militar de Manaus (CMM), ocupando um centenário prédio do Exército. Nesta edificação foram aquartelados, entre outras unidades militares, o 27.º BC (Batalhão de Caçadores), seguido pelo comando do GEF (Grupamento de Elementos de Fronteira).

Outro detalhe que cercava este quartel era seu domínio sobre a Praça General Osório, local de muitos embates esportivos e do Festival Folclórico do Amazonas.

O funcionamento do CMM implantou em Manaus modernas técnicas pedagógicas, beneficiando não apenas aos dependentes de militares, mas a inúmeros civis, que seguem orgulhando o Estado. O atual Comandante e Diretor de Ensino é o coronel Marinho Pereira Rezende Filho, que convida a comunidade para visitar a Exposição que se estende de 1.º a 12 de agosto.

Contracapa do Convite e a programação (abaixo)

26 de julho de 2011

Acidentes de aviação em Manaus



Há 40 anos aconteceram dois acidentes de aviação em Manaus. Ambos no Aeroporto de Ponta Pelada, hoje Base Aérea de Manaus.

Em 22 de abril, acidentou-se e foi tomado pelo fogo o avião C118–2414, tipo DC6, em viagem do Correio Aéreo Nacional para o Galeão. Morreram no desastre 16 pessoas, entre elas, “duas crianças de colo e dois menores” e escaparam ilesos os sete tripulantes e 62 passageiros. 
O incêndio aconteceu após a aeronave retornar à pista a fim de reparar a “trepidação em um dos motores”. Apesar de socorrida prontamente pelas três viaturas (recém-adquiridas na Alemanha e, portanto, estreando) da seção de contra incêndio da Base Aérea, pouco pode ser realizado.

Diante da evolução do fogo os Bombeiros de Manaus foram acionados. Aquartelados na avenida Sete de Setembro, logo chegaram ao Ponta Pelada, mas também estes pouco realizaram. Senão recolher os mortos.
A quantidade de comburente ameaçava o resgate e, por isso, o fogo deixou o enorme avião “reduzido a cinzas”. O cadáver de uma criança comoveu duramente o habituado major Nicanor Gomes, comandante do então Corpo de Bombeiros de Manaus.

A descrição deste fato foi retirada do Jornal do Commercio, de 23 abr. 1971.
Foto do avião acidentado, do Jornal do Commercio, 27 jul. 1971
O segundo acidente sucedeu com o Boeing 727 de prefixo PP-CPG, pertencente a SA Cruzeiro do Sul, que foi adquirida pela Varig. O avião, que efetuava o vôo 406, procedente do Rio de Janeiro com escala em Brasília (DF), sofreu um principio de incêndio ao efetuar o pouso.

Noticiário do jornal 
Eram 19h e o Aeroporto de Ponta Pelada acolhia respeitável número de pessoas, aguardando os passageiros. Para recepcionar o general Álvaro Cardoso, comandante do CMA e 12.ª RM, passageiro do Boeing, encontravam-se no saguão o governador do Estado, coronel João Walter, o vice-governador, Deoclides de Carvalho Leal, oficiais das Forças Armadas e outras autoridades.

Quando o avião alcançou a pista, ouviu-se um forte estouro e viu-se o fogo tomando a parte traseira do Boeing. O fato causou nos presentes momentos de expectativa e emoções. Mas, o avião deslocou sem muitos problemas pela pista até ser alcançado pelas quatro viaturas de bombeiros da Aeronáutica. 
Havia a bordo 80 passageiros, que foram socorridos sem problemas. Apenas a “asa direita” da aeronave ficou parcialmente danificada. O aeroporto ficou interditado, pois o avião da Cruzeiro “encontra-se no meio da pista”.


25 de julho de 2011

De Ônibus com L. Ruas

25 de julho

Dia do Escritor - do Motorista e do Colono


Para comemorar a tríplice data, recorri ao saudoso escritor L. Ruas (1931-2000) que, nos idos de 1950, sacou em simples e curto trajeto de ônibus reflexões oportunas, de um mestre nas ciências humanas. Na época, os ônibus eram conhecidos pelos nomes, alguns até protegidos pelos santos.

