CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

30 de junho de 2010

Deu no JORNAL DO COMMERCIO II

Em 28 de junho de 1970, o Jornal do Commercio passou a imprimir em offset seu matutino. Com essa mudança, renovou substancialmente a apresentação gráfica, em especial, o setor de fotografias. Até então, em todos os periódicos, era um desastre a exibição de fotos.
O jornalista Epaminondas Barauna, dirigente do JC, desdobrava-se para atender aos inúmeros visitantes, autoridades e jovens alunos de escolas da cidade, desejosos de conhecer a maravilha. 

Reproduzo duas fotos da época: a primeira mostra o Governador Danilo Areosa em desobriga ao interior, desembarcando de uma lancha muito modesta, em companhia do Prefeito de Manacapuru, Jamil Seffair. Ao fundo, aparece o futuro governador José Lindoso.

Governador Areosa (à frente), Jamil Seffair, José Lindoso (à dir)

A segunda foto, mostra o ato de inauguração da Central Elétrica de Benjamin Constant. Deve ter sido um acontecimento soberbo para aquela localidade. Era a superação, ainda que temerária, da lamparina.

A solenidade exigiu paletó e gravata

29 de junho de 2010

Album da família Mendonça

Junho, 29 - dia de São Pedro


Francisca e Manuel Mendonça tiveram três filhos. Os três nascidos no mês de junho e do sexo masculino. O primeiro, nascido a 17, chamou-se Manoel, em honra do pai, e mais Roberto, e é quem escreve este texto.
O segundo, nasceu a 13, dia de Santo Antonio, por isso, Henrique Antonio. Por fim, dia 29, Pedro Renato, em honra do padroeiro dos pescadores.

Renato, Roberto e Antonio, em 2007

Já falei do Antonio, dias passados; hoje, relembro os 59 anos de Pedro Renato. Ou simplesmente, Renato. Nascido na rua Inácio Guimarães, em Educandos, acabou orfão da mãe no ano seguinte.

A seguir, foi cuidado pela avó paterna, uma peruana autêntica, e outras assistentes, até que Dona Doroteia assumisse o lugar de mãe adotiva. Renato estudou no Seminário de Manaus, aproveitando o internato quase gratuito, e completou o ensino secundário no Colégio Estadual do Amazonas.

Nossa família, em 1959, mudou-se para o Morro da Liberdade, inaugurando uma nova casa em bairro em formação. Era então o fim de Manaus. Morávamos a rua Amazonas (uma das tantas existentes em Manaus), o número 29 foi escolhido por ser o dia em que mudamos. Havia, ao menos, outros três vinte e nove.
Renato, ao tempo do serviço militar, cursou o NPOR no 1º BIS, em 1971. Ao concluir o curso obteve o terceiro lugar e recebeu a espada das mãos do general comandante militar. Pouco depois, conquistou aprovação para o Curso de Matematica na Universidade do Amazonas, tendo realizado apenas o primeiro ano.
Em 1972, aproveitou a transferência da família para Santos (SP) e foi junto. Na busca de emprego, conseguiu aprovação em concurso para a Petrobras e nela se aposentou. Durante sua permanência em atividade nessa empresa passou por vários departamentos e refinarias, inclusive a de Manaus, além de postos de prospecção em alto mar, as conhecidas plataformas.


Casado com a Isabel, possui três filhos: Marcelo, Patricia e Fernando. Apesar de aposentado, segue trabalhando junto a Petrobras.

Renato, 2009

28 de junho de 2010

Memorial Amazonense XXVI

JUNHO, 28



1911 – Nasceu em Vizeu (POR), o comendador José Cruz. Casado com Alice Carvalho Cruz, gerou quatro filhos. Em 1943, fundou a empresa J. Cruz & Cia., fabricante do guaraná Magistral e outros produtos. De atuação destacda na comunidade lusa, recebeu diversas condecorações: Grão Mestre das Ordens Portuguesas; Cidadão do Amazonas (1979); comendador da Ordem do Mérito do Estado do Amazonas (1982); sócio benemérito da Associação Comercial do Amazonas (1985); sócio benemérito da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas, que presidiu por mais de 30 anos.


Na condição de desportista, foi agraciado com a medalha de sócio benemérito do Atlético Rio Negro Clube, do Nacional Futebol Clube e do Bosque Clube. Na maçonaria, foi Venerável da Loja Aurora Lusitana. Exerceu ainda a presidência do Rotary Clube de Manaus e a vice-presidência da ACA.


Morreu em 28 abr. 1992, no Hospital da Beneficente Portuguesa. E, finalmente, como homenagem póstuma, o busto foi inaugurado no jardim daquele hospital um ano após seu falecimento.


1965 – Aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado, a Lei nº 8 foi sancionada pelo Governador Arthur Reis, considerando a Igreja do Pobre Diabo, localizada no bairro da Cachoeirinha, como monumento histórico. Estima-se que a igrejinha data de 1897, e que foi mandada construir pela viúva do português Antônio José da Costa.
Para mais informações, consultar a Memória nº 1, publicada pela Secretaria de Estado da Cultura.


1966 – Morreu, em Manaus, o cônego Antônio Plácido de Souza, vigário de Educandos. O desenlace ocorreu no Hospital Beneficente Portuguesa. A vida deste sacerdote está vinculada ao bairro de Educandos, desde quando este era conhecido por Constantinópolis, assim batizado em homenagem ao Governador Constantino Nery (1904-07). Padre Placido administrou esta paróquia desde sua ordenação, em 1943, até seu falecimento. A igreja que se conhece foi idealizada e construída pelo mesmo, conhecido artesão de madeira.

Ao fundo, a igreja de Educandos, em construção.
Na frente, onibus da Auto Viação Santa Cruz, c1943

Também deu início a paróquia da Colônia Oliveira Machado.
O governo do Estado, em retribuição ao operoso vigário, nomeou com seu nome a ponte que liga o bairro ao centro de Manaus.
Ponte Conêgo Antonio Placido,
 que liga o bairro de Educandos ao centro de Manaus

27 de junho de 2010

Os Bombeiros do Amazonas VII

Em janeiro de 1957, a Companhia de Bombeiros era constituída de 21 homens, comandados por três oficiais.

Subtenente Tertuliano da Silva Xavier; 1.º Sargento Antonio Ferreira da Rocha e Sebastião Ramos Filho; 2.º Sargento Luis Constantino Melo; 3.° Sargento Antonio Januário da Silva; Luis Batista dos Santos; Benjamin Dantas Bacelar e Raimundo Ribeiro da Silva. Cabos Raimundo Nogueira da Silva; José Pacheco Nonato; Ayrdon Xavier; Nicanor Gomes da Silva; Pedro Evaristo da Silva; Manuel de Araújo Vieira e Raimundo Duarte Paiva. Soldados Raimundo Carlos da Silveira; Sebastião Magalhães da Silva; José Pereira Moreno; Júlio de Carvalho Xavier; Aluisio da Silva Maia; José Maria Campos e Agenor Alves da Silva.


