CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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quarta-feira, novembro 09, 2016

CLUBE DA MADRUGADA: 62 ANOS (1)

Capa do livro
No próximo dia 22, o saudoso Clube da Madrugada completa mais uma efeméride. Para lembrar essa data, prossigo reproduzindo um texto do também saudoso poeta Alencar e Silva, compartilhado de seu livro Quadros da Moderna Poesia Amazonense.

PRELUCIDAÇÃO

Enquanto isso, porém, o tempo corria e conspirava contra a produção cultural local e, logicamente, contra o surgimento de novas luzes e novos talentos. E a coisa começava a repetir-se e a emperrar, enfim. De sorte que tudo parecia mais ou menos estagnado, como um grande rio que de repente deixasse de correr.

De fato, só com o término da guerra, o fim da ditadura e a esperada democratização do país, voltar-se-ia a respirar em Manaus um ma propício ao reflorescimento das artes e das letras e ao exercício da liberdade criativa.

Era chegada a hora dos grêmios e da consequente disseminação de suas tribunas políticas e literárias, a darem algum colorido à cidade e algum sentido à juventude. Impõe-se, assim, por sua própria expressividade, o devido registro dos nomes dessas entidades, porquanto de seu seio foi que saíram os quadros que iriam depois pontificar nas tribunas parlamentares, nas cátedras universitárias e nas lideranças empresariais, inclusive em outros Estados, por força do conhecido êxodo anual da mocidade amazonense, rumo ao sul do país, determinado quase sempre pela falta de oportunidades e, sobretudo, pela inexistência de universidade, eis que então se dispunha, tão somente, em Manaus, da tradicional Faculdade de Direito.

Só para referir, a voo de pássaro, as denominações daquelas entidades e alguns de seus integrantes, listamos os seguintes, observando uma certa ordem de precedência: Grêmio Heliodoro Balbi (Olavo Sobreira Sampaio, Evandro Carreira, Manoel Octávio etc.); Centro de Estudos da Mocidade (Áureo Mello, Plínio Coelho, Lúcio de Siqueira Cavalcanti, Ligier Herculano Barroso etc.); Sociedade Cultural Castro Alves (Almino Affonso, Aloysio Nobre de Freitas, Paulo Monteiro de Lima etc.); Grêmio Cultural Gonçalves Dias (Francisco Guedes Queiroz, Roberto Jansen, Arimathéa Cavalcanti, Othon e Fernando Mendes, Almir Diniz etc.); Grêmio Cultural Álvares de Azevedo (Hygino Caetano da Silva Filho, Platão Araújo, Alencar e Silva, Aluísio Sampaio, Leopoldo Péres Sobrinho, Jefferson Péres, Andrade Neto, Roberto Jansen etc.); Sociedade Amazonense de Estudos Literários (Anibal Duarte Beltrão, Alencar e Silva, Maria Leonor Coutinho dos Santos, Ambrósio Assayag, Guimarães de Paula, Astrid Cabral, Jorge Tufic, Anísio Mello, Milton Cordeiro, José Cidade d'Oliveira etc.).

Havia ainda o Centro de Estudos e Defesa do Petróleo, de caráter nacionalista, e a Associação Amazonense de Imprensa Estudantil, representativa dos diversos periódicos, de vida efêmera ou duradoura, que então circulavam.

Sendo certo que muitos de nós participamos sucessivamente de mais de um desses grêmios, fácil é compreender-se que muitos companheiros não tenham sido arrolados, enquanto que um ou outro possa achar-se deslocado. O que importa, em essência, é que muitos desses jovens, na década seguinte, ou, mais precisamente, a partir de 1954, fariam confluir suas águas para o grande estuário do Clube da Madrugada, onde um novo tempo começaria a correr.

Cabe lembrar ainda que os colégios tradicionais de Manaus, à época, viram os seus centros estudantis encherem-se de inusitadas atividades extracurriculares, de cunho literário, destacando-se entre eles o Centro Plácido Serrano e o Marciano Armond, do Colégio Estadual e do Instituto de Educação, respectivamente, nos quais a juventude mais idealista adestrava-se nos torneios do espírito e nos jogos florais da inteligência.

Deve lembrar-se, em particular, e não por acaso, o "Plácido Serrano", sob a presidência de Anísio Mello, poeta e pintor, que lhe embelezara a sede, dotando-a de palco e belos painéis laterais e também os jovens que ali se exercitavam nas tribunas, como Francisco Queiroz, Arimathéa Cavalcanti, Bernardo Cabral e Cláudio Ferreira Nobre.

