CATANDO PAPÉIS & CONTANDO HISTÓRIAS

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segunda-feira, julho 13, 2026

MEUS OITENTANOS (9)

             FASCÍCULO 9 

O ano de 1970 ficou marcado pelo tricampeonato do Brasil no futebol e, em Manaus, pela inauguração do estádio Vivaldo Lima (Vivaldão), evento que contou com a presença da delegação brasileira em preparação para o México. No início do ano levei a filha Valeria para “receber a benção” do avô Manuel e, com esse gesto simples, consegui restabelecer a harmonia familiar; foi alegria em dobro.  A situação financeira na casa do meu pai não era boa, em função do encargo de sustentar quatro filhos menores e um adolescente – Renato, que já trabalhava. Meu outro irmão – Antonio, havia se fixado em Santos e, com a situação organizada, viabilizou a mudança da família para o Sul ao final do ano.

Vivaldão, na inauguração - 1970
e em 2004👇

Eu seguia na chefia da Tesouraria da Força, função que me oportunizava generosos presentes, amizades agradáveis e certo conforto no lar. O quartel, ainda situado na Praça, tornava-se cada vez pequeno para o número de policiais cuja incorporação agora passava a interessar à coletividade. Havia, no entanto, um detalhe: serviam à instituição, mas mantinham atenção nas indústrias da Zona Franca que vinham se instalando no Distrito Industrial.  A Força seguia ampliando-se como ocorreu com a criação do segundo batalhão, para cuidar dos destacamentos interioranos, igualmente acontecia com o comércio na área central. Esse movimento atraia turistas de todo o país pelas novidades importadas, atração que os cursos policiais desde então incluíam no currículo como “viagem de estudos” a Manaus.

Formatura no BEASA - 1971

A inauguração do estádio Vivaldo Lima, o Vivaldão (demolido para a Copa de 2018), ocorreu em 5 de abril de 1970. Naquele dia, Manaus assistiu a dupla apresentação da seleção nacional, mesclada com jogadores locais. A seleção ficou hospedada no Centro de Treinamento Maromba, hoje pertencente à arquidiocese de Manaus. O estádio ainda estava em construção, razão pela qual os torcedores preocuparam-se em chegar cedo, a fim de alcançar algum lugar. Havia necessidade de levar algum alimento, pois no local tudo era improvisado e, se alguém deixasse o lugar por algum motivo, era improvável retomá-lo. Todavia, valeu todo o sacrifício, asseguro, pois presenciei na arquibancada ao lado da esposa. No dia de São Pedro ocorreu o final da Copa, no México; os colegas do quartel decidiram ouvir – ainda não havia TV em Manaus – a partida no balneário do senhor Mário, proprietário da firma S. Monteiro, em seu balneário no km 22 da atual rodovia AM-010. A festa seguiu bem até o final do primeiro tempo; no segundo, como a atuação do Brasil prometia vencer, a turma retornou à cidade para se incorporar à festança geral.

Iniciei a conversação com o Antonio articulando a mudança da família para Santos, a mim tocou fornecer o transporte. A ideia foi prontamente acordada com a família, apesar do pouco entusiasmo de meu pai; Dona Dora – a mãe – foi a artífice dessa epopeia, que se iniciou em dezembro, quando ela viajou com os filhos mais jovens: Luiz (8 anos) e Ricardo (6 anos). Ainda hoje me penitencio por não adquirir passagens comerciais para este grupo de familiares; à vista de minha proximidade com a Base Aérea consegui vagas em avião da FAB, ignorando ser a primeira viagem aérea de Dona, com o inconveniente do voo encerrar no Galeão e o Antonio trabalhar em São Paulo. Os vários inconvenientes teriam espantado a muitos, enfim, a viagem foi uma fortuna.

1º aniversário da Valeria - 1970 

Antecipando o Natal, festejei o 1º aniversário da Valeria, reunindo amigos e parentes na residência da família. Com a mudança de parte dos irmãos junto com a mãe, a presença da família foi mínima. Lamento registrar que os transtornos da vida me fizeram ausente, de modo que somente voltei a participar dos 50 anos desta filha, comemorados em Brasília. Logo em janeiro, os manos Zemanuel e Miguel (12 e 11 anos, respectivamente) viajaram pela empresa aérea VASP, na inauguração de nova linha entre Manaus e São Paulo. E, após igual período, embarquei meu pai na mesma empresa, assim concluindo a mudança da família. A casa em Manaus ficou entregue ao Renato, que cursava o NPOR (Núcleo de Preparação de Oficiais da reserva) e iniciava o ensino superior.

 

segunda-feira, junho 22, 2026

MEUS OITENTANOS (7)

 Quantos motivos havia para celebrar! O ano se renovava, e com ele o retorno à casa paterna e às obrigações policiais. Mas, sob o brilho das festividades, pairava também a sombra da incerteza: um comandante interino deixava no ar expectativas sombrias. Logo, porém, o coronel Maury Silva, mineiro de origem e amigo do governador Areosa, assumiu o comando. Trouxe serenidade ao corpo de segurança e marcou sua gestão com iniciativas firmes e acertadas.