A precariedade geral cercava o serviço dos Bombeiros, tanto que a prontidão de incêndio, ou seja, o pessoal escalado para o primeiro atendimento, estava restrito a três elementos (um sargento, um cabo e um soldado). Não se deveria exigir mais, diante da inexistência de viatura para a corrida.
Havia mais pessoal escalado, mas se perdia em patrulhas de feiras e de mercados e guardas de serviços da própria comuna. Alguns, à disposição  de políticos e de outras autoridades.
A escala em feiras e mercados era mais interessante, mais vantajosa, porque rendia sempre algum dividendo, nem que fosse para "a merenda do praça". No entanto, era degradante para os Bombeiros, serviam como "pau pra toda obra", executando todos os serviços da Prefeitura.
Até para recolher lixo eram utilizados, recorda o ex-comandante Nicanor Silva, salientando que o pessoal vestia macacão branco, sem qualquer identificação.


Os bombeiros municipais seguiam sem viaturas, portanto, a reboque dos voluntários. Acordo implícito entre as corporações definiu que, quando houvesse algum sinistro, os bombeiros do comandante Ventura recolhiam o pessoal do capitão Monteiro e, juntando os retalhos, seguiam a cata de milagre.
“Milagre não vale“, proclamam jocosamente os Bombeiros. Aqui em Manaus, os louros, as alegrias de algum sucesso recaiam apenas  nos voluntários.

Com tais justificativas, capitão Monteiro procurou o coronel Cleto. Houve um desentendimento, que passou a um bate-boca e, por pouco, não chegou às vias de fato. Neste sentido, Cleto Veras deixou tradição. Era truculento, tanto na caserna quanto com os civis. Há passagens bem identificadas e em bom número, como a grave ocorrência no balneário do Parque Dez, em outubro de 1958, quando um magarefe tentou alvejá-lo. O tiro acabou atingindo a um Bombeiro, o futuro comandante Nicanor Silva.

No segundo semestre de 1957, por ocasião da preparação do desfile de 7 de Setembro, ocorreu um desentendimento entre comandantes. Entre o da Polícia Militar, coronel Cleto Veras, e o dos Bombeiros, capitão Edmundo Monteiro. Por hábito incorporado pelo comandante da PM desde sua posse, neste desfile, policiais deveriam portar as duas armaduras existentes na PMAM. Monteiro, oficial de bom porte físico, foi escalado pelo comandante Cleto para vestir a medieva armadura. Ao experimentar o trambolho, o modelo escalado reclamou do elmo, pois este deixava sua cabeça desconfortável, daí estimar que durante o desfile militar sofreria maiores incômodos.
Após a altercação com o capitão Monteiro, o comandante da PM decidiu "expulsar" os Bombeiros do Quartel da Praça da Polícia. Não seria grande o estrago, pois os Bombeiros apenas ocupavam um alojamento no andar superior. Uns gatos pingados, que dispunham somente de seus objetos pessoais e, cada um, de um colchão, porquanto a cama-patente pertencia à carga policial.
Sem apelação, os sem-teto tomaram seus pertences e se dirigiram para a Prefeitura que, afinal, era a casa materna. É conveniente lembrar que os Bombeiros, a despeito da subordinação à Prefeitura, se abrigavam na casa alheia. Deu no que deu!
Assim, a partir de 10, a Companhia de Bombeiros Municipais passou a funcionar em um galpão existente detrás da sede da Prefeitura, à praça Dom Pedro II. Onde décadas depois foi montada a sede da Manaustur, ainda existente.
Proclamou o Boletim de 17 set.1957 que, tendo em vista a mudança do Quartel desta Companhia, do Quartel da Policia Militar para o próprio Municipal, sito à av. 7 de Setembro, deixaram de ser confeccionados os Boletins Internos nos dias 10 a 16 do corrente mês, em face de não existir alterações.

Anexo da ex-sede da Prefeitura de Manaus, na
Praça Dom Pedro II, endêreço dos Bombeiros 

Sem alternativa, acolá os Bombeiros se alojaram provisoriamente e, como para ratificar o adágio, o provisório perdurou por mais de cinco anos.

Quartel dos Bombeiros, entre 1963-1974
no Canto do Quintela, Manaus

No início de 1963, quando ocupou o tradicional prédio da avenida 7 de Setembro, próximo ao Canto do Quintela (cruzamento das avenidas Joaquim Nabuco e Sete de Setembro), que, como já descrito, fora inaugurado em 1934, ao tempo da interventoria de Nelson de Mello.

Curiosidade: número do telefone de urgência - 2307. Anote.

26 de junho de 2010

Departamento Estadual de Trânsito - Detran


Major Edson de Lima Matias assumiu o Departamento de Trânsito (Detran) em outubro de 1978. Ao tempo do Governo Militar, em que este órgão passou pela direção de alguns oficiais da Polícia Militar. Era uma espécie de feudo policial militar. Matias, formado na Academia de Polícia Militar de São Paulo, possuia formação acadêmica e, em consequência, era professor de matematica da rede estadual.
A Notícia. Manaus, 5.8.1980


A reportagem do jornal A Notícia mostrava o dirigente do Detran sorridente, em pleno exercício de sua função. Convocava os propiretários dempresas de transporte coletivo, esse mesmo que segue conturbado, para uma reunião. Outra boa passagem deste oficial foi sua presença em Itacoatiara, em fiscalização de trânsito.

A Notícia. Manaus, 29.5.1980


No entanto, em junho de 1980, o major Matias foi exonerado do Detran. Segundo ele relata em publicação jornalística, fora exomerado pela imprensa, como já aconteceu com vários funcionários públicos. Passou o encargo ao diretor executivo, uma espécie de vice-diretor, Andrea Limongi.

Limongi (à esq.), major Matias e auxialiares
A Crítica. Manaus, 27.6.1980


Limongi era uma figura conhecida na praça. Ao lado do irmão Flaviano, fundara a Federação Amazonense de Futebol (FAF) ou, como o próprio Andrea segredava, "Flaviano e Andrea faturam". Andrea era um camarada simpático, espirituoso, que a todos atendia e, bem a vontade, era amigos dos oficiais da Polícia Militar do Amazonas (Pmam). Afinal, quem fiscalizava o trânsito era a Companhia de Trânsito, pertencente a Pmam.


Tudo bem. Verdade que qualquer pessoa de mediano entendimento, sabia que a substituição de Matias fora movimento político. Assim, dias depois, Matias vem a público confirmar o que todos desconfiavam.

Major Matias. A Notícia. Manaus, 22.7.1980


Hoje, coronel Matias se encontra na reserva e aposentado do ensino escolar.