Entre todos, porém, sobressaía-se a figura de Almino Affonso, cujos triunfos oratórios a todos deslumbravam. Já por volta de 1948, era ele — poeta — um líder prestigioso, a quem a política e a vida pública reservariam uma trajetória gloriosa nos parlamentos e na alta administração do país.

Por várias vezes esse virtuose da oratória parlamentar empolgou as sessões do "Plácido Serrano". Certa feita, o deputado Pereira da Silva, ali presente, depois de ouvir o jovem tribuno, e como que contagiado por sua eloquência, inflama-se também e profere emocionada oração, que assim começava: "Eu também já fui poeta e cantei esta terra com igual emoção...".

Referia-se o deputado ao seu livro Poemas Amazônicos, de inspiração nativista e vazado em versos livres, que ficaria como uma das primeiras manifestações do Modernismo no Amazonas. Essa obra fora publicada em 1927 e só seria reeditada quarenta anos depois. Por aqueles idos de 1948, Almino Affonso estudava em Manaus e passava as férias escolares de fim de ano em Porto Velho, com os pais, subindo o Madeira nos antigos "Gaiolas" ou "Chatinhas", que escalavam nas cidades de Borba, Manicoré, Humaitá e, finalmente, Porto Velho, daí retornando a Manaus.

Essas viagens, embora com vários dias de duração, nunca se tornavam monótonas ou cansativas, dada a alegria dos estudantes que partiam em férias. Coincidiu de viajarmos no mesmo navio, em 1948. Eu ficava em Borba, onde meu pai era Juiz de Direito, e Almino Affonso prosseguia viagem, por mais alguns dias, pelo belo e amarelo Madeira.

E a Academia? É preciso saber-se distinguir bem entre o que é permanente e o que é episódico. De modo geral, as academias de letras estaduais, como instituições permanentes que são, merecem ser contempladas com respeito e admiração, pelos serviços de alta benemerência que prestam à sociedade e à cultura, notadamente com relação à permanência em alta dos padrões da nossa língua. (SEGUE)

segunda-feira, dezembro 01, 2014

DE: GENERAL PARA: ALMINO AFONSO


Almino Afonso, no IGHA, em 2003

Almino Álvares Afonso, cumprindo o segundo mandato de deputado federal, foi contemplado com a escolha de seu nome para liderar o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Aconteceu em 1961, ano que ficou marcado pela renúncia do presidente Jânio Quadros e a complicada disputa pela posse de Jango Goulart.

A criação da Petrobras, a mesma que hoje não consegue sair do noticiário policial, ocorreu em 1954, ainda no governo de Getúlio Vargas. Na época, cruzou o país um movimento pela instalação desta estatal, com a denominação de “O petróleo é nosso”.

Na campanha, Almino Afonso entrou de cabeça, enquanto estudante da Faculdade de Direito de São Paulo. Conhecedor dessa atuação, o general Leonidas Cardoso, pai do futuro presidente FHC, enviou ao então deputado a missiva que abaixo reproduzo.

A carta ficou conhecida, em Manaus, devido a veiculação no jornal A Gazeta, que a publicou com destaque. No entanto, o original da carta desapareceu do arquivo do destinatário, que a buscava sem sucesso. Certo dia, procurando eu “papeis velhos roídos” pelo tempo, encontrei a carta. Noutro dia, encaminhei-a ao meu confrade do IGHA que, prontamente, me agradeceu a “descoberta”, relatando alguns pormenores.

CARTA-ABERTA A ALMINO AFONSO (*)
Leonidas Cardoso (General)


