CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de setembro de 2010

O fim dos Armazéns Rosas, de J. G. Araújo II

Para melhor entender esse gigantismo, reproduzo a “Cronologia do maior incêndio de Manaus”, publicada em A Crítica, de 28 de setembro de 1990.


O incêndio gigantesco que destruiu grande parte dos prédios situados no quarteirão formado pelas ruas Eduardo Ribeiro, Quintino Bocaiúva, Marechal Deodoro e Teodoreto Souto e também atingiu o prédio da Galeria Central, localizada na Marechal Deodoro, no lado oposto do quarteirão, durou cerca de 4 horas. O inicio do incêndio, segundo informações ainda não oficiais, foi na loja Disco de Ouro, por volta das 13 horas. E foi debelado quando faltavam 10 minutos para as 17 horas. A seguir a cronologia do acontecimento.
O mesmo periódico seguiu analisando o desastre. Em editorial - Fogo que clareia -, salientou as dificuldades manifestas dos bombeiros, e relembrou a punição do coronel Cavalcanti Campos, ex-comandante do Corpo, que, ao denunciar a situação dos “homens do fogo” em programa de TV dirigido por Carlos Souza, hoje vice-prefeito de Manaus, foi severamente punido.
Para encerrar esta postagem, afinal, este sinistro ofereceu motivação para longos debates. Recordo o finado colunista social – Gilberto (Gil) Barbosa, que nele, também encontrou o mote para sua coluna Gente, da mesma data: “Desaparelhamento imperdoável”.
13h – Começa incendiar a loja Disco de Ouro. As pessoas que ali trabalhavam correram a procura de extintores de incêndio.

13h30 – O fogo começa a se alastrar para as lojas vizinhas, em especial para A Cearense.

13h50 - Chegam os primeiros carros do Corpo de Bombeiros. O incêndio já estava tomando dimensões alarmantes, com focos para o prédio da Galeria Central.

14h – Uma senhora, identificando-se como tia das irmãs Cristiane e Claudia Feitosa, chega no local desesperada, dizendo que as duas estavam presas no prédio da Galeria Central. Até o final do acontecimento o fato não foi confirmado. Os bombeiros e policiais garantiram que não havia ninguém no prédio.

14h10 – Finalmente os Bombeiros conseguem armar as mangueiras e usar os jatos de água. Porém, somente pelo lado da avenida Eduardo Ribeiro.

14h15 – Os bombeiros chegam também na rua Marechal Deodoro.

14h20 – Proprietários e empregados da loja Jambo, ajudados pelos bombeiros tiram e jogam nas esquinas das ruas Quintino Bocaiúva e [Marechal] Deodoro, grande parte das mercadorias da loja. Além de salvar um pouco do prejuízo, a operação visava retirar do local todo material de fácil combustão.

14h25 – Alguns bombeiros em cima do telhado da Sayes Importação e Exportação começam a controlar o fogo no prédio da Galeria Central. Nessa hora, o vento começa a soprar em direção à Lobrás e, se ajudou a controlar o fogo da Galeria, piorou a situação na loja Jambo e passou a ameaçar a loja Marisa.

14h40 – Soldado do Corpo de Bombeiros, identificado pelos companheiros como Jocildo, sai carregado com ferimentos na cabeça.

14h50 – O calor na rua Marechal Deodoro é intenso. O capitão Bonates pede a todos que se afastem porque existe material altamente explosivo no sobrado da Jambo. Cinco minutos após a informação se confirma e o telhado do prédio é consumido em poucos minutos.

15h – Caminhões do [supermercado] CO começam a levar todo o material da Dessana, neste instante também sobre ameaça. Nos quinze minutos seguintes chegam diversos veículos de apoio, como um caminhão-pipa da Aeronáutica e da SEMOB [Secretaria Municipal de Obras], e pás mecânicas para limpar o caminho para os caminhões dos bombeiros.

15h25 – O coronel Medeiros [comandante geral] da PM admite que o incêndio naquele momento estava incontrolável. Escutam-se várias explosões.

15h55 – Desaba grande parte da parede [dos Armazéns] que dá frente para a av. Eduardo Ribeiro. Dez minutos depois desaba outro pedaço menor.

16h – Começa a haver pequenos atritos entre a multidão de curiosos que nesta ocasião ocupava toda a Praça do Relógio, av. Eduardo Ribeiro e av. Sete de Setembro. O vento começa a diminuir de intensidade e o fogo começa a ser controlado.

16h30 – Chega um pelotão de choque da PM, com escopetas, submetralhadoras. Acontece um pequeno atrito entre um policial deste pelotão e um repórter de uma estação de TV.

Jornal O Povo. Manaus, 28 setembro 1990
16h55 – Finalmente, o fogo é apagado.

Curiosos e donos de lojas vêm o prejuízo. O Povo, 28.9.1990
Os prejuízos são incalculáveis! Empresas comerciais inteiras viram anos de esforços transformar-se em cinzas. Os parcos recursos do Corpo de Bombeiros não foram suficientes e o fogo, em algumas horas, consumiu o inacreditável. Sem agentes químicos para debelar e extinguir esse incêndio, mesmo a água foi um fator ausente e que teria sido providencial.
Esta é a Manô dos contrastes... tem Vila Olímpica e Sambódromo, mas não dispõe de um bem aparelhado Corpo de Bombeiros, para salvar do rescaldo o pouco que ainda continua de pé, já que os vândalos não se aperceberam, por ignorar, da arte que arte que é habitar neste Inferno Verde.