CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, agosto 08, 2026

VIAGEM NO TEMPO (1)

A série que hoje se inicia é de autoria do meu irmão Renato Mendonça, que sempre colabora com este Blog. Mês passado, ele veio a Manaus para, entre outros afazeres, celebrar seus 75 anos de idade; nascido na rua Inácio Guimarães, em Educandos, reside no Rio faz uma longa temporada. Estava acompanhado da esposa Alda (foto). Bom, deixo que ele conte a saga empreendida no retorno ao Rio.

 

Expectativa Emocionante

18.07.2026

Quando me convidaram a celebrar o meu aniversário de 75 anos em minha terra natal, hesitei. Considerei um capricho deslocado, uma extravagância sem sentido. Afinal, o aconchego familiar, tão essencial em datas assim, não estaria à minha espera. Era um momento diferente de quase todos os anos passados. O “quase” se justifica porque, algumas vezes, fiquei ausente para cumprir a demanda de trabalho.

Mas, minha intuição se equivocou. Como quem calça o sapatinho de cristal em pés descrentes de uma cinderela, o destino me levou ao baile. A viagem tornou-se fábula: reconciliação numa viagem no tempo, reencontro com memórias que eu nem sabia como guardar. Era como se o relógio tivesse voltado, mas em vez de me aprisionar, me libertava para viver o que ainda não havia sido vivido.

Partimos do Rio ainda na madrugada do dia 26 de junho, sexta-feira, quando os primeiros raios de sol tingiam o céu azul pálido, observados a partir da Linha Vermelha quase silenciosa, como se guardasse um segredo. O Santos Dumont, com seu vai e vem de pessoas, parecia indiferente ao meu coração ansioso. A aeronave da Azul nos levou primeiro a Belo Horizonte, uma pausa programada, como quem respira antes de mergulhar novamente em outra aventura — o voo 4066 — para nos levar ao destino.

E então, rumo a Manaus, o corpo seguia preso ao assento, mas o pensamento já se adiantava: imaginava rever os irmãos e os parentes remanescentes que ainda moram lá; apresentar para minha companheira, Alda, o encontro das águas; um passeio, talvez, para ver o verde infinito da floresta e sentir o calor tropical que nos abraça sem pedir licença — o verão amazônico, típico daquela estação. Cada minuto no ar era como um prelúdio, uma nota que anunciava a aventura amazônica que estava por vir.

Ao pousar às 11h, estranhei apenas a ausência da conferência de bagagem por funcionários do aeroporto internacional Eduardo Gomes — detalhe burocrático que, por um descuido, poderia ameaçar a leveza da jornada. Mas, logo percebi que nada roubaria o encanto de estar novamente ali — quarenta anos depois —, no coração pulsante da Amazônia, onde os rios e a cidade se entrelaçam, e convivem como velhos amantes.

Para nossa comoção, no dia anterior à nossa chegada, a terra tremeu com fúria na Venezuela: um terremoto de magnitude 7,4 espalhou destruição material e baixas humanas. A notícia atravessou fronteiras e, em Manaus, meu irmão Roberto me contou pelo WhatsApp que até ali, em seu apartamento, sentira um leve estremecimento. E foi ele, junto de sua mulher Beatris, quem nos aguardava no aeroporto, com uma solicitude que me tocou profundamente. Conduziu-nos, como quem cumpre um ritual de acolhimento, ao Amazônia Tower Hotel, erguido no coração da cidade, na Avenida Getúlio Vargas.

Naquela mesma tarde, eu e a Alda saímos a pé, em busca de redescobrir a cidade. Mas o que encontrei foi um cenário de abandono pelo poder público municipal: ruas marcadas pelo descuido, lixo espalhado, ausência de lixeiras, e a miséria exposta em cada esquina — famílias inteiras, crianças de colo, transformando as calçadas em palco de um caos social.