No Seminário, em sessão do grêmio
literário (autor, ao centro) - 1963

Por minha vez, eu buscava horizontes além da farda. Intentei o curso de Direito na Fundação Universidade do Amazonas, sem preparo prévio, confiando apenas na tenacidade. O vestibular, cruel em suas provas eliminatórias, me deteve na terceira etapa, em Sociologia, apesar das lições recebidas do mestre André Araújo. Restava-me, então, seguir no labor policial, exercitando o ofício cotidiano da corporação.

Em julho, as férias me levaram ao Sul do país. Por economia, comprei passagens de ida e volta até Brasília, completando o trajeto de ônibus. A viagem de ida foi leve, com recreio no Rio de Janeiro e em Santos. Mas o retorno trouxe inquietações: o país respirava sob a repressão militar, e os sinais eram visíveis. Ao desembarcar em São Paulo, vi os destroços do atentado contra o DOPS. O ambiente nacional era de temor, marcado por notícias de sequestros e atentados. Mais grave ainda, em Brasília, estudantes ocupavam a universidade, e a força de segurança federal preparava-se para retomá-la.

Cheguei à rodoviária da capital no dia 28 e pernoitei em um quartel da Polícia Militar, que aguardava a ordem de desalojar os invasores. Ao amanhecer, fui conduzido ao aeroporto, pois ninguém sabia o que se seguiria. Embarquei à tarde rumo a Manaus, levando comigo as imagens dos escombros paulistas e da tensão em Brasília — um painel tormentoso para um jovem tenente caboclo.

No aeroporto, o burburinho crescia com a chegada de passageiros vindos da cidade, trazendo detalhes da operação policial. No horário marcado, um quadrimotor DC-4 da VASP — ou talvez da VARIG — ergueu voo em direção a Ponta Pelada. Ansioso por abraçar a família, recolhi minha mala, tomei um táxi da empresa do vizinho Almeida e segui para o Morro da Liberdade, onde me esperava a casa paterna. 

Eu e Graça (noivos) na inauguração da sede do
Fast Clube (1968)

À tarde, que prometia apenas o reencontro sereno, reservava-me um golpe cruel. Ao ingressar na rua Amazonas do bairro, percebi uma agitação incomum diante da porta de nossa casa. Desembarquei do táxi e, ao ver um pequeno caixão, pressenti a tragédia: era de criança. O coração se apertou quando Dona Dora, em prantos, abraçou-me e revelou a morte de meu irmão Ronaldo Cesar, levado pela doença aos onze meses. Da euforia do regresso, fui lançado ao abismo da perda, ainda mais dolorosa por não poder socorrê-lo.

Seu nome, como o dos demais irmãos, nascera de um sorteio familiar. Eu, distante no Rio, enviei por carta minha sugestão, que venceu. Era também o seu padrinho, privilégio que se transformou em uma ferida ainda maior. Inumado no cemitério de São Francisco, no Morro da Liberdade, sua pequena sepultura se perdeu nas intempéries do tempo, apagada por minha desídia.

Como contraponto, na praça, aos fundos do quartel, o namoro floresceu em noivado e trouxe-me à convivência com a família dela. O patriarca, ausente em Porto Velho, não participava. Em casa, porém, meu pai não aceitava que um filho suburbano se unisse a uma jovem citadina. O mal-estar perdurou até o nascimento da primeira neta de seu Manuel, quando a vida suavizou as arestas. Reconheço, ainda hoje, minha falha por não ter recorrido ao coração materno de Dona Dora, minha madrasta.

No segundo semestre, viajamos a Porto Velho em busca do consentimento paterno para o casamento. A comunicação prévia exigia esforço: ligações interestaduais eram raras, feitas pela estação da Radional, precursora da CAMTEL, na rua Dr. Moreira. Após solicitar o serviço, aguardava-se o contato, e só então se entrava na cabine. Não se podia gritar: a telefonista era quem conduzia o diálogo.

Em Porto Velho, hospedamo-nos na casa de um sócio do futuro sogro, pois ele mantinha outra família. O contato com a futura esposa trouxe-me uma enfermidade: a catapora, que me marcou com cicatrizes que carrego até hoje. Entre febres e cuidados, preparei o casamento, marcado para 18 de janeiro, data do aniversário da nubente Maria das Graças Coutinho. Fomos à Igreja dos Remédios, levando os documentos, e ali se desenhou o próximo capítulo de minha vida. 

Natalício do autor (cima) e
ao lado do governador 
Henoch Reis (1976)


Num certo dia, retornei ao Seminário, levado pelo desejo de agradecer ao padre Juarez Maia os benefícios recebidos e de reencontrar os colegas. Vestia a farda, pois era dia útil e meu horário funcional me acompanhava. Convidaram-me a ministrar aulas no educandário, mas respondi com leve ironia: “só se for de ordem unida”. Entre risos e lembranças, confraternizei com os novos padres vindos de São Paulo, que conheci nos tempos do Seminário São José. A turma de seminaristas já se mostrava rarefeita, e pelos corredores corria o rumor do fechamento iminente — que se concretizou antes do fim daquele ano. Pouco depois, meu benfeitor transferiu-se para Porto Alegre, onde o visitei na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em breve despedida antes de sua partida definitiva desta vida.