Mesmo com as modificações que o avanço de Manaus impôs, o texto segue oportuno e realista. Para saudar o dia do Colono, tomo a liberdade de sugerir que o cachorro presente no ensaio de L. Ruas, pertence ao colono.


ÔNIBUS
L. Ruas*

* Luiz Ruas, padre-poeta, professor de Psicologia e Filosofia, era usuário de ônibus no trecho da av. Joaquim Nabuco, onde residia. Obviamente quando nos fala em dez minutos de percurso, não imaginava a hora e meia que leva hoje a viagem para a Zona Leste. E que lições nos teria deixado.

Publicado em A Crítica, Ronda dos Fatos, 20 dez. 1957
Lá pelas nove horas da manhã lavada pela chuva, pela última chuva que se despencou sobre os telhados de nossas casas, apanhei o ônibus que faz a linha Joaquim Nabuco-João Coelho.
Àquela hora os ônibus já trafegam relativamente vazios. Em geral, seus passageiros são alguns retardatários de volta do mercado, caracterizando-se pelas bolsas quase vazias. É também a hora em que as donas de casa, quase sempre acompanhadas de seus filhos pequenos que ainda não vão para a escola, vão fazer suas compras.

Extraído do Jornal do Commercio, Manaus, 7 nov. 1971
  Os ônibus têm o mesmo destino de todos os transportes coletivos. Dentro deles se reúnem e confraternizam, no espaço curto de uns cinco a dez minutos, os mais variados tipos humanos. Todos sofrem os solavancos, todos caem, ao mesmo tempo, nos mesmos buracos. Suportamos os outros não só moralmente como queria São Paulo mas, também, fisicamente tantos e tais são os empurrões que levamos.

Entramos, sem querer, através da conversa indiscreta de alguns, na vida íntima e nos íntimos problemas de famílias das quais nunca chegáramos a suspeitar a existência. Discute-se política. O governo é defendido e atacado. Chega-se mesmo a fazer amigos. Namora-se. Briga-se. Come-se. Isso tudo na rapidez de uns dez minutos. O ônibus nos proporciona, pois, um retrato ou miniatura muito vivo da existência e mais do que certos outros transportes coletivos devido a certas características que lhe são peculiares.

Diferencia-se do ônibus, por exemplo, o bonde.
O bonde não está sujeito às mesmas condições do ônibus. Não cai em buracos, não dá solavancos que sugerem encontros (a vida, para Machado de Assis, era uma série de cachações), não possuem a mesma rapidez. Além disso, o trajeto do bonde é muito lógico. Montado sobre trilhos, o bonde seguirá, indefectivelmente, pachorrentamente, o seu itinerário. Os desvios existentes na trajetória de um bonde já estão todos previstos.

O mesmo não sucede com o ônibus. Este conhece o mistério dos caminhos inesperados. A mim já aconteceu de me surpreender viajando por ruas inteiramente fora do rotineiro trajeto. Os ônibus, como os pássaros e os homens, são capazes de inventar suas rotas. Não se atrapalham como os bondes. Se uma rua está impedida por algum conserto, por algum comício ou por alguma procissão, o ônibus inventa um caminho novo.

Essa é a grande diferença que existe entre o bonde e o ônibus e a grande semelhança que há entre ele e esse imenso transporte coletivo no qual todos viajamos e ao qual chamamos vida: a ilogicidade.

Há outra, uma segunda grande semelhança: é a comunidade humana.
O ônibus cria, mais do que qualquer outro transporte coletivo, em tão pouco tempo, um clima psicológico próprio para o estabelecimento das relações humanas. No avião encontramos, talvez, um rival do ônibus nesse aspecto de relacionar pessoas num mínimo de tempo.

