CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

22 de julho de 2011

Jânio Quadros e o Amazonas

No próximo mês, a renúncia do presidente Jânio Quadros completa 50 anos. Quero lembrar o evento que, bem ou mal, não ocorreu. Anunciado para 31 de agosto, também há quase 50 anos, o presidente JQ tinha programado comparecer a VI Reunião de Governadores. Era governador do Amazonas Gilberto Mestrinho.

Para esta assembleia, o governador Mestrinho preparou um longo memorial, com as Reivindicações do Amazonas. Entre outras exigências, tratou de moradia popular para desativar a Cidade Flutuante, situada em frente a Manaus.
Visão aérea da "Cidade Flutuante" e um mapa
da situação (abaixo)


Sob o título de habitações populares, GM solicitava recursos para “a construção de 500 casas destinadas a outras tantas famílias residentes em habitações acumuladas, sob a forma geral de ‘flutuantes’, sobre as águas que contornam a cidade de Manaus”.

Na justificativa, GM delineava “o aspecto médico-social constituído pela habitação chamada “flutuante”, misturada à outra, palafítica, sempre em aglomerados distribuídos às margens e sobre as águas que cercam e semicruzam a cidade de Manaus”.

Ainda para consolidar a exposição, acusou a existência de 1.389 habitações, distribuídas dessa maneira: 1.260 residências; 83 pontos de comércio e 46 mistos (comércio e pequenas oficinas). Outro detalhe relevante: a predominância entre os ocupantes de pessoas reconhecidamente pobres, vivendo nas “piores condições de saúde”.
Aspectos da "cidade" onde as piores condições
se reuniam

Nas casas precárias, a convivência de pessoas e animais

Crianças "divertiam-se" nas águas poluídas
Enfim, coexistiam na Cidade Flutuante “a precariedade de meios de subsistência, a contaminação endemo-epidemica e os mais primários interesses nem sempre legais”. Era uma mistura sulfurosa.
Para os mais jovens, esta “cidade” desapareceu cinco anos depois, no governo de Arthur Reis, o primeiro governante do Regime Militar no Amazonas.