Colégio Estadual do Amazonas — Av. Sete de Setembro


O Colégio Estadual do Amazonas, outrora Gimnásio Amazonense Pedro II, erguia-se imponente, mas soturno. O prédio do século XIX, fechado, aguarda reformas. Mais doloroso, porém, é saber que desde o ano letivo anterior não há aulas. O edifício de 150 anos parecia um ancião esquecido, cedendo à intempérie do tempo, testemunha muda de uma história que se desfaz.

Do lado de fora, contemplei a sala de aula onde, há sessenta anos, vivi os melhores ritos da juventude. Era dali que ficava observando as meninas que, no pátio da quadra de esportes, exercitavam educação física, para cumprir a grade curricular. Era como se o tempo tivesse congelado as imagens que a memória soube preservar. Permaneci algum tempo olhando aquela imagem e recolhendo fotos com o celular, não como turista nativo, mas como fotógrafo de lembranças, em busca do ângulo que melhor pudesse eternizar os cinco anos de estudo ali naquele educandário, até concluir o Curso Científico. 

Colégio Estadual do Amazonas — vista lateral.

Uma pesquisa rápida revelou a situação atual do colégio. Descobri que, sob o governo de Wilson Lima — natural de Santarém do Pará e alinhado ao bolsonarismo —, a educação não figurava como prioridade. A ausência de empatia durante a pandemia de Covid-19 parecia ecoar também no descaso com instituições históricas. Também o prefeito, do mesmo viés político do governador, não se preocupa com as mazelas da sociedade. É doloroso perceber que perfis assim ainda conseguem seduzir parcelas da sociedade, sustentados pelo analfabetismo político.

Resta-me a esperança de que o próximo governador tenha sensibilidade para restaurar o nosso CEA, esse relicário de memória coletiva, marcado pelas digitais de gerações inteiras: alunos, professores, bedéis, todos guardados nas paredes centenárias como testemunhas silenciosas de um tempo que não volta. (segue)

domingo, outubro 23, 2022

DESASTRE DO PP-PDE: MORTOS (1962)

 Tripulantes mortos

A tripulação em número de sete, integrada por uma mulher (comissária), conduzia o PDE desde o Rio de Janeiro e, tendo o avião passado o dia (13 de janeiro) no aeroporto Val-de-Cans em reparos, prosseguiu na direção. A agência da Panair do Brasil em Manaus informou que os restos mortais destes – se forem entregues - serão transportados para o Rio (destino inicial da aeronave) para sepultamento. No entanto, um diário manauara publicou (24 dez.) que os corpos da tripulação não foram encontrados; daí certamente o problema causado à família do comissário Ruy Pereira. Afinal, o corpo do comandante foi inumado na capital paraense.

PP-PDE em aeroporto brasileiro não identificado

 

1.  Dalvo da Costa – comandante

Ingressou na Panair do Brasil em 1941, possuindo ao tempo do acidente 20 mil horas de voo, era considerado profundo conhecedor da região amazônica. Ainda porque exerceu a função de chefe de operações da empresa. Há cinco anos estava no comando de Constellation. (Jornal do Commercio, 19 dez.). Era casado e possuía três filhos.

Seu sepultamento ocorreu em 27 de dezembro, na necrópole de Santa Isabel da capital paraense, ocasião em que o destaque operacional deste profissional ficou evidenciado com a presença de colegas aeroviários de todas as companhias aéreas. No ensejo, falou o presidente da classe Vicente Queiroz (A Província do Pará, 28 dez.).

2.   Kenir Barcelos da Silva – copiloto

Durante largo tempo foi piloto sediado em Manaus, no comando de aviões Douglas e Catalina, tendo acumulado 8 mil horas de voo na região amazônica. Seu ingresso na Panair ocorreu em 1952. Casado e pai de três filhos, morou no Boulevard Amazonas (hoje de Álvaro Maia), ocasião em que granjeou ampla rede de amizade, tantos amigos que, no transcurso do primeiro mês de sua morte, encomendaram uma Missa para registrar o afeto e conclamar a quantos usufruíram deste sentimento com o Kenir.