Acontece, porém, que as relações nascidas no avião são meras evasivas sugeridas, geralmente, pelo medo. A condição de insegurança que todos vivemos, no bojo de um avião, a sensação de estar caindo a qualquer instante, faz com que nos agarremos aos outros senão fisicamente, pelo menos, com as palavras. A conversa no avião é sempre um meio de esquecer o medo.
Publicado em A Crítica, Manaus, 1957
 Isto não acontece no ônibus. Sem falarmos nas loucuras praticadas algumas vezes pelos choferes, o ônibus não nos faz sentir esta insegurança. Rodando sobre o chão duro e sólido, o ônibus nos comunica a estabilidade de suas quatro ou oito rodas. As relações humanas, pois, nascidas no ônibus são espontâneas e, não raras vezes, insinuadas pelos acontecimentos observados dentro dele.

O cachorro é um dos animais, se pudéssemos dizer assim, mais humanos. Onde há um cachorro, há um homem. Às vezes mesmo ele prepara a chegada do homem. Se se encontrar um cachorro sozinho só há três saídas: ou existiu um homem por ali, ou existe, ou existirá,
como no caso da estratosfera.
Mas o cachorro é quase concomitante ao homem. E mesmo que não se veja um homem, o cachorro humaniza qualquer local, qualquer paisagem por mais deserta e árida que seja.

Há muito tempo, quando se discutia no Brasil, com unhas e dentes, o caso Pampulha, e se dizia besteira a torto e a direito, uma das mais tolas objeções que já ouvi em toda a minha vida, dita, aliás, por gente importante, foi contra o cachorro que Portinari pintou aos pés de São Francisco no seu belíssimo mural lá existente.

Não sei porque, eu, ao contrário, mesmo sem entender muito bem Portinari, sempre achei que o cachorro aos pés de São Francisco humanizava, tornava real, poetizava a composição quase onírica de Portinari.
Pois bem. Olhem que eu até que viajo de ônibus. Mas nunca tinha visto uma coisa assim apesar de minhas idéias acima expostas em torno deste transporte coletivo.

Naquela manhã lavada de chuva, com um vento friozinho que até parecia o ar-condicionado do [cine] Odeon quando está funcionando, ao apanhar o ônibus, deparei com um cachorrinho dentro do ônibus. Não era um cachorro burguês desses que andam nos colos de suas donas e pagam passagem.
Não. Era um vira-lata. Ia com sua dona que voltava do mercado com uma bolsa vazia e com a filhinha no colo. Um cachorro furão. De carona. O cobrador quis botá-lo pra fora, mas não botou. O cachorro virou passageiro.

E o ônibus se humanizou completamente.

24 de julho de 2011

Mais Convite

Caso Delmo: o crime mais famoso de Manaus, livro escrito pelo publicitário Durango Duarte, tem lançamento marcado para a segunda-feira, 1.º de agosto. O evento ocorre na Livraria Saraiva Megastore , a partir das 19h.

Durango tem se dedicado a escrever a história do Amazonas, subsidiado pelas melhores e, às vezes, exclusivas imagens. Dispõe de equipe competente, que vem contribuindo sobremaneira para o sucesso de suas iniciativas.

O jovem Delmo Pereira promoveu em 1952, na pacata cidade de Manaus, com sua atitude marginal e, na sequencia, por seu brutal assassinato, verdadeira agitação. O crime em si já despertou emoções, mas o julgamento dos “choferes de praça”, os matadores, expandiu o rebuliço na capital.

Apenas para ilustrar: no ano seguinte, os colegas do colégio promoveram vasta manifestação ao “mártir” Delmo Pereira (veja ilustração).
O Jornal, Manaus, 31 jan. 1953

Eleições na Academia Amazonense de Letras

  Com a expressiva participação de 32 acadêmicos – apenas três ausências –, foram eleitos, na manhã de ontem, para as cadeiras 24 e 40 da Academia Amazonense de Letras, os escritores Marilene Corrêa e Francisco Vasconcelos.

Salão do Pensamento Amazônico, na
Academia Amazonense de Letras

A socióloga Marilene Corrêa, ex-reitora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), nascida em Carauari (AM), é autora de O Paiz do Amazonas (1996) e Metamorfoses da Amazônia (2001), entre outros títulos.