25 de junho de 2010

Uma carta e três nomes

Anísio Mello, c1952


Um dia de 1952, partiu de Manaus, em busca do progresso paulista, o casal Anísio e Lindalva Mello. Recém casados , enfrentavam tremendo desafio. Anísio, já era experimentado artista plástico (aquele tempo, apenas pintor), com participação em exposições. Aprendera o jornalismo na prática, na confecção de jornais escolares.
Mas, para enfrentar o desafio, era preciso entre outras providências, alguma apresentação, o encaminhamento de um amigo para outro amigo.
Assim, o casal portou a carta de Ramayana para Adalberto.




Rio, 20/12/52

Meu caro Adalberto,
O nosso conterrâneo Anísio Mello veio do Norte, casado há 5 meses, para vencer.
É desenhista arquitetônico (sic) e pintor de sensibilidade primorosa, sem cursos acadêmicos, além de poeta de valor. Leva uma vasta bagagem de telas, para um possível exposição.
Pede, e eu por ele, apoio e solidariedade, coisa que nunca falhou nesse coração amazônico!
É um casal jovem, que deseja trabalhar honestamente, com inteligência e vontade!
Rogo por eles e creio em ti, meu caro Adalberto, com efusão d´alma!
Um velho abraço do
Ramayana


Falei do primeiro nome: Anísio Mello. Desconheço se recebeu ajuda de Adalberto Valle, que tinha sede em São Paulo. Mas, foi na capital paulista que o casal prosperou. Por anos, Anísio publicou um jornal quinzenal - Correio do Norte, destinado a divulgar o Norte. Concluiu um curso superior e funcionário do Banco de Crédito da Amazônia, neste se manteve até sua aposentadoria.
O terceiro nome é o do saudoso Ramayana de Chevalier, nome já tratado neste espaço. A foto é da campanha estadual de 1958. Não conseguiu êxito.  

24 de junho de 2010

Os Bombeiros do Amazonas VI



Em 31 de janeiro de 1955, Plínio Ramos Coelho (1920-2001) assumiu o governo do Estado. Líder do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e da oposição, havia trucidado nas urnas o conglomerado do Partido Social Democrático (PSD) e da União Democrática Nacional (UDN). Como de praxe, o mandatário acentuou a situação falimentar que recebeu o Estado. Enfaticamente, porque o Ganso do Capitólio (alcunha de Plínio Coelho) recebeu a administração de adversário. O Estado foi declarado “massa falida”, constante da Mensagem que o Governador se apressou a divulgar.



Denunciou ainda as sofríveis condições da Polícia Militar, quase albergada no amplo e imponente quartel da Praça da Polícia. Em resumo, deparou com a PM em franca decadência, sob o comando heróico - palavras textuais do Governador - do então tenente-coronel Neper da Silveira Alencar (1918-1994). Nada escreveu sobre a Companhia de Bombeiros, afinal esse serviço cabia à Prefeitura.


No entanto, a recomendação do Comandante sobre a higienização de uniformes, corrobora a miséria dos bombeiros. O capitão Edmundo Monteiro, em Boletim Interno, de 19 de maio, estabeleceu “aos praças desta Companhia que só poderão mandar lavar seus uniformes, mediante permissão do Comando, de sábado para domingo, quando de folga”. Trocando em miúdos, como cada praça possuía apenas um fardamento, e o bate-enxuga dependia de autorização e de folga, Monteiro esqueceu-se de consultar São Pedro, pois se chovesse... haja pixé!


O Prefeito nomeado em 1.º de fevereiro, Walter Scott da Silva Rayol (1905-1974), teve o mandato temporário encerrado no mês seguinte. Walter Rayol passou a administração para Edson Epaminondas de Melo, nomeado em decorrência de sua militância partidária no PTB, porém, era oficial da reserva da Policia Militar. Epaminondas dirigiu o Paço municipal apenas um ano, até maio de 1956.


A 21 de fevereiro, era o seguinte pessoal incorporado:



Capitão Edmundo Monteiro Filho, comandante; 2º tenente José Thomaz Monteiro Filho (foto), subcomandante; 2.º tenente Antonio Souza Barros, secretário; 2.º tenente Sebastião Vicente do Nascimento.


Praças: subtenente Manoel Sanches de Brito, tesoureiro-almoxarife; 1.º sargento Tertuliano da Silva Xavier, escalante; 2.º sargento Euclides Corrêa Lima; 3.º sargento Antonio Ferreira da Rocha; 3.º sargento Antonio J. da Silva; 3.º sargento Sebastião Ramos Filho; 3.º sargento Luiz Constantino de Melo (agregado); 3.º sargento João Coelho Sobrinho; 3.º sargento Luiz Batista dos Santos; Cabos Raimundo Ribeiro da Silva; Raimundo Nogueira da Silva; José Pacheco Nonato; Nicanor Gomes da Silva; Ayrdon Xavier de Souza; Soldados Pedro Evaristo da Silva; Jaime Ferreira da Silva; Raimundo Carlos da Silveira; Aluízio da Silva Maia; Honório Pinheiro de Souza; Francisco F. do Nascimento.
Em síntese: 24 homens! E, seguindo a regra: mais superiores (oficiais e sargentos - 13) que inferiores (cabos e soldados - 11). Diante do quadro, era plausível afixar um aviso no Corpo da Guarda (na entrada): Procuram-se Bombeiros desesperadamente, há 12 vagas para soldados.


Cosme e Damião, 1956

A 23 de março, assumiu o comando da Polícia Militar do Estado, o major EB Cleto Potiguara Veras, comissionado coronel. Na Cidade, deixou ditosa recordação com a implantação do Cosme e Damião (foto), em agosto de 1956. No âmbito interno, para implantar disciplina, usou de desmedida energia, atingindo inclusive oficiais. Um deles, o então major Julio Cordeiro, por muito pouco não travou luta corporal com o comandante, em frente à tropa. Antes de concluir seu comando, coronel Cleto Veras marcaria seu temperamento abrasivo com os Bombeiros, cujo fato será contado no devido tempo.


Mais ou menos em abril, um velho prédio existente no cruzamento das ruas Barroso com Henrique Martins, onde funcionava uma repartição pública - Estatística do Estado, ruiu parcialmente. Os Bombeiros acorreram ao local, para os procedimentos de praxe; os voluntários, igualmente. A demolição prolongou-se por dias. Veio, então, a determinação da Prefeitura de Manaus para que a demolição fosse realizada pelos Bombeiros, com o aproveitamento de materiais, tais como: telhas, tijolos, vigamentos de madeira e outros. Em uma ocasião, uma parede desabou, atingindo a “escada telescópica“, que foi destruída. No local, ainda existente, surgiu um prédio da Caixa Econômica Federal.