Jornal do Commercio, 12 janeiro 1963
 

No ano anterior, Kenir havia sido contemplado com o prêmio “Seu Talão Vale um Milhão”, ocasião em que sua esposa confidenciou que o marido seria transferido para a Base-Rio da Panair, onde passaria a conduzir os Constellations, além de que compraria o apartamento familiar. Seu corpo certamente foi transportado para o Rio de Janeiro.

3.   Orlando Medeiros Paiva – rádio telegrafista

4.   Wander Ottoni de Souza – mecânico de bordo

Os comissários abaixo todos eram solteiros:

5.   Fernando Davi Fonseca,

6.   Rui de Almeida Pereira,

Publicação do Jornal do Brasil (Rio, 28 dez.) relata que o “Serviço de Imprensa da Panair do Brasil” informou que o incidente criado com a substituição do corpo deste comissário “por uma pedra e um pedaço de pano tostado”, foi encerrado. E mais, a “empresa deve pagar os honorários por morte até ser legalmente considerado morto e encontrado o cadáver.”

7.      Simonidas Jesus da Silveira.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

BASE AÉREA DE MANAUS (final)


O Campo de Pouso da Base Aérea de Manaus e o Aeroporto de Ponta Pelada: resultados de uma aproximação americana (*) 

3º Sgt QSS Mecânico de Aeronaves Eliaquim Batista da Rocha
Graduando do curso de História da
Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP
Base Aérea de São Paulo - 4°ETA
Guarulhos/SP - Brasil
sgtrochasp@hotmail.com

Chesterson Aguiar Ferreira
Graduando do curso de História da
Universidade Federal do Amazonas - UFAM
Manaus/AM - Brasil
filhodocampo@hotmail.com

Diogo Lopes e Lopes
Graduando do curso de História da
Universidade Federal do Amazonas - UFAM
Manaus/AM - Brasil
diogolopeselopes@hotmail.com

5. BASE AÉREA DE MANAUS

Idealizada a partir da pista de pouso de Ponta Pelada e tendo como referência as experiências que a antecederam, como o Comando dos Pelotões de Fronteira (criado em 1946), o Destacamento de Base Aérea de Manaus (efetivado em 1954), o Destacamento de Aeronáutica de Manaus (iniciado em 1955) e ainda o Grupamento de Aeronáutica de Manaus (instituído em 1968), a BAMN iniciou suas atividades em 31 de março de 1970.
Base Aérea de Manaus em construção, 1979
Nessa data o periódico O Jornal publicou em sua primeira página a manchete: “Aeronáutica inaugura Base Aérea...” (PRESENÇA... 1970, p. 1). Na matéria foi informado o empenho do governo na busca pelo desenvolvimento da região Norte. O mesmo jornal destacou a importância da presença militar para a região e o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelas Forças Armadas, e dizia que:

Efetiva e de valor inestimável, tem sido a participação das Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica – na integração de toda a Amazônia [...] Registra-se com patriotismo e satisfação, para todos os brasileiros em geral e os amazônidas em particular, o trabalho que as Forças Armadas desenvolveram em favor do nosso progresso, do bem estar e desenvolvimento de toda área. É a Amazônia esquecida que desponta para a realidade sua integração ao resto do Brasil. (PRESENÇA... 1970, p. 1).
 
Reconhecendo as necessidades da região, a Base Aérea de Manaus, Figura 4, iniciou suas atividades com aproximadamente 20% de sua capacidade estrutural atual, isto é, com edificações que se resumiram a um refeitório, dois prédios para a acomodação de graduados e oficiais e um hangar, este último voltado exclusivamente às atividades aéreas em um cotidiano técnico/operacional da nova organização militar e, especificamente, voltada às aeronaves C-115 Buffalo (adquiridas, no final da década de 1960, da empresa De Havilland of Canadá).
O início de suas atividades aéreas, conforme o livro histórico do 1°/9°GAv (1970), começou em 3 de julho de 1970 e teve como propósito integrar a região Norte, fornecendo apoio às Unidades de fronteira do Exército Brasileiro e da Marinha de Guerra, provendo apoio ao Instituto de Pesquisa da Amazônia (INPA), às situações de calamidades públicas e também às missões de misericórdias, entre outras atribuições.