Francisco Vasconcelos, nascido em Coari (AM), militou no Clube da Madrugada, tendo sido seu presidente no biênio 1964-65. Atualmente, reside em Brasília (DF). Vasconcelos publicou, entre outros: O palhaço e a rosa (1963), Regime das águas (1985) e O menino e o velho (2008).

O presidente da entidade, desembargador José Braga, anunciou que até o final deste mês de julho serão abertas as inscrições para as últimas três cadeiras, vagas com o falecimento dos acadêmicos Anisio Mello, Ruy Lins e Demóstenes Carminé.

 

23 de julho de 2011

Convite & Convite (V)

Dia 24
Colégio Dom bosco

Convite para a solenidade no domingo, 24
A comunidade salesiana comemora a chegada, em 14 de julho de 1921, da segunda turma de salesianos conduzida pelo prefeito apostólico, monsenhor Pedro Massa, recebida no porto de Manaus, depois de horrível tempestade sofrida na última hora da viagem, o abraço e a saudação cordial e amiga de Dom Irineu Joffily, que havia doado à congregação salesiana a inacabada construção do grandioso Palácio Episcopal iniciado por Dom Frederico Costa.

Hospedados na mesma casa do Bispo diocesano, que se havia recolhido a uns modestos aposentos, cedendo-lhes seu palácio, foram desde aquele dia alvo constante de atenções, de favores e de delicadezas do grande Bispo, que deixou um nome inesquecível na história eclesiástica do Amazonas. (Extraído do livro de Tupan a Cristo, comemorativo do cinquentenário missionário, 1965) 
Contracapa do convite com o Colégio Dom Bosco e seu patrono 

Dia 28
Academia Amazonense de Letras


O presidente da Academia Amazonense de Letras, José Braga, expediu convite para a solenidade em  comemoração ao Dia do Escritor. Na ocasião haverá o lançamento de livros e outras homenagens.


Dia 30
Livraria Valer



A Livraria Valer tem a satisfação de convidá-lo(a) para o lançamento do documentário Dabukuri, de direção e criação de Cleber Sanches, que acontecerá dia 30 de julho, às 10h no Espaço Cultural da Livraria Valer, situada na Av. Ramos Ferreira, 1195 – Centro. Na ocasião será exibido o documentário e em seguida o autor participará de um debate com o público sobre a obra.
Valor do DVD: R$ 20,00

22 de julho de 2011

Convite & Convite (IV)

- Convido a todos a prestigiar a entrevista de Antonio Loureiro, na TV Cultura - Manaus.
Antonio Loureiro dará entrevista no programa VIVA MEMÓRIA, apresentado pelo publicitário Durango Duarte.
É uma das novidades da programação da TV Cultura do Amazonas, Viva Memória é um programa ao estilo talk-show.
Dr. Antônio Loureiro

O objetivo da produção é resgatar e preservar a memória de Manaus. O programa - de uma hora de duração - terá como convidados pessoas com mais de 70 anos, que têm, ou tiveram, destaque na sociedade manauara e irão compartilhar com a audiência os acontecimentos que marcaram época na cidade.

Apresentação: Durango Duarte
Exibição: quarta-feira, 27 julho, - 23h 
Reprise: domingo, 31 julho, - 12h30

Jânio Quadros e o Amazonas

No próximo mês, a renúncia do presidente Jânio Quadros completa 50 anos. Quero lembrar o evento que, bem ou mal, não ocorreu. Anunciado para 31 de agosto, também há quase 50 anos, o presidente JQ tinha programado comparecer a VI Reunião de Governadores. Era governador do Amazonas Gilberto Mestrinho.

Para esta assembleia, o governador Mestrinho preparou um longo memorial, com as Reivindicações do Amazonas. Entre outras exigências, tratou de moradia popular para desativar a Cidade Flutuante, situada em frente a Manaus.
Visão aérea da "Cidade Flutuante" e um mapa
da situação (abaixo)


Sob o título de habitações populares, GM solicitava recursos para “a construção de 500 casas destinadas a outras tantas famílias residentes em habitações acumuladas, sob a forma geral de ‘flutuantes’, sobre as águas que contornam a cidade de Manaus”.

