CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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sábado, março 23, 2013

SEMINÁRIO SÃO JOSÉ: REABERTURA EM 1943

Dom João da Mata (1941-48)
Na terça-feira 19, a Igreja festejou o dia de São José Operário, reunindo significativo número de católicos. A solenidade contou com a direção do novo arcebispo de Manaus, Dom Sérgio Castriani. São José também é o padroeiro do Seminário local, instalado na Maromba. A caminhada desse estabelecimento de formação do clero já sofreu algumas interrupções. Todavia, pode contemplar alguma retomada emocionante, como a ocorrida em 1943.

Fundado em 1848, com a denominação de Seminário São José, pelo bispo do Pará, funcionou este até o início do século passado, quando teve suspensas suas atividades. Foi nessa conjuntura que o 6º bispo do Amazonas, Dom João da Mata Andrade e Amaral (1941-48), o encontrou ao assumir a diocese.
Não mediu esforços para superar esse obstáculo. Menos de dois anos depois de empossado, na festa do padroeiro da Casa, usando a residência episcopal e auxiliado pelos Salesianos, o bispo reabriu o Seminário, na praça General Osório (edifício demolido) confrontando com o atual Colégio Militar de Manaus. Uma nova interrupção das atividades aconteceria no final da década de 1960.
Dez anos adiante, a igreja do Amazonas começou a colher os frutos desse empreendimento, a partir de 1954 foram ordenados os padres Manoel Bessa; Luiz Ruas; Vicente Albuquerque; Jorge Normando, Moisés e Bernardes Lindoso; Onias Bento; Tiago Brás; Francisco Pinto; Juarez Maia. Um pouco mais a frente, os padres Sebastião Puga e Luís Souza.
Naquela tarde de março, há 70 anos, Dom João da Mata fez a festa, como descreve o matutino dos Archer Pinto:

Manchte de O Jornal, 19 de março de 1943
Estiveram presentes ao ato o Dr. Álvaro Maia, interventor federal; Dr. Leopoldo Péres, presidente do Departamento Administrativo do Estado; capitão Antero Azevedo, comandante do 27º BC; Dr. Ruy Araújo, secretário-geral do Estado; professor Antovila Vieira, prefeito municipal; desembargador Arthur Virgílio, vice-presidente do Tribunal de Apelação; Dr. André Araújo, juiz de Menores; Dr. Temistocles Gadelha, diretor do Departamento de Educação; o corpo consular e representantes das Forças Armadas dos Estados Unidos (?), pessoas gradas e famílias e o representante dos nossos diários (O Jornal e Diário da Tarde).

Após a chegada da procissão, que conduzia a imagem de São José, transladada da Catedral para o Seminário, acompanhada da banda de música da Força Policial, e que foi recebida estrondosa salva de palmas, as autoridades, que se encontravam no salão de espera do Seminário São José, foram convidadas a tomar lugar no palanque que se achava armado em frente ao referido estabelecimento de ensino religioso, e onde, a pedido do senhor bispo, o Dr. Álvaro Maia foi recebido com uma salva de palmas.
De uma das janelas do Seminário, Dom João da Mata Amaral pronunciou formosa oração, em que, mais uma vez, evidenciou os seus dotes invulgares de orador e sua sólida e brilhante cultura.


Numa quente tarde de outubro de 1941, tomava posse desta mimosa Diocese de Manaus. E a ideia primeira que me veio à mente foi um Congresso Eucarístico, ideia que, ao calor do calor do coração amazonense, logo se corporificou... Em junho do ano passado – a Igreja Católica viveu em Manaus – a sua hora meridiana. Mais do que uma visão de Tabor foi o Congresso Eucarístico um cântico de ressurreição.
Os raios do sol eucarístico polvilharam de ouro as aguas do Rio-mar – douraram as florestas, iluminaram os céus e as almas da Amazônia.

E nesta hora histórica, já as aguas do monarca dos rios começam a se coalhar de embarcações para a febre da batalha da borracha – as florestas estão vertendo o leite que irá talvez, nos planos divinos, salvar a civilização com o Cristo batizou o mundo há dois milênios – os céus se cruzam de aviões que abrem no espaço uma nova rota que fará de Manaus, uma das maiores e mais importantes capitais brasileiras, -- as almas se iluminam, com as claridades sobrenaturais da graça – os corações se povoam de fé intrépida...