Depois do Destacamento de Base Aérea de Manaus (inaugurado em 1954), o 1º/9ºGAv, instalado na Base Aérea de Manaus, tornou-se a segunda Unidade aérea da Força Aérea Brasileira a operar na Amazônia a partir de Manaus. Porém, antes de sua efetivação na capital amazonense, mais especificamente na região de Ponta Pelada, sua primeira subordinação de comando, conforme boletim interno n° 67, da Base Aérea de Belém, de 11 de abril de 1969, foi exercida em Belém (PA), sob a direção do Major Aviador Raimundo Alves de Campos.

Ainda locado na 1° Zona Aérea (capital paraense), o esquadrão foi denominado Núcleo de Primeiro do Nono, onde permaneceu até 17 de abril de 1970. Logo em seguida foi transferido com todo o seu efetivo e equipamentos para as instalações recém-inauguradas na Base Aérea de Manaus, dando início às suas atividades sob o comando do Major Aviador Camilo Ferraz de Barros.

Seja pela efetivação do aeroporto internacional ou pela intensificação da presença da aviação militar, essas ações mostraram-se de valor inestimável no quesito socioeconômico e estratégico. Com a incorporação e aprimoramento de um espaço capaz de atender à aviação comercial e militar, os negócios, tendo em vista as atividades do polo industrial, se intensificaram com a abertura do Aeroporto de Ponta Pelada. Paralelamente, conforme livro histórico do 1°/9°GAv (1970), com a renovação das atividades militares, a Amazônia passou
a desfrutar da garantia de envio de ajuda às populações mais carentes e apoio aos órgãos governamentais vigentes na região. 

CONCLUSÃO

Tendo como meta mostrar o contexto historiográfico que envolve a região de Ponta Pelada, em Manaus, o presente artigo direcionou-se para uma avaliação da repercussão da passagem americana por esta área, durante a Segunda Guerra Mundial, e da pista de pouso aberta em 1943. Para definir este momento, quatro pontos foram avaliados: a não admissão da área de Ponta Pelada (como espaço destinado à
aviação) em 1941 pelo técnico Francisco Oliveira, do Departamento de Aeronáutica Civil; o direcionamento da primeira pista de pouso de Manaus para o bairro de Flores (aberta em 1941); os acordos firmados entre Brasil e Estados Unidos em 3 de março de 1942, por meio dos quais, após o ataque de Pearl Harbor  (7 de dezembro de 1941) e a tomada dos seringais na Ásia (início de 1942), conduziram a diplomacia americana para a Amazônia brasileira em busca da borracha natural, consequentemente forçando a edificação de uma estrutura capaz de auxiliar no escoamento desta matéria-prima e; por fim, a assinatura do decreto n° 1.020, de 7 de maio de 1943, o qual declarou a área de Ponta Pelada de utilidade pública e oficializou a construção de um aeródromo.

O trabalho observou que, na região em análise, diferentes contextos se seguiram após a desmobilização americana. Deste exame destacou-se que, entre 1954 e 1976, a área de Ponta Pelada esteve voltada às atividades do primeiro aeroporto de Manaus, sendo substituído apenas em 26 de março de 1976, após a inauguração do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.

Por outro lado, a mesma região contou ainda com a forte e atuante presença da Força Aérea Brasileira, que iniciou suas atividades já na década de 1940. Sobre este aspecto, a região de Ponta Pelada, como já sinalizado no contexto, revelou significativo crescimento após a Segunda Guerra Mundial, evolução esta que contribuiu de diferentes formas para a aviação militar.
Nessa conjuntura, destacou-se o Comando dos Pelotões de Fronteira, efetivado em 1946, e o Destacamento de Base Aérea de Manaus, inaugurado em 20 de janeiro de 1954.