Manaus, por sua vez, respirava os ventos da Zona Franca. O porto livre abria as portas para quinquilharias do mundo inteiro, e o centro histórico metamorfoseava-se em centro comercial. Comerciantes nacionais e estrangeiros prosperavam, enquanto o interior do Amazonas se esvaziava em êxodo. A cidade tornava-se atração turística, ainda que o encanto maior fosse a aquisição de produtos importados. Nesse cenário de desenvoltura, a instituição policial redesenhou seu papel, ajustando o policiamento às novas exigências de uma urbe em transformação.

O segundo semestre trouxe-me nova preocupação: o vestibular. Diante do insucesso anterior, frequentei um cursinho, dedicando atenção especial à Sociologia. A Reitoria, empenhada em ampliar o número de alunos, estimulava a entrada de policiais na universidade, acreditando que o êxito acadêmico fortaleceria a imagem da Força. A campanha foi vitoriosa: cerca de noventa por cento de oficiais e praças lograram aprovação.

Casamento, em 1969

Assim, inaugurei o ano de 1969 aos pés do altar de Nossa Senhora dos Remédios, unindo-me em matrimônio a Maria das Graças Souza. A recepção, singela, ocorreu na casa dela. A antiga desavença sobre o namoro impediu a presença de minha família, mas a vida seguiu seu curso. Para desfrutar da intimidade, ocupamos por duas noites um apartamento no Líder Hotel, na Avenida Sete de Setembro. Logo, porém, a recém-casada quis regressar à casa materna, saudosa do sabor caseiro e do carinho materno. Atendi ao seu desejo, afinal já me sentia incorporado à família dela, a poucos passos do portão dos fundos do quartel, por onde eu ingressava, facilitando a logística.

Após o casamento, enfrentei novamente o vestibular, desta vez na vetusta Faculdade de Direito da Praça dos Remédios. Na primeira semana de fevereiro, acompanhei pelo jornal o resultado, publicado sem alarde. Na prova de Sociologia, além da preparação própria, contei com a ajuda da colega Josefa, que me ofereceu uma “cola” discreta, fixada no fundo largo de sua bolsa. Obtive excelente classificação, mantida nos primeiros anos.

O ano de 1969, contudo, guardava ainda muito a relatar, começando pelo anúncio da gravidez de minha esposa — prenúncio de uma nova etapa, em que a vida se expandia e o futuro se abria em promessas venturosas. (segue)

 

segunda-feira, junho 15, 2026

MEUS OITENTANOS

 FASCÍCULO (6) 

 

A viagem rumo ao Rio de Janeiro — então Estado da Guanabara — poderia ter sido mais leve, não fosse a ordem implacável de seguir uniformizado e, pior ainda, com um sapato social recém-comprado que, em cada passo, me lembrava da crueldade do couro novo contra a pele desacostumada. Ao cair da tarde, desembarcamos no Santos Dumont: dois oficiais amazonenses, cansados, mas curiosos, e ali, como um porto seguro, já nos aguardava o major Hélcio Motta.

Saudoso Okada e eu, em tempo
de confraternização

Seguimos para Deodoro, onde a Escola de Material Bélico não tinha espaço para nos acolher. O major, generoso, nos conduziu até Sulacap, na Escola de Oficiais, onde passamos a primeira noite. Dias depois, enfim, consegui alojamento na própria Material Bélico, libertando-me da preocupação com transporte e alimentação. Ainda assim, as diárias pelo afastamento de Manaus continuavam a pingar — e eu, em silêncio, celebrava com meus botões: que maravilha! Era o primeiro curso fora de Manaus, estendido de março a dezembro de 1967, e não poderia ter começado melhor.

Explorando os arredores, reencontrei parte da família de minha tia Raimunda em Marechal Hermes. Conversas se reacenderam, memórias se entrelaçaram, e logo soube que outros parentes viviam em Santos, empregados na refinaria de Cubatão, em fase de ampliação. Foi o primo Francisco, o “Cote”, quem me guiou até o litoral santista, onde fui recebido com festa exuberante. A casa, repleta de filhos, pulsava de vida; sempre havia uma cama quente cedida por alguém, como se a hospitalidade fosse um ritual.

Essa rotina tornou-se quase um rito semanal: saída do curso ao meio-dia de sexta, chegada em Santos na madrugada, mergulho nos afetos e na alegria, retorno no domingo à noite, desembarque na Avenida Brasil já próximo à escola, na madrugada de segunda. O preço era alto: aulas massacrantes, o corpo vencido pelo sono atrasado. Mas a recompensa era maior — o deleite de pertencer, de estar entre os meus entes queridos.