Em julho, a Companhia de Bombeiros Municipais recebeu do governo um presente de grego. Recebeu o carro bomba, marca De Soto, série 2984, motor n.º 5-239, chassis n.º 3097, equipado com uma bomba marca Clayton. Tratava-se de viatura usada, tanto que em apenas dois anos foi “descarregada”, ou seja, foi mandada para o ferro-velho.
A informação seguinte vem corroborar ests opinião. O Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (Deram) efetuou a doação de 180 metros de mangueiras, daí entender que o carro-bomba veio na ponta das mangueiras. Desse modo, os Bombeiros seguiam a via crucis traçada pelos governantes.
Na ausência de uma sirene, funcionava no De Soto o tradicional sistema do sino. Pequeno sino que, ainda hoje, ornamenta o quartel do comando do Corpo de Bombeiros Militar.

Esse carro bomba, mais bomba que carro, deixou uma impressão entre amarga e curiosa. Nicanor Gomes, em entrevista para este trabalho, lembrou que os Bombeiros realizavam todos os serviços para a Prefeitura, menos o de combater o fogo. Não havia carro! Com a presença do De Soto, o capitão Monteiro aceitou o desafio de lavar a cúpula do Teatro Amazonas. Isso mesmo, aquela abóbada com as cores nacionais. Como realizaram a proeza?

Recorda Nicanor: os lavadores, os Bombeiros, subiam pela parte interna e passavam, após se amarrarem de algum modo, à parte externa. Aí entrava o carro bomba, lançando água com a Clayton para as alturas. Este fato ocorreu enquanto o carro existiu, funcionou, entre 1955 e 57. Tanto que, no desfile de Sete de Setembro, segundo registro em Boletim do dia imediato, o comando anunciava com júbilo que a CBM “desfilou com duas viaturas e todos seus componentes”. Foi uma glória! As duas viaturas: a De Soto e uma cedida pela Prefeitura.

Os integrantes do serviço de extinção de incêndios seguramente não estavam em condições para sustentar esta tarefa. Os Bombeiros mais se comportavam como funcionários municipais, envolvidos com os misteres da administração. Essas ingerências ficaram patenteadas quando da punição revolucionária imposta ao capitão Edmundo Monteiro Filho, em 1964.

23 de junho de 2010

1970. Brasil tricampeão

A Copa do Mundo de 1970, vencida pelo Brasil, reserva para os amazonenses gratas recordações. Aqui neste espaço já divulguei a pré-inauguração do Vivaldão, com a presença do selecionado brasileiro.
Dizem que esta visita deu sorte. Pelé e companhia conquistaram em definitivo a taça Jules Rimet, a mesma que ladrões furtaram da sede da então Confederação Brasileira de Desportos, hoje CBF, de futebol. A taça existente é apenas uma réplica. Não importa...
A festa pela conquista de 1970 foi marcante, exuberante, com direito a feriado nacional. 

Um torcedor nada privilegiado escreveu uma crônica sobre o feito, descrevendo a angústia de intermináveis 90 minutos vividos em 21 de junho de 1970.

Nelson Porto e L. Ruas (à dir),
em festa na Rádio Rio Mar

A crônica pertence ao saudoso padre L. Ruas (1931-2000). E é melhor que você leia, para avaliar o sentimento que alcançou os brasileiros naquela competição.

Brasil: Tri! Salve! Salve!
O Jornal. Manaus, 28.6.1970

 
    Hoje está fazendo uma semana. Mas, esquecer quem há-de?, como diria o poeta. Quem é que pode esquecer aquela tarde ensolarada de vinte e um de junho de 1970? Quem é que pode esquecer, principalmente, aqueles noventa minutos de ansiedade, de angústia, de expectativa, de silêncio, de prantos contidos e incontidos e, sobretudo, de fé, de confiança e, mais do que sobretudo, de esperanças? De esperanças. Como é terrível a esperança! Como é angustiante! Noventa minutos de esperança concentrada, comprimida, pronta para rebentar... É quase um inferno. Mãos que se contorciam; caminhadas longas de quilômetros dentro de salas pequenas; olhos marejados de lágrimas; o silêncio indeciso e certino (sic) das caixas de foguetes em cima de mesas; a superatenção de ouvidos colados aos aparelhos de rádios; os comentários reticenciados pelo avanço do ataque brasileiro; os copos de cerveja bebidos sofregamente e nervosamente; tudo isso era a esperança dos noventa milhões de brasileiros naquela tarde que não terminou naquele dia, tarde que se prolongará dentro de cada um de nós sabe Deus até quando.

E, de repente, um brado retumbante ecoou “dos pampas aos seringais”, como disse um narrador lá no México, no Estádio Asteca: GOOOOOOOOOOOOLLL!!!

E, de repente, todas as ruas e avenidas do Brasil se enfeitaram com as cores do nosso lindo pendão da esperança!

Vou parar por aqui senão vou desandar numa patriotada que vai ser uma coisa. E patriotada só valeu mesmo naquela tarde de vinte e um de junho de mil novecentos e setenta.

Mas, perdoem-me os que me lêem. Volto atrás. Não sou rei. Não sou Pelé e, por isso, a minha palavra pode voltar atrás sem nenhum desdouro. Não houve patriotada, não. O que houve, realmente, foi um profundo e intenso sentimento de patriotismo. Acredito que não houve outra ocasião na História do Brasil e, muito menos, nos seus grandes momentos, em que o povo brasileiro esteve tão unido, tão coeso, tão povo, tão nação como quando a partir do gol de Jairzinho, o terceiro (Ah! Aquele definitivo terceiro gol de Jairzinho! Que maravilha! Que alívio!) ficou selada a vitória do Brasil sobre a Itália e confirmado o tricampeonato. Não! Nunca fomos, em data alguma, tão povo e tão nação!

Acho que é temeridade de minha parte estar falando sobre a vitória do Brasil. Já disseram tudo. E, mais do que dizer, já fizeram tudo! Tudo, completamente tudo! O que foi que não se fez naquela tarde? Todas as inibições foram quebradas; todas as barreiras foram dissolvidas; todas as explosões foram explodidas: nos foguetes, nos gritos de Brasil! Brasil!, nos carnavais ou melhor no carnaval nacional. Quando se diz carnaval, que é preciso dizer mais? Já não está dito tudo?

Brasil, terra do futebol. Há os que se envergonham de dizer que o Brasil é a terra do futebol. Há os que dizem com um trejeito de ironia e de desprezo. Não passam de capadócios. Somos mesmo a terra do futebol. Qual é a vergonha que há nisso? O futebol não é um esporte? E o esporte não foi sempre cultivado pelas grandes civilizações? Quem pode falar da Grécia, por exemplo, e esquecer Esparta? O que há de mais sadio do que o esporte e, especialmente, quando o esporte supera a simples técnica e se eleva até ao plano da arte. Arte, sim. O que é a arte se não o homem transfigurando a técnica pela originalidade do seu poder criador, pela individualidade do seu talento? E o que é futebol brasileiro se não isso? Talvez não seja arte e acredito que não o seja o tal futebol-força de além-Atlântico. Mas o futebol brasileiro é.