 Os levantamentos indicaram ainda o Destacamento de Aeronáutica de Manaus, efetivado em 1955, e o Grupamento de Aeronáutica de Manaus, idealizado em 1968; logo em seguida substituído pela Base Aérea de Manaus, inaugurada em 31 de março de 1970. Tendo em vista a historiografia militar e os estudos ligados à Amazônia, a presente pesquisa espera ter estimulado novos trabalhos que possam explorar a
conjuntura que envolve o contexto ligado à Força Aérea Brasileira e as lacunas que possam ter sido evidenciadas neste trabalho.

Este estudo espera ainda ter despertado o interesse para futuros trabalhos que venham a contribuir no entendimento das operações aéreas que se realizavam, a partir de Manaus, nas décadas posteriores à desmobilização americana, e das estruturas logísticas que foram empregadas pela FAB, tendo em vista a distância dos grandes centros e as limitações operacionais.
Diante disso, o trabalho em questão encerrasse esperando ter contribuído de forma plausível na identificação das etapas e dos mecanismos que auxiliaram no escoamento da borracha silvestre, a partir da região de Ponta Pelada, e seus resultados para o contexto militar e socioeconômico regional.

(*) Revista UNIFA, Rio de Janeiro, v. 25, n. 31, dez. 2012.

terça-feira, julho 26, 2011

ACIDENTES DE AVIAÇÃO EM MANAUS



Há 40 anos aconteceram dois acidentes de aviação em Manaus. Ambos no Aeroporto de Ponta Pelada, hoje Base Aérea de Manaus.

Em 22 de abril, acidentou-se e foi tomado pelo fogo o avião C118–2414, tipo DC6, em viagem do Correio Aéreo Nacional para o Galeão. Morreram no desastre 16 pessoas, entre elas, “duas crianças de colo e dois menores” e escaparam ilesos os sete tripulantes e 62 passageiros. 
O incêndio aconteceu após a aeronave retornar à pista a fim de reparar a “trepidação em um dos motores”. Apesar de socorrida prontamente pelas três viaturas (recém-adquiridas na Alemanha e, portanto, estreando) da seção de contra incêndio da Base Aérea, pouco pode ser realizado.

Diante da evolução do fogo os Bombeiros de Manaus foram acionados. Aquartelados na avenida Sete de Setembro, logo chegaram ao Ponta Pelada, mas também estes pouco realizaram. Senão recolher os mortos.
A quantidade de comburente ameaçava o resgate e, por isso, o fogo deixou o enorme avião “reduzido a cinzas”. O cadáver de uma criança comoveu duramente o habituado major Nicanor Gomes, comandante do então Corpo de Bombeiros de Manaus.

A descrição deste fato foi retirada do Jornal do Commercio, de 23 abr. 1971.

Foto do avião acidentado, do Jornal do Commercio, 27 jul. 1971
O segundo acidente sucedeu com o Boeing 727 de prefixo PP-CPG, pertencente a Cruzeiro do Sul, que foi adquirida pela Varig. O avião, que efetuava o voo 406, procedente do Rio de Janeiro com escala em Brasília (DF), sofreu um principio de incêndio ao efetuar o pouso.

Noticiário do jornal
Eram 19h e o Aeroporto de Ponta Pelada acolhia respeitável número de pessoas, aguardando os passageiros. Para recepcionar o general Álvaro Cardoso, comandante do CMA e 12.ª RM, passageiro do Boeing, encontravam-se no saguão o governador do Estado, coronel João Walter, o vice-governador, Deoclides de Carvalho Leal, oficiais das Forças Armadas e outras autoridades.

Quando o avião alcançou a pista, ouviu-se um forte estouro e viu-se o fogo tomando a parte traseira do Boeing. O fato causou nos presentes momentos de expectativa e emoções. Mas, o avião deslocou sem muitos problemas pela pista até ser alcançado pelas quatro viaturas de bombeiros da Aeronáutica. 