O curso reunia oficiais das Forças Federais e das Polícias Estaduais. Entre eles, destacava-se a delegação mineira, cujo chefe me tratava como se fosse da própria família. O quartel, erguido diante da estação da Central do Brasil, oferecia o trem como companheiro habitual de deslocamentos. Eu o tomava para estudar, para circular pelo Rio, sem desprezar os ônibus que, até às 23h, ainda partiam do centro. O cobrador, figura incansável, acordava os dorminhocos aos gritos em cada estação — como se fosse guardião do tempo e da disciplina urbana. 

Diploma do Curso de 
Manutenção de Armamento


Minha participação no curso foi um desastre: terminei como o último colocado da turma. Duas razões se impunham com clareza. A primeira, técnica: até então havia manuseado apenas armas de uso pessoal, e de repente me vi diante de um currículo que exigia compreender canhões e obuses de grande potência, descrevendo seus mecanismos como se fossem familiares. O despreparo era evidente. Como se não bastasse, o capitão Imbuzeiro, carioca nato e dono de ironia afiada, sugeria que eu estudasse zarabatanas e flechas — armas dos indígenas amazonenses — numa zombaria que me feria, mas que eu suportava com resignação. 
Ainda assim, aceitei o desafio: era o único curso disponível, e eu não poderia recusar. 

A segunda razão era mais sedutora: o deslumbramento com a Cidade Maravilhosa e o reencontro com a família. Alguns viviam nas proximidades, outros no litoral santista. Os finais de semana, inevitavelmente, eram devorados por viagens a Santos, e o trajeto, embora prazeroso, cobrava seu preço em fadiga. A lembrança de casa e da namorada, mesmo à distância, pesava no coração e roubava energia.

Naquele tempo, as cartas eram o fio que ligava os ausentes. Eu escrevia e recebia com frequência, disputando com os colegas quem mais acumulava correspondências. Recordo-me de uma correspondente em Guajará-Mirim (RO), que escrevia com tanta ênfase que suas palavras pareciam atravessar fronteiras e rivalizar com o afeto dos demais. O telefone também era recurso constante: em frente ao quartel havia um orelhão, usado à noite para economizar fichas. Certa vez, o aparelho entrou em pane, mas continuava funcionando — e por dias transformou-se em palco de uma farra coletiva, onde cada ligação era uma vitória contra o acaso.

 

Na casa de tia Raimunda, os finais de semana tinham um ritual simples e encantador: diante do pequeno aparelho de televisão, reuníamo-nos para assistir ao III Festival da Record, transmitido de São Paulo entre setembro e outubro. Torcíamos juntos por Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, que naquele instante impulsionava a carreira do jovem baiano. Encerrada a transmissão, seguia com meu primo Luiz Jorge — que viveu entre 1945 e 2016 — rumo ao caminho das Bocas, território de bares e bordéis vizinhos às Docas. Numa dessas noites, ao tentar abordar uma gaúcha avantajada, fui descartado com ironia: disse não gostar de “miniatura”. Desde então, confesso, guardo certa mágoa contra os baixinhos.

No Rio, aproveitei também os eventos festivos que a cidade oferecia. Estive na eleição de Miss Brasil, realizada no Maracanãzinho em 1º de julho, vencida pela representante paulista. Logo depois, assisti ao II Festival Internacional da Canção Popular (FIC), promovido pela recém-criada TV Globo. No encerramento, em 22 de outubro, vi Milton Nascimento consagrar-se ao interpretar Travessia, apenas com seu violão — um momento de pura revelação artística. Conheci ainda o Maracanã, palco erguido em 1950, ano em que a família Mendonça se aventurou no Rio sem visitá-lo. No Dia do Trabalhador, assisti ao clássico Flamengo x Santos, com Pelé em campo. Contudo, não consegui vê-lo com clareza: o jogo de portões abertos atraiu multidão, e eu, sem óculos, acabei relegado ao alto das arquibancadas. 

Em outubro, veio a promoção a 1º tenente, com o soldo melhorado. Em dezembro, a cerimônia de formatura trouxe constrangimento: ocupei o último lugar da turma. Apesar do esforço para superar os obstáculos do currículo, ao retornar à corporação, fui nomeado tesoureiro da instituição. Quanto ao armamento, jamais fui cogitado para aplicar os conhecimentos adquiridos. A aversão às armas, já presente, reforçou-se com o resultado escolar. Não era apenas comigo: outros colegas também não foram aproveitados. Os cursos fora da sede tornaram-se, em essência, uma forma de ampliar o soldo. 

Henrique Antonio,
meu irmão 


Chegou, então, o momento de regressar a Manaus. Mas a convivência com os parentes de Santos trouxe uma proposta tentadora: ingressar em atividade privada, deixando a Força amazonense. Cubatão fervilhava de oportunidades, com a refinaria
Presidente Bernardes
cheia de construções, onde meus primos trabalhavam. Não hesitei. A saudade da terra e da namorada que me aguardava pesaram na decisão. Sugeri ainda que meu irmão Henrique Antônio, em Manaus, viesse juntar-se à empreitada. Enviei-lhe a passagem, e poucos dias depois o recebi em Congonhas, conduzindo-o à casa da tia, que o acolheu com calor. Logo conseguiu emprego, construiu sua vida e, recentemente, estabeleceu-se em Lisboa, Portugal.