E o velho Seminário São José, não resistindo por mais tempo  a esse grito de ressurreição, se levanta das suas gloriosas cinzas. É uma ressurreição que abraça a alma e o corpo do Amazonas.
Não foi em vão que nas noites memoráveis do Congresso apelamos para o Céu: a messe é grande -- o trigal já loureja, mas os operários são poucos. O céu ouviu o grito angustiante do nosso peito. Ali estão os jovens em cujos corações  primaveris o Senhor da messe lançou a semente da vocação. Eu os contemplo como alvoradas de padres, as esperanças da Igreja no Amazonas.

Este Seminário é um quartel da Igreja a se defrontar com o quartel da Pátria. Ali se formam os soldados para a defesa da soberania da nação – aqui se formam os soldados do Evangelho para a defesa do patrimônio da fé, que nos legaram os nossos maiores. A cruz e a espada, no correr da nossa História, sempre estiveram entrelaçadas. Foi aos clarões do sol da eucaristia que, lá na gloriosa Bahia, a cintilar sobre a espada de Pedro Álvares Cabral e a cruz de frei Henrique de Coimbra, amanheceu para o mundo e para a história o gigante da América, o Brasil.

Este Seminário sobre ser um templo de fé e saber será, também, uma escola de civismo. No seu salão principal, figurarão os retratos do Presidente da Republica e do interventor Federal, Dr. Álvaro Maia. De par com o cultivo da piedade e das letras crescerão no coração do jovem levita a flor do patriotismo e o culto aos grandes vultos da nacionalidade. O retrato do Dr. Álvaro Maia ali ficará como uma homenagem de gratidão da Diocese ao Governo e povo do Amazonas, por este clima de cordialidade que tem sempre existido entre o Bispo, o Governo e o povo querido deste privilegiado Estado.

Nem um só instante quero pensar que um dia venha a trancar novamente as suas portas o monumento que ora se ergue, sob as benções do povo. Repetir-se-ia a história de Agar, que fugiu para não ver morrer à fome o seu filho Ismael. Não sobreviverei a este dia. O Seminário não fechará. A mulher amazonense, cristã e heroica, estará sempre pronta a dar filhos para o altar da Pátria e o altar da Igreja. O Seminário não fechará porque, se for preciso, abrir-se-á mais um capítulo na história da proverbial generosidade do Governo e do povo do Amazonas.
O Seminário não morrerá jamais. Esta não é uma obra da vaidade do homem. Tem a marca divina. É um milagre do Coração Eucarístico de Jesus.

Salve, Seminário São José!

Em nome dos seminaristas, falou o aluno Geraldo Bessa, saudando as autoridades.

quarta-feira, julho 04, 2012

Do 27º BC ao GEF (1ª parte)


Capa da plaqueta
O governador Arthur Reis elaborou a apresentação e fez publicar na coleção Governo do Estado, entre mais de uma centena de outras edições, em 1966, a plaqueta GEF, fator de interação na Amazônia. Assinado pelo seu comandante, general Lauro Alves Pinto, no ensejo do segundo ano da Revolução de 31 de março.

Convém lembrar que o GEF (Grupamento de Elementos de Fronteira) foi precursor de o atual Comando Militar da Amazônia, transferido de Belém (PA) para Manaus (AM), em julho de 1969.
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Manaus inteira e as populações ribeirinhas da Amazônia, já incorporaram o Grupamento de Elementos de Fronteira – o seu familiar GEF – na sua intimidade, como elemento de ordem, de paz, de ajuda e, que a todos procura servir dentro de o mais alto sentido de compreensão e fraternidade.

Anos atrás, de 1920 a 1942, cabia ao 27º BC remeter, a pontos escolhidos da fronteira, os homens que iriam constituir os então chamados Destacamentos de Fronteira.

Pontilhava-se a imensa linde (sic) brasileira com cinco países amigos, num desenvolvimento de 9.000 km, com um pugilo de heroicos e denodados soldados que seriam, em verdade, aquilo que a História lhes reservara: traço de união entre o português – arguto militar de ontem – e o brasileiro consciente de hoje.