Havia a bordo 80 passageiros, que foram socorridos sem problemas. Apenas a “asa direita” da aeronave ficou parcialmente danificada. O aeroporto ficou interditado, pois o avião da Cruzeiro “encontra-se no meio da pista”.


terça-feira, março 01, 2011

MEMÓRIAS AMAZONENSES (XLIX)

Março, 1º

1955 – Morreu em Manaus, o filólogo João Leda. Acompanhando seu pai, quando este aceitou trabalhar nos Correios da capital da borracha, aqui chegou no início do século XX. Trabalhou em jornais locais, assim como no Diário Oficial, do qual foi diretor. Seu desempenho literário capacitou-o a participar da fundação da Academia Amazonense de Letras. Nela ocupou a Cadeira nº 16, de José Veríssimo, hoje Leda patrocina a cadeira.
O tratamento que Leda dispensava a língua portuguesa consentiu ao jornalista Afonso de Carvalho (O Jornal, 6 dez. 1953), após entrevista, cognominá-lo de “Doutor do Vernáculo”.
Seus livros: Vocabulário de Ruy Barbosa; Os áureos filões de Camilo; Nossa língua e seus soberanos e Quimera da língua brasileira.
Quando de sua morte, o acadêmico Moacyr G. Rosas, que escrevia sob o pseudônimo de Pablo Cid, dirigiu-lhe modelar despedida.

Nascido no Maranhão (1889) encontra-se sepultado no cemitério São João.

1983 – Criado o Sétimo Comando Aéreo Regional (VII Comar), com sede em Manaus. A sanção do Decreto nº 88.134, coube ao presidente João Batista Figueiredo. Para seu funcionamento ocupou as dependências do aeroporto de Ponta Pelada, que já se transformara em Base Aérea.

Aeroporto de Ponta Pelada, ao final da construção
Cartão postal do aeroporto de Ponta Pelada, Manaus, anos 1950

sábado, dezembro 18, 2010

AVIAÇÃO EM MANAUS

O Comando Aéreo inaugurou esta semana o I Grupo do IV Esquadrão, composto de aviões caça F5, com sede na Base Aérea de Manaus (BAM). A finalidade da nova unidade é patrulhar o espaço aéreo amazônico, a fim de repelir e combater algumas ameaças.
A BAM multiplica suas ações e consolida sua história na capital amazonense, desde que ocupou o primitivo aeroporto de "Ponta Pelada". Bom esclarecer que a denominação original do campo de pouso era Ajuricaba, mas o popular predominou.

Alguns fatos relacionados com a aviação em Manaus: tudo começou em 1932, quando a Panair do Brasil operava seus aviões na baía do Rio Negro. A inauguração ocorreu com um avião Sikorsky S38, com capacidade para sete passageiros.

Avião Sikorsky S-38. O Jornal, Manaus, 20 jan. 1954
Depois passaram pelos céus da Amazônia, os Catallinas e os Douglas. Até que, duas décadas depois, a mesma empresa passou a empregar nas viagens aviões mais modernos, os Constellations. Foi o modelo Constellation L49, para 57 passageiros, que inaugurou o Aeroporto Internacional de Manaus, em 1954.

O Jornal. Manaus, 20 jan. 1954. Inauguração do aeroporto internacional de Manaus
Antes dessa inauguração, em 1953, segundo a memória de Edwvaldo Leite, saudoso gerente de aeroporto da Cruzeiro do Sul, o nosso "Ponta Pelada" era uma lástima. Basta ver as acomodações existentes, expostas na coluna de Sinval Gonçalves, outro saudoso gerente.

Jornal do Commercio. Manaus, 20 jul. 1980

Jornal do Commercio. Manaus, 20 jul. 1980
Obtido o título de internacional, o aeroporto recebeu estação de passageiros condignas. A construção abaixo, com modificações impostas pelas necessidades e ampliação do número de viajantes, perdurou até a construção do aeroporto Eduardo Gomes (1976).

Cartão postal do aeroporto de Manaus, visto do pátio interno