Desembarquei no Ponta Pelada trazendo na mala presentes e, nas mãos, dois vinis: um do Festival da Record e outro do francês Paul Mauriat, cuja orquestra era a sensação da época — ainda que eu não tivesse aparelho para ouvi-los. A família seguia no Morro, e eu me mantinha alojado no quartel da Praça da Polícia. Atravessei a praça Ribeiro Junior em busca da namorada e, assim, vi chegar o ano de 1968. (segue)

sábado, junho 29, 2024

SANTOS DE JUNHO E DA FAMÍLIA (2)

 Conclusão da crônica NOVIDADE, de Renato Mendonça, iniciada na postagem anterior.

Renato Mendonça, em comemoração, 2006

No meu caso, quando eu tinha treze anos e frequentava um colégio interno no meu segundo ano de clausura, um fato ficou marcante. Fui castigado pelo vice-reitor do educandário, pois me julgou como cúmplice de uma mentira praticada por um colega de mesma faixa etária. Essa mentira envolveu um falso pedido de dinheiro emprestado. Naquela época a comunidade de alunos não perdoou, fez circular cartazes onde nos comparavam à instituição financeira “Moreira Sales”, que eu jamais tinha ouvido falar. Uma imensa galhofa que logo acabou, pois estávamos no fim do ano letivo. Só agora, quase sessenta anos depois, li que o Banco Moreira Sales — depois, antigo Unibanco, e atualmente Banco Itaú —, em comemoração ao centenário de fundação, contratara o show da Madonna, apresentado aqui no Rio de Janeiro em maio desse ano. Para mim, uma novidade temporal. (...)

Por exemplo, eu procuro ser um fingidor, se adubar a palavra com um conceito mais nobre: finjo que sou um escritor. Às vezes, ouso me transformar num carpinteiro ou num marceneiro; outras vezes, assumo a condição de um Técnico de Enfermagem ou de um Cuidador; e, por inúmeras vezes, um chef de cozinha. E quem não me conhece, pode até acreditar. O fingir também é uma novidade, um aprendizado, ou a primeira arte do ator da vida. Lembro-me, com carinho e um indisfarçável orgulho de pai, quando certa vez alguém perguntou ao meu filho, sobre uma atividade que eu me propus a fazer, mesmo sem o pleno domínio: “Você acha que ele sabe?!” O filho respondeu de forma categórica: “Sabe, sim. Se não sabe, ele inventa...”, naturalmente, ele quis dizer: meu pai inventa que sabe. Em outra ocasião, há bastante tempo, quando eu murmurava para mim mesmo e reclamava das rugas no meu pescoço, outro filho acrescentou um comentário com sutil ironia: “Já tá... já era, pai”. Apenas ri da maneira sucinta de ele me dizer que não adianta se preocupar com o exterior, o mais importante é a estrutura interior, tanto material quanto imaterial. E sempre rio, quando relembro essas abordagens, que paradoxalmente me fazem bem à alma.

É sempre oportuno citar outros ensinamentos do apóstolo Paulo, que foi martirizado, supostamente nesta data, no ano 67 da Era Cristã, junto com o outro apóstolo, São Pedro, e por conseguinte os cristãos os homenageiam neste dia de hoje: “Por isso, não desanimemos. Mesmo se o nosso homem exterior vai se arruinando, o nosso homem interior, pelo contrário, vai-se renovando a cada dia. Com efeito, o volume insignificante de uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável. E isso acontece porque voltamos os nossos olhares para as coisas invisíveis e não para as coisas visíveis. Pois o que é visível é passageiro, mas o que é invisível é eterno.” (2Cor 4,16-18). Para finalizar, concluo que não há razão para lamentar o avanço da idade, pelo contrário, cada novo dia que conseguimos viver será sempre um regozijo, um júbilo, uma canção de glória — uma dádiva divina!

SANTOS DE JUNHO E DA FAMÍLIA (1)

 O primogênito de seu Manuel Mendonça não se olvidou dos ensinamentos recolhidos no Seminário São José, não obstante o ralo período naquela Casa. Hoje, seu natalício, por ser Pedro, Renato retorna com uma crônica revisora, para lembrar a si e os demais filhos de Francisca (nossa mãe). O trabalho vai partilhado em duas partes, pela extensão.

Na ordem do nascimento: Antonio (13) Manoel (17) e Pedro (29).

Antonio, pai Manuel, Pedro e Manoel, 2006, em
Barra Mansa-RJ

NOVIDADE

29.06.2024

Apesar do título sugestivo, não há nenhuma novidade no que vou dizer: apenas a “nova idade”. É simplesmente o resultado do abraço entre essas duas palavras. Bem que o sentido etimológico da palavra “novidade” poderia ser: uma nova idade para se viver. No entanto, não tem nos dicionários nenhuma acepção que transmita essa ideia, e sim: “condição daquilo que se vê, se conhece ou se sente pela primeira vez.” Sendo assim, a temática está lançada de olhos vendados, vamos tentar desvendá-la.