O aumento crescente das populações nas sedes dos Elementos de Segurança, originando problemas de assistência e sobrevivência, de vulto, indicava a criação de um comando para atender especificamente à tropa de fronteira. A 2 de abril de 1949 foi criado o Comando de Elementos de Fronteira (CEF), a cargo de major de infantaria e independente do 27º BC.

Antigas e já confessáveis aspirações de outros povos voltavam-se para o vasto espaço amazônico no sentido de nele abrigar os excedentes demográficos de outras regiões do globo.

Diante dessa realidade, agravada com o fluxo crescente de suprimentos; aumento progressivo de efetivos; surgimento de necessidades novas no campo de assistência medica, educacional e de toda gama de aspecto social; tudo isso impôs e deu nascimento, em Manaus, de um alto escalão de comando, sob a autoridade de general-de-brigada, contando com Estado-Maior e órgãos de serviço, capaz de atender à complexidade e à magnitude dos problemas.

Quartel que abrigou o 27º BC e o GEF, hoje ocupado pelo
Colégio Militar de Manaus

Surgiu assim, em 1960, a estrutura do atual GEF, que hoje está de parabéns ao comemorar 17 anos de existência.

O após Revolução

A Revolução de 31 de março de 1964 ecoou na Amazônia, no setor do Exército, em termos de grandes realizações, com reflexos imediatos na estrutura econômica, politica e social dessa imensa área.

Logo após a implantação do novo estado de coisas no Brasil, lá pelos meses de agosto ou setembro, a nossa fronteira, em Mato Grosso e em Rondônia, sofreu o impacto da onda de fugitivos e mesmo de combatentes que, da Bolívia, demandavam ao nosso território, no fragor da luta fratricida que assolava aquele país amigo. 

O GEF teve ação destacada nessa emergência, cabendo-lhe entrar em ação militar contra bolivianos armados, fazendo-os prisioneiros e internando-os de acordo com as normas do Direito Internacional e dos convênios e tratados firmados. A paz e a ordem foram levadas às regiões do Alto Madeira e Guaporé.    

Sem estar ainda nesta terra, tive oportunidade de, como membro do Gabinete do ministro Costa e Silva, tomar parte, junto do comandante do GEF e do CMA, nessas operações de âmbito nacional, constatando a flexibilidade, a rapidez de ação e o alto espírito militar demonstrado pela tropa na guarda de nossas fronteiras.

Os ensinamentos dessas operações, somados aos anteriormente acumulados, indicaram novos rumos a seguir na Amazônia, tendentes a aumentar a eficiência da tropa aqui destacada. Graças à obra revolucionária, de contenção e de bom emprego dos recursos da Nação, foi possível ao atual Governo da República dedicar maiores meios ao Exército, particularmente na região amazônica, tornando-o mais apto a cumprir sua missão de vigiar e defender essa imensa área que orça por dois milhões de quilômetros quadrados, somente no setor do GEF. (segue)

quarta-feira, julho 27, 2011

40 ANOS DO COLÉGIO MILITAR DE MANAUS

Capa do convite comemorativo
Em agosto de 1971, o saudoso coronel Jorge Teixeira inaugurou o Colégio Militar de Manaus (CMM), ocupando um centenário prédio do Exército. Nesta edificação foram aquartelados, entre outras unidades militares, o legendário 27.º BC (Batalhão de Caçadores), seguido pelo comando do GEF (Grupamento de Elementos de Fronteira).

Outro detalhe que cercava este quartel era seu domínio sobre a Praça General Osório, local de muitos embates esportivos e do Festival Folclórico do Amazonas.

O funcionamento do CMM implantou em Manaus modernas técnicas pedagógicas, beneficiando não apenas aos dependentes de militares, mas a inúmeros civis, que seguem orgulhando o Estado. O atual Comandante e Diretor de Ensino é o coronel Marinho Pereira Rezende Filho, que convida a comunidade para visitar a Exposição que se estende de 1.º a 12 de agosto.

Contracapa do Convite e a programação (abaixo)