Prezado amigo Deputado Almino Afonso.
Afetuosas saudações

Recorte da carta, em A Gazeta
Jamais deixarei de preocupar-me com os acontecimentos políticos de nossa pátria. Venho-os acompanhando, mais diretamente, desde 1909, quando meu saudoso pai, Joaquim Inácio Baptista Cardoso, então tenente-coronel do glorioso Exército Nacional, reuniu em torno do mesmo ideal os velhos republicanos Quintino Bocaiuva, Lopes Trovão, José Mariano, Coelho Lisboa, J. da Penha, Andrade Silva e muitos outros.
Habituei-me, daí, ao trato dos homens e aprendi a julgá-los também através os ensinamentos de Emerson: “Usa a linguagem que quiseres, nunca poderás dizer senão o que fores”, porque segundo a sabedoria popular: “Ninguém se deve fiar nas aparências. O tambor, apesar de todo barulho que faz, está cheio de ar, simplesmente”.
De instante a instante – retomando as minhas palavras iniciais – os fatos da nossa vida social se sucedem e de todos eles o que mais me atraiu a atenção, ultimamente, foi a escolha de seu nome para líder do Partido Trabalhista Brasileiro, na Câmara Federal. Considero-a uma consequência lógica das campanhas nacionalistas que, em São Paulo, tiveram em você um dos seus mais eficientes elementos.
Lembro-me do acadêmico Almino Afonso, na tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, sempre na primeira linha dos combatentes, consciente e atuante. Tudo que aconteceu aquela época – e longe seria enumerar os ingentes esforços dos patriotas – podemos nós hoje afirmar, foram em suma verdadeiras e corajosas pregações cívicas, em defesa do monopólio estatal do petróleo, principalmente, nas quais contamos com o decisivo apoio dos brasileiros independentes de todos os quadrantes do país.
Tenho minha confiança na firmeza da sua posição, face aos legítimos interesses nacionais. O que vem impedindo a muitos homens públicos de se conservarem fiéis às necessidades do povo no desempenho dos cargos administrativos e dos mandatos eletivos que lhes têm sido confiados, são os VISCOSOS EMBARAÇOS DE ORDEM MATERIAL. Destes, entretanto, você está livre, graças aos principados da moral política que segue e da perfeita compreensão dos seus deveres de cidadão.
Moço que você é, já com grandes responsabilidades nas lutas pela emancipação econômica do Brasil, quero aqui recordar um exemplo histórico: FLORIANO! Jovem, com 26 anos de idade, segundo-tenente do Exército, marchou ele para os campos de batalha do Paraguai, de lá regressando galardoado com três promoções por bravura. O major Floriano, mesmo no governo imperial, sem ser um áulico, cedo atingiu o generalato, imposto pelo seu passado militar e patriotismo. Filho de lavradores, modesto, bom cidadão e bom soldado, sem os artifícios da palavra exuberante, acompanhou o desenrolar da política do povo brasileiro, até a implantação do regime democrático em 1889.
Coube ao seu caráter de homem íntegro, independente, de ação discreta mas enérgica, a grandiosa obra da Consolidação da República, que constituiu a fase brilhante da nossa nacionalidade em que os brasileiros viram agitada a bandeira do nacionalismo até o paroxismo, na célebre frase de Floriano: “A BALA!”.
Concluindo, retorno a sabedoria popular: “As ações são sempre mais sinceras do que as palavras”, ou em sentido mais completo, na opinião de Frederico Bricha: “A multidão julga os homens pelas palavras, a história julga-os pelas ações”. À sua inteligência e perspicácia, deixo o trabalho de pesquisa e identificação, para uma justa aplicação, nos nossos dias, dos conceitos contidos nos provérbios citados.

(*) A Gazeta, 5 abr. 1961

quinta-feira, setembro 30, 2010

ACADEMIA NÃO ESCOLHEU ROBERTO MENDONÇA

A Academia Amazonense de Letras escolheu, sim, ao eminente político Almino Affonso, 81a, para a cadeira 15, de Graça Aranha, vaga do finado escritor e doutor acadêmico Narciso Lobo. Lobo morreu em julho de 2009.

Almino Affonso, no IGHA, 2003
Como amplamente divulgado, a reunião ocorreu ao final da tarde de ontem, com expressiva maioria de seus membros, aliada ao número de votos recolhidos entre os assoaciados. Ao todo, foram 28 votos.

Não foi dessa vez!, consolou-me o amigo Zemaria Pinto. Bem que eu me esforçei, porém, a minha ousadia foi exemplarmente castigada. Obtive 21%, ou melhor, "expressivos" seis votos.
Tamanha sova me permite sugerir que, deveria ser motivo de impedimento um anêmico escrivinhador de província desafiar a um "amazonense vitorioso fora", além de reverenciado pelos acadêmicos amazonenses. Hoje, ao abrir A Crítica, encontrei uma "notinhazinha" no colunista social. Mestre Almino Affonso, parabéns, o senhor merece ser nome de município, de rodovia, e de imensa avenida.

Estou contente por ter combatido "o bom combate". O apóstolo, de certo, vai me permitir perseverar no ideal. 

Não foram poucos os amigos, em especial aqueles que têm a cabeça no lugar, que me sugeriram o recúo. Como já havia realizado essa manobra na eleição do historiador Abrahim Baze, não entendia ser acertado este movimento. argumentava que, disputando com o ex-ministro do Trabalho e ex-vicegovernador de São Paulo, qualquer resultado me seria vantajoso. Se perdesse, como ocorreu, teria sido para o doutor Almino Afonso e, ao contrário, teria vencido do notável e douto Al-mi-no...