O certo é que pelo que eu sei nunca houve povo de parte alguma, povo [...] tão intimamente, tão profundamente, tão eticamente ligado a um esporte como o povo brasileiro ao futebol. Não vê o presidente da República? Os nossos derradeiros presidentes têm sido muito severos com essa história de feriados. No que, diga-se de passagem, andam certos. Mas, como o Presidente poderia fazer-de-conta que não reconhecia esta realidade cultural do povo brasileiro? Não podia. E tome feriado. Bacana, Presidente!

É neste sentido que a vitória do Brasil vai muito mais além de uma simples vitória esportiva. O tricampeonato brasileiro de futebol é um fato que se radica, profundamente, na alma de nosso povo. Alguém já disse com muita verdade que Bach é o resultado de inúmeras gerações de músicos da Alemanha. Pelé é o resultado de inúmeras gerações de futebol, desde os profissionais até os jogadores de peladas. E muito mais. A vitória do Brasil é uma vitória também de toda a América Latina e, talvez, de todos os hispano-americanos. Nós, que falsamente somos considerados eugênicamente pobres, demos uma lição extraordinária de preparo físico que é bem uma amostra do que poderá ser ou que será o povo brasileiro quando o Brasil alcançar seu pleno desenvolvimento.

Que mais? Que mais que é preciso dizer? Nada. Só isso:
Salve! Salve! Brasil, tricampeão! Pátria amada, idolatrada, salve, salve!

E quem não gostar que se... dane.

22 de junho de 2010

Adeus ao coronel Alfredo Assante Dias

Durante o dia de ontem, os colegas do Corpo de Bombeiros, da Polícia Militar, do Detran e da Polícia Civil, os amigos e familiares concentraram-se no velório do coronel Assante. Reunidos no auditório do Corpo de Bombeiros, gentilmente cedido pelo comando, que também proporcionou a todos as melhores gentilezas.

Cortejo na entrada do cemitério

À tarde, para o sepultamento no cemitério São João, um carro especial dos bombeiros conduziu o caixão e inúmeras coroas de flores.

Ali, foi realizada a saudação regulamentar por tropa da Polícia Militar.
À entrada do mausoleu, falou e orou o pastor de sua igreja.

Um familiar depositou uma significativa flor.

E o corneteiro encerrou a despediada com o "toque de silêncio", que nos fez estremecer, apesar da canícula que incomodava no momento.

Repousa em paz, amigo Assante!

21 de junho de 2010

Anisio Thaumaturgo Soriano de Mello

Anisio Mello completaria hoje 83 anos. Não conseguiu, pois, morreu em 11 de abril passado. A confraria do Armando teria antecipado para o chá da sexta o alegre evento. Tudo isso não pode ser realizado, mas vou publicar parte do currículo do aniversariante, como homenagem póstuma.

Anisio, em Eirunepé (AM), 1980

Anísio Mello nasceu a 21 de junho de 1927, em Itacoatiara (AM). Filho de Octaviano Augusto Soriano de Mello, magistrado, escritor, tupinólogo e poeta, e da artista plástica Esther Thaumaturgo Soriano de Mello. São seus avós paternos, Anísio Ferreira de Mello, comerciante, e dona Palmira Soriano de Mello, e maternos, Cel. Rufino Thaumaturgo e dona Maria Helena de Oliveira Thaumaturgo.


Herdou dos pais a vocação pelas letras e pelas artes. “É pintor, é músico e é poeta”, no dizer do saudoso poeta Américo Antony, tendo participado de várias exposições nacionais e internacionais. Fez exposições de pinturas em São Paulo, e no exterior. A convite da embaixada brasileira em Paris, conquistou, em 1948, a “Medalha de Ouro”, no Salão da França Livre.

Abstrações, 2008


Possui várias composições musicais e dezenas de livros publicados, versando sobre assuntos diversos: poesia, crítica literária, ensaios, folclore e linguística. Além dos livros publicados possui farta bagagem literária inédita.


Fundou e dirigiu com sua esposa, jornalista Maria Lindalva de Mello, em São Paulo, a RIOS – Rede de Imprensa e Orientação Social, tendo como carro-chefe o jornal Correio do Norte, divulgador da Amazônia no sul do país.


Iniciou sua carreira literária e jornalística na imprensa estudantil, tendo dirigido “O Centro”, do Centro Estudantil Plácido Serrano, e outros jornais dessa linha em Manaus. No “O Eco” e na revista “Amazonas Ilustrado”, de sua feitura, teve realmente sua primeira oportunidade, pois antes colaborava esparsamente nos jornais de Manaus.

Manteve uma coluna permanente na RIC – Revista de Informação e Cultura, em São Paulo, escrevendo sobre folclore. Lira Nascente, seu primeiro livro, lançado em Manaus, em 1950, foi decisivo na sua carreira literária.

Pertenceu as seguintes instituições culturais: Sociedade Amazonense de Estudo Literário (SAEL); Sociedade Amazonense de Imprensa Estudantil; Grêmio Álvares de Azevedo, Grêmio Gonçalves Dias, Centro Estudantil Plácido Serrano e União dos Estudantes do Amazonas.

Foi membro da União Brasileira de Escritores – UBE (SP / AM / DF); da Sociedade Geográfica Brasileira (SP); da Academia Brasileira dos Novos (SP); Patrono da Casa de Cásper Líbero (SP); do Museu de Arte de São Paulo (MASP); presidente do Conselho Estadual de Cultura do Amazonas e diretor do Liceu de Artes do Amazonas Esther Mello. Bacharelado em Filosofia, tendo cursado Línguas Neolatinas nas Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras “Oswaldo Cruz” e Anchieta, da Ordem Jesuíta, onde concluiu o curso de Letras em 1972, em São Paulo.


Foi presidente e fundador do Sindicato dos Escritores do Amazonas, gestão 1993/95, em Manaus. Presidente do Clube da Madrugada, gestão 1999/2000/2001/2003.
Impressões, 2008

CURSOS:
  • Primário, no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e Marechal Hermes, em Manaus (AM) em 1941;
  • Admissão ao ginásio, na Escola Brasileira de Manaus, 1942;
  • Ginasial, no Colégio Estadual do Amazonas, Manaus 1947;
  • Clássico, no mesmo colégio, em 1950;
  • Belas Artes, na Escola de Arte Cristo Redentor, Manaus, 1947;
  • Literatura e Jornalismo, no Sindicato dos Profissionais da Imprensa de São Paulo (SP), 1963;
  • Cerâmica Brasileira, na Sociedade Geográfica Brasileira, S. Paulo, 1961;
  • Línguas Neolatinas, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Oswaldo Cruz, São Paulo, 1969 e 1970;
  • Transferiu-se para o Curso de Letras, Vernáculo, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nossa Senhora Madianeira – Faculdade Anchieta de São Paulo – FASP, concluindo o curso em 1972.
Obras Publicadas:


  • LIRA NASCENTE, poesia. Prefácio do desembargador André Araújo e contracapa do poeta Américo Antony. Manaus: Imprensa Oficial, 1950.
  • MINHAS VITÓRIAS RÉGIAS, poesia.Manaus: Correio de Notícias, 1952.
  • ALGUNS POEMAS, poesia, em conjunto c/o vol. anterior, Manaus, 1952.
  • REMANSO, poesia. São Paulo: Calvário, 1958, 2a ed. 1959.
  • A FACE POÉTICA DE JÂNIO, ensaio crítico, prefácio de Jorge Medauar, São Paulo, 1962.
  • ESTÓRIAS E LENDAS DA AMAZÔNIA – Antologia Ilustrada do Folclore Brasileiro, 2a de 8 volumes, apresentação de Afonso Schimidt, ilustração de J. Lanzellotti. São Paulo: Edigraf, 1962.
  • ESTRELAS DO MEU CAMINHO, poesia. São Paulo: Ed. Calvário, 1962.
  • PÁGINAS DE CRÍTICA, crítica literária, prefácio de Jairo César de Siqueira e vinhetas do autor. São Paulo, 1964.
  • BORRACHA E SERINGUEIRO, plaqueta, São Paulo, 1964.
  • LIRA AMAZÔNICA, antologia ilustrada pelo autor, 1º vol. Amazonas, Acre, Roraima, Acre, Roraima e Rondônia. São Paulo: Luzes Gráficas Editora, 1965.
  • AMAZÔNIA NA ORDEM DO DIA, plaqueta, São Paulo, 1967.
  • FESTA GERAL, poesia, prefácio de Alencar e Silva. São Paulo: Ed. Vitória Régia, 1977.
  • VIBRAÇÕES, poesia. 1a. ed, São Paulo: Ed. Vitória Régia, 1981. 2a. ed. Manaus: SCA/ Imprensa Oficial, 1983.
  • DE BUBUIA E OUTROS POEMAS AMAZÔNICOS, Ed. Arte Educação, Série Poetagem nº. 9/85. Manaus: SEDUC, 1985.
  • SEXAGÉSIMA STELLA, poesia. Manaus: Coopea Editora/Ed. do Liceu, 1992.
  • VOCABULÁRIO ETIMOLÓGICO TUPI DO FOLCLORE AMAZÔNICO, filologia, prefácio de padre Nonato Pinheiro. Manaus:, Editora da UA/ Suframa, 1983.
  • KALEIDOSCÓPIO, haikais. Manaus: Editora Valer, 2002.
Obras Inéditas:

  • VEREDA DO SONHO, sonetos, prefácio de Luiz Bacellar.
  • ESTRELA VIVA, poesia.
  • LIRA AMAZÔNICA, antologia, II vol., Pará e Amapá.
  • CRONISTAS DA AMAZÔNIA, antologia, III volume.
  • IGAPÓ – estórias e lendas amazônicas, folclore.
  • SINAL DE VIDA, autobiografia, em preparo.
  • AMAZONAS SEM FIM, ensaio, em preparo.
  • NOTAS DE UM REDATOR, seleção de artigos publicados pelo autor.
  • CONVITE A POESIA, poesia.
  • LIRA SELETA, poesia.
  • ROTEIRO TURÍSTICO DO AMAZONAS, guia turístico.
  • DICIONÁRIO ILUSTRADO DO FOLCLORE AMAZÔNICO, 3000 verbetes.
  • POESIA TUPI, antologia e notas.
  • CONTOS E CRÔNICAS.
  • NOSSA LÍNGUA, estudos fisiológicos publicados c/ pseudônimo.
  • O TUPI NO PORTUGUÊS DO BRASIL, estudos fisiológicos.
  • TROVAS EM PROVA, poesia.
  • PENTACÓRDIO, poemas, em cinco idiomas.
  • COLECIONADOR DE MOMENTOS, pensamentos poéticos e filosóficos.
  • OCTAVIANO MELO - Poeta, ensaio.
  • ÁLVARO MAIA – Poeta, ensaio.
  • HEMETÉRIO CABRINHA – Poeta, ensaio.
  • INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA LITERATURA RUSSA CONTEMPORÂNEA, ensaio.
Breve, nova postagem sobre a atividade de Anísio Mello.

20 de junho de 2010

CORONEL ALFREDO ASSANTE DIAS


Morreu à tarde de hoje, durante a vitória do Brasil, Alfredo Assante Dias, coronel da Polícia Militar, vitimado por um acidente vascular.
Nascido em 1947, foi criado no Centro da cidade, tendo estudado no Colégio Estadual do Amazonas, onde completou o curso secundário.
Em seguida, realizou o curso do Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), realizado no então 27º BC (hoje 1º BIS), já no bairro de São Jorge.
Parte da turma, em fevereiro de 1967, ingressou na PMAM.
Dela fazia parte os hoje coronéis da reserva: Romeu Pimenta Medeiros e Mael Rodrigues Sá, que foram comandantes da PMAM; José Cavalcanti Campos, chefe da Casa Militar em dois governos, deputado estadual constituinte; Fausto Seffair Ventura, subchefe da Casa Militar; Abelardo Pampolha, secretário de Saúde do Amazonas; Odorico Alfaia e Célio Silva. Ainda, os médicos  Jonas Marques e Marcus Barros, que foi Reitor da Ufam e presidente do Ibama.   


Assante, seu nome de guerra, foi um oficial interessado na administração da PMAM, ainda assim comandou a Companhia de Rádio Patrulha e de Polícia Rodoviária, o extinto 1º Batalhão e, com mais desenvoltura, o Departamento de Pessoal.  

Palacete Provincial, 2010

Efetuou os cursos obrigatórios na Polícia Militar de Minas Gerais. Possuía orgulho pelo 1º lugar obtido na conclusão do Curso de Técnica de Relações Públicas, realizado no Forte do Leme.

Coronel da reserva, desde 1996, passou a advogar, conquistando respeitável clientela e inúmeros amigos de profissão.

Flat Tropical Hotel, 2008


Apreciador de uma boa mesa, frequentava com aptidão o almoço mensal que os colegas da Pmam realizam. Ao final de cada mês, sentamos para lembrar algumas proezas e sentidas dores. Sua ausência será certamente sentida.
Seu corpo está sendo velado no Quartel do Corpo de Bombeiros, na rua Codajás, em Petropolis e o sepultamento ocorre amanhã no cemitério São João Batista.

Até a eternidade, amigo Assante.

19 de junho de 2010

Memorial Amazonense XXV


JUNHO, 19

1886 – Nasceu em Pernambuco, Arthur Virgilio do Carmo Ribeiro. Foi graduado pela Faculdade de Direito do Recife, na turma de 1904. Ingressou na magistratura amazonense no ano seguinte, inciando na comarca de Moura. Seguiu atuando no interior do Estado, por 20 anos. Em 6 de novembro de 1930, nos primeiros dias do movimento revolucionário de Getúlio Vargas, foi promovido a desembargador. Tomou posse a 11. Presidiu o Tribunal de Justiça do Amazonas, apenas uma vez, em 1943.