A novidade fica por conta da idade que se adquire como nova, e o que ela representa a partir de agora, dentro do contexto social da nossa natureza humana. Podemos nos aliciar de um desejo súbito para que ela nos encoraje a aprender, feito um novo discípulo, nessa estação da vida. Não há como rejuvenescer o semblante, que será a cada dia mais fechado sem ao menos percebermos, mesmo tendo o espelho como testemunha; com certeza, estaremos mais sisudos por conta dos compromissos diários, que nos parecerão a cada dia fardos mais pesados. Então, resta-nos rejuvenescer o espírito. E, aí sim, está a novidade!

Nessa longa viagem, rumo ao desconhecido por nós, não ficamos sabendo quantas fronteiras poderemos cruzar. Entretanto, em cada um desses territórios alcançados, encontraremos as novidades que iremos precisar, todas facilitadas pela benevolência de Deus. E entre essas novidades está a qualificação do discernimento, arraigado em nossa consciência, como um diploma conquistado na escola da vida. E isso viabiliza encontrarmos sempre as melhores alternativas, ou simplesmente o melhor caminho para se prosseguir na missão humana.

Sinto-me ainda hoje como aquele irrequieto menino que, de posse do seu livro didático, já começa a ler a lição seguinte, mesmo sem a explicação do mestre, o que julgo ser uma sadia inquietação. E é assim que eu, que recém passei a frequentar a casa dos setenta, já começo a bisbilhotar o que se passa na casa dos oitenta; quero ver como vivem ou o que pensam os seus moradores, quais são seus anseios e suas preocupações. Quero entender os sintomas dessa doença moderna, que chamam de depressão, para tentar achar o antídoto contra esse mal. Talvez esteja exclusivamente na preservação do bem-estar do espírito.

Espero cumprir com saúde o meu contrato de locação nesta casa em que estou, sem inadimplência. Preciso cuidar do corpo e da alma também, para que não ocorra um distrato antecipado. Para o corpo podemos consultar os médicos, e temos os exames de imagem e evidência, necessários para conjugar o verbo que nunca deve sair de nosso dicionário da vida: amar! — Amar como Jesus amou; pensar como Jesus pensou e viver como Jesus viveu, prega e nos emociona o verso de uma canção gospel. E, se quisermos nos fortalecer com os ensinamentos bíblicos do Novo Testamento, sigamos o que nos instrui São Paulo: “Alegrai-vos, procurai a perfeição, encorajai-vos, tende um mesmo pensar, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco.” (2Cor 13,11)

A novidade por certo me leva a um novo patamar dessa vida e a um novo cômodo da casa, onde os personagens são os mesmos, mas o cenário muda aos poucos. Ali, ficarei curioso para descobrir novas nuances da idade, e terei a indiscrição de querer olhar para as casas anteriores, para ver o passado e fazer uma releitura do que foi plasmado com as lições de outrora. Olhar para trás não significa entrar em estado de nostalgia, e sim deixar a mente satisfeita com o prazer da recordação, embora alguns pontos fiquem anuviados quando relembrarmos. Esses momentos podem ser reconstruídos com nossos conceitos atuais; podemos viajar no tempo e, quem sabe, encontrar ali alguma novidade que até então não tinha sido discernida. (segue em Santos de Junho e da Família)

quinta-feira, junho 13, 2024

13 DE JUNHO - DIA DE SANTO ANTONIO

 Vou ilustrar a postagem com a fotografia da imagem de Santo Antonio, erigida no barranco da cidade de Borba (AM), cuja construção foi processada pelo artista Marius Bell, que a tem como sua maior obra. Todavia, o texto pertence a meu irmão - Renato Mendonça, saudando o Santo do dia e o santo de casa. Somos três irmãos: Roberto, Antonio e Renato.


BOLO DE SANTO ANTÔNIO

13.06.2024

Estive hoje pela manhã na Igreja da Porciúncula, em Niterói. Não sabia que a festa na rua ao lado estava repleta de pessoas. Muita gente querendo comprar coisas para degustar, entre eles o famoso Bolo de Santo Antônio. Uma fila enorme para comprar nas diversas barracas postadas ao longo da rua. Nem fui até o final, não me atrevi a me acotovelar com tanta gente, ou faltou-me um pouco mais de perseverança mesmo. Aproveitei a ocasião e, na volta para casa pelo caminho do Campo de São Bento, a minha consciência começou a fazer suas reflexões e me interpelar por um juízo de realidade sobre o que eu tinha observado naquele curto momento, baseado nos conceitos subjetivos que se têm hoje da religião, sem caminhar pelo preconceito, pela discriminação ou julgamento precipitado.

Embora não tenha conseguido comprar nada, particularmente fiquei feliz por saber que ainda temos tantos católicos neste lado sul do Brasil. O que me deixava intrigado, sem saber exatamente como isso aconteceu, é como as igrejas evangélicas, ditas neopentecostais, conseguiram cooptar tanta gente humilde de boa-fé, e alguns de má fé. O que se viu, nos últimos anos, é uma politização em torno das religiões evangélicas. E isso acarreou entre os fiéis um sentimento pouco espelhado na solidariedade humana. A primeira coisa que me ocorre pensar, é como essas pessoas execram a figura de Maria, mãe de Jesus. Nem se importam que Nossa Senhora é, antes de tudo, uma figura simbólica de todas as mães deste planeta. É o símbolo da vida, é o símbolo do afeto, do aconchego, da amamentação, do zelo — é o símbolo do Amor.

Dia desses, quando eu estava na frente de um hospital aqui no Rio, esperando o momento de visitar a um amigo de nome Antônio, uma dupla de mulheres se aproximou de mim com um folhetim da Igreja Batista, e me entregou. Quando lhes disse o porquê da minha presença ali, elas falaram num discurso vazio e protocolar, que só Deus conseguiria a salvação. Concordei, mas acrescentei que eu estava também esperançoso e com fé no seu filho Jesus, que realizou muitos milagres e curou muita gente. Observei que elas ficaram incrédulas sobre essa minha referência. E eu, evitando polemizar o assunto, disse-lhes que está tudo no Novo Testamento, e que isso é uma questão de fé, qualquer que seja o credo tutelado pela Bíblia. E foi só, elas me abandonaram com as minhas orações sendo rezadas silenciosamente.

Renato, Roberto e Antonio, 2007

Todavia, outro fator de júbilo nesse dia 13 de junho é o aniversário de meu irmão Henrique Antônio. É pena que só posso abraçá-lo virtualmente. Ele está na terra natal do padroeiro, e me ocorre pensar positivamente que está com boa saúde. Isso já me conforta, me basta. Sempre isso: que ele seja feliz e goze de boa saúde, até quando Deus quiser. Mas, é sempre bom ter fé que Jesus Cristo, com seu poder divinal, também possa volver seu olhar misericordioso e suas mãos santas para lhe abençoar nesse dia. E que ele possa simbolicamente saborear a cada dia uma fatia generosa e vital do bolo de Santo Antônio, servido pelo Senhor. Parabéns!

quarta-feira, junho 13, 2018

DIA DE HENRIQUE ANTON7O



O aniversariante de hoje é um homem excepcional, para mim, afinal trata-se de meu primeiro irmão. Junto à família, era conhecido por Antonio, porém, o exercício profissional na Petrobras e outros empreendimentos congêneres, o fizeram conhecido pelo primeiro nome. Henrique homenageia ao avô paterno e Antonio, ao Santo do dia.
Henrique Antonio (1948)

Alcança hoje os Setentanos, nascido no bairro de Educandos (quando ainda era Constantinópolis), hoje morador da Barra da Tijuca, no Rio. Dividimos a mesma residência-taberna na rua Inácio Guimarães, antes de seguirmos com a família para uma empreitada mal sucedida no Rio de Janeiro, da primeira Copa do Mundo.

Concluído o ensino médio, e antes dos vinte anos, Antonio desembarca em São Paulo e passa a enfrentar aquele mundo. Dureza, como todo início, mas consegue com brilhantismo “vencer na vida”. Mesmo tendo que se ausentar de casa, da família, por obrigação profissional.

Deixando São Paulo, abrigou-se no Rio de Janeiro, onde reside com a esposa e a filha, e neste dia certamente vai brindar com os seus essa bela etapa da vida. Enfim, Setenta Anos só se completa uma vez.

Parabéns, mano, que o Santo do dia permaneça abençoando você. Você merece!

sábado, junho 29, 2013

TRILOGIA DOS SANTOS

Pedro Renato (à dir.) e o filho Marcelo,
pai do João
O texto abaixo foi escrito pelo mano Renato Mendonça, homenageando seu filho caçula, Fernando, pelo aniversário deste no Dia de São João. Sucede que nesse tópico a família foi privilegiada, os três irmãos nasceram em junho. Daí o Antônio e o Pedro. Faltou o João, que é o tema desta crônica.
Aproveito para, com a postagem à qual acrescentei algum itálico, abraçar meus familiares pelos seus cumpleaños: Antônio (13), irmão; Fernando (24), sobrinho; Vilma (28), cunhada; e Renato (hoje, 29), irmão.

* * *

Desde que os irmãos Mendonça nasceram nas distantes décadas de 40 e 50, sempre se pensou que a trilogia dos santos ficaria incompleta.
Henrique  Antônio, 2009 
Roberto, o primogênito, errou o alvo, faltou pouco — para ser mais exato: uma semana antes do dia do profeta — por isso não se chamou João e sim, Manoel, para homenagear o progenitor.   Antônio, o segundo, acertou em cheio o santo casamenteiro, e de quebra, foi contemplado com o prenome Henrique, que é o aportuguesamento do nome do avô. Porém, tenho minhas dúvidas quanto a esta homenagem. Afinal, o avô parece que teve uma participação pífia na formação do velho Mendonça, apenas biológica.

Por fim Renato, o caçula, o cronista que escreve esta, foi certeiro, possibilitou a homenagem ao santo das chaves do céu e patrono da Igreja Católica – Pedro. Daí, além do tributo ao santo do dia 29, junto com o significado de renascido — que provavelmente terá sido escolhido pela mãe Francisca — lhe rendeu o nome composto, tradicionalmente familiar.


Fernando, 2003
Assim, todos os nomes tiveram a força divina da Folhinha (calendário religioso observado pela família católica de então) somada a alguma homenagem ou significado. Mas, ainda haveria tempo e oportunidade, nas futuras gerações, para preencher a lacuna do santo mais festejado dessa tríade: São João.

E coube ao Fernando, nascido prematuramente, esse privilégio. Um mês antes da data prevista, ele já estava visitando o nosso mundo, exatamente no dia 24 de junho. Um garoto levado, que se fosse chamado Joãozinho, daria muito mais trabalho. Havia uma falsa preocupação de que o nome contribuísse para que ele fosse confundido com o das piadas levianas, as quais normalmente o colocam como vilão.

Ledo engano, Fernando deu o mesmo trabalho que todos os meninos da sua geração. Enquanto preocupou, também encantou. Posso dizer que me diverti muito vendo suas peraltices: os discos de vinil espalhados no chão, no corredor da casa, servindo de prancha de surf. As roupas brancas de réveillon expostas nas Lojas Americanas eram como guardanapos, para que ele, se refestelando de chocolates, limpasse as mãos. E eu não conseguia interromper a algazarra, talvez por causa do meu sentimento ambíguo, de reprovação e de admiração. Coisas de pai coruja!

E não poderia deixar de recordar quando, aos sete anos ele me fez sair às pressas da cadeira do barbeiro, com o meu cabelo cortado só de um lado e com um pano branco pendurado ao pescoço. Nandinho saiu em desabalada carreira, dizendo que ia pra casa e não podia me esperar. Tive que segui-lo de longe, orientando-o na travessia das ruas para evitar um desastre. Só depois de vê-lo chegar ao prédio residencial, pude voltar e completar o corte de cabelo. Velhos tempos!

Agora, já não é mais o Nandinho, tornou-se um homem, tornou-se um cidadão. Fernando agora dirige a própria família com paixão e devoção.  A filha dele, Teresa, lhe devolve em parcelas a alegria que ele me doou. Parabéns!

De volta aos santos juninos. Somente com a segunda geração, a trilogia ficou completa. Ficou? E o nome? Bem, o nome ficou por conta do João Marcelo, da terceira. Explico: Marcelo Renato, meu primeiro filho, percebendo que estava faltando apenas este nome, interveio e homenageou o santo. Uma justa homenagem para completar totalmente a trilogia com nomes e datas.

Os irmãos Mendonça da primeira geração, que já ultrapassaram a barreira dos sessentanos, podem ficar em paz, porque, passados 58 anos, completou-se a trindade dos santos.  

terça-feira, junho 29, 2010

ÁLBUM DA FAMÍLIA MENDONÇA

Junho, 29 - Dia de São Pedro


Francisca e Manuel Mendonça tiveram três filhos. Os três nascidos no mês de junho e do sexo masculino. O primeiro, nascido a 17, chamou-se Manoel, em honra do pai, e mais Roberto, e é quem escreve este texto.
O segundo, nasceu a 13, dia de Santo Antonio, por isso, Henrique Antonio. Por fim, dia 29, Pedro Renato, em honra do padroeiro dos pescadores.

Renato, Roberto e Antonio, em 2007

Já falei do Antonio, dias passados; hoje, relembro os 59 anos de Pedro Renato. Ou simplesmente, Renato. Nascido na rua Inácio Guimarães, em Educandos, acabou orfão da mãe no ano seguinte.

A seguir, foi cuidado pela avó paterna, uma peruana autêntica, e outras assistentes, até que Dona Doroteia assumisse o lugar de mãe adotiva. Renato estudou no Seminário de Manaus, aproveitando o internato quase gratuito, e completou o ensino secundário no Colégio Estadual do Amazonas.

Nossa família, em 1959, mudou-se para o Morro da Liberdade, inaugurando uma nova casa em bairro em formação. Era então o fim de Manaus. Morávamos a rua Amazonas (uma das tantas existentes em Manaus), o número 29 foi escolhido por ser o dia em que mudamos. Havia, ao menos, outros três vinte e nove.
Renato, ao tempo do serviço militar, cursou o NPOR no 1º BIS, em 1971. Ao concluir o curso obteve o terceiro lugar e recebeu a espada das mãos do general comandante militar. Pouco depois, conquistou aprovação para o Curso de Matematica na Universidade do Amazonas, tendo realizado apenas o primeiro ano.
Em 1972, aproveitou a transferência da família para Santos (SP) e foi junto. Na busca de emprego, conseguiu aprovação em concurso para a Petrobras e nela se aposentou. Durante sua permanência em atividade nessa empresa passou por vários departamentos e refinarias, inclusive a de Manaus, além de postos de prospecção em alto mar, as conhecidas plataformas.


Casado com a Isabel, possui três filhos: Marcelo, Patricia e Fernando. Apesar de aposentado, segue trabalhando junto a Petrobras.

Renato, 2009