R. Mendonça, 2010
Agradeço àqueles que me sufragaram na urna acadêmica. Como foram poucos, pouquíssimos, posso escrever pouco e errar menos. A turma do "Chá do Armando": Almir Diniz, Zemaria Pinto e Armando de Menezes, que concretamente me estimularam, conduziram e votaram. 
Mais dois sufrágios: o do doutor Antonio Loureiro que, com seu voto vingativo, me ensinou a confiar. O do poeta Luiz Bacellar, por me permitir inquietá-lo com meus disparates. O sexto voto saiu de uma cuia de tantas promessas; dessa maneira, devido sua sacralidade, dorme comigo.

Prometo aos simpatizantes (aqueles a quem só é permitido torcer), não arrefecer. No entanto, devo cumprir os preceitos traçados por um doutor acadêmico, quando o procurei em busca de "luzes".
Enfim, cantarolando com o poeta suburbano: Por que não eu? Por que não eu? 

domingo, agosto 29, 2010

Academia Amazonense de Letras III

Sede da Academia, 2010
Já tem data marcada - 29 de setembro - para a escolha do substituto do  falecido Narciso Lobo, na Cadeira nº 15, de Graça Aranha.  Dois candidatos disputam a vaga: Almino Afonso e Roberto Mendonça.

Jornal A Notícia. Manaus, 20 maio 1980









O primeiro é um nome conhecido nacionalmente. Ainda jovem deputado federal pelo Amazonas, foi ministro do Trabalho de João Goulart (1962). Mas, veio o Governo Militar e Afonso teve seu mandato cassado, além de buscar asilo em alguns países, antes da anistia.
No retorno do exílio, radicou-se em São Paulo, onde alcançou o mandato de vice-governador. Ainda voltou à Câmara Federal na representação paulista, até sua aposentadoria política.

O segundo é o responsável por este espaço. Por isso, posso afirmar que nasci e fui criado em Manaus e, por princípios, aqui me mantenho. Frequento com assiduidade o silogeu amazonense, onde já mostrei condições em colaborar em diversas atividades da Casa.

A campanha segue a todo vapor...
  

terça-feira, maio 25, 2010

SEMANA DE MAIO

Stenio Neves

Há dois dias, lembrando o centenário de nascimento de Stenio Neves, informei que o mesmo havia nascido em Manaus. No entanto, o recorte de jornal (foto) informa ter ele nascido nas barrancas do Solimões. Como são tantos os "barrancos" do nosso rio, fico sem saber onde nasceu de fato o ex-prefeito de Manaus.
Este "santinho" foi distribuído nas eleições de outubro de 1962.


SEMANA DE MAIO 1980

A Crítica, 20.5
20 - Carlos de Araújo Lima, saudoso advogado amazonense e figura de projeção na advocacia nacional, não escondia seu entusiasmo após a abertura da VIII Conferência dos Advogados do Brasil, realizada em Manaus, entre 19 e 23 de maio. Era presidente da OAB-AM, o doutor José de Paiva Filho.

Participou da citada conferência, o Dr. Almino Alvares Afonso, cassado quando deputado federal. Em entrevista ao jornal A Notícia (20.5.1980) rebateu o pronunciamento do ministro da Justiça, Ibrahim Abi-Ackel. Sugeria a convocação de uma Assembleia Constituinte.

A Crítica, Manaus, 21.5.1980
21 - Desembarca em Manaus, o ministro do Exército, general Walter Pires, a fim de empossar o general Leonidas Pires Gonçalves (1921-) no Comando Militar da Amazônia (CMA). Ao desembarque, o ministro foi recepcionado pelo governador do Estado, Paulo Pinto Nery.
O general Leonidas Pires foi, no governo Collor, ministro do Exército.

A Notícia. Manaus, 22.5.1980
22 -  Estiveram presentes a posse do comandante do Comando Militar da Amazônia, o governador do Estado, Dr. Paulo Nery, o superintendente da Suframa, Dr. Ruy Lins (falecido no mês passado) e o secretário da OAB Nacional, Dr. Bernardo Cabral.

A Notícia. Manaus, 20.5.1980
23 - O livro de Ferreira de Castro, A Selva, completava 50 anos. Em Manaus, foi instalado o busto do autor, na Praça da Polícia e a Academia Amazonense de Letras, em sessão solene, promoveu sua homenagem
na palavra do acadêmico Mário Ypiranga Monteiro.


A Notícia. Manaus, 25.5.1980
24 - Morreu, aos 74 anos, Paschoal Carlos Magno, realizador dos mais importantes projetos culturais; fundador do Teatro do Estudante do Brasil; criador da Casa do Estudante do Brasil; deixando expressiva de folha de serviços prestados a cultura do País. Seu corpo foi velado na Casa do Estudante.