Livro Registro de Cartas de
Bacharéis (1894-1911)
No mesmo ano, em 22 de fevereiro, alcançou a Academia Amazonense de Letras. Ocupou a cadeira 17 que, por força de reforma estatutária, hoje tem o número 13, cujo patrono é Estelita Tapajós. No mês passado, a Academia elegeu para esta cadeira o escritor Abrahim Baze.


Dois descendentes de Arthur Virgilio têm destaque na política amazonense: o falecido senador Arthur Virgilio Filho e o atual senador Arthur Virgilio Neto.
O desembargador faleceu em 14 de setembro de 1956.


1972 – É criado, em Manaus, o Conselho Regional de Economia, 13ª Região. O evento ocorreu na sede do Acácia Clube, entao situado a avenida Joaquim Nabuco. Seu primeiro presidente foi Hugo Mário Tavares.


1988 – Faleceu em Manaus, Genesino Braga. Nascido em Santarém (PA), em 1906, instalou-se em Manaus, onde desenvolveu suas atividades literárias e burocráticas. Jornalista atuante, era possuidor de talento próprio para expor os fatos correntes ou da história passada do Estado. Foi durante anos diretor da Biblioteca Pública, tendo revelado seu empenho por ocasião do incêndio, em 1945, que destruiu o acervo daquela repartição. Foi dirigente do Atletico Rio Negro Clube por anos, ao lado de Aristophano Antony. Foi membro efetivo da Academia Amazonense de Letras, empossado em 15 de setembro de 1951, sucedendo a Jorge de Moraes, na cadeira 19, de Coelho Neto. Para celebrar o centenário de nascimento de Genesino Braga, a Academia de Letras instituiu o prêmio com seu nome, que foi vencido por este escrivinhador.

 
Beça, Jornal do Commercio,
30.8.1970

2009 – Lançamento do livro Palavra parelha, do poeta Anibal Beça, na Saraiva Megastore, instalada no shopping Manauara. A solenidade aconteceu sem que o autor comparecesse, pois se encontava hospitalizado com gravidade. Foi representado por seu filho Turenko Beça. Anibal não mais se recuperou, tendo falecido dois meses depois.




18 de junho de 2010

Polícia Militar do Amazonas IX

Quartel da Praça da Polícia, 1965

A reconhecida Polícia Militar do Amazonas já teve algumas outras denominações. Devo lembrar que esta foi criada em 1837, mas que desapareceu no final da década de 1850. Foi restaurada em 1876, para ser extinta em 1924, por mêses, e entre 1930 e 1936.



Império (1837 – 1889)


GUARDA POLICIAL, Instruções Gerais, de 4 abril 1837
GUARDA POLICIAL DO AMAZONAS, Lei nº 339, de 26 abril 1876
CORPO POLICIAL DO AMAZONAS, Lei nº 761, de 16 junho 1887

República – 1ª fase (1890 - 1930)
BATALHÃO DE POLÍCIA, Decreto nº 11, de 13 janeiro 1890
BATALHÃO MILITAR DE POLÍCIA, Decreto nº 15, de 5 janeiro 1892
BATALHÃO MILITAR DE SEGURANÇA, Decreto nº 2, de 6 setembro 1892
FORÇA PÚBLICA DO ESTADO, Decreto nº 137, de 6 outubro 1896
REGIMENTO MILITAR DO ESTADO, Decreto nº 170, de 1º julho 1897
BATALHÃO MILITAR DO AMAZONAS, Lei nº 571, de 22 agosto 1908
FORÇA POLICIAL DO ESTADO, Lei nº 672, de 9 janeiro 1911
BATALHÃO DE SEGURANÇA, Decreto nº 1009, de 23 janeiro 1913
FORÇA POLICIAL DO ESTADO, Decreto nº 1180, de 24 janeiro 1917
FORÇA POLICIAL DO ESTADO – Auxiliar do Exército, Decreto nº 1265, de 28 fevereiro 1918
República – 2ª fase (1936- )

FORÇA POLICIAL DO ESTADO, Decreto nº 99, de 20 abril 1936
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO, Decreto nº 161, de 11 novembro 1938
FORÇA POLICIAL DO ESTADO, Decreto-lei nº 393, de 24 janeiro 1940
POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO AMAZONAS, Decreto-lei nº 1774, de 23 abril 1947
POLÍCIA MILITAR DO AMAZONAS, (a partir da instalação da Inspetoria Geral das Polícias Militares, em 1967. Na ocasião, a IGPM padronizou a nomenclatura das polícias militares, substituindo a da Força Pública de São Paulo e a da Brigada Militar do Rio Grande do Sul).
Posse do coronel Wilson Ribeiro Raizer, em 1979,
na Praça da Polícia

17 de junho de 2010

Lembrança familiar II


Agradeço as manifestações recebidas de amigos e familiares pelo meu aniversário, ocorrido hoje. A recepção ocorre amanhã no Chope do Pina, a partir das 18h. E o encerramento acontece à meia-noite, porque o proprietário assim marcou.
A quantidade de velas do meu bolo é bem expressiva. Mas, confesso, quando a gente passa dos sessenta, porque se preocupar com o número acessório.
Para satisfazer a galera, todavia, a idade tá na ponta do dedo.

Mais uma vez, obrigado pela lembrança. Aguardo você

16 de junho de 2010

Os Bombeiros do Amazonas V

Mais um capítulo da história dos homens e mulheres do fogo. O ano de 1953 será sempre lembrado no Amazonas por sua maior enchente, até ser vencida pela de 2009. Fenômeno tão severo que, impondo dificuldades para a circulação em geral, deixou para sempre marcas e recordações na capital do Estado. Múltiplas providências foram necessárias para amenizar o impacto do fenômeno, por todo o interior amazônico.

Nicanor Silva, 1954


Nessa ocasião, os Bombeiros pertenciam a Prefeitura de Manaus. E a inclusão de dois bombeiros marcaria a história da corporação. Em fevereiro, a 2, foi incorporado Nicanor Gomes da Silva (1939-), com exatos 14 anos. Isso mesmo, com a idade de adolescente. Incorporado como soldado, alcançou o oficialato e, nesta classe, o comando da corporação.


A 10, foi a vez de Tertuliano da Silva Xavier (1916-1986), reservista de 1.ª categoria, nascido em 26.08.1916, em Itacoatiara (AM), filho de Rosa Amélia Xavier, casado, sabendo ler, escrever e contar, já vacinado, de cor parda, cabelos pretos lisos, olhos castanhos escuros, com 1,68 de altura, nariz reto, rosto oval, boca regular, sem sinais particulares. Tomou o n.º 25. A 12, foi promovido a terceiro sargento. Em 1965, sendo tenente, exerceu, por dois meses, o comando da CBM.