Na justificativa, GM delineava “o aspecto médico-social constituído pela habitação chamada “flutuante”, misturada à outra, palafítica, sempre em aglomerados distribuídos às margens e sobre as águas que cercam e semicruzam a cidade de Manaus”.

Ainda para consolidar a exposição, acusou a existência de 1.389 habitações, distribuídas dessa maneira: 1.260 residências; 83 pontos de comércio e 46 mistos (comércio e pequenas oficinas). Outro detalhe relevante: a predominância entre os ocupantes de pessoas reconhecidamente pobres, vivendo nas “piores condições de saúde”.
Aspectos da "cidade" onde as piores condições
se reuniam

Nas casas precárias, a convivência de pessoas e animais

Crianças "divertiam-se" nas águas poluídas
Enfim, coexistiam na Cidade Flutuante “a precariedade de meios de subsistência, a contaminação endemo-epidemica e os mais primários interesses nem sempre legais”. Era uma mistura sulfurosa.
Para os mais jovens, esta “cidade” desapareceu cinco anos depois, no governo de Arthur Reis, o primeiro governante do Regime Militar no Amazonas.

21 de julho de 2011

Jânio da Silva Quadros

No próximo mês, completam 50 anos a renúncia do presidente Jânio Quadros. Aconteceu no Dia do Soldado, após a parada militar, em Brasília (DF), quando o primeiro mandatário encaminhou o documento renunciando ao mandato.

Capa do documento com as
Reivindicações do Amazonas

O desenrolar da história nacional já conhecemos de cor e salteado. Lembrando que o episódio mais destacado do período foi o Regime Militar, que dirigiu o País entre 1964-1985.

Quero lembrar um evento que, bem ou mal, não ocorreu. Anunciada para 31 de agosto a 2 de setembro de 1961, também há quase 50 anos, o presidente JQ tinha programado comparecer em Manaus (AM) à VI Reunião de Governadores. O Amazonas era governador por Gilberto Mestrinho, que assumira o Executivo em janeiro de 1959.


A propósito, escrevendo um texto sobre os Bombeiros do Amazonas, lembrei essa reunião. No escrito, destaquei a presença em Manaus do destacamento precursor, guiado pelo então major Leônidas Pires Gonçalves. Este oficial depois, quando general, conduziu o Comando Militar da Amazônia e, no governo de Collor de Mello, o Ministério do Exército.

Para esta assembleia, o governador Mestrinho preparou um longo memorial, com as Reivindicações do Amazonas. Não somente destacou as dificuldades do Estado, mas indicou recursos em especial financeiros para a saída. Listou diversos aspectos, da educação, da moradia para acudir os moradores da Cidade Flutuante; da energia elétrica; dos hospitais e outros.
Usina da CEM em construção no bairro de Aparecida, Manaus
Destacarei aqui a questão da energia elétrica, quase definida com a construção da usina no bairro de Aparecida. Eufórico, Mestrinho assegurava que “com a conclusão das obras da Companhia de Eletricidade de Manaus (CEM), programadas ainda para o corrente ano, a capital amazonense terá totalmente resolvido o seu problema energético”.

Na próxima postagem, destaco o reclamo para sanar o bairro fluvial, em frente a Manaus.

20 de julho de 2011

Ildefonso Pinheiro (final)

por Francisco Bacellar,

pai do poeta Luiz Bacellar,
publicado no livro Uma Vida...
(Manaus: Editora Sérgio Cardoso, 1963)

Reverencia a terra em que se fez homem e que ama com ternura -- aí está o Edifício Manaus mirando o dileto rio de águas negras e misteriosas. Não esquece a terra que lhe serviu de berço -- vemos o Edifício Fortaleza -- símbolos vivos do seu reconhecimento; frutos da sua iniciativa. Ambos ostentam em suas paredes quadros artísticos e conceitos de boa moral, atestando a inclinação para o belo e o caráter dogmático do seu proprietário.


Passo a passo vai aperfeiçoando os seus conhecimentos. Com as suas publicações permanentes no "Jornal do Comércio", onde ele pontifica os seus ensaios sobre economia, finanças, história, biografias, crítica, sugestões, conselhos e até política, vai publicar Uma Vida..., que, de fato, não dizem dos seus feitos, nem seus sofrimentos, nem suas alegrias; é, apenas uma faceta do caráter desse homem extraordinário.

Do menino criado de favor ao estivador, de mordomo do Ideal ao homem de negócios de hoje, soube Ildefonso sempre fazer-se respeitar. Exerceu todos os seus variados misteres desde o mais humilde, com dignidade elevada -- jamais foi humilhado, jamais foi aviltado ou vilipendiado. A sua personalidade sem arrogância, o seu procedimento comedido "impunha o respeito e mantinha a simpatia".

Qual a força, e poder, a magia que produziu este milagre?...

* * *
Ildefonso, criança ainda. aqui chega em companhia dos pais e de sua irmãzinha. Não vieram tangidos pelos flagelos nem em busca de melhoria de vida -- prestigiosa família cearense, dos Pinheiro de Fortaleza, nos seus pagos gozavam de todo o conforto. Vieram a chamado de um parente, o Dr. Solon Pinheiro, irmão do pai de Ildefonso, advogado de nomeada a serviço da maior potência financeira da Amazônia de então -- B. Antunes & Cia. Segue a família para o Javari onde lugar de confiança espera o pai.

Em 28 dias, o beri-béri galopante cava três sepulturas nos ínvios barrancos e um menino de apenas quatro anos de idade, inopinadamente despojado de tudo o que representa meio de sobrevivência e proteção acha-se, pequenino e só, no seio da maior e mais densa floresta do universo. E' o nada frente ao tudo -- é o ponto em face do infinito. O menino não chora; ignora a extensão da sua perda - E' um bem-aventurado. Não luta, ignora o perigo. Já é um vencedor. Não se atemoriza; ignora também que ele próprio é um eleito, um escolhido.

A Providência Divina estende sobre ele a sua proteção -- o destino massacra-o com satisfação, argamassa-o, esmurra-o e, finalmente, o amolda. O destino não se engana com o material. E' de boa estirpe e possui o estofo da boa progênie. A marca da qualidade flutua-lhe no sangue, fixa-se na medula dos ossos, prepondera na índole, no gênio, e é por isso que o menino Ildefonso é hoje o Sr. Ildefonso da Silva Pinheiro, feito a sua própria custa, "sem medo e sem mácula", "impondo-se ao respeito e mantendo a simpatia".

Jornal do Commercio, Manaus, 16 jun. 1912
Nota própria:
Político cearense oposicionista, Dr. Solon Pinheiro veio para Manaus escapando da perseguição de Accioly, então governador do Ceará. Advogado competente, aqui se estabeleceu com escritório a rua Joaquim Sarmento, 18. Aqui se reuniu aos colegas, muitos dos quais seus conterrâneos.
A ilustração veiculada no Jornal do Commercio, de Manaus, identifica a perseguição imposta aos adeptos de Solon Pinheiro, o "pinheirismo".
Solteiro, afortunadamente casou-se com Rosa Pereira da Silva, filha do advogado Agesilau Pereira, que fora presidente da província do Amazonas. Tiveram cinco filhos. Mas, Solon Pinheiro morreu inesperadamente em 24 de setembro de 1917.

Cândido José Mariano

Uma noite dessas, “googlando” (desculpe o palavrão) por aí, esbarrei com as informações que desejei coletar no devido tempo. Ou seja, a ascendência deste mineiro que firmou seu nome na historiografia amazonense.

Cândido Mariano, em Jornal
do Commercio, Manaus

Apenas para esclarecer a nova geração: Cândido Mariano (repito, não confundir com o marechal Rondon) desembarcou em Manaus no início do governo de Fileto Pires (1896-98), sucessor do governador Eduardo Ribeiro. Todos eram oficiais do Exército.

Mariano veio para integrar a Polícia Militar, tendo sido nomeado comandante do 1.º batalhão, o mesmo que marchou em agosto de 1897 contra o arraial de Antonio Conselheiro, na Bahia. Integrou as forças militares que destruíram o povoado de Canudos.


Em seu livro Os sertões, Euclides da Cunha descreveu com brilhantismo essa epopeia. Nele, o autor enfatizou a presença de Candido Mariano, lembrando o colega da Escola Militar que encontrou com outros, entre os combatentes. Mais adiante, em 1905, quando Euclides esteve em Manaus, pode reencontrar ao engenheiro Cândido, então prefeito de Sena Madureira (AC), e outros participantes daquela peleja sertaneja.

Lembro ainda que Euclides da Cunha, antes da campanha de Canudos e de publicar Os sertões, residiu em Campanha (MG), na região de Alfenas. Portanto, teve contato com os familiares próximos de Mariano.

Pois bem. Em http://www.arvore.net.br/ encontrei a ascendência de Cândido Mariano, nascido em Alfenas (MG) e morto no Rio de Janeiro (RJ). Ele descende, pelo lado materno, de Bernardino Teixeira de Toledo, cavaleiro da Ordem de Cristo, batizado em 1761 e falecido em 1814, em Campanha da Princesa (MG) e sepultado na matriz de Santo Antônio do Val.
Bernardino foi o pai natural de Rita de Cássia Gomes, que gerou Maria Joanna Gomes, e esta a Francisca Leopoldina Gomes, mãe de Cândido Mariano.

Francisca Leopoldina Gomes nasceu em 17 jul. 1847, em Campanha (MG). Casou-se, aos 18 anos, com o Dr. Cândido José Mariano Júnior, filho do capitão Cândido José Mariano e Anna Xavier da Veiga, em 6 maio 1865, em Alfenas (MG).
Dr. Cândido nasceu em 1841, em Campanha (MG) e faleceu em 21 abr. 1883, em Alfenas (MG), quando o filho homônimo tinha 12 anos incompletos.

Dr. Cândido e Francisca tiveram os seguintes filhos:
Anna Gomes Mariano nasceu em 1866 e faleceu em 29 maio 1867, em Alfenas (MG).
Antônio José Mariano nasceu em 13 dez. 1867 em Alfenas (MG).
Cândido José Mariano nasceu em 22 maio 1870 e faleceu em 21 nov. 1941.
Maria Ricardina Gomes Mariano nasceu em 3 maio 1873 em Alfenas (MG).
Igreja de São José e Dores, em
Alfenas - MG
Encaminhei ao mencionado site as seguintes notas:
Cândido foi batizado na igreja de São José e Dores, ainda existente.
Antonio Gomes Mariano (sobrenome mais correto, como os demais irmãos) morreu em Sena Madureira-AC, em 5 mar. 1909. Conforme a publicação do jornal Alto Purus, o finado possuía 40 anos de idade e era solteiro.

Candido José Mariano sempre esteve acompanhado da mãe (Francisca) e dos irmãos (Antonio e Ricardina). Tanto que residiram em Manaus (AM), depois em Sena Madureira (AC) e, por fim, no Rio de Janeiro, onde morreu Cândido. Tudo indica que as duas também morreram naquela cidade.

CJM casou com a gaúcha Fanny Ribas (20 anos), em 22 maio 1897, em Manaus-AM. Aqui tiveram dois filhos:
1. Lucy Ribas Mariano, nascida em 3 nov. 1901 e falecida no Rio, em 1.º jun. 1994. Manteve-se solteira, mas adotou dois filhos: Jorge e Beatriz Torres, ainda residentes no Rio.
2. Floriano Ribas Mariano, nascido em 17 ago. 1903 e falecido no Rio, em 4 out. 1960. Do seu casamento com Sonia Areosa Mariano, nasceu Sonia, que apresentava deficiência mental, por isso, solteira. Não sei se ainda vive.

Dessa maneira, interrompeu-se a descendência de Cândido Mariano.