Tenente Tertuliano (à esq.) e equipe, 1972


As promoções ocorridas em tão escasso espaço de tempo refletem, aos nossos olhos, primitivismo. Eis os indefectíveis esclarecimentos: Tertuliano havia servido o Exército por quatro anos, de onde fora licenciado como cabo. Ao ingressar na CBM, aproveitou-se da norma consuetudinária, e quanto à promoção a sargento, o comando aplicou a regra da “ordem superior”.


Nesse ano, recorda-se o atualmente capitão (da reserva) Nicanor Gomes da Silva, ainda restavam em apreciáveis condições de utilização um acervo de peças e equipamentos para o combate a incêndios. Uma auto-bomba, a diesel, marca Henshell, de fabricação alemã, ano de 1939, que, por falta de manutenção e peças de reposição, repousava em um depósito de veículos inservíveis da PMM. Este local, situado nos fundos da sede municipal, serviria mais tarde de quartel da companhia.


Uma escada de dois lances, apelidada de magyrus, fabricada há bastante tempo e toda em madeira, montada em estrutura também de madeira sobre duas rodas, tipo carroça. Alcançava doze metros de altura e seu acionamento era manual, através de um sistema de roldanas, engrenagens e manivelas metálicas. De original, a magyrus era de tração animal, porém, nos anos de 1950, eram os municipais que a arrastavam. Apresentava-se em mau estado de conservação, por obra do tempo.


Outros materiais e peças: aparelhos de registros, que eram acoplados aos hidrantes subterrâneos; luvas e chaves de hidrantes subterrâneos; extintores de espuma química, fabricados em metal amarelo. Existiam alguns mangotes e mangueiras de incêndios, ainda com acoplamento de rosca; máscara de ar, com o ar mandado por mangueiras, funcionava nos moldes da máscara de escafandro, todavia não havia compressor. Lanternas archotes, a querosene; uma das peças de inspiração do distintivo do Corpo de Bombeiros.


A grande enchente em nada contribuiu para os cofres municipais, ao contrário. O Prefeito interino, Ney Oscar da Costa Rayol (1952-53) deixou sem pagamento durante o último trimestre o funcionalismo municipal. Os Bombeiros não foram poupados.




No princípio de 1954, Manaus ganhou novo Prefeito, Aluízio Marques Brasil. Quanto ao pagamento do funcionalismo nada mudou, ao invés, recrudesceu a penúria, pois, a Prefeitura pagou o salário de dezembro, mas esqueceu os dois outros meses. Como se não bastasse, Aluízio Brasil deixou atrasar o pagamento do funcionalismo durante todo o primeiro semestre. Resumo dessa ópera burlesca: oito meses pendurados, que nunca foram pagos!

Edmundo Monteiro


Em 11 de maio, assumiu o comando da CBM, o 1.º tenente PM Edmundo Monteiro Filho (1921-1990), posto à disposição da Prefeitura Municipal, desde o dia 4. O tenente Thomaz Monteiro, carinhosamente alcunhado de Fumaça, entregou o comando ao tenente Edmundo Monteiro (de cor branca, cabelos pretos ondulados, barba raspada, bigode aparado, olhos castanhos escuros e 1,75m), o Pacovão, para a tropa. Nenhum parentesco entre ambos existia, apesar do sobrenome.


O capitão Monteiro era filho de Edmundo Ximenes Monteiro (que foi deputado estadual) e de Cecy Mota Monteiro, nascido em Humaitá. Ingressou na Polícia Militar, em 27.3.1952, vindo do Exército, onde fora 3.º sargento, onde foi comissionado no posto de 2.º tenente. Para recolher tantas benevolências, contava com a aquiescência do governador Álvaro Maia, oriundo do mesmo município e correligionário do deputado Monteiro. Comandou a instituição por dez anos. Em maio, encaminhado pelo Governador do Amazonas, Monteiro Filho iniciou no Corpo de Bombeiros/DF um estágio que se prolongou pelo restante do ano.


Juntamente com o tenente, foram encaminhados pelo comandante da Pmam, coronel Manoel Corrêa da Silva, mais três policiais-militares: 3.º sargento Francisco Carneiro da Silva (1921-) e cabos Luis Batista dos Santos e Francisco de Souza Neto.


No final de novembro, os estagiários amazonenses estavam aprovados. Mas, grave dificuldade rondava a residência do tenente Monteiro: a falta de vencimentos. Na companhia da esposa, Celisa Carvalho Monteiro, a questão avultava-se. O casal recorreu a quantos poderiam ajudar, mas a situação financeira do Estado era literalmente uma dureza. Diante dessa circunstância desesperadora, a esposa buscou no Rio a representação de O Jornal, editado em Manaus. O matutino acolheu a reclamação e publicou a nota (abaixo). Ao retornar, o pessoal militar foi “agraciado” com uma punição.

Sem recursos, no Rio, 2 elementos da Polícia Militar do Estado.

O Jornal, 2 dez 1952.Em despacho de ontem, comunicou-nos a nossa Sucursal, no Rio, o seguinte: “Estão aqui, sem recursos, o tenente Edmundo Monteiro Filho e o sargento Francisco Carneiro, ambos da Polícia Militar do Estado do Amazonas, os quais vieram aperfeiçoar-se junto a uma corporação de bombeiros, desta capital. Acontece que ambos estão sem receber os seus vencimentos desde julho deste ano e mais as diárias arbitradas. Os referidos servidores apelam para o governador Álvaro Maia, por intermédio desta Sucursal de O Jornal e Diário da Tarde, para que S. Exa. resolva a sua triste situação”.


 No ano seguinte, em 29 de julho, Monteiro alcançou o posto de 1.º tenente, ao ser aprovado em concurso para oficiais. Em dezembro, a 23, passou à disposição dos Bombeiros Voluntários. Com todos esses cacifes e experiências, assumiu o comando da Companhia de Bombeiros Municipais. Ao lado do tenente Monteiro, seguiram o sargento Francisco Carneiro da Silva, comissionado no posto de 2.º tenente, e o cabo Luis Batista dos Santos, na condição de sargento. 
O Paço da Liberdade empenhava-se em ordenar a Companhia de Bombeiros. Nesse sentido, normas para o desempenho de comando da mesma foram estabelecidas em 28 de maio. Diziam respeito ao exercício do cargo de comandante, instituindo que o titular devia “ser oficial da ativa da Polícia Militar e possuidor de curso de especialização ou estágio de aperfeiçoamento no então Corpo de Bombeiros/DF“. Incontestável que essas ordenações foram aprovadas para atender ao tenente Edmundo Monteiro.

Andar superior do Quartel PM


Os bombeiros prosseguiam como "inquilinos indesejados" do Quartel da Praça